Cinthia Rodrigues, iG São Paulo Entre as 43 áreas da Universidade de São Paulo (USP) que receberam a proposta das novas diretrizes para os cursos de graduação, divulgada esta semana, apenas 16 se manifestaram antes da reunião que aprovou o documento em 19 de agosto. As outras 27 ignoraram os dois pedidos oficiais de resposta à primeira versão do texto, que sugeria inclusive a extinção de cursos com baixa demanda. As novas diretrizes determinam a reestruturação de cursos de baixa demanda no vestibular, mais flexibilização da grade e interdisciplinaridade entre faculdades e investimento em infraestrutura dos cursos, principalmente no período noturno, que atualmente não contam com apoio administrativo, bibliotecas e recursos iguais aos do diurno. Antes de serem aprovadas, as medidas foram enviadas pela pró-reitoria de graduação às unidades, em maio. O Instituto de Física de São Carlos, a Faculdade de Filosofia de Ribeirão Preto e a Escola de Engenharia de São Carlos pediram mais tempo para debater, sete unidades aprovaram a proposta sem pedir alterações e seis pediram mudanças que acabaram incorporadas. Uma delas, do Instituto de Ciências Biomédicas, sugeria que o ponto que tratava da discussão sobre eventual ?extinção? de cursos de baixa demanda fosse substituído por ?possível reestruturação? dos mesmos e, outra, do instituto de Ciências Matemáticas, gerou o adendo para ?respeitar as especificidades de cada curso?. Para o presidente do sindicato dos docentes da USP (Adusp), João Zanetic, a proporção de respostas recebidas mostra a falta de debate, de consenso e a pressa com que as mudanças foram aprovadas. ?Foi muito rápido, o primeiro pedido foi em maio e em três meses o texto final foi votado. Eu só percebi essa aberração na segunda-feira, quando recebi uma cópia da ata da reunião que decidiu o assunto?, comenta. Ontem, a assessoria de imprensa da USP não sabia quantos votos o documento final recebeu na reunião do Conselho de Graduação, mas informou que por ter sido aprovado, precisa ter conseguido maioria. Cursos com baixa demanda foram surpreendidos A supervisora do curso de Música de Ribeirão Preto, Silvia Berg, explicou que embora na Fuvest haja apenas 1,4 candidato por vaga, há mais candidatos ao curso que são pré-selecionados antes pela prova de conhecimentos específicos, o que eleva a conta para cerca de 4,5 por vaga. Ainda um número baixo. ?De qualquer forma, trabalhamos sempre para atrair mais público, mesmo antes de sabermos desta diretriz, que nos foi repassada agora?, diz.
Coordenadores de alguns dos cursos com mais baixa demanda na Fuvest foram surpreendidos com as novas diretrizes que pedem sua revisão. Iole de Freitas Druck, coordenadora da Licenciatura em Matemática, que teve 2,7 candidatos por vaga na última seleção da Fuvest, soube hoje da nova diretriz. Surpresa, ela disse que rever o curso não ?é preocupação predominante?. Ela conta que o currículo foi modificado em 2006 e acha precoce pensar em nova reestruturação. ?Não seria o problema de baixa procura que me faria revê-lo?, afirmou.
22/09/2010 08:02 PM
Priscilla Borges, iG Brasília Foto: Fellipe Bryan Sampaio Assegurar a aprendizagem das crianças e dos adolescentes brasileiros no tempo certo ainda é um desafio para o Brasil. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que a repetência e o abandono fazem parte da realidade de milhares de estudantes. Desde cedo. Para tentar mudar essa realidade, de atrasos de pelo menos dois anos na trajetória escolar das crianças do ensino fundamental, o Ministério da Educação colocou em prática projetos de aulas de reforço para as crianças que não aprenderam a ler, escrever e fazer contas corretamente mesmo em séries mais avançadas. Há um mês, as primeiras atividades de programas de aceleração da aprendizagem contratados pelo MEC começaram em 646 municípios. As discussões e a preparação para colocar as propostas de correção de fluxo escolar em prática iniciaram há quase três anos. Em 2007, o MEC criou o Plano de Ações Articuladas, pacto feito com os municípios que obtiveram os piores rendimentos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), avaliação que mede a qualidade de ensino da rede escolar do País. Em troca de recursos financeiros e apoio técnico oferecidos pelo governo federal, os dirigentes municipais teriam de elaborar ações para garantir qualidade de ensino. À época, mais de 700 municípios pediram ajuda para corrigir o fluxo escolar. Queriam recursos pedagógicos que os auxiliassem a acelerar os estudos das crianças que não aprenderam na idade correta. O MEC avaliou programas de aceleração de aprendizagem de institutos ligados à educação e contratou três para fornecer capacitação e material aos municípios que mais precisam (os 1.242 com os resultados mais baixos no Ideb). O Instituto Ayrton Senna, o Instituto Alfa e Beto e a organização não-governamental Geempa foram os escolhidos. Os projetos deles fazem parte do que o MEC chama de Guia de Tecnologias Educacionais, publicação que indica ferramentas avaliadas pelo ministério para solucionar problemas em diferentes tópicos educacionais como alfabetização, educação inclusiva, gestão escolar. Falta de estrutura Nos últimos dois anos, os municípios escolheram as ferramentas, assinaram termos de compromisso com o MEC e prepararam professores para trabalhar com os alunos em sala de aula. Inicialmente, 1.149 cidades de 26 Estados manifestaram interesse em receber capacitação e material didático de uma das tecnologias. Ao todo, 830 mil estudantes seriam beneficiados. O problema é que, durante esse período, muitos municípios desistiram de implantar os programas de fato. No mês de agosto, os primeiros alunos atrasados começaram a ser atendidos, em 646 cidades, quase a metade dos que queriam o reforço inicialmente. A falta de estrutura física e de professores são algumas das dificuldades enfrentadas pelos dirigentes municipais durante a execução dos projetos. As metodologias dos programas de correção exigem profissionais dedicados exclusivamente às turmas de aceleração, que precisam participar de cursos de formação inicial e que serão acompanhados por coordenadores. Esses também terão de ser designados pelos municípios, que precisam reservar salas de aula especiais para o funcionamento dos programas. Jussari, cidade baiana com um dos piores rendimentos na 8ª série e com altos índices de atraso nas primeiras séries do fundamental, por exemplo, desistiu do programa do Instituto Ayrton Senna pela falta de professores para assumi-lo. ?Uma das maiores limitações para enfrentar essa realidade de atraso escolar é a capacidade técnica. Mas há limitações de gestão também. Esse é um trabalho que envolve formação e qualificação de professores, investimentos em infraestrutura das escolas e até garantia de uma rede social de proteção para crianças e adolescentes, que garantam a permanência delas na escola para aprender?, analisa o diretor de políticas de formação de materiais didáticos e de tecnologias da Secretaria de Educação Básica do MEC, Marcelo Soares. Inês Miskalo, coordenadora da área de Educação Formal do Instituto Ayrton, aponta ainda dificuldades de comunicação em locais mais distantes, a falta de dados tabulados sobre a situação dos alunos, de espaço físico e professores em quantidade suficientes e dispostos a estar em contato permanente com o instituto. ?O limite de alunos por turma, a ambientação da sala e a metodologia não adiantam sem a disposição para mudar a cultura de ensino. O professor tem de se envolver e saber relatar a situação de cada aluno, o que dá muito trabalho. Isso é o mais difícil?, pondera. Experiências de sucesso Em todos os projetos de correção contratados pelo MEC, o aluno tem de ser o centro da aula. O planejamento das aulas e das estratégias para fazê-los aprender tem ser feito de acordo com o avanço de cada turma e estudante. Os mecanismos de avaliação e recuperação passam a ser constantes, dia a dia. A leitura e a escrita são metas perseguidas a todo instante. No caso do Geempa, as aulas da aceleração são feitas no contraturno. O Instituto Ayrton Senna recebeu o maior número de parceiros. Mais de 500 municípios escolheram os programas Se Liga (direcionado à alfabetização dos que estão nas séries iniciais do ensino fundamental) e Acelera (para corrigir a defasagem de alunos um pouco mais velhos). Nos dois programas, as crianças não podem passar mais de um ano. ?A gente tem de fazer um investimento maciço para que o aluno tenha sucesso nesse período. Se ampliarmos, estamos dando espaço para mais fracasso?, explica Inês. No Distrito Federal, há muitas escolas que utilizam as metodologias do instituto. Mas não são financiadas pelo MEC e, sim, pelo governo local. Na escola CAIC Assis Chateaubriand, em Planaltina, há quatro turmas dos programas em atividade. Odith Farago, diretora do colégio, garante que os resultados foram percebidos rapidamente. ?Tínhamos alunos de 12 e 13 anos na 2ª série do ensino fundamental. Isso é muito ruim inclusive para a autoestima deles, que não aprendiam. Pelo menos 50 estudantes passaram pelo projeto e aprenderam?, afirma. Nas salas de aula do projeto, quando alguém pergunta se as crianças estão aprendendo, a resposta é rápida. Em coro, os alunos dizem que sim, sorridentes. Jhennefer Lorrany Silva Costa, 10 anos, diz que adora as aulas. Garante que, agora, consegue ler o que não lia. Layene Moraes, 10 anos, conta que lê todos os papéis que encontra pela frente e já sonha em ser juíza. ?A professora ajuda muito?, garante Jhennefer Lorrany. Fábio Santos, de 13 anos, deveria estar na 7ª série. Mas ainda não conseguiu sair do equivalente à 4ª série. Por isso, foi colocado na turma do Acelera na escola de Planaltina. A vontade de colaborar com as aulas passou a ser enorme. No meio dos colegas, não é mais tão diferente. Os pré-adolescentes à sua volta têm os mesmos gostos. A professora lhe dá a atenção que precisa. ?Cheguei aqui sem saber de nada. Agora, já sei ler direito e aprender ficou bem mais fácil?, garante. Nas salas de aula, cartazes com os nomes de todos da turma mostram quem leu os livros recomendados, quem fez as tarefas, as atividades planejadas para cada dia. O professor sabe o que deve fazer e os estudantes também. As atividades são monitoradas pelos coordenadores, que visitam a escola a cada 15 dias. ?A autoestima do professor também muda. O trabalho dele reflete sucesso. Acredito no meu trabalho?, afirma Suely Sodré, professora do Se Liga desde 2007. Em números A realidade dos estudantes da escola CAIC Assis Chateaubriand é a mesma de milhares de crianças e adolescentes brasileiros. A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, publicada na semana passada, mostra que a trajetória de fracasso escolar das crianças brasileiras começa nas primeiras séries do ensino fundamental. Em média, os alunos dessa etapa da educação básica mantêm um atraso de dois anos em relação ao ideal. As crianças de 10 anos de idade, que deveriam estudar na 4ª série, possuem apenas 2,3 anos de estudos concluídos. Aos 12, chegam a quatro anos. Aos 14, quando completariam os oito anos de ensino fundamental obrigatório (o País está em transição para nove anos), chegam a 5,8 anos de estudo. Não é estranho que, depois desse início educacional, apenas metade dos adolescentes de 15 a 17 anos esteja cursando o ensino médio (etapa em que todos os brasileiros nessa faixa etária deveriam estar matriculados). Para conter o atraso escolar, não basta melhorar a qualidade de ensino para os que estão entrando na escola agora. É preciso recuperar a aprendizagem dos que ficaram para trás. "Seja qual for a tecnologia utilizada, para nós, do MEC, todos os esforços devem ser empreendidos para se garantir o direito básico de toda criança e adolescente brasileiro, que é o direito de aprender", comenta Marcelo.
22/09/2010 12:58 PM
AE A revisão dos cursos de graduação feita pelo Ministério da Educação (MEC) reduzirá a variedade dos cursos de Engenharia oferecidos pelas universidades e faculdades do País. Atualmente há mais de 200 nomes diferentes de cursos, alguns bastante especializados, como Engenharia de Automação Empresarial e Engenharia de Petróleo e Gás. O processo de revisão está em andamento e, por enquanto, o número de cursos caiu para 53. A mudança está provocando polêmica entre o ministério, especialistas e representantes de instituições de ensino superior, que afirmam não terem sido consultados. Eles acusam o ministério de querer engessar o mercado. "Concordamos que há um exagero no número de cursos criados e muitos realmente não justificam ter um novo nome, mas a forma como isso aconteceu está errada", diz o presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), João Sérgio Cordeiro. Cordeiro diz que os avanços tecnológicos, cada vez mais rápidos, criam novas profissões e exigem a abertura de cursos. "As universidades precisam ter agilidade para acompanhar essa evolução. Além disso, há casos em que a diferenciação é necessária e isso não foi considerado, e outros ainda em que a intervenção fere a legislação. Quem fez esse trabalho não entende do mercado", completa. Consulta pública Responsável pela Secretaria de Ensino Superior do MEC (Sesu), Maria Paula Dallari Bucci contesta a afirmação. "Eles estão desatualizados. Houve uma consulta pública e dela tiramos uma lista que foi usada como subsídio para o cadastro do e-MEC", rebate. O e-MEC é um sistema eletrônico de cadastramento dos cursos que foi implementado em 2007 e é, atualmente, o único acesso para cadastros dos cursos de graduação no País. A lista de engenharias que está hoje no e-MEC conta com 53 tipos diferentes de cursos. Constam no cadastro, considerando todas as instituições do Brasil, 1,3 mil cursos de Engenharia. Segundo Maria Paula, a mudança facilitará também a avaliação dos cursos. "Muitas instituições usam um nome novo para fugir do Enade e escapar da avaliação." O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos alunos de cursos de graduação.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
22/09/2010 12:13 PM
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo A Universidade de Campinas (Unicamp) também planeja aumentar a multidisciplinaridade, como a Universidade de São Paulo (USP) pretende com mudanças nas diretrizes anunciadas ontem. Um grupo de trabalho que há um ano e meio estuda um núcleo básico na área de Ciências Exatas entregou um relatório de propostas no mês passado que agora é analisado pela pró-reitoria de Graduação. ?É uma tendência haver mais disciplinas comuns, para uma formação mais integral, em vez da especialização precoce. O mercado de trabalho pede isso?, diz o pró-reitor Marcelo Knobel. As sugestões agora serão avaliadas pelas comissões e depois passarão pelos coordenadores dos cursos. A mudança ainda deve levar ao menos um ano.
No início deste mês, a Unicamp lançou outro curso universitário generalista, o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS). Serão selecionados 120 alunos de escolas públicas de Campinas para cursar dois anos de iniciação acadêmica e aulas de formação geral para, só depois, escolher a área em que se formarão.
Após o anúncio, responsáveis por diferentes setores da universidade manifestaram à pró-reitoria o interesse em ampliar o chamado ?básico comum?, que existe quando alunos interessados em diferentes cursos fazem os primeiros semestres agrupados e estudam temas mais amplos para depois escolher a carreira definitiva e iniciar as matérias específicas. ?Isso também permite um amadurecimento do jovem e da decisão dele para o futuro, o que evita frustração?, afirma Knobel.
21/09/2010 08:15 PM
EFE O filósofo francês Edgar Morin expressou hoje sua visão crítica do mundo ao inaugurar uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em Fortaleza, no Ceará. Aos 89 anos, pediu pediu à humanidade que inicie um processo de "regeneração permanente", pois, segundo ele, "o que não se regenera, se degenera e morre". O autor de "O Método", entre outras obras de sociologia, política, epistemologia e antropologia, afirmou que, apesar das ameaças permanentes de guerras e "da iminência de uma catástrofe climática", há "caminhos de esperança" que passam por uma "reforma total do pensamento", dos modelos políticos e econômicos e dos atuais padrões de consumo, para "pôr fim à lógica da dominação". As declarações foram dadas na inauguração de um seminário sobre os sete saberes necessários à educação do futuro, formulado há uma década a pedido da Unesco. O encontro, que terminará na próxima sexta-feira, reuniu hoje em Fortaleza 1,5 mil educadores da Argentina, Bolívia, Colômbia, Espanha, França, México e Peru, entre outros países. Para o filósofo, "o saber disciplinado torna impossível de se ver os problemas fundamentais do ser humano" e origina "certezas" muitas vezes equivocadas, entre as quais citou a corrente do neoliberalismo que, segundo ele, não deixou de ser uma "mera ilusão" construída pelos grandes interesses políticos e econômicos globais. Morin também criticou os atuais modelos de desenvolvimento que, segundo ele, "foram concebidos como uma fórmula standard de destruição cultural" e geram "riqueza sobre a construção constante de uma pobreza maior", afirmou.
Em seu discurso, Morin analisou o processo de globalização, do qual comentou que engloba "o pior e o melhor" do ser humano. "É um processo de destruição do mundo, mas também é a grande oportunidade para criar definitivamente uma só pátria terrestre e ambivalente", embora isso obrigue "uma reforma do pensamento que vincule todas as disciplinas do saber", até agora separadas em diversas áreas, destacou. Morin considerou que a educação deve ser "multidisciplinar", de modo a "unificar todas as áreas do saber e do conhecimento", pois muitas "estão reservadas para uma pequena elite".
Sobre esses modelos, ressaltou que estão "contaminados pelo veneno da incompreensão, pelos individualismos e pelos egocentrismos" que alimentam a "insaciável vontade de ganhar" do capitalismo. "Um dos saberes mais importantes é o da compreensão, que precisa de análise e empatia, e não o da explicação, que sempre é subjetiva e moldável", destacou Morin.
O intelectual acrescentou que "no mundo não há compreensão para os estrangeiros, para os outros povos ou outras culturas, assim como não há compreensão nas famílias e nos círculos de trabalho, que se baseiam na lógica da dominação". Para Morin, "quando um sistema não tem mais poder para resolver seus problemas fundamentais, se destrói e entra em metamorfose".
Além disso, sugeriu que a humanidade e o planeta poderiam estar perto do fim. No entanto, em sua visão da atual "era planetária", deixou espaço para o otimismo e se manifestou convencido de que o mundo "está em tempo de começar uma história diferente". Para isso, propôs resgatar "o papel e o valor ético e social do conhecimento", dotar "a ciência de mais consciência" e "educar para a paz", que é diferente de "ensinar que isso é melhor que a guerra, mas educar para lidar com a incerteza que a cada dia o indivíduo e as sociedades enfrentam".
21/09/2010 07:40 PM
iG São Paulo A Universidade de São Paulo (USP) vai evitar o aumento de vagas nos próximos anos para focar na modernização da estrutura e cursos já existentes. Segundo o reitor, João Grandino Rodas, as medidas visam garantir qualidade e recursos. ?Tivemos um ciclo de expansão na última década e agora precisamos dar infraestrutura adequada, até para evitar conflito e queda de qualidade?, disse. Hoje, há 55 mil alunos na graduação. Em reunião na semana passada, o Conselho Universitário concordou com uma série de mudanças nas diretrizes para graduação que vinham sendo solicitadas pela pró-reitora, Telma Zorn, desde o início do ano. Os principais pontos são: a reestruturação de cursos de baixa demanda no vestibular da Fuvest, o aumento da interdisciplinaridade entre as faculdades e a flexibilização da grade dos cursos, além de dar mais atenção aos alunos do período noturno, que atualmente não contam com apoio administrativo, bibliotecas e recursos iguais aos do diurno. Segundo Rodas, a partir de agora cabe às unidades proporem mudanças, mas elas serão estimuladas inclusive com o direcionamento das verbas suplementares para as áreas que estiverem ?com a lição de casa em dia?. Ele espera que as primeiras atualizações curriculares ocorram no próximo ano e diz que a mudança será visível em cerca de um ano e meio. Leia entrevista completa com o reitor e o documento com as mudanças nas diretrizes para graduação.
21/09/2010 04:32 PM
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo Foto: AE Cursos superiores que dêem mais "visão de mundo" aos alunos a partir da relação entre diferentes áreas é a meta do reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, com as mudanças aprovadas pelo Conselho Universitário para revisão de currículos da instituição. As alterações já estão sendo analisadas pelas faculdades, inclusive com apoio orçamentário das pró-reitorias, e as primeiras modificações já devem ser percebidas em um ano ou um ano e meio, segundo o reitor. Para o vestibular de 2011, não há alterações, mas os aprovados podem encontrar grades curriculares mais flexíveis e possibilidade de fazer aula em áreas diferentes. Para ele, antes de aumentar o número de vagas é necessário atualizar a infraestrutura. "Temos que fazer uma pausa no crescimento de pessoas para prover o que for necessário para modernizar e garantir o melhor para a comunidade que já existe. Não se faz mais sala de aula com lousa e giz", diz. iG: Quais cursos precisam ser revistos com mais urgência. Algum poderá ser encerrado? iG: A infraestrutura atual não é suficiente? iG: As frequentes greves enfrentadas pela universidade têm relação com este crescimento? iG: Quando as mudanças ocorrerão? iG: Pode haver mudanças no Vestibular 2011? iG: O que significa maior flexibilização da grade curricular? iG: Existe um prazo para as faculdades se adequarem? iG: O que ocorrerá com os cursos que não se adequarem? iG: Quem se adequar pode receber mais dinheiro?
Rodas: Eles deverão ser modernizados, mas quem vai pensar na solução para cada curso é o gestor da unidade. Eu não gostaria de citar nenhum deles porque antes todos terão tempo de se avaliar, o que eles, aliás, fazem sempre, mas agora com esta nova diretriz de modernização e integração. A tônica é a seguinte: cada unidade deve se preocupar em rever seus cursos, sua infraestrutura para melhorar o que já existe.
Rodas: Tivemos um aumento de vagas nos últimos oito anos, o que é bom, mas também precisa ter mais biblioteca, mais professor, mais equipamento. Os alunos do curso noturno têm direito ao acesso a administração, bibliotecas e é nosso dever garanti-lo. Temos que fazer uma pausa no crescimento de pessoas para prover o que for necessário para modernizar e garantir o melhor para a comunidade que já existe. Hoje, a demanda por infraestrutura é muito maior do que há alguns anos, não se faz mais sala com lousa e giz. Precisa que seja sustentável. Mais alunos, mais funcionários, mais professores, também significa mais conflitos. Você vai criar uma insatisfação maior, vai aumentar antigos problemas. Não podemos ? pura e simplesmente ? aumentar o público, temos que dar o que eles precisam, senão as insatisfações crescem. E com razão.
Rodas: Essas mudanças foram pensadas em prol da manutenção da excelência. Todos querem a USP pela referência que é. Ninguém quer que ela se abra rápido demais e perca isso. Claro que, no momento em que resolvemos problemas, também diminuímos a possibilidade de greve, o que é bom. Muita gente fala em crescer sempre, mas a USP quer garantir a qualidade. Não estou falando só do aspecto material, é necessário estudar também se um curso, por mais antigo e tradicional que seja, precisa se atualizar, se abrir para novas demandas. Foi isso que o conselho universitário colocou como diretriz.
Rodas: Elas já está ocorrendo. As pró-reitorias e a reitoria estão dando ferramentas, inclusive orçamentárias, para que as unidades façam estudos com base em tudo isso e comecem já as mudanças.
Rodas: Não, para o vestibular não muda nada. O que pode mudar é a grade curricular, aumentar a flexibilização em algum curso em que já se verificar uma oportunidade, mas ninguém quer uma mudança completa.
Rodas: As unidades é que proporão suas soluções, existem órgãos para isso que não são meramente figurativos. Mas uma possibilidade é que um aluno de uma faculdade possa fazer parte de seus créditos em outra, o que pode ser feito de um ano para o outro. Basta que a unidade resolva que um percentual "x" de seus créditos possa ser preenchido em outras áreas. Também podem ser feitos ciclos básicos, mas esta é uma questão complexa. O importante é que se pense isso. Os problemas que nós precisamos resolver no mundo não são só financeiros, ou só jurídicos, ou só filosóficos, a formação precisa dar visão de mundo.
Rodas: Em uma universidade tão grande, certas unidades vão tomar a dianteira e outras, não. Mas existe uma concorrência no bom sentido que fará com que as outras também se modernizem. Acredito que em um ano ou um ano e meio as principais mudanças apareçam.
Rodas: Todos precisam se adequar, nós não vivemos em um Apartheid, que dizia que era para cada um ter o desenvolvimento que conseguisse em separado, a universidade é uma congregação. Pertencer significa inserção e participação é o sentido universal da universidade, portanto todos devem se adequar, isso pode inclusive ter reflexos nas verbas suplementares destinadas as áreas.
Rodas: As unidades têm seus orçamentos, mas existem também as verbas suplementares para projetos específicos. Normalmente distribuímos o dinheiro dentro de várias regras e uma certamente é satisfazer as diretrizes. A preferência é daquelas que já fizeram a sua lição de casa. Não é segredo que quem quiser se intitular a fazer projetos, precisa se modernizar.
21/09/2010 04:27 PM
BBC Brasil Participantes do debate "A Capacidade do Brasil - O Papel da Educação", promovido pela BBC Brasil e pela rádio CBN, alertaram para o risco de o novo governo abandonar o sistema de avaliações nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "A educação no Brasil deve continuar evoluindo, mas corremos o risco de ter um retrocesso com o novo governo no que diz respeito a avaliações baseadas em dados, como aconteceu no início do governo Lula", disse o economista Narcio de Menezes Filho, professor da FEA-USP e do Insper. "Antes da criação desses exames, pensávamos que nossa educação podia até ser boa, porque não havia dados disponíveis para compará-la a outros países. Ficava todo mundo no vazio." Para Ilona Becskehzy, diretora-executiva da Fundação Lemann, "é de suma importância que a gente tenha sistemas de avaliação para acompanhar as políticas de ensino". Ela teme que esses exames possam facilmente virar alvo de ataques políticos. Mozart Neves Ramos, da ONG Todos pela Educação, também ressaltou a importância das provas, mas lembrou que essa é uma implementação recente. "Por isso mesmo, ainda não sabemos usar completamente os dados das avaliações. Precisamos disseminar esses dados." Os especialistas disseram que outro sinal de alerta para qual os novos governantes devem se atentar é o problema do inchaço do currículo no Ensino Básico. Ilona criticou os "penduricalhos na grade curricular", ou seja, a inserção de matérias extras, como filosofia. Para Menezes, primeiro é preciso investir nas matérias básicas: "Em matemática, por exemplo. No ranking de 55 países do índice Pisa, o Brasil ficou em 52º." "No Congresso, todo dia tem alguém propondo uma nova disciplina", reclama Ramos. "A última foi de educação no trânsito." Foco na universidade As distorções no ensino superior também foram debatidas pelos participantes. Ilona lembrou que o Brasil tem muito mais gente se formando na área de humanidades. "O problema é que essas pessoas não estão trabalhando em suas áreas", disse a especialista. "Não adianta formarmos tantos psicólogos. O que o Brasil precisa é de mais médicos, engenheiros." Menezes explica que, há alguns anos, quem tinha diploma universitário ganhava 2,5 vezes mais do que quem não tinha. Mas hoje essa diferença está caindo, indicando que parte do mercado está ficando saturada. Por isso, ele acredita ser preciso dar mais atenção à área de exatas. Apesar das críticas e ressalvas feitas ao longo do debate, os três participantes mostraram-se otimistas com o País. "O tema educação está na moda, e a sociedade está mobilizada. É claro que há resistência entre muitos políticos, que têm uma visão de curto prazo e preferem construir pontes. Por isso é que a sociedade precisa cobrar", afirmou Menezes. Ramos lembrou que, no início da ONG Todos pela Educação (em 2006), pesquisas mostravam educação em sexto lugar na lista de prioridades dos brasileiros. "Hoje ela aparece em primeiro ou segundo lugar." O debate, realizado no Espaço Reserva Cultural, em São Paulo, foi o segundo da série "O Futuro do Brasil". O próximo acontece no dia 27 e tem como tema "O Brasil no Mundo - Política Externa e a Defesa do Meio Ambiente". Participam do encontro Ricardo Seitenfus, representante da OEA no Haiti, o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia da USP, e Sergio Besserman, professor de Economia da PUC-RJ.
21/09/2010 10:39 AM
Agência Brasil Fortaleza - Mais de mil educadores são esperados a partir desta terça-feira (21) em Fortaleza para uma conferência internacional que vai discutir os sete saberes para uma educação do presente. O tema é inspirado na obra do filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, que participará da abertura do encontro. Durante quatro dias os participantes vão debater ideias inovadoras sobre educação e os caminhos para tornar a prática pedagógica adequada aos desafios atuais do mundo. O evento é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Universidade Católica de Brasília (UCB). ?A ideia é repensar como se trabalha a educação hoje e romper alguns paradigmas do ponto de vista conceitual e também metodológico?, explica a pró-reitora da Uece, Celina Ellery. Participarão dos debates especialistas de vários países como México, Peru, Argentina, Espanha, Bolívia, França e do próprio Brasil. Além dos mil participantes que estão em Fortaleza, a organização espera a presença de mais 5 mil educadores que acompanharão o evento em tempo real, em salas de teleconferência no Ceará e em outros estados. (Amanda Cieglinski, enviada especial. A repórter viajou a convite da organização do evento)
21/09/2010 09:51 AM
iG São Paulo A Universidade de Brasília (UnB) abriu hoje inscrições para o vestibular que selecionará alunos para 93 cursos de graduação com início no próximo ano. A taxa é de R$ 100 e o cadastro deve ser feito pelo site www.cespe.unb.br/vestibular/1vest2011 até o dia 19 de outubro. Das 1.999 vagas, 404 serão prioritariamente destinadas aos inscritos no Sistema de Cotas para Negros. No último processo seletivo da instituição, houve 21,8 mil candidatos para 3.824 colocações. As provas dessa edição estão previstas para os dias 18 e 19 de dezembro em locais a serem divulgados em 8 de dezembro. Além de Brasília, o teste costuma ser aplicado em outros municípios de Goiás com grande demanda e pode ocorrer também em outros estados. Estudantes que ainda não estão no último ano do Ensino Médio podem se inscrever como treineiros. Neste caso, a taxa é de R$ 75,00. Mais informações pelo telefone (61) 3448-0100.
20/09/2010 04:23 PM
iG São Paulo A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) irá realizar oficinas sobre as provas do vestibular para professores do ensino médio e de cursinhos preparatórios para vestibulares. Os interessados podem se inscrever desta segunda-feira (20) até o dia 24 (sexta-feira) das 9h do dia 20/9 até as 17h do dia 24/9, exclusivamente no site da Comvest. A taxa de inscrição é de R$ 30. O evento será realizado dia 8 de outubro, a partir das 14h, no campus da Unicamp em Campinas. Serão oferecidas 180 vagas nas seguintes disciplinas: Matemática, Biologia, História, Geografia, Química e Física. As oficinas vão discutir os objetivos da prova do vestibular da Unicamp e analisar questões, apontando o que era esperado dos candidatos e quais foram os erros e acertos mais comuns. O encontro enfocará as disciplinas da primeira fase (parte de Conhecimentos Gerais), apresentando e analisando o simulado realizado pela Comvest em maio. Mudanças A partir deste ano, o processo seletivo da Unicamp será diferente. Na primeira fase, a prova será de múltipla escolha, com 48 questões e não mais as 12 dissertativas, como era aplicado até o ano passado. O candidato deverá ainda produzir três textos de gêneros diversos, todos de execução obrigatória. As questões de múltipla escolha da primeira fase serão elaboradas com base nos conteúdos das diversas áreas do conhecimento desenvolvidas no ensino médio: 12 questões de Matemática; 18 questões de Ciências Humanas e Artes; e 18 questões de Ciências da Natureza. A segunda fase passará a ser realizada em três dias e não mais em quatro. Segundo a Comvest, as provas da segunda etapa serão agrupadas de maneira a estimular a avaliação integrada do conhecimento e a interdisciplinaridade na formulação das questões. O candidato deverá realizar no total três provas com 24 questões dissertativas: 1º dia - 12 questões de Língua Portuguesa e de Literaturas da Língua Portuguesa e 12 questões de Matemática; 2º dia - 18 questões na área de Ciências Humanas e Artes e 6 questões de Língua Inglesa; 3º dia - 24 questões na área de Ciências da Natureza. A duração da prova da primeira fase passará de quatro para cinco horas. Já a duração da segunda fase está mantida em quatro horas a cada dia de prova.
20/09/2010 10:21 AM
iG São Paulo A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abre nesta segunda-feira (20) as inscrições para o seu vestibular tradicional. Neste ano, pela primeira vez, a UFRJ irá destinar 60% de suas 9.060 vagas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ? que seleciona alunos de acordo com o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os demais 40% serão preenchidos pelo vestibular tradicional. O Sisu irá preencher os 20% das cotas sociais ? destinadas estudantes oriundos das Faetecs e de escolas públicas das redes municipais e estadual do Estado do Rio de Janeiro ? e 40% das vagas comuns. As inscrições para o processo seletivo tradicional são gratuitas, vão até o dia 26 de setembro (domingo) e só podem ser efetuadas pela internet, no endereço www.acessograduacao.ufrj.br. Outra novidade são as vagas abertas em Engenharia (Civil, Produção e Mecânica) no campus de Macaé, que passará a oferecer esses cursos em 2011. Este será o primeiro ano em que a UFRJ utilizará cotas sociais no vestibular. Não há critérios de raça ou renda familiar para ingressar na universidade pelas cotas, apenas a exigência de ter estudado em uma Faetec ou na rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro. A medida exclui das cotas os alunos de colégios federais, universitários, militares e de aplicação. Segundo a universidade, essas escolas ?tradicionalmente apresentam ótimo desempenho?, como o Colégio de Aplicação (tanto da UFRJ como da Uerj), o Colégio Militar e o Colégio Pedro II, e por isso não precisam do benefício das cotas.
20/09/2010 06:01 AM


