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Saúde da Mulher - iG Delas: Acompanhe notícias e tire dúvidas sobre DSTs, fertilidade, gravidez, menopausa, osteoporose, câncer e mais.




Bruno Folli, iG São Paulo

Estudo mostra que as lesões nas pernas geralmente deixam a medula sensibilizada

Foto: Thinkstock/Getty Images

Uma recente descoberta pode mudar bastante a maneira de combater as dores nas pernas, que figuram no topo da lista de dores crônicas e atinge principalmente mulheres.

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná descobriram que a dor avança sobre o sistema nervoso central em 61% dos casos. Quando isto acontece, o paciente passa a precisar de dois tipos de tratamento, um para o foco da lesão e outro para o sistema nervoso central.

?O que acontece é uma sensibilização da medula e do cérebro?, esclarece o reumatologista Eduardo Paiva, chefe do laboratório de fibromialgia da universidade. Este é um conceito ainda novo na medicina, que vem sendo estudado por especialistas em dor crônica.

O processo de sensibilização acontece quando o foco da dor persiste por pelo menos três meses. Se um osso da perna estiver quebrado e não for tratado, por exemplo, os nervos vão passar semanas recebendo o mesmo sinal de dor.

Esse sinal vai sensibilizar o nervo e, mesmo quando o problema for resolvido, esse nervo vai continuar mais vulnerável a estímulos. Assim, até os estímulos mais fracos, que normalmente não seriam interpretados como dor, passam a causar incômodo.

Artrose

O estudo foi realizado com 200 pacientes portadores de osteoartrite, doença conhecida como artrose. ?É um desgaste das articulações, que pode acontecer nos joelhos, nos quadris e na coluna lombar?, detalha o reumatologista.

Quando a articulação se desgasta, os movimentos do paciente provocam atrito nos ossos e inflamam o local. A dor passa a ser constante e requer uso contínuo de analgésicos.

?Mas em muitos casos, o paciente volta a sentir dor e, aos poucos, os medicamentos vão perdendo a eficácia?, afirma o médico. Com a descoberta, o especialista sugere o uso de outra categoria de medicamentos, a dos antidepressivos e anticonvulsivantes.

?Eles vão agir diretamente na produção de serotonina e noradrenalina?, diz. Estas substâncias estão ligadas a percepção de dor pelo cérebro e pela medula. ?É uma forma de combater a memória da dor?, esclarece.

Não é só dor

Formigamentos, pontadas, sensação de adormecimento. Estas são alguns dos problemas que podem acompanhar, ou até substituir a dor crônica. Em todos os casos, o problema também é caracterizado como dor crônica.

Para evitar que a dor se instale no sistema nervoso central, o reumatologista explica que é preciso tratar a dor desde suas primeiras manifestações. A recomendação, inclusive, foi dada recentemente pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

A entidade lançou uma campanha para mostrar que a dor crônica poderia ser evitada em 90% dos casos, se o tratamento para a dor fosse feito desde cedo.

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Técnica usa menos remédio para diminuir custos em até 40% do tratamento

Foto: Getty Images

A vontade de ser mãe e a dificuldade para engravidar não escolhem classe social. Segundo dados publicados na última edição do Jornal Americano de Reprodução Humana, um em cada sete casais apresenta problemas de fertilidade e, em alguns casos, a reprodução assistida figura como tentativa quase exclusiva para realizar o sonho da concepção.

Os altos custos do procedimento ? entre R$ 15 mil e R$ 30 mil ? dificultam o acesso da maior parte da população. Como consequências diretas, a técnica passou a ser encarada como ?elitista? e as clínicas públicas que a oferecem (são apenas quatro em todo o País) reuniram filas de espera de mais de três anos por conta da grande demanda de pacientes.

De cinco anos para cá, calculam os especialistas, a medicina reprodutiva passou a buscar uma maneira de atrair um número maior de clientes e democratizar o acesso à técnica. Entre as estratégias, nasceu a ?Mini Fertilização In Vitro (Mini FIV)?, desenvolvida por um médico japonês Osmau Kato, que agora já pode ser encontrada em algumas clínicas particulares brasileiras.

Democratização

Segundo Arnaldo Schizzi, especialista em reprodução humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), a FIV há mais tempo em utilização no mundo usa muitos medicamentos para produzir um número muito grande de óvulos e, assim, ampliar a chance de fecundação.

?Mas a experiência internacional nos mostrou que de cada dez óvulos produzidos pós-estimulação, somente os três primeiros têm melhor qualidade e podem ser usados com segurança na fertilização?, diz.

?Ficou evidente que poderíamos usar menos medicações, estimular um número menor de óvulos e assim conseguir um procedimento até 40% mais baratos e tão eficientes como o antigo, com a vantagem da exposição aos remédios também ser menor. No ano passado, esta técnica foi batizada de Mini FIV e já é oferecida em muitos locais?, completa.

O especialista, no entanto, faz um alerta: não é apenas o bolso dos interessados que precisa ser analisado antes da indicação. ?Cada caso é um caso. Avaliamos a idade da paciente, se há alguma doença associada à dificuldade em engravidar e nem sempre a Mini FIV pode ser uma opção?, diz. Todos estes fatores interferem no preço do tratamento.

?Mas agora temos a possibilidade de pessoas com condições econômicas mais modestas arcarem com os custos do tratamento, antes uma missão impossível.?

Também é com a estratégia de baratear os valores dos medicamentos utilizados no processo da fertilização artificial que o especialista Luiz Gonzáles criou o VidaLink, programa que reúne 99 clínicas, em 34 cidades brasileiras com o intuito de democratizar a reprodução assistida.

De acordo com ele, casais com condições econômicas restritas recebem descontos de até 50% na medicação utilizada no tratamento. Se optarem em fazer o tratamento em uma das clínicas credenciadas a promessa é que o atendimento médico pode ser negociado a custos 40% inferiores. É preciso fazer cadastro e esperar a convocação de uma das clínicas participantes. Fazendo a conta, um procedimento que sairia por R$ 30 mil, chega a custar R$ 18 mil. ?Um dos benefícios de nosso trabalho realmente é a inclusão social?, avalia Gonzales.

Ressalvas

A popularização da fertilização in vitro, criada há 32 anos, pode ser medida pelas estatísticas da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida, que reúne informações de produção das principais clínicas do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Equador.

Em dez anos ? entre 1998 e 2008 ?, o total de inseminações e fertilizações realizado cresceu 65,4%, saindo de 12.274 procedimentos para 35.496.

A ressalva dos especialistas é: ainda que os custos estejam mais acessíveis, o número de clínicas que oferecem a técnica tenha aumentado e as técnicas estejam mais evoluídas, a fertilização in vitro e a Mini FIV permanecem como última opção na escala da contracepção.

Na maior parte dos casos, problemas de saúde como varicocele ? no caso dos homens ? e endometriose (problema feminino) são as causas de dificuldade para engravidar e pedem como solução outros procedimentos médicos que não a fertilização. Outro ponto já citado pelo médico Sandro Esteves, especializado em reprodução assistida, é que não há um corpo suficiente de pessoas geradas por meio da fertilização para atestar quais são os reais efeitos da técnica na saúde dos bebês no longo prazo.

Bruno Folli, iG São Paulo

Pesquisa mostra que maioria da população (57%) não reconhece os sinais da doença perigosa

As mulheres estão na liderança de um ranking nada positivo. Elas reúnem mais fatores de risco que os homens para trombose ou embolia pulmonar, problemas potencialmente fatais.

Quanto maior é o risco, mais concentrado ele está no sexo feminino. Isso é o que revela uma pesquisa Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) divulgada hoje (26), feita com 1.008 entrevistas no País.

O levantamento mostra ainda que a região Sudeste concentra quase metade (44%) das pessoas com risco de tromboembolismo venoso. Apesar disso, a maioria da população brasileira (57%) não sabe ao certo o risco que essa doença representa, nem seus sintomas.

Grupos de risco por região do País

 

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Ibope

 

Tromboembolismo venoso

O nome parece complicado, mas o mecanismo da doença é simples. Trata-se de um bloqueio no fluxo sanguíneo, causado por coágulo, que pode causar dois problemas. O mais comum é a trombose venosa profunda, também chamada por tromboflebite profunda, e mais comum nos membros inferiores. ?Dor, inchaço e endurecimento das pernas formam a tríade da doença?, afirma Guilherme Pitta, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Mas o verdadeiro perigo está na outra manifestação da doença, a embolia pulmonar. Ela acontece quando o coágulo (ou o trombo) vai para a circulação sanguínea e segue para os pulmões. Lá, pode haver uma obstrução que, dependendo da gravidade, pode prejudicar a respiração ou matar.

Perfil dos grupos de risco

Por sexo

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Ibope

 

Impacto no País

A incidência do tromboembolismo no País é de 0,6 caso para cada mil habitantes, segundo dados da Unesp (Universidade Estadual Paulista). As internações no SUS (Sistema Único de Saúde), entre janeiro de 2008 e agosto de 2010, passam de 85 mil, com mortalidade de 2,38%.

Se comparadas às taxas de mortalidade do câncer (7,59%) e de doenças do aparelho circulatório, que incluem o infarto e chegam a 7,82%, a trombose representa um terço das mortes das duas doenças com maior índice de mortalidade no País. ?Só a embolia pulmonar já é responsável por 10% das mortes em hospitais?, afirma Pitta.

O custo disso também não é pequeno. Foram gastos pelo governo R$ 46,6 milhões nos últimos dois anos e meio com internações causadas pela doença.

Onde vive o risco

A pesquisa Ibope revela que 43% da população entrevistada já ouviu falar em trombose, mas não sabe como prevenir a doença. O primeiro passo é conhecer os fatores de risco. São eles:

- Idade acima de 40 anos
- Excesso de peso ou obesidade
- Varizes nas pernas
- Gravidez e pós-parto
- Câncer
 - AVC (acidente vascular cerebral)
-Traumas, especialmente nos membros inferiores e que requeiram redução de mobilidade temporária
- Doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica
- Uso de contraceptivo oral (anticoncepcional)
- Uso de medicamentos como quimioterápicos ou tratamentos hormonais

?É uma obrigação de todo médico observar esses fatores e alertar para o risco de trombose ou fazer acompanhamento do paciente?, ressalta Ana Thereza Rocha, professora do serviço de pneumologia do hospital da Universidade Federal da Bahia.

A atenção deve ser dobrada em pacientes internados para serem submetidos à cirurgia de joelho ou de quadris, que chegam a ter de 50% a 60% de risco de trombose.

Outra combinação perigosa é estar obeso, ter mais de 40 anos e passar por qualquer tipo de procedimento cirúrgico. Isso aumenta em até 25% o risco de trombose.

No caso das mulheres, a parceria entre usar contraceptivo oral, ser fumante, ter mais de 35 anos e se submeter a uma cirurgia plástica é o que representa maior risco. ?É preciso estar atento, porque a embolia pulmonar, pior consequência da trombose, é a causa mais comum de morte hospitalar evitável?, afirma Ana Thereza.

A médica destaca ainda outro estudo recente, chamado de Endose, no qual é mostrado o risco médio de pacientes clínicos e cirúrgicos hospitalizados de terem tromboembolismo. Os pacientes cirúrgicos têm um risco maior, de 66%, enquanto dos clínicos é menor, de 46%.

?Mas os medicamentos preventivos são prescritos a apenas 51% dos pacientes com risco?, afirma a médica. E essa prevenção, avalia a especialista, deve continuar mesmo após a alta médica, porque cerca de 18% dos episódios em pacientes clínicos acontece fora do hospital.

Prevenção

Muitas das medidas de prevenção podem ser adotadas sem ajuda médica. Veja as principais:

Faça caminhadas regularmente
Não fume
Controle seu peso
Quando estiver em pé e parado, faça movimentos como se estivesse andando
Se estiver acamado, faça movimentos com os pés e as pernas
Se ficar sentado por muito tempo, movimente os pés como se estivesse andando

O uso de meias de contenção pode ser indicado para quem tem inchaço nos joelhos e existem algumas medicações indicadas para o caso de viagens longas, mas essas medidas só devem ser adotadas com orientação médica.

Thaís Manarini, especial para o iG São Paulo

Saiba diferenciar entre o hobby saudável e um comportamento compulsivo

Foto: Getty Images

Marília Gabriela é dona de um arsenal de óculos, já Luisa Mell coleciona copos de licor de várias partes do mundo e Adriane Galisteu é apaixonada por biquínis ? tem mais de mil peças no guarda-roupas. Assim como as apresentadoras, muita gente sente prazer em gastar parte de seu tempo atrás de determinado artefato para compor uma coleção, prática que pode ser considerada um hobby.

Para uma pequena parcela, no entanto, o hábito de acumular coisas está longe de ser saudável, ganhando contornos de compulsão. Nesses casos, a pessoa não tem um foco definido, ou seja, guarda qualquer tipo de item (revistas, jornais, aparelhos quebrados, roupas velhas, etc), geralmente pensando em sua futura utilidade. Além disso, dá uma importância exagerada ao conjunto de objetos, o que traz conseqüências negativas ao dia a dia.

De acordo com o psicólogo e psicoterapeuta Tonio Dorrenbach Luna, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, entre os problemas causados por essa mania estão o gasto excessivo de dinheiro para manter o acervo, o isolamento social e a presença de um monte de tralhas em diversos espaços da casa.

Sinal de alerta

Quando as tentativas de se livrar do hábito não dão certo e a situação provoca angústia e sofrimento, há grandes chances de que o quadro faça parte dos sintomas que caracterizam o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o famoso TOC.

?Os portadores costumam apresentar uma combinação de pensamentos obsessivos e atos compulsivos?, descreve Daniel Philippi de Negreiros, médico psiquiatra de Florianópolis (SC).

Ainda segundo o especialista, a manifestação da doença pode acontecer de várias maneiras. É possível, por exemplo, que os pensamentos gerem ações compulsivas relacionadas à mania de limpeza (muitas vezes a pessoa lava tanto as mãos que chega a causar feridas na pele) ou, conforme apontado anteriormente, à prática do colecionismo.

?A família acaba sofrendo junto com o indivíduo tanto por vê-lo aflito com as conseqüências de seu comportamento?, afirma. Vale lembrar, porém, que nem sempre a mania está ligada ao TOC. Sendo assim, é necessário chegar a um diagnóstico antes de tomar providências.

Apoio familiar

No caso do transtorno, são várias as causas que podem levar ao hábito de acumular objetos compulsivamente. ?Entre elas destaca-se o fato de que o item simboliza alguma experiência emocional e, por isso, se livrar dele causará desconforto?, informa o psicólogo Tonio Luna.

Apesar de ser difícil viver em meio a um verdadeiro depósito, é importante que os familiares entendam que se trata de uma doença e que o próprio portador sente vergonha de seu comportamento.

?Por isso, a família deve procurar orientação especializada antes de enfrentar alguém que tem TOC. Quando há o colecionismo, jogar fora os objetos do paciente será interpretado como agressão pessoal e maldade?, diz o psicólogo Olavo Feijó, do Rio de Janeiro (RJ).

Caso o diagnóstico realmente aponte para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo o tratamento indicado é composto por remédios e psicoterapia. ?Os medicamentos usados são os antidepressivos e ajudam a reduzir os sintomas?, diz Daniel Negreiros, psiquiatra de Florianópolis. Já a psicoterapia, além de reforçar esse efeito, tem como objetivo proporcionar suporte emocional, favorecendo o desenvolvimento de recursos internos para lidar com as dificuldades causadas pelo transtorno.

Síndrome de Diógenes

O armazenamento de muitos objetos inúteis é um dos principais indicadores de que uma pessoa sofre dessa síndrome, descrita pela primeira vez em 1975. No entanto, não é o único.

?A doença atinge principalmente idosos, sendo que esses costumam viver em precárias situações de higiene e isolamento, recusando o contato com outras pessoas ou a ajuda de entidades assistenciais?, esclarece Negreiros.

O nome dado ao quadro foi inspirado justamente nesse sintoma de reclusão, já que se trata de uma homenagem ao filósofo grego Diógenes Sínope, que vivia dentro de um barril.

Para se ter uma ideia de como a doença é observada na prática, em maio desse ano a Subprefeitura do Itaim Paulista, bairro de São Paulo, retirou 3,7 toneladas de lixo e entulhos da casa de uma senhora. Para realizar a limpeza foram necessários dois caminhões e a ajuda de 12 homens.

Nesse mesmo mês, em Chicago, nos EUA, um casal de idosos foi encontrado soterrado pelo lixo que acumulava na residência onde viviam. Segundo informações da BBC Brasil, a situação era tão crítica que os bombeiros precisaram usar roupas especiais para entrar no local.

A curiosa síndrome, que ainda é tema de muitos estudos, pode estar associada à demência, ao TOC ou a outras doenças psiquiátricas ? em alguns casos ela não tem relação com nenhum transtorno específico.

?Portanto, para diferenciar os casos patológicos é necessário levar em conta outros aspectos que vão além do ato de colecionar, como o sofrimento do paciente, déficit cognitivo, prejuízos sociais, entre outros?, finaliza Negreiros.
 

Agência USP

Estudo revela que mulheres passam a média de 24 dias internadas, enquanto homens ficam apenas 22

Foto: Getty Images/Thinkstock/Jupiterimages

As mulheres passam mais tempo internadas por causa do alcoolismo do que os homens, de acordo com pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

O estudo foi feito com 2.203 pacientes de 56 municípios da região Centro-Oeste de Minas Gerais. Nele, o professor Richardson Miranda Machado, autor da pesquisa, constatou que o tempo de internação médio da mulher é de 24,4 dias, enquanto do homem é de 22,2 dias.

O trabalho também destaca que no período estudado (1980 a 2008) a idade média dos pacientes tem diminuído. Sobre o tempo de internação maior das mulheres, o professor explica que há duas principais causas. Uma delas se refere às condições fisiológicas da mulher: ?Pelas próprias proporções anatômicas, a mulher que é bem menor do que o homem, apresenta-se mais frágil e sofre mais com o efeito do álcool, o que requer um tempo maior para a recuperação?.

Outro motivo levantado diz respeito a mudanças ocorridas no comportamento. Segundo o professor, a identidade cultural da mulher mudou muito nos últimos anos. ?Antes, a mulher que bebia era mal vista, hoje tal hábito não é condenado?, diz.

Referente à faixa etária, observou-se 34 internações de jovens entre 10 e 20 anos de idade, sendo que o professor relatou casos até de crianças de 10 anos internadas nos últimos cinco anos, o que antes não se via. ?As crianças estão sendo tratadas pela sociedade como adultos mais cedo. Isso as leva a assumirem hábitos de consumo dos adultos?, alerta o professor.

O estudo fez parte da tese de doutorado de Machado, sob orientação de Moacyr Lobo da Costa Junior, professor da EERP. A pesquisa se baseou em dados do sistema eletrônico de internações hospitalares do único hospital psiquiátrico da região Centro-Oeste de Minas Gerais, a Clínica Psiquiátrica São Bento Menni, que serve de referência para as internações psiquiátricas hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa analisou também os fatores que levavam à maior ou menor dependência do álcool e o perfil geral dos pacientes.Entre os dados estudados, estão as relações das internações com o sexo, a escolaridade, a profissão e a faixa etária. Desta, a maioria dos pacientes (31,5%) tinham entre 40 e 50 anos. Já da escolaridade, observou-se que quanto maior o nível de formação, menor é o número de internações por alcoolismo.

Apesar do maior tempo de internação do sexo feminino, o número de homens internados ainda é bem maior. Eles representam 82,4% dos internados, o que, para Machado, já era esperado, uma vez que eles se arriscam mais e têm maior pressão para se ajustar ao grupo de amigos; fato este muitas vezes facilitado pelo consumo de álcool.

Quanto à profissão, a maior parte dos pacientes são trabalhadores informais ou trabalham no comércio. Machado explica que o alto número de trabalhadores informais internados se dá por uma particularidade local. ?A região Centro-Oeste de Minas Gerais tem muitos trabalhadores autônomos nas plantações. Eles ficam em situação de maior isolamento, onde a ingestão de álcool acaba sendo uma das poucas alternativas de lazer?, conta. De todos os aspectos, os apresentados como maiores fatores de dependência são a idade e a escolaridade.

O professor observa um dado positivo. No trabalho, ele verificou melhorias no diagnóstico médico. De 1980 até 1996, muitos dos diagnósticos médicos eram dados como ?não especificados?, ou seja, os médicos não sabiam se o problema de alguns pacientes internados era gerado por alcoolismo ou por outra complicação. A partir de 1996, os diagnósticos ficaram mais precisos e, além disso, eles começaram a detectar uma grande quantidade de alcoólatras que sofrem com problemas psiquiátricos, como depressão, transtorno de ansiedade e psicose.

Mas Machado enfatiza que o alcoolismo ainda permanece como um grave problema na sociedade e observa que ele piorou em alguns pontos: ?Apesar de o álcool ser uma substância muito antiga, o homem ainda não achou o equilíbrio em seu consumo. Hoje, o alcoolismo se apresenta como problema em áreas que antes praticamente não existia, como o aumento do consumo pelos mais jovens e pelas mulheres.?

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Benefício estético da cirurgia não corrige males denunciados pela ?barriguinha?

Foto: Getty Images

Os algarismos mostrados pela fita métrica envolta da cintura indicam muito mais do que a presença de ?pneuzinhos?, necessidade de aumentar o número da calça jeans ou trocar o biquíni pelo maiô.

Quando a circunferência supera 80 centímetros é sinal de que o coração pode estar ameaçado pela presença de colesterol, hipertensão e triglicérides em excesso. Estes mesmos ?malfeitores? cardíacos podem ser disfarçados ? e continuar prejudicando sistema cardiovascular ?  caso o bisturi entre em ação sem ser acompanhado pela dieta saudável e pela mudança do estilo de vida.

?A lipoaspiração sozinha traz benefício estético mas influencia nada em melhoras ao coração?, afirma o cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), Márcio Miname.

O médico nefrologista especializado em pressão alta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Osvaldo Kohlmamm Júnior, acrescenta: a mulher faz a lipo e acredita que a nova silhueta já garantiu uma vida mais saudável, mas por trás do abdômen ?retinho? e chapado ainda vivem os problemas que são o ponto de partida das doenças cardiovasculares.

?A barriga saliente acaba sendo um indicador, um aviso de que alguma coisa pode estar errada com o coração e não apenas com a aparência?, disse Kohlmamm Júnior, durante a pré abertura do último Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em Belo Horizonte.

As pesquisas

O alerta feito pelos especialistas já foi comprovado por uma análise feita com 15 mulheres obesas, submetidas à lipoaspiração e que perderam em média 10 quilos após a cirurgia. Os especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington avaliaram o impacto desta redução na melhora das taxas de glicose, produção de insulina, colesterol e pressão alta das mesmas pacientes.

As conclusões, já publicadas no periódico científico New England Jounal mostraram que o efeito nestes potencializadores de problemas no coração foi quase nulo, muito inferior ao que poderia ser conseguido com exercícios físicos, por exemplo.

O motivo é que a ação estética não é suficiente para corrigir as chamadas ?células gordas? que estão no organismo e não são eliminadas com a lipoaspiração.

Gordura invisível

Além dos pneus e os excessos de gordura aparente existe, segundo os cardiologistas, a chamada "gordura invisível". Cientificamente, ela é denominada gordura visceral e pode estar presente em volta de órgãos, como fígado, rim, coração e pulmão. É invisível aos olhos, mas detectada por meio de exames específicos, como a ressonância.

Na maioria dos casos, quem tem gordura invisível também tem gordura aparente, mas por vezes apenas avaliações minuciosas são capazes de identificar a presença da vilã visceral.

"Esse tipo de gordura permanece no organismo e não é corrigido com a lipoaspiração", alerta o diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Fernando Prado.

Barriga de chope

Outra constatação dos especialistas é de que a famosa sigla IMC (índice de massa corpórea) ? tão importante nos planos de melhora da estética ? nem sempre é suficiente para mensurar as pessoas que estão inseridas no grupo de risco cardíaco.

Até cinco anos atrás, a fórmula de dividir o peso pela altura ao quadrado (equação para calcular o IMC) era a única utilizada pelos cardiologistas e nutricionistas para mensurar obesidade e problemas em potencial ao coração. Se o resultado for acima de 24 é o indicativo de sobrepeso, um passo mais próximo dos problemas cardiovasculares.

Com a publicação do estudo internacional Interheart ? análise feita em 22 países do mundo com mais de 30 mil pessoas ? os cardiologistas conseguiram mostrar que o IMC inferior a 24 acompanhado de uma circunferência abdominal (dois dedos abaixo da costela e dois dedos acima do osso da bacia deve ser o ponto de partida para a medição) acima de 80 centímetros já era suficiente para aumentar em quase três vezes a incidência de episódios como infarto, arritmias e acidentes vasculares cerebrais. Ou seja, o barrigudo que não é gordo "por inteiro" já está na turma dos que podem ter um problema no coração.

A partir disso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, uma das participantes desta parte do estudo, passou a prestar mais atenção na famosa barriguinha de chope, muito comum em homens mas também insistente na figura feminina.

Vantagens

Esta mesma barriga saliente que denuncia a possível presença de fatores de risco de doenças cardíacas é o que motiva as pessoas, em especial das mulheres, para procurar ajuda da cirurgia plástica ou de outro tratamento estético. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, no País, foram realizadas quase 188 mil cirurgias de lipoaspiração no ano passado. Não há um registro oficial de tratamentos estéticos que prometem reduzir medidas.

Apesar de poder "mascarar" momentaneamente o risco cardíaco, Fernando Prado, da Sociedade de Cirurgia Plástica diz que a operação pode, sim, trazer vantagens. "Em muitos casos, há uma melhora na autoestima, incentiva o autocuidado e a paciente acaba, por consequência adotando um estilo de vida mais saudável", diz.

Reuters

Novo estudo sugere que as cápsulas do óleo, rico em ômega-3, não ajudam a prevenir depressão pós-parto

Foto: Getty Images

Tomar cápsulas de óleo de peixe é uma maneira fácil e barata de consumir os ácidos graxos Ômega-3, mas elas não ajudam as gestantes a se manter longe da depressão pós-parto e tampouco reforçam o desenvolvimento mental dos bebês, como muitos crêem.

As duas constatações são de pesquisadores australianos que testaram o efeito de suplementos diários durante a segunda metade da gestação ? período em que o cérebro do feto tem grande desenvolvimento.

No estudo, mas de 2.000 mulheres consumiram óleo vegetal ou óleo de peixe contendo ácido docosahexaenóico (DHA), que estudos anteriores sugeriram ? mas não comprovaram ? que poderia melhorar o resultado da gravidez.

?Antes que o uso de suplementos de DHA na gravidez se torne amplamente difundido é importante saber não somente se existem benefícios, mas também se existem riscos para a mãe ou para o bebê?, relatou Maria Makrides, do Women?s and Children?s Hospital de North Adelaide, Austrália, juntamente com colegas de estudo em uma declaração ao jornal da Associação Médica Americana.

Mas, talvez já seja tarde demais. Os pesquisadores constataram que um terço das mulheres convidadas a participar do estudo já estava tomando suplementos à base de óleo de peixe sob aconselhamento médico.

A boa notícia: o único efeito colateral foram os arrotos, que se apresentaram duas vezes mais comuns em mulheres que estavam tomando as cápsulas de óleo de peixe.

A má notícia: o óleo de peixe não ajudou muito no humor das mulheres depois do parto. Cerca de 10% das voluntárias dos dois grupos relataram altos níveis de sintomas de depressão.

Além disso, quando psicólogos avaliaram os bebês das voluntárias aos 18 meses de vida, constaram não haver diferenças de balbucio, compreensão verbal e outras formas de desenvolvimento da linguagem, tampouco em medidas cognitivas como a exploração de objetos e a formação de conceitos.

?Certamente não existem benefícios fortes e comprovados dos suplementos de óleo de peixe?, disse Emily Oken, que estuda nutrição durante a infância na Escola de Medicina de Harvard, em Boston (EUA), e escreveu um artigo sobre os novos resultados.

Segundo ela as descobertas não eliminam a hipótese de que algumas mulheres, como aquelas com alto risco de desenvolver depressão, possam se beneficiar dos suplementos de óleo de peixe.

?Segundo as recomendações atuais, as gestantes devem tentar consumir 200 miligramas de DHA por dia?, disse Oken, que não participou do novo estudo e não tem vínculos com empresas fabricantes de suplementos.

Oken diz que talvez o próprio peixe seja uma fonte de DHA melhor do que as cápsulas, por conter outros nutrientes que possam também ser benéficos. Ela complementou, porém, que é por isso que vários estudos de observação constataram melhores resultados na gravidez em mulheres que têm alto consumo de frutos do mar.

Peixes ricos em DHA incluem o salmão, a truta, a sardinha e o arenque. Oken explica que uma porção semanal é o suficiente e adverte que as gestantes devem evitar os peixes maiores, que contêm muito mercúrio ? como o peixe-espada e o tubarão.

Duffy Mackay, do Conselho para a Nutrição Responsável, associação americana representante de fabricantes e fornecedores de ingredientes para suplementos alimentares, disse que DHA é parte essencial da dieta, pois não é fabricado pelo organismo. O componente conhecido como ácido graxo Omega-3 é um construtor de membranas celulares e é especialmente importante para o desenvolvimento cerebral.

?Eu ficaria muito triste ao ver as pessoas abandonando o uso do DHA ou do EPA por causa de um estudo?, disse Mackay, referindo-se ao acido docosahexaenóico, outro tipo de Ômega-3.
Ao ser pressionado, porém, ele não quis afirmar se tomar os suplementos poderia diminuir os riscos de depressão ou aumentar o desenvolvimento dos bebês. ?Eu não espero que o óleo de peixe funcione como uma medicação?, disse Mackay à Reuters.

As pílulas usadas no novo estudo continham 800 miligramas de DHA e 100 miligramas de EPA e foram fornecidas pela empresa Efamol, fabricante de suplementos alimentares.

Apesar dos resultados especialmente negativos, os pesquisadores constataram que mulheres que consumiram óleo de peixe diminuíram os riscos de parto prematuro ? antes da 34 semana de gestação ? de mais de 2% para apenas 1%. O período normal da gravidez é de 40 semanas. Por outro lado, elas também aumentaram o risco de dar à luz após a data prevista.

 

* Por Frederik Joelving

AE

40% das mulheres ficam estéreis após a quimioterapia e proposta é tentar preservar a fertilidade

O Hospital Pérola Byington, em São Paulo, lança neste mês um programa de congelamento de óvulos para mulheres em tratamento contra o câncer de mama. O serviço, avaliado em R$ 8 mil, será oferecido gratuitamente para pacientes de até 35 anos

?Cerca de 40% das mulheres ficam estéreis após a quimioterapia. A ideia, portanto, é coletar os óvulos no intervalo entre a cirurgia para a retirada do tumor e o início do tratamento quimioterápico?, diz o diretor do hospital, Luiz Henrique Gebrim.

O programa será aberto também a pacientes de outros centros médicos, que precisarão ser encaminhadas pelo oncologista responsável. Mulheres sem filhos terão prioridade. A técnica consiste na estimulação ovariana por meio de hormônios e congelamento dos óvulos a serem utilizados pela paciente no futuro, caso haja falência dos ovários. ?Não há fila para a coleta dos óvulos, mas, se a paciente quiser realizar o tratamento de fertilização in vitro no Pérola Byington, terá de entrar na fila?, afirma Gebrim. A paciente poderá optar por fazer a fertilização em um serviço particular.

Hoje, cerca de 1,8 mil mulheres estão cadastradas no serviço de fertilização assistida do hospital, um dos poucos gratuitos do País. O tempo de espera está em torno de dois anos e meio. O Pérola Byington realiza anualmente cerca de 120 tratamentos, dos quais 40 são bem-sucedidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Reuters

Novo estudo aponta que terapia de reposição de hormônios aumenta o risco de morte por câncer de mama

Foto: Getty Images

Mulheres que fizeram reposição hormonal tiveram maiores incidências de câncer de mama em estágio avançado e foram mais propensas a morrer dele quando comparadas a mulheres que tomaram uma pílula placebo, o que aumentou a preocupação das autoridades norte-americanas sobre esses medicamentos muito usados por mulheres daquele país.

O estudo, publicado na revista científica da Associação Médica Americana, é o primeiro a reportar mais mortes por câncer de mama entre mulheres usuárias da terapia de reposição hormonal. E mais: o primeiro a contradizer os resultados de pesquisas anteriores que sugeriram que mulheres em terapia de reposição de hormônios, quando acometida por tumores de mama, tinham cânceres menos agressivos e mais fáceis de tratar.

?Ao contrário da idéia que tínhamos dois anos atrás, de que o câncer associado à reposição de estrogênio e progesterona seria de evolução favorável e sem grandes problemas para a mulher, estamos vendo hoje que essa reposição está associada a um risco maior de morte por câncer de mama? disse Rowan Chlebowski, do Instituto de Pesquisa Biomédica de Los Angeles, pesquisador líder do estudo, em entrevista telefônica à Reuters.

As conclusões foram baseadas no acompanhamento, ao longo de 11 anos, dos dados de mais de 12 mil mulheres que participaram do estudo ?Women?s Health Initiative?, o mesmo que em 2002 apontou que o uso contínuo de estrogênio e progesterona por cinco anos aumentava o risco de câncer de ovário e mama, assim como de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na época, a venda da terapia de reposição hormonal líder no mercado norte-americano caiu pela metade.

Dobro de mortes

Analisando os dados das mulheres do estudo ?Women?s Health Initiative? e encontraram duas vezes mais mortes por câncer de mama entre as que fizeram reposição hormonal ? 2,6 mulheres em cada 10 mil por ano contra 1,3 em cada 10 mil por ano entre as que tomaram placebo. Quase 24% dos cânceres de mama das usuárias de hormônios se espalharam para os linfonodos, contra 16% entre as usuárias de placebo.

?Os índices de todos os cânceres preocupantes, com prognósticos desfavoráveis, também aumentaram? afirmou Chlebowski, citando as formas agressivas de câncer de mama e não apenas os tumores não relacionados ao estrogênio, que são mais fáceis de tratar.

?Pela primeira vez mostramos que as mortes por câncer de mama também aumentaram significamente? disse o pesquisador.

Alguns fabricantes de medicamentos alertam aos médicos nas bulas dos medicamentos para prescreverem a reposição nas doses eficazes mais baixas e por um período curto de tempo. Mas mesmo essa conduta não está isenta de risco, sugere Peter Bach, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, de Nova York (EUA), em um comentário publicado na mesma revista onde consta o estudo de Chlebowski e sua equipe.

?É importante enxergar os dados no contexto mais amplo, tanto em relação aos sintomas da menopausa quanto ao grande corpo de informações ? desenvolvido em mais de 60 anos de estudos ? sobre os benefícios e riscos da terapia de reposição hormonal?.

Muitos especialistas apontaram que a idade média das mulheres acompanhadas no estudo era de 63 anos ? uma faixa de idade posterior à menopausa ? e que os resultados encontrados podem não ser aplicáveis a mulheres que fazem outras formas de reposição hormonal ou àquelas que iniciam a terapia imediatamente após a menopausa.

* Por Julie Steenhuysen

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Pesquisa mostra ainda que um em cinco classifica método de emergência como ?microaborto?

Foto: Getty Images/Photodisc

A pílula do dia seguinte faz parte não apenas dos receituários dos médicos do País mas do dia a dia dos profissionais da medicina.

Um estudo mostrou que 90% deles já prescreveram o contraceptivo de emergência e 25% já fizeram uso pessoal da pílula.

Um questionário foi aplicado a 3.337 ginecologistas e obstetras, atuantes em unidades públicas e particulares do Brasil. Apesar do índice de uso próprio da pílula do dia seguinte feito por estes profissionais ? sete pontos porcentuais a mais do que a taxa de uso da população em geral (18,6%) ? um em cada cinco médicos definiu o remédio como um ?microaborto?.

Outros 57% dos participantes afirmaram que entendiam o medicamento como uma interferência após o óvulo ser fecundado, o que também dá a conotação de que este tipo de contraceptivo interrompe a gestação. O dado causou surpresa nos autores do estudo ligados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Estas convicções de parte dos médicos entrevistados estão mais alinhadas à Igreja Católica (contrária à pílula do dia seguinte) do que à produção científica que embasou o Ministério da Saúde, por exemplo, a oferecer o contraceptivo de emergência em sua ?cesta básica? de métodos que previnem a gravidez indesejada, ao lado de camisinha, dos anticoncepcionais orais, do DIU e dos contraceptivos injetáveis.

?O estudo permitiu também ver que, entre os médicos que não orientam sobre a pílula (10% dos participantes), a percepção equivocada sobre o mecanismo de ação do método é um fator relevante?, afirma o autor do levantamento, o biólogo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, William Alexandre Oliveira.

?Isso indica que nesse grupo de médicos que não prescrevem a pílula anticoncepcional de emergência, as convicções pessoais interferem na conduta médica, ou seja, são mais importantes para eles do que a informação científica.?

Uso e indicação

A pílula do dia seguinte é formada por um coquetel de hormônios e indicada para ser tomada em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Na década de 70, o medicamento foi elaborado para servir de opção para mulheres estupradas mas, desde 1996, a indicação também é voltada a pacientes que tiveram alguma falha com outros contraceptivos convencionais, como camisinha rompida ou esquecimento de algum comprimido da cartela do contraceptivo oral.

O mecanismo de ação da pílula é interromper o ?caminho? entre o espermatozóide e o óvulo antes que a fecundação aconteça. Por este motivo, os fabricantes informam que, quanto mais próximo da hora da relação desprotegida for tomado medicamento, maior é o índice de sucesso da prevenção da gravidez indesejada.

?Considerar a pílula do dia seguinte um abortivo, na minha avaliação, é misturar no mesmo bolo convicções pessoais e não científicas, o que poderia comprometer a relação com a paciente?, classifica o presidente da comissão de anticoncepção da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rogério Banasse Machado.

Segundo Machado, a maior parte das pacientes consegue a pílula do dia seguinte no balcão da farmácia e sem prescrição médica, em especial as que são atendidas por médicos particulares. No Sistema Único de Saúde (SUS), é necessário apresentar a receita do ginecologista para retirar o medicamento de graça. Por isso, avalia William Alexandre, da Unicamp, as convicções pessoais dos médicos de postos públicos de saúde podem ser ainda mais influentes no acesso destas pacientes ao medicamento.

Para o presidente da Febrasgo, apesar do alto índice de avaliação equivocada sobre a pílula do dia seguinte por parte dos médicos, a taxa de 90% de prescrição identificada no mesmo estudo mostra que as convicções pessoais não estão impedindo a recomendação. Para ele, é mais um termômetro do desconhecimento dos profissionais.

Pílula de todo dia

Ainda que a pesquisa da Unicamp tenha evidenciado as avaliações errôneas dos médicos sobre o mecanismo de ação da pílula do dia seguinte, outros estudos também já constataram que as pacientes que fazem uso deste medicamento também falham na indicação.

Um trabalho feito pelo Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo avaliou 289 jovens que consumiram a pílula do dia seguinte e mais de 90% delas não havia usado nenhum outro tipo de método contraceptivo, como camisinha ou anticoncepcional oral. Ou seja, o remédio indicado para um ?imprevisto? foi a primeira opção das garotas entre 13 e 19 anos.

Outra pesquisa, da Universidade de São Paulo, feita com 600 universitárias da própria USP, detectou mesmo fenômeno: 51% de usuárias de pílula do dia seguinte, sendo que 38% delas recorreram ao método de emergência não por uma camisinha rompida ou anticoncepcional esquecido.

Não existem estudos conclusivos sobre danos físicos decorrentes do uso repetido e em sequência da pílula do dia seguinte, mas não faltam evidências de que o sexo sem proteção abre portas para doenças sexualmente transmissíveis, como aids, sífilis e gonorréia. A população feminina, inclusive, é a que mais cresce em proporção de novas contaminações pelo vírus HIV, conforme mostram os boletins epidemiológicos do Programa Nacional de Aids.

Bruno Folli, iG São Paulo

Médicos e advogados divididos sobre a responsabilidade pelo contágio do HIV. Caso de cantora alemã reacende discussão

Foto: Reuters

Uma recente batalha na Justiça reacende a polêmica sobre a transmissão do vírus HIV. No interior de São Paulo, um homem é acusado de contaminar duas ex-namoradas e de tentar infectar outra mulher, que só escapou porque se recusava a ter relações sexuais desprotegidas.

Segundo o advogado de defesa, o acusado achava que a doença só era transmitida por transfusão de sangue e não pelo sexo. Ele afirma não haver intenção de passar o vírus, por isso pede para que o caso seja julgado como transmissão de doença grave, crime sujeito a oito anos de reclusão.

Já a promotoria reivindica que o caso seja visto como tentativa de homicídio, situação que permite uma pena bem mais severa, de até 48 anos de prisão. Mas afinal, como julgar o portador que passa HIV para outra pessoa?

A pergunta divide especialistas e juristas. Até o Ministério da Saúde (MS) já se manifestou sobre o tema e adotou uma postura contra a criminalização do portador. Isso evitaria o aumento da discriminação.

Por outro lado, a pessoa que contraiu a doença do parceiro tem o direito de processá-lo. Mas para ter uma decisão em seu favor é preciso comprovar que o parceiro realmente tinha a intenção de passar o vírus adiante.

As dúvidas sobre o tema têm aumentado nos últimos meses e gerado uma demanda acentuada nos Grupos Pela Vidda Niterói e Rio de Janeiro, especializados no apoio a portadores do HIV. Por conta disso, a entidade organizou recentemente um seminário no Rio de Janeiro sobre o tema.

Acusação complexa

Uma das principais dificuldades em processos contra portadores de HIV é provar a intenção criminosa. ?Como se faz isso? É uma questão muito subjetiva?, questiona Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do MS.

Ele explica que também é preciso verificar diversos aspectos técnicos, como o tipo do vírus e aguardar a janela imunológica, que chega a durar até seis meses, para que se possa comprovar a possibilidade de contaminação pelo parceiro.

?Muita gente transmite a doença porque nem sabe que está infectado. O ministério estima que 255 mil brasileiros tenham o vírus e não saibam disso?, ressalta Barbosa.

Emoção e razão

A base da discussão está justamente na oposição entre razão e emoção. Barbosa afirma que muitos portadores se deixam levar pela necessidade de aceitação ou pelo desejo por outra pessoa e acabam assumindo comportamentos de risco.

Jaci Carioca Sampaio, do Grupo Pela Vidda, acrescenta o peso da discriminação sobre a escolha da pessoa em omitir sua doença. ?Ela tem medo de ser rejeitada. A AIDS tem muitos mitos, como ser associada à promiscuidade ou ser vista como coisa de gays?, diz.

Para ela, cabe à pessoa decidir se conta ou não ao seu parceiro ser portadora do HIV. ?É uma decisão muito particular, que deve ser estudada caso a caso, considerando o momento mais adequado?, afirma.

O problema é que algumas pessoas, antes de revelar sua condição, acabam sendo pressionadas a ter relações sexuais sem proteção. É como se isso representasse uma aceitação e um elo de confiança maior. ?A pessoa não deve esquecer da sua responsabilidade: quando ela se protege, ela protege o outro?, diz.

Responsabilidade compartilhada

O dever da proteção contra AIDS ou qualquer outra doença sexualmente transmissível (DST) é de todos, de acordo com Barbosa. Por conta disso, quando uma pessoa adquire o vírus HIV, parte da responsabilidade é dela.

Essa responsabilidade compartilhada tira o foco exclusivo do portador. ?Em relações consensuais, entre dois adultos, fica incompreensível como alguém vai querer reclamar depois?, diz o professor de matemática Jorge Adrian Beloqui, diretor do GIV (Grupo de Incentivo à Vida) e soropositivo.

Ele argumenta que as pessoas sabem da importância da camisinha contra a AIDS, mesmo assim assumem comportamentos de risco. De acordo com a última Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas relacionada às DST e Aids (PCAP), divulgada em junho de 2009, ?a população tem um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção pelo HIV e de prevenção da AIDS.?

A pesquisa, do Ministério da Saúde, mostra que 96,6% da população com idade entre 15 e 64 anos sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. E 93,6% sabe que não que existe cura para a AIDS.

Contudo, apenas 60,9% usaram preservativo na primeira relação sexual. O percentual é ainda menor no que se refere à última relação sexual com parceiros casuais: 58,8%.

Confiança no parceiro

Mas o fato da pessoa que se contaminou também ter responsabilidade sobre o contágio não reduziria a culpabilidade do portador. ?Em relações estáveis, há confiança no parceiro e as relações sem camisinha acabam acontecendo. Se ele sabe que tem AIDS, mas não conta, não há como dizer que ele não tem culpa?, argumenta a advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ.

Ela ressalta que a doença ?tem muitas peculiaridades? e por isso requer um cuidado maior. ?Não há cura para AIDS. É possível processar uma pessoa por não ter contado, por não ter protegido o parceiro?, afirma a advogada.

Recentemente, as Nações Unidas publicaram um documento que censura fortemente todas as acusações de transmissão ou exposição ao HIV. Mesmo assim, existe uma exceção para os ?casos de transmissão intencional, isto é, quando uma pessoa sabe o seu estatuto sorológico para o HIV e atua com a intenção de transmitir o vírus, e acaba por transmitir de fato.?

O documento foi criado devido à crescente incidência de processos mundo afora. Há registro de casos em muitos países: EUA, Canadá, Inglaterra, Suécia, Tailândia, Finlândia e Eslováquia.

Cantora condenada

Na Alemanha, a cantora pop Nadja Benaissa, de 28 anos, foi condenada a dois anos de prisão por lesão corporal e tentativa de lesão corporal após transmitir o vírus HIV a um parceiro sexual.

A jovem admitiu ter omitido sua condição a três amantes, com os quais manteve relações sexuais sem proteção. Sua pena foi aplicada com sursis, ou seja, ela ficará apenas em observação para que não cometa novamente o delito.

Barbosa, do Ministério da Saúde, pondera que muita coisa mudou nos últimos 30 anos, desde que a doença foi descoberta. ?O cenário é outro. Com os atuais tratamentos, até o risco de transmissão reduziu?, aponta.

Acusações de tentativa de homicídio e de lesão corporal, embora cabíveis pela Justiça, seriam inadequadas, na opinião do especialista. ?Já nos manifestamos contrários à criminalização inclusive para o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)?, afirma.

Quanto ao caso do acusado de infectar as ex-namoradas no interior de São Paulo, Barbosa acredita que ele tenha alguma responsabilidade, apesar da falta de consciência dos riscos. ?Que ele tem culpa, tem. Mas resta saber ao certo qual culpa é essa?, avalia.

Agência Brasil

Pesquisa mostra ainda que, nesta fase, sexo feminino é mais vulnerável à hipertensão e diabetes

Estudo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) indica que 68% das mulheres chegam na menopausa com sobrepeso ou obesidade. O levantamento mostra ainda que 67% têm problemas relacionados aos sistemas vasomotores ? a contração e a dilatação dos vasos sanguíneos. A pesquisa constatou que no primeiro atendimento para tratar a menopausa, as mulheres apresentam geralmente hipertensão arterial (44,94%), diabetes (10,01%), e tabagismo (8,39%).

O estudo, um dos mais amplos já realizados no Brasil sobre o tema, revela que a média etária de ocorrência da menopausa no Brasil é de 48,1 anos. O levantamento foi feito com cerca de 6 mil mulheres, em uma investigação que durou 11 anos (entre 1983 e 2004) e foi feita no Setor de Climatério do Hospital das Clínicas.

O levantamento também mostra que a idade da mulher na época em que ocorre a menopausa tem influência significativa sobre os sintomas e as doenças que normalmente aparecem no período: 27,8% das pacientes que tiveram a menopausa entre 41 e 45 anos de idade apresentaram sintomas vasomotores acentuados, contra 18,3% entre aquelas que entraram na menopausa com idade acima de 55 anos.

A professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do estudo, Angela Maggio da Fonseca, destaca, por ocasião do Dia Mundial da Menopausa, comemorado hoje (18), que o estudo é uma forma de os médicos conhecerem a fisiologia desse período da mulher. ?E possibilita a escolha de um tratamento adequado, melhorando a qualidade de vida de todas elas?.

Segundo a professora, nesse período são necessários uma alimentação adequada e exercícios físicos, principalmente a caminhada. "E hoje nós temos os hormônios, tão criticados, mas que são excelentes. O que precisa é ter prudência e dar os hormônios a quem precisa, na dosagem certa, na quantidade e no tempo apropriado?, recomenda.

 


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