Carina Martins, iG São Paulo Foto: Getty Images "Ele começou a chegar tarde sempre, brigava por qualquer motivo, se recusava a ir a qualquer evento de família. Entre o terceiro e o quarto ano de nosso namoro, a vida foi um inferno", conta a arquiteta Júlia Barros, 31, sobre seu último relacionamento. "Sofri muito e tivemos incontáveis discussões para tentar salvar a relação. Até que me dei conta de que quem queria salvar a relação era só eu. Ele queria terminar, mas não tinha coragem. Então destruiu nosso namoro até que eu tive que tomar a iniciativa e por um fim em tudo", diz. "Não bastou perder o namorado, ainda tive que fazer todo o trabalho sujo. Achei a atitude dele tão covarde que até me ajudou a superar a perda - no fim, acho que não estava perdendo grandes coisas". 
O senso comum de que mulheres buscam um relacionamento estável de forma mais incisiva do que os homens também diz que, na hora de terminar esse relacionamento, elas também são mais diretas. "De maneira geral, as mulheres quando querem terminar um relacionamento têm mais facilidade de deixar isso bem claro para o parceiro. O homem prefere enrolar ou provocar a mulher até que ela tome a atitude por ele", afirma a psicanalista Ana Claudia Ferreira de Oliveira.
Mas o que leva alguém que não quer mais estar em um relacionamento a preferir sabotá-lo a conversar sobre o fim? "Talvez haja uma diferença porque o homem não lida bem com os seus sentimentos de dependência e tem esse papel de ser o provedor, o que cuida. Ele pode subestimar as mulheres e por razões suas considerá-las frágeis", diz o psiquiatra Márcio Pinheiro. "Eles querem sempre agradar as
mulheres na tentativa de `sairem bem na foto´ com todas, e evitarem ter que lidar com os sentimentos despertados na mulher pelo término da relação", avalia Ana Claudia.
Quem ajudou a arquiteta Júlia Barros a entender que seu namorado estava usando todas as armas - menos a conversa - para terminar o romance foi a amiga e também arquiteta Renata Mendes. "Isso já me aconteceu tanto que me considero especialista no assunto", diz. Como "expert", a amiga de Júlia diz o que os homens podem fazer de pior nessa situação: "O mais humilhante é alguém com quem você dividiu sua vida simplesmente desaparecer. Deixar de atender ligações, de te procurar. É uma grosseria e machuca muito. Mas é bem comum".
Apesar de ser doloroso e pouco respeitoso, o método de "implosão" do relacionamento adotado por muitos homens acaba dando o recado mais cedo ou mais tarde. "No fundo nós sempre
sabemos ou sentimos quando somos queridas ou desejadas, mas muitas vezes temos medo de encarar isso e tomar a atitude de romper com aquele relacionamento", diz a psicanalista Ana Cláudia. Ou seja, a parceira acaba percebendo e o relacionamento uma hora acaba. Mas o custo emocional é altíssimo. A falta de clareza e honestidade nos relacionamentos pode comprometer também a parte boa. "Quem está sendo rejeitado sempre sabe. O perigo é a pessoa por razões pessoais se sentir rejeitada quando isso não está acontecendo. Ou pior: provocar a rejeição", afirma o psiquiatra Márcio Pinheiro.
A hora de terminar
Reconhecer o momento em que um namorou ou casamento não funciona mais para algum dos parceiros não é tarefa simples nem indolor. "Nós temos esse defeito de fabricação: não lidamos bem com a separação. Aliás, é mais do que isso: temos horror a ela", diz Márcio. Na prática, é preciso um exercício de comunicação. Para Ana Cláudia, "depende do quanto cada um dos parceiros quer fazer aquele
relacionamento funcionar. Se só um quer e está trabalhando sozinho pra isso, vai nadar e vai morrer na praia. É preciso que os dois parceiros encarem a crise e sejam muito claros um com o outro com relação ao desejo de continuar e os esforços e atitudes que vão tomar para efetivamente enfrentarem juntos essa crise". Se não for assim, é hora de encarar a separação. E um aviso aos que tentam fugir dela para "preservar" a parceira: de qualquer maneira, vai doer.
"Separações sempre doem. Até quando não amamos mais o parceiro, porque há muitas perdas envolvidas, além da enorme dor narcísica de encarar que fracassamos naquela tentativa de relacionamento", afirma Ana Cláudia. Márcio Pinheiro faz coro: "Não tem jeito. Quem quiser encontrar o amor, vai ter de sofrer, vai ter de chorar. Quem é capaz de sofrer é tambem capaz de sentir alegria. A gente bebe essas coisas no mesmo copo. Separação dói e não adianta sair por si negando a dor e se relacionando com Deus e todo o mundo na esperança de não sofrer. O melhor é passar pelo luto, sentir tudo que tem direito e depois perceber que milagrosamente começarão a aparecer interesses em outras pessoas. Ou seja: você sobreviveu".
28/10/2010 02:47 PM
Carina Martins, iG São Paulo Quando os esforços mais bem-sucedidos até agora no controverso caminho da criação de um medicamento que ficou conhecido como ?viagra feminino? foram abandonados no início deste mês pela farmacêutica que apostava em sua aprovação, não foram poucos os que comemoraram. Leonore Tiefer, professora da New York University que liderou o movimento contra a nova pílula, por exemplo, escreveu ao jornal ?The New York Times? celebrando o que considera uma vitória contra uma ?farsa de mais de uma década?. Mas além das questões práticas a respeito da aprovação do medicamento ? entre elas, as provas de que a pílula estudada pela Boehringer realmente conseguiria aumentar o desejo, e de que os efeitos colaterais valeriam a pena, por exemplo ? existe entre detratores, incentivadores e simples observadores um debate mais profundo a respeito do comportamento sexual feminino: há 50 anos, uma pílula mudou tudo. Mas quanto um novo comprimido realmente faria diferença quando se fala de desejo? Um dos poucos consensos entre os que apostam na pílula e os que não podem ouvir falar dela é a preocupação com o risco de que a ideia de que a sexualidade feminina é muito mais complexa e misteriosa que a do homem volte a ser corrente. Para muitos, essa visão não tem necessariamente um respaldo real e pode atrapalhar mulheres e casais a se entenderem melhor, reforçando tabus. ?A sexualidade, feminina ou masculina, não pode ser padronizada e normatizada. É complexa para os dois. Mas isso não significa que deva ser complicado para homens ou mulheres exercerem sua sexualidade e se conhecerem?, diz a psiquiatra Ana Paula Martinez. ?A dificuldade enfrentada pela indústria no lançamento desta pílula, comparada à aparente simplicidade dos facilitadores de ereção, pode sim reforçar a ideia de que o sexo feminino é um mistério, e isso não ajuda ninguém?. ?Não se trata de ser a fisiologia feminina mais complexa. Trata-se de serem problemas diferentes em fisiologias e anatomia diferentes?, diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues, presidente do Instituto Paulista de Sexualidade. Ele lembra que a pílula masculina não afeta o desejo do paciente ? embora isso possa acontecer de forma secundária -, apenas age na fisiologia da ereção. O que simplesmente não se aplica às mulheres, sem implicar em nenhuma ?complicação? da parte delas. ?No caso das mulheres, não existe uma maioria com problemas de excitação, mas queixas de falta de orgasmos ou de desejo sexual?, afirma. Com ou sem pílula Na opinião de Oswaldo, ?se existir uma causa biológica, como falta de substâncias químicas, uma medicação serviria para produzir o desejo em falta?, mas isso não se aplicaria às mulheres que sofrem com a falta de orgasmo, por exemplo, ou que buscam no sexo outras finalidades além do sexo em sim, como intimidade, por exemplo. De qualquer forma, no centro da questão o que continua é a identidade sexual feminina. Para o presidente do Instituto Paulista de Sexualidade, a maior fonte de problemas desta área para as mulheres hoje está exatamente em ?compreenderem-se sexuais?. "Eu diria que um medicamento que tivesse efeito real sobre a sexualidade da mulher equivaleria à pílula contraceptiva. Mas a mulher que não se percebe, não se identifica com sexo, não tomará este medicamento que venha a ser colocado no mercado. Diferente dos homens, que mesmo sem desejo sexual tentavam o medicamento, pois capacitar-se para sexo é sentido como parte da identidade masculina?, diz. "A mulher precisa ter uma visão de mundo que coloque o sexo, suas expressões e variações como prioridade em suas vidas. As pesquisas das últimas décadas mostram que elas preferem comprar um carro, viajar ou comprar um sapato novo a fazer sexo... Sem prioridade não se desenvolve o desejo por sexo, nem os comportamentos sexuais?.
24/10/2010 09:57 AM
Verônica Mambrini, iG São Paulo Foto: Getty Images Se tem gente que duvida do amor à primeira vista, o que dizer da relação que nasce a partir de um encontro às escuras? Apesar de improvável, a tática de juntar pessoas parecidas funciona tanto para mortais como para ícones. Em 2006, Gisele Bündchen conheceu o jogador de futebol americano Tom Brady por indicação de um amigo. Ele achava que os dois tinham muita coisa em comum. ?Esse amigo estava certo?, disse a modelo à edição de outubro da revista Vogue Brasil. Gisele e Tom se casaram e já curtem o primeiro filho, Benjamin, que em dezembro fará um ano. Mensagem para você Algum tempo depois, e por insistência da amiga-cupido, ele finalmente criou coragem e ligou para Lunna, mas não a chamou para sair. Marco confessa que não foi só a diferença de idade que atrasou o encontro dos dois. ?No começo de 2002, eu ainda estava casado, e esperei a separação?, diz o engenheiro e artesão. Amigos em comum armaram então um encontro numa cantina italiana. No fim do almoço, todos tiveram compromissos "simultâneos e imediatos", e foram embora praticamente ao mesmo tempo, deixando os dois sozinhos. ?Bem naturalmente, sabe??, conta Lunna, às gargalhadas. Quando conheceu a companheira, Marco diz que a primeira coisa que reparou foi no shortinho dela. ?Passei uma semana com torcicolo?, brinca. Lunna responde: ?Sabe quando você olha para uma pessoa e pensa ?é ele!???. Pela química das risadas com que os dois relembram a história, a amiga fez em bem em apostar no casal. Ela não queria Foram três anos tentando apresentar os dois, e nunca dava certo. A cada evento, de festinhas de aniversário a reuniões no bar, um dos dois não aparecia. Até que Camila chamou Simone e mais duas amigas para um show dos Paralamas do Sucesso. Sem saber, o namorado de Camila chamou Daniel e mais dois amigos para o mesmo programa. E dessa vez, finalmente, eles se encontraram. Daniel Vilela se apaixonou imediatamente por Simone. ?Quando eu o vi, não me interessei?, confessa ela. Mas ele não se intimidou e roubou o primeiro beijo. Simone se irritava a cada minuto com o grude. ?Para completar minha insatisfação, ele beliscou o meu bumbum. Fiquei furiosa. Ele insiste até hoje em dizer que foi isso que selou a nossa união?, conta. Foram semanas de Daniel ligando, com o apoio oculto do casal de amigos em comum, e Simone saindo com ele, não muito empolgada. Depois de tomar um cano da moça, Daniel ficou chateado e mandou um e-mail, avisando que estava de viagem marcada para a Europa e que passaria algum tempo fora. Simone se arrependeu do sumiço e escreveu pedindo desculpas. ?Minha mãe disse que eu poderia estar perdendo a chance da minha vida.? Foi o chacoalhão que ela precisava. Simone acabou levando Daniel para o aeroporto e, na volta da viagem, já estavam namorando. ?Achei que ele ia me esquecer. Mas que nada! Passou o mês inteiro me escrevendo?, lembra. Três anos depois, casaram. Agora curtem a filha, de um ano e meio. ?É a cara dele?, Simone derrete-se. ?Ele é meu número, a Camila estava certa.? Os dois casais continuam saindo juntos ? o namoro de Camila com Rodrigo, o amigo de infância de Daniel, também virou casamento. ?Eu tenho uma dívida eterna com ela?, diz Simone sobre a amiga. Cupido atrapalhado Luciano Del Santo, 36 anos, passou quase uma hora no bar combinado esperando por Gabriela, que aliás, já tinha chegado ao local, mas esperava por Henrique, que promoveria a apresentação. ?Eu estava esperando há quase uma hora, e liguei para o Henrique?. O amigo estava muito atrasado e tentou resolver tudo por telefone mesmo. Deu certo. Luciano se armou de cara de pau e foi atrás. ?Me apresentei para ela, que ficou roxa de vergonha. Pegamos uma mesinha, ficamos conversando?, diz. Quando Henrique chegou, eles brincaram que não precisava mais, que o amigo podia voltar para casa. ?Achei ela bonita e me interessei. Ela era exatamente como ele tinha falado?, diz Luciano, confirmando o poder de um cupido talentoso. O primeiro encontro foi numa quarta-feira; o segundo, na sexta-feira seguinte. ?Depois desse dia, não nos desgrudamos mais?. Em 2006, dois anos após o primeiro encontro, Luciano e Gabriela se casaram, e perdoaram Henrique pelo atraso no barzinho.
Há sete anos, a escritora Lunna Guedes, 29 anos, trabalhava na organização de eventos beneficentes, e uma amiga, também voluntária, vivia insistindo para que ela conhecesse Marco Antônio. No primeiro encontro, durante um evento, uma surpresa: ?Quando ela nos apresentou, começamos a conversar e descobrimos que já nos conhecíamos?, diverte-se Lunna, que costumava trocar e-mails com Marco sobre os eventos, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente. O namoro, no entanto, demorou a engatar. Marco Antônio, 65 anos, achou a pretendente muito nova.
A analista de produção Simone Rosa Fior Vilela, 36 anos, já ouvia falar de Daniel há tempos, por meio de uma colega de trabalho, Camila de Oliveira. Daniel é amigo de infância de Rodrigo, na época namorado de Camila, que cismou de transformar os amigos em casal.
Se Henrique tinha certeza que Luciano e Gabriela dariam um belo casal, ele quase conseguiu fazer com que os dois não se conhecessem nunca. Depois de meses pilhando o encontro, Gabriela, que trabalhava com Henrique, topou o blind date.
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20/10/2010 04:02 PM
Carina Martins, iG São Paulo Depois do primeiro encontro oficial com Eduardo, seu atual namorado, a publicitária Maria Clara Oliveira demorou uma semana para conseguir vê-lo de novo. Mas, quando isso aconteceu, a sensação foi mais de matar a saudade do que de conhecer melhor o pretendente. "No primeiro encontro, trocamos MSN. A gente ainda não sabia quando ia conseguir se ver de novo, mas passamos horas batendo papo pela internet todos os dias. Além de ficar sabendo de todas as histórias de infância, família, escola e das ex-namoradas, ficamos de chameguinho mesmo. Sempre desligava com o maior sorriso no rosto", diz. "Quando finalmente o vi de novo, parecia que a gente se conhecia há meses". Perfis em redes sociais, comunicadores instantâneos, mensagens de texto para celulares e demais ferramentas de comunicação estão mudando o ritmo dos relacionamentos: o que se levaria três encontros para conversar, agora entra em pauta depois de algumas horas. Horas de bate-papos virtuais podem equivaler a encontros reais na construção do afeto e da intimidade de um casal? "Dependendo da qualidade, sem a menor dúvida", diz a psicóloga Luciana Nunes. "A onipresença é o que mais conta. Antes, o próximo encontro acontecia no máximo no dia seguinte. Hoje, com mensagem de texto, twitter, etc, essas 24 horas que seriam intervalo entre um encontro e outro podem ser preenchidas com presença e proximidade". A também psicóloga Alessandra Menezes acredita que não se trata de substituir uma coisa pela outra. Mas de abrir um novo canal. "A vida corrida e agitada pode atrapalhar o sujeito de se em encontrar com aquela pessoa amada. Dessa forma utiliza-se a internet para mandar aquele recadinho ou fazer um bate-papo", afirma. "A comunicação online facilita para trocar informações práticas e também pra dizer lindas palavras, o que às vezes o amado se engasga pra dizer pessoalmente, principalmente para os tímidos". A ideia de que o namorinho através da tela está fadado à superficialidade não encontra eco na experiência de Maria Clara Oliveira, cujo namoro já dura três anos. "O afeto que criamos naqueles primeiros meses veio muito mais rápido do que em outras relações que tive, mas não senti nenhum prejuízo de qualidade não", conta. Para a psicóloga Luciana Nunes, não há nada que impeça que a intimidade e o afeto construídos online sejam verdadeiros e sólidos. "Por causa das próprias ferramentas da internet, existe esse movimento de auto-revelação. As pessoas tendem a falar mais de si, a criar uma proximidade. Isso cria um pacto emocional, uma cumplicidade, que gera necessariamente uma troca afetica. Na hora em que isso bate, cola, você cria uma intimidade. Não é uma falsa intimidade". Mentira Limites
Mas como criar intimidade diante da insegurança de ser vítima de mentiras na rede? "Mentira existe em todo lugar. Na internet ela ocorre de maneira diferente, pois além de poder mentir sobre a idade, também se pode falar que é de outro sexo, outra cidade, outro país, enfim, pode-se criar uma realidade virtual totalmente diferente da vivenciada", diz Alessandra Menezes. Luciana Nunes complementa: "Isso acontece quando o desejo da pessoa é apenas utilizar a internet como meio de satisfazer um desejo pessoal de viver outras realidades. Não adianta mentir quando sua vontade é encontrar alguém". Neste caso, a mesa do barzinho e a janela do MSN empatam.
"Não é que tenha só prejuízos, muito pelo contrário", diz Luciana Nunes a respeito do aceleramento amoroso promovido pelas ferramentas de internet. "Mas existem etapas que não podem ser queimadas". A psicóloga refere-se especialmente ao sexo, que graças à internet pode ser experimentado mesmo pulando o progresso natural do toque. Se nas demais áreas a internet traz tantas vantagens para os apaixonados que abre um caminho para a cosntrução acelerada do afeto, é na falta do toque que ela emperra, na opinião das duas psicólogas. "O desejo sempre vai ser de se encontrar de verdade", define Luciana.
15/10/2010 05:41 PM
Redação Delas De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pela Universidade de Alberta, no Canadá, e publicada na revista médica Jornal Europeu de Contracepção e Saúde Reprodutiva, a postura das pessoas com relação ao sexo oral está mudando, e isso pode ser notado na faixa mais jovem da população. A pesquisadora Brea Malacad, autora do estudo, acredita que além de ter sido incluído de forma mais generalizada no repertório sexual feminino, a forma como ele é visto mudou também. A modalidade passou de obrigação para agradar ao parceiro e uma prática pouco prazerosa a uma escolha feminina. ?Com mais consciência da própria sexualidade, a mulher deixa de achar sexo oral nojento, entre outros preconceitos?, afirma a psicóloga Tatiana Presser, especializada em sexo e educação sexual. Para Presser, é como se a mulher estivesse ?descobrindo? a existência do pênis. ?Com mais conscientização sobre a sua sexualidade, a mulher passa a encarar o sexo como um direito ao prazer. Isso inclui o ?amor pelo pênis??, afirma. Falta de proteção Leia mais:
Participaram da pesquisa canadense 181 mulheres entre 18 e 25 anos. ?No meu estudo, todas as mulheres que haviam tido relações sexuais também fizeram sexo oral?, diz Malacad. Entre os dados coletados, uma curiosidade: metade das participantes respondeu que via sexo oral como algo menos íntimo do que penetração. Para 41%, no entanto, a prática é tão íntima quanto. Os 9% restantes classificaram o sexo oral como ?mais íntimo do que penetração?.
A resposta emocional ao sexo oral foi outro ponto surpreendente da pesquisa. ?Tanto a penetração quanto sexo oral foram associados com emoções mais positivas de modo geral, o que sugere que a maior parte das jovens mulheres estão praticando porque realmente gostam?, disse Malacad à publicação europeia. Cerca de 30% das participantes relataram que a felação as fez se sentirem poderosas. ?Aparentemente algumas mulheres acreditam que seja um ato que dá poder?, completou.
A má notícia veio sobre a desinformação sobre os riscos do sexo oral desprotegido. A ausência de preservativos durante o sexo oral foi constatada entre 82% das adolescentes. Contudo, apenas 7% abriram mão dele durante a penetração. ?É como se não passasse pela cabeça delas se proteger ao fazer sexo oral?, diz Malacad, que é professora de educação sexual na Faculdade de Educação da Universidade de Alberta. ?O risco de pegar uma doença é menor do que no sexo vaginal ou anal, mas existe?, diz Presser. ?A mulher, para não ser a vilã da história, fica desconfortável ao pedir o sexo oral com camisinha?, afirma. De quebra, na penetração, há a justificativa de pedir ao parceiro que use camisinha para como método anticoncepcional.
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14/10/2010 06:58 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Guilherme Lara Campos / Fotoarena Eliana Bertipaglia fez faculdade de direito e queria ser delegada. Mas sua vida profissional tomou outro rumo e hoje, aos 43 anos, ela é sócia da Hot Flowers, fabricante brasileira de produtos eróticos. Eliana toca a empresa junto com o marido Edvaldo, que foi quem teve a ideia de entrar nesse segmento. O casal já trabalhava fornecendo cosméticos e itens de higiene para hotéis e motéis. Ao conhecer melhor os estabelecimentos, Edvaldo notou que os produtos eróticos que eram oferecidos aos clientes não tinham qualidade ou variedade. Chegou em casa então com uma nova ideia de negócio: ?Começamos a pensar ali na cozinha de casa?, conta Eliana. ?Ele queria aprimorar e lançar coisas novas. Dissemos rindo que teríamos que fabricar pênis porque aqui no Brasil ninguém fazia?. Em 2006 o casal começou a comercializar seu catálogo de nove produtos, entre lubrificantes e próteses penianas - feitas em PVC sob encomenda em uma fábrica de bonecas. De seis funcionários hoje saltaram para uma equipe de 150 e trabalham com mais de 800 produtos de fabricação própria. ?Ele adora inventar produtos, pensa em coisas engraçadas, dá nomes?, diz Eliana sobre o marido. A empresa da família cresceu e hoje até o filho de 19 anos trabalha na administração dos negócios. Há dez ano a publicitária Paula Aguiar, 43, dava aulas de informática e trabalhava com servidores de internet. Nessa época foi procurada por um casal que queria consultoria para abrir uma loja virtual de produtos eróticos ? o que ela negou imediatamente. ?Ele chegou na reunião com uma sacola cheia de pênis. Eu disse que aquele era um lugar de família, pedi pra ele guardar. Tive aquele preconceito imediato?, conta. Mulheres no comércio A estratégia da venda por catálogo porta a porta, mais popular no segmento de cosméticos e maquiagem, foi uma das formas pelas quais o produto erótico chegou aos lares das mulheres brasileiras que não se aventuravam nos sex shops. Essa comercialização direta cresceu e se profissionalizou, segundo a presidente da Abeme. Representante de marcas como Avon e Natura, Kelly Correa foi incentivada por Paula a incluir em suas vendas alguns itens eróticos mais discretos, como espuma de banho e gel. ?Na cabeça das mulheres brasileiras, uma calcinha fio dental já é erótico?, diz a consultora de mercado. Atualmente Kelly conta com um grupo de revendedoras treinadas e seu próprio catálogo de produtos. Mulheres se destacam no consumo Paula Aguiar diz que metade das clientes de lojas eróticas possuem vibradores, mas reclama da imagem associada a consumidora. ?Abomino quando dizem que quem tem vibrador não precisa de homem. Não é consolo, não tá consolando ninguém?, defende. ?Isso tira a mulher brasileira do mercado, porque muitas compram acessórios para o casal. A brasileira não tem orgasmo tão egoísta como a americana?, avalia.
Uma década depois ela acaba de assumir a presidência da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (ABEME). Depois de acabar aceitando a proposta de trabalho com a loja virtual, chegou a desenvolver uma linha própria de produtos para venda por catálogo e hoje é consultora do mercado erótico. ?As pessoas acham um barato. Querem saber sobre os produtos, se funcionam?, diz ela sobre a reação das pessoas quanto a sua escolha profissional.
?Acho primordial que a vendedora de produto erótico seja mulher. Tem mais sensibilidade, respeito?, avalia Paula. Eliana também acredita que o bom atendimento ajuda as clientes a conhecer melhor a oferta de produtos e saber como usá-los. ?Já tinha ido a sex shop antes. Chegamos lá e os vendedores tinham vergonha, não sabiam explicar como usar as coisas. Com nossa loja resolvemos fazer diferente?, explica ela.
Além de estarem nos bastidores das empresas do mercado erótico, as mulheres já são uma parcela importante entre consumidores desses produtos. Segundo levantamento da Abeme, em 2004 elas representavam 31% dos clientes de lojas eróticas virtuais. Em 2009 esse numero subiu para 42%. A preferência na compra são cosméticos íntimos, lingeries e vibradores. ?Agora existem mais produtos voltados pra eles também?, diz Paula, que aponta também uma melhora nas embalagens, que são mais atrativas. ?O comportamento de compra do homem é muito diferente quando ele está com a mulher. Se entra um casal na loja ela escolhe e ele fica na retaguarda?, diz Eliana.
09/10/2010 05:51 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Getty Images A família unida tomando café da manhã em dia de sol é o ícone da felicidade conjugal. Assim como casais de Hollywood ou pares românticos de filmes, a cena da propaganda de margarina é a referência de relacionamento no imaginário de mulheres e homens. Mas ficar apegado a um ideal de vida a dois tende a deixar os casais mais frustrados do que satisfeitos com o casamento ou namoro. A felicidade no dia a dia pode não ser intensa e perfeita, mas isso não quer dizer que o relacionamento está em crise. Simplesmente mostra que o casamento é humano e normal. ?Não dá para querer ser como a amiga ou como na novela porque às vezes isso não coincide com a sua realidade, com os projetos que consegue ou não desenvolver?, avalia a psicóloga Vânia Di Yorio. Ou seja, aquela declaração de amor perfeitamente detalhada nos seus sonhos pode nunca acontecer. O que não significa que seu parceiro não te ama e não diga isso de outra maneira. Depois de namorar por quatro anos, Fausto Inomata e Nayra Michi foram morar juntos. O primeiro jantar romântico no novo apartamento foi uma lasanha congelada e refrigerante. ?Nunca tivemos a expectativa de ser um casal de comercial de margarina?, conta Fausto, arquiteto de 29 anos. O desafio da relação se tornou a convivência, que se limitava aos finais de semana. ?No namoro a realidade parcial é feliz. Antes a gente só se via em dias alegres, agora tem que lidar com o mau humor do outro também?, diz ele. ?Comercial de margarina foi só na festa do casamento mesmo. No namoro tudo era muito mais fácil: saíamos, viajávamos e depois ia cada um pra sua casa. Mas juntos todo dia a gente aprende a conviver com as situações difíceis também?, diz a arquiteta Daniella Abolin, casada há sete anos. Ela namorou o marido Wladimir Souto, analista de sistemas, por dez anos antes de formalizarem a relação e acha importante ter expectativas realistas para manter a relação. ?Casamento também é feijão com arroz. Amar não é só jantar fora, transar todo dia, ir ao cinema. É a rotina do dia a dia?, diz o psicólogo Silmar Coelho, especialista em relacionamentos. Dosando expectativas O ideal de relacionamento de cada um tem origem na família. As pessoas imaginam ter uma vida conjugal igual ou diferente dos pais, de acordo com a impressão que tiverem desse modelo inicial. ?Além disso há os valores sociais, religião e cultura que trazem elementos para esse casal imaginário que quem bota a prova são pessoas reais?, diz Vânia. Segundo ela, a satisfação na relação depende de como as pessoas aprenderam a equilibrar expectativas e sentimentos. Eles são mais felizes que nós ?Todo mundo é feliz publicamente?, diz Fausto. Mas na intimidade cada casal tem seus ajustes a fazer, e a tolerância é imprescindível para uma relação duradoura. O importante é incluir na vida conjugal recursos para lidar com os momentos difíceis, porque a vida em conjunto tem frustrações. ?Somos compreensivos, aturamos. O amor não é cego. Ele vê tudo, trabalha tudo, entende tudo?, defende Silmar. Perceber que nem tudo acontece de acordo com o nosso desejo, aponta Vânia, é sinal de amadurecimento da relação, e não de seu fracasso.
Dificilmente alguém entra em um relacionamento sem um modelo. Alguma expectativa ou fantasia todo mundo tem. O importante é que esse ideal possa ser revisto e adaptado para a realidade do casal, diz Vânia. ?A perfeição não existe em nenhum relacionamento. A família perfeita é a que sabe trabalhar os problemas?, aponta Silmar.
Olhar a grama do vizinho ou um casal da TV pode não ser a melhor opção para medir o sucesso do relacionamento. ?O marido da outra é perfeito porque não vive com você?, diz Silmar.
07/10/2010 04:10 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Getty Images Os homens em geral não gostam de discutir a relação com suas companheiras. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Southern, na Califórnia (EUA), aponta que o que acontece é que eles deixam de prestar atenção no conteúdo da conversa quando percebem que o rosto da mulher está com expressão de raiva ou medo. Isso porque os cérebros femininos e masculinos se comportam de maneira diferente em situações de estresse breve, o que pode ser, além de uma briga com a parceira, uma discussão de trabalho ou familiar. No caso dos homens, a região cerebral responsável por interpretar sentimentos alheios fica com a atividade reduzida. No caso delas, o efeito é contrário. A conclusão do experimento não se aplica só aos desentendimentos de casais, mas parece confirmar a falta de habilidade dos homens nas discussões de relação. ?Homens têm menos facilidade em lidar com as emoções do que as mulheres, de forma geral, diz a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, da PUC de São Paulo.
Segundo ela, a falta de atenção ou importância que o parceiro dá para uma conversa pode ter relação com as diferenças de linguagem entre os gêneros. Ou seja, ele pode não dar a devida atenção porque não acha que há necessidade. ?Temos que levar em consideração as diferenças de gênero para nos comunicarmos melhor?, diz a psicoterapeuta.
Falamos a mesma língua?
As mulheres têm uma tendência a mostrar a raiva de forma mais velada durante os desentendimentos que os homens. ?Fazem tromba, caras e bocas, são irônicas?, explica Zylberstajn. Com isso, alguns parceiros realmente não percebem que algo está errado, visto que a forma masculina de expressão é mais direta. ?Falar de forma indireta não ajuda?, aponta a psicóloga.
Se discutir a relação é inevitável, há formas mais eficazes e menos traumáticas para dizer ao parceiro coisas que incomodam ou não estão bem resolvidas. Deixar a poeira baixar em vez de sair gritando no ouvido do marido ou namorado é a melhor maneira de tratar o problema, como recomenda a psicoterapeuta. Com um nível de tensão menor, o diálogo fluirá e ele prestará mais atenção.
Um ponto importante na comunicação é falar na primeira pessoa. ?Em vez de falar que o outro é egoísta, diga como se sente quando ele faz isso. Discutir a relação é mostrar para meu parceiro a conseqüência da atitude dele?, diz Zylberstajn, que também recomenda não deixar críticas se acumularem porque a tendência é que as pequenas coisas se juntem e virem um problema maior.
03/10/2010 12:41 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Arquivo pessoal Mara Rossi, 53 anos, casou com o melhor amigo de seu filho. Marcelo Sugiyama, 29, frequentou a casa de sua atual esposa durante muito tempo até que, em 2006, se envolveu afetivamente com ela. Amigo da família há 15 anos, ele passava muito tempo junto com Mara, e de tanta proximidade, nasceu um grande amor. ?Meu caso foge das regras, não é fácil?, diz ela, que é psicóloga. ?Meu filho não fala comigo há três anos. Ele estava na Espanha e quando voltou e viu os portarretratos e as roupas do Marcelo em casa, não aceitou?, conta. Relacionamentos entre pessoas com idades distintas não são novidade. Mas relações nas quais a mulher é mais velha que o homem acabam por chamar mais a atenção por questões culturais. ?A nossa sociedade é que julga a mulher mais velha com homem mais novo e diminui os relacionamentos. Ao longo da história isso sempre existiu, mas as mulheres não ficavam na posição de poder escolher isso?, aponta Maria Luiza Cruvinel, psicóloga e sexóloga. Nesta semana, a atriz Danielle Winits figurou no noticiário ao confirmar uma gravidez fruto do relacionamento com o ator Jonatas Faro, que é 13 anos mais novo - ela tem 36 anos e ele, 23. Enquanto isso, a trama da novela "Passione", da Rede Globo, inclui um casal polêmico com grande diferença de idade. A personagem Stela (Maitê Proença) mantém um relacionamento fora do casamento com o jovem Agnello (Daniel de Oliveira), que também já foi namorado de sua filha. Segundo Cruvinel, relacionamentos nos quais ela é mais nova são uma tendência mundial. ?Dados mostram que um terço das mulheres entre 40 e 60 anos nos Estados Unidos se relaciona com homens mais novos que elas. No Brasil é a mesma porcentagem?, diz. LEIA TAMBÉM: Porque relacionamentos com homens mais novos ainda são alvos de preconceito e dicas de como lidar com a situação Diferença nos detalhes Mas ninguém procura de fato um parceiro mais jovem, segundo a análise de Cruvinel: ?As mulheres querem mesmo ter alguém da mesma referência cultural?, diz. As mais maduras também aceitam melhor as diferenças individuais, ela aponta. ?O que me liga a ele é que a gente gosta de estar junto sempre, em qualquer situação. Temos muita afinidade e lealdade?, diz Mara. ?Eu brinquei de Pogobol, ele viu Cavaleiros do Zodíaco?, aponta Gabriela Bianco. Ela tem 33 anos, sete a mais que o marido Eric. Publicitária, ela acha seu companheiro mais maduro que ela, e diz que a diferença de idade entre os dois é sentida apenas nas pequenas coisas, como referências de infância. Por outro lado, Gabriela acha que um intervalo maior de idade dificultaria a manutenção do relacionamento. ?Ter 20 anos a mais eu já acho pesado, porque é uma geração?, diz. Faz um ano que Alessandra Felix mora com o namorado Wil. Eles se conheceram pela internet, mas gostam de brincar dizendo que foi em um supermercado. Ela tem 35 e ele 27 anos, mas garantem que não pensam sobre isso. ?Ele é centrado, organizado, determinado e eu sou uma fanfarrona. Às vezes ele age como se tivesse vinte anos a mais e eu dez a menos?, diz. O casal vai oficializar a união. Esse é o terceiro casamento de Alessandra, e o padrinho será seu segundo marido, que, por sinal, é 13 anos mais velho. A psicóloga Maria Luiza Cruvinel lembra que as escolhas afetivas são inconscientes. Para se relacionar é importante não pensar demais no futuro e, se vai dar certo ou não, só vivendo para saber.
?Ele que fala que viemos juntos, estamos juntos e voltamos juntos?, relata Mara. Para ela, o casal tem diferenças gritantes, mas nenhuma delas em função da idade. "Eu sou mais agitada para sair e dançar. Ele é mais pacatão. Sou muito organizada, ele é desorganizado demais?, explica.
01/10/2010 01:08 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Edu Cesar/Fotoarena Homens que não assumem o namoro depois de algum tempo de relacionamento são alvos comuns de críticas femininas. Na maioria dos casos, isso acontece porque não existe mesmo afinidade entre o casal ou desejo de exclusividade, por exemplo. Mas a fuga do compromisso pode indicar também um quadro de ?namorofobia?, um receio de namorar que vira obstáculo na hora de oficializar a relação. ?O máximo que eu consigo ter são semirrelacionamentos. Tenho aversão ao rótulo de namoro?, declara Carlos Henrique Lima, de 29 anos. Profissional de tecnologia da informação, ele se enquadra na definição de um ?namorofóbico?, alguém que evita o namoro a todo custo. ?Essas pessoas têm medo ou entram em pânico com a possibilidade de um vínculo amoroso?, explica o terapeuta Sergio Savian, especialista em relacionamentos, que percebe um aumento nesse tipo de comportamento. Sérgio Savian
É normal alguém não estar disposto a namorar, desde que isso não seja um padrão repetitivo. O ?namorofóbico? se destaca porque nunca se sente confortável nos envolvimentos, independentemente da parceira ou momento de vida. ?Tem gente que ama, tem atração, mas tem problemas com compromisso?, explica Ailton Amélio, psicólogo e autor do livro Relacionamento Amoroso (Editora Publifolha). Segundo ele, isso ficou mais comum e é somado a um fenômeno social. ?Muitos têm fobia a compromissos, casar, namorar. Mas os vínculos hoje estão mais superficiais de forma geral?, avalia.
O sentimento não é exclusivo dos homens. Apesar das mulheres expressarem mais o desejo de compromisso, a ?namorofobia? é cada vez mais unissex e resultado de uma necessidade de liberdade e autoafirmação, de acordo com a análise de Savian. ?A reclamação feminina é mais comum porque muitos homens se aproximam escondendo intenções só sexuais?, diz Ailton Amélio.
Carlos Henrique namorou pela última vez há dois anos e meio. O envolvimento durou apenas três meses e foi motivo de arrependimento. Só por falar que é namoro já fico achando que estou sob uma pressão maior?, explica. Uma pessoa com receio de namoro até pode se envolver na relação, mas vive em conflito e não consegue relaxar.
O bloqueio para namorar acontece em função de um relacionamento anterior que não deu certo, por vivência na infância ou até temperamento. ?Uma criança que presencia um relacionamento conturbado dos seus pais, por exemplo, pode concluir e decidir que nunca irá passar por isso?, diz Savian. Para Amélio, as pessoas assimilam o mesmo estilo de apego de quem cuidou delas na infância. ?Quando quem tomava conta da criança não era rápido para confortar, aliviar medos ou não era próximo, ela desenvolve um tipo de apego evitativo?, diz o psicólogo.
Como reconhecer um ?namorofóbico?
Não existe um comportamento padrão. Como as pessoas evitam relacionamentos por diferentes motivos, as manifestações também são variadas. ?Ele pode ser reservado, perfeccionista ou que não dá espaço para a intimidade. Pode ser sedutor, com uma vida sexual intensa e com pessoas diferentes, ou ainda aquele que afasta todos que o desejam?, aponta Savian.
Não fazer planos, não apresentar a família ou amigos próximos também são sinais de que a pessoa não está aberta para um envolvimento ? seja por motivos práticos ou psicológicos.
Terapia ou adaptação
Contornar a fobia de namoro ou até mesmo casamento pode exigir terapia, mas em alguns casos é difícil reverter totalmente o padrão de comportamento, segundo Ailton. ?Existem os namorofóbicos convictos que já assumiram que não desejam um relacionamento. Outros dizem querer alguém, mas na prática não têm paciência nem habilidade para desenvolver uma relação?, avalia Savian.
Carlos Henrique diz que perdeu mulheres interessantes em função da sua restrição. ?É duro. São pessoas que seriam uma ótima companhia, que gostavam de mim, mas que não deu certo porque queriam namorar?, diz ele, que ainda pretende encontrar uma companheira mais flexível e garante que já teve ótimas relações informais: ?o que importa é o sentimento, o respeito. O amor não aumenta com o namoro?, diz.
www.sergiosavian.com.br
Ailton Amélio
(11) 3021-5833
29/09/2010 11:49 AM
Verônica Mambrini, iG São Paulo Foto: Arquivo pessoal ?Ninguém nasce mulher, aprende-se a ser.? A máxima da filósofa francesa Simone de Beauvoir não serve apenas para as que nasceram biologicamente mulheres. Muitos homens, ao longo da vida, vão ter necessidade de expressar uma identidade feminina que se manifesta sobretudo na aparência. Desde pequeno, nas primeiras lembranças da infância, Geraldo sabia que parte de sua personalidade era mulher. ?Fui educado para ser um heroi masculino e nunca me adequei. É muito difícil para um homem aceitar que não se enquadra nas tradições e no que se espera dele?, afirma. Hoje, a identidade feminina de Geraldo, 58 anos, é Letícia Lanz. ?Não sou homem nem mulher. É uma questão de expressão.? Letícia, que atende também por Geraldo, é casada há 35 anos com uma mulher que detesta maquiagem. Alterna as identidades, conforme a necessidade de expressão que está sentindo, e abomina o abismo que existe entre os gêneros. É preciso deixar clara a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual. Identidade de gênero é o sentir-se homem ou mulher; nada ter a ver com a orientação sexual. No caso, Geraldo-Letícia tem um corpo biologicamente masculino e é heterossexual. ?Encontrei essa mulher fantástica. Ter achado uma pessoa assim me deu possibilidade de expressar de maneira diferente?, conta. A mulher de Letícia, A. D., tem 58 anos e é psicóloga. Conta que, quando o marido teve uma crise e saiu de casa, há seis anos, ela achou que ele estava com outra, até que conversaram. ?Meu marido não tem outra, ele é a outra. Fiquei tranqüila?, diz, com bom humor. Foram necessárias muitas conversas e leitura de artigos e livros para que A. entendesse melhor o parceiro. Letícia começou a se travestir em casa e ir aos encontros do clube de crossdressers, acompanhada pela mulher. ?É divertido, mas não é fácil?, admite A. A grande preocupação era, como a da maior parte das mulheres de crossdressers, em como o travestismo viria a público. Na época em que Letícia assumiu a identidade feminina, os três filhos do casal tinham 16, 13 e 11 anos. Na base do diálogo, aceitaram a expressão do pai. ?Não negocio mais com meu desejo. O dia que eu preciso me expressar, me expresso?, afirma Letícia. O ambiente de respeito e confiança foi estabelecido com muita conversa e empatia. ?Tem dia que me incomodo na intimidade, tem dia que não. Não é algo que eu sempre estou a fim. Mas procuro não interferir?, diz A. Nos encontros do clube, A. muitas vezes era a única esposa presente, ainda que outros crossdressers levassem amigas. E ela é feliz? ?Nesse tempo todo que a gente está junto, eu faria tudo de novo?, garante, e afirma que prefere a abertura e honestidade que tem na relação com o marido a um casamento sem essa transparência. A internet foi fundamental para que muitos crossdressers e travestis tivessem mais informação sobre a necessidade interior de se vestir com roupas femininas, e passassem a compreender melhor o conceito de identidade de gênero. ?Quando está travestido, o crossdresser é uma identidade feminina, mesclada com identidade masculina, que fica como pano de fundo da personalidade. Porque ele precisa manter e aceitar seu genital?, afirma Ronaldo Pamplona, autor do livro Os Onze Sexos. ?A maioria dos crossdressers conta para a mulher depois de um bom tempo de relacionamento. Algumas mulheres por um período acham que o marido é bissexual. Mas com orientação correta, os dois têm claro que o assunto é outro, e que isso não vai desaparecer com psicoterapia?, afirma. Segundo Pamplona, embora haja casos em que o casal se separa, muitas mulheres, com cabeça mais aberta, acabam aceitando. Aprender a ser mulher Ao estudar o crossdressing, a doutora em antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Anna Paula Vencato, defendeu em 2009 a tese ?Existimos pelo prazer de ser mulher: uma análise do Brazilian Crossdresser Club?. Em seu trabalho, ela defende que ?o crossdressing é uma montagem feita para momentos específicos e não para 24 horas por dia, 7 dias por semana?. Segundo Vencato, a maior parte das esposas aceita desde que os maridos não tornem o crossdressing público para familiares, filhos e amigos, ou façam modificações corporais como as induzidas por hormônios femininos. Em sua pesquisa, ela detectou que as relações com família e trabalho tendem a ser protegidas do conhecimento do crossdressing, em especial com relação aos filhos. ?O medo de perdas sociais e econômicas está sempre implicado no contar ou não que se montam?, afirma. O fato é que o crossdresser é a mesma pessoa que era antes de tornar público o fato. Histórias como a de Letícia e de A. comprovam que fora do armário, a vida pode ser mais feliz e tranquila. 
Quando entende e aceita os aspectos femininos da sua identidade, o crossdresser em geral busca apoio para construí-la. ?O eixo principal é a informação ? ter alguém que consiga entender o que é o fenômeno?, afirma Pamplona. O crossdresser tem uma mulher dentro que nunca apareceu, que não foi menina, não foi adolescente. Ao acessar informações na internet e em grupos, ela ganha espaço social e vai se tornando cada vez mais feminina. Foi o que fez o cartunista Laerte Coutinho, que se vestiu de mulher pela primeira vez em 2009. A travestilidade veio com reflexões e descobertas decorrentes de uma crise pessoal. ?Faz parte do processo de busca. Também corresponde - assim como modos de desenhar e produzir histórias - a antigos movimentos meus, de quando era criança ou adolescente?, afirma ao relacionar o crossdressing a uma inquietação de gênero. ?Às vezes uso um elemento ou outro, às vezes me maquio, às vezes uso peitos. Varia muito, segundo o dia, a hora, o momento, o humor?. Para a namorada e os filhos, o processo de contar e familiarizar-se tem sido tranquilo, fora um ou outro momento de tensão ou estranhamento.
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26/09/2010 08:00 AM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Getty Images O início de um namoro é gostoso, cheio de paixão e vontade de ficar junto. No processo de se conhecer melhor o casal que está em um relacionamento recente também lida com inseguranças na forma de agir para mostrar interesse e atenção sem invadir o espaço alheio ou forçar a barra. Etiqueta no novo namoro é importante para evitar gafes que incomodam o parceiro, desde telefonemas em excesso até uma mala com calcinhas e secador de cabelo deixada na casa do par. ?A medida do que pode ou não, da receptividade, vem do outro. Mas quando estamos apaixonados não enxergamos bem os sinais?, explica a consultora de etiqueta Célia Leão, autora do livro ?A Etiqueta da Sedução? (Editora STS). Se algumas pessoas oferecem logo de cara uma gaveta para a namorada guardar itens pessoais, os mais reservados podem ficar tensos ao encontrar o xampu e condicionador dela no chuveiro depois de apenas duas semanas de namoro. ?Não imponha coisas na casa do outro. Quando eles querem, abrem a porta para você?, recomenda a consultora de etiqueta. Segundo Marina Vasconcellos, terapeuta de casais, o limite da intimidade no começo da relação tem a ver com o histórico de cada um e a disponibilidade emocional para levar o namoro adiante. Para Célia, é importante não ter pressa: ?Seja cada vez mais presente na medida em que a relação for crescendo?, diz. Encontrar o equilíbrio entre a intimidade natural e a atenção em excesso será um dos grandes aprendizados do relacionamento. ?É importante conversar sobre o assunto com leveza e deixar claro quando algo incomoda?, sugere Marina Respeito ao espaço alheio ?Tive uma namorada que grudou. Já no terceiro mês parecíamos casados: ela passava todo dia comigo e me sentia mal de falar para ela se tocar e voltar para a casa dela?, conta George Brummer, publicitário. De acordo com a consultora de etiqueta, até receber o convite do parceiro para levar coisas suas, o ideal é carregar uma bolsa com itens necessários como escova de dente e desodorante. E nada de deixar roupa e escova de dente na casa dele sem prévio aviso. Telefone, internet, sinal de fumaça A medida está na reação do outro, segundo especialistas. ?Você percebe se ele está retribuindo ou se fica aflito, monossilábico?, diz Célia, que defende telefonemas mais espaçados no início da relação. Na internet, divulgar em excesso o novo status social também pode ser origem de desconforto para uma das partes e assustar. ?Tem gente que está querendo por no Jornal Nacional que está namorando? critica Marina. É preciso bom senso ao postar no Orkut ou Facebook que está envolvida com alguém. ?As redes sociais são uma invasão muito grande. Tem que checar se o parceiro está pronto para assumir perante o mundo, amigos, família e até uma ex-namorada que está em outro relacionamento?, diz Célia. Apresentações Nem todo almoço de família precisa da presença do namorado e o convite, segundo Célia, pode ser aberto a desistências, deixando o outro a vontade para pular o compromisso. ?Ir num casamento da família e já levar a pessoa para conhecer todo mundo, ficar no álbum de fotos, é demais. Se não for alguém que encara na boa já vai se considerar amarrado e comprometido?, diz Marina. Ser espaçoso: A casa do outro, por mais que vocês se gostem, não é sua. Pedir licença e ?por favor? são sinais de educação, assim como respeitar as regras, costumes e organização do outro. ?Na intimidade é que a gente treina delicadeza. Não precisa chegar abrindo a geladeira e pegando o suco. Só diga que está com sede e espere que alguém ofereça e dê autorização para mexer nas coisas?, recomenda Célia. Ser controlador: Deixar o parceiro ter atividades individuais é fundamental. O futebol semanal ou o encontro com as amigas faz bem ao casal e brigas para saber onde o outro está minam a relação logo no início. ?Mandou uma mensagem de texto enquanto ele está ocupado? Diga que não precisa responder agora?, aponta a consultora de etiqueta.
A casa do outro é um território que exige cuidado. Passar dias lá ou deixar pertences pessoais pode ser precipitado e causar desconforto. ?Se a pessoa acampa e nunca mais vai embora você perde a liberdade, cansa?, avalia Célia.
Outro ponto de discórdia é o telefone, ou ainda os comunicadores instantâneos na internet. É possível que falar várias vezes ao dia com o par desgaste a relação. Já o namorado que liga pouco pode gerar tensão. ?A dúvida é sempre se você está falando e ligando demais ou de menos?, avalia Juliana D? Alcântara, gerente comercial de 33 anos, que namora há sete meses Fábio Almeida. Ele também tomou cuidado com a comunicação no início: ?Para não ser invasivo tentei não ligar demais nem demonstrar ciúme logo de cara?, conta.
Principalmente quando umas das partes mora com os pais é inevitável que os namorados conheçam a família do outro. Mas a etiqueta não se trata de apresentar os parentes e sim o formato no qual isso é feito: não há pressa em mostrar todos os primos, avós e tios para o outro logo no começo da relação.
Pecados da etiqueta do amor:
Xeretar: ?Olhar toda hora o perfil nas redes sociais do parceiro, tentar abrir a conta de e-mail dele ou olhar as ligações feitas no celular. A intromissão é a bandeira da falta de confiança?, aponta Marina.
Confundir intimidade com relaxo: Ficar muito próxima de alguém não dá liberdade para fazer de tudo, deixar de se cuidar ou acabar com o mistério. ?Banheiro de porta fechada, por favor!?, é a dica mais que clara de Célia Leão.
24/09/2010 12:01 PM


