The New York Times Foto: Getty Images Quem já ficou doente alguma vez na vida sabe que a recomendação de repouso e muito líquido está presente em praticamente todos os conselhos médicos a respeito da grande maioria das doenças, especialmente as infecções. Beber mais água ou outros líquidos pode ajudar uma pessoa doente. Mas isso não ocorre porque a água ?lava? os germes da corrente sanguínea, como muitas pessoas costumam acreditar. Os líquidos são recomendados para manter o doente hidratado, explica a Dra. Shari Midoneck, especialista do Centro Médico NewYork-Presbyterian/Weill Cornell, nos Estados Undidos. Uma pessoa com febre, diarreia, ou vômitos está perdendo fluidos que precisam ser repostos, esclarece ela. Um paciente que não bebe líquidos suficientes para repor as perdas pode ficar hipotenso. Isso significa que a pressão sanguínea fica anormalmente baixa ? e pode, em casos mais graves, gerar desmaios. ?Os fluidos não limpam bactérias ou vírus do sangue?, aponta ela. ?Somente antibióticos ou o tempo podem fazer isso?. Isso não significa que o poder de purificação dos fluidos não seja importante, afirma Midoneck, especialmente em tipos específicos de infecções. ?No caso de infecções urinárias?, explica ela, ?beber muito líquido manterá as coisas em funcionamento na via urinária, e pode potencialmente evitar infecções ao arrastar bactérias que poderiam ter aderido à parede da bexiga?. * Por C. Claiborne Ray
23/09/2010 01:23 PM
Lívia Machado, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images Ao primeiro sinal de dor, calor, inchaço e vermelhidão, o diagnóstico caseiro parece certeiro. O conhecimento raso e popular infla o uso indiscriminado de medicamentos supostamente nocivos, com um recorte especial aos antiinflamatórios. O que a crendice e a automedicação desconhecem é o poder corrosivo do destes remédios, responsáveis pelo aparecimento de úlceras, hemorragias e outras doenças gastrointestinais. "Nos Estados Unidos, onde há um razoável controle da venda de tais produtos, 16 mil pessoas por ano morrem em conseqüência de tal relação", revela Angel Lanas, professor do Departamento de Gastroenterologia da Universidade do Alabama, nos EUA. Lanas é um dos participantes de um recente estudo conduzido pelo chefe de gastroenterologia e hepatologia da Universidade Chinesa de Hong Kong, Francis Chan, que mapeou os efeitos negativos dos antiinflamatórios no sistema gastrointestinal. Foram entrevistadas 4.500 pessoas, em 32 países. No Brasil, a pesquisa foi realizada por profissionais da Universidade de São Paulo (USP), em 10 centros de atendimento médico, entre hospitais públicos e clínicas privadas. Foram selecionados 1.213 pacientes com sintomas de queimação e náusea, que tinham realizado uma endoscopia digestiva nas primeiras 24 horas. Segundo Décio Chizon, professor de pós-graduação da disciplina de Gastroenterologia da USP, 20% dos pacientes faziam o uso de anti-inflamatórios. O especialista explica que a relação entre o medicamento e o surgimento de úlceras é direta e independe do tempo de uso. Apenas uma dose em pessoas hipersensíveis ou com histórico de problemas no aparelho digestivo é suficiente para provocar lesões. ?O risco de ter úlcera é 12 vezes maior em pacientes que fazem o uso de anti-inflamatórios, principlamente entre os que têm mais de 60 anos. Podemos afirmar, hoje, com base nas pesquisas e na análise clínica, que 25% das pessoas que fazem o uso crônico desses medicamentos desenvolverão esse tipo de ferida.? Sintomas ocultos O mapeamento dos dados dá corpo aos estudos antigos que tentam comprovar o perigo da ingestão de medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico. Entretanto, a pesquisa foi feita com pacientes que tinham sintomas pontuais, típicos de problemas gastrointestinais. Os médicos alertam, porém, que lesões sérias podem aparecer sem queixas óbvias. ?Azia, náuseas, vômitos e cólicas abdominais são os sintomas mais frequentes e servem de alerta, mas não necessariamente significam que já existe uma lesão. Outro fator importante é que a falta desses sintomas também não afasta a possibilidade de complicações.? Brasileiras consomem mais O uso de anti-inflamatórios é duas vezes maior na população feminina. A indicação começa logo cedo, como um aliado no combate às cólicas menstruais. O risco de complicações gástricas, em mulheres jovens, é abaixo da média, mas não raro, tampouco incomum. ?Pacientes com sensibilidade podem desenvolver úlceras e até sangramentos, independente da idade. Há inúmeras formas de tratar cólicas menstruais sem a necessidade de recorrer aos anti-inflamatórios. É fundamental consultar um especialista que sugira o tratamento ideal.? Os casos mais freqüentes ocorrem em mulheres portadoras de artrite ou artrose, que, para aliviar a dor, recorrem aos antiinflamatórios. ?Com a idade avançada, os riscos são mais elevados. A artrite é uma doença mais prevalente em mulheres. Sem controle real da venda desses medicamentos, eles passam a ser a forma mais fácil e imediata de combater a dor.?
22/09/2010 07:17 PM
Thais Manarini, especial para o iG São Paulo Foto: Divulgação Buzina, sirenes, reforma em casa, construções de prédios, música alta, eletrodomésticos. Todos os dias somos expostos a diversos tipos de ruídos e, por mais que estejamos acostumados a eles, a saúde é colocada em risco. A poluição sonora está relacionada a uma série de complicações, que vão de zumbidos e comprometimento da audição a insônia, dores de cabeça, estresse e hipertensão arterial. Limite tolerável A intensidade de som considerada segura para o ouvido humano é de até 85 decibéis (dB) ? valor facilmente alcançado em uma avenida movimentada. ?É preciso levar em conta também o tempo de exposição aos ruídos?, frisa Silvio Caldas, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), entidade responsável pela Campanha Nacional da Saúde Auditiva. Por mais inofensivos que pareçam, sons de 85 a 90 dB se tornam nocivos depois de oito horas de exposição. Quem ultrapassa o limite e fica submetido a barulhos intensos por muito tempo não demora a apresentar sintomas. Os primeiros a aparecer geralmente são auditivos, como zumbidos, impressão de ouvir os sons abafados e estar com os ouvidos tapados. Segundo Ney Penteado, otorrinolaringologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, da capital paulista, ?a situação tende a se normalizar em um dia?. Se isso não acontecer, é preciso procurar um especialista. Dependendo da pessoa, outros sinais podem surgir, como dor de cabeça, irritação e tontura. Barulheira fatal O presidente da SBO ressalta que, em longo prazo, muito barulho pode resultar na perda permanente da audição. ?Dá para perceber que essa capacidade está comprometida quando é preciso aumentar muito o volume da televisão ou se torna difícil escutar alguém ao telefone?, aponta. E os prejuízos não param por aí: por se tratar de uma situação de estresse, a exposição à poluição sonora provoca certas respostas do organismo, como aceleração dos batimentos cardíacos e aumento da pressão arterial. ?Se um indivíduo passar por isso continuamente, aumentam as chances de ter problemas cardiovasculares, como o infarto?, frisa Caldas. O otorrino Ney Penteado informa que as lesões auditivas que ocorrem progressivamente dificilmente são revertidas ? a solução normalmente é usar aparelhos auditivos. Por isso é tão importante escapar de situações que agridam demais os ouvidos. Para quem trabalha em ambientes barulhentos, por exemplo, o uso de protetores auriculares é obrigatório. Nos momentos de lazer também é bom não abusar. ?Em casas de espetáculo procure ficar longe de equipamentos de sons muito potentes. No dia a dia, evite usar tocadores de MP3 por um período muito longo e com volume elevado?, recomenda o especialista do Oswaldo Cruz. Confira, a seguir, o nível de decibéis de algumas fontes sonoras
Agora saiba qual o tempo máximo, por dia, que pode ficar exposto a ruídos de acordo com sua intensidade.
22/09/2010 11:51 AM
iG São Paulo A cada 10 gestantes atendidas nos postos de Saúde do Estado de São Paulo, oito apresentam algum tipo de problema bucal. Gengivites, cáries e placas são as ocorrências mais comuns relatadas no balanço da Secretaria de Estado da Saúde. A pesquisa teve como base os dados de atendimentos de pré-natal realizados ao longo de 2010 no Hospital e Maternidade Interlagos, a maior maternidade pública da zona sul de São Paulo. Segundo estimativa do programa ?Boca Saudável, Gravidez Saudável?, aproximadamente 7% das pacientes examinadas apresentam problemas mais graves, como o granuloma, uma espécie inchaço que se forma na gengiva. O chefe do Serviço de Odontologia da Maternidade Interlagos, Francisco Barata Ribeiro, alerta que a higiene bucal mal feita pode ser uma das causas de um parto prematuro e responsável pelo o nascimento de bebês com baixo peso. ?As mudanças hormonais que ocorrem na grávida durante o período de gestação fazem a mulher ficar mais propensa a problemas bucais. Por isso, a atenção deve ser dobrada em todo o período, principalmente a partir do segundo trimestre de gestação?, aconselhou Ribeiro. O especialista aponta cinco dicas essenciais para auxiliar as gestantes a manter a saúde bucal durante toda a gravidez: - Reforce o corpo com vitaminas B, C e Cálcio - Após vômito por enjôo de gravidez, faça bochecho com água oxigenada ou algum antiácido antes de escovar os dentes - Escove os dentes mais vezes ao dia e não esqueça de passar o fio dental - Aumente a freqüência de visitas ao dentista
- Substitua alimentos ricos em carboidratos e açúcares por frutas e vegetais
21/09/2010 01:33 PM
Lívia Machado, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images O nome Sara foi escolhido após um sonho. A definição das cores das roupas e a decoração do quarto não fugiram do rosa, após a confirmação do sexo do primeiro filho de Cristiana Fiusa Carneiro e Cristiano Ferreira de Sampaio Doria. As escolhas que antecedem o nascimento de uma criança pouco mudaram ao longo dos anos. A tradição, entretanto, ganhou um componente extra em algumas famílias, proporcionado pelos avanços da medicina. Doar o sangue do cordão umbilical à rede pública, ou pagar uma anuidade e guardá-lo em unidades privadas de armazenamento do material, hoje, já é capaz de nortear a seleção da maternidade. Nos muitos alarmes falsos que Sara deu aos pais, poucas semanas antes de nascer, Cristiana foi levada às pressas a uma maternidade privada, próxima ao bairro onde mora. A unidade, embora atendesse às demandas da família, só servia para aliviar o susto e dar segurança. Não era o local escolhido pela professora de xadrez para realizar o parto da primeira filha. A decisão de doar o cordão umbilical de Sara a um banco público fez Cristiana escolher um hospital e maternidade filantrópica, credenciada a rede do INCA em São Paulo, para agendar o parto do bebê. Antes de começar o pré-natal, Cristiana revela que tinha um conhecimento equivocado sobre a utilidade das células-tronco presentes no sangue do cordão. ?Acreditava que funcionaria como um seguro de vida para a minha filha.? Dois pediatras amigos do casal explicaram que o sangue não poderia ser usado para curar possíveis doenças futuras da própria criança. ?Quando soubemos desse fator, decidimos doar para ajudar outras pessoas, já que nossa filha não seria beneficiada.? O interesse da familia Fiusa tem sido uma realidade no Brasil. Quando as gestantes entendem a importância dos bancos públicos, geralmente, querem doar, explica Luís Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e coordenador da BrasilCord ? rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Embora não sejam concorrentes diretos, o Ministério da Saúde é contra o trabalho oferecido pelas bancos privados. Na visão de Bouzas, essas empresas reforçam a idéia de que o material colhido logo após o nascimento é uma espécie de seguro de vida, algo absolutamente equivocado. ?É um engodo, uma mentira. Eles não deveriam ser chamados dessa forma. Não funcionam como tal. Quem paga uma anuidade e deixa o sangue reservado está colocando o dinheiro unicamente em pesquisa, no futuro. Isso precisa ficar claro. Quem tem dinheiro e quer fazer isso, investe, no máximo, em uma aposta. Mas não existe, atualmente, nada que prove que esse material será útil para a criança ou alguém da própria família.? Segundo o especialista, as células-tronco, em geral, são utilizadas pra fazer transplante de medula óssea de um paciente para outro, sem relação de parentesco. Funcionam como uma alternativa de tratamento. Entretanto, se o material é oriundo do próprio paciente, esse efeito não acontece. O País já realizou 110 transplantes de células tronco, todos com material oriundo da rede BrasilCord. Os bancos públicos têm, atualmente, 10 mil unidades de sangue de cordão. ?Essas células são úteis para o momento, não para um futuro incerto. Não sabemos qual o tempo de armazenamento delas. Temos experiência de que em 25 anos o material se mantém útil. A chance de conseguir opções de tratamento será nos bancos públicos, não no material armazenado.? Na opinião do médico, frente à realidade mundial, o Brasil tem uma rede de bancos públicos de sangue do cordão bastante razoável. São dez unidades em diferentes estados, a última inaugurada recentemente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Até janeiro de 2011, Belo Horizonte deve receber o HemoMinas. A idéia do Ministério da Saúde é ter um banco de sangue e tecidos acoplados, ampliando as chances de transplantes de osso e córnea, por exemplo. ?O projeto preconiza que o Brasil tenha de 65 a 70 mil unidades de sangue armazenado. Queremos que esse centro que será inaugurado em Minas Grais, unindo sangue e tecido, seja replicado nos próximos bancos.? Kit de coleta Hoje, a decisão de doar determina automaticamente a escolha da maternidade. Em São Paulo, há quatro hospitais filantrópicos credenciados ao INCA. Em outros estados, a opção é única. Tal realidade, embora limite o acesso das gestantes interessadas, não representa um gargalo e tampouco uma fragilidade do setor público, garante o coordenador do BrasilCord. "Não é necessário colher material de toda a população. Os hospitais e homocentros credenciados dão conta das metas estipuladas para o programa. A rede foi planejada dessa forma. Precisamos de amostragem da população, apenas. A logística não é viável. Não temos como coletar o material de todos os bebês que nascem fora dos hospitais públicos e isso não é necessário." Kits de coletas do material são usados fora das unidades credenciadas, apenas em casos especiais. A idéia é tentar atender à demanda de gestantes que procuram o INCA para saber como devem fazer para doar, quando optam por ter o filho em maternidades particulares. Tal iniciativa, porém, não é o foco do projeto. Segundo ele, na rede cadastrada, 50% do material coletado não é aproveitado. Fora dos hospitais especializados, esse índice pode aumentar. "Precisamos treinar o obstetra dessa paciente para que o trabalho ? e os gastos ? não sejam em vão. Não queremos desmotivar a doação, mas sabemos que na rede credenciada o trabalho será feito com qualidade, por uma equipe treinada para realizar a coleta diariamente." Quem pode doar? Os critérios para a doação são rigorosos, e mesmo assim, nem todo material será útil. A gestante precisa fazer um pré-natal criterioso, assinar um termo de consentimento e responder a um questionário sobre a vida da família. ?Precisamos de segurança nesse tipo de doação. Não serão utilizados materiais de gestantes com algum tipo de doença ou que não atendem a esses pontos. Em redes não credenciadas a chance desse protocolo não ser seguido à risca é maior.? Hoje, para que o sangue possa ser doado, a futura mãe precisa ter entre 18 e 36 anos. Até o final do ano, porém, não existirá mais limite máximo de idade. "Esse corte foi feito no começo do projeto. Na época, achava-se que em mulheres acima dos 36 anos as chances de problemas na gravidez eram maiores, o que não é verdade." Outro fator limitante é a quantidade de sangue coletada. Para que seja utilizado em um transplante, é preciso ter no mínimo 70 ml. A média, aponta o médico, é 100 ml, mas existem cordões com volumes de até 200 ml. O que pode inviabilizar o congelamento do material é a forma incorreta de coletá-lo. ?Se o profissional interrompe a coleta antes do tempo, terá uma quantidade insuficiente. Precisamos coletar até o fim, o máximo possível. Equipes treinadas sabem fazer isso e têm paciência.?
21/09/2010 11:50 AM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: A distância de 30 quilômetros foi percorrida em 3horas e 4 minutos. Durante todo o trajeto, em velocidade tartaruga, o médico ortopedista Rubens Rodrigues não apenas lamentou o congestionamento que separava a sua casa do aeroporto como também abria e fechava as mãos, esticava os braços para cima e girava os pés repetidas vezes. A ?coreografia? dentro do veículo é só uma das dicas para evitar os males dos engarrafamentos, que vão além do estresse. Nos últimos 10 anos, segundo os dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) surgiram, em média, 165 mil novos carros. O crescimento da frota na década foi de 103%, bem maior do que o aumento populacional no mesmo período, de 17,1% (mostram os dados do IBGE). O descompasso entre veículos, pessoas e espaço físico fez com que o problema do trânsito parado deixasse de ser um privilégio só de São Paulo e fosse exportado para as principais capitais do País. Prova disso é uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente que detectou poluição veicular acima dos padrões seguros ditados pela Organização Mundial de Saúde não apenas na atmosfera paulista, como também em Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba. O Delas conversou com especialistas para saber como amenizar os principais problemas de saúde trazidos pelo tráfego congestionado. Dores nas costas Pela janela do carro você olha, com piedade, as pessoas que se apertam no ônibus, espremidas e em pé. Antes de ter pena, o médico do Instituto de Ortopedia de São Paulo (IOT) faz um alerta. ?Para a coluna, não há mal pior do que o aparente conforto dos automóveis. Ficar sentado por mais de uma hora é o suficiente para desencadear dores lombares e cervicais?, afirma Rubens Rodrigues. Por isso, durante o trajeto, ele orienta a esticar os braços, como se estivesse se espreguiçando. ?Um único percurso por trânsito congestionado é suficiente para provocar um microtrauma nas costas. O acúmulo pode desencadear um problema crônico. Por isso, além de mexer os braços, é importante fazer alongamento ao sair do carro?, orienta o especialista. Problemas de circulação Outro impacto imediato é na saúde das pernas, pés e aparelho circulatório. A ausência de movimentos, faz com que o sangue tenha mais dificuldade para percorrer o organismo. As varizes não são as únicas sequelas. Embolias, em casos mais severos, também podem ser um efeito colateral. O presidente do Sindicato de Taxistas de Porto Alegre, Luiz Nozari, diz que a situação é tão preocupante que na capital gaúcha a entidade já fez parceria com a associação de cirurgiões vasculares para conscientizar sobre o problema. ?Não há nada mais grave do que sair do banco do carro e ir direto para o sofá. Sempre preconizamos o exercício físico após o trânsito e, como cada pessoa tem um limite, a sugestão mais democrática é a caminhada?, sugere Nozari. Comparar a rotina de um taxista, que fica no trânsito uma média de 12 a 14 horas por dia, com a de uma pessoa que não trabalha na praça não é um exagero. Isso porque, grande parte dos trabalhadores do País, antes de pegar a maratona engarrafada, fica horas sentado em frente ao computador, em um escritório, na sala de aula ou em reunião. Por isso, além de movimentar as pernas e caminhar após o trânsito, uma boa dica é beber muito líquido durante o dia, receita básica para quem quer amenizar os problemas circulatórios. Dores de cabeça e estresse Em um congestionamento, não faltam gatilhos para a dor de cabeça, explica Carlos Bordini, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia. ?Ansiedade por não querer chegar atrasado ao compromisso, raiva por ter de pegar trânsito mais uma vez, poluição e barulho potencializam as crises de enxaqueca e de dores de cabeça?, explica o neurologista. Segundo o médico, estes fatores não causam a dor de cabeça, mas evidenciam que a pessoa é suscetível à doença. ?Neste caso, a ocasião não faz o ladrão mas o revela?, compara. ?Como hoje os congestionamentos tornaram-se problemas inevitáveis é importante que a pessoa tenha mecanismos de controle de estresse. Cada um tem o seu, mas existem os universais como ioga e meditação?, diz. Em situações estressantes, afirmam os especialistas, a respiração também é prejudicada, o que influencia a circulação e as dores cabeça. Inspirar e expirar profundamente ajuda a melhorar o quadro. O taxista Luiz Nozari sugere ainda aproveitar a paisagem, que às vezes fica escondida no congestionamento. Poluição e problemas respiratórios Os escapamentos dos automóveis estão a todo vapor do lado de fora. A sensação é de que dentro do carro estaremos mais protegidos dos gases tóxicos. Engano. O Laboratório de Poluição da USP já fez medições com um aparelho especializado, chamado monoxímetro, e constatou que no interior dos veículos a poluição chega a ser 30% maior do que às margens das grandes avenidas de São Paulo. Fechar os vidros e ligar o ar-condicionado nem sempre é uma boa opção, já que a implicação imediata dos gases em excesso é a debilitação do aparelho respiratório, também prejudicado pela atmosfera resfriada. ?A alta concentração dos poluentes nos centros urbanos associada à baixa umidade leva a irritação e inflamação das mucosas respiratórias e as pessoas já portadoras de doenças respiratórias crônicas (asma, bronquite, rinite) têm maior tendência a apresentar crises?, explica o pneumologista Mauro Gomes, membro da comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia em material divulgado pela entidade. A solução neste caso não é simples. Os especialistas orientam que a melhor maneira é optar por outras formas de locomoção antes de priorizar o transporte individual. Ainda que a falta de ônibus, metrô e vans públicas de qualidade pareça incentivar o uso dos automóveis, o excesso de carros que prejudica os pulmões provoca um ciclo de doenças que começam pelo trato respiratório, cardiovascular e até depressivo. Pesquisa do Instituto do Coração (Incor) já mostrou inclusive que a poluição veicular potencializa infartos, acidentes vasculares cerebrais e diabetes.
20/09/2010 10:36 AM
The New York Times Foto: Getty Images Se você é daquelas pessoas que mal enxerga um pelo crescendo em uma pinta e já se apressa em eliminá-lo com a ajuda de uma pinça, provavelmente já ouviu de algum amigo ou parente que fazer isso pode ser perigoso. Para quem acha que o hábito pode até causar câncer, o dermatologista Mark D. Kaufmann, de Nova York (EUA) esclarece:?Não. Mesmo cortando o pelo, não é possível mudar o comportamento de uma pinta." Qualquer pinta do corpo pode ter potencial para se tornar cancerosa, ensina Kaufmann ? ele é professor clínico associado do Departamento de Dermatologia da Escola de Medicina Mount Sinai ? mas as que têm pelinhos na verdade têm menos probabilidade de gerar um câncer. "Pintas escuras e com pelos nem sempre são câncer. Podem ser marcas de nascença, e o pelo indica que o crescimento está ocorrendo dentro da pele." Qualquer pinta que aparece no corpo onde antes não havia sinal algum, ou que muda de aparência com o passar do tempo deve ser verificada por um dermatologista para garantir que não se trata de um sinal canceroso. Para o melanoma, a forma mais agressiva e mortal de câncer de pele, os principais alertas muitas vezes são abreviados como A, B, C e D: A para assimetria (um lado da pinta é diferente do outro); B para irregularidade na borda; C para cor heterogênea; e D para diâmetro (maior que 6mm). Para evitar maiores problemas, o especialista recomenda: fique atento a esses sinais e procurar um especialista assim que perceber alguma alteração. * Por C. Clairborne Ray
18/09/2010 01:30 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: Mauricio Contreras/ Fotoarena Qualquer médico receita ?pré-natal de qualidade? como forma mais eficiente de prevenir a mortalidade materna e infantil. A diretriz nacional é que a mulher passe por seis consultas durante a gestação, meta que ainda não foi alcançada em todo Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 17, pelo IBGE. O estudo chamado de Síntese de Indicadores sociais mostra que 57,1% das crianças nascem após passarem por 7 ou mais consultas de pré-natal. A mesma estatística, portanto, revela que quatro em dez bebês vêm ao mundo sem que o ciclo de atendimento médico seja completo de maneira ideal. O Estado com pior índice é o Maranhão (24% de pré-natal satisfatório) e o melhor é o Paraná (77%) ? veja abaixo. Pesquisas anteriores ? uma delas feita pelo programa Mãe Paulistana da Prefeitura de São Paulo ? já evidenciaram que neste grupo de pré-natal deficitário estão principalmente as mães adolescentes e as mães mais velhas (com mais de 40 anos). A resistência destas duas faixas etárias, justificada principalmente pela descoberta tardia da gestação, é agravada por outro dado mapeado pelo estudo do IBGE: as malformações congênitas, doenças mais comuns em filhos de meninas e mulheres mais maduras, são as causas de morte que mais ganharam espaço no ranking de mortalidade infantil na última década. Em 1999, as malformações respondiam por 10,9% das causas de mortalidade de crianças antes de completar um ano. Em 2008, estas doenças avançaram oito pontos porcentuais chegando a 18,3%. Ao mesmo tempo, as doenças infectocontagiosas percorreram fenômeno inverso. Eram 9,1% do ranking há 11 anos e agora somam 5,3%. Porcentagem de crianças nascidas após acesso da mãe a consultas de pré-natal A explicação para o ?novo desenho? do ranking da mortalidade infantil é: com a melhora da oferta de saneamento básico, vacinação e alimentação, as crianças estão morrendo menos. É natural portanto que os problemas mais complexos e não evitáveis após o nascimento ? como as malformações ? ganhem mais espaço na lista nacional. O aumento de nascimento de bebês prematuros ? eles eram 5% em 1997 e subiram para 9% em 2008 ? também é outro fator por trás da expansão das malformações em crianças, já que eles não passam tempo suficiente na barriga das mães para terem todo o organismo formado. Outro dado importante: um pré-natal de qualidade não se resume a um número adequado de consultas. Segundo o Ministério da Saúde, aumentou em 125% a quantidade deste tipo de consultas entre 2003 e 2009, passando de 8,6 milhões para 19,4 milhões. Ainda assim, uma análise feita por técnicos do próprio Ministério constatou que também cresceu os índices de crianças que morrem por causa de doenças da mãe, como diabetes, hipertensão e eclampsia, todas tratáveis e controladas em um pré-natal de qualidade. Índice de fecundidade A mesma pesquisa divulgada pelo IBGE afirmou que é estável a quantidade de filhos por mulher. A última análise mostra uma média de 1,94. Embora este número seja superior ao de 2008 (1,89), a análise dos técnicos é que a oscilação está dentro da margem de erro. Em 1980, o índice girava em torno de 4 filhos por mulher. No Rio de Janeiro, era de 2,94 naquele ano, caindo para 1,63 em 2009. Já no Amapá, caiu de 6,97 para 2,87 no mesmo período, a segunda maior taxa de 2009, só perdendo para o Acre (2,96). Porcentagem de crianças nascidas após acesso da mãe a até 3 consultas de pré-natal em todas as regiões do País
Pré-natal: número ideal de consultas ainda não é realidade para muitas
Mais vacinas e mais prematurosAcesso deficitário ao pré-natal
17/09/2010 10:00 AM
iG São Paulo Os homens e as mulheres do Brasil morrem pelos mesmos motivos. Ainda assim, algumas doenças se mostram mais perigosas para o sexo feminino do que o masculino, mostra estudo divulgado hoje (17/9) pelo IBGE. Coração Segundo os dados, apesar do coração ser um ponto frágil unissex ? os infartos ocupam o topo do ranking das causas de óbito nos dois sexos ? a lista feita com base no Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde aponta que as panes cardíacas, acidente vascular cerebral e pressão alta ocupam mais espaço no ranking de morte feminino: 33% da lista delas contra 26,9% na da deles. Violência Outra conclusão do estudo é que violência é mais letal para os homens. Entre eles, 18,1% do total de mortes são provocadas por acidentes de trânsito, homicídios ou suicídios. Já no recorte feminino, a taxa cai para 4,9%. Quando são vítimas de causas externas, as mulheres morrem mais em colisões de automóveis, enquanto o universo masculino perde a vida em agressões e assassinatos. Câncer O mesmo estudo do IBGE aponta que as mulheres resistem menos ao câncer, já que os tumores são responsáveis por 17% das mortes femininas frente a 14,6% entre eles. Uma das explicações é que elas vão mais aos médicos e diagnosticam mais os tumores. Outro dado é que após os 60 anos, as mulheres perdem a proteção hormonal de ficam mais suscetíveis à doença Doenças Endócrinas Diabetes, obesidade, desnutrição e problemas na tireóide também são mais vilões para as mulheres. As chamadas doenças endócrinas respondem por 7,8% das causas de morte delas contra 4,6% deles As diferenças nas porcentagens de mortes de homens e mulheres em quatro categorias
Perfis diferentes, estatísticas distintas
17/09/2010 10:00 AM
Bruno Folli, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images A música pode se tornar uma arma importante para combater a perda de memória em portadores da doença de Alzheimer. Uma pesquisa está sendo realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para verificar a eficácia do tratamento. Com o envelhecimento da população, a incidência do Alzheimer aumentou cerca de cinco vezes em 10 anos e são as mulheres que lideram as estatísticas da doença. Como a enfermidade é progressiva e sem cura, a busca por alternativas de tratamento tem sido um desafio constante da medicina. O trabalho na Unifesp é realizado pela musicoterapeuta Cleo França Correia, que realiza sessões semanais com grupos em diferentes estágios da doença. ?A musicoterapia é um estímulo para pensar e ajuda o paciente a se organizar?, afirma. A relação com a música acontece de forma passiva e ativa nas sessões. Isso significa que o paciente tanto escuta quanto faz música. Mas não é preciso saber ou aprender a tocar um instrumento como um músico profissional. O paciente vai apenas bater palmas, assoviar ou bater os pés. ?É uma forma de recuperar a capacidade de perceber o corpo?, explica. Com a perda gradual da memória, o portador da doença de Alzheimer perde também a capacidade de realizar tarefas simples do cotidiano. ?Essas atividades ajudam a reaprender o que foi esquecido?, diz a musicoterapeuta. Volta da lucidez A memória musical de uma pessoa geralmente está associada com imagens e outros tipos de lembranças. ?Ao ouvir uma música familiar, o paciente consegue cantá-la e ainda falar sobre lembranças pessoais que, para ele, estão associadas àquela canção?, explica Cleo. Isso acontece mesmo com pacientes nos estágios mais avançados da doença, quando eles passam a maior parte do tempo distantes da realidade. É como se recuperassem a razão por um breve momento. ?A memória musical serve como disparador de lembranças e faz a pessoa recuperar a coerência?, afirma a musicoterapeuta. A música, combinada com atividades de desenho e pintura ajuda a melhorar o comportamento do paciente. ?Ele fica mais calmo?, afirma a pesquisadora. Para isso, são selecionadas músicas que evoquem emoções positivas e, de preferência, associadas à história musical do paciente. O momento dedicado à audição deve ter pelo menos oito minutos seguidos. Isso porque esse tempo é tido como referência para o início do efeito terapêutico da música. Antes disso, o impacto é muito pequeno. A musicoterapia está sendo usada em diversas áreas. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás mostrou que esse tipo de tratamento consegue ajudar no combate à hipertensão arterial. O trabalho foi apresentado no III CIMNAT? Congresso Internacional de Música, Neurociência, Arte e Terapia ? realizado pelo Centro de Musicoterapia Benenzon Brasil, em São Paulo.
16/09/2010 11:47 AM
EFE Foto: Getty Images Cerca de 358 mil casos de mortalidade materna foram registrados no mundo em 2008, o que representa uma queda de 34% em relação aos níveis de 1990, mas 99% de todas as mortes seguiram ocorrendo nos países em desenvolvimento. Os números são de um estudo conjunto publicado hoje por três agências da ONU e pelo Banco Mundial, faltando cinco anos para expirar o prazo de 2015 estabelecido para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre os quais está a redução da mortalidade materna em três quartos e conseguir o acesso universal à saúde reprodutiva. A região subsaariana e a do Sul da Ásia acumularam juntas 87% de todas as mortes maternas globais, com 313 mil óbitos em 2008, no ano analisado no estudo. E 65% de todos os casos ocorreram em apenas 11 países: Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Paquistão, Sudão e Tanzânia. As estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Unicef, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e do Banco Mundial revelam que, em 2008, se registraram 42 mil mortes de gestantes devido ao vírus HIV/aids, das quais a metade decorre de causas consideradas diretamente relacionadas com a gravidez. A OMS define mortalidade materna como "a morte de uma mulher quando está grávida ou nos 42 dias posteriores ao fim da gestação, independentemente da duração e lugar da gravidez, e devido a alguma causa relacionada ou agravada por esta ou por sua gestão, mas não por causas acidentais". Na África Subsaariana, 9% de todas as mortes maternas foram causadas por aids. Segundo o estudo, estaca que sem estas mortes, a taxa de mortalidade materna nesta região tivesse sido de 580 mortes por cada 100.000 nascimentos em lugar de 640. Por regiões, a mais alta taxa de mortalidade materna foi a citada de 640 em África Subsaariana, seguida do Sul da Ásia, com 280 mortes por cada 100 mil nascimentos, Oceania (230), Sudeste Asiático (160), Norte da África (92), América Latina e o Caribe (85), Ásia Ocidental (68) e Ásia Oriental (41). Quatro países tiveram em 2008 uma taxa extremamente alta de mortalidade materna, com pelo menos 1 mil mortes por cada 100 mil nascimentos: Afeganistão, Chade, Guiné-Bissau e Somália. Nessa lista, o Brasil registrou 58 mortes por cada 100 mil nascimentos.
15/09/2010 10:50 AM
The New York Times Foto: Reuters Algumas mulheres podem ser particularmente vulneráveis a súbitas e algumas vezes perigosas altas na pressão sanguínea durante a gestação, um quadro conhecido como pré-eclampsia. Agora, cientistas afirmam ter desenvolvido um método para predizer quais mulheres são mais propensas a ter pré-eclampsia na etapa final da gestação ? bem antes de aparecerem os sintomas do problema. A abordagem se baseia no perfil metabólico de cada mulher e consiste em detectar a presença de metabólitos ? substâncias produzidas e excretadas pelo organismo ? no plasma sanguíneo. Os cientistas acreditam que a presença dessas substâncias poderia fornecer uma boa indicação do risco de pré-eclampsia. Ao todo, foram identificados 14 diferentes metabólitos a serem monitorados durante os primeiros estágios da gestação, reportou um grupo de pesquisadores na revista científica Hipertensão. Embora sejam necessários mais estudos para comprovar a eficácia do teste e incorporá-lo à prática clínica, esse grupo de biomarcadores poderia servir como uma pista bastante precisa sobre se as futuras mamães estão ou não sob risco significativo de desenvolver pré-eclampisa na gravidez. ?Tudo o que sabemos sobre essa condição nos sugere que as mulheres não adoecem e têm pré-eclampsia apenas no final da gestação. O problema provavelmente é originado nos estágios iniciais da gravidez? afirma a líder do estudo, Louise C. Kenny, professora de Ginecologia e Obstetrícia do Centro de Pesquisas Anu, da Universidade de Cork, na Irlanda. ?Para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento eficazes ? nosso maior objetivo ? precisamos conseguir iniciar o tratamento nos estágios iniciais da gravidez. Temos de conseguir dizer quem está sob maior risco e quem não está.? Pré-eclampsia é uma condição potencialmente fatal, caracterizada por pressão alta e altas taxas de proteína na urina da mãe. Essa condição afeta cerca de 5% das gestantes e é uma das principais causas de morte materna em todo o mundo. ?Trata-se de uma grave síndrome associada à gestação, que gera hipertensão na mãe, pode causar desmaios e até problemas mais graves? explica Jenifer Wu, ginecologista e obstetra do Hospital Lenox Hill, de Nova York. ?O único tratamento possível é fazer o parto. Devido ao alto risco para a vida da gestante, alguns bebês precisam nascer muito antes do tempo, o que aumenta também os riscos de morte da criança? acrescenta Wu, que não está ligada à pesquisa irlandesa. A pré-eclampsia ainda não foi totalmente compreendida pelos médicos. A suspeita mais estabelecida hoje é de que o problema seria originado a partir de um defeito no desenvolvimento da placenta, que ocorreria nos estágios iniciais da gestação e permaneceria sem detecção até a segunda metade do período gestacional. Identificar as mulheres com mais risco de desenvolver o problema já nos primeiros meses de gestação seria algo extremamente útil. Buscando uma ferramenta de detecção viável, Kenny e seus colegas voltaram seus olhos para 7 mil mulheres que estavam participando de um estudo internacional sobre primeiras gestações. Os autores primeiro testaram o grupo de biomarcadores em 60 participantes, todas saudáveis, mães pela primeira vez e ? até onde se sabia ? com risco baixo para pré-eclampsia, mas que desenvolveram o problema no final da gestação. Estas mulheres, que eram, em sua maioria, neozelandesas bancas de 30 anos, tiveram suas amostras de sangue analisadas 15 semanas depois da concepção. Todas, os pesquisadores descobriram posteriormente, tinham em seu sangue os 14 biomarcadores metabólicos que indicariam o maior risco para o problema. Os resultados destas participantes foram comparados com os de mulheres com a mesma idade, grupo étnico e Índice de Massa Corporal (IMC), mas que tiveram gestações sem a complicação. A equipe testou o método de diagnóstico metabólico em outro grupo de mulheres na Austrália, que eram ligeiramente mais novas e mais diversas etnicamente. Entre as que desenvolveram pré-eclampsia, 39 tinha os mesmos 14 biomarcadores metabólicos apresentados pelas neozelandesas. ?Com esse conhecimento, mais vigilância e mais intervenções poderão ajudar a melhorar o prognóstico para bebês suas mães com o problema? disse Wu, aplaudindo a pesquisa da colega irlandesa. Para Arun Jeyabalan, professora assistente do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Ciências Reprodutivas do Hospital Feminino Magee da Universidade de Pittsburgh (EUA), a possibilidade de identificar precocemente a pré-eclampsia é um grande avanço. A médica, no entanto, lembra que a pesquisa ainda está em seus primeiros passos. ?Espero que isso seja testado em outras populações para confirmar se os resultados são generalizáveis. O mais empolgante sobre esses biomarcadores é que eles podem realmente acabar iluminando as causas do problema? diz a especialista. Enquanto isso, o trabalho por fazer está em pleno progresso, contam os pesquisadores. ?Nos próximos cinco anos nossa meta e desenvolver um exame de sangue simples, que possa ser disponibilizado a todas as gestantes, para detectar o risco de pré-eclampsia ainda no início da gravidez? afirma o co-autor do estudo, Phil Baker, da Universidade de Alberta, no Canadá.
14/09/2010 11:56 AM


