Questões são simples e cobram apenas seis competências dos alunos Uma das duas provas do primeiro dia do Enem é a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Nela, deverão aparecer alguns dos temas que os alunos têm contato nas aulas de história, geografia, filosofia e sociologia do ensino médio. Como em todas as outras provas do Enem, o que será cobrado é a competência ? ou a capacidade ? do aluno oara relacionar situações, analisá-las, identificar soluções éticas para possíveis problemas e indicar argumentos lógicos que respeitem a diversidade e os direitos individuais. De conteúdo, aparecerá pouca coisa. Só mesmo aquele básico, necessário para que o aluno aprender outros conteúdos a qualquer momento. A prova de humanas será a que vai verificar menos competências ou capacidades cognitivas do candidato: apenas seis. E estas competências são bastante leves, avaliando muito mais o comportamento ético e a visão de mundo dos candidatos do que os conteúdos mínimos propostos. Isso faz da prova de humanas a mais simples, depois da de linguagens, de ser resolvida. Veja quais são as competências exigidas: Identidade e Cultura: aqui o Enem irá avaliar a capacidade do aluno de compreender a formação cultural e da identidade dos povos e valorizá-las. Documentos históricos, como cartas, leis, produções e manifestações artísticas devem ser apresentados nas questões. O aluno será convidado a analisar e a interpretar esses documentos, associando-os ao tempo e ao espaço, comparando diferentes pontos de vista e identificando a diversidade cultural em diferentes sociedades. Território: para ir bem nas questões da segunda competência de Humanas é fundamental dominar o conteúdo necessário para a leitura de mapas e, vejam só, saber ler gráficos e tabelas e relacioná-los aos mapas. É bom que o aluno revise todos os tipos possíveis de mapas, como o geográfico, o político, o econômico, entre outros. A partir desses conteúdos mínimos (que são a linguagem básica para entender os espaços geográficos), o aluno terá de mostrar que entende como se constituíram as fronteiras, o motivo dos vários conflitos relacionados à terra e às diferenças econômicas e sociais entre populações de diferentes locais. O Estado e o Direito: as instituições do País não foram criadas de uma hora para outra. É importante que o candidato saiba como se deu a formação do Estado, como as várias sociedades contribuíram para isso e como o Direito se desenvolveu no decorrer dos séculos. Você lembra que houve uma época, o Feudalismo, em que, praticamente, a igreja católica fazia o papel de Estado e de Justiça? E quais são nossas instituições hoje? Executivo, Legislativo, Judiciário e seus principais braços precisam ser conhecidos. Instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e seus principais órgãos, como Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Mundial do Comércio (OMC) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e Mercado Comum Europeu também entram na lista. Devem aparecer questões que relacionem os movimentos sociais a essas instituições. Evolução Tecnológica, Revolução Comportamental: quando a tecnologia avança, há mudanças na forma de as pessoas se organizarem. Foi assim quando a agricultura se desenvolveu e o homem se fixou na terra. Ou, então, quando a indústria passou de artesanal para manufatureira e depois maquinofatureira. O que importará na prova é a compreensão do impacto das tecnologias na sociedade, mas alguns conteúdos podem facilitar a resolução das questões, como o surgimento da agricultura, a primeira e segunda revolução industrial, a mecanização do campo, a automação industrial e as tecnologias da informação compensam ser revistas. Cidadania e Democracia: aqui o aluno deve valorizar a democracia ocidental. A construção dela e a conquista da cidadania serão os temas das questões dessa competência. Direitos não são dados, mas conquistados. Nesse sentido, é importante conhecer as lutas sociais que levaram à mudanças nas legislações. Revolução francesa, declaração dos direitos do homem e do cidadão, evolução da liberdade de imprensa, direito ao voto no Brasil, Constituição Brasileira de 1988, Código de Defesa do Consumidor e alguns estatutos, como o da Criança e do Adolescente, o do Idoso e o das Cidades são conteúdos desejáveis. Devem ser valorizadas, na hora de responder a algumas das questões, as estratégias que promovam a inclusão social. É grande a possibilidade de o tema da redação estar relacionado a essa competência. O que estamos fazendo com a Terra?: na última competência da prova de humanas, o Enem irá cobrar a compreensão dos processos de ocupação do espaço físico e suas consequências. Como conteúdo, o aluno pode se dedicar ao estudo de mapas de ocupação econômica. Como a disponibilidade de recursos naturais influenciam a ocupação do espaço físico? Qual tem sido a relação entre o homem e o meio? Quais são as experiências de degradação e de preservação da vida no planeta? Nessa competência, encontramos algumas relações entre a prova de Ciências Humanas e a de Ciências da Natureza.
18/10/2010 06:17 PM
Método de correção é injusto e sem critérios claros. Para fazer a dissertação, é preciso defender argumentos que demonstrem ética O novo Enem promete que a nota final chega o mais perto possível das verdadeiras competências e habilidades do aluno. Se acreditarmos que o exame tem método ?anti-chute?, com questões de dificuldades distintas e todo tipo de avanço da pedagogia e da psicologia aplicados para descobrir quem deu um ?jeitinho? de acertar os itens sem utilizar suas aptidões, deveríamos perguntar por que a redação não segue a mesma lógica. Outra solução, melhor ainda, seria dar um valor único para todos os alunos que cumprissem cada item, deixando a nota da redação mais justa e não prejudicando milhões de candidatos. Assim, os corretores deixariam de dar uma nota pra cada aluno, mas teriam somente que indicar, em quadrinhos, se o aluno cumpriu cada item, e o trabalho de dar a nota ficaria para os computadores leitores dos itens assinalados. Quem atendesse às exigências propostas teria nota máxima na redação. Ética é exigência Mesmo com o problema de atribuição de notas, a redação do Enem tem seus avanços em relação à dos vestibulares convencionais. Bastam duas coisas para o candidato não zerar na ?redação?. Primeiro, o texto precisa ter ao menos oito linhas (30 é o máximo), além de conter uma proposta de intervenção na sociedade que seja ética. Se um vestibular convencional exige que você demonstre na redação a sua capacidade argumentativa, o Enem quer que esta capacidade esteja direcionada para uma proposta que demonstre uma postura ética. Por exemplo, em uma redação sobre aquecimento global de um vestibular convencional você pode até encontrar argumentos e defender, como fazem alguns cientistas, que o fenômeno não existe. O Enem claramente acredita no aquecimento global e não iria tolerar uma redação que dissesse o contrário. Dissertação é modelo Não é difícil indicar sobre quais assuntos versarão o tema, sempre relacionado a uma das competências pedidas na prova objetiva. Então, questões como ?o que estamos fazendo com a terra?, cultura, identidade, cidadania e democracia (algumas das competências da área de humanas), ou biodiversidade, ética em pesquisa, saúde pública, conservação ambiental e ciclo da água (algumas das competências da área de natureza) certamente estarão nas redações do Enem deste e dos próximos anos.
A prova representa um quinto da nota, mas como as universidades definem o peso de cada etapa em suas seleções, ainda pode valer muito mais. Mesmo assim, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) insiste no velho método de entregar a redação para dois corretores, com a possibilidade de um terceiro realizar o desempate quando a nota apontada por eles for muito distante.
Esse sistema é extremamente injusto. Imagine a prática acontecendo com as cerca de quatro milhões de provas realizadas em todo o Brasil. Sem critérios mais objetivos e claros, fica impossível que todos tenham o texto avaliado com o mesmo padrão de exigência. Um corretor que tem experiência anterior em um vestibular como o da Fuvest certamente olhará a redação com mais rigor que um que só corrige redações para o Enem.
Um caminho mais coerente a seguir seria o de tornar a redação uma espécie de prova eliminatória. Funcionaria mais ou menos assim: uma série de itens seriam propostos, como ?defender ponto de vista?, ?construir argumentação lógica?, ?dar coesão ao texto?, ?usar razoavelmente a língua culta?, entre outros. O Enem poderia, então, eliminar a possibilidade de conceder uma vaga no ensino superior para quem não cumprisse os itens.
O modelo exigido é a dissertação, na qual o candidato precisa desenvolver um raciocínio, apresentando argumentos de forma ordenada para fundamentar sua posição. Na prova, alguns textos ?indutores? são apresentados, para facilitar a busca por argumentos e para que os candidatos entendam melhor a proposta.
Existem várias formas de fazer uma dissertação com sucesso, mas há uma que não falha: cinco parágrafos, com cerca de quatro ou cinco linhas em cada um deles é a fórmula perfeita. Três argumentos para chegar à sua conclusão é o razoável, e uma dica importante é escolhe-los e decidir como desenvolvê-los antes de começar a escrever. A partir deles, você fará uma introdução em que dirá a sua opinião sobre o tema e quais argumentos irá utilizar durante o texto. Em cada um dos próximos três parágrafos você desenvolverá um dos argumentos, de forma clara, podendo utilizar informações do texto ou aquelas que você tem como bagagem cultural. No quinto e último parágrafo, é hora de fechar a redação, recuperando os três argumentos e chegando à conclusão que planejou.
08/10/2010 01:36 PM
MEC diz ter usado a Teoria da Resposta ao Item (TRI) para mensurar o resultado do Enem, mas falta transparência em relação à prova Desde o ano passado, o Ministério da Educação (MEC) diz utilizar a Teoria da Resposta ao Item (TRI) para mensurar as notas dos candidatos no Enem. A desconhecida TRI tem origem na psicometria, parte da ciência da psicologia. A utilização da técnica é possível graças ao desenvolvimento da informática e à possibilidade de usar potentes computadores e sofisticados softwares para calcular os dados gerados por milhares de pessoas. A lógica é muito simples. Quando queremos avaliar as habilidades e competências de uma pessoa, podemos propor testes que exijam a utilização delas. Para que possamos comparar as notas de duas ou mais provas diferentes, todas elas precisam ter o mesmo nível de dificuldade. A utilização da TRI na prova do ENEM tem como principal objetivo acompanhar o desenvolvimento da qualidade do Ensino Médio no Brasil. Como as provas anteriores tinham níveis de dificuldade diferentes, não podemos dizer, olhando as notas de provas distintas, qual aluno tem mais proficiência para ocupar um lugar no Ensino Superior. Até aí, ótimo. É realmente muito bom termos instrumentos para avaliar as políticas públicas de educação, ainda que eles não sejam perfeitos. O problema é a falta de transparência em relação à prova aplicada no ano passado. Segundo o MEC, as questões tiveram pesos diferentes no exame. Dois alunos que acertaram o mesmo número de perguntas podem ter recebido notas diferentes. Para exemplificar, imagine que dois estudantes, em uma sala de aula, façam uma prova qualquer de 30 questões e os dois acertem 20 delas. Quando recebem as notas, apesar de terem acertado o mesmo número de itens, elas são diferentes. Isso é possível se o considerado não for o acúmulo de questões corretas, mas a dificuldade delas. Neste caso, se um deles acertou itens mais difíceis, pode receber uma nota maior, apesar de ter assinalado corretamente o mesmo número de questões. Até agora, a sociedade não sabe qual foi o peso dado a cada questão. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) deveria divulgar um relatório pedagógico, como fez nos anos anteriores, e nele deveria estar relatado o nível de dificuldade de cada questão. Sem ele, a nota de cada aluno no último ano parece ser um critério arbitrário, sem base científica. Além disso, fica impossível para qualquer candidato questionar seu aproveitamento. Apesar de a TRI poder ser utilizada de várias formas, o natural era que o MEC tivesse um grande banco de dados com questões pré-testadas. Uma questão testada hoje, em grupos que representem o conjunto dos inscritos no Enem, com 70% de acerto, não é igual a uma questão que, daqui a 10 anos, 70% das pessoas responderão corretamente. Isso ocorre porque neste período a qualidade da educação pode melhorar ou piorar. Se todas as questões forem testadas no mesmo ano em que forem aplicadas, o resultado será que, todo ano, teremos a mesma média nacional no Enem. Possíveis melhorias ficariam por conta da margem de erro. A primeira, que vazou, foi uma prova bem feita, com questões que realmente avaliavam os eixos cognitivos, as competências e as habilidades propostas pelo novo Enem. A segunda prova, a que foi aplicada, era o contrário: mal feita, com questões de respostas questionáveis. Em alguns momentos, apelava para o conteúdismo e a decoreba que prometia combater. Tenho convicção de que as duas não tinham a mesma dificuldade. Se ambas forem aplicadas em qualquer grupo de 100 pessoas, com certeza as notas na primeira prova serão mais altas. Agora, com os novos depoimentos do atual presidente do Inep fica claro que realmente este banco de dados não existe, ou que pelo menos hoje é muito pequeno e que o MEC mentiu para a sociedade no último ano. O MEC precisa dar transparência ao TRI para que todos entendam melhor a prova do Enem. Não adianta falar que cada questão tem peso diferente, que o exame tem dispositivo ?anti-chute?, que todas as provas têm o mesmo nível de dificuldade, que agora teremos parâmetros para medir o desenvolvimento do Ensino Médio, que logo a prova poderá ser individualizada, entre outras coisas, se não podemos confiar no que foi dito. Os educadores não podem se contentar em ter ?fé? nas palavras do Ministério. É claro que seria melhor se o MEC tivesse realmente usado o TRI, mas seria mais honesto com a sociedade admitir que ele não estava presente, ou que só estava parcialmente, na prova aplicada no ano passado.
Um fator que coloca em dúvida se o MEC tem este banco de questões e se a prova realmente terá o mesmo nível de dificuldade em todas as suas edições é a diferença entre as provas do ano passado.
04/10/2010 04:45 PM
Provas dos dias 6 e 7 de novembro deixam a decoreba de lado e cobram conteúdos mínimos necessários ao aprendizado de outros novos O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se consolidou. Cerca de 120 mil vagas em instituições de ensino públicas serão distribuídas, por ano, usando só o aproveitamento nesta prova. Se somarmos as cerca de 200 mil vagas anuais do Programa Universidade para Todos (ProUni) e as vagas das instituições públicas que vão usar a nota de forma parcial, chegamos a mais de 350 mil vagas. É mais do que 30 vezes o número de vagas disponíveis no vestibular da Fuvest, o maior do País. O fortalecimento do Enem tem mudado a rotina dos estudantes. Por todos os Estados, escolas particulares tratam de arrumar uma forma de preparar melhor os seus alunos. É comum encontrarmos as famosas aulas extras para o vestibular, fora do horário convencional, agora destinadas ao Enem. Cursinhos pré-vestibular transformam-se em cursos ?Pré-Enem?. As livrarias, as bancas e os sites de venda foram invadidos com novos materiais prometendo preparar o aluno para a prova. Estudantes preocupados em ocupar uma destas vagas agora se dedicam a estudar para o Enem. Uma rápida busca pela palavra ?Enem? no twitter demonstra que muitos candidatos levam a sério a necessidade de estudar para a prova. Alguns preferem estudar por conta própria. É importante lembrar que parte significativa dos candidatos já saiu do ensino médio. Isto demonstra que a sociedade compreende ser o Enem uma prova diferente do vestibular convencional. Se não a reconhecesse como diferente, não existiriam tantas iniciativas dizendo-se ?especializadas? no exame. Isto vem ao encontro com a idéia central do novo Enem, que é induzir mudanças no ensino médio. O esperado é que as iniciativas favoreçam uma educação focada na compreensão de fenômenos, na resolução de problemas, na construção de argumentação e na elaboração de propostas éticas pelo educando, tal qual será cobrado nas questões que aparecerão na prova. Apesar de reconhecer a prova como diferente, o conjunto da sociedade, e até mesmo a maioria dos educadores, não sabe o que significa esta diferença. As aulas extras das escolas particulares, as aulas de reforço para o Enem oferecidas por algumas prefeituras, os novos materiais didáticos, os cursos pré-Enem e várias outras iniciativas, fora raras exceções, estão repletas do conteúdismo e da ?decoreba? inútil do Ensino Médio e com pouquíssimo dos eixos cognitivos propostos pelo exame. A prova cobrará sim alguns conteúdos. Eles são aqueles relacionados ao domínio das linguagens da natureza, da matemática e das humanidades. Para ficar mais fácil de entender, o Enem considera importante que você tenha o domínio dos conteúdos mínimos necessários para que possa aprender outros conteúdos, quando isto for necessário. Vamos a alguns exemplos. Você, todos os dias precisa ler algum texto, conversa com outras pessoas, vê placas com símbolos e escuta música. Para entender tudo isso é importante conhecer os códigos criados pelo homem, como o português e outras formas de se comunicar. Você acompanha quantos votos o seu candidato teve, quantos pontos seu time acumulou no campeonato, a quantidade de caixas de leite no armário, calcula quantos azulejos serão necessários para a reforma da cozinha e quanto irá gastar se precisar usar seu cheque especial. Para isto, é necessário conhecer os números, ler gráficos e tabelas e saber os conceitos de metro cúbico e juros compostos. Aí você recebe um dinheiro extra e resolve fazer umas compras. Entre duas TVs de mesmo preço, resolve comprar a que gasta menos energia. Para isso, precisa conhecer ou ter a capacidade de aprender o conceito de KW/H e o de comparação de medidas. Vai para casa e, com sede, resolve tomar água. Para o bem da saúde pública de sua comunidade é importante que compreenda o ciclo da água. Estes são alguns dos conteúdos exigidos. São, somente, aqueles necessários para aprender outros conteúdos. Isto é muito menor do que os programas curriculares das escolas de ensino médio. Estudar mais do que isto não faz sentido. Em relação ao conteúdo, o Enem quer saber se você é capaz de aprender, e não se você conhece todos os conteúdos existentes no mundo. Quem aprende certa quantidade de conteúdos prova que é capaz de aprender outros, quando isto for preciso. Esses conteúdos mínimos, que serão cobrados, estão listados na matriz de Competências e Habilidades do Enem. O Enem divulgou também uma outra matriz, a de Conteúdos, que só serve para confundir educadores e estudantes. Sem sentido dentro da perspectiva de indução de mudanças no ensino médio, essa matriz é basicamente a cópia dos índices de materiais didáticos e de sistemas de ensino. A confusão aumenta por que o próprio ministro da Educação deu declarações, no ano passado, dizendo que o que ia cair na prova era o que se aprendia dentro das salas de aula. Ele até tem razão se pensarmos que toda questão tem um conteúdo. O que falta o Ministério deixar claro para todos é que a maior parte dos conteúdos que vão aparecer na prova não precisa ter sido acumulado pelos candidatos. Na maior parte das questões, o conteúdo só servirá de pano de fundo para a interpretação, para a resolução de problemas ou para a demonstração da postura ética do examinado. Existe um alento para aqueles que vão prestar o Enem e que até aqui estudaram conteúdos desnecessários e não fizeram atividades que desenvolvessem os eixos cognitivos capazes de orientar a resolução de situações-problema. Até agora existe uma enorme correlação entre as notas obtidas nos vestibulares convencionais e no Enem. Isto quer dizer que, na maioria dos casos, quem tem notas altas nos vestibulares convencionais tem nota alta no Enem e quem tem notas baixas nos vestibulares tem nota baixa no Enem.
30/09/2010 03:05 PM
Mais de 65% dos candidatos a uma vaga na instituição estudaram integralmente em escolas particulares De pouco adiantou a oferta de isenções da taxa de inscrição da Fuvest para alunos de escolas públicas, o programa de Embaixadores e o tímido INCLUSP (Programa de Inclusão Social da USP). Mais uma vez, os dados mostram que a maior parte dos candidatos às suas vagas estudou, total ou parcialmente, no estudo básico, em escolas particulares. Mais de 65% dos candidatos deste ano só frequentaram escolas particulares. Se somarmos aqueles que passaram parte do ensino básico em escolas particulares aos que estudaram fora do Brasil, temos quase 72% dos candidatos. O baixo número de candidatos advindos de escolas públicas na FUVEST tem um motivo simples e claro. Ano a ano, os jovens de menor renda sentem que a USP é uma realidade cada vez mais distante. A esmagadora maioria destes estudantes não se sente ?habilitado? para prestar seu vestibular e frequentar suas salas. Vários são os motivos. A USP realmente tem se comportado como uma instituição elitista. Em uma de suas últimas tentativas de inclusão, criou um campus na Zona Leste. A lógica daqueles que planejaram a nova escola era de que parte dos moradores de áreas mais ?nobres? não estaria disposto a fazer um curso em um bairro da periferia. Os resultados não foram bem estes. A USP da Zona Leste está muito mais para uma ?USP Ayrton Senna?. É muito mais rápido para quem mora no centro ou no Jardins chegar até lá do que para quem mora em uma das áreas periféricas da cidade. E, além de tudo, a unidade é uma ilha, em que não é permitida a entrada nem mesmo aos moradores de bairros vizinhos. O número de vagas também tem deixado a desejar. O Estado de São Paulo tem pouquíssimas vagas em Universidades Federais. Este número tem ampliado um pouco por causa do REUNI e da criação da UFABC, mas é, proporcionalmente ao número de habitantes, um dos menores do Brasil. Restou às públicas estaduais oferecer mais vagas. A USP é a que tem mais vagas. Desde 1989, as estaduais paulistas possuem vinculação orçamentária. Hoje, 9,57% do valor arrecadado com o ICMS vão para elas. Isto quer dizer que quando a arrecadação cai os recursos diminuem, e que quando a arrecadação sobe eles aumentam. Vinte anos atrás, quando começou a vinculação, a USP oferecia 6.780 vagas. Hoje oferece 10.652. Neste período, a arrecadação de ICMS mais do que dobrou, os recursos para a Universidade aumentaram, a população de São Paulo e do Brasil cresceu e o número de vagas não acompanhou essas mudanças. Em alguns cursos, é quase impossível um aluno de escola pública passar. Em direito, medicina, relações internacionais e jornalismo, só encontramos alunos advindos de umas poucas escolas particulares tradicionais. Depois da criação ProUni, o aluno do Ensino Médio da rede pública começou a notar que é muito mais fácil ele conhecer alguém que está cursando uma Universidade Particular sem pagar do que cursando uma pública. O sonho do Ensino Superior sem custo, e a consequente conquista de um bom emprego, deslocou-se da esperança de passar na USP para a possibilidade, muito mais plausível, de obter uma boa nota no ENEM e ganhar uma vaga no ProUni. O cômico, ou absurdo, da situação, é que a reitoria da Universidade apresentou nesta semana a proposta de extinguir os cursos de menor concorrência (baixa demanda, nos termos da Universidade). Ora, são justamente estes os cursos em que a maioria dos alunos vêem do ensino básico público.
29/09/2010 06:44 PM
A coluna se despede com uma homenagem à Astronomia Transcender. Esta é pra mim a palavra que talvez melhor represente o significado de Astronomia. Por meio dela, é possível transcender o nosso dia-a-dia. Por meio dela, é possível compreender que existe algo maior, maior do que todos os pequenos problemas que nos afligem todos os dias em nossas rotinas, em nossos cotidianos. Que estamos totalmente imersos em algo muito maior. Que estamos num minúsculo e belo planeta azulado, que chamamos de lar, que chamamos de Terra. Lar este, a partir do qual temos uma imensa janela, aberta para o Cosmos: o nosso céu, céu azul, céu noturno, salpicado de estrelas, o nosso céu. No qual somos capazes de enxergar verdadeiras maravilhas, que a Natureza se encarregou de construir durante bilhões e bilhões de anos de evolução e de história. No céu, podemos todos os dias presenciar o belo espetáculo do crepúsculo, que se forma próximo ao horizonte, logo antes, ou logo depois do Sol - a fonte de toda a energia existente em nosso planeta - pura e simplesmente, cruzá-lo. Podemos ver, semana após semana, mês após mês, a nossa Lua, o satélite natural de nosso planeta, aparentemente a realizar uma belíssima dança ao redor do Sol - na verdade uma dança ao redor de nós, da Terra -, mudando sua aparência - suas fases - tal qual um dançarina que tenta seduzir seu parceiro de dança, incessantemente. Num ciclo que se repetirá sempre, para sempre. Podemos ver também, a olho nu, outros cinco dançarinos, estes mais discretos, mas nem por isso menos talentosos, movimentando-se, mês após mês, ao redor do Sol. São os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, alguns dos muitos companheiros da nossa Terra, no eterno baile que ocorre em nosso sistema solar, com planetas, planetas anões, luas, asteróides, cometas, meteoróides e poeira, dançando, milênios após milênios, ao redor de nossa estrela mãe. Certamente não foi à toa que Johannes Kepler ?ouviu? a música das esferas. Mas é claro que todo baile precisa de uma bela decoração. E neste baile, que ocorre acima de nossas cabeças, noite após noite, não poderia existir decoração mais apropriada do que as milhares de estrelas existentes no céu noturno. E quão magnífico não é o pensamento e o entendimento de que cada um desses cintilantes pontos luminosos, nada mais é do que um outro baile, ocorrendo num lugar tão distante daqui, tão distante, que os raios de luz vindo de lá estavam há muitos e muitos anos viajando pelo espaço existente entre nós. Só para nos mostrar o que estava acontecendo por lá, naquele baile! Mas, talvez, seja ainda mais magnífico saber, que tudo isso que somos capazes de ver com nossos olhos desarmados - a olho nu -, não corresponde se quer a uma ínfima parte de tudo o que existe no Universo. Seja porque o todo mais que existe está muito distante de nós, seja porque a maior parte desse todo nos é realmente invisível - pelo menos invisível aos nossos olhos. Graças à imprescindível ajuda dos profissionais-irmãos - físicos, engenheiros, matemáticos, químicos e biólogos, principalmente -, os astrônomos, ao longo dos últimos séculos, desvendaram o véu que escondia dos seres humanos a existência de tantas e tantas e tantas coisas, que sabemos hoje existirem fora do nosso Pálido Ponto Azul. Com os avanços tecnológicos, provindos do incansável trabalho, em parceria com todos esses profissionais-irmãos, foi possível aos astrônomos construir telescópios e equipamentos, e elaborar teorias e novos conhecimentos, capazes de mostrar aos nossos limitados olhos, e de fazer nossos sub-utilizados cérebros compreenderem, um pouco da incomensurável complexidade e diversidade existentes Universo a fora. Estrelas binárias, sistemas triplos de estrelas, sêxtuplos até! Aglomerados de estrelas, com centenas de milhares de estrelas-irmãs, nascidas da mesma nuvem de gás e poeira primordial! Imensas nebulosas dos mais variados tipos, cores e tamanhos! Algumas verdadeiros berçários estelares, outras verdadeiros cemitérios! Muitos destes últimos contendo os restos - remanescentes - de explosões magníficas e espetaculares de estrelas que ocorreram no momento de suas mortes, e que fizeram com que todo o material contido dentro delas se espalhasse para o meio interestelar! Buracos negros, estrelas de nêutrons, magnetars, anãs brancas, anãs marrons e anãs negras, uma verdadeira família de objetos exóticos e misteriosos! Ainda sobre os quais existem as mais diversas questões, sedentas por respostas, as quais certamente virão por meio de mais e mais descobertas que ocorrerão nos próximos anos e décadas. E pensar que existem exemplares de todos esses objetos, até aqui citados, bem ?perto? de nós, dentro da nossa própria Galáxia! Ah, sim, como poderíamos deixar de falar desse inigualável véu esbranquiçado, que se estende de horizonte a horizonte no nosso céu noturno? Nossa Galáxia, a Viá Láctea, nosso Universo-Ilha. Endereço de todos os objetos que somos capazes de observar a olho nu. Excetuando-se apenas três, três pálidas manchinhas no céu: a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães, e a Galáxia de Andrômeda, galáxias literalmente vizinhas da nossa. Há cerca de 100 anos apenas, fomos capazes de compreender que nossa Galáxia é só mais uma dentre - hoje acreditamos - cerca de 1 trilhão de galáxias! 1 trilhão! Das mais variadas formas, com os mais diversos tamanhos, espalhadas por todo o Universo! Organizadas em aglomerados, e até em superaglomerados de galáxias. Muitas delas distantes de nós o suficiente, para que a luz, vinda delas, tenha viajado bilhões de anos até chegar ao nosso planeta! Bilhões! Praticamente a idade que se supõe ter o nosso próprio Universo! E mais recentemente, há pouquíssimos anos, novas descobertas ainda, tem deixado a comunidade científica verdadeiramente perplexa e atônita, dadas a importância e a imprevisibilidade delas, dado o impacto que elas tem causado sobre todo o conhecimento acumulado, em todos esses séculos de trabalho. Só para citar duas: constatou-se, primeiro, que cerca de 96% (!) de tudo o que existe no Universo, simplesmente não parece ser feito nem de matéria nem de radiação. Dá pra acreditar? Simplesmente quase tudo que existe, é feito de coisas - matéria e energia ?escuras? - que não têm a forma daquilo que conhecemos, que não são nem essa matéria de que somos feitos, nem essa radiação que somos capazes de enxergar, ou pelo menos capazes de construir aparelhos que conseguem detectar. E segundo: já são hoje quase 500 (!) planetas efetivamente catalogados fora de nosso sistema solar. 500! Ou seja, se supormos, por um momento, que seja comum então, a existência de planetas ?bailando? ao redor de outras estrelas, e tomando-se ainda uma média, baixíssima, de 1 planeta por estrela... só em nossa Galáxia devem existir da ordem de 100 bilhões de planetas! E no nosso Universo, talvez 100 bilhões de trilhões...! Some isso, ainda, ao fato de que os astroquímicos e astrobiólogos já foram capazes de detectar a existência de moléculas orgânicas, de grande complexidade, em diversos pontos de nossa Galáxia. Não lhe parece então ser só uma questão de tempo (talvez muito tempo concordo, mas talvez até que não...), que venhamos a realizar a maior de todas as descobertas da história da raça humana: a existência de vida fora de nosso humilde e singelo planeta azul, nosso lar, a Terra? Será possível então que, durante todos esses anos, esses milhares de anos, em que a raça-humana ficou a observar o céu, a se questionar sobre ele, e a ir em busca de respostas às mais variadas perguntas, que surgiram por causa desse céu... será que em todos esses anos estivemos sendo observados? Será que há seres vivos e inteligentes lá fora? Olhando ainda para seus céus, e se perguntado se há seres vivos e inteligentes lá fora??? Será que um dia conseguiremos nos comunicar com eles, caso existam? Não há como tomar conhecimento de todas essas coisas, de todos esses fatos, de todas essas descobertas, e não perceber que fazemos parte de algo muito maior - maior em todos os sentidos da palavra -. Maior e mais complexo até, talvez, do que sempre seremos capazes de assimilar, e mesmo até capazes de aceitar. Um todo que talvez nunca nos seja possível conhecer plena e completamente. Mas que talvez, por isso mesmo, nos instigue, eternamente, a buscar mais, a querer mais, a desejar conhecer mais. A ir além. Por meio da Astronomia, acredito assim que pode-se ir além. Além do que se é capaz de imaginar, além do que se é capaz de fazer. Por meio dela, podemos transcender. Somos parte de tudo isso, estamos no meio disso, somos parte do todo, do Cosmos, do Universo. É maravilhoso pensar nisso, pensar que fazemos parte dessa imensa complexidade, presente ao mesmo tempo em cada átomo, em cada molécula, em cada célula, em cada órgão, em cada parte de nosso corpo, de nossa mente, de nosso pensamento, de nós, simplesmente de nós. E, ao mesmo tempo, presente em cada grão de poeira, em cada meteoróide, em cada asteróide, em cada cometa, em cada planeta, em cada estrela, e em cada galáxia existente nesse imenso Universo. Voltemos então, agora, ao começo, voltemos ao início. Voltemos às palavras de Henry Poincaré, que serviram de inspiração para a confecção desta singela homenagem. E que servirá ainda de inspiração, certamente, para muitos que, como eu, pretendem e pretenderão dedicar suas vidas - ou pelo menos parte delas - à divulgação, à difusão, ao ensino e à popularização da ciência dos astros, a ciência dos céus, a Astronomia: "A Astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes." Um até breve para você!
26/08/2010 10:59 AM
Primeira parte de uma homenagem do autor aos leitores da coluna Uma vez um homem chamado Henri Poincaré disse o seguinte: "A Astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes." Será que algo mais precisaria ser dito a respeito da Astronomia? Muitos certamente diriam que sim. Talvez diriam que a Astronomia, assim como todas as demais ciências, contribuiu e contribuiu para as diversas frentes de desenvolvimento da raça humana, possibilitando uma melhor compreensão a respeito da Natureza, e dos meios pelos quais podemos interferir nela a nosso favor e em nosso benefício. Ou diriam que a Astronomia é uma excelente ferramenta, um excelente meio, para o ensino e a divulgação de outras ciências. Ela seria uma facilitadora na aproximação das pessoas para questões relativas às ciências, portanto, dado o interesse que naturalmente a Astronomia parecesse despertar em boa parte das pessoas em geral. Ao contrário, muitas vezes, de outras ciências naturais, por exemplo, como a Física, a Matemática, a Química e a Biologia. Ou ainda diriam que ela é uma excelente ferramenta para se estudar o funcionamento da própria mente humana, pois o grau de abstração necessário, para a compreensão de certas questões relativas à Astronomia, é um campo fértil para estudos sobre como compreendemos e assimilamos determinados fenômenos que nossos sentidos nos permitem (ou não) captar. Ou então diriam que é ela é a ciência do futuro. Que todos os conhecimentos que têm se acumulado ao longo dos séculos, principalmente nos cinco últimos, a respeito das coisas relativas ao cosmos, dos assuntos que tratem de corpos/objetos extraterrenos e/ou de suas possíveis relações/interações com o planeta Terra, serão essenciais quando as viagens interplanetárias se tornarem plena realidade. Quando a raça humana começar, por exemplo, a colonizar outros corpos celestes - a Lua e Marte em primeiro lugar, provavelmente. Também diriam, ao contrário, que é a ciência do passado. Que foi a primeira ciência natural, mesmo quando ainda não havia se quer a clara distinção que existe hoje entre as ciências e as demais áreas de conhecimento humano. Que o vislumbre do céu, e o questionamento sobre os fenômenos que lá ocorriam e ocorrem, fizeram parte dos primeiros lampejos científicos ocorridos em membros da raça humana, desde o início da nossa História. Ou que a Astronomia é só mais uma área do conhecimento humano, como outra qualquer. Que tem suas peculiaridades, sua própria histórias, seus próprios ?grandes nomes? históricos, sua própria epistemologia, seus métodos, seus objetivos, seus jargões, seu vocabulário, seus domínios, suas bases, seus alicerces, suas fronteiras, seu destino. Mas os tem assim como qualquer outra área do conhecimento, em especial as ciências, como Física, Matemática, Química, Biologia, Línguas, História, Geografia, Filosofia, Psicologia, etc, etc, e etc. Não tem, portanto, nada de especial, é só mais uma. Ou então, talvez, que a Astronomia não é de fato útil. Que não há aplicabilidade direta, em benefícios para a sociedade global, para os conhecimentos desenvolvidos ao longo dos séculos pelos Astrônomos. Que não passam de meras curiosidades, coisas talvez até interessantes de se saber e ouvir falar, que talvez algum dia tenham sido úteis, mas que não servem verdadeiramente para nada realmente útil para as pessoas, principalmente no seus dia-a-dias. Com absoluta certeza, todas essas coisas - e muitas e muitas outras - precisam ser ditas sobre a Astronomia. Precisam ser ?colocadas em pauta?, questionadas, discutidas, comentadas. É saudável, é necessário, é fértil para o desenvolvimento de qualquer área de conhecimento humano, esse olhar para si mesmo, esse questionamento a respeito da própria existência e dos seus porquês. É assim que se ganha força, se ganham novos adeptos, se tomam novos rumos, aspectos se cristalizam, outros são abandonados, ocorrem rupturas, tudo em prol de uma melhoria acolhida coletivamente (desejando-se isso ou não). É algo inexorável. Na semana que vem, iremos encerrar a Coluna Enquanto Isso no Universo, terminando esta breve Ode à Astronomia, uma humilde homenagem que eu gostaria de deixar aqui registrada para todos os leitores da coluna. Aguardo vocês, e até lá!
19/08/2010 12:19 PM
Veja a segunda parte das explicações sobre as constelações do céu de outono Foto: Reprodução Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Antes de seguir na leitura, acesse o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações. OUTONO 2ª PARTE Galáxia M87 Traços de Interesse: ALFA VIRGINIS (SPICA): O membro mais brilhante da constelação; magnitude 1,0. É uma azul-branca a 260 anos-luz de distância. AGLOMERADO DE VIRGEM: No bojo do Y há muitos membros deste aglomerado de galáxias. As mais brilhantes são elípticas gigantes, notavelmente M49, M60, M86 e M87. CORVO ? Corvus ? Crv Corvo é uma pequena constelação ao sul de Virgem, cujas quatro estrelas mais brilhantes ? Beta, Gama, Delta e Épsilon Corvi ? traçam a forma nítida de uma cruz torta. Estranhamente, Alfa Corvi, de magnitude 4,0, é a mais fraca. Corvo, uma das 48 constelações originais, representa um corvo, a ave sagrada de Apolo. Está ligada à lenda da constelação vizinha, Taça. As Antenas Traços de Interesse: DELTA CORVI: Estrela dupla com componentes de 3ª e 5ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. Nebulosa da Coruja Ursa Maior no céu noturno Traços de Interesse: O ARADO: Um dos padrões mais conhecidos no céu, traçado pelas estrelas Alfa, Beta, Gama, Delta, Épsilon, Zeta e Eta Ursae Majoris Com exceção de Alfa e Eta, essas estrelas estão a distâncias similares de nós (cerca de 80 anos-luz) e se movem na mesma direção, formando o que é chamado de aglomerado móvel. ZETA URSAE MAJORIS (MIZAR E ALCOR): Mizar, a segunda maior estrela no cabo, tem uma companheira menos brilhante, Alcor, perceptível a olho nu e facilmente vista com binóculo. Um telescópio pequeno mostra que Mizar também tem uma companheira de 4ª magnitude. XI URSAE MAJORIS: Estrela dupla no sul da constelação, separável com telescópio de 75mm de abertura. Suas componentes, de 4ª e 5ª magnitudes, formam uma binária verdadeira orbitando a cada 60 anos, período curto para uma estrela binária visual. M81: Galáxia espiral no norte da Ursa Maior, inclinada para nós em ângulo. M82: Galáxia espiral de lado para nós. Parece ter passado por uma explosão de formação de estrelas após um encontro próximo com a maior M81, há cerca de 300 milhões de anos. M97 (NEBULOSA DA CORUJA): Nebulosa planetária sob o bojo da Grande Concha, um dos objetos menos brilhantes do catálogo de Messier. M101: Galáxia espiral de face para nós, perto da ponta do cabo da Grande Concha. Está na Via Láctea ao sul de Cruzeiro do Sul e Centauro. É uma das constelações introduzidas no fim do século XVI pelos navegadores-astrônomos holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Drederick de Houtman, e representa uma mosca. A ponta sul da escura nebulosa Saco de Carvão a penetra a partir da vizinha Cruzeiro do Sul, mas afora isso ela pouco tem de notável. Traços de Interesse: THETA MUSCAE: Estrela dupla com componentes de 6ª e 8ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. A mais brilhante é uma supergigante azul e a outra é um exemplo de estrela Wolf-Rayet ? estrela quente que perdeu suas camadas externas. NGC4833: Aglomerado globular visível com binóculo e telescópio pequeno.
VIRGEM ? Virgo ? Vir
A maior constelação do zodíaco e a segunda maior de todas, Virgem tem a forma de um Y inclinado com sua estrela mais brilhante, Spica, na ponta sul. Na sua borda norte está o mais próximo grande aglomerado de galáxias, a cerca de 50 milhões de anos-luz. O Sol fica nos limites de Virgem todo ano, no equinócio de setembro.
Galáxia de Sombreiro
A mais conhecida galáxia de Virgem não é parte de seu aglomerado, e está a apenas dois terços da distância entre a Terra e o tal aglomerado. A faixa escura que corta o núcleo central é criada por poeira nos braços espirais.
Galáxia elíptica gigante próxima do cerne do aglomerado de galáxias de Virgem, M87 tem um núcleo ativo que expele um jato de gás. M87 é uma forte fonte de rádio.
GAMA VIRGINIS: Estrela binária cujas componentes se orbitam a cada 169 anos. Estão se afastando e em 2010 serão divisíveis com telescópios de abertura de 100mm.
À medida que as galáxias NGC4038 e NGC4039 delizam uma pela outra, a gravidade puxa longas torrentes de estrelas e gás que parecem se estender como as antenas de um inseto, daí o nome popular.
NGC4038 e NGC4039 (AS ANTENAS): Notável par de galáxias em interação. Um grande ?acidente de tráfego? ocorre a 65 milhões de anos-luz: a colisão das galáxias NGC4038 e NGC4039. De 10ª magnitude, elas são fracas demais para serem vistas com telescópio pequeno, mas fotografias revelam sua verdadeira estrutura. Estendendo-se a partir delas, dos dois lados, vêm-se arcos semelhantes a antenas feitos de colunas de gás e milhões de estrelas arremessadas no espaço intergaláctico em conseqüência da colisão.
URSA MAIOR ? Ursa Major ? UMa
A Ursa Maior, a Grande Ursa, é uma grande e destacada constelação. Sete de suas estrelas traçam a conhecida forma da Grande Concha (Panela ou Caçarola), mas isso é apenas parte dela. Duas estrelas no bojo da concha, do lado oposto ao do cabo, Alfa e Beta Ursae Majoris, apontam para a estrela do pólo norte, Polaris. No mito grego, a Grande Ursa é identificada com dois personagens: Calisto, amante de Zeus transformada em urso por Hera, mulher do deus, num ataque de ciúme; e Adrastéia, uma das duas ninfas que cuidaram do bebê Zeus, escondendo-o do seu pai assassino, Cronos. A segunda ninfa, Ida, é representada por Ursa Menor, a Pequena Ursa.
A pálida nebulosa planetária sob o bojo da Concha tem esse nome em razão de seus ?olhos? escuros, como os da coruja, visíveis somente com grandes telescópios ou em fotografias e imagens de CCD como esta.
M81 e M82
Galáxias espirais contrastantes no norte da Ursa Maior. A maior, M81, é visível em noites limpas e escuras como uma mancha de luz ligeiramente alongada. Está a um diâmetro da Lua cheia ao norte da menor e menos brilhante M82, só visível com telescópio.
A conhecida forma de concha/panela/caçarola, um dos padrões mais facilmente reconhecíveis no céu, é apenas parte da Ursa Maior. Pode-se ver a olho nu que a segunda estrela no cabo é dupla.
MOSCA ? Musca ? Mus
AGLOMERADO NGC4833
Este aglomerado globular a 18 mil anos-luz de distância pode ser visto com binóculo, mas só um telescópio de 100mm de abertura permite distinguir suas estrelas mais brilhantes.
* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
12/08/2010 02:35 PM
Daniel Soler Foto: Reprodução Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações. OUTONO 1ª PARTE LEÃO ? Leo ? Leo Grande constelação do zodíaco e uma das mais fáceis de reconhecer, porque seu contorno realmente lembra um leão (apesar de aparecer de ponta-cabeça para os habitantes do hemisfério sul da Terra). O padrão de seis estrelas que marca a cabeça e o peito do animal, na forma de um ponto de interrogação invertido, é conhecido como a Foice. Na mitologia grega, Leão representa o leão de couro impenetrável morto por Hércules no primeiro de seus 12 trabalhos. Os meteoros Leonídeos irradiam da região da Foice a cada mês de novembro. Foice de Leão Traços de Interesse: ALFA LEONIS (REGULUS): A mais brilhante estrela da constelação, de magnitude 1,4. Telescópio pequeno ou binóculo mostram uma companheira de 8ª magnitude. ZETA LEONIS: Tripla bem separada de 3ª magnitude na Foice de Leão. Estrelas não relacionadas, de 6ª magnitude, ao norte e ao sul dela, são visíveis com binóculo. M65, M66 e NGC3628: O chamado Tripleto de Leão, trio de galáxias espirais próximo à parte traseira de Leão, visível com telescópio pequeno. M65 e M66 (duas mais embaixo na foto), por se inclinarem para nós em ângulos abruptos, parecem alongadas. NGC 3628 (no alto da foto) é uma das poucas galáxias que aparecem para nós totalmente de perfil. M95 e M96: Par de galáxias espirais fracas, visíveis com telescópio de médio porte. O Cruzeiro do Sul é a menor constelação, porém é instantaneamente reconhecível, graças à famosa estrela Crucis, mais conhecida entre os brasileiros por Intrometida, pois vem meio que ?atrapalhar? o formato perfeito de cruz. Os gregos antigos a viam como parte de Centauro, mas foi transformada em constelação à parte e chamada Cruzeiro do Sul por navegantes europeus no séc. XVI. Eles estabeleciam sua rota com base no fato de que o eixo mais longo da cruz aponta para o pólo sul celeste. Está numa área rica da Via Láctea, interrompida pela escura nebulosa do Saco de Carvão. Nebulosa Saco de Carvão Traços de Interesse: ALFA CRUCIS: A estrela de 1ª magnitude mais ao sul. A olho nu parece ter magnitude 0,8, mas telescópios pequenos a dividem numa cintilante dupla azul-branca de magnitudes 1,3 e 1,8. MU CRUCIS: Vasto par de estrelas de 4ª e 5ª magnitudes, facilmente separável com telescópio pequeno e até bom binóculo. NGC 4755 (NEBULOSA DA CAIXA DE JOIAS): Aglomerado aberto que é uma das jóias do céu austral, visível a olho nu como uma mancha mais brilhante na Via Láctea. Binóculo e telescópio pequeno mostram suas estrelas individuais cobrindo cerca de um terço do tamanho aparente da Lua cheia. Uma supergigante cor de rubi perto do centro contrasta com as demais estrelas, em sua maioria supergigantes azul-brancas, dando a impressão de jóias coloridas, origem de seu nome popular. NEBULOSA SACO DE CARVÃO: Nuvem de poeira escura que bloqueia a luz das estrelas da Via Láctea atrás. Proeminente a olho nu e com binóculo, abrange a área de 12 Luas cheias e penetra nas constelações de Centauro e de Mosca. CENTAURO ? Centaurus ? Cen Centauro, uma das constelações dominantes do céu austral, contém uma variedade de objetos notáveis. Entre eles estão a estrela mais próxima do Sol, o aglomerado globular mais brilhante e uma galáxia peculiar. A constelação representa um centauro, criatura mítica com torso de homem e patas de cavalo. Suas duas estrelas mais brilhantes, Alfa (?) e Beta (?) Centauri apontam para o Cruzeiro do Sul. Ômega Centauri Traços de Interesse: ALFA CENTAURI (RIGEL KENTE): Célebre estrela múltipla. A olho nu, parece de magnitude -0,3, o que faz dela a terceira estrela mais brilhante do céu, mas um telescópio pequeno mostra que é uma dupla de estrelas amarelas que orbitam uma à outra a cada 80 anos. Parecem tão brilhantes porque estão a apenas 4,4 anos-luz. Só há uma estrela mais próxima ? o terceiro membro do sistema, Proxima Centauri, uma fraca anã vermelha de 11ª magnitude. NGC 5128 (CENTAURUS A): Galáxia peculiar e forte fonte de rádio, provavelmente a colisão de uma elíptica gigante e uma galáxia espiral. QUILHA ? Carina ? Car Grande constelação austral, antes parte da figura de Navio, que representava a nau dos argonautas e foi dividida em três no séc. XVIII. No mito grego, Argo era uma potente galé de 50 remos em que Jasão e 50 dos maiores heróis gregos, os argonautas, navegaram para Cólquida, na margem leste do mar Negro, para buscar o velocino de ouro de um carneiro. A viagem é uma das epopéias do mito grego. Quilha, que representa a quilha do barco, herdou muitos objetos do Navio, entre eles sua estrela mais brilhante, Canopus. ALFA CARINAE (CANOPUS): Supergigante branca de magnitude -0,6, a segunda estrela mais brilhante em todo o céu. Localiza-se a 310 anos-luz de nós. NGC 3372 (NEBULOSA DE ETA CARINAE): Macha de gás fulgurante, com quatro vezes o tamanho aparente da Lua, visível a olho nu e mais visível ainda com binóculo. A parte mais brilhante fica em torno da peculiar estrela variável Eta Carinae, que no séc. XIX inflamou-se temporariamente, tornando-se mais brilhante que Canopus, mas hoje retornou à 5ª magnitude. NGC 3532: Aglomerado alongado perfeitamente visível com binóculo. IC 2602 (PLÊIADES DO SUL): Aglomerado aberto com várias estrelas visíveis a olho nu; a mais brilhante é Theta Carinae, de 3ª magnitude. *Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
As seis estrelas ? Épsilon, Mu, Zeta, Gama, Eta e Alfa Leonis (Regulus) ? que formam a Foice de Leão são claramente visíveis. A mais brilhante, Alfa Leonis, marca a ponta do cabo da foice.
GAMA LEONIS (ALBIEBA): Par dourado de magnitude 2,2 e 3,5, separável com telescópio pequeno de grande ampliação. As duas estrelas são gigantes laranja que orbitam uma à outra a cada 600 anos.
CRUZEIRO DO SUL ? Crux ? Cru
Nebulosa que aparece com uma mancha escura na brilhante Via Láctea perto do Cruzeiro do Sul, aqui à esquerda do centro. Alfa e Beta Centauri estão na extrema esquerda da figura.
GAMA CRUCIS: Gigante vermelha de 2ª magnitude com companheira não relacionada de 6ª magnitude visível com binóculo.
Com binóculo, o aglomerado parece maior que a Lua cheia e telescópios pequenos distinguem os membros individuais mais brilhantes. Está a 17 mil anos-luz de distância.
ÔMEGA CENTAURI (NGC 5139): O maior e mais brilhante aglomerado globular. A olho nu, parece uma estrela grande, imprecisa. Talvez no passado, Ômega Centauri possa ter sido o núcleo de uma pequena galáxia ?engolida? pela nossa Galáxia.
NGC 3918 (PLANETÁRIA AZUL): Nebulosa planetária bem visível com telescópio pequeno; parece uma versão aumentada do disco de Urano.
Grande Nebulosa da Carina
Em uma das partes mais brilhantes da Via Láctea, reside uma nebulosa onde ocorrem algumas das coisas mais únicas existentes no nosso céu. NGC 3372, conhecida como a Grande Nebulosa da Carina, é a casa de estrelas massivas e nebulosas em mutação. Eta Carinae, a estrelas mais energética da nebulosa, foi uma das estrelas mais brilhantes no céu nos anos de 1830, mas então decaiu de brilho dramaticamente. A Nebulosa Keyhole ? Buraco de Fechadura, visível próximo ao centro, mais à equerda, abriga várias das estrelas mais massivas conhecidas, e tem mudado rapidamente de aparência. A Nebulosa da Carina se estende por mais de de 300 anos-luz, e fica a cerca de 7.500 anos-luz de nós. A figura abaixo é a imagem mais detalhada já obtida da Nebulosa de Carina, conseguida por meio do Telescópio Espacial Hubble.
Traços de Interesse:
NGC 2516: Grande aglomerado aberto visível a olho nu. Com binóculo, tem forma de cruz.
05/08/2010 06:22 PM
Daniel Soler Foto: Reprodução Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações. VERÃO 1ª PARTE ÓRION ? Orion ? Ori Órion, uma das mais gloriosas constelações, representa um caçador ou guerreiro gigante seguido por seus cães (as constelações Cão Maior e Cão Menor). Seu traço mais peculiar são as Três Marias, uma linha de três estrelas de 2ª magnitude. Na mitologia grega, Órion foi mortalmente picado por um escorpião. Como está situado no céu em oposição a Escorpião (Scorpius), põe-se quando este se levanta, e vice-versa. Todo ano, no final de outubro, os meteoros Orionídeos parecem irradiar de um ponto perto do limite com Gêmeos. Nebulosa de Órion O caçador armado Nebulosa da cabeça do cavalo Traços de Interesse: ALFA ORIONIS (BETELGEUSE): Supergigante vermelha, centenas de vezes maior que o Sol. Varia em brilho entre magnitudes 0 e 1,3 com valor médio em torno de magnitude 0,5. A cerca de 430 anos-luz de distância, é mais próxima que as outras estrelas brilhantes de Órion. DELTA ORIONIS (MINTAKA): Estrela na extremidade norte do cinturão, tem uma companheira de 7ª magnitude visível com telescópio pequeno ou até binóculo. THETA1 ORIONIS (TRAPÉZIO): Estrela múltipla no centro da nebulosa de Órion. Com telescópio pequeno, aparece como um grupo de quatro estrelas de 5ª e 8ª magnitudes. De um lado da nebulosa esta Theta2 Orionis, dupla binocular com componentes de 5ª e 6ª magnitudes. IOTA ORIONIS: Dupla com estrelas de 3ª e 7ª magnitudes, na ponta da espada de Órion, separável com telescópio pequeno. Uma dupla mais separada próxima, de 5ª e 6ª magnitudes, é chamada Struve747. SIGMA ORIONIS: Magnífica estrela múltipla. Com telescópio pequeno vê-se que a estrela principal, de 4ª magnitude, tem duas companheiras de 7ª magnitude de um lado e uma mais próxima, de 9ª, de outro. No mesmo campo de visão telescópico vê-se uma estrela tripla mais fraca, Struve76. M42 (NEBULOSA DE ÓRION): Enorme nuvem de gás formadora de estrelas a 1.500 anos-luz de distância, cobrindo o diâmetro de duas Luas no céu. Uma extensão ao seu norte tem outro número, M43, mas são ambas partes da mesma nuvem. NGC1977: Mancha alongada de nebulosidade em torno das estrelas 42 e 45 Orionis. NGC1981: Aglomerado estrelar grande e espalhado ao sul das Três Marias. Seus membros mais brilhantes são de 6ª magnitude. NEBULOSA DA CABEÇA DO CAVALO: Talvez a nebulosa escura mais conhecida. Aparece em silhueta contra a IC434, área de nebulosidade mais clara que se estende para o sul a partir de Zeta (?) Orionis.. Touro é uma grande e proeminente constelação do zodíaco, com uma profusão de objetos para instrumentos de todos os tamanhos, em especial os aglomerados estelares Plêiades e Híades e a nebulosa do Caranguejo. As Híades representam o focinho do touro e a estrela mais brilhante da constelação, Aldebaran, marca o seu olho cintilante. A cada início de novembro, os meteoros Taurídeso parecem irradiar de um ponto ao sul das Plêiades. Na mitologia grega, o touro representava o disfarce adotado por Zeus para levar a princesa Europa da Fenícia para Creta, cruzando o Mediterrâneo a nada com ela nas costas. Aglomerado das Híades Nebulosa do Caranguejo Traços de Interesse: ALFA TAURI (ALDEBARAN): Estrela mais brilhante da constelação, magnitude 0,9. É uma gigante vermelha de cor muito visível. Parece fazer parte do aglomerado Híades, mas está a apenas 65 anos-luz, menos da metade da distância do aglomerado a que se superpõe por acaso. LAMBDA TAURI: Binária eclipsante do mesmo tipo que Algol. Varia entre magnitude 3,4 e 3,9, num ciclo de pouco menos de quatro dias. SIGMA TAURI: Estrela dupla separada nas Híades, separável com binóculo. Ambas as componentes são de 5ª magnitude. M1 (NEBULOSA DO CARANGUEJO): Restos de uma estrela que explodiu como supernova; deve ter sido vista da Terra em 1054 d.C. Com telescópio pequeno, aparece como um pálido fulgor elíptico sete vezes maior que o disco de Júpiter. Só com aberturas grandes se vêem os detalhes que levaram o astrônomo irlandês lorde Rosse a batizar a nebulosa, em 1844. M45 (PLÊIADES): Grande e nítido aglomerado popularmente chamado de Sete Irmãs. O seu membro mais brilhante é Alcione, de magnitude 2,9, e localiza-se perto do centro. Seis ? e não sete ? membros das Plêiades podem ser vistos a olho nu; com binóculo, o aglomerado é uma visão deslumbrante, com muitos membros aparecendo. Em fotografias e imagens de CCD, as estrelas aparecem numa luminosa névoa azul de poeira. Cobre uma área do céu três vezes maior que a da Lua cheia. Está a 400 anos-luz da Terra. HÍADES: Grande aglomerado cujas principais estrelas formam um ?V? com dez vezes a largura aparente da Lua. Localizado a 150 anos-luz de distância, é o grande aglomerado mais próximo de nós. Mais de uma dúzia de membros são visíveis a olho nu, e o binóculo revela outras dúzias. No braço sul do ?V? há uma vasta dupla, Theta (q) Tauri. A estrela mais brilhante desse par, com magnitude 3,4, é o membro mais brilhante das Híades. CÃO MAIOR ? Canis Major ? CMa Esta destacada constelação contém a estrela mais brilhante de todo o céu noturno, Sirius, que form um triângulo cintilante com duas outras estrelas de 1ª magnitude, Procyon (em Cão Menor) e Betelgeuse (em Órion). Para os gregos antigos, Cão Maior representava um dos dois cães que seguiam Órion, o caçador. Traços de Interesse: ALFA CANIS MAJORIS (SIRIUS): A estrela mais brilhante no céu, de magnitude -1,4, Sirius é uma das mais próximas de nós, a 8,6 anos-luz. Uma anã branca fraca, Sirius B, que a orbita a cada 50 anos, só pode ser vista com telescópio grande. M41: Grande aglomerado aberto, visível a olho nu como mancha imprecisa. Com binóculo vêem-se suas estrelas espalhadas numa área de cerca do tamanho da Lua cheia. Com telescópio vêem-se cadeias de estrelas irradiando de seu centro. NGC2362: Aglomerado estelar compacto em torno da supergigante azul Tau (?) Canis Majoris, de 4ª magnitude. Mais bem visto com telescópio. Esta nítida constelação do zodíaco é facilmente identificável por suas estrelas mais brilhantes, Castor e Pollux, que têm os nomes dos gêmeos da mitologia grega que ela representa. Castor e Pollux marcam as cabeças dos gêmeos, embora sejam muito diferentes. Pollux, a estrela mais brilhante do par, de magnitude 1,2, é uma gigante laranja a 34 anos-luz de distância; Castor é uma azul-branca, magnitude 1,6, a 52 anos-luz. Em meados de dezembro, os meteoros Geminídeos irradiam de um ponto perto de Castor. Traços de Interesse: ALFA GEMINORUM (CASTOR): Notável estrela múltipla. A olho nu parece uma estrela única de magnitude 1,6, mas com um pequeno telescópio de grande ampliação separa-se num cintilante par azul-branco de 2ª e 3ª magnitudes. Estas formam uma binária genuína com um período orbital de 470 anos. Há também uma companheira anã vermelha de 9ª magnitude. As 3 estrelas são binárias espectroscópicas, num total de 6 estrelas no sistema. ZETA GEMINORUM: Variável cefeída que oscila entre as magnitudes 3,6 e 4,2 num ciclo de 10,2 dias. M35: Aglomerado estelar aberto aos pés dos gêmeos, facilmente encontrável com binóculo. * Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
Em fotografias e imagens de CCD, a nebulosa aparece multicolorida. Visualmente, parece cinza-esverdeada, porque o olho não é sensível a cores em objetos fracos. Em noites claras, é visível a olho nu como vaga mancha de luz.
A área mais interessante e compensadora de Órion circunda a espada que pende do seu nítido cinturão.
Assemelha-se ao cavalo do xadrez contra uma faixa de nebulosidade, IC434. Fotografias a mostram bem. É possível visualizá-la com telescópio grande num local escuro.
BETA ORIONIS (RIGEL): Luminosa supergigante azul de magnitude 0,2. Exceto nas raras ocasiões em que Betelgeuse está no seu máximo, Rigel é a estrela mais brilhante da constelação. Com telescópio pequeno vislumbra-se uma companheira de 7ª magnitude no clarão que cerca Rigel.
ZETA ORIONIS (ALNITAK): A estrela no extremo sul do cinturão. Telescópio com abertura mínima de 75mm revela sua companheira próxima de 4ª magnitude.
TOURO ? Taurus ? Tau
As sete irmãs
Fotografias e imagens de CCD mostram que as Plêiades estão imersas numa névoa azul de poeira que reflete a luz das estrelas mais brilhantes.
Este aglomerado em forma de ?V? delinea a cara do touro. Suas estrelas mais brilhantes são facilmente visíveis a olho nu. Aldebaran (à esquerda) está em primeiro plano, não pertencendo ao aglomerado.
Belos restos de uma estrela que explodiu como supernova, este objeto foi batizado em 1844 por lorde Rosse, para quem os filamentos de gás pareciam as patas de um caranguejo (e não porque a nebulosa estaria dentro da constelação de Caranguejo, como alguns pensam).
KAPPA TAURI: Dupla separada com componentes de 4ª e 5ª magnitudes, nos arredores das Híades.
GÊMEOS ? Gemini ? Gem
Aglomerado aberto M35
Sob um céu limpo, o aglomerado estelar M35 pode ser avistado a olho nu. Com binóculo, aparece como uma mancha alongada de luz estelar do tamanho aparente da Lua cheia. Visto com um pequeno telescópio, suas estrelas individuais parecem formar correntes.
ETA GEMINORUM: Variável gigante vermelha cuja magnitude oscila entre 3,1 e 3,9.
NGC2392 (NEBULOSA DO ESQUIMÓ): Nebulosa planetária visível com pequeno telescópio com o disco azulado similar em tamanho ao globo de Saturno. Aberturas maiores e imagens de CCD mostram uma fímbria circundante de gás como a pele na parca de um esquimó.
22/07/2010 12:11 PM
Daniel Soler Foto: Reprodução Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações. LIRA ? Lyra ? Lyr Constelação compacta mas destacada, contém Vega, a quinta estrela mais brilhante do céu. Azul-branca, Vega é parte de um triângulo de estrelas no céu de verão setentrional (do hemisfério norte), o Triângulo do norte (os outros membros são Deneb, em Cisne, e Altair, em Águia). Lira, o instrumento tocado por Orfeu, fica na borda da Via Láctea, perto de Cisne. Os meteoros Lirídeos irradiam de um ponto próximo de Veja todos os anos, por volta de 21 ou 22 de abril. Nebulosa do anel Traços de Interesse: DELTA LYRAE: Dupla separável com binóculo ou boa visão a olho nu. Consiste numa gigante vermelha de 4ª magnitude e uma azul-branca não-relacionada de 6ª magnitude. ÉPSILON LYRAE: A mais bela estrela quádrupla do céu. Com binóculo aparece como nítido par de estrelas de 5ª magnitude. Cada uma tem uma companheira mais próxima, revelada por telescópio de 60 ou 75mm de abertura com grande ampliação. As quatro estrelas estão ligadas por gravidade e em órbitas de longo prazo uma em redor da outra. ZETA LYRAE: Estrela dupla com componentes de 4ª e 6ª magnitudes, facilmente separável com binóculo ou telescópio pequeno. M57 (NEBULOSA DO ANEL): Nebulosa planetária que parece um anel de fumaça. O telescópio espacial Hubble revelou que o ?anel? é um cilindro de gás lançado pela estrela central. Capricórnio, a menor constelação do zodíaco e nada proeminente, situa-se entre Sagitário e Aquário. No mito grego, representa o deus Pã, semelhante a um bode. Consta que ele saltou num rio e tornou-se em parte peixe para escapar do monstro marinho Tífon. Por isso a constelação é descrita como um bode com rabo de peixe. ALFA CAPRICORNI: Vasto par de estrelas de 4ª magnitude não relacionadas, separável com binóculo ou com vista aguçada. Alfa-1 é uma supergigante amarela a quase 700 anos-luz de distância e Alfa-1 é uma gigante amarela menos de um sexto dessa distância. CASSIOPÉIA ? Cassiopeia ? Cas Esta notável constelação do céu setentrional (do hemisfério norte celeste) situa-se na Via Láctea entre Perseu e Cefeu. Suas cinco principais estrelas formam um grande W facilmente reconhecível. É uma antiga constelação grega que representa uma rainha mítica da Etiópia, punida por sua vaidade por Posêidon. Seu marido Cefeu e sua filha Andrômeda são representados por constelações vizinhas. Traços de Interesse: GAMA CASSIOPEIAE: Estrela quente, de rápida rotação no meio do W de Cassiopéia. Ás vezes expele anéis de gás de seu equador, causando mudanças imprevisíveis no seu brilho. Hoje tem magnitude 2,2, mas no passado variou entre 3,0 e 1,6. RHO CASSIOPEIAE: Supergigante amarelo-branca que varia entre 4ª e 6ª magnitudes a cada 10 ou 11 meses. M52: Aglomerado aberto visível com binóculo; notavelmente alongado, tem cerca de 1/3 da largura da Lua cheia. M103: Aglomerado estelar pequeno e alongado, mais visível com telescópios pequenos. GROU ? Grus ? Gru Situada entre Peixe Austral e Tucano, foi introduzida no fim do séc. XVII pelos navegadores-astrônomos holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman. Representa uma ave de pernas e pescoço longos, o grou. As principais estrelas da constelação formam um perfeito ?número 1? no céu. Traços de Interesse: BETA GRUIS: Gigante vermelha variável cujo brilho varia irregularmente entre as magnitudes 2,0 e 2,3. DELTA GRUIS: Uma de duas grandes e notáveis duplas na constelação, separáveis a olho nu. Consiste num par de gigantes de 4ª magnitude, amarela e vermelha. MU GRUIS: Par de gigantes amarelas de 5ª magnitude separável a olho nu. Como Delta Gruis, é um alinhamento casual, não uma binária verdadeira. * Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
Com um telescópio pequeno, o anel parece um disco mais largo que o do planeta Júpiter. Só com aberturas maiores se pode ver o buraco central. Fotografias e imagens de CCD como esta enfatizam cores não aparentes visualmente.
BETA LYRAE: Estrela dupla facilmente separável em componentes creme e azul com telescópio pequeno. A estrela mais brilhante (a creme) é também uma binária eclipsante que varia entre as magnitudes 3,3 e 4,4 a cada 12,9 dias. As duas estrelas nessa binária são tão próximas que o gás da maior cai sobre a menor e parte dele espirala no espaço.
CAPRICÓRNIO ? Capricornus ? Cap
Traços de Interesse:
BETA CAPRICORNI: Vasta estrela dupla, reúne uma gigante amarela de 3ª magnitude e uma companheira azul-branca de 6ª magnitude, visível com telescópio pequeno ou um bom binóculo.
M30: Modesto aglomerado globular visível com telescópio pequeno como mancha enevoada. Aberturas maiores mostram cadeias de estrelas projetando-se dele como dedos.
Aglomerado alongado
O principal traço do aglomerado aberto M103 é uma cadeia de três estrelas semelhante a um minicinturão de Órion.
ETA CASSIOPEIAE: Atraente par binário de estrelas amarela e vermelha, magnitudes 3,5 e 7,5, facilmente resolvível com telescópio pequeno. A companheira mais fraca orbita a mais brilhante a cada 480 anos.
21/07/2010 10:42 AM
Daniel Soler Foto: Reprodução Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional. Antes de seguir na leitura, acesse aqui a 1ª Parte das Constelações de Inverno, publicada dia 23 de junho de 2010] o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações. PRIMAVERA Pégaso limita-se com Andrômeda, ao norte das constelações do zodíaco Aquário e Peixes. Seu traço mais notável é o Quadrado, formado por quatro estrelas, embora uma delas pertença a Andrômeda. Só o quarto dianteiro do cavalo aparece no céu, embora seja a sétima maior constelação. Uma das 48 constelações gregas originais, Pégaso era o cavalo voador do herói Belerofonte. Pégaso nasceu do corpo de Medusa, a Górgone, quando ela foi decapitada por Perseu. Por vezes, Pégaso é erroneamente identificado como o corcel de Perseu. Aglomerado Globular M15 Traços de Interesse: QUADRADO DE PÉGASO: A caixa formada por Alfa, Beta, Gama Pegasi, mas Alfa Andromedae. A vasta área dentro da caixa é surpreendentemente vazia de estrelas. A mais brilhante é Upsilon Pegasi, magnitude 4,4. ÉPSILON PEGASI: Conjuntamente a estrela mais brilhante da constelação. Esta estrela amarela de magnitude 2,4 tem companheira separada de 8ª magnitude. M15: Um dos mais belos aglomerados globulares no céu setentrional, facilmente encontrado com binóculo. Andrômeda é vizinha de Pégaso. Uma das constelações gregas originais, figura a filha da rainha mítica Cassiopéia, representada pela constelação ao seu norte. A cabeça de Andrômeda é assinalada por Alfa Andrômeda, que também forma um ângulo do Quadrado de Pégaso ? outrora essa estrela era considerada partilhada com Pégaso. Traços de Interesse: GAMA ANDROMEDAE: Espetacular estrela dupla composta de uma estrela gigante laranja de magnitude 2,3 em contrate com companheira azul de magnitude 4,8; facilmente separável com telescópio pequeno. NGC 752: Aglomerado de estrelas aberto visível com binóculo e espalhado por uma área maior que a da Lua cheia. Um telescópio pequeno é necessário para revelar suas estrelas individuais, que são de 9ª magnitude e menos brilhantes. NGC 7662: Uma das nebulosas planetárias mais fáceis de se ver. Com telescópio pequeno de baixa ampliação, parece uma brilhante estrela azul; potências maiores mostram sua forma de disco. CISNE ? Cygnus ? Cyg Uma das mais destacadas constelações do céu setentrional (do hemisfério norte celeste), com muitos objetos de interesse. Situa-se numa área rica da Via Láctea e representa um cisne, o disfarce adotado pelo deus grego Zeus para uma de suas seduções ilícitas. Suas principais estrelas delineiam uma cruz gigantesca, por isso é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte. Deneb, sua estrela mais brilhante, está na cauda do cisne (ou no topo da cruz, dependendo do seu grau de visualização). Deneb forma um vértice do Triângulo do Norte de estrelas do norte, completado por Vega e Altair. Nebulosa da América do Norte Cisne no céu noturno Nebulosa do Véu Traços de Interesse: ALFA CYGNI (DENEB): Supergigante muito luminosa. De magnitude 1,3, é a mais distante estrela de primeira magnitude, a mais de 3 mil anos-luz da Terra. BETA CYGNI (ALBÍREO): Bela estrela dupla colorida no bico do cisne. As duas estrelas podem ser distinguidas com binóculo, se firmemente montado, e são um alvo fácil para um telescópio pequeno. A estrela mais brilhante, de magnitude 3,1, é laranja, em vivo contraste coma mais pálida, de magnitude 5,1 e azul-esverdeada. 61 CYGNI: Dupla facilmente separável com telescópio pequeno. Composta de duas anãs laranja de 5ª e 6ª magnitudes que orbitam uma à outra a cada 650 anos. M39: Grande aglomerado aberto no norte de Cisne. Com área similar à da Lua Cheia, é facilmente visível com binóculo. Tem forma triangular e uma estrela dupla no centro. NGC 6826 (THE BLINKING PLANETARY): Nebulosa planetária com disco azul-esverdeado de tamanho similar ao contorno de Júpiter. É popularmente chamada nebulosa Pisca-Pisca porque parece piscar à medida que o observador olha alternadamente para ela e para um lado. NGC 6992 (NEBULOSA DO VÉU): Enorme laço de gás fulgurante, o resto de uma estrela que explodiu como supernova há milhares de anos. NGC 7000: Grande nuvem de gás fulgurante perto de Deneb. Pode ser vista com binóculo em noites limpas e escuras. CYGNUS RIFT (SACO DE CARVÃO DO NORTE): Nuvem de poeira que divide a Via Láctea em duas. CISNE A E CISNE X-1: Dois objetos além do alcance do astrônomo amador, mas de considerável interesse astrofísico. Cisne A, forte fonte de rádio, resulta da colisão de duas galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Cisne X-1, intensa fonte de raios X perto de Eta (?) Cygni, talvez seja um buraco negro na órbita de uma supergigante azul de 9ª magnitude a cerca de 8 mil anos-luz em nossa própria galáxia. ÁGUIA ? Aquila ? Aql Situa-se sobre o Equador Celeste numa área rica da Via Láctea, com Cisne ao norte e Escudo e Sagitário ao sul. Representa uma águia voando. Sua estrela mais brilhante, Altair, magnitude 0,8, fica no pescoço da águia e forma um vértice do Triângulo do norte, completado por Veja e Deneb. Altair é flanqueada por Beta (?) Aquilae, Tarazed, de 3ª magnitude, formando um nítido trio. Na mitologia grega, a águia carregava os raios que Zeus lançava sobre seus inimigos. Segundo a lenda, Zeus enviou uma águia, ou transformou-se em águia, e carregou o menino pastor Ganimedes até o Olimpo para servir aos deuses. Ganimedes é representado pela constelação vizinha Aquário. Traços de Interesse: ETA AQUILAE: Uma das mais brilhantes variáveis cefeidas. Oscila entre magnitudes 3,5 e 4,4 a cada 7,2 dias. Sua distância é estimada em 1200 anos-luz. 15 E 57 AQUILAE: Duas estrelas duplas fáceis para telescópio pequeno; 15 Aquilae tem componentes de 5ª e 7ª magnitudes. Em 57 Aquilae, ambas as componentes são de 6ª magnitude. R AQUILAE: Gigante vermelha variável do mesmo tipo que Mira. A cada nove meses atinge seu brilho máximo e é visível com binóculo. NGC 6709: Modesto aglomerado aberto; de forma irregular, contém estrelas de magnitude 9 e mais fracas. * Fonte: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
PÉGASO ? Pegasus ? Peg
Sob boas condições, M15 está no limite da visibilidade a olho nu. Embora o aglomerado esteja a cerca de 30 mil anos-luz da Terra, é fácil localizá-lo com binóculo ou telescópio pequeno, aparecendo como uma estrela imprecisa.
BETA PEGASI (SCHEAT): Gigante vermelha que varia irregularmente entre as magnitudes 2,3 e 2,7.
51 PEGASI: Estrela de 5ª magnitude, ao lado do Quadrado de Pégaso. A primeira estrela além do Sol em cuja órbita há um planeta. Descoberto em 1995, tem cerca da metade da massa de Júpiter.
ANDRÔMEDA ? Andromeda ? And
Galáxia de Andrômeda
O mais distante objeto normalmente visível a olho nu, esta galáxia aparece como mancha tênue e enevoada, alongada por estar inclinada num ângulo para nós. Binóculos revelam mais de sua extensão e com telescópio se divisam seus braços espirais.
M31 (GALÁXIA DE ANDRÔMEDA): Enorme galáxia espiral a cerca de 2,5 milhões de anos-luz, similar em tamanho e natureza à Via Láctea.
NGC 7000 é também chamada de nebulosa da América do Norte, em razão de sua forma. Sua plena majestade só aparece em fotografias de longa exposição.
Como as principais estrelas de Cisne formam uma cruz, a constelação é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte.
Os restos de uma estrela explodida formam um tênue laço de gás fulgurante sob a asa sul de Cisne. Com a largura de seis diâmetros da Lua, a nebulosa é mais visível em fotografias, mas em condições ideais a parte mais luminosa, NGC 6992, pode ser avistada com binóculo e telescópio pequeno.
OMICRON-1 CYGNI: Dupla separada para binóculo reunindo uma estrela laranja de 4ª magnitude e uma companheira azulada de 5ª magnitude.
CHI CYGNI: Gigante vermelha pulsante do mesmo tipo que Mira. Quando atinge seu auge, a intervalos de cerca de 13 meses, pode parecer de 3ª magnitude e é facilmente visível a olho nu, mas como empalidece até a 14ª magnitude, sua variação total só pode ser acompanhada com telescópio.
Altair, Tarazed e Alshain
Altair, a estrela mais brilhante em Águia, é flanqueada por Tarazed (Gama Aquilae) ao norte e Alshain (Beta Aquilae) ao sul. Tarazed, de 3ª magnitude, é uma gigante laranja de notável colorido.
FF AQUILAE: Variável cefeida que varia entre magnitude 5,2 e 5,7 a cada 4,5 dias. Pode ser facilmente seguida com binóculo.
08/07/2010 01:39 PM


