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Juliana Bianchi, iG São Paulo

Vic Meirelles, Roberto Riscala e Gilberto Elkis participam da 13ª edição do evento no Iguatemi São Paulo

A chegada da primavera será brindada até o dia 3 outubro com uma mostra de arranjos florais, que enfeitará os corredores do shopping Iguatemi São Paulo. No total, serão 22 espaços decorados com flores, folhagens e elementos complementares, cada qual em homenagem a uma personalidade ? nem sempre conhecida do grande público.

É caso do designer de interiores inglês David Nightingale Hicks, homenageado pelo florista Vic Meirelles em uma minisala de estar decorada com buxinhos, suculentas e orquídeas. Daniela Toledo, da floricultura Fulô, elegeu Pedro Álvares Cabral para inspirá-la na criação de uma ?ilha? de bambus em diferentes alturas, que servem de apoio a delicadas miniorquídeas brancas.

Gilberto Elkis fez homenagem ao grande ator Raul Cortez e Gigi Botelho à Patrick Blanc, botânico e designer francês, a quem é creditado o título de criador do Jardim Vertical. Os esportistas foram a inspiração da Flower People, que usou uma bicicleta de ferro como base para instalação de seus arranjos com samambaias e orquídeas. E Maria do Carmo R. Simon, da Flor e Forma, baseou-se no trabalho dos irmãos Campana para montar o espaço que briga seus arranjos com antúrios coloridos.

Com um toque de descontração, Fátima Casarini, da Flores on Line, elegeu Mary Poppins para dedicar seu delicado arranjo de estatices rosa e azul, instalados em vasos gigantes protegidos por guarda-sóis. ?Flores são como a expressão ?supercalifragilistiexpiralidoso? usada pela personagem de Julie Andrews, nos ajudam a dizer algo quando não sabemos como nos expressar?, diz a florista.

Os paisagistas e floristas e Andrea Saladini, Aparecida Helena Leme e Lucia Milan, Bia Sandoval, Clarice Mukai e Joel Matsuoka, Dora Sodré Santoro, Escarlate Flores, Flavia Rocco, Gigi Botelho, João Jadão e Cid Carvalho, Marcelo Bacchin, Maria Lina Flores, Monica Rezende e Clarissa Rezende, Novemeiaoito Flores e Paisagismo, Roberto Riscala e Studio Flora Sodré também participam desta edição.

Para fazer em casa

Para quem se inspirar na mostra e também quiser colorir a casa com flores, Fátima Casarini dá uma dica simples. ?Coloque uma ou duas gérberas da mesma cor, cortadas em alturas diferentes em uma garrafinha de água bem limpa e pronto?, ensina. ?É fácil, rápido e fica lindo?, completa.

Luly Vidigal, que criou um orquidário suspenso na mostra, indica às novatas que trabalhem com rosas ? ?é ?a? flor para arranjos? -, frésias e flores de ervilha ?para trazer leveza?. Deverá ficar um arranjo bem leve e vistoso.

Os clientes do programa de fidelidade do shopping ainda poderão participar das palestras e workshops que acontecem paralelamente à mostra. No dia 27, Gica Mesiara falará sobre Jardins Verticais; no dia 30, a chef Bel Coelho dá aula sobre Flores e Gastronomia; e no dia 2 de outubro, Vic Meirelles ensina técnicas de arranjo. As aulas acontecem no Lounge One, no período da tarde.
 

Serviço:

13ª Mostra Iguatemi de Arranjos Florais
Data: 23 de setembro a 3 de outubro
Local: Shopping Iguatemi
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232 ? São Paulo (SP)
Horário: De segunda a sábado, das 10h00 às 22h00, e domingo, das 11h00 às 22h00
Gratuito
Tel:
(11) 3816-6116
 

 

 

 

 

 

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Pesquisa mostra que um em cada 10 portadores não conta ao parceiro fixo que tem HIV

Foto: Getty Images

Aids, doença que abala o mundo desde os anos 80, enfrenta um silencioso fio condutor da epidemia. A camisinha ainda é encarada como termômetro de confiança entre casais e, por isso, parte das pessoas portadoras do vírus mantém sigilo sobre seu diagnóstico, até mesmo para os parceiros estáveis.

Um dos trabalhos que detecta o segredo dos portadores do vírus HIV foi feito pela Casa da Aids, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Na entidade, são atendidos 3.200 pacientes e 292 foram sorteados para uma pesquisa sobre estilo de vida. Deste total, 66% afirmaram ter relações estáveis com parceiros não soropositivos. Um em cada dez deles admitiu não contar ter a doença.

O medo do abandono do namorado (a), marido (esposa) e companheiro (a) após o relato é o que mais reforça o silêncio entre os casais, afirma o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. O perigo, reforça ele, é que mesmo quando sabem do diagnóstico, as relações sexuais entre ambos continuam sendo mantidas sem proteção, postura adotada tanto por pacientes de hospitais públicos quanto pelos que freqüentam as clínicas privadas.

Nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) responsáveis por acolher mulheres grávidas e com HIV, a dependência econômica também aparecem como justificativa para o silêncio. As grávidas não revelam aos pais das crianças que estão infectadas por um vírus que tem como forma principal de transmissão o sexo sem camisinha, mesma ?fórmula? que as fez engravidar.

Para a enfermeira e professora da Universidade Federal do Alagoas, Renata Karina Reis, os mesmos motivos que fazem com que elas sejam contaminadas geram o silêncio sobre o diagnóstico. A especialista, que fez seu mestrado e doutorado sobe casais sorodiscordantes (quanto um tem o diagnóstico e o outro não), fala que o sexo feminino tem ainda mais dificuldades para negociar o preservativo.

?A maioria das mulheres que hoje entra para as estatísticas de aids tem escolaridade baixa, não tem renda própria o que acaba reforçando a posição de submissão em várias áreas da vida, inclusive na negociação do preservativo?, afirma Renata.

Segundo os ginecologistas que atendem estas mulheres, o segredo dificulta a adesão ao tratamento para que o HIV ? que exige mais visitas aos médicos e mais medicamentos ingeridos ? não seja transmitido ao bebê durante a gestação. O resultado é que o Brasil ainda tem em seus boletins clínicos 1% de transmissão vertical, ou seja, 1% de crianças que já nascem contaminadas pelo vírus da aids (quase 5.000 por ano).

Culpa de quem?

A avaliação dos especialistas é que, apesar de os dois gêneros enfrentarem dificuldades para falar sobre a doença são as mulheres as que mais acabam revelando a verdade sobre a doença, justamente por serem mais suscetíveis às pressões de manter um segredo tão dolorido. Não dividir o diagnóstico com o parceiro é deixar boa parte da vida na ?clandestinidade?. É ter de disfarçar os muitos remédios necessários para controlar a doença em vidros de outros medicamentos, não partilhar as angústias de uma enfermidade e esconder as possíveis sequelas da doença.

O maior silêncio masculino pode ser uma das explicações para o aumento da participação de casos entre mulheres com mais de 50 anos nos dados nacionais de aids, conforme mostrou o último balanço. Em 2000, esta faixa-etária do sexo feminino respondia por 8% do total de casos. Nove anos depois, a parcela subiu para 15%, quase o dobro.

Culpar os portadores do vírus do HIV ? que sabem do diagnóstico ? e transmitem aids para outras pessoas é uma iniciativa que já faz parte de projetos de lei em trâmite no País e postura adotada por 61% dos profissionais de saúde que atendem soropositivos, conforme mostrou pesquisa ainda inédita da Faculdade de Saúde Pública e publicada pela Agência Estado.

A ressalva feita pela professora Renata Karina Reis é que mesmo entre os que silenciam o diagnóstico não transmitem o HIV de forma intencional ou consciente. Prova disso, reforça o médico e sociólogo Artur Perrusi ? ele coordena um grupo ligado à Universidade da Paraíba que trabalha com a sorodiscordância ?, é que mesmo quando o parceiro sabe da doença do outro a camisinha continua sendo negligenciada.

?Já ouvi casais dizendo que o preservativo é a lembrança constante de que são sorodiscordantes. E de forma geral as pessoas sabem muito pouco sobre a transmissão. Mesmo na sala de aula da Universidade, as perguntas que aparecem são antigas e denotam falta de conhecimento simples?, afirma Perrusi.

?Por isso, é difícil criminalizar e culpabilizar neste cenário. É diferente quando a transmissão ? e é neste ponto que ainda tenho dúvidas ? é feita como uma forma de vingança.?

Segundo todos os especialistas, os potentes coquetéis antiretrovirais que garantiram com que o vírus HIV deixasse de ser uma sentença de morte não derrotaram o preconceito enfrentado pelos portadores. Os soropositivos vivem mais, mas ainda têm pouco acolhimento nas unidades para discutir vida sexual, namoro e profissão. ?O foco de tratamento é quase exclusivo em medicamentos?, diz a professora Renata.

Uma linda rosa

Mara Moreira tinha só 18 anos quando descobriu o HIV, três meses após casar virgem com o primeiro marido. Ela ficou viúva 1 ano e meio depois de trocar alianças e a morte do companheiro por aids fez com ela passasse sete anos em total isolamento da vida amorosa, das relações sexuais e da possibilidade de dividir a vida com outra pessoa.

O apoio do Grupo Vidda do Rio de Janeiro, no entanto, fez com que ela arriscasse tentar viver mais uma história de amor. Em uma sala de bate-papo, com o codinome ?Rosa?, ela encontrou preencheu uma ficha e encontrou Evandro, 98% de afinidade com suas preferências e gostos.

Foram dois meses trocando mais de 200 mensagens por dia até que os dois resolveram marcar o encontro. No shopping, ela atestou que de fato o ?amigo virtual? não mentiu sobre os seus 1,90 m de altura e olhos claros. Agora, era hora dela pensar se a mentira sobre seu diagnóstico seria um caminho ou não. Ao mesmo tempo, não conhece ninguém que no primeiro encontro diz ?oi, tudo bem? Então, tenho diabetes.? Com o HIV também não era assim.

No 5º encontro, ela depois de pensar muito, resolveu falar sobre a sua condição. Mara é evangélica, segue as determinações de que sexo só depois do casamento, mas não queria deixar só para esta hora a revelação. Evandro ouviu a notícia e foi embora. Naquele dia, as constante média de 200 mensagens de celular trocadas por dia se resumiu a nenhuma.

No fim da tarde, a mensagem ?não é porque eu descubro que a Rosa tem espinho que eu vou deixar de achá-la bonita e admirar seu perfume?, confirmou que Mara Moreira havia tomado a decisão certa.

Hoje, eles estão casados há 5 anos, felizes e fazendo da camisinha uma parceira. ?A maioria das pessoas não conta ao namorado que tem o vírus por medo da reação, mas não imagina que esta reação pode ser boa. Eu sou feliz hoje e dividir o diagnóstico e poder partilhar várias outras coisas da vida. Não é só a doença.?

Júlia Reis, iG São Paulo

Deixar roupas na casa do outro, telefonar em excesso e mais comportamentos que forçam a intimidade e atrapalham a relação

Foto: Getty Images

O início de um namoro é gostoso, cheio de paixão e vontade de ficar junto. No processo de se conhecer melhor o casal que está em um relacionamento recente também lida com inseguranças na forma de agir para mostrar interesse e atenção sem invadir o espaço alheio ou forçar a barra.

Etiqueta no novo namoro é importante para evitar gafes que incomodam o parceiro, desde telefonemas em excesso até uma mala com calcinhas e secador de cabelo deixada na casa do par. ?A medida do que pode ou não, da receptividade, vem do outro. Mas quando estamos apaixonados não enxergamos bem os sinais?, explica a consultora de etiqueta Célia Leão, autora do livro ?A Etiqueta da Sedução? (Editora STS).

Se algumas pessoas oferecem logo de cara uma gaveta para a namorada guardar itens pessoais, os mais reservados podem ficar tensos ao encontrar o xampu e condicionador dela no chuveiro depois de apenas duas semanas de namoro. ?Não imponha coisas na casa do outro. Quando eles querem, abrem a porta para você?, recomenda a consultora de etiqueta.

Segundo Marina Vasconcellos, terapeuta de casais, o limite da intimidade no começo da relação tem a ver com o histórico de cada um e a disponibilidade emocional para levar o namoro adiante. Para Célia, é importante não ter pressa: ?Seja cada vez mais presente na medida em que a relação for crescendo?, diz.

Encontrar o equilíbrio entre a intimidade natural e a atenção em excesso será um dos grandes aprendizados do relacionamento. ?É importante conversar sobre o assunto com leveza e deixar claro quando algo incomoda?, sugere Marina

Respeito ao espaço alheio
A casa do outro é um território que exige cuidado. Passar dias lá ou deixar pertences pessoais pode ser precipitado e causar desconforto. ?Se a pessoa acampa e nunca mais vai embora você perde a liberdade, cansa?, avalia Célia.

?Tive uma namorada que grudou. Já no terceiro mês parecíamos casados: ela passava todo dia comigo e me sentia mal de falar para ela se tocar e voltar para a casa dela?, conta George Brummer, publicitário.

De acordo com a consultora de etiqueta, até receber o convite do parceiro para levar coisas suas, o ideal é carregar uma bolsa com itens necessários como escova de dente e desodorante. E nada de deixar roupa e escova de dente na casa dele sem prévio aviso.

Telefone, internet, sinal de fumaça
Outro ponto de discórdia é o telefone, ou ainda os comunicadores instantâneos na internet. É possível que falar várias vezes ao dia com o par desgaste a relação. Já o namorado que liga pouco pode gerar tensão. ?A dúvida é sempre se você está falando e ligando demais ou de menos?, avalia Juliana D? Alcântara, gerente comercial de 33 anos, que namora há sete meses Fábio Almeida. Ele também tomou cuidado com a comunicação no início: ?Para não ser invasivo tentei não ligar demais nem demonstrar ciúme logo de cara?, conta.

A medida está na reação do outro, segundo especialistas. ?Você percebe se ele está retribuindo ou se fica aflito, monossilábico?, diz Célia, que defende telefonemas mais espaçados no início da relação. Na internet, divulgar em excesso o novo status social também pode ser origem de desconforto para uma das partes e assustar. ?Tem gente que está querendo por no Jornal Nacional que está namorando? critica Marina. É preciso bom senso ao postar no Orkut ou Facebook que está envolvida com alguém. ?As redes sociais são uma invasão muito grande. Tem que checar se o parceiro está pronto para assumir perante o mundo, amigos, família e até uma ex-namorada que está em outro relacionamento?, diz Célia.

Apresentações
Principalmente quando umas das partes mora com os pais é inevitável que os namorados conheçam a família do outro. Mas a etiqueta não se trata de apresentar os parentes e sim o formato no qual isso é feito: não há pressa em mostrar todos os primos, avós e tios para o outro logo no começo da relação.

Nem todo almoço de família precisa da presença do namorado e o convite, segundo Célia, pode ser aberto a desistências, deixando o outro a vontade para pular o compromisso. ?Ir num casamento da família e já levar a pessoa para conhecer todo mundo, ficar no álbum de fotos, é demais. Se não for alguém que encara na boa já vai se considerar amarrado e comprometido?, diz Marina.

Pecados da etiqueta do amor:

Xeretar: ?Olhar toda hora o perfil nas redes sociais do parceiro, tentar abrir a conta de e-mail dele ou olhar as ligações feitas no celular. A intromissão é a bandeira da falta de confiança?, aponta Marina.


Confundir intimidade com relaxo:
Ficar muito próxima de alguém não dá liberdade para fazer de tudo, deixar de se cuidar ou acabar com o mistério. ?Banheiro de porta fechada, por favor!?, é a dica mais que clara de Célia Leão.

Ser espaçoso: A casa do outro, por mais que vocês se gostem, não é sua. Pedir licença e ?por favor? são sinais de educação, assim como respeitar as regras, costumes e organização do outro. ?Na intimidade é que a gente treina delicadeza. Não precisa chegar abrindo a geladeira e pegando o suco. Só diga que está com sede e espere que alguém ofereça e dê autorização para mexer nas coisas?, recomenda Célia.

Ser controlador: Deixar o parceiro ter atividades individuais é fundamental. O futebol semanal ou o encontro com as amigas faz bem ao casal e brigas para saber onde o outro está minam a relação logo no início. ?Mandou uma mensagem de texto enquanto ele está ocupado? Diga que não precisa responder agora?, aponta a consultora de etiqueta.

Cáren Nakashima, especial para o iG São Paulo

Dormir fora é desafio não só para as crianças, mas também para as mães, e não tem idade certa para acontecer

Foto: Getty Images

João tem 5 anos e, aos 4, encarou sua primeira ?noitada?. O evento acontece semestralmente na escola onde ele estuda e recebe os alunos a partir dessa idade para dormir fora de casa. ?Ele já sabia da atividade porque via a movimentação entre seus amiguinhos mais velhos. Quando atingiu a idade necessária, perguntei se ele desejava participar. E ele quis?, conta a psicanalista e psicóloga Gabriela Rinaldi Meyer.

Dormir longe da família é uma oportunidade para a criança perceber seus recursos diante de situações de independência, reassegurar-se desses recursos, aprender a utilizá-los e, principalmente, expandir e desenvolver novas ferramentas para enfrentar o novo e ter mais autonomia. Porém, ela precisa desejar viver a experiência e cada caso é isolado, afinal as crianças são muito diferentes e reagem de formas distintas a situações idênticas, independentemente do estímulo e do suporte dos pais.

Segundo a psicóloga e terapeuta cognitiva Ana Maria Serra, fundadora do ITC (Instituto Terapia Cognitiva), a melhor forma de estimular o pequeno a abraçar o desafio é mantê-lo seguro. ?As crianças aprendem com o que veem, mais do que com o que ouvem. Por isso, quando os pais se apresentam seguros, autônomos e autoconfiantes, a tarefa fica mais fácil. Enfatizar os aspectos positivos, como a diversão e a aventura da empreitada, e lembrá-la dos prejuízos caso ela opte por não ir, também são estimulantes?, aconselha. Porém, é preciso ficar bem claro que o seu filho sempre tem a possibilidade do escape caso a situação se revele acima dos recursos de enfrentamento que ele acredita ter.

?Incentivar o filho a dormir fora contribui no seu desenvolvimento, desde que seja realizado com parcimônia e cuidado. A criança precisa sentir-se protegida mesmo em outro ambiente?, ressalta Vanessa Morcrette, psicóloga e psicoterapeuta. Segundo ela, esse incentivo ajuda a dar continuidade no desenvolvimento emocional natural da criança, mas deve ser feito aos poucos, pois colocá-la de repente em uma situação desconfortável pode ser prejudicial.

Em outras palavras, a criança precisa saber que pode contar com os pais caso mude de ideia durante a noite e peça para voltar para casa. ?Se o responsável telefonou, é porque foi impossível contornar a situação. Isso significa que a criança está no seu limite e é preciso respeitá-lo?, aponta Gabriela. Por isso, vale ir buscar o seu filhos se o choro é insistente. Isso não diminuirá a experiência nem anulará as próximas tentativas. Tudo é uma questão de diálogo.

Preparação

Não há uma idade certa para a primeira noite fora. No lugar disso, é importante avaliar os outros tipos de experiências ? como ele se comporta em viagens ou com estranhos? Ele é mais introspectivo ou extrovertido? ? e se os pais atribuem ou não risco a uma atividade como essa. Tudo isso passa por uma observação longa e por pequenos estímulos pontuais, como encorajar seu filho a fazer o pedido dele no restaurante, por exemplo, e a passar um dia inteiro na casa de um amigo ou parente. ?Preparar um filho para dormir fora e para se perceber autônomo ? em níveis adequados para a sua idade ? é um processo a ser iniciado muito antes do primeiro convite?, explica Ana Maria.

Isso não significa que a negociação com a criança para passar a noite fora vá começar meses antes do evento. Falar sobre o assunto quando a data já está mais próxima minimiza os riscos da criança criar expectativas demais ou ficar ansiosa. Embora o seu filho João soubesse da ?Noitada? promovida pela escola antes dela acontecer, Gabriela perguntou se ele gostaria de participar na própria semana na qual ela aconteceu. ?Assim, todo mundo lida de forma mais natural e tranquila?, fala. Para a profissional e mãe, o processo não é importante apenas para os filhos: ?Fiquei com saudades, vi o quartinho vazio e pensei que não fosse suportar?, lembra. ?Mas esse enfrentamento é ótimo. É bom passar por uma situação que parece insuportável, para então se fortalecer?, finaliza, resumindo, justamente, o segredo do mesmo desafio para a criança.

The New York Times

Estudo mostra que uma única sessão de massagem é capaz de causar alterações biológicas em quem a recebe

Foto: Getty Images

Uma boa massagem faz mais que apenas relaxar seus músculos? Para descobrir, pesquisadores do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, recrutaram 53 adultos saudáveis e aleatoriamente submeteram 29 deles a uma sessão de 45 minutos de intensa massagem sueca, e os outros 24 a uma sessão de massagem leve.

Foram inseridos cateteres intravenosos em todos os participantes, para que amostras de sangue fossem colhidas imediatamente após a massagem e novamente uma hora depois.

Para surpresa dos pesquisadores, patrocinados pelo Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa, uma divisão do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, uma única sessão de massagem foi capaz de causar alterações biológicas em quem a recebia.

Os voluntários que foram submetidos a massagem sueca experimentaram reduções significativas nos níveis do hormônio do stress cortisol no sangue e saliva, e no nível de um outro hormônio que pode causar elevações de cortisol. Eles também tiveram aumento no número de linfócitos, os glóbulos brancos do sangue que fazem parte do sistema imunológico ? responsável pelas defesas do corpo.

Os voluntários da massagem leve experimentaram elevações da oxitocina, um hormônio associado ao contentamento e à confiança, maiores que no grupo da massagem sueca, e reduções mais acentuadas de um hormônio que estimula as glândulas adrenais a liberar o cortisol.

O estudo foi publicado online em ?The Journal of Alternative and Complementary Medicine?. O principal autor, Mark Hyman Rapaport, diretor de psiquiatria e neurociências comportamentais do Cedars-Sinai, afirmou que as descobertas são intrigantes e instigantes.

* Por Roni Caryn Rabin

Lívia Alves, iG São Paulo

Premiado escritório de arquitetura holandês participa da Bienal de Artes de SP e pensa em criar bairros planejados em Santos

Considerado um dos escritórios de arquitetura mais importantes da Holanda, o UNStudio faz sua estreia no Brasil durante a 29ª Bienal de Arte de São Paulo, que abrirá suas portas no dia 25 de setembro, no Pavilhão do Ibirapuera. A convite dos curadores Moacir dos Anjos e Aguinaldo Farias, a empresa projetou um dos seis ?terreiros? - espaços reservados para performances, leituras, seminários, projeções, debates e descanso ? da mostra.



Com mais de 70 projetos na China, Coreia do Sul, Taiwan, Itália, Alemanha e Estados Unidos nas áreas de urbanismo, infraestrutura e construção, o escritório fundado em 1988 por Ben van Berkel e Caroline Bos, abusa das formas cheias de movimento e leveza em suas obras. Experiência que também pode ser vista no espaço criado na Bienal.

Em passagem pelo País para a abertura da mostra, Berkel conversou com a equipe do iG Casa sobre seus planos no Brasil e o futuro da arquitetura.

iG: Como é o terreiro projetado pelo UN, intitulado ?Eu sou a Rua??
Berkel:
O espaço, que nós da UN chamamos de ?YouTurn?, coloca-se entre a arte, a instalação e a arquitetura, e funciona como um local tanto de interação como de solidão. Sua estrutura irregular contrasta a forma de um triângulo na parte exterior, com um círculo no interior, onde ocorrerão seminários e palestras.

iG: Como o senhor vê essa relação entre a arquitetura e a arte?
Berkel
: Interessante, já que as fronteiras entre as duas técnicas estão cada vez mais estreitas. Hoje, um arquiteto completo e competente precisa entender de muitos assuntos que rodeiam seu universo, como artes, decoração e design. Ter um evento com essa dimensão é mais uma prova de que artes e arquitetura estão muito ligadas.

iG: Apesar de nunca ter vindo ao Brasil, o senhor seria capaz de apontar alguns arquitetos brasileiros que admira?
Berkel:
Acho o trabalho do Oscar Niemeyer muito poderoso. Admiro a forma como ele, em apenas duas linhas, pode dizer tudo sobre o projeto. É nessa síntese bem feita e direcionada ao público que buscamos referência para os projetos da UNStudio. Também gosto muito do trabalho de Lúcio Costa, mas acho um pouco complicado citar um ou dois nomes, principalmente porque não conheço muitos arquitetos brasileiros. Daqui a um ano poderei dar uma resposta melhor.

iG: O UN tem mais algum projeto aqui no Brasil?
Berkel:
Não, ainda não. Estamos pensando em começar algo em Santos, mas ainda são planos. Com o pré-sal, a região está se expandindo e queremos construir bairros planejados, onde moradias, supermercados e restaurantes estejam próximos uns dos outros.

iG: Quais são suas referências e inspirações?
Berkel:
Tenho algumas inspirações, mas não tenho heróis. Admiro a forma, o conceito e o trabalho de alguns profissionais, como o arquiteto italiano naturalizado argentino, Clorindo Testa, por seus trabalhos diferenciados e, muitas vezes, engraçados; e o arquiteto Le Corbusier, pela forma como ele criava, mudava, experimentava e transformava suas obras.

iG: Como acredita que será a arquitetura do futuro?
Berkel
: Feliz, habitável, pragmática e otimista.


Serviço:

29ª Bienal de Artes
Local: Parque Ibirapuera, Portão 3, Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Av. Pedro Álvares Cabral ? São Paulo (SP)
Data: De 25 de setembro a 12 de dezembro
Horário: De 2ª a 4ª feira, das 9h às 19h. 5ª e 6ª feira, das 9h às 22h
Sábado e domingo, das das 9h às 19h.
Entrada gratuíta

 

 

 

 

 

Poucos encontram lugar na vida para o ofício e a vocação separadamente

Quando alguém procura um astrólogo é porque sente que alguma coisa mudou, está mudando ou vai mudar. Mas nunca é alguma coisa qualquer. É sempre alguma coisa difícil de ser definida, que não se sabe o que é nem onde está.

E quando a gente se sente desorientado, seja em uma cidade ou na vida, nada melhor do que um mapa para pôr as coisas no lugar ou pelo menos dar a sensação de que não estamos tão perdidos assim.

O desconforto de quem não sabe muito bem por qual caminho está seguindo é colocado em um tema ou numa área qualquer da vida. Muitas vezes essa área é o trabalho. A coisa mais comum é a gente ouvir alguém dizer que já pensou em mudar de trabalho porque ele não está lhe fazendo feliz.

Mas quem foi que disse que trabalho tem que trazer felicidade? Com as minhas desculpas a todos os infelizes profissionais do mundo, tenho que dizer que, segundo a astrologia, trabalho nunca foi feito para dar felicidade.

Essa mania atual de achar que todo trabalho tem que nos deixar sempre entusiasmados e felizes vem da mistura de dois conceitos que estão praticamente fundidos no mundo moderno, mas perfeitamente separados para o olhar astrológico: ofício e vocação.

Quem procura e encontra um bom oficio (o que é uma verdadeira benção do céu) recebe de volta uma vida organizada, produtiva e estável. Quem procura e encontra a vocação recebe presentes muito pouco palpáveis: alegria ou a sensação de ter encontrado um lugar no mundo, o que seria um bom codinome para a tal ?felicidade?.

Antigamente ninguém ficava preocupado em encontrar a vocação. Aliás, os pais também não se preocupavam muito em fazer os filhos ?felizes?. Eles estavam muito preocupados com que o filho aprendesse um ofício e se tornasse independente. Felicidade era outra história, que pertencia exclusivamente ao filho.

E aí apareciam aqueles que eram alfaiates, mas tocavam violino. Que eram ferreiros, mas gostavam tanto de cantar. Mestres do ofício, namorados da vocação.

Mas também sempre existiram aqueles iluminados que transformaram o ofício em arte. Ou a vocação em ofício. Muito mais instáveis, alguns muito felizes e outros absurdamente infelizes, mas todos casados para sempre com a vocação.

Mas estamos falando de extremos. Na maioria dos casos, ofício e vocação convivem, em maior ou menor harmonia. Em geral, alternando fases de predominância de um ou de outra.

Ninguém melhor para simbolizar a harmonia entre o ofício e vocação do que o nosso poeta maior: Carlos Drumond de Andrade. Poeta e funcionário público.

O problema é que pouca gente encontra lugar na vida para essas duas coisas. Se escolhe uma, se joga com total energia nela e passa a sentir a outra como uma sombra, como uma insatisfação secreta. Uma infelicidade sem motivo real.

Mas sempre que o céu toca a Lua, a senhora da satisfação, ou Vênus, a rainha dos nossos ideais, a parte que está faltando desperta. Procura um lugar e não acha. E acaba jogando tudo na escolha anterior. O estável sonha com a aventura, o instável sonha com um chão verde e imóvel.
São sempre acontecimentos dessa ordem que levam as pessoas até os astrólogos. Mesmo que não saibam disso.
 

Verônica Mambrini, iG São Paulo

Não é preciso separar um ano da sua vida nem uma pequena fortuna para mudar a história da sua vida

Foto: Divulgação

Quando escreveu ?Comer, rezar, amar?, best-seller que inspirou o filme estrelado por Julia Roberts, talvez Elizabeth Gilbert não tivesse noção de que seu livro de memórias ia vender quatro milhões de exemplares, render uma continuação e se tornar uma franquia bem sucedida que batizou de perfumes a roteiros turísticos. A identificação do público com a obra não é de se espantar, já que qualquer pessoa que tenha passado por uma crise pessoal devastadora sabe o quanto a luz no fim do túnel é perseguida a todo custo. Gilbert partiu para sua jornada de um ano por três países com a vantagem das despesas pagas adiantadas pelos direitos autorais do livro que escreveria sobre a experiência. Mas como dar conta da reinvenção pessoal sem direito a ano sabático e orçamento irrestrito? É possível criar um plano express, focando em uma ou duas atividades ou viagens mais curtas. E se entregar de cabeça à experiência

Comer
A ?cozinhaterapia? não para de ganhar adeptos. A sensação alquímica de misturar sabores, texturas e aromas mexe com o sensorial e liberta amarras para abraçar a vida de forma mais prazerosa. Se não é possível passar 4 meses na Itália entre sorvetes e copiosos pratos de massa e vitela, a alternativa pode ser um curso mais intenso ? de longa duração, no Brasil, ou de imersão, em outro país.

Longo prazo - De aulas únicas ao curso de um ano que envolve técnicas e exige uma dedicação mais pesada, há experiências para todos os gostos na Escola Wilma Kovesi de Cozinha. ?Muitas pessoas vêm para virar a mesa e mudar de carreira, outras vêm como uma terapia, fazem o curso para cuidar de si?, afirma a chef consultora e professora de cozinha Gabriela Martinoli. ?O Objetivo Chef é para quem quer um ano de ?terapia?, com muita técnica.? As técnicas e ideias para montar o cardápio são ensinadas a partir de receitas.

Escola Wilma Kovesi de Cozinha
(11) 3082-9151
 

Imersão ? A agência de turismo gastronômico Al Mondo leva os alunos para roteiros em destinos de tradição gastronômica, como Toscana, na Itália, e Provença, na França. No roteiro de 2010, ainda é possível participar do grupo de Costa Brava, na Espanha, em setembro, e Toscana, em outubro. Além de menus locais no café, almoço e jantar, os viajantes participam de aulas de culinária que vão desde as compras do mercado até a mesa. A hospedagem é em villas e casas locais, em paisagens cinematográficas ? uma experiência muito mais próxima da arquitetura e cultura local do que estadia em hotéis.

Al Mondo
(55) 9118.5939

Rezar
Reconectar-se com Deus ou buscar uma verdade interior por meio da espiritualidade costumam fazer parte da lista de intenções de quem está repaginando a vida ? seja qual for o credo pessoal. Os objetos de desejo são longos períodos de isolamento em viagens clássicas, como meditação em um ashram na Índia ou viagens de peregrinação como Santiago de Compostela, na Europa. Se o tempo estiver curto, retiros de ioga, meditação e silêncio podem ajudar a desapegar-se da rotina, fazer uma faxina na confusão mental e voltar renovado para a rotina.

O caminho - A Sociedade Brasileira de Taoísmo promove retiros em São Paulo e no Rio de Janeiro. Natureza, simplicidade, tranquilidade e paz interior fazem parte do cardápio. Entre as atividades, estão rituais taoístas, sessões de exercícios Qi Gong e meditação Xin Zhai Fa, que significa método da purificação da mente.

Sociedade Brasileira de Taoísmo
(21) 2225-2887
(11) 3105-7407

Em silêncio - O templo Odsal Ling é um centro de budismo tibetano com retiros de silêncio opcional em São Paulo (SP) e Três Coroas (RS). Há ensinamentos budistas e na agenda, horários de silêncio. Há retiros mais curtos e, em outubro, haverá um retiro de 10 dias, o Ioga dos Sonhos, em São Paulo, com o método de meditação do budismo tibetano vajraiana, conduzido pelo Lama Tsering Everest.

Odsal Ling
(11) 3885-3945

Amar
Não era o amor que Elizabeth Gilbert estava buscando quando o encontrou. Na última parte do livro, em Bali, ela está em treinamento espiritual quando se apaixona por um brasileiro. Como no amor não há garantias e é incerto onde achá-lo, o que se pode fazer é aumentar as chances conhecendo mais gente e investindo em si mesmo. O retorno em satisfação pessoal ao conhecer novas pessoas e renovar a autoestima garantem que o investimento vale a pena ? mesmo se o amor romântico não chegar.

Abrir o coração - Uma opção rápida e divertida é investir no speed dating. Os encontros rápidos colocam casais para conversar por alguns minutos, trocando os pares para que cada participante possa conhecer várias pessoas. ?Já tivemos cerca de 650 participantes desde os primeiros encontros, há um ano?, diz Pedro Siqueira Gomes, um dos organizadores do Speed Dating. As pessoas anotam em fichas em quem têm interesse e a organização coloca os pares em contato. Não vale esperar sentado pelo amor da sua vida. A experiência pode ser muito mais divertida se você se abrir para conversar, largar a timidez e aprender a reparar em pessoas interessantes.

Speed dating

Em busca das origens - Conhecer suas origens e respirar novos ares é uma ótima tacada para quem sente que deixou o coração estagnar ou precisa de um empurrãozinho para deixar para trás lembranças ruins. Que tal conhecer a cidade de onde vieram seus antepassados? Num país que tem forte presença da migração na população, são centenas de destinos possíveis. Como não há agências focadas em turismo genealógico no Brasil, o melhor é procurar uma agência que ofereça viagens customizadas, já que o destino varia de acordo com a ascendência e história de cada pessoa, então não há roteiros prontos. A Matueté cria roteiros personalizados a partir de uma entrevista com o cliente em que todas as atividades e experiências são detalhadas. Uma alternativa interessante para ir em busca da própria história ? e quem sabe, encontrar o amor no caminho?

Matueté
 
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Da Redação, iG São Paulo

Ideal para a balada, cobertura deixa as unhas brilhantes para arrasar na pista

Foto: Edu Cesar/Fotoarena

Chegou a vez das baladeiras que não dispensam a mão bem feita. O Delas testou o verniz incolor lançado pela Specialittá que promete deixar as unhas fluorescentes na luz negra. A novidade deixa a produção diferente na balada, mas não aparece na iluminação normal. 

A cobertura pode ser aplicada em cima de qualquer esmalte, que próximo da luz negra fica com a cor branca, azul ou roxa. E não é fácil ter precisão com o verniz, que é mais líquido que os demais produtos para a unha. 

Apesar de ser transparente, precisa ser aplicado com cuidado, sem borrar os cantinhos e dedos, já que as imperfeições também se destacam na luz especial. 

Serviço:
R$ 3,50
www.speciallita.com.br
SAC (11) 2606-1012


 

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Lívia Alves, iG São Paulo

Livro reúne as peças que marcaram época e criaram estilos

Foto: Divulgação

Nos últimos 150 anos, milhares e milhares de cadeiras foram criadas. Mas, segundo o Design Museum, de Londres, um dos mais respeitados no assunto, apenas 50 delas foram realmente inovadoras e revolucionárias. Tanto, que mereceram ter suas histórias contadas no livro ?50 Cadeiras que Mudaram o Mundo?, recém-lançado no Brasil pela Autêntica Editora.

Símbolo relevante de mudanças estilísticas e tecnológicas, a cadeira, mais do que qualquer outro mobiliário, vem se mostrando elemento primordial na construção da imagem das diferentes décadas. Por meio dela é possível conhecer a ideologia, as inovações e os gostos da sociedade em um determinado momento histórico.
?Mais do que ser uma simples cadeira, ela é também um símbolo que se liga ao corpo humano, ao ambiente e à época em que foi fabricada?, afirma Roberto Yokota, professor de design contemporâneo, da Universidade Anhembi Morumbi.

Peças inovadoras


Primeira cadeira popular feita em série, a Thonet nº 14, de 1859, é um dos exemplos da importância da peça como reflexo de um período. Criada durante a Revolução Industrial, ela permitiu maior acesso das massas ao produto, uma vez que, até então, as cadeiras eram produzidas de forma artesanal.

?Mas, apesar do aumento da demanda da época, motivo pelo qual a empresa austríaca Thonet desenvolveu métodos de produção que se apoiassem em novas tecnologias, como o vapor e madeira curva, a peça era vista apenas em cafés, bares e espaços públicos?, diz o professor.

Por volta de 1925, o designer Marcel Breuer lançou a cadeira B3, uma das primeiras a explorar o aço tubular, material que por ter força estrutural, aparência rígida e ao mesmo tempo leveza e elegância permitiu a criação de novas e surpreendentes formas no design de mobiliário.

?A criação da B3, que posteriormente ficou conhecida como Wassily, em homenagem ao pintor Wassily Kandinsky, remonta à época da Bauhaus - importante movimento que explodiu inicialmente na Alemanha e depois em quase todo o mundo -, que defendia o design funcional, a produção em série e o baixo custo das peças?, explica Yokota.

Outra revolução no design de cadeiras presente no livro é o início do uso de materiais derivados do petróleo, como o plástico. Até o fim da 2ª Guerra Mundial a matéria-prima era utilizada apenas na produção de armamentos bélicos. ?A cadeira Lar, Dar e Rar, dos designers Charles e Ray Eames foi uma das primeiras a utilizar o material?, afirma o professor.

Participação brasileira

Apesar da cuidadosa seleção de Deyan Sudjic, diretor do Design Museum, infelizmente os designers brasileiros ficaram de fora da publicação. ?Embora tenhamos designers e arquitetos muito reconhecidos no Brasil, como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Irmãos Campana e Sérgio Rodrigues, seguramente suas peças não foram revolucionárias e não mudaram o mundo na visão do diretor?, lamenta Yokota
A obra faz parte da coleção ?Mudaram o Mundo?, que já apresentou os 50 carros, os 50 vestido e os 50 sapatos mais importantes da história.

 

 

 

 

 

Serviço:
50 Cadeiras que Mudaram o Mundo
Autêntica Editora
Formato: 14 cm x 21 cm
Página: 112
Preço: R$ 34,00
Aquisição pelo telefone: 0800 28 31 322

 

 

The New York Times

Especialista explica por que os médicos recomendam a ingestão de líquido ao longo de todo o curso de uma doença

Foto: Getty Images

Quem já ficou doente alguma vez na vida sabe que a recomendação de repouso e muito líquido está presente em praticamente todos os conselhos médicos a respeito da grande maioria das doenças, especialmente as infecções.

Beber mais água ou outros líquidos pode ajudar uma pessoa doente. Mas isso não ocorre porque a água ?lava? os germes da corrente sanguínea, como muitas pessoas costumam acreditar. Os líquidos são recomendados para manter o doente hidratado, explica a Dra. Shari Midoneck, especialista do Centro Médico NewYork-Presbyterian/Weill Cornell, nos Estados Undidos.

Uma pessoa com febre, diarreia, ou vômitos está perdendo fluidos que precisam ser repostos, esclarece ela. Um paciente que não bebe líquidos suficientes para repor as perdas pode ficar hipotenso. Isso significa que a pressão sanguínea fica anormalmente baixa ? e pode, em casos mais graves, gerar desmaios.

?Os fluidos não limpam bactérias ou vírus do sangue?, aponta ela. ?Somente antibióticos ou o tempo podem fazer isso?.

Isso não significa que o poder de purificação dos fluidos não seja importante, afirma Midoneck, especialmente em tipos específicos de infecções.

?No caso de infecções urinárias?, explica ela, ?beber muito líquido manterá as coisas em funcionamento na via urinária, e pode potencialmente evitar infecções ao arrastar bactérias que poderiam ter aderido à parede da bexiga?.

* Por C. Claiborne Ray

Mesmo depois de todo o dever cumprido, uma sensação estranha ronda a felicidade

Incrível o que me aconteceu outro dia. Estava trabalhando no escritório, ao lado de duas outras mulheres quando, de repente, começamos a sair do foco do trabalho e falar um pouco da vida pessoal. O papo começou a ficar bom, a coisa esquentou, e começamos espontaneamente a abrir um pouco de nossas intimidades. Com a naturalidade de quem está conversando com a própria irmã, trocamos confidências sobre um sentimento que ? descobrimos ? perseguia igualmente as três: o desconforto por sentir-se feliz.

No primeiro momento pensei: o que está acontecendo aqui? Essas mulheres que me parecem tão bem resolvidas, amadurecidas, sentem medo? Pois foi o que elas descreveram em detalhes. Uma delas é mãe, avó, fazendeira, uma pessoa direta, inteligente, que conversa sobre qualquer coisa, sem se importar em agradar aos outros com suas opiniões. Tem um sorriso largo e é querida por nosso grupo na Associação de Mulheres de Negócios de São Paulo.

A outra participante da conversa ao pé do ouvido trabalha com psicologia econômica, ajudando mulheres e casais a redefinirem o significado do dinheiro em suas vidas. Ela é jovem, voltou a ser solteira, tem minha admiração por ser muito competente e, além de tudo, por ser motociclista. Essas mulheres são o máximo.

Em comum todas temos a sensação de desconforto presente nos momentos de alegria, relaxamento e felicidade. Nos relatos compartilhados vimos que nossa rotina de vida tem semelhanças peculiares. Enfrentamos diversos e sérios problemas de saúde na família, com mãe, pai, irmãos, marido ou conosco mesmo. Diante dos problemas assumimos a responsabilidade de tratá-los de perto, fazendo de tudo para resolver cada impasse. Disso resulta uma rotina atribulada e um estresse constante. O desconforto com os bons momentos envolve nossas mentes por acharmos que as coisas, de fato, tendem a não estar tão bem quanto podem parecer, com grande chance de no minuto seguinte da ?festa? e da ?folga? recebermos um telefonema anunciando que algo ruim está acontecendo. Nas nossas cabeças, se o agora está tranqüilo, fica a pergunta: o que de ruim será que virá em seguida?

Não imaginei que, do nada, eu pudesse constatar que tão próximo de mim havia pessoas com sentimentos esquisitos e semelhantes. Foi uma enorme coincidência ou será que outras pessoas também guardam no seu íntimo alguns medos não racionais? A conversa me aliviou. A confirmação de não estar só, de ter alguém que te entende, que sente o mesmo que você, abranda as dores. Como foi bom sair um pouco da conversa padrão sobre trabalho.


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