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Notícias, matérias e especiais sobre Cultura: Cinema, Livros e Música no Último Segundo - iG




EFE

Mostra ainda terá "A Tempestade", com Helen Mirren, e "Hereafter", novo trabalho de Clint Eastwood

Foto: Divulgação

Bastante aguardado, o filme "A Rede Social", centrado na vida do criador da rede social Facebook e milionário mais jovem da história, Mark Zuckerberg, abriu nesta sexta a 48ª edição do Festival de Cinema de Nova York (NYFF, na sigla em inglês).

Dirigido por David Fincher e estrelado por Jesse Eisenberg, Andrew Garfield e pelo cantor Justin Timberlake, "A Rede Social" gerou grande expectativa por trazer um retrato do estudante de Harvard que há sete anos revolucionou o mundo das comunicações.

O filme, que estreará nos Estados Unidos no dia 1º de outubro, mostra que "não se pode fazer 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos". Segundo o diretor do festival, Richard Peña, "'A Rede Social'" é um desses filmes excepcionalmente difíceis de se encontrar porque captura perfeitamente o espírito de seu tempo".

Outro destaque do festival é "A Tempestade", dirigido por Julie Taymor, que já conquistou a crítica com filmes como "Frida" (2002) e "Across the universe" (2007). "A Tempestade", uma adaptação cinematográfica da obra de William Shakespeare, é protagonizado pela vencedora do Oscar Helen Mirren, que encarna Próspera, a rainha de uma ilha mágica nesta "excitante mistura de romance, tragédia e fantasia".

O Festival de Cinema de Nova York será encerrado com o thriller sobrenatural "Hereafter" (ainda sem título em português), que tem Matt Damon no papel principal e é o último filme dirigido por Clint Eastwood, que faz sua quarta participação na mostra. "Como é evidente de uma maneira tão bela em "Hereafter", Clint Eastwood continua fazendo os filmes mais atrevidos e provocativos de todo os EUA", afirmou Peña.

O premiado diretor de "Menina de Ouro" (2004) e "Os Imperdoáveis" (1992) será a estrela da noite de fechamento do festival, que terá em sua programação 28 filmes de 14 países.

Outro ponto alto da mostra será o documentário "LENNONYC", de Michael Epstein, que conta como o ex-beatle "ressuscitou" em Nova York por meio de entrevistas com amigos do músico e imagens inéditas que formam um "revelador retrato dessa lenda da música".

O NYFF também inclui vários filmes latino-americanos, como "Gatos Viejos" (ainda sem título em português) e "Post Mortem", dos chilenos Sebastián Silva e Pablo Larraín, respectivamente; "Somos o que há", do cineasta mexicano Jorge Michel Grau e "Revolução", que inclui dez curtas-metragens sobre a revolução mexicana dirigidos por diferentes estrelas do país, como Gael García Bernal e Diego Luna.

No ano em que se comemora o centenário da revolução mexicana e o bicentenário da independência do país, "Revolução" quer "gerar uma visão contemporânea" desse acontecimento histórico.

O programa do Festival de Cinema de Nova York conta ainda com o retorno do francês Jean-Luc Godard, que apresentará "Film Socialism" (ainda sem título em português), do britânico Mike Leigh, com "Another Year" (também ainda sem tradução), do português Manoel de Oliveira, com "O Estranho Caso de Angélica", e do chileno Raúl Ruiz, com "Mistérios de Lisboa", entre outros.

"Estamos especialmente impressionados pela audácia dos diretores este ano", disse Peña, que ressaltou que eles "entraram em novas áreas, experimentaram narrativas e foram além dos limites dos gêneros". Isso, na sua opinião, "evidencia a vitalidade de um meio que tantas vezes se rende a fórmulas e à repetição".

Reuters

Imagens foram feitas em 1953, no set de filmagem de "O Rio das Almas Perdidas"

Uma coleção de mais de 100 fotos de Marilyn Monroe nunca antes publicadas poderá ser vista pela primeira vez no livro "Marilyn: August 1953". Lançado esta semana pela Calla Editions, o livro traz imagens em preto e branco digitalmente restauradas feitas no verão de 1953 de Marilyn Monroe, que tinha 27 anos na época.

As fotos foram tiradas por John Vachon para a revista LOOK em Alberta, Canadá, onde Monroe estava filmando "O Rio das Almas Perdidas" com Robert Mitchum. Um tornozelo machucado impediu Monroe de filmar, fato que permitiu que Vachon tivesse vários dias para fotografar a atriz, ícone de Hollywood. Apenas três fotos das sessões foram publicadas em um artigo da LOOK em outubro de 1953.

O livro trará fotos de Monroe e seu então noivo, o jogador de beisebol Joe DiMaggio. Acredita-se que Vachon seja o único fotógrafo para o qual o casal posou formalmente.

Em outra foto, Monroe está nas garras de um urso empalhado e sua aparência é de susto cômico.

As imagens de Monroe feitas por Vachon foram incluídas no arquivo de 5 milhões de fotos doado à Biblioteca do Congresso depois de a revista LOOK ter sido fechada, em 1971.

 

iG São Paulo

Banda tem show confirmado em São Paulo e negocia apresentações no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte

Foto: Divulgação

A banda escocesa Belle & Sebastian vai se apresentar no Brasil em novembro. O grupo tem um show confirmado em São Paulo, no Via Funchal, e também negocia apresentações no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. A apresentação na capital paulista será no dia 10 de novembro.

Esta será a segunda passagem do Belle & Sebastian pelo país. Em 2001, o grupo foi a principal atração do Free Jazz Festival, realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O grupo lança seu novo álbum, "Write About Love", no próximo dia 12 de outubro. É o primeiro trabalho da banda desde "The Life Pursuit", de 2006.

Guss de Lucca, iG São Paulo

Veja cenas de longas que surpreenderam ao ganhar continuações

Inspirados em livros, games ou mesmo criados diretamente para o cinema, é comum que os estúdios lancem filmes com sequências já planejadas, aguardando exclusivamente pela resposta das bilheterias para liberar a verba de produção da segunda parte da história do pirata aventureiro, da assassina de zumbis ou do andróide que veio do futuro.

Porém, alguns longas que não parecem integrar esse grupo acabam ganhando continuações inesperadas, surpreendendo ao público com seu anúncio, principalmente nos casos em que o segundo filme é produzido mais de um década após o lançamento do primeiro.

Se uma sequência já esperada encontra dificuldades em agradar crítica e público, o que dizer de um filme que nasce de uma trama que os espectadores já julgavam resolvida? Esse é o caso de "Wall Street 2: O Dinheiro Nunca Dorme", que estreia nesta sexta-feira (24.09) nos cinemas brasileiros e dá sequência à história de Gordon Gekko, magnata da bolsa de valores de Nova York interpretado por Michael Douglas - papel que rendeu ao ator o Oscar em 1987.

Veja algumas sequências inesperadas no vídeo abaixo:

Augusto Gomes, iG São Paulo

Artes contemporâneas britânica e alemã, Joseph Beuys e Rebecca Horn são tema de exposições na cidade

Foto: Divulgação

Nem só de Bienal vive a arte em São Paulo. O principal evento do calendário brasileiro, é óbvio, rouba as atenções, mas a cidade recebe uma série de outras mostras não menos interessantes. Uma delas, inclusive, funciona como complemento à Bienal. É a Paralela 2010, em cartaz no Liceu de Artes e Ofícios. Neste ano, o tema é "A Contemplação do Mundo", e há obras de mais de 80 artistas contemporâneos brasileiros.

Também estão em cartaz na cidade dois panoramas da arte contemporânea de outros países. No Centro Brasileiro Britânico, a Grã-Bretanha é representada por obras de artistas como Damien Hirst e Anish Kapoor. No Museu de Arte de São Paulo (Masp), a estrela é a arte contemporânea alemã, com obras de Gerhard Richter e Franz Ackerman, entre outros.

Outros destaques são as retrospectivas da artista alemã Rebecca Horn (Centro Cultural Banco do Brasil) e do fotógrafo brasileiro Miguel Rio Branco (Museu da Imagem e do Som). Sem esquecer, é claro, da mostra dedicada a Joseph Beuys, um dos grandes nomes da arte do século 20, em cartaz no Sesc Pompeia. De todas as exposições citadas, apenas uma não tem entrada gratuita: a arte contemporânea alemã no Masp.

Paralela 2010: A Contemplação do Mundo
Complemento da 29ª Bienal, traz obras de 82 artistas brasileiros no Liceu de Artes e Ofícios.
Rua Jorge Miranda, 676, Luz. Até 28 de novembro. Entrada gratuita

Fast Forward: Arte Contemporânea Britânica no Brasil
Obras de 17 artistas britânicos, entre eles Damien Hirst e Anish Kapoor, no Centro Brasileiro Britânico.
Rua Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros. Até 27 de novembro. Entrada gratuita

Se Não Neste Tempo: Arte Contemporânea Alemã
Exposição com 26 artistas contemporâneos alemãs, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo
Avenida Paulista, 1578, Cerqueira César. Até 9 de janeiro de 2011. Ingressos: R$ 15 (grátis às terças)

Rebecca Horn: Rebelião em Silêncio
Retrospectiva da importante artista alemã, com seis filmes e 18 obras, no CCBB
Rua Álvares Penteado, 112, Centro. Até 3 de outubro. Entrada gratuita

Joseph Beuys: A Revolução Somos Nós
Retrospectiva com 250 obras de Beuys, um dos grandes artistas do século 20, no Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93, Pompeia. Até 28 de novembro. Entrada gratuita

Miguel Rio Branco
Um dos principais fotógrafos brasileiros, Miguel Rio Branco tem 40 obras expostas no MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa. Até 31 de outubro. Entrada gratuita

Augusto Gomes, iG São Paulo

Mostra abre as portas ao público neste sábado com 800 obras de 159 artistas

Foto: Agência Estado

A partir deste sábado (25), São Paulo recebe mais uma edição da sua tradicional Bienal de Artes. Uma das mais importantes mostras artísticas do planeta, ela volta tentando apagar a má impressão da edição anterior, apelidade de "Bienal do vazio" por ter deixado um andar inteiro do Pavilhão Cicillo Matarazzo sem uma obra sequer. Neste ano, o local está completamente tomado: mais de 800 obras ficarão expostas até 12 de dezembro, quando termina a mostra. A entrada é gratuita.

Antes mesmo de abrir as portas, o evento já vem provocando polêmica. A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, protestou contra a inclusão da série "Inimigos", do pernambucano Gil Vicente, alegando que ela faz apologia à violência. Nas telas, o artista aparece executando personalidades como Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Apesar das críticas, a obra estará presente na Bienal.

Já a instalação "El Alma Nunca Piensa sin Imagen", do argentino Roberto Jacoby, não será exibida porque infringiria a lei eleitoral. Nela, Jacoby tentaria reproduzir uma campanha política (no caso, em prol da candidata Dilma Roussef), com direito a palanque, camisetas, panfletos e bótons. A lei, no entanto, veda a "veiculação de propaganda de qualquer natureza" em bens públicos, como é o caso do pavilhão da Bienal.

Mas essas polêmicas são apenas uma parte ínfima da mostra. Afinal, são 159 artistas, 800 obras, três andares e 27 mil metros quadrados para o visitante se perder (literalmente, porque o projeto arquitetônico de Marta Bogéa lembra um labirinto). Num universo tão vasto, há grandes obras misturadas com outras banais, mas o resultado geral é bastante positivo - principalmente se comparado ao da Bienal anterior. Veja abaixo dez destaques da exposição:

"A Origem do Terceiro Mundo", de Henrique Oliveira
Terceiro piso

A obra do artista plástico paulista Henrique Oliveira é inspirada no quadro "A Origem do Mundo", de Gustave Courbet. A pintura causou escândalo no século 19, ao retratar de forma explítica uma mulher de pernas abertas. A instalação de Oliveira se assemelha a uma vagina gigante, pela qual o visitante pode entrar. Lá dentro, ele encontra um emaranhado de túneis feitos de compensado de madeira. As curvas, reentrâncias e protuberâncias tornam esse labirinto orgânico.

"As Aventuras de Guille e Belinda e o Enigmático", de Alessandra Sanguinetti
Primeiro piso

Nascida nos Estados Unidos e criada na Argentina, Alessandra Sanguinetti é uma das fotógrafas mais originais da atualidade. A série "As Aventuras de Guille e Belinda e o Enigmático" são duas primas que vivem na zona rural da Argentina e foram retratadas por Alessandra durante vários anos. Apesar de documentar esse cotidiano, as imagens têm um caráter fortemente onírico e irreal, como se fossem retratos de um conto de fadas.

"350 Pontos em Direção ao Infinito", de Tatiana Trouvé
Segundo piso

A obra da italiana Tatiana Trouvé é composta de diversos pêndulos de metal presos ao teto por fios, que se cruzam em diagonais em diferentes sentidos. No chão, há imãs escondidos que atraem os pêndulos, construindo em emaranhado que parece desafiar a lei da gravidade. O resultado, ao mesmo tempo leve e tenso, é uma das instalações mais enigmáticas desta 29ª Bienal.

"Faenza", de Miguel Ángel Rojas
Terceiro piso

"Faenza" foi produzida pelo artista plástico colombiano Miguel Ángel Rojas nos anos 1970. Trata-se de uma série de fotos feitas clandestinamente num cinema decadente no centro de Bogotá, frequentado por homossexuais em busca de encontros amorosos. São imagens pouco definidas, pela própria maneira em que foram captadas (Rojas usou uma câmera escondida, em condições de pouca luz), que revelam um mundo à época clandestino.

"Matéria Noturna", de Rodrigo Andrade
Primeiro piso

As grandes pinturas do paulista Rodrigo Andrade expostas no primeiro piso do Pavilhão da Bienal retratam sempre cenas noturnas, difíceis de identificar à distância. Ao se aproximar, é possível perceber uma série de desoladas cenas urbanas. A técnica usada pelo artista faz com que os focos de luz praticamente saltem da tela, dando um efeito quase fotográfico às imagens.

"Pedintes", de Kutlug Ataman
Segundo piso

Numa sala escura, uma série de imagens em preto e branco e em câmera lenta de pedintes é projetada nas paredes. O efeito é desconfortável, como se as pessoas estivessem pedindo dinheiro para o próprio visitante. Mas, ao mesmo tempo, há um forte efeito teatral, como se aquelas cenas fossem encenadas pelos pedintes. Os vídeos foram feitos nas ruas de Istambul pelo artista plástico turco Kutlug Ataman

"Inimigos", de Gil Vicente
Terceiro piso

Depois que foi acusada pela Ordem dos Advogados do Brasil de fazer apologia à violência, a série "Inimigos", do pernambucano Gil Vicente, tornou-se um dos destaques da Bienal. Na obra, o próprio artista aparece se preparando para executar uma série de líderes políticos. Ele não faz distinção de partido: Luis Inácio Lula da Silva tem uma faca no pescoço, e Fernando Henrique Cardoso está sob a mira de uma arma.

"Centro de Pesquisa da Normalidade Brasileira", de Jimmie Durham
Segundo piso

Numa sala, diferentes objetos e recortes de jornais e revistas são reunidos para expressar a visão do artista plástico americano Jimmie Durham sobre o Brasil. "Centro de Pesquisas da Normalidade Brasileira" é um retrato pouco agradável do país, onde segregação social e violência fazem parte do cotidiano.

"A Balada da Dependência Sexual", de Nan Goldin
Terceiro piso

A fotógrafa americana Nan Goldin ficou famosa pela série de fotos com que retrata, desde a década de 1970, um cotidiano de sexo e violência. Uma amostra desse trabalho está presente na Bienal com a instalação "A Balada da Dependência Sexual", que exibe centenas de imagens feitas durante 25 anos, entre 1979 e 2004.

"Bandeira Branca", de Nuno Ramos
Segundo piso

No vão central do Pavilhão Cicillo Matarazzo, o brasileiro Nuno Ramos reuniu estruturas arrendondadas de até oito metros de altura, três urubus vivos e caixas de som tocando músicas como "Bandeira Branca", que dá título ao trabalho. A obra, que provocou a ira de entidades de defesa dos animais, é a maior de toda a exposição.

Veja abaixo os destaques da Bienal em vídeo:

 

iG São Paulo

Website chileno noticiou possível turnê da banda pela América do Sul

Foto: Getty Images

O website chileno U2Chile.net publicou nesta sexta-feira uma nota afirmando que a produtora de eventos T4F fechou uma turnê do grupo de rock irlandês pela América do Sul. De acordo com o site, o U2 passará, no ano que vem, por Chile, Argentina e Brasil.

Os shows chilenos estariam previstos para os dias 25 e 26 de março de 2011, no Estádio Nacional de Santiago. O quarteto passaria depois por Buenos Aires (31 de março e 01 de abril) e São Paulo (07 e 08 de abril) - estas últimas ainda sem local definido.

Ainda segundo o site, todos os shows da turnê teriam abertura da banda Muse. No momento, o U2 corre o mundo com a "360° Tour".

Contatada pelo iG, a T4F brasileira alegou não ter nenhuma informação sobre os shows citados.

AE

Cartunista francês fala sobre política acompanhado por Angeli, Caruso e Loredano

Foto: Reprodução

O desenhista francês Jean Plantu, responsável há 38 anos pelas charges da primeira página do jornal Le Monde, de Paris, está no Brasil para uma série de exposições que passam por Brasília e pelo Rio de Janeiro, além de São Paulo, único destino em que estará acompanhado dos brasileiros Angeli, Chico Caruso e Cássio Loredano. Além da mostra, Plantu participará de dois debates com o público em São Paulo. O primeiro deles ocorre hoje, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, e o segundo no domingo, na Fundação Bienal.

Plantu e os cartunistas brasileiros escolheram como tema da mostra a política. O assunto é recorrente em quase todos os trabalhos do desenhista do Le Monde. Plantu tem a característica de economizar nos diálogos e quadros, enfatizando com traços finos, fluidos e precisos o papel frequentemente contraditório e exagerado que os políticos desempenham. "Os políticos estão sempre no primeiro plano da cena e são desafiados a se expressar num tempo muito curto sobre os assuntos mais graves do mundo, sob uma tremenda pressão midiática. Isso faz com que eles caiam com frequência em situações caricaturáveis", disse ele.

Em tempos de tablets, e-mails e hiperconectividade, o cartunista francês ainda faz questão de desenhar com lápis, caneta e papel sulfite, viajando pelo mundo para encontrar-se cara a cara com os leitores. Além do Brasil, ele já levou seus trabalhos para lugares tão improváveis quanto o Sudão, palco de um dos maiores e mais recentes massacres de civis no centro da África, e o Sri Lanka, onde até há poucos meses o governo lutava para aniquilar um dos grupos guerrilheiros mais antigos ainda em atividade no mundo. "Viajo sempre em busca do aprendizado, na esperança de conhecer esses países e suas culturas", afirmou. No Brasil, o cartunista já expôs seus trabalhos cinco vezes, desde 1986.

Diálogos com Jean Plantu - Sesc Consolação (Rua Doutor Vila Nova, 245). Tel. (011) 3234-3000. Hoje, 17h30. Grátis.

AE

Filme sobre famílias vizinhas que vivem em pé de guerra foi inspirado em acontecimento curioso

Foto: Divulgação

Num fictício bairro de classe média baixa em São Paulo, duas famílias vizinhas vivem em pé de guerra. De um lado estão três idosas solteironas, Adélia (Eva Wilma), Dircinha (Vera Mancini) e Beatriz (Karin Rodrigues), mais conhecidas como irmãs Coleratti; do outro, o casal fogoso formado por Nenê (Tony Correia) e Marysa (Angela Dip), mais o filho deles, José Maurício (Natan Vergas) e a empregada, Alice (Fabiula Nascimento).

A comédia "A Guerra dos Vizinhos", que estreia hoje nos cinemas, é o primeiro longa-metragem do diretor Rubens Xavier. Acostumado a dirigir documentários, ele conquistou o prêmio de melhor diretor para curta em 16mm, no Festival de Gramado, quando realizou o documentário "Pedeguerra". E confessa que foi inspirado numa matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo que ele fez a comédia. "Em janeiro de 1991, li uma matéria sobre um caso ocorrido em São João da Boa Vista (interior de São Paulo) em que um juiz havia dado uma sentença muito esdrúxula para senhoras fofoqueiras que arrumaram confusão com seus vizinhos".

Ele lembra que elas teriam de prestar serviços comunitários e cumprir um voto de silêncio durante a pena. "Dei muita risada quando li aquilo e resolvi ir até a cidade investigar o caso", conta. O roteiro foi concluído em 2003 e, em 2008, as cenas da comédia começaram a ser rodadas.

Na trama, Nenê é um taxista português que leva uma vida simples com a família, mas sua mulher não está contente com essa situação. Para tentar elevar seu poder aquisitivo eles abrem uma oficina mecânica no quintal de casa.

O convívio entre os vizinhos já é tumultuado e cheio de picuinhas. O trio não suporta o barulho da oficina e qualquer gesto do casal pode soar como ofensa. A gota d?água é quando Adélia, Dircinha e Beatriz descobrem que Marysa está usando a velha receita de compota de frutas delas. E pior, quer ganhar dinheiro com isso. É aí que entram os elementos da história real. Na guerra que envolve desde a construção de um muro maior entre as casas, até bola de futebol furada, entra a Justiça.

Pedro Alexandre Sanches, repórter especial do iG Cultura

Rapper lança álbum de sambas com composições "leves" de seu amigo

Foto: Divulgação

Marcelo D2 conta que ficou amigo do sambista Bezerra da Silva (1927-2005) em 1994, antes mesmo de lançar o primeiro álbum como líder do grupo Planet Hemp, e que a amizade se estreitou mais em 1998, quando o pai do rapper carioca morreu. ?Bezerra foi muito bacana comigo. Sabia que eu adorava, me ligou e disse: ?Vem cá, que a Regina vai fazer um feijão branco com dobradinha para você??, lembra.

Em 1997, os integrantes do Planet haviam sido presos por suposta apologia ao uso de maconha nas letras de seus raps. Também em 1998, Bezerra retomou um samba de 1992, "Garrafada do Norte", adaptando um dos versos para ?o Planet Hemp quer saber por que é que essa erva é proibida?. Mais tarde, em 2003, convidou o amigo mais jovem para gravar com ele a mesma canção. ?Foi a primeira vez que gravei cantando samba?, afirma D2, referindo-se ao fato de que seus raps, ainda que sempre influenciados pelo samba, são falados, e não cantados. ?Confesso que fiquei um pouco nervoso, quando chegou a hora de gravar a voz. Mas na rua eu canto mais samba que rap, foi tranquilão.?

O ciclo fecha-se agora, com o lançamento de "Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva", seu primeiro disco de samba, digamos, ortodoxo (?acho que vai ser o único?, diz) ? e, por consequência, seu primeiro trabalho sem rap e inteiramente cantado à moda antiga. ?Mexi muito pouco nos arranjos, a intenção era fazer uma homenagem, algo que ele gostasse de ouvir?, explica.

A frase pode dar a entender que Bezerra talvez não gostasse do rap-rock do Planet, mas essas historietas demontram ? e D2 confirma ? que o sambista foi uma espécie de tutor tanto do mote central do Planet, ?legalize já?, como da fusão entre hip-hop e samba que o rapper passou a promover em carreira solo, a partir de 1998. Fizeram turnê juntos e mantiveram os laços. ?Falávamos muito sobre música, mas os papos mais legais eram outros, hoje, seriam sobre o caso do goleiro Bruno.?

Se a conexão não estava explícia até hoje, o sexto CD individual de D2 a escancara. ?O rap que eu quero fazer é o samba que Bezerra cantava, sarcástico, político, politicamente incorreto?, justifica.

O álbum é produzido pelo parceiro Leandro Sapucahy, que também orientou a guinada sambista de Maria Rita. Privilegia o lado satírico da obra subvalorizada de um artista que D2 chama de ?a voz da favela? - e que, como lembra o pupilo, detestava o rótulo de ?cantor de bandido?. Estão presentes no tributo, por exemplo, clássicos populares bem-humorados como "Minha Sogra Parece Sapatão" (1983), "Quem Usa Antena É Televisão" (1986) e "Pai Véio 171" (1983).

O nexo imediato se dá nos sambas (igualmente irônicos e críticos) sobre maconha "Malandragem Dá um Tempo" (1986), dos célebres versos ?vou apertar, mas não vou acender agora?, e "A Semente" (1987). Resvala também no desabafo "Partideiro sem Nó na Garganta" (1992), no qual Bezerra se diz ?partideiro indigesto?, queixa-se da própria fama (?dizem até que eu fumo maconha/ que ando com a venta entupida de pó?) e denuncia preconceitos (?dizem que eu sou malandro, cantor de bandido e até revoltado/ somente porque canto a realidade/ de um povo faminto e marginalizado? e ?dizem que eu gravo música de baixo nível/ porque falo a verdade que ninguém falou?).

?Bezerra gravava músicas do pessoal dele, do cara que era vigia de guarita de condomínio. Falava do padre que cheira cocaína, do pai-de-santo que aceita cheque-ouro?, narra o intérprete. ?Me diverti pra caramba, tudo que envolve Bezerra é tão legal, tão divertido. Ele virou crente pouco antes de morrer, pelo sim pelo não ? chegando lá no céu mal não vai fazer?, gargalha.

Editado pela multinacional EMI e interessado no mercado de massa, "Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva" não chega a traçar um retrato completo do homenageado. A verve politicamente engajada aparece em "Partideiro sem Nó na Garganta" e, no máximo, em "Saudação às Favelas" (1985). Mas ficam de fora sambas mais ferinos (e sérios), como aqueles de crítica frontal à elite econômica (?seu doutor só combate o morro/ não combate o asfalto também/ como transportar escopeta, fuzil, AR-15?/ o morro não tem/ navio não sobe morro, doutor/ aeroporto no morro não tem?, dizia em 1996, em "Desabafo de Juarez da Boca do Mato"), à classe política ("Presidente Caô Caô" era o nome do disco de 1992, inspirado em Fernando Collor) e à mídia (?sim, mas a favela nunca foi reduto de marginal/ ela só tem gente humilde, marginalizada, e essa verdade não sai no jornal/ a favela é um problema social?, cantava na orgulhosa "Eu Sou Favela", também de 1992).

D2 conhece a faceta mais cáustica de Bezerra, como mostra ao mencionar que a frase ?filho de rico é inteligente, filho de pobre é malandro? era um mote que o sambista gostava de repetir. Mas explica por que preferiu privilegiar seu lado mais leve, se é que o termo ?leve? cabe para alguém sempre sintonizado com a vida real nas ?colinas? (como ele gostava de chamar): ?Eu podia fazer um trabalho arqueológico do Bezerra, mas priorizei músicas que mostram aquele malandro carioca, apesar de ele ser pernambucano?.

Ah, sim, Bezerra da Silva nasceu em Recife e iniciou carreira como percussionista da Globo e como cantor de cocos, e não de sambas de protesto. E D2, concluída a homenagem há muito planejada, pretende se mudar ainda neste ano para Los Angeles, onde planeja viver por no mínimo dois anos. ?Preciso de um pouco de ócio, para pensar em fazer algo interessante. Mas é por um tempo, não é ficar lá e nunca mais voltar.? Algum risco de voltar americanizado? ?Tomara?, ri. ?Tomara que eu fique sambalelê, tipo um Sergio Mendes?, conclui, citando seu ídolo bossanovista radicado na mesma cidade desde a década de 1960.

EFE

Fisher faleceu por complicações após uma cirurgia no quadril

O cantor americano Eddie Fisher, um dos precursores do rock nos anos 50 e famoso por seus casamentos com grandes estrelas do cinema como Elizabeth Taylor, Connie Stevens e Debbie Reynolds, morreu aos 82 anos em Berkeley, no estado americano da Califórnia, onde morava.

Fisher morreu na quarta-feira, segundo vários veículos de imprensa americanos, que citam como fonte sua filha Tricia Leigh Fisher, que confirmou que o pai faleceu por complicações após uma cirurgia no quadril.

Cantor de voz melodiosa que nos anos 50 se tornou um ídolo juvenil e vendeu milhões de discos, Fisher se casou em cinco ocasiões, a primeira com a atriz Debbie Reynolds, a quem abandonou pela então viúva de seu amigo, o produtor Mike Todd, a também atriz Elizabeth Taylor, o que causou um grande escândalo e ganhou as primeiras páginas da imprensa americana.

Já nos anos 60, se casou com a emergente estrela de Hollywood Connie Stevens. Depois, ainda se casaria com Terry Richard e Betty Lin. De suas relações com Debbie Reynolds e Connie Stevens nasceram seus filhos Todd, Joely, Tricia e Carrie Fisher, a Princesa Leia de "Star Wars".

Eddie Fisher, nascido em 10 de agosto de 1928 em Filadélfia (no estado da Pensilvânia), começou cantando em uma sinagoga e ganhou concursos em um programa de rádio aos 13 anos. Aos 17, entrou para a orquestra do trombonista Buddy Morrow e do saxofonista Charlie Ventura.

Foi apresentado sozinho em meados dos anos 40 no popular programa radiofônico de Eddie Cantor e assinou um contrato fonográfico com a RCA. Em 1951, deixou momentaneamente sua carreira para alistar-se no Exército, e então começou a cantar com a banda militar e participou da Guerra da Coreia.

Mais tarde, participou de programas de televisão de sucesso, e chegou a ter o seu próprio, o "Eddie Fisher Show", na "NBC" entre 1957 e 1959. No início dos anos 60 criou seu próprio selo fonográfico, o Ramrod Records.

Depois registrou suas gravações com o selo Dot Records. Nessa década atuou em vários locais de Las Vegas, onde interpretou suas músicas mais populares, como "Games that lovers play", "Thinking of you", "Sunrise, Sunset" e "Oh, my papa".

Com duas estrelas no "Passeio da Fama de Hollywood", na década de 70 o cantor teve sérios problemas com as drogas, mas se livrou após 25 anos de dependência, graças à ajuda de seus filhos, como confessou em sua autobiografia "Eddie: My life, My loves" (1981), que voltou a ser editada e ampliada no final dos anos 90.

AE

Depois de temporada de duas semanas no Rio de Janeiro, espetáculo chega a São Paulo

Foto: Divulgação

Pianista, compositor, cantor, ator e, agora, poeta. Pelo menos na ficção. Amante da obra de Tom e Vinicius desde garoto, Wladimir Pinheiro encarna o poetinha no musical "Orfeu". É seu personagem que conduz a conhecida história de 1956 escrita por Vinicius e musicada por Tom, do músico excepcional que atrai o morro inteiro com o que sai de seu violão, mas só tem olhos para sua Eurídice. E, graças ao timbre e à técnica, é ele o destaque absoluto do espetáculo.

A peça, que encheu o Canecão nos dois últimos fins de semana, desembarca hoje no HSBC Brasil, em São Paulo, onde fica só até 3 de outubro (sempre de quinta a domingo). Até o fim de outubro, seguirá por Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba. É possível que ainda volte ao Rio.

Anunciado como "o maior musical brasileiro", Orfeu é essencialmente carioca. Já Wladimir Pinheiro é de Niterói. Ele começou a estudar piano aos 8 anos. Por acaso. Era ruinzinho de matemática na escola, e a mãe cuidadosa procurou uma professora particular. Só que na sala dela havia um piano...

"Enquanto esperava minha mãe chegar para me buscar, a professora me deixava ficar ao piano", conta Pinheiro, hoje com 33 anos e prestes a se casar. "Um dia ela se assustou ao me ver tocando Jesus, Alegria dos Homens, de Bach, e chamou a minha mãe, que me botou num coro infantil e para estudar piano. Sempre fui muito exibido."

Barítono, faz aulas particulares de canto desde aqueles 8 anos; seu repertório hoje inclui música de câmara, especialmente francesa e alemã (já se apresentou fora do Brasil várias vezes). Participou também de óperas e musicais que viajaram o País.

O teatro entrou em sua vida por intermédio da música - e não o contrário, como muitas vezes se vê na carreira dos atores/cantores brasileiros. Ele foi levado a Domingos Oliveira por um amigo. O dramaturgo e diretor precisava de um pianista, mas ele acabou também cantando. Domingos lhe deu umas falas, e ele se fez ator. Em meio às viagens com Orfeu, grava com um trio de jazz um CD de serestas e sambas-canções, que ganharão o palco do Teatro das Artes, no Rio, em breve.

Orfeu - HSBC Brasil (Rua Bragança Paulista, 1.281). Tel. (011) 4003-1212. 5ª, 21h; 6ª e sáb., 22h; dom., 19h. R$ 30/ R$ 180. Até 3/10.


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