AE Quando era adolescente, Luciana Haill teve uma meningite viral. E foi por causa da dor de cabeça provocada pela doença que ela voltou a atenção pela primeira vez para seu cérebro. "Fiquei obcecada em imaginar o que estava acontecendo na minha cabeça", diz a britânica de 37 anos.
Luciana se recuperou da doença, mas nunca mais parou de prestar atenção no cérebro. Fez disso uma profissão. E não, ela não é neurologista nem psiquiatra. É artista. E transforma as ondas cerebrais em música. O processo começa com o IVBA (Interactive Brainwave Visual Analyser), aparelho de eletroencefalograma que gera uma visualização em 3D a partir das ondas cerebrais.
Luciana - ou um voluntário disposto a, literalmente, abrir a cabeça - fixa os sensores e relaxa. Os pensamentos viram ondas em três dimensões, que são transformadas em sons orgânicos por um software. E que tipo de som o cérebro produz? "São muito subjetivos", explica Luciana.
Nas apresentações, ela seleciona alguns samplers e deixa todo o trabalho de acionar o volume e a sobreposição de sons ao efeito do cérebro. "Imagine que é como tocar teremins", diz ela, fazendo referência ao instrumento russo da década de 20, muito usado pelos Mutantes, que cria sons com o movimento das mãos no ar.
"A performance é como uma tecelagem transitória por pensamentos, com múltiplos teremins aparecendo fantasmagoricamente."
Luciana parece uma pin-up ciborgue. Estudou artes na faculdade em Londres, mas foi o curso de arte interativa do pioneiro Roy Ascott - que faz arte cibernética desde os anos 60 - que "mudou sua vida". Outra referência foi Marvin Minsky (co-criador do laboratório de inteligência artificial do MIT), que se comunicava com ela por meio do sistema rudimentar de e-mails Janet, do inicio dos anos 90.
Mas sua pesquisa ganhou um novo sentido ao descobrir a arte de dentro do cérebro. "Os eletroencefalogramas são tão bonitos. São como corais e rostos. Cada um é diferente", diz.
Mão na massa
Ela guarda várias impressões de imagens do seu cérebro tiradas quando foi voluntária de um teste com ressonância magnética. Foi em 1995, porém, que resolveu construir seu próprio aparelho para investigar o cérebro. Seguiu as instruções de revistas para eletricistas amadores dos anos 80 e tentou fazer um detector simples de ondas Alpha (as mais lentas, que aparecem em estados mais relaxados).
"Se você fechasse seus olhos, ele fazia um bip! Claro que não era sofisticado o suficiente para as minhas necessidades como artista", ri. "Então, eu achei esse sistema IVBA nos EUA. Usei para fazer meu trabalho de conclusão na graduação."
Hoje, além de usar os scanners em seu trabalho como artista, ela criou uma empresa para vender o aparelho. O IVBA foi desenvolvido no Japão por Masahiro Kahata, a quem Luciana define como amigo. O aparelho é usado para pesquisas em várias universidades, e também é útil, diz Luciana, para técnicos de esporte, hipnoterapeutas, treinadores de programação neurolinguística, médicos do sono, além dos artistas visuais e músicos.
Rumo ao inconsciente
As formas em três dimensões, para Luciana, são "análogas à escrita e à música". "Os padrões têm diferentes formatos e velocidade. O EEG se tornou o meu Paintbrush". Os pensamentos, porém, não são constantes - e cada alteração provoca sons diferentes. Por isso, nada como uma mente com padrões diferentes para gerar uma música singular, certo? É isso que Luciana faz. Ela tem interesse em alterações de consciência.
Foi ao Havaí estudar a técnica de sonhos lúcidos de Stephen LaBerg, que permite às pessoas experimentarem conscientemente universos fantásticos durante o sono. A artista também provoca padrões de pensamento diferenciados usando a Dream Machine, máquina desenvolvida nos anos 50 que provoca hipnose através de padrões de luzes piscantes (há, inclusive, uma versão online desse sistema).
As luzes estroboscópicas induzem as ondas alfa e teta do cérebro, responsáveis por "introspecção, devaneio e hipnose". O sistema, porém, não serve para todos. "Eu sempre aviso o público: não deixe os olhos abertos na sala se for suscetível a epilepsia".
Nas apresentações, o voluntário instala os sensores eletromagnéticos na cabeça e se deixa levar pela "máquina dos sonhos". "Nós todos ouvimos em tempo real os sons se alterando conforme sua entrada no estado hipnótico", diz Luciana. "Eu convido a audiência a participar e me autorizar a enviar as ondas produzidas por seu cérebro à galeria", explica. O resultado disso está no MySpace.
O novo projeto de Luciana é The Dream Machine, música feita sobre as gravações do escritor veterano Brian Barritt (amigo de Timothy Leary que, aliás, já experimentou a engenhoca).
Também está focada em projetos sobre consciência fora do corpo. Transitando no limite entre arte e ciência - e, claro, experimentação -, Luciana ainda faz parte do Institute of Unnecessary Research (Instituto da Pesquisa Desnecessária), que reúne artistas e pesquisadores de áreas alternativas. Não por acaso, o lema do Instituto é a frase de Albert Einstein: "Se nós soubéssemos o que estávamos fazendo, aquilo não seria chamado de pesquisa, seria?".
29/09/2010 02:26 PM
EFE Foto: EFE O Prêmio Nobel de Física de 2004, o americano Frank Wilczek, se mostrou hoje convencido da existência de vida extraterrestre, "provavelmente", inclusive em nosso próprio sistema solar. Em entrevista concedida à Agência Efe, Wilczek cogitou a possibilidade de que planetas como Marte, e talvez alguns satélites de Saturno, abriguem formas de vida, que seriam parecidas às bactérias extremófilas que habitam em condições de limite em alguns ambientes da Terra. O Prêmio Nobel, que participa de um evento científico realizado em San Sebastián, no norte da Espanha, explicou que há tantos planetas e estrelas no universo que fica difícil "considerar que só um, a Terra, tenha vida". De qualquer maneira, ele lembrou que "uma coisa é a vida e outra é a vida inteligente", uma qualidade que "requer muito tempo e uma série de condições" específicas. Segundo ele, haver todos esses ingredientes ao mesmo tempo "é difícil". No entanto, embora ele não considere possível que Marte contenha alguma forma de vida, Wilczek não é favorável a organizar, no momento, missões tripuladas por humanos ao planeta vermelho, já que "a tecnologia da qual dispomos atualmente para enviar pessoas ao espaço é muito perigosa e muito cara". Por este motivo, ele considera que até se pode enviar astronautas ao espaço, mas que seria melhor destinar o dinheiro "a outro tipo de coisas que têm mais prioridade".
29/09/2010 02:10 PM
National Geographic Foto: National Geographic Em abril, dedos meticulosos retiram a primeira - e melhor - colheita de folhas de chá no Jardim Ecológico de Chá Mingshan, em Sichuan. Os historiadores acreditam que o chá começou a ser cultivado nos úmidos campos de altitude das províncias de Sichuan e Yunnan, na China. 
29/09/2010 10:48 AM
BBC Brasil Foto: RSPCA Uma jovem que tingiu sua gata de cor de rosa na Inglaterra com corante alimentício, em um caso que obteve grande repercussão ma mídia britânica, vai receber o animal de volta. Mas a Sociedade Protetora dos Animais britânica (RSPCA) afirmou que Natasha Gregory, de 22 anos, de Swindon, será informada sobre os riscos potenciais de tingir gatos. A felina, chamada Oi Kitty, foi encontrada no jardim de uma casa no dia 18 de setembro. O dono do jardim chamou a RSPCA. Na época, uma porta-voz da RSPCA criticou o tingimento como uma ?piada de mau gosto?, e fotos do animal foram parar em vários jornais.Funcionários da organização tentaram lavar a gata de dois anos de idade, mas a cor apenas desbotou ligeiramente. ?Eu amo minha gata ? esta gata é melhor alimentada do que muita gente?, disse ela à BBC. ?Eu queria que as pessoas soubessem que ela não foi prejudicada de forma alguma.? ?Não vou fazer de novo ? fiquei chocada ao ver minha gata nos noticiários. Achei que nunca mais ia vê-la.? Ela disse que o pelo da gata agora terá que crescer, para perder a cor.
'Sem crimes'
A dona da gata, Natasha, cujos cabelos são tingidos de rosa e que afirma ?adorar? a cor, entrou em contato com a RSPCA e pediu o animal de volta.
Uma porta-voz da RSPCA disse que a organização vai visitar Natahsa Gregory para orientá-la sobre cuidados com animais.
?Depois da visita, já que nenhum crime foi cometido e o veterinário confirmou que a gata goza de boa saúde, ela será devolvida à sua dona.?
29/09/2010 09:50 AM
BBC Brasil Naidoo, que se tornou conhecido como ativista contra o apartheid em seu país natal, a África do Sul, dirige o Greenpeace desde novembro do ano passado. Ele é uma das personalidades ouvidas pela BBC Brasil como parte da série de reportagens "O que falta ao Brasil?", que discute os desafios do Brasil para se tornar um país desenvolvido. ?O Brasil está bem no caminho da transição entre uma economia ?emergente? e uma economia ?industrializada?. Se eu pudesse dar apenas um conselho para o próximo presidente do país seria isso: Não baseie seu crescimento em modelos que não serviram bem ao mundo?, diz Naidoo. ?Considerando a crise do aquecimento global, apenas os países que incluírem a preocupação ambiental em seus planos de desenvolvimento econômico, tecnológico e social terão sucesso como líderes do futuro?, afirma o ativista. Mudanças climáticas ?Nas décadas passadas, as superpotências eram estabelecidas por corridas por acumulação de armas e pelas viagens espaciais. Dado o perigo que o planeta enfrenta hoje como resultado das mudanças climáticas, a corrida hoje somente pode ser ?verde??, afirma Naidoo. Para ele, ?ao resistir os estímulos a emular modelos econômicos que provocaram a atual crise ambiental, o Brasil pode provar ao mundo que um novo caminho de desenvolvimento é possível - um com os melhores interesses de seus próprios cidadãos e do resto do planeta em mente?. ?O mundo precisa de um Brasil verde?, afirma. Naidoo disse ter se reunido com os três principais candidatos à Presidência do Brasil e ter ficado impressionado com o interesse aparente deles na proteção ambiental. O diretor do Greenpeace se disse desapontado, porém, pelo fato de que as questões ambientais importantes, incluindo as discussões sobre o novo código florestal e de infraestrutura urbana, quase não foram tocadas durante a campanha presidencial. Segundo ele, o Brasil até agora conseguiu manter um ?incrível crescimento econômico? sem destruir muito seus recursos ambientais, na comparação com a Europa ou os Estados Unidos. ?Seu território, apesar de pouco menor que o dos Estados Unidos, engloba seis biomas, 62% dos quais ainda cobertos de matas nativas. Vocês têm quase 8% dos recursos mundiais de água doce, e seus rios têm mais espécies de peixes do que todos os rios da Europa juntos. Seu país é o único no mundo com o potencial de conservar a biodiversidade em uma escala continental?, observa. Segundo ele, o fato de que a matriz energética brasileira é composta em 80% por fontes renováveis pode servir de exemplo para o mundo de que é possível garantir um bom padrão de vida à população sem recorrer ao uso de combustíveis fósseis. Como comparação, a China tem mais de 90% de sua matriz energética baseada em combustíveis fósseis (carvão, petróleo ou gás natural), apesar de ter construído a maior usina hidrelétrica do mundo, Três Gargantas, que superou em tamanho a usina de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai. Naidoo se diz desapontado, porém, pelo fato de o Brasil ?já ter começado a mostrar sinais perigosos de uma inclinação a colocar a produção de commodities acima da proteção ambiental e do respeito aos seus cidadãos?. Ele critica o fato de, apesar de a matriz energética brasileira ainda ser prioritariamente limpa, a maior parte vem de grandes usinas hidrelétricas, cujas represas provocam um impacto social e ambiental grande. ?O Brasil hoje deveria expandir o uso da tecnologia de pequenas hidrelétricas sem grandes projetos como Belo Monte?, afirma. Para Naidoo, outro campo para preocupação é o cuidado com as florestas. ?Os biomas remanescentes no Brasil são raramente monitorados e, de uma maneira geral, o controle das florestas em todo o país ainda é extremamente fraco. Em 2008, os satélites do governo registraram quase 3 milhões de hectares de novas florestas degradadas na região?, comenta. ?Hoje 80% da população brasileira vive em centros urbanos, onde um número assustador de 35 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a sistemas de esgoto?, complementa.
Um modelo de desenvolvimento "verde" pode ser o caminho para o Brasil se estabelecer como uma ?superpotência? mundial e um exemplo a ser seguido, na avaliação do diretor-geral da organização ambiental Greenpeace International, Kumi Naidoo.
Para ele, o Brasil hoje está ?à beira de se tornar uma superpotência?, mas pode cair para qualquer lado no que se refere a ser um modelo ?verde? para o resto do mundo.
?A Mata Atlântica, segunda maior floresta brasileira após a Amazônica, praticamente desapareceu como resultado de desmatamento sem controle. Quase 20% da Amazônia consiste hoje de pasto ou terras degradadas. Quase metade do Cerrado, cerca de 45 milhões de hectares, foram convertidos para o uso agrícola em menos de 20 anos?, cita o diretor do Greenpeace.
29/09/2010 09:14 AM
AFP O vazamento de petróleo no Golfo do México é produto de uma "enorme falha" da política pública americana de várias décadas, afirmou nesta terça-feira um membro da Comissão Presidencial Independente de Investigação. Em 20 de abril ocorreu uma explosão na plataforma Deepwater Horizon que deixou 11 operários da BP mortos e causou, dois dias depois, o naufrágio da estrutura e o vazamento contínuo de petróleo durante mais de três meses. "Sejamos claros, isso representa uma enorme falha repartida de política pública", completou, no segundo e último dia de audiências de funcionários, legisladores, técnicos e cientistas organizada pela Comissão. A pessoa nomeada pelo presidente Barack Obama para coordenar a recuperação da costa do Golfo do México, o secretário da Marinha, Ray Mabus, disse que grande parte dos danos será reparada com o dinheiro das multas imputadas à petroleira BP. As multas vão de 1.100 dólares por barril derramado até 4.300 dólares por barril, caso for provada negligência. Isso quer dizer que a empresa britânica deverá pagar em torno de 17,6 bilhões de dólares pelos 4,9 milhões de barris (780 milhões de litros) derramados no Golfo do México. A mancha de óleo atingiu duramente a economia local, afetando pescadores e comerciantes da região. Segundo uma pesquisa do instituto Gallup publicada nesta terça-feira, mais de 25% dos habitantes do Golfo do México afirma sofrer de depressão desde o vazamento de petróleo. A pesquisa foi realizada mediante 2.598 entrevistas entre 2 de janeiro e 6 de agosto, entre habitantes de 25 condados próximos ao Golfo do México em Louisiana.
"As causas desse desastre remontam de várias décadas e podem ser atribuídas a todos: Estado Federal, indústria, Casa Branca, Congresso, republicanos e democratas", disse o ex-senador e governador democrata da Flórida, Bob Graham, vice-presidente da Comissão criada pelo presidente Barack Obama para levar luz sobre as circunstâncias da pior catástrofe ambiental da história dos Estados Unidos.
28/09/2010 08:01 PM
EFE Os projetos procedentes da República Tcheca, Polônia e Hungria conquistaram os primeiros prêmios da 22ª edição do concurso da União Europeia (UE) para jovens cientistas, que começou no dia 26 de setembro e terminou hoje em Lisboa, informou a organização.
O júri, composto por 18 cientistas renomados, avaliou também o trabalho sobre a utilização do fungo Aspergillus Níger para tratamento de tintas, do brasileiro William Lopes, que obteve o prêmio Internacional, dedicado ao melhor entre os países não pertencentes aos 27 estados-membros da UE.
Os vencedores, que embolsarão 7 mil euros cada, foram o projeto tcheco sobre as nanopartículas de CO2 - aplicável na pesquisa de armazenamento dos gases efeito estufa -, o polonês com um estudo sobre as formigas cinerea e o húngaro sobre educação científica.
"Jovens como estes contribuem para moldar o futuro e acho que estamos em boas mãos", declarou a comissária europeia para Investigação, Inovação e Ciência, Máire Geoghegan Quinn na cerimônia de encerramento.
Após quatro dias, o museu da Eletricidade da capital portuguesa acolheu 85 projetos de 124 jovens, entre 14 e 21 anos, provenientes de 37 países, 27 da UE e dez convidados, entre eles Brasil, Estados Unidos, Canadá, Israel e China.
Entre os latinos-americanos, se destacou o brasileiro Lopes, um jovem pesquisador de 20 anos, natural de Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul). Seu projeto premiado sobre utilização do fungo Aspergillus níger tem como objetivo baratear o processo de coloração de tecidos e de couro e foi bem-recebido pelo público. "É uma iniciativa amiga do meio ambiente e mais barata. Já existem várias empresas interessadas", disse Lopes à Agência Efe.
O concurso de Jovens Cientistas da UE, impulsionado pela Comissão Europeia (CE-órgão executivo da UE), começou em 1989 e visa promover a cooperação internacional e estimular novos talentos.
28/09/2010 07:49 PM
Reuters Foto: Getty Images O presidente peruano, Alan García, exigiu na segunda-feira que a Universidade de Yale devolva tesouros arqueológicos que seus pesquisadores "saquearem" da região de Machu Picchu no início dos anos 1900. O Peru diz que a universidade levou cerca de 40 mil objetos, incluindo cerâmicas, jóias e ossos do local nos Andes peruanos. "Ou chegamos a um entendimento sobre... Machu Picchu, ou simplesmente teremos que chamá-los de saqueadores de tesouros", disse García, referindo-se à Universidade de Yale. Os artefatos foram enviados para fora do Peru depois que um graduado de Yale, o explorador norte-americano Hiram Bingham, redescobriu Machu Picchu em 1911. O país argumenta que os objetos foram emprestados à universidade por 18 meses mas nunca foram devolvidos. "Agora é a hora para começar a embalar as coisas e enviá-las de volta junto com a pesquisa... O silêncio indicaria que são culpados do roubo", disse García. Na época da descoberta de Bingham, a antiga cidade, hoje um ponto turístico, estava esquecida, coberta de densas florestas nas montanhas, a cerca de 2.400 metros de altitude. O Peru tem centenas de sítios arqueológicos espalhados pelo país e vem enfrentando dificuldades há anos para combater o tráfico de fósseis e artefatos. 
28/09/2010 07:19 PM
Alessandro Greco, especial para o iG Foto: Reprodução A cena clássica de um videogame na qual o jogador atira, mata e morre na velocidade de um clique muitas vezes causa desgosto em seus pais, que não veem nada de útil nas ações e reações ?selvagens? do filho na telinha. Mas uma pesquisa publicada recentemente pela revista Current Biology mostra que jogar videogames de ação pode sim ter efeitos benéficos na vida dos jovens. O trabalho, liderado por Daphne Bavelier, atualmente na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, fez testes visuais e auditivos com jovens de 18 a 25 anos que não eram jogadores usuais de videogames. Eles foram separados em dois grupos. Um deles jogou 50 horas dos games de ação Call of Duty e Unreal Tournament e o outro jogou o game de estratégia The Sims 2. Após o treino, os dois grupos realizaram uma tarefa visual e outra auditiva. Na tarefa visual, eles tinham de olhar para uma tela, analisar o que estava acontecendo e responder a uma questão o mais rápido possível (por exemplo, se um grupo de pontos movendo-se aleatoriamente estava indo na média para a esquerda ou para a direita). Algo semelhante foi feito no caso auditivo. ?Descobrimos que nas duas tarefas os que jogaram videogames de ação tomaram as decisões mais rapidamente e com o mesmo nível de precisão que os que jogaram o game de estratégia?, disse ao iG o psicólogo C. Shawn Green, um dos autores do estudo. O resultado percentual mostrou que os jogadores de Call of Duty e Unreal Tournament eram 25% mais rápidos do que seus pares que ficaram com The Sims. Ao cruzar os dados com um modelo neural, os pesquisadores descobriram que eles poderiam ser explicados se fossem fruto de uma maior habilidade por parte dos jogadores de videogame em realizar algo chamado inferência probabilística. ?Em essência, cada pequeno som/ponto [visual] estava dizendo mais sobre a resposta correta [para os jogadores de Call of Duty do que o mesmo som/ponto [visual] estava dizendo para os jogadores de Sims?, explica Shawn. Segundo os pesquisadores é a primeira vez que se faz esse tipo de ligação entre videogames de ação e inferência probabilística. A relação poderá ser usada no futuro para treinar pessoas a tomarem decisões mais rapidamente de forma precisa no dia a dia, o que pode fazer toda a diferença em situações em que velocidade e precisão são fundamentais, como um cirurgião na sala de operações ou de um soldado em um campo de batalha.
28/09/2010 04:26 PM
AFP Foto: Getty Images Mais de um quinto das espécies de plantas do mundo corre o risco de se extinguir, uma tendência com efeitos potencialmente catastróficos para a vida na Terra. Foi o que revelou o estudo, realizado por Royal Botanic Gardens, em conjunto com o Museu de História Natural, em Londres, e com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O estudo pretende estabelecer as "linhas gerais" dos futuros esforços de preservação. No estudo, os pesquisadores avaliaram cerca de quatro mil espécies, das quais 22% foram classificadas em risco, especialmente nas florestas tropicais.
Stephen Hopper, diretor do Royal Botanic Gardens em Kew, Londres, disse que o relatório sobre a perda de plantas foi o mapeamento mais preciso já feito sobre a ameaça para as estimadas 380 mil espécies de plantas do planeta.
"Este estudo confirma o que nós já suspeitávamos: que plantas estão sob ameaça e que a principal causa é a perda de hábitat pelas mãos do homem", disse Hopper no lançamento da chamada Sampled Red List Index.
"Não podemos nos sentar e observar o desaparecimento das espécies de plantas. Elas são a base de toda a vida na Terra, fornecendo ar limpo, água, comida e combustível. Toda a vida animal depende dela, assim como nós", acrescentou Hopper.
O estudo é publicado antes da reunião, em Nagoia, no Japão, entre 18 e 29 de outubro, quando membros da Convenção da Biodiversidade, das Nações Unidas, estabelecerão novas metas para salvar as espécies ameaçadas.
Craig Hilton-Taylor, da IUCN, disse esperar que o encontro de Nagoia estabeleça uma meta para se evitar a extinção de quaisquer espécies ameaçadas até 2020.
"Queremos nos assegurar de que as plantas não serão esquecidas", afirmou.
As plantas estão mais ameaçadas do que as aves, tão ameaçadas quanto os mamíferos e menos do que os anfíbios e os corais, destacou a pesquisa. Os , grupo de plantas que inclui os pinheiros, estão entre os mais ameaçados.
O maior perigo é representado pela perda de hábitat provocada pelo homem, a maioria a conversão de hábitats naturais para cultivo e criação de gado. A atividade humana responde por 81% das ameaças, disse o pesquisador do Kew, Neil Brummitt.
Mamíferos
Enquanto isso, um estudo realizado por dois autores australianos demonstrou que menos espécies de mamíferos do que o que se pensava podem se extinguir, especialmente aquelas ameaçadas por perda de hábitat.
Diana Fisher e Simon Blomberg, da Universidade de Queensland, disseram ter identificado 187 mamíferos que estiveram "perdidos" desde 1500, 67 espécies das quais foram reencontradas. Seu artigo foi publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, revista da Academia de Ciências britânica.
"A extinção é difícil de detectar", ressaltou o estudo. "Espécies com grandes vácuos em seus registros de avistamento, o que as torna passíveis de ser consideradas extintas, frequentemente são redescobertas".
Os mamíferos afetados por perda de hábitat eram "muito mais propensos a ser desclassificados como extintos" do que aqueles afetados por predadores ou enfermidades introduzidos ou por sobrecaça. Consequentemente, impactos de perda de hábitat ou extinção provavelmente foram superestimados, especialmente no que diz respeito a espécies introduzidas", acrescentou.
Os autores disseram que esforços para caçar mamíferos extintos devem ser desviados das tentativas frequentemente infrutíferas para redescobrir espécies "carismáticas", como o lobo-da-austrália, um marsupial carnívoro, considerado o último exemplar morreu em 1936 na Tasmânia.
Na semana passada, os conservacionistas anunciaram que duas espécies de um sapo africano e de uma salamandra mexicana, que se temia estarem extintos no século passado, foram reencontrados por equipes de cientistas que exploravam lugares remotos, às vezes colocando-se em grande risco.
28/09/2010 03:35 PM
AE Uma queimada para renovação de pasto no Pantanal de Mato Grosso do Sul carbonizou um número ainda não estimado de ninhos com filhotes de araras, papagaios, periquitos e maritacas, que nesta época do ano estão nos primeiros dias de vida. Também morreram queimados cobras e lagartos, segundo disseram hoje soldados da Polícia Militar Ambiental (PMA), em uma área de 2.240 hectares consumida pelo fogo.
A labareda que deveria queimar o capim seco de uma área limitada ficou sem controle na Fazenda Boa Vista, situada no município de Rio Negro, e alcançou outras propriedades rurais. A maior destruição da fauna e da flora aconteceu nas áreas de preservação ambiental permanente.
O proprietário da Fazenda Boa Vista, Joel Alcântara Mattos, recebeu multa de R$ 1,9 milhão correspondente à queimada. Segundo a PMA, essa é a maior multa aplicada a uma única ocorrência do gênero no Estado.
Apesar disso, pequenos e grandes produtores rurais continuam cometendo crimes ambientais. Um deles foi Sebastião Alexandrino, de 49 anos, morador do Assentamento São Gabriel, em Corumbá, no Pantanal. Ele estava estocando madeira de aroeira e piúva, retirada do local e já transformada em 17 postes, tábuas e lascas para cercas de arame farpado.
28/09/2010 02:58 PM
BBC Brasil A fase de testes do equipamento está sendo concluída. Com ele, deficientes físicos podem andar com as pernas mecânicas, controlando os movimentos por meio de botões. As pernas têm seis motores: nos tornozelos, nos joelhos e na cintura. Depois que ele é acoplado ao corpo, o usuário pode escolher o tamanho da passada e a velocidade. Saito trabalha na máquina há dez anos. O mais difícil, segundo ele, foi obter o equilíbrio, de forma que a pessoa pudesse andar sem tropeços. Para resolver o problema, Saito trabalhou com uma empresa de autopeças. O arquiteto Takanori Kato participa dos testes há três anos. Paralisado da cintura para baixo por causa de um acidente de snowboard, Kato já consegue andar 500 metros. A expectativa da equipe é começar a alugar o equipamento para hospitais do Japão dentro de um ano. O protótipo permitirá, inclusive, a realização de movimentos complexos como subir e descer escadas.
O médico japonês Eiichi Saito afirma que o primeiro par de pernas robóticas capaz de fazer pessoas paralisadas da cintura para baixo voltarem a andar deve ficar pronto em dezembro.
28/09/2010 02:49 PM


