Fernanda Aranda, enviada a Belo Horizonte O estresse e o estilo de vida não saudável têm mais uma companhia para impulsionar os casos de infarto em jovens com menos de 30 anos. Segundo os números apresentados no Congresso Brasileiro de Cardiologia de Belo Horizonte, três em cada dez pessoas que infartam antes de completar trigésimo aniversário usaram drogas no dia da pane cardíaca. ?Não conseguimos contabilizar quantas acabam com danos no coração, mas não vão ao médico. Pelos dados internacionais, o que sabemos é que 15% dos usuários de cocaína convivem com seqüela cardíaca?, afirmou o cardiologista Rui Ramos. ?Quando eles chegam ao hospital estão em um quadro muito grave e é preciso conhecimento de quem atende estes pacientes no pronto-socorro porque a conduta é diferenciada e nem todos os medicamentos podem ser aplicados?, completou o especialista ao ressaltar que este tipo de infartado quase nunca admite que usou droga. ?É um uso envergonhado. Eu, em minha carreira, cansei de atender pacientes com quadro clássico de overdose, mas só três admitiram o uso.? O médico da Sociedade Brasileira de Cardiologia Dikran Armaganijan afirmou que a cardiologia de todo o País precisa estar atenta a este fenômeno. Fizemos um levantamento com estudantes de 14 a 16 anos e 17% deles afirmaram já ter usado. Hoje, temos uma variação de drogas letais ao coração. Além da cocaína, há o ecstasy, o crack e as dorgas para emagrecer. Relatório divulgado este ano pelo Observatório de Drogas da União Europeia chamou ainda atenção para outros comprimidos entorpecentes, sintéticos, produzidos em laboratório e vendidos pela internet que são ainda mais nocivos para o músculo cardíaco e aparelho circulatório.
28/09/2010 01:28 PM
Bruno Folli, iG São Paulo Foto: Eduardo Cesar / Fotoarena Um momento que deveria ser de alegria se transformou no pior pesadelo da professora Márcia Barros. Quando ela finalmente conseguiu engravidar do segundo filho, aos 37 anos, os exames pré-natais revelaram um tumor no seio direito. Três médicos disseram que a gestação representava um risco muito alto de vida, por isso o melhor a fazer seria um aborto. ?Já tinha passado por um aborto espontâneo e estava com medo de não conseguir engravidar outra vez. Não queria abrir mão do meu filho?, recorda. Márcia enfrentava um verdadeiro dilema. Ela poderia postergar o tratamento para depois do parto, mas os mesmos hormônios necessários à gestação também alimentavam o tumor e faziam ele crescer mais rápido. Por outro lado, ela poderia abortar para combater o câncer, mas havia o risco dela nunca mais conseguir engravidar. ?Isso assustava os médicos. Ninguém queria cuidar de mim?, afirma. Somente o quarto especialista que ela procurou, o obstetra e mastologista Waldemir Rezende, deu alguma esperança de sucesso para um tratamento combinado com a gestação. ?Ele retirou meu seio doente no terceiro mês de gestação e depois começamos a quimioterapia?, lembra a professora. O remédio certo Quando recebeu a paciente, Rezende trabalhava no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde surgiam cerca de dez novos casos de gestantes com câncer por mês. O médico conta que o tratamento destes pacientes não é simples, por isso muitos outros especialistas acabam recomendando o aborto. ?Mas a maioria dos cânceres pode ser tratável?, afirma. Os mais delicados são os tumores alimentados pelos hormônios femininos, caso do câncer de mama. ?A solução é retirar o tumor?, aponta o médico, que hoje trabalha no Hospital Santa Catarina e escreve artigos para o site Atmosfera Feminina. Já existem anestesias para a operação que podem ser usadas em pacientes grávidas. Contra a dor pós-operatória ou do próprio câncer, a mulher pode usar medicamentos opióides, como morfina e codeína. Contudo, todo antiinflamatório deve ser evitado. ?Eles podem atacar placenta, rins e coração do feto?, alerta Rezende. Também é preciso ter cuidado com os antibióticos. Devem ser evitados os aminoglicosídeos, pois eles representam risco de surdez para a criança. ?Podem ser usados cefalosporina, ampicilina e penicilina?, afirma. Quimio e radio Após a cirurgia, como na maioria dos pacientes com câncer, é necessário quimioterapia. ?Quase todo quimioterápico pode ser usado em gestantes. Basta esperar a 12ª semana de gravidez, quando os órgãos do feto se formam?, afirma. O problema é a radioterapia. ?Ela só deve ser usada em último caso, porque é difícil conter a radiação?, explica o mastologista. O bebê pode até nascer saudável, mas com sequelas que só vão se manifestar com o passar dos anos. "Existem problemas que só se manifestam depois de 20 ou 25 anos", conta o médico. Particularidades O grande desafio da medicina em gestantes com câncer é avaliar a situação da paciente e do tumor para adequar o tratamento da forma mais individualizada possível. Márcia, a personagem no início da reportagem, passou por uma cirurgia radical, com a retirada total do seio direito e ainda foi submetida a um tratamento pesado com quimioterápicos. ?Perdi todo o cabelo e tive que usar peruca?, recorda ela. Mas a investida teve sucesso. Ela conseguiu ter o filho, hoje com dois anos e oito meses, mas precisou ter o ovário removido durante o parto. ?O médico suspeitava que poderia haver metástase lá. E exames posteriores mostraram que realmente havia?, afirma. O tumor de ovário é considerado mais complicado durante a gestação. Quando diagnosticado cedo, Rezende recomenda tirar parte do órgão durante a gravidez e, depois, o restante no parto. Gravidez inesperada O caso da professora Marileide Franzine, de 44 anos, surpreende por ser o inverso do que normalmente acontece. Enquanto as gestantes normalmente descobrem o câncer no pré-natal, Marileide descobriu a gravidez quando se preparava para a quimioterapia. ?Já tinha passado por duas cirurgias para retirar um tumor do seio direito e estava fazendo exames para começar a quimioterapia?, recorda ela. Por mais que quisesse um filho, a professora não acreditava que a gestação fosse vingar. ?Tinha passado por três abortos espontâneos até os 31 anos. Não achei que aos 40 anos e fazendo quimioterapia fosse conseguir levar a gestação até o final?, admite ela. E o tratamento não foi fácil. Desde a primeira sessão de quimioterapia, Marileide começou a ter febre. ?Era todo dia. De manhã, à tarde e à noite. Tive febre por um ano. Até minha mãe adoeceu de me ver tão mal?, conta. Mas o desejo de ter um filho lhe dava forças. ?Estava vendo meu filho evoluir bem e isso me dava esperança de poder tê-lo, da gravidez dar certo?, conta. Rezende, que também foi médico de Marileide, explica que a motivação da mãe tem efeito comprovado na recuperação e na evolução do tratamento contra o câncer. Hoje, a professora se recuperou do câncer e voltou ao trabalho. Seu filho, Gabriel Vinícius, está com 3 anos. ?E eu estou aqui, contando história?, comemora. Outros desafios Em outra paciente, conta o médico, havia risco dela sofrer uma anemia aguda após a cirurgia para remoção de um tumor ósseo na perna. ?Isso poderia causar descolamento da placenta e sequelas no sistema nervoso central do bebê?, explica. Por isso, o médico propôs à paciente fazer uma transfusão de sangue antes da cirurgia. E deu certo. Isso evitou a anemia e ainda permitiu um parto normal. "Ela estava cheia de pinos na perna, mas conseguiu fazer um parto normal?, recorda. O câncer de tireóide, por exemplo, é um dos mais simples de ser tratado. Basta uma cirurgia para retirar a glândula e, depois, a paciente vai precisar dos hormônios artificiais, sem mais riscos para a gestação. Diagnóstico prejudicado Para o mastologista José Roberto Filassi, do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), a gravidez pode prejudicar o diagnóstico do câncer de mama. ?Como a gestação pode causar um certo enrijecimento da mama, alguns tumores sensíveis ao toque passam despercebidos pelo médico, que acha que aquilo é normal?, alerta o especialista. Ele conta que a maioria dos diagnósticos é feita entre o quarto e quinto mês da gestação. E isso em pacientes jovens. ?Elas têm entre 32 e 34 anos, em média, mas já atendemos pacientes com 22 e 19 anos?, afirma. ?Esse número está dentro da média mundial para países desenvolvidos?, acrescenta. Uma solução para isso, recomenda o médico, é fazer exames para detectar câncer de mama sempre que houver qualquer suspeita de alterações nos seios. Se a paciente tiver histórico familiar ou outros fatores de risco, como menarca precoce, a atenção deve ser dobrada.
28/09/2010 12:10 PM
Fernanda Aranda, enviada a Belo Horizonte As mulheres conquistaram espaço na medicina para aproveitar a sexualidade de forma plena. A indústria farmacêutica, de olho nas clientes em potencial, já investe em testes e fórmulas de drogas para tratar a disfunção sexual feminina (nenhuma ainda aprovada e no mercado). Tendo como base a revolução promovida pelos comprimidos do tipo que há uma década já fazem parte do universo masculino, a projeção é de mudanças extremas na população feminina. Neste processo de criação de um novo capítulo da história sexual delas, o médico Otávio Celso Gebara está preocupado: como é que fica o coração das mulheres? Gebara é cardiologista, professor da Universidade Federal de São Paulo e chefe do Departamento de Geriatria feminina do Instituto do Coração de São Paulo (Incor). Durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia ? que acontece até a próxima quarta-feira (29) em Belo Horizonte, o especialista reservou um tempo para responder a três perguntas, com exclusividade ao Delas, sobre o possível impacto da já chamada versão feminina do Viagra no coração das mulheres. Delas: Existe um movimento internacional para a elaboração de drogas contra a disfunção sexual feminina. O risco cardíaco precisa ser cogitado no processo? Otávio Celso Gebara: Sem dúvida nenhuma. O investimento que a indústria farmacêutica começa agora para criar um comprimido, no entanto, já acontece na prática sem que o risco cardíaco seja sequer conhecido. Muitos ginecologistas indicam para mulheres com problemas na libido a reposição do hormônio testosterona. É uma conduta antiga mas ainda não sabemos responder se esta prática é ruim para o coração. Algumas pesquisas dizem que a reposição da testosterona diminui a produção do colesterol bom, deixando mais espaço para o colesterol ruim, mas o fato é que não temos a menor certeza sobre o impacto cardíaco real. Delas: A reposição hormonal com finalidade em melhorar a vida sexual feminina ainda não tem risco calculado? É um tiro no escuro? Otávio Celso Gebara: Não sabemos o efeito. Nem para o bem, nem para o mal. Da mesma forma que não sabemos se a terapia de reposição de testosterona é maléfica e nem conhecemos se essa terapia tem algum efeito protetor, já que, é sabido, uma das explicações para as mulheres ficarem mais suscetíveis às doenças coronarianas após a menopausa é o fim da proteção hormonal. Seria muito importante que mais pesquisas nesta área fossem realizadas, não apenas para o que já é feito, como no caso da reposição da testosterona, mas também para as drogas que ainda virão. Delas: O risco cardíaco da reposição hormonal é pouco valorizado pelas mulheres e quase nunca abordado, não é mesmo? Por quê? Otávio Celso Gebara: As mulheres e os médicos falam muito sobre a relação entre reposição hormonal e câncer de mama, tema amplamente divulgado, mas muito pouco é discutido sobre o risco cardíaco. A relação ainda é investigada, sem repostas definitivas, mas de uma maneira geral as doenças cardíacas são pouco cogitadas pelas mulheres como um fator de risco. Fizemos uma pesquisa em São Paulo e muito menos da metade das mulheres acredita que pode morrer de problemas no coração, quando está é a primeira causa de morte real (a pesquisa mostra que 15% cogitam o risco). Por isso, eu digo que a função dos cardiologistas que tratam de mulher é produzir conhecimento e passá-los para os ginecologistas. Porque estas pacientes dificilmente vão chegar aos nossos consultórios, mas vão aos dos ginecologistas. Outra coisa que percebo é que a mulher que faz reposição hormonal coloca na balança a qualidade de vida naquele momento. Elas dizem que estão ótimas, que a vida e os sintomas tidos como nocivos melhoraram, então é muito difícil falar em risco cardíaco no futuro para essas pacientes.
27/09/2010 02:32 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: Getty Images Batata gelada para curar dor de cabeça Água com açúcar para acalmar Clara de ovo para assaduras Panela de ferro para anemia Colo de mãe para aliviar a dor O trabalho foi feito com 640 recém-nascidos, pouco antes de tomarem a vacina contra a hepatite B. Uma parte deles recebeu a injeção direto. A outra, antes da picadinha dolorosa, ficou no colo da mãe, pele com pele, por dois minutos. Por meio da intensidade do choro, feições faciais e frequências cardíacas foi possível detectar que as crianças abraçadas expressaram menos dor. Quando o ?colo? foi combinado com a água com açúcar a redução foi 25% das manifestações doloridas. A hipótese é que o efeito analgésico é resultante das substâncias formadas por meio do contato e do cheiro entre mãe e filho, que amenizam a resposta do sistema nervoso à dor. Alho é bom para o colesterol Ameixa preta para prisão de ventre Gengibre para enjôo de gravidez
Funciona mesmo, diz a Sociedade Brasileira de Cefaleia. Mas a heroína não é a batata e sim a temperatura fria. Qualquer material gelado provocaria o alívio, inclusive uma bolsa de gelo (mais indicado ainda). Funciona porque diminui a inflamação.
Milenar e eficaz. A solução acalma porque em situações estressantes, o organismo consome mais glicose. O consumo do açúcar equilibra o nutriente no corpo humano. A mesma razão faz as mulheres sentirem a mesma sensação quando comem chocolate durante a famosa Tensão Pré-Menstrual.
Um pouco de clara de ovo é um santo remédio para assaduras e pode ser usado em bebês e adultos. O produto não apenas alivia o local machucado, como acelera o processo de recuperação da pele. A receita é tão eficaz que os médicos do Hospital A.C Camargo orientam que os pacientes com câncer de intestino ? por causa da doença eles sofrem muito com assaduras ? a usar o recurso, que é barato e eficiente.
A criança é fraquinha e a avó logo orienta: precisa cozinhar em panela de ferro para melhorar a saúde. Ponto para o conhecimento popular. A orientação faz parte das recomendações de pediatras e ginecologista. O alimento preparado em panelas de ferro absorve mais o nutriente, justamente o que falta em casos de anemia. A prova disso é que as panelas muito usadas ficam com a parte interna ?gasta? com o passar do tempo.
O instinto materno de segurar o filho no colo depois que ele se machuca foi comprovado cientificamente. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) atestou o poder do ?colo da mãe? para prevenir dor.
Quem certifica a receita é a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O chá de alho atua como um expectorante e um antiséptico natual, o que facilita o controle do colesterol. Basta uma colher de café do bulbo e mais 30 ml de água. Receita fácil e barata, para utilizar duas vezes ao dia antes das refeições. A dica só não vale para crianças com menos de 3 anos, pessoas com gastrite e pressão baixa.
Sim, a fruta é um laxante natural que pode ser encontrado em qualquer feira ou supermercado. Muitas pessoas não sabem, mas não é só a fruta seca que auxilia no trato intestinal. A fruta in natura também é poderosa, tanto que precisa ser consumida com moderação já que o excesso pode ser prejudicial aos rins. Além de ser boa para prisão de ventre, os médicos recomendam ameixa seca para quem tem hemorróidas.
Para os quatro primeiros meses de gravidez existe uma receita caseira que é comprovada e recomendada pelas autoridades sanitárias do País: o gengibre é um importante agente contra os enjôos. Faça um chá e tome duas xícaras ao dia. O alimento ameniza os efeitos provocados pela produção de hormônios, que é mais intensa entre o segundo e terceiro mês. Só não vale abusar porque muito gengibre não é bom para quem tem cálculos biliares, problemas de circulação e hipertensão ? outra doença perigosa, mas comum em grávidas.
27/09/2010 12:26 PM
Fernanda Aranda, enviada a Belo Horizonte Foto: Getty Images O coração feminino ainda é bem mais misterioso para a medicina do que o masculino mas, aos poucos, a ciência começa a reunir indícios sobre quais são os ?avisos? de doenças cardíacas na mulher. A última descoberta, apresentada neste domingo (26) no Congresso Brasileiro de Cardiologia, é que a menstruação desregulada indica a possibilidade de infarto e também de Acidente Vascular Cerebral (AVC) no futuro. Segundo Regina Coeli de Carvalho, professora de cardiologia da Universidade Federal do Ceará e presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia, já existem pesquisas sólidas que mostram as pacientes com ovários policísticos ? um dos principais sintomas deste problema é a menstruação desregulada ? mais numerosas entre as doenças cardíacas, acidentes vascular cerebral, hipertensão e diabetes. ?O grande problema é que quando estas meninas procuram os ginecologistas e descobrem os ovários policísticos, o tratamento quase que exclusivo fornecido a elas é para regular a menstruação?, afirma a médica. ?Chegou a hora de chamarmos atenção que estas garotas e mulheres jovens precisam ter um controle ainda mais rígido dos fatores de risco cardíaco, como cigarro, sedentarismo, obesidade, má alimentação e até uso de algumas drogas diferentes. Se não tratadas e orientadas, em um futuro próximo (após os 45 anos) elas são fortes candidatas às doenças coronarianas?, completou. ?Não é só tomar pílula anticoncepcional para controlar o ciclo desregulado.? A especialista reuniu uma série de estudos já publicados nos arquivos internacionais de cardiologia que acompanharam, no total, mais de cinco mil mulheres. Os ensaios mostram que as portadoras de ovários policísticos, antes mesmo de entrarem na menopausa, já têm risco 1,5 vez maior de doença coronariana, 2,8 vezes mais acidente vascular e a hipertensão é 2,6 vezes mais recorrente neste grupo. Risco subestimado A explicação para a interferência do ovário policístico nos eventos cardíacos é que, nestas pacientes, a produção de hormônio é diferenciada, o que dificulta a circulação de sangue e facilita as panes cardíacas e cerebrais. Por este motivo, quando não há problemas com os hormônios, as pacientes femininas ficam ?mais protegidas? dos eventos cardíacos do que os homens. A proteção extra, no entanto, dura até elas chegarem à menopausa. Depois desta fase, os riscos ficam iguais, independentemente do sexo. Ainda que a fragilidade do coração aumente pós -menopausa, o cardiologista Otávio Gebara ? especialista do Instituto do Coração em pacientes femininas com mais de 50 anos ? afirma que as brasileiras não cogitam que podem ser vítimas de doenças cardíacas em qualquer fase da vida. ?Todas subestimam os riscos, tanto mais novas quanto mais velhas?, avalia Gebara. ?Os Estados Unidos começaram em 1997 uma campanha muito forte para alertar as mulheres sobre infarto e doença isquêmica do coração. Naquele ano, só 30% delas acreditavam que poderiam morrer do coração, número que ampliou para 52% no ano passado?, diz. ?No Brasil, da mesma forma que nos EUA, as doenças cardíacas lideram as causas de morte feminina. Perguntamos às mulheres paulistanas quantas achavam que poderiam morrer do coração e só 15% acreditavam nisto, é irrisório.? Muitos sinais ?As artérias (veias mais importantes) são menores e mais rígidas do que as dos homens, o que faz com que os eventos cardíacos sejam mais fulminantes e também mais silenciosos. As placas de gordura não precisam estar tão evidentes nos exames para o risco ser real. São muitas pacientes que fazem testes, o resultado é normal, elas vão para casa e morrem de ataque cardíaco no dia seguinte?, diz ao reforçar que por isso as pacientes femininas precisam ser acompanhadas mais de perto e com menos espaçamento entre uma consulta e outra.? Elizabeth acrescenta que os diferencias no coração da mulher fazem com que os próprios sinais do infarto sejam mais diferenciados, muitas vezes enganando não só a paciente como também os médicos. ?Não fica limitado à dor clássica no peito. A mulher que está infartando pode apresentar uma dor na boca do estômago, nas costas, na mandíbula, ânsia de vômito. Por isso, elas demoram mais tempo para procurar ajuda, o que agrava ainda mais o quadro.?
Elizabeth Alexandre, cardiologista estudiosa do coração feminino do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, afirma que o risco em negligenciar as doenças cardíacas é duplo na mulher, já que a própria forma anatômica do coração feminino contribui para que os infartos sejam duas vezes mais fulminantes nelas do que em homens.
26/09/2010 03:26 PM
The New York Times Foto: The New York Times Dra. Frances Oldham Kelsey acaba de completar 96 anos. Ela já foi a servidora mais admirada dos Estados Unidos - tanto por ter salvo milhares de recém-nascidos dos perigos da talidomida, como por ter sido a ?parteira? da regulamentação farmacêutica moderna. ''O dia inteiro tive a sensação de que em nenhum momento eles estavam sendo totalmente sinceros comigo e essa atitude se repetiu em todas as nossas reuniões a respeito desta droga?, escreveu ela, depois de um encontro com executivos da empresa.
No início deste mês, o FDA (agência governamental americana que regula e fiscaliza a fabricação de comestíveis, drogas e cosméticos) criou o prêmio Kelsey, que será entregue anualmente a um funcionário de destaque do órgão.
A premiação é criada 50 anos depois que ela, então médica nova na agência, sentou-se para analisar um pedido do laboratório farmacêutico William S. Merrel Co., de Cincinnati, que pretendia comercializar um sedativo chamado Kevadon, amplamente prescrito na Europa para combater enjôos matinais durante a gravidez.
O que aconteceu foi que a droga (mais conhecida pelo seu nome genérico: talidomida) causou defeitos em milhares de crianças na Europa, as quais nasceram sem os membros ou com braços e pernas mais curtos e em forma de nadadeiras. Através de uma análise detalhada do pedido do Merrell e de sua insistência no rigor científico, Kelsey garantiu que os efeitos nos Estados Unidos fossem muito menores.
Fazendo história
A tragédia da talidomida levou o congresso americano a aprovar uma lei autorizando o FDA a exigir que os fabricantes de medicamentos provassem que seus produtos eram seguros e eficazes antes de comercializá-los. Além disso, Kelsey ajudou a redigir os regulamentos que até hoje são utilizados em quase todos os testes clínicos do mundo industrializado. Ela foi a primeira pessoa a supervisioná-los.
"Ela teve uma enorme importância para a ciência que todos nós hoje podemos aproveitar", declara Daniel Carpenter, um professor de administração pública de Harvard e autor do livro "Reputation and Power" (Princeton, 2010), que conta a história do FDA.
O lançamento do prêmio Kelsey também pode ser um indício claro da posição de Hamburg em uma série de lutas internas da agência. Nas últimas duas décadas, o FDA priorizou a velocidade em detrimento da segurança nas suas decisões - uma postura amigável com a indústria, que minimiza preocupações de segurança para comercializar curas potenciais o mais rapidamente possível.
No entanto, uma série de controvérsias em relação à segurança de alimentos, equipamentos médicos e remédios levaram alguns médicos da agência a insistir na busca de mais informações antes de aprovar os medicamentos e a fazer lobby interno para que os produtos que apresentem riscos sejam retirados do mercado.
Desta forma, os defensores da velocidade passaram a ficar na defensiva. A homenagem a Kelsey, padroeira do grupo de segurança em primeiro lugar da agência, é aplaudida por aqueles que defendem a cautela.
Bendito equívoco
Talvez Kelsey só tenha conseguido trabalhar na FDA porque seu primeiro nome parecia ser masculino. Nascida em 1914 na Columbia Britânica, Frances Kathleen Oldham foi matriculada em uma escola particular só de meninos porque seus pais desejavam que ela recebesse a mesma educação de seu irmão mais velho.
Frances foi contratada sem ser vista pelo Dr. Eugene Geiling, um renomado professor de farmacologia da Universidade de Chicago, que leu seu nome como ?Francis?. Quando recebeu a carta de admissão, em 1936, ela percebeu o erro e perguntou a um professor da Universidade McGill se poderia aceitar o trabalho.
"Naquela época, quando uma mulher aceitava um trabalho, ela sentia como se estivesse tirando de um homem a possibilidade de sustentar sua esposa e filhos", disse Kelsey em entrevista, em sua casa. "Mas meu professor disse:" Não seja boba. Aceite o cargo, assine o seu nome e depois coloque "Srta." entre parênteses. ??
Ela logo começou a trabalhar como assistente do Dr. Geiling, analisando a toxicidade do elixir de sulfanilamida, medicamento associado a uma série de mortes por conter um solvente industrial mortal. O escândalo levou o congresso americano a reforçar a regulamentação de remédios e Kelsey acabou participando de dois dos três eventos mais importantes da história da FDA.
Durante o tempo que viveu em Chicago, a Srta. Oldham fez doutorado e se apaixonou por um colega do grupo de farmacologia, Fremont Ellis Kelsey. Foi nessa época que ela provou uma droga experimental contra a malária e ficou totalmente amarela. Teve que fornecer amostras de urina a cada 24 horas e uma das horas de coleta coincidiu com um jogo para o qual ele havia lhe convidado.
"Levei comigo um pequeno frasco e um saco de papel e ia ao banheiro durante o intervalo ", disse Kelsey sorrindo. ?Foi então que entrei em pânico. Será que conseguiria voltar e sentar na minha cadeira sem derrubar o frasco??
''Então saí pela porta do banheiro e lá estava meu futuro marido, que me libertou do saco. Achei que foi a coisa mais atenciosa que ele poderia fazer. Ele sabia que eu ficaria preocupada.? Ela entrou para a FDA em 1960 junto a um grupo de cientistas que começava a insistir na ideia de que os medicamentos devem apresentar evidências claras de eficácia para serem aprovados.
No entanto, o congresso americano ainda precisava garantir à agência uma autoridade explícita para implementar as regras. Os medicamentos podiam ser comercializados 60 dias depois que as informações dos fabricantes chegassem à agência e estes fossem aprovados; as empresas sempre enviavam novos remédios aos médicos para que fossem testados nos pacientes. Os testes não eram controlados e nem um pouco confiáveis.
Talidomida
Kelsey solicitou que a talidomida passasse por testes mais completos. Ela também começou a suspeitar do laboratório Merrell, empresa que tinha uma história de confrontos com a FDA. Logo ela descobriu que na Europa o Kevadon estava associado a relatórios de lesão nos tecidos nervosos ? documentos que não lhe foram fornecidos pela empresa.
Os representantes da empresa reclamaram de Kelsey aos seus superiores, mas eles a apoiaram. Quando as provas de que o Kevadon causava terríveis defeitos de nascença se tornaram irrefutáveis, a empresa retirou o pedido em silêncio.
A participação de Kelsey nesta saga teria ficado pouco conhecida se não fosse por um artigo de primeira página no jornal ?The Washington Post? ? que forçou uma legislação que concede à FDA muito mais poder sobre a indústria farmacêutica.
O presidente entregou a Kelsey a medalha ?Distinguished Civilian Service Medal?( medalha de honra ao mérito por prestação de serviço civil) e uma foto dela recebendo o prêmio com um vestido preto, segurando uma bolsa branca e com um olhar ao mesmo tempo reservado e competente,o qual tornou-se a imagem icônica da agência.
?Foi no estado do Maine, onde ele tinha a casa de verão?, conta Kelsey.?Ele era um homem bonito e muito agradável.? A FDA tornou-se mais poderosa e Kelsey reuniu-se com os outros colaboradores da agência para redigir o regulamento para testes clínicos, que criou três fases distintas de testes em seres humanos e regras reforçadas para a proteção humana e conflitos de interesse. Desde então, estas regras passaram a ser adotadas em todo o mundo. Segundo o historiador Carpenter afirmou,
?Ela e a FDA desempenharam um grande papel na produção dos termos e da sequência do que hoje se entende por ciência clínica moderna.?
25/09/2010 01:30 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: Getty Images Aids, doença que abala o mundo desde os anos 80, enfrenta um silencioso fio condutor da epidemia. A camisinha ainda é encarada como termômetro de confiança entre casais e, por isso, parte das pessoas portadoras do vírus mantém sigilo sobre seu diagnóstico, até mesmo para os parceiros estáveis. Um dos trabalhos que detecta o segredo dos portadores do vírus HIV foi feito pela Casa da Aids, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Na entidade, são atendidos 3.200 pacientes e 292 foram sorteados para uma pesquisa sobre estilo de vida. Deste total, 66% afirmaram ter relações estáveis com parceiros não soropositivos. Um em cada dez deles admitiu não contar ter a doença. O medo do abandono do namorado (a), marido (esposa) e companheiro (a) após o relato é o que mais reforça o silêncio entre os casais, afirma o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. O perigo, reforça ele, é que mesmo quando sabem do diagnóstico, as relações sexuais entre ambos continuam sendo mantidas sem proteção, postura adotada tanto por pacientes de hospitais públicos quanto pelos que freqüentam as clínicas privadas. Nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) responsáveis por acolher mulheres grávidas e com HIV, a dependência econômica também aparecem como justificativa para o silêncio. As grávidas não revelam aos pais das crianças que estão infectadas por um vírus que tem como forma principal de transmissão o sexo sem camisinha, mesma ?fórmula? que as fez engravidar. Para a enfermeira e professora da Universidade Federal do Alagoas, Renata Karina Reis, os mesmos motivos que fazem com que elas sejam contaminadas geram o silêncio sobre o diagnóstico. A especialista, que fez seu mestrado e doutorado sobe casais sorodiscordantes (quanto um tem o diagnóstico e o outro não), fala que o sexo feminino tem ainda mais dificuldades para negociar o preservativo. ?A maioria das mulheres que hoje entra para as estatísticas de aids tem escolaridade baixa, não tem renda própria o que acaba reforçando a posição de submissão em várias áreas da vida, inclusive na negociação do preservativo?, afirma Renata. Segundo os ginecologistas que atendem estas mulheres, o segredo dificulta a adesão ao tratamento para que o HIV ? que exige mais visitas aos médicos e mais medicamentos ingeridos ? não seja transmitido ao bebê durante a gestação. O resultado é que o Brasil ainda tem em seus boletins clínicos 1% de transmissão vertical, ou seja, 1% de crianças que já nascem contaminadas pelo vírus da aids (quase 5.000 por ano). Culpa de quem? A avaliação dos especialistas é que, apesar de os dois gêneros enfrentarem dificuldades para falar sobre a doença são as mulheres as que mais acabam revelando a verdade sobre a doença, justamente por serem mais suscetíveis às pressões de manter um segredo tão dolorido. Não dividir o diagnóstico com o parceiro é deixar boa parte da vida na ?clandestinidade?. É ter de disfarçar os muitos remédios necessários para controlar a doença em vidros de outros medicamentos, não partilhar as angústias de uma enfermidade e esconder as possíveis sequelas da doença. O maior silêncio masculino pode ser uma das explicações para o aumento da participação de casos entre mulheres com mais de 50 anos nos dados nacionais de aids, conforme mostrou o último balanço. Em 2000, esta faixa-etária do sexo feminino respondia por 8% do total de casos. Nove anos depois, a parcela subiu para 15%, quase o dobro. Culpar os portadores do vírus do HIV ? que sabem do diagnóstico ? e transmitem aids para outras pessoas é uma iniciativa que já faz parte de projetos de lei em trâmite no País e postura adotada por 61% dos profissionais de saúde que atendem soropositivos, conforme mostrou pesquisa ainda inédita da Faculdade de Saúde Pública e publicada pela Agência Estado. A ressalva feita pela professora Renata Karina Reis é que mesmo entre os que silenciam o diagnóstico não transmitem o HIV de forma intencional ou consciente. Prova disso, reforça o médico e sociólogo Artur Perrusi ? ele coordena um grupo ligado à Universidade da Paraíba que trabalha com a sorodiscordância ?, é que mesmo quando o parceiro sabe da doença do outro a camisinha continua sendo negligenciada. ?Já ouvi casais dizendo que o preservativo é a lembrança constante de que são sorodiscordantes. E de forma geral as pessoas sabem muito pouco sobre a transmissão. Mesmo na sala de aula da Universidade, as perguntas que aparecem são antigas e denotam falta de conhecimento simples?, afirma Perrusi. ?Por isso, é difícil criminalizar e culpabilizar neste cenário. É diferente quando a transmissão ? e é neste ponto que ainda tenho dúvidas ? é feita como uma forma de vingança.? Segundo todos os especialistas, os potentes coquetéis antiretrovirais que garantiram com que o vírus HIV deixasse de ser uma sentença de morte não derrotaram o preconceito enfrentado pelos portadores. Os soropositivos vivem mais, mas ainda têm pouco acolhimento nas unidades para discutir vida sexual, namoro e profissão. ?O foco de tratamento é quase exclusivo em medicamentos?, diz a professora Renata. Uma linda rosa Mara Moreira tinha só 18 anos quando descobriu o HIV, três meses após casar virgem com o primeiro marido. Ela ficou viúva 1 ano e meio depois de trocar alianças e a morte do companheiro por aids fez com ela passasse sete anos em total isolamento da vida amorosa, das relações sexuais e da possibilidade de dividir a vida com outra pessoa. O apoio do Grupo Vidda do Rio de Janeiro, no entanto, fez com que ela arriscasse tentar viver mais uma história de amor. Em uma sala de bate-papo, com o codinome ?Rosa?, ela encontrou preencheu uma ficha e encontrou Evandro, 98% de afinidade com suas preferências e gostos. Foram dois meses trocando mais de 200 mensagens por dia até que os dois resolveram marcar o encontro. No shopping, ela atestou que de fato o ?amigo virtual? não mentiu sobre os seus 1,90 m de altura e olhos claros. Agora, era hora dela pensar se a mentira sobre seu diagnóstico seria um caminho ou não. Ao mesmo tempo, não conhece ninguém que no primeiro encontro diz ?oi, tudo bem? Então, tenho diabetes.? Com o HIV também não era assim. No 5º encontro, ela depois de pensar muito, resolveu falar sobre a sua condição. Mara é evangélica, segue as determinações de que sexo só depois do casamento, mas não queria deixar só para esta hora a revelação. Evandro ouviu a notícia e foi embora. Naquele dia, as constante média de 200 mensagens de celular trocadas por dia se resumiu a nenhuma. No fim da tarde, a mensagem ?não é porque eu descubro que a Rosa tem espinho que eu vou deixar de achá-la bonita e admirar seu perfume?, confirmou que Mara Moreira havia tomado a decisão certa. Hoje, eles estão casados há 5 anos, felizes e fazendo da camisinha uma parceira. ?A maioria das pessoas não conta ao namorado que tem o vírus por medo da reação, mas não imagina que esta reação pode ser boa. Eu sou feliz hoje e dividir o diagnóstico e poder partilhar várias outras coisas da vida. Não é só a doença.?
24/09/2010 12:17 PM
The New York Times Foto: Getty Images Quem já ficou doente alguma vez na vida sabe que a recomendação de repouso e muito líquido está presente em praticamente todos os conselhos médicos a respeito da grande maioria das doenças, especialmente as infecções. Beber mais água ou outros líquidos pode ajudar uma pessoa doente. Mas isso não ocorre porque a água ?lava? os germes da corrente sanguínea, como muitas pessoas costumam acreditar. Os líquidos são recomendados para manter o doente hidratado, explica a Dra. Shari Midoneck, especialista do Centro Médico NewYork-Presbyterian/Weill Cornell, nos Estados Undidos. Uma pessoa com febre, diarreia, ou vômitos está perdendo fluidos que precisam ser repostos, esclarece ela. Um paciente que não bebe líquidos suficientes para repor as perdas pode ficar hipotenso. Isso significa que a pressão sanguínea fica anormalmente baixa ? e pode, em casos mais graves, gerar desmaios. ?Os fluidos não limpam bactérias ou vírus do sangue?, aponta ela. ?Somente antibióticos ou o tempo podem fazer isso?. Isso não significa que o poder de purificação dos fluidos não seja importante, afirma Midoneck, especialmente em tipos específicos de infecções. ?No caso de infecções urinárias?, explica ela, ?beber muito líquido manterá as coisas em funcionamento na via urinária, e pode potencialmente evitar infecções ao arrastar bactérias que poderiam ter aderido à parede da bexiga?. * Por C. Claiborne Ray
23/09/2010 01:23 PM
Lívia Machado, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images Ao primeiro sinal de dor, calor, inchaço e vermelhidão, o diagnóstico caseiro parece certeiro. O conhecimento raso e popular infla o uso indiscriminado de medicamentos supostamente nocivos, com um recorte especial aos antiinflamatórios. O que a crendice e a automedicação desconhecem é o poder corrosivo do destes remédios, responsáveis pelo aparecimento de úlceras, hemorragias e outras doenças gastrointestinais. "Nos Estados Unidos, onde há um razoável controle da venda de tais produtos, 16 mil pessoas por ano morrem em conseqüência de tal relação", revela Angel Lanas, professor do Departamento de Gastroenterologia da Universidade do Alabama, nos EUA. Lanas é um dos participantes de um recente estudo conduzido pelo chefe de gastroenterologia e hepatologia da Universidade Chinesa de Hong Kong, Francis Chan, que mapeou os efeitos negativos dos antiinflamatórios no sistema gastrointestinal. Foram entrevistadas 4.500 pessoas, em 32 países. No Brasil, a pesquisa foi realizada por profissionais da Universidade de São Paulo (USP), em 10 centros de atendimento médico, entre hospitais públicos e clínicas privadas. Foram selecionados 1.213 pacientes com sintomas de queimação e náusea, que tinham realizado uma endoscopia digestiva nas primeiras 24 horas. Segundo Décio Chizon, professor de pós-graduação da disciplina de Gastroenterologia da USP, 20% dos pacientes faziam o uso de anti-inflamatórios. O especialista explica que a relação entre o medicamento e o surgimento de úlceras é direta e independe do tempo de uso. Apenas uma dose em pessoas hipersensíveis ou com histórico de problemas no aparelho digestivo é suficiente para provocar lesões. ?O risco de ter úlcera é 12 vezes maior em pacientes que fazem o uso de anti-inflamatórios, principlamente entre os que têm mais de 60 anos. Podemos afirmar, hoje, com base nas pesquisas e na análise clínica, que 25% das pessoas que fazem o uso crônico desses medicamentos desenvolverão esse tipo de ferida.? Sintomas ocultos O mapeamento dos dados dá corpo aos estudos antigos que tentam comprovar o perigo da ingestão de medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico. Entretanto, a pesquisa foi feita com pacientes que tinham sintomas pontuais, típicos de problemas gastrointestinais. Os médicos alertam, porém, que lesões sérias podem aparecer sem queixas óbvias. ?Azia, náuseas, vômitos e cólicas abdominais são os sintomas mais frequentes e servem de alerta, mas não necessariamente significam que já existe uma lesão. Outro fator importante é que a falta desses sintomas também não afasta a possibilidade de complicações.? Brasileiras consomem mais O uso de anti-inflamatórios é duas vezes maior na população feminina. A indicação começa logo cedo, como um aliado no combate às cólicas menstruais. O risco de complicações gástricas, em mulheres jovens, é abaixo da média, mas não raro, tampouco incomum. ?Pacientes com sensibilidade podem desenvolver úlceras e até sangramentos, independente da idade. Há inúmeras formas de tratar cólicas menstruais sem a necessidade de recorrer aos anti-inflamatórios. É fundamental consultar um especialista que sugira o tratamento ideal.? Os casos mais freqüentes ocorrem em mulheres portadoras de artrite ou artrose, que, para aliviar a dor, recorrem aos antiinflamatórios. ?Com a idade avançada, os riscos são mais elevados. A artrite é uma doença mais prevalente em mulheres. Sem controle real da venda desses medicamentos, eles passam a ser a forma mais fácil e imediata de combater a dor.?
22/09/2010 07:17 PM
Thais Manarini, especial para o iG São Paulo Foto: Divulgação Buzina, sirenes, reforma em casa, construções de prédios, música alta, eletrodomésticos. Todos os dias somos expostos a diversos tipos de ruídos e, por mais que estejamos acostumados a eles, a saúde é colocada em risco. A poluição sonora está relacionada a uma série de complicações, que vão de zumbidos e comprometimento da audição a insônia, dores de cabeça, estresse e hipertensão arterial. Limite tolerável A intensidade de som considerada segura para o ouvido humano é de até 85 decibéis (dB) ? valor facilmente alcançado em uma avenida movimentada. ?É preciso levar em conta também o tempo de exposição aos ruídos?, frisa Silvio Caldas, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), entidade responsável pela Campanha Nacional da Saúde Auditiva. Por mais inofensivos que pareçam, sons de 85 a 90 dB se tornam nocivos depois de oito horas de exposição. Quem ultrapassa o limite e fica submetido a barulhos intensos por muito tempo não demora a apresentar sintomas. Os primeiros a aparecer geralmente são auditivos, como zumbidos, impressão de ouvir os sons abafados e estar com os ouvidos tapados. Segundo Ney Penteado, otorrinolaringologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, da capital paulista, ?a situação tende a se normalizar em um dia?. Se isso não acontecer, é preciso procurar um especialista. Dependendo da pessoa, outros sinais podem surgir, como dor de cabeça, irritação e tontura. Barulheira fatal O presidente da SBO ressalta que, em longo prazo, muito barulho pode resultar na perda permanente da audição. ?Dá para perceber que essa capacidade está comprometida quando é preciso aumentar muito o volume da televisão ou se torna difícil escutar alguém ao telefone?, aponta. E os prejuízos não param por aí: por se tratar de uma situação de estresse, a exposição à poluição sonora provoca certas respostas do organismo, como aceleração dos batimentos cardíacos e aumento da pressão arterial. ?Se um indivíduo passar por isso continuamente, aumentam as chances de ter problemas cardiovasculares, como o infarto?, frisa Caldas. O otorrino Ney Penteado informa que as lesões auditivas que ocorrem progressivamente dificilmente são revertidas ? a solução normalmente é usar aparelhos auditivos. Por isso é tão importante escapar de situações que agridam demais os ouvidos. Para quem trabalha em ambientes barulhentos, por exemplo, o uso de protetores auriculares é obrigatório. Nos momentos de lazer também é bom não abusar. ?Em casas de espetáculo procure ficar longe de equipamentos de sons muito potentes. No dia a dia, evite usar tocadores de MP3 por um período muito longo e com volume elevado?, recomenda o especialista do Oswaldo Cruz. Confira, a seguir, o nível de decibéis de algumas fontes sonoras
Agora saiba qual o tempo máximo, por dia, que pode ficar exposto a ruídos de acordo com sua intensidade.
22/09/2010 11:51 AM
iG São Paulo A cada 10 gestantes atendidas nos postos de Saúde do Estado de São Paulo, oito apresentam algum tipo de problema bucal. Gengivites, cáries e placas são as ocorrências mais comuns relatadas no balanço da Secretaria de Estado da Saúde. A pesquisa teve como base os dados de atendimentos de pré-natal realizados ao longo de 2010 no Hospital e Maternidade Interlagos, a maior maternidade pública da zona sul de São Paulo. Segundo estimativa do programa ?Boca Saudável, Gravidez Saudável?, aproximadamente 7% das pacientes examinadas apresentam problemas mais graves, como o granuloma, uma espécie inchaço que se forma na gengiva. O chefe do Serviço de Odontologia da Maternidade Interlagos, Francisco Barata Ribeiro, alerta que a higiene bucal mal feita pode ser uma das causas de um parto prematuro e responsável pelo o nascimento de bebês com baixo peso. ?As mudanças hormonais que ocorrem na grávida durante o período de gestação fazem a mulher ficar mais propensa a problemas bucais. Por isso, a atenção deve ser dobrada em todo o período, principalmente a partir do segundo trimestre de gestação?, aconselhou Ribeiro. O especialista aponta cinco dicas essenciais para auxiliar as gestantes a manter a saúde bucal durante toda a gravidez: - Reforce o corpo com vitaminas B, C e Cálcio - Após vômito por enjôo de gravidez, faça bochecho com água oxigenada ou algum antiácido antes de escovar os dentes - Escove os dentes mais vezes ao dia e não esqueça de passar o fio dental - Aumente a freqüência de visitas ao dentista
- Substitua alimentos ricos em carboidratos e açúcares por frutas e vegetais
21/09/2010 01:33 PM
Lívia Machado, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images O nome Sara foi escolhido após um sonho. A definição das cores das roupas e a decoração do quarto não fugiram do rosa, após a confirmação do sexo do primeiro filho de Cristiana Fiusa Carneiro e Cristiano Ferreira de Sampaio Doria. As escolhas que antecedem o nascimento de uma criança pouco mudaram ao longo dos anos. A tradição, entretanto, ganhou um componente extra em algumas famílias, proporcionado pelos avanços da medicina. Doar o sangue do cordão umbilical à rede pública, ou pagar uma anuidade e guardá-lo em unidades privadas de armazenamento do material, hoje, já é capaz de nortear a seleção da maternidade. Nos muitos alarmes falsos que Sara deu aos pais, poucas semanas antes de nascer, Cristiana foi levada às pressas a uma maternidade privada, próxima ao bairro onde mora. A unidade, embora atendesse às demandas da família, só servia para aliviar o susto e dar segurança. Não era o local escolhido pela professora de xadrez para realizar o parto da primeira filha. A decisão de doar o cordão umbilical de Sara a um banco público fez Cristiana escolher um hospital e maternidade filantrópica, credenciada a rede do INCA em São Paulo, para agendar o parto do bebê. Antes de começar o pré-natal, Cristiana revela que tinha um conhecimento equivocado sobre a utilidade das células-tronco presentes no sangue do cordão. ?Acreditava que funcionaria como um seguro de vida para a minha filha.? Dois pediatras amigos do casal explicaram que o sangue não poderia ser usado para curar possíveis doenças futuras da própria criança. ?Quando soubemos desse fator, decidimos doar para ajudar outras pessoas, já que nossa filha não seria beneficiada.? O interesse da familia Fiusa tem sido uma realidade no Brasil. Quando as gestantes entendem a importância dos bancos públicos, geralmente, querem doar, explica Luís Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e coordenador da BrasilCord ? rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Embora não sejam concorrentes diretos, o Ministério da Saúde é contra o trabalho oferecido pelas bancos privados. Na visão de Bouzas, essas empresas reforçam a idéia de que o material colhido logo após o nascimento é uma espécie de seguro de vida, algo absolutamente equivocado. ?É um engodo, uma mentira. Eles não deveriam ser chamados dessa forma. Não funcionam como tal. Quem paga uma anuidade e deixa o sangue reservado está colocando o dinheiro unicamente em pesquisa, no futuro. Isso precisa ficar claro. Quem tem dinheiro e quer fazer isso, investe, no máximo, em uma aposta. Mas não existe, atualmente, nada que prove que esse material será útil para a criança ou alguém da própria família.? Segundo o especialista, as células-tronco, em geral, são utilizadas pra fazer transplante de medula óssea de um paciente para outro, sem relação de parentesco. Funcionam como uma alternativa de tratamento. Entretanto, se o material é oriundo do próprio paciente, esse efeito não acontece. O País já realizou 110 transplantes de células tronco, todos com material oriundo da rede BrasilCord. Os bancos públicos têm, atualmente, 10 mil unidades de sangue de cordão. ?Essas células são úteis para o momento, não para um futuro incerto. Não sabemos qual o tempo de armazenamento delas. Temos experiência de que em 25 anos o material se mantém útil. A chance de conseguir opções de tratamento será nos bancos públicos, não no material armazenado.? Na opinião do médico, frente à realidade mundial, o Brasil tem uma rede de bancos públicos de sangue do cordão bastante razoável. São dez unidades em diferentes estados, a última inaugurada recentemente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Até janeiro de 2011, Belo Horizonte deve receber o HemoMinas. A idéia do Ministério da Saúde é ter um banco de sangue e tecidos acoplados, ampliando as chances de transplantes de osso e córnea, por exemplo. ?O projeto preconiza que o Brasil tenha de 65 a 70 mil unidades de sangue armazenado. Queremos que esse centro que será inaugurado em Minas Grais, unindo sangue e tecido, seja replicado nos próximos bancos.? Kit de coleta Hoje, a decisão de doar determina automaticamente a escolha da maternidade. Em São Paulo, há quatro hospitais filantrópicos credenciados ao INCA. Em outros estados, a opção é única. Tal realidade, embora limite o acesso das gestantes interessadas, não representa um gargalo e tampouco uma fragilidade do setor público, garante o coordenador do BrasilCord. "Não é necessário colher material de toda a população. Os hospitais e homocentros credenciados dão conta das metas estipuladas para o programa. A rede foi planejada dessa forma. Precisamos de amostragem da população, apenas. A logística não é viável. Não temos como coletar o material de todos os bebês que nascem fora dos hospitais públicos e isso não é necessário." Kits de coletas do material são usados fora das unidades credenciadas, apenas em casos especiais. A idéia é tentar atender à demanda de gestantes que procuram o INCA para saber como devem fazer para doar, quando optam por ter o filho em maternidades particulares. Tal iniciativa, porém, não é o foco do projeto. Segundo ele, na rede cadastrada, 50% do material coletado não é aproveitado. Fora dos hospitais especializados, esse índice pode aumentar. "Precisamos treinar o obstetra dessa paciente para que o trabalho ? e os gastos ? não sejam em vão. Não queremos desmotivar a doação, mas sabemos que na rede credenciada o trabalho será feito com qualidade, por uma equipe treinada para realizar a coleta diariamente." Quem pode doar? Os critérios para a doação são rigorosos, e mesmo assim, nem todo material será útil. A gestante precisa fazer um pré-natal criterioso, assinar um termo de consentimento e responder a um questionário sobre a vida da família. ?Precisamos de segurança nesse tipo de doação. Não serão utilizados materiais de gestantes com algum tipo de doença ou que não atendem a esses pontos. Em redes não credenciadas a chance desse protocolo não ser seguido à risca é maior.? Hoje, para que o sangue possa ser doado, a futura mãe precisa ter entre 18 e 36 anos. Até o final do ano, porém, não existirá mais limite máximo de idade. "Esse corte foi feito no começo do projeto. Na época, achava-se que em mulheres acima dos 36 anos as chances de problemas na gravidez eram maiores, o que não é verdade." Outro fator limitante é a quantidade de sangue coletada. Para que seja utilizado em um transplante, é preciso ter no mínimo 70 ml. A média, aponta o médico, é 100 ml, mas existem cordões com volumes de até 200 ml. O que pode inviabilizar o congelamento do material é a forma incorreta de coletá-lo. ?Se o profissional interrompe a coleta antes do tempo, terá uma quantidade insuficiente. Precisamos coletar até o fim, o máximo possível. Equipes treinadas sabem fazer isso e têm paciência.?
21/09/2010 11:50 AM


