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Senado Federal - Agência Senado




O cargo de corregedor do Senado deverá ficar vago até o início da nova legislatura, em fevereiro, quando haverá nova eleição para a escolha do parlamentar que irá substituir o senador Romeu Tuma, conforme informou a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra.

A assessoria de imprensa do presidente do Senado, José Sarney, divulgou há pouco uma nota de pesar assinada por ele em razão do falecimento do senador Romeu Tuma (PTB-SP), ocorrido nesta terça-feira (26). Veja abaixo a íntegra do texto:

Foi com profunda comoção que recebi a notícia do falecimento do Senador Romeu Tuma, um político exemplar, uma pessoa admirável, um grande amigo.

Ao longo de sua longa e rica trajetória na vida pública, o Senador Romeu Tuma logrou, por suas excepcionais qualidades, converter-se em ponto de referência para muitas gerações.

Entre essas qualidades merecem destaque sua dignidade, o caráter íntegro, a simplicidade em tratar com as pessoas, um reflexo de sua profunda sensibilidade social.

Isso tudo dele fazia não apenas um homem respeitado, mas, em particular, querido. Era uma pessoa de bem, que tinha o gosto da convivência e da amizade.

No Senado, seu desempenho foi exemplar, sua dedicação foi absoluta. Estudava a fundo as questões, sobretudo as relacionadas à segurança nacional, às relações exteriores, e às questões sociais.

Demonstrou suas grandes competência e habilidade na década de oitenta, como Diretor do Departamento de Polícia Federal, ajudou-me a conduzir a sensível questão da segurança no difícil trânsito entre um ambiente marcado pela exceção para outro, plenamente democrático e de respeito aos direitos humanos.

A admiração pessoal há longa data converteu-se em amizade, e essa extrapolou também para nossas esposas e filhos.

No Senado e na vida pessoal Romeu Tuma fará falta.

José Sarney

Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) - que morreu nesta terça-feira (26), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo - será velado, a partir das 20h, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O enterro será na quarta-feira (27), às 15h, no Cemitério São Paulo, conforme informou a assessoria de imprensa do gabinete parlamentar.

Uma comitiva de senadores deverá representar o Senado Federal nos funerais de Romeu Tuma.

[Foto: Waldemir Rodrigues / Agência Senado]
senador Pedro Simon

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou em discurso nesta terça-feira (26), logo após o anúncio da morte do senador Romeu Tuma (PTB-SP), que ele era um conciliador nato, "um policial do bem", e que muitas vezes evitou "mal maior" quando ocupou cargos durante a ditadura militar pós 1964. Lembrou que foi graças à interferência do então delegado Romeu Tuma que se evitou uma tragédia no ABC paulista, quando tropas do Exército haviam cercado, em uma praça, metalúrgicos em greve com mulheres e até filhos pequenos.

- Ia ser um massacre. O senador Teotônio Vilela [1917-1983] conseguiu falar com o Tuma e com o coronel, por telefone. Tuma assumiu a responsabilidade para que os militares se retirassem e deu um tempo para que todo mundo fosse para casa. Esse era o Tuma - testemunhou.

Simon observou que Romeu Tuma ocupou "os cargos mais importantes e mais difíceis da área policial-militar em São Paulo na época da ditadura" e que ele "foi enérgico, sim". Mas "todas as notícias que se tem são no sentido daquilo que ele evitou que acontecesse".

Lembrou que em, 1980, Romeu Tuma era comandante do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) e foi acordado de madrugada. "Olha, tem um preso aí, um tal de Lula, que está morrendo de dor de dente, está gemendo." Conforme o senador gaúcho, Tuma conseguiu rapidamente um dentista para tratar o canal do dente do metalúrgico, ainda na madrugada.

- Por isso, pelo seu caráter conciliatório, pacificador, eu dizia a ele: "Não consigo entender como tu foste escolher a profissão de delegado de polícia. Tu não tens nada para ser policial, por tua maneira de ser. Tu tens tudo para ser um advogado. Mas, policial?" Ele apenas ria - continuou o parlamentar gaúcho, observando, em seguida, que Tuma era descendente de libaneses, como ele próprio.

Pedro Simon destacou ainda que Romeu Tuma foi eleito duas vezes senador e era puxador de votos para os "partidos pequenos a que pertenceu". No Senado, foi corregedor. Recentemente, ao ser informado dos detalhes da última cirurgia a que Tuma foi submetido em São Paulo, perguntou se tanto sacrifício valia a pena. "Mas ele concordou em ter uma máquina que funcionava como coração, que tinha de trocar de bateria a cada quatro horas. Era um homem de coragem", assinalou.

[Foto: senadora Serys Slhessarenko]

Na presidência dos trabalhos da sessão, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) também lamentou o falecimento do colega Romeu Tuma, senador por São Paulo, falecido aos 79 anos nesta terça-feira (26), no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

- Um homem com uma história respeitável, um homem público exemplar - elogiou Serys.

A senadora fez um breve histórico da vida pública de Tuma, lembrando que ele era bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; foi investigador e delegado da Polícia Civil de São Paulo; diretor na Secretaria de Segurança Pública paulista; superintendente da Polícia Federal; secretário da Receita Federal; e assessor especial do governo de São Paulo entre 1992 e 1994. Por duas vezes foi eleito senador.

- Homem justo, foi o primeiro corregedor parlamentar na história do Senado Federal. No Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, teve papel de destaque na primeira cassação de um mandato de senador no Brasil e na renúncia de outros dois parlamentares que seriam cassados - recordou.

A senadora disse que Tuma teve uma atuação marcante no Senado e manifestou a sua gratidão pelo fato de um homem como ele ter feito parte da história do país.

Serys acrescentou que o senador José Sarney, licenciado da Presidência do Senado, considerava Tuma um amigo. A senadora disse ainda que uma comitiva de senadores irá representar o Senado nas cerimônias fúnebres de Tuma em São Paulo.

No início da sessão, Serys leu o requerimento assinado por diversos senadores pedindo um voto de pesar pelo falecimento de Tuma e condolências a sua família.

[foto: senador Alvaro Dias ]

Ao encaminhar requerimento de pesar pela morte do senador Romeu Tuma (PTB-SP), nesta terça-feira (26), o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) ressaltou sua atuação como homem público e o tratamento "cordial e amigo" que dispensava às pessoas com quem convivia.

Alvaro Dias disse que embora tenha ficado conhecido como policial, apelidado de "Xerifão", Tuma era um homem cordial, conciliador, que procurava estabelecer relacionamentos de amizade.

- Ele tinha o respeito de todos os seus pares exatamente por essa postura respeitosa com todos, independentemente das diferenças de natureza político-partidária - disse.

Alvaro Dias relembrou ainda o papel fundamental desempenhado por Tuma no Senado, seja como corregedor ou nas comissões parlamentares de inquérito e comissões permanentes das quais participou. O senador assinalou que nas CPIs Tuma agia sempre no sentido de facilitar a relação entre a investigação política e a policial, construindo pontes entre o Senado Federal e a Polícia Federal.

- A sua ausência será mais sentida em razão de seu exemplo de ser humano, cordato, amigo e solidário, sempre parceiro em todos os momentos especialmente nos momentos de dificuldades - afirmou.

Em aparte, a senadora Níura Demarchi (PSDB-SC) manifestou seu pesar pelo falecimento de Romeu Tuma.

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) morreu cerca de quatro meses antes do final do seu mandato, que vai até fevereiro de 2011. Até a nova legislatura, deverá substituí-lo o engenheiro Alfredo Cotait Neto, atual secretário de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo. Como Tuma, ele é descendente de libaneses. O primeiro suplente preside a Câmara de Comércio Brasil-Líbano desde 2001 e é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, com destaque na atuação em comércio exterior.

[foto: senador Acir Gurgacz ]
Página Multimídia


"O Senado perde um grande senador, sua família perde um grande homem, o pais perde um grande brasileiro e nós perdemos um grande amigo". Com essas palavras o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) lamentou a morte do senador Romeu Tuma, ocorrida nesta terça-feira (26) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Falando também em nome do seu partido, o PDT, Gurgacz transmitiu votos de pesar à esposa Zilda Dirane, aos quatro filhos e nove netos de Romeu Tuma. O senador por Rondônia recordou que nos últimos meses costumava participar de almoços, nas terças e quartas-feiras, dos quais também se fazia presente o então senador Tuma.

Acir Gurgacz destacou que Romeu Tuma, que viveu 79 anos, dedicou à vida pública 59 anos. Também lembrou os vários cargos que Tuma ocupou, como superintendente da Polícia Federal e da Receita Federal, além de senador da República. Gurgacz prestou uma homenagem a Tuma lendo um trecho de pronunciamento que o ex-parlamentar paulista fez em comemoração ao 50º aniversário do Dia da Vitória sobre as forças nazi-fascistas, na II Guerra Mundial.

- Como a água que bebemos e o ar que respiramos, liberdade é vida. Não há como conter esse sentimento, pois renasce em cada ser humano, ressurge sempre na herança genética. Negá-la como qualidade intrínseca de nossa existência constitui uma demonstração de suprema insanidade. É ela um instinto, e chega a sobrepor-se à autopreservação - discursou Tuma no dia 8 de maio de 1995.

Parlamentares e políticos lamentaram, pelo Twitter, a morte do senador Romeu Tuma (PTB-SP), ocorrida nesta terça-feira (26). O senador estava internado no Hospital Sírio-Libanês, onde passou por cirurgia cardíaca, e deverá ser velado na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Pelo Twitter, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que o chamou de grande amigo, disse que "a política brasileira perdeu um grande parlamentar". Virgílio destacou Tuma como um homem da segurança, delegado de polícia e corregedor do Senado, que jamais deixou a firmeza ofuscar sua ternura.

Renato Casagrande (PSB-ES) também lamentou a "perda de um grande parlamentar", assim como o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que se disse triste com a perda do amigo, companheiro e conciliador. "O Senado e o Brasil perdem uma grande figura humana", disse, ainda. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ressaltou: Tuma era o mais cordial dos senadores desta legislatura.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse estar "mais pobre de amigos" com o falecimento de Romeu Tuma, e salientou a relação de proximidade e respeito que mantiveram ao longo dos quase oito anos de mandato. Tuma, lembrou Demóstenes, era um dos maiores especialistas em direito penal, além de ter sido grande conhecedor da segurança pública do país, e "exemplo de honradez e dignidade na política".

"O senador Tuma vai fazer falta ao cenário político brasileiro, mas, com certeza, tem o seu nome inscrito nas posições mais altas da República", escreveu Demóstenes pelo Twitter. Marisa Serrano (PSDB-MS) também demonstrou sua tristeza.

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[Foto: senador Cristovam Buarque ]

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou em Plenário nesta terça-feira (26) que guarda na lembrança a imagem de Romeu Tuma (PTB-SP) como a de um homem cordial, que se aproximava como amigo. Essa imagem foi construída, recordou o parlamentar, durante convivência à época em que Tuma era chefe da Polícia Federal e Cristovam, chefe de gabinete do então ministro da Justiça, Fernando Lyra, no governo José Sarney.

- Passei a admirá-lo bastante e tive com ele uma relação pessoal de amizade - afirmou.

Outra ocasião em que o convívio foi mais extenso entre os dois foi, de acordo com Cristovam, durante a atuação como parlamentares do Mercosul.

Cristovam Buarque, que já presidiu a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), contou que Tuma sempre foi muito participativo naquele colegiado e fazia muitas referências a sua esposa, Zilda Dirane Tuma, que é professora.

- Ele vai deixar uma grande saudade entre nós. Ele teve uma participação muito grande em todos os projetos - observou.

Página Multimídia


A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) solicitou aos senadores em Plenário para que, de pé, observassem um minuto de silêncio em homenagem ao senador Romeu Tuma (PTB-SP), que morreu nesta terça-feira (26) em São Paulo.

Após a homenagem, como manda o Regimento Interno do Senado, a senadora encerrou os trabalhos desta terça-feira (26).

Mais informações a seguir

[Foto: senador Marco Maciel ]
Página Multimídia


Primeiro a encaminhar o requerimento para encerramento da sessão desta terça-feira (26), em virtude do falecimento do senador Romeu Tuma (PTB-SP), o senador Marco Maciel (DEM-PE) destacou a assiduidade dele às sessões e às sugestões por ele apresentadas para melhoria da segurança pública e da redução da criminalidade.

O requerimento foi apresentado pelo presidente do Senado Federal, senador José Sarney, e outros senadores. Além do levantamento da sessão, pediu a realização de um minuto de silêncio; que o Senado Federal se faça representar nos funerais; a inserção em ata de voto de profundo pesar; e a apresentação de condolências à família e ao Estado de São Paulo.

Marco Maciel disse que Tuma deixou no Senado grandes amigos. Enalteceu seu "trato ameno" e disse ter a certeza de que Romeu Tuma "está em bom lugar, porque sempre foi uma pessoa dedicada ao bem comum".

O representante pernambucano lembrou que o falecido senador era casado com Dona Zilda, com quem teve quatro filhos, que geraram nove netos. Descendente de imigrantes libaneses, Romeu Tuma ingressou na carreira policial ainda aos 20 anos. Especializou-se na solução de casos de sequestros e, no governo do presidente Fernando Collor (hoje senador pelo PTB-AL), acumulou a direção-geral da Polícia Federal com a Superintendência da Receita Federal. Foi também presidente da Organização Internacional da Polícia Criminal (Interpol).

Romeu Tuma elegeu-se senador por São Paulo em 1995, com mais de 5,5 milhões de votos. Em 2002 conseguiu a reeleição, com um número de votos ainda maior: 7,27 milhões de votos. Em 2003, lembrou Marco Maciel, ocupou a 1ª Secretaria da mesa, "o quarto cargo em importância na hierarquia parlamentar". Romeu Tuma era corregedor do Senado Federal, cargo até hoje somente exercido por ele.


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