WCSA Publicidade



Aguarde Carregando...

Saúde da Mulher - iG Delas: Acompanhe notícias e tire dúvidas sobre DSTs, fertilidade, gravidez, menopausa, osteoporose, câncer e mais.




Reuters

Novo estudo sugere que as cápsulas do óleo, rico em ômega-3, não ajudam a prevenir depressão pós-parto

Foto: Getty Images

Tomar cápsulas de óleo de peixe é uma maneira fácil e barata de consumir os ácidos graxos Ômega-3, mas elas não ajudam as gestantes a se manter longe da depressão pós-parto e tampouco reforçam o desenvolvimento mental dos bebês, como muitos crêem.

As duas constatações são de pesquisadores australianos que testaram o efeito de suplementos diários durante a segunda metade da gestação ? período em que o cérebro do feto tem grande desenvolvimento.

No estudo, mas de 2.000 mulheres consumiram óleo vegetal ou óleo de peixe contendo ácido docosahexaenóico (DHA), que estudos anteriores sugeriram ? mas não comprovaram ? que poderia melhorar o resultado da gravidez.

?Antes que o uso de suplementos de DHA na gravidez se torne amplamente difundido é importante saber não somente se existem benefícios, mas também se existem riscos para a mãe ou para o bebê?, relatou Maria Makrides, do Women?s and Children?s Hospital de North Adelaide, Austrália, juntamente com colegas de estudo em uma declaração ao jornal da Associação Médica Americana.

Mas, talvez já seja tarde demais. Os pesquisadores constataram que um terço das mulheres convidadas a participar do estudo já estava tomando suplementos à base de óleo de peixe sob aconselhamento médico.

A boa notícia: o único efeito colateral foram os arrotos, que se apresentaram duas vezes mais comuns em mulheres que estavam tomando as cápsulas de óleo de peixe.

A má notícia: o óleo de peixe não ajudou muito no humor das mulheres depois do parto. Cerca de 10% das voluntárias dos dois grupos relataram altos níveis de sintomas de depressão.

Além disso, quando psicólogos avaliaram os bebês das voluntárias aos 18 meses de vida, constaram não haver diferenças de balbucio, compreensão verbal e outras formas de desenvolvimento da linguagem, tampouco em medidas cognitivas como a exploração de objetos e a formação de conceitos.

?Certamente não existem benefícios fortes e comprovados dos suplementos de óleo de peixe?, disse Emily Oken, que estuda nutrição durante a infância na Escola de Medicina de Harvard, em Boston (EUA), e escreveu um artigo sobre os novos resultados.

Segundo ela as descobertas não eliminam a hipótese de que algumas mulheres, como aquelas com alto risco de desenvolver depressão, possam se beneficiar dos suplementos de óleo de peixe.

?Segundo as recomendações atuais, as gestantes devem tentar consumir 200 miligramas de DHA por dia?, disse Oken, que não participou do novo estudo e não tem vínculos com empresas fabricantes de suplementos.

Oken diz que talvez o próprio peixe seja uma fonte de DHA melhor do que as cápsulas, por conter outros nutrientes que possam também ser benéficos. Ela complementou, porém, que é por isso que vários estudos de observação constataram melhores resultados na gravidez em mulheres que têm alto consumo de frutos do mar.

Peixes ricos em DHA incluem o salmão, a truta, a sardinha e o arenque. Oken explica que uma porção semanal é o suficiente e adverte que as gestantes devem evitar os peixes maiores, que contêm muito mercúrio ? como o peixe-espada e o tubarão.

Duffy Mackay, do Conselho para a Nutrição Responsável, associação americana representante de fabricantes e fornecedores de ingredientes para suplementos alimentares, disse que DHA é parte essencial da dieta, pois não é fabricado pelo organismo. O componente conhecido como ácido graxo Omega-3 é um construtor de membranas celulares e é especialmente importante para o desenvolvimento cerebral.

?Eu ficaria muito triste ao ver as pessoas abandonando o uso do DHA ou do EPA por causa de um estudo?, disse Mackay, referindo-se ao acido docosahexaenóico, outro tipo de Ômega-3.
Ao ser pressionado, porém, ele não quis afirmar se tomar os suplementos poderia diminuir os riscos de depressão ou aumentar o desenvolvimento dos bebês. ?Eu não espero que o óleo de peixe funcione como uma medicação?, disse Mackay à Reuters.

As pílulas usadas no novo estudo continham 800 miligramas de DHA e 100 miligramas de EPA e foram fornecidas pela empresa Efamol, fabricante de suplementos alimentares.

Apesar dos resultados especialmente negativos, os pesquisadores constataram que mulheres que consumiram óleo de peixe diminuíram os riscos de parto prematuro ? antes da 34 semana de gestação ? de mais de 2% para apenas 1%. O período normal da gravidez é de 40 semanas. Por outro lado, elas também aumentaram o risco de dar à luz após a data prevista.

 

* Por Frederik Joelving

AE

40% das mulheres ficam estéreis após a quimioterapia e proposta é tentar preservar a fertilidade

O Hospital Pérola Byington, em São Paulo, lança neste mês um programa de congelamento de óvulos para mulheres em tratamento contra o câncer de mama. O serviço, avaliado em R$ 8 mil, será oferecido gratuitamente para pacientes de até 35 anos

?Cerca de 40% das mulheres ficam estéreis após a quimioterapia. A ideia, portanto, é coletar os óvulos no intervalo entre a cirurgia para a retirada do tumor e o início do tratamento quimioterápico?, diz o diretor do hospital, Luiz Henrique Gebrim.

O programa será aberto também a pacientes de outros centros médicos, que precisarão ser encaminhadas pelo oncologista responsável. Mulheres sem filhos terão prioridade. A técnica consiste na estimulação ovariana por meio de hormônios e congelamento dos óvulos a serem utilizados pela paciente no futuro, caso haja falência dos ovários. ?Não há fila para a coleta dos óvulos, mas, se a paciente quiser realizar o tratamento de fertilização in vitro no Pérola Byington, terá de entrar na fila?, afirma Gebrim. A paciente poderá optar por fazer a fertilização em um serviço particular.

Hoje, cerca de 1,8 mil mulheres estão cadastradas no serviço de fertilização assistida do hospital, um dos poucos gratuitos do País. O tempo de espera está em torno de dois anos e meio. O Pérola Byington realiza anualmente cerca de 120 tratamentos, dos quais 40 são bem-sucedidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Reuters

Novo estudo aponta que terapia de reposição de hormônios aumenta o risco de morte por câncer de mama

Foto: Getty Images

Mulheres que fizeram reposição hormonal tiveram maiores incidências de câncer de mama em estágio avançado e foram mais propensas a morrer dele quando comparadas a mulheres que tomaram uma pílula placebo, o que aumentou a preocupação das autoridades norte-americanas sobre esses medicamentos muito usados por mulheres daquele país.

O estudo, publicado na revista científica da Associação Médica Americana, é o primeiro a reportar mais mortes por câncer de mama entre mulheres usuárias da terapia de reposição hormonal. E mais: o primeiro a contradizer os resultados de pesquisas anteriores que sugeriram que mulheres em terapia de reposição de hormônios, quando acometida por tumores de mama, tinham cânceres menos agressivos e mais fáceis de tratar.

?Ao contrário da idéia que tínhamos dois anos atrás, de que o câncer associado à reposição de estrogênio e progesterona seria de evolução favorável e sem grandes problemas para a mulher, estamos vendo hoje que essa reposição está associada a um risco maior de morte por câncer de mama? disse Rowan Chlebowski, do Instituto de Pesquisa Biomédica de Los Angeles, pesquisador líder do estudo, em entrevista telefônica à Reuters.

As conclusões foram baseadas no acompanhamento, ao longo de 11 anos, dos dados de mais de 12 mil mulheres que participaram do estudo ?Women?s Health Initiative?, o mesmo que em 2002 apontou que o uso contínuo de estrogênio e progesterona por cinco anos aumentava o risco de câncer de ovário e mama, assim como de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na época, a venda da terapia de reposição hormonal líder no mercado norte-americano caiu pela metade.

Dobro de mortes

Analisando os dados das mulheres do estudo ?Women?s Health Initiative? e encontraram duas vezes mais mortes por câncer de mama entre as que fizeram reposição hormonal ? 2,6 mulheres em cada 10 mil por ano contra 1,3 em cada 10 mil por ano entre as que tomaram placebo. Quase 24% dos cânceres de mama das usuárias de hormônios se espalharam para os linfonodos, contra 16% entre as usuárias de placebo.

?Os índices de todos os cânceres preocupantes, com prognósticos desfavoráveis, também aumentaram? afirmou Chlebowski, citando as formas agressivas de câncer de mama e não apenas os tumores não relacionados ao estrogênio, que são mais fáceis de tratar.

?Pela primeira vez mostramos que as mortes por câncer de mama também aumentaram significamente? disse o pesquisador.

Alguns fabricantes de medicamentos alertam aos médicos nas bulas dos medicamentos para prescreverem a reposição nas doses eficazes mais baixas e por um período curto de tempo. Mas mesmo essa conduta não está isenta de risco, sugere Peter Bach, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, de Nova York (EUA), em um comentário publicado na mesma revista onde consta o estudo de Chlebowski e sua equipe.

?É importante enxergar os dados no contexto mais amplo, tanto em relação aos sintomas da menopausa quanto ao grande corpo de informações ? desenvolvido em mais de 60 anos de estudos ? sobre os benefícios e riscos da terapia de reposição hormonal?.

Muitos especialistas apontaram que a idade média das mulheres acompanhadas no estudo era de 63 anos ? uma faixa de idade posterior à menopausa ? e que os resultados encontrados podem não ser aplicáveis a mulheres que fazem outras formas de reposição hormonal ou àquelas que iniciam a terapia imediatamente após a menopausa.

* Por Julie Steenhuysen

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Pesquisa mostra ainda que um em cinco classifica método de emergência como ?microaborto?

Foto: Getty Images/Photodisc

A pílula do dia seguinte faz parte não apenas dos receituários dos médicos do País mas do dia a dia dos profissionais da medicina.

Um estudo mostrou que 90% deles já prescreveram o contraceptivo de emergência e 25% já fizeram uso pessoal da pílula.

Um questionário foi aplicado a 3.337 ginecologistas e obstetras, atuantes em unidades públicas e particulares do Brasil. Apesar do índice de uso próprio da pílula do dia seguinte feito por estes profissionais ? sete pontos porcentuais a mais do que a taxa de uso da população em geral (18,6%) ? um em cada cinco médicos definiu o remédio como um ?microaborto?.

Outros 57% dos participantes afirmaram que entendiam o medicamento como uma interferência após o óvulo ser fecundado, o que também dá a conotação de que este tipo de contraceptivo interrompe a gestação. O dado causou surpresa nos autores do estudo ligados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Estas convicções de parte dos médicos entrevistados estão mais alinhadas à Igreja Católica (contrária à pílula do dia seguinte) do que à produção científica que embasou o Ministério da Saúde, por exemplo, a oferecer o contraceptivo de emergência em sua ?cesta básica? de métodos que previnem a gravidez indesejada, ao lado de camisinha, dos anticoncepcionais orais, do DIU e dos contraceptivos injetáveis.

?O estudo permitiu também ver que, entre os médicos que não orientam sobre a pílula (10% dos participantes), a percepção equivocada sobre o mecanismo de ação do método é um fator relevante?, afirma o autor do levantamento, o biólogo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, William Alexandre Oliveira.

?Isso indica que nesse grupo de médicos que não prescrevem a pílula anticoncepcional de emergência, as convicções pessoais interferem na conduta médica, ou seja, são mais importantes para eles do que a informação científica.?

Uso e indicação

A pílula do dia seguinte é formada por um coquetel de hormônios e indicada para ser tomada em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Na década de 70, o medicamento foi elaborado para servir de opção para mulheres estupradas mas, desde 1996, a indicação também é voltada a pacientes que tiveram alguma falha com outros contraceptivos convencionais, como camisinha rompida ou esquecimento de algum comprimido da cartela do contraceptivo oral.

O mecanismo de ação da pílula é interromper o ?caminho? entre o espermatozóide e o óvulo antes que a fecundação aconteça. Por este motivo, os fabricantes informam que, quanto mais próximo da hora da relação desprotegida for tomado medicamento, maior é o índice de sucesso da prevenção da gravidez indesejada.

?Considerar a pílula do dia seguinte um abortivo, na minha avaliação, é misturar no mesmo bolo convicções pessoais e não científicas, o que poderia comprometer a relação com a paciente?, classifica o presidente da comissão de anticoncepção da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rogério Banasse Machado.

Segundo Machado, a maior parte das pacientes consegue a pílula do dia seguinte no balcão da farmácia e sem prescrição médica, em especial as que são atendidas por médicos particulares. No Sistema Único de Saúde (SUS), é necessário apresentar a receita do ginecologista para retirar o medicamento de graça. Por isso, avalia William Alexandre, da Unicamp, as convicções pessoais dos médicos de postos públicos de saúde podem ser ainda mais influentes no acesso destas pacientes ao medicamento.

Para o presidente da Febrasgo, apesar do alto índice de avaliação equivocada sobre a pílula do dia seguinte por parte dos médicos, a taxa de 90% de prescrição identificada no mesmo estudo mostra que as convicções pessoais não estão impedindo a recomendação. Para ele, é mais um termômetro do desconhecimento dos profissionais.

Pílula de todo dia

Ainda que a pesquisa da Unicamp tenha evidenciado as avaliações errôneas dos médicos sobre o mecanismo de ação da pílula do dia seguinte, outros estudos também já constataram que as pacientes que fazem uso deste medicamento também falham na indicação.

Um trabalho feito pelo Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo avaliou 289 jovens que consumiram a pílula do dia seguinte e mais de 90% delas não havia usado nenhum outro tipo de método contraceptivo, como camisinha ou anticoncepcional oral. Ou seja, o remédio indicado para um ?imprevisto? foi a primeira opção das garotas entre 13 e 19 anos.

Outra pesquisa, da Universidade de São Paulo, feita com 600 universitárias da própria USP, detectou mesmo fenômeno: 51% de usuárias de pílula do dia seguinte, sendo que 38% delas recorreram ao método de emergência não por uma camisinha rompida ou anticoncepcional esquecido.

Não existem estudos conclusivos sobre danos físicos decorrentes do uso repetido e em sequência da pílula do dia seguinte, mas não faltam evidências de que o sexo sem proteção abre portas para doenças sexualmente transmissíveis, como aids, sífilis e gonorréia. A população feminina, inclusive, é a que mais cresce em proporção de novas contaminações pelo vírus HIV, conforme mostram os boletins epidemiológicos do Programa Nacional de Aids.

Bruno Folli, iG São Paulo

Médicos e advogados divididos sobre a responsabilidade pelo contágio do HIV. Caso de cantora alemã reacende discussão

Foto: Reuters

Uma recente batalha na Justiça reacende a polêmica sobre a transmissão do vírus HIV. No interior de São Paulo, um homem é acusado de contaminar duas ex-namoradas e de tentar infectar outra mulher, que só escapou porque se recusava a ter relações sexuais desprotegidas.

Segundo o advogado de defesa, o acusado achava que a doença só era transmitida por transfusão de sangue e não pelo sexo. Ele afirma não haver intenção de passar o vírus, por isso pede para que o caso seja julgado como transmissão de doença grave, crime sujeito a oito anos de reclusão.

Já a promotoria reivindica que o caso seja visto como tentativa de homicídio, situação que permite uma pena bem mais severa, de até 48 anos de prisão. Mas afinal, como julgar o portador que passa HIV para outra pessoa?

A pergunta divide especialistas e juristas. Até o Ministério da Saúde (MS) já se manifestou sobre o tema e adotou uma postura contra a criminalização do portador. Isso evitaria o aumento da discriminação.

Por outro lado, a pessoa que contraiu a doença do parceiro tem o direito de processá-lo. Mas para ter uma decisão em seu favor é preciso comprovar que o parceiro realmente tinha a intenção de passar o vírus adiante.

As dúvidas sobre o tema têm aumentado nos últimos meses e gerado uma demanda acentuada nos Grupos Pela Vidda Niterói e Rio de Janeiro, especializados no apoio a portadores do HIV. Por conta disso, a entidade organizou recentemente um seminário no Rio de Janeiro sobre o tema.

Acusação complexa

Uma das principais dificuldades em processos contra portadores de HIV é provar a intenção criminosa. ?Como se faz isso? É uma questão muito subjetiva?, questiona Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do MS.

Ele explica que também é preciso verificar diversos aspectos técnicos, como o tipo do vírus e aguardar a janela imunológica, que chega a durar até seis meses, para que se possa comprovar a possibilidade de contaminação pelo parceiro.

?Muita gente transmite a doença porque nem sabe que está infectado. O ministério estima que 255 mil brasileiros tenham o vírus e não saibam disso?, ressalta Barbosa.

Emoção e razão

A base da discussão está justamente na oposição entre razão e emoção. Barbosa afirma que muitos portadores se deixam levar pela necessidade de aceitação ou pelo desejo por outra pessoa e acabam assumindo comportamentos de risco.

Jaci Carioca Sampaio, do Grupo Pela Vidda, acrescenta o peso da discriminação sobre a escolha da pessoa em omitir sua doença. ?Ela tem medo de ser rejeitada. A AIDS tem muitos mitos, como ser associada à promiscuidade ou ser vista como coisa de gays?, diz.

Para ela, cabe à pessoa decidir se conta ou não ao seu parceiro ser portadora do HIV. ?É uma decisão muito particular, que deve ser estudada caso a caso, considerando o momento mais adequado?, afirma.

O problema é que algumas pessoas, antes de revelar sua condição, acabam sendo pressionadas a ter relações sexuais sem proteção. É como se isso representasse uma aceitação e um elo de confiança maior. ?A pessoa não deve esquecer da sua responsabilidade: quando ela se protege, ela protege o outro?, diz.

Responsabilidade compartilhada

O dever da proteção contra AIDS ou qualquer outra doença sexualmente transmissível (DST) é de todos, de acordo com Barbosa. Por conta disso, quando uma pessoa adquire o vírus HIV, parte da responsabilidade é dela.

Essa responsabilidade compartilhada tira o foco exclusivo do portador. ?Em relações consensuais, entre dois adultos, fica incompreensível como alguém vai querer reclamar depois?, diz o professor de matemática Jorge Adrian Beloqui, diretor do GIV (Grupo de Incentivo à Vida) e soropositivo.

Ele argumenta que as pessoas sabem da importância da camisinha contra a AIDS, mesmo assim assumem comportamentos de risco. De acordo com a última Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas relacionada às DST e Aids (PCAP), divulgada em junho de 2009, ?a população tem um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção pelo HIV e de prevenção da AIDS.?

A pesquisa, do Ministério da Saúde, mostra que 96,6% da população com idade entre 15 e 64 anos sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. E 93,6% sabe que não que existe cura para a AIDS.

Contudo, apenas 60,9% usaram preservativo na primeira relação sexual. O percentual é ainda menor no que se refere à última relação sexual com parceiros casuais: 58,8%.

Confiança no parceiro

Mas o fato da pessoa que se contaminou também ter responsabilidade sobre o contágio não reduziria a culpabilidade do portador. ?Em relações estáveis, há confiança no parceiro e as relações sem camisinha acabam acontecendo. Se ele sabe que tem AIDS, mas não conta, não há como dizer que ele não tem culpa?, argumenta a advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ.

Ela ressalta que a doença ?tem muitas peculiaridades? e por isso requer um cuidado maior. ?Não há cura para AIDS. É possível processar uma pessoa por não ter contado, por não ter protegido o parceiro?, afirma a advogada.

Recentemente, as Nações Unidas publicaram um documento que censura fortemente todas as acusações de transmissão ou exposição ao HIV. Mesmo assim, existe uma exceção para os ?casos de transmissão intencional, isto é, quando uma pessoa sabe o seu estatuto sorológico para o HIV e atua com a intenção de transmitir o vírus, e acaba por transmitir de fato.?

O documento foi criado devido à crescente incidência de processos mundo afora. Há registro de casos em muitos países: EUA, Canadá, Inglaterra, Suécia, Tailândia, Finlândia e Eslováquia.

Cantora condenada

Na Alemanha, a cantora pop Nadja Benaissa, de 28 anos, foi condenada a dois anos de prisão por lesão corporal e tentativa de lesão corporal após transmitir o vírus HIV a um parceiro sexual.

A jovem admitiu ter omitido sua condição a três amantes, com os quais manteve relações sexuais sem proteção. Sua pena foi aplicada com sursis, ou seja, ela ficará apenas em observação para que não cometa novamente o delito.

Barbosa, do Ministério da Saúde, pondera que muita coisa mudou nos últimos 30 anos, desde que a doença foi descoberta. ?O cenário é outro. Com os atuais tratamentos, até o risco de transmissão reduziu?, aponta.

Acusações de tentativa de homicídio e de lesão corporal, embora cabíveis pela Justiça, seriam inadequadas, na opinião do especialista. ?Já nos manifestamos contrários à criminalização inclusive para o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)?, afirma.

Quanto ao caso do acusado de infectar as ex-namoradas no interior de São Paulo, Barbosa acredita que ele tenha alguma responsabilidade, apesar da falta de consciência dos riscos. ?Que ele tem culpa, tem. Mas resta saber ao certo qual culpa é essa?, avalia.

Agência Brasil

Pesquisa mostra ainda que, nesta fase, sexo feminino é mais vulnerável à hipertensão e diabetes

Estudo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) indica que 68% das mulheres chegam na menopausa com sobrepeso ou obesidade. O levantamento mostra ainda que 67% têm problemas relacionados aos sistemas vasomotores ? a contração e a dilatação dos vasos sanguíneos. A pesquisa constatou que no primeiro atendimento para tratar a menopausa, as mulheres apresentam geralmente hipertensão arterial (44,94%), diabetes (10,01%), e tabagismo (8,39%).

O estudo, um dos mais amplos já realizados no Brasil sobre o tema, revela que a média etária de ocorrência da menopausa no Brasil é de 48,1 anos. O levantamento foi feito com cerca de 6 mil mulheres, em uma investigação que durou 11 anos (entre 1983 e 2004) e foi feita no Setor de Climatério do Hospital das Clínicas.

O levantamento também mostra que a idade da mulher na época em que ocorre a menopausa tem influência significativa sobre os sintomas e as doenças que normalmente aparecem no período: 27,8% das pacientes que tiveram a menopausa entre 41 e 45 anos de idade apresentaram sintomas vasomotores acentuados, contra 18,3% entre aquelas que entraram na menopausa com idade acima de 55 anos.

A professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do estudo, Angela Maggio da Fonseca, destaca, por ocasião do Dia Mundial da Menopausa, comemorado hoje (18), que o estudo é uma forma de os médicos conhecerem a fisiologia desse período da mulher. ?E possibilita a escolha de um tratamento adequado, melhorando a qualidade de vida de todas elas?.

Segundo a professora, nesse período são necessários uma alimentação adequada e exercícios físicos, principalmente a caminhada. "E hoje nós temos os hormônios, tão criticados, mas que são excelentes. O que precisa é ter prudência e dar os hormônios a quem precisa, na dosagem certa, na quantidade e no tempo apropriado?, recomenda.

 

Reuters

Pesquisa sugere que as náuseas estão relacionadas a uma menor chance de sofrer aborto na gestação

Foto: Getty Images

Mulheres que passam pelo desconforto dos enjoos matinais no início da gravidez são menos propensas a sofrer um aborto, aponta uma recente pesquisa publicada na revista especializada Human Reproduction.

Gestantes que não apresentam náusea ou vômito durante os primeiros três meses, no entanto, não precisam se alarmar, afirmou Ronna L. Chan, uma das autoras do estudo, em entrevista à Reuters Health. Nem todas as mulheres que passam por gestações saudáveis sofrem náusea e vômito nem no início nem ao longo da gravidez.

?Além disso, os sintomas que acompanham a gravidez podem variar até mesmo de uma gestação para outra da mesma mulher?, disse a especialista, da Universidade da Carolina do Norte (EUA).

Entre 50 e 90% das mulheres são acometidas por enjoos matinais no início da gravidez, relataram Chan e sua equipe no artigo publicado na revista.

Estudos anteriores já haviam constatado que mulheres que apresentam tais sintomas são menos propensas a sofrer um aborto. Para investigar a relação em mais detalhes, Chan e sua equipe analisaram não somente a presença ou ausência destes sintomas, mas também a duração dos mesmos, em mais de 2.400 mulheres residentes de três cidades norte-americanas.

?Nossos estudos apresentaram várias vantagens em relação a estudos anteriores, pois recrutamos gestantes no início da gravidez ou ainda mulheres que estavam tentando engravidar. Dessa forma, conseguimos acompanhá-las ao longo da gestação, coletando dados relacionados ao momento e à ocorrência das náuseas e vômitos desde o início?, explicou a pesquisadora.

Entre as participantes, 89% apresentaram algum tipo de enjoo matinal, enquanto que 53% tiveram tanto vômito quanto náusea ? 11% das mulheres sofreram um aborto espontâneo antes da vigésima semana.
Chan e sua equipe constataram que aquelas que não apresentaram náusea ou vômito durante os primeiros três meses de gravidez se mostraram 3.2 vezes mais propensas a sofrer um aborto.

Essa relação se mostrou especialmente forte em mulheres mais velhas; mulheres abaixo dos 25 anos de idade que não apresentaram enjôos matinais se mostraram 4 vezes mais propensas a sofrer um aborto em relação a suas colegas que tiveram náusea e vômito, enquanto que o risco de aborto aumentou quase que em 12 vezes para as mulheres acima dos 35 anos que não apresentaram enjoos matinais.

As pesquisadoras constataram que quanto mais tempo a mulher teve tais sintomas, mais baixo foi o risco de sofrer um aborto espontâneo. Tal associação foi especialmente forte em mulheres mais velhas. Aquelas com mais de 35 anos de idade que tiveram enjoos matinais por pelo menos a metade do tempo de gestação se mostraram 80% menos propensas a sofrer um aborto do que as da mesma faixa etária que não apresentaram tais sintomas.

Entretanto, por causa da natureza do estudo, os autores não puderam comprovar se houve uma relação causa-efeito entre os enjoos matinais e s gravidez mais saudável, apenas que os dois fatores estão relacionados.

?Alguns postulam que a náusea e o vômito durante a gravidez formam um mecanismo que ajuda a melhorar a qualidade da dieta das gestantes, ou ainda uma maneira de reduzir ou eliminar substâncias potencialmente prejudiciais à mãe para proteger o feto?, explicou Chan.

A pesquisadora afirmou que mesmo que sejam idéias ?plausíveis?, ela acha que os sintomas refletem a sensibilidade da gestante ao aumento agudo de determinados hormônios essências para sustentar a gravidez, o que ocorre nos primeiros três meses.

* Por Anne Harding

Chris Bertelli, iG São Paulo

Doenças também acometem jovens e não são comuns apenas em idosos

Foto: Getty Images

Quando se fala em doenças reumáticas a primeira imagem que nos vem à mente é a de um idoso sofrendo com dores nas articulações. A cena, no entanto, reflete a pouca informação sobre o tema. O reumatismo é um conjunto de mais de 100 doenças diferentes que tem sintomas parecidos ? como a dor e o inchaço das juntas -, mas se desenvolvem de maneira diferente.
 

A grande maioria acomete crianças, jovens e adultos, principalmente as mulheres. ?De todo esse universo, apenas a gota e a espondiloartrite (inflamação da coluna) atingem mais os homens. No restante dos casos, elas são em maior número?, relata Luiz Carlos Latorre, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR).
 

Pouca gente sabe, por exemplo, que a tendinite, problema tão conhecido de jovens que passam muito tempo no computador, é uma dessas doenças. A osteoporose também. Dentro desse extenso grupo, a artrose é uma das doenças mais conhecidas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), no Brasil são cerca de 20 milhões de pessoas com artrose, um dos tipos de doença reumática.

Neste domingo, a Sociedade Paulista de Reumatologia promove a campanha ?Reumatismo é Coisa Séria?, a fim de conscientizar a população sobre a doença e alertar para a importância do diagnóstico precoce e correto. O Delas conversou com Luiz Carlos Latorre, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia.
 

iG: Quais as principais doenças reumáticas?
Luiz Carlos Latorre: São mais de 100 tipos, mas são varias que compõe esse grupo. As mais comuns são aquelas relacionadas a estruturas próximas às articulações, portanto, as tendinites, lombalgites, bursites, LER, entre outras. Elas são extremamente comuns e causas de diversos afastamentos de trabalho.


iG: Quais as principais características?
Luiz Carlos Latorre: Dor, inchaço e aumento das articulações.


iG: Ainda existe uma crença de que o reumatismo é uma doença de velho. Ela também atinge a população mais jovem?
Luiz Carlos Latorre: A artrite reumatóide, por exemplo, e o lúpus são doenças que caracteristicamente começam em uma faixa etária mais jovem: aos 30, 40 anos. E são bem mais frequentes nas mulheres, na proporção de três para um, em geral. No caso do lúpus, o número aumenta de nove para um.
 

Crianças podem apresentar a artrite idiopática juvenil, um inflamação nas articulações que aparece por volta dos 16 anos, com dor, inchaço e aumento de temperatura nas articulações. A criança não se queixa tanto de dor, mas tem de fazer algum movimento, como dificuldade para estender o joelho ou andar. 


iG: Quando as pessoas sentem dores, em geral vão ao ortopedista e não a um reumatologista. Isso pode atrasar o diagnóstico correto?
Luiz Carlos Latorre: Muitos adultos têm dores nas costas, que pode ser problema de trabalhar numa posição ruim, uma dor que chamamos de mecânica, ou pode não ser. Então, muitos pacientes são tratados por anos como se tivessem dor postural e, às vezes, é início de um reumatismo.
 

iG: É possível evitá-las?
Luiz Carlos Latorre: Alguns tipos sim. Existe um componente genético importante, o que aumenta o risco. Com esse componente é mais difícil de evitar, mas existem formas de prevenir. A osteoporose, por exemplo, que é um dos tipos de reumatismo. È preciso ingerir bastante leite, fazer exercícios, pegar sol. São atitudes que contribuem para manter o problema afastado. Com a gota, é preciso perder peso, adotar uma dieta mais saudável, controlar o colesterol.
 

Além disso, é importante realizar exames frequentemente a fim de afastar possíveis doenças. Quando mais cedo se fizer um diagnóstico, é possível prevenir a disfunção da articulação e garantir qualidade de vida ao paciente.
 

iG: Qual o tratamento?
Luiz Carlos Latorre: O tratamento mais apropriado vai depender de qual dos tipos de doença a pessoa está sofrendo. Para a osteoporose, por exemplo, pode ser necessário a reposição de cálcio, assim como a exposição ao sol e inclusão de atividades físicas na rotina. Vai depender de cada caso, o correto é sempre consultar um especialista que possa fazer o diagnóstico e indicar o melhor tratamento, levando em conta idade e gênero do paciente e estágio do problema.
 

iG: Qual a importância do diagnóstico precoce?
Luiz Carlos Latorre: O tratamento é mais adequado, a chance de lesão e de ficar sem movimento é menor.


iG: Em alguns casos, é preciso realizar adaptações na vida do paciente? Quais seriam elas?
Luiz Carlos Latorre: Em geral, as adaptações são indicadas para pessoas com artrite. É possível tornar o cabo dos talheres mais grossos, por exemplo, com uma espuma específica, ou ainda modificar a torneira substituindo o modelo de forma que não seja preciso realizar o movimento de girar, que é difícil para esses pacientes. Além disso, é interessante regular a altura da cama e do vaso sanitário.
 

Reuters

Estudo aponta que caminhar regularmente pode reduzir os riscos de desenvolver demência a velhice

Foto: Getty Images

Pesquisadores americanos disseram na última quarta-feira que caminhar pelo 9,6km semanalmente pode ajudar na luta contra a demência, evitando o encolhimento do cérebro mais tarde, na idade avançada.

 Participaram do estudo, realizado em Pittsburgh (Estados Unidos), cerca de 300 pessoas que tiveram suas caminhadas semanais monitoradas. Os participantes que caminhavam pelo 9,6km por semana apresentaram menores índices de encolhimento do cérebro, uma condição decorrente do avanço da idade.

 "O cérebro sofre um encolhimento no final da idade adulta, o que pode causar problemas de memória. Nossos resultados devem estimular a realização de testes de exercícios físicos bem elaborados para analisar pessoas de meia idade, funcionando como uma técnica promissora na prevenção da demência e da doença de Alzheimer", diz Kirk Erickson, da Universidade de Pittsburgh, cujo estudo foi publicado na revista especializada Neurology.

 O Alzheimer, a forma mais comum de demência, mata lentamente as células cerebrais e atividades como a caminhada têm mostrado resultados na construção do volume cerebral. Erickson e seus colegas de equipe realizaram testes para analisar se as pessoas que fazem caminhadas regulares podem ou não estar melhor posicionadas na luta contra a doença.

 O estudo reuniu 299 pessoas que não sofriam de demência e que tiveram suas caminhadas monitoradas. Nove anos depois, cientistas realizaram tomografias para calcular o volume do cérebro dos participantes.

 Quatro anos depois, os voluntários passaram por testes para checar a presença de debilidade cognitiva ou demência.

 Os pesquisadores constataram que aqueles que caminhavam entre 9,6km e 14,5km por semana apresentavam a metade dos riscos de desenvolver problemas de memória.

 "Nossos estudos estão em conformidade com dados de que atividades aeróbicas ativam funções cerebrais que possivelmente aumentam o volume da massa cinzenta", escreveu a equipe.

 Os pesquisadores afirmam que outros estudos serão necessários para comprovar a relação dos exercícios físicos e a demência, mas, na ausência de outros tratamentos eficazes para combater o Alzheimer, caminhar pode ser uma forma bem saudável de prevenir a doença.

 "Se os exercícios regulares na meia idade podem melhorar a saúde cerebral e ajudar a melhorar o pensamento e a memória na velhice. Essa seria mais uma boa razão para que eles se tornassem uma necessidade básica de saúde pública para pessoas de todas as idades", disse Erickson.

 Ainda não existem medicamentos capazes de alterar a progressão do Alzheimer, doença que afeta mais de 26 milhões de pessoas em todo o mundo.

Agência Estado

Doença pode provocar aborto e malformação do feto

Foto: SXC

Toda mulher grávida deve realizar o teste para detecção de sífilis, pois a doença pode causar malformação do feto e até aborto.

O alerta é realizado hoje (16), data tida como Dia Nacional de Combate à Sífilis, pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids do Ministério da Saúde.

O governo afirma que a doença ainda é subnotificada. De acordo com comunicado do departamento, uma medida adotada neste ano vai permitir o aprimoramento da notificação da sífilis adquirida. Os dados serão compilados no próximo boletim epidemiológico a ser divulgado em dezembro de 2010.

O último Boletim Epidemiológico Aids/DST aponta que foram registrados, em 2008, 5.506 casos de sífilis congênita em menores de um ano de idade no Brasil. "De 2005 a junho de 2009, foram 25.202 casos ao todo. Já durante o pré-natal, somente no ano de 2008, foram 6.955 notificações de sífilis. Desde 2005, no total, foram 19.608 gestantes diagnosticadas com a doença", diz o texto.

O Departamento de DST e Aids recomenda que "todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis".

Gestantes

No caso das mulheres grávidas, o Ministério da Saúde recomenda fazer o teste duas vezes durante a gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Para quem não fez o pré-natal, o teste deve ser realizado antes do parto.

A sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. A doença pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto.

O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de se prevenir, orienta o Departamento de DST e Aids.
 

iG São Paulo

Inca lança diretrizes para reverter índices da doença, que mata 22,4% das mulheres que adoecem

Foto: Getty Images

No Brasil, uma em cada cinco mulheres que tem câncer de mama não sobrevive. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), dos 49 mil novos casos previstos para o ano de 2010, 11 mil vão terminar em morte. A taxa de mortalidade em 22,4% dos casos é sete pontos porcentuais acima da registrada nos Estados Unidos (15%).

Para tentar reverter este índice e aumentar a sobrevida das mulheres, o Inca lançou nesta sexta-feira, 15, sete diretrizes classificadas como fundamentais para mudar o quadro. Segundo a entidade, os passos traçados não são obrigatórios, mas caso os gestores adotem todas as medidas, ?há potencial para reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil?, afirmou o órgão, que é ligado ao governo federal.

As medidas traçadas englobam desde mudanças de hábitos, como a prática de exercício físico e a adoção de uma dieta saudável, e também pedem uma atenção maior dos ginecologistas com a reposição hormonal, recurso indicado em especial para amenizar os sintomas da menopausa, mas que pode servir como fator desencadeante do tumor maligno das mamas.

Rapidez

A maior parte das iniciativas preventivas da mortalidade, porém, depende exclusivamente das autoridades de saúde para ser cumprida. A meta número 3, por exemplo, define que: ?Toda mulher com nódulo palpável na mama e outras alterações suspeitas tenha direito a receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias?.

Segundo os especialistas, a disseminação das informações sobre o autoexame da mama criou uma situação de difícil equilíbrio. A paciente sente uma alteração no seio, mas não consegue ser acolhida pela unidade de saúde. A oportunidade de então conseguir um diagnóstico precoce e, assim, ampliar a chance de sobrevivência, acaba perdida.

Estudo divulgado na semana passada pela Federação Brasileira de câncer de Mama (Femama) revelou que no País apenas 10% das mulheres descobrem a neoplasia maligna das mamas em uma fase em que as chances de cura são totalmente garantidas.

Radioterapia

Uma outra proposta traçada hoje pelo Inca, em parceria com a Sociedade Americana de Câncer, é adequar a oferta de radioterapia para tratar o câncer de mama.

Os ciclos de radioterapia duram de cinco a seis semanas e, em todo o Brasil, há muita demanda pelo tratamento (a fila de espera é estimada em 100 mil pessoas pela Sociedade Brasileira de Radioterapia).

?Ocorre que esses tratamentos, muitas vezes, não são concluídos em razão do tempo prolongado?, diz o oncologista clínico e coordenador do Grupo de Câncer de Mama do Inca, José Bines. As reuniões agora são focadas para otimizar o tratamento com menos sessões de radioterapia sem prejuízo da sua efetividade.

?Inglaterra e Canadá, por exemplo, já oferecem séries de radioterapia mais curtas?, diz Bines. São ciclos que duram três semanas.

Mais exames e menos mortes

Segundo os números divulgados hoje pelo Inca, entre 2000 e 2007, o Brasil aumentou em 118% a produção de mamografias, exame tido como principal para detectar o câncer de mama. Em 2000, foram realizadas 1,3 milhões; em 2007, 2,9 milhões (último número divulgado). Os procedimentos diagnósticos e terapêuticos também foram ampliados ? as ultrassonografias de mama, por exemplo, aumentaram em 73% em todo o país, de janeiro de 2000 a novembro de 2009.

A avaliação dos especialistas é de que a rapidez em oferecer tratamento à mulher com algum indício de câncer de mama é a única forma de fazer com que esta ampliação da oferta de exames fundamentais seja acompanhada da redução da mortalidade.

Sem força de lei

O Inca ressaltou que as diretrizes traçadas para diminuir a mortalidade do câncer de mama, não têm força de lei e servem para mobilizar todas as pessoas envolvidas.

Entretanto, o fato de existir uma legislação sobre o câncer de mama não é garantia de que a determinação será cumprida. Desde 1998, vigora no País uma lei que determina o direito de toda mulher com câncer de mama ter acesso a cirurgia de reconstrução do seio, técnica eficiente para apagar as marcas estéticas da doença e melhorar a autoestima das pacientes.

Ainda assim, levantamento feito pelo Delas no banco virtual do Ministério da Saúde mostrou que entre janeiro e agosto de 2010 foram feitas 4.741 operações plásticas reparadoras. O índice revela que uma minoria tem acesso ao procedimento, já que para o semestre, em média, são registrados em média 25 mil novos casos de câncer de mama.

Os passos para diminuir o câncer de mama

1. Toda mulher deve ter amplo acesso à informação com base científica e de fácil compreensão sobre o câncer de mama

2. Toda mulher precisa ficar alerta para os primeiros sinais e sintomas do câncer de mama e procurar avaliação médica

3. Toda mulher com nódulo palpável na mama e outras alterações suspeitas tem direito a receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias

4. Toda mulher de 50 a 69 anos deve fazer mamografia a cada dois anos

5. Todo serviço de mamografia deve participar de programa de qualidade em mamografia. A qualificação, quando obtida, deve ser exibida em local visível às usuárias

6. Toda mulher deve saber que o controle do peso corporal e da ingestão de álcool, além da amamentação e da prática de atividades físicas, são formas de prevenir o câncer de mama

7. A terapia de reposição hormonal, quando indicada na pós-menopausa, deve ser feita sob rigoroso acompanhamento médico, pois aumenta o risco de câncer de mama

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Conheça a mulher que reúne na mesma história os dois métodos extremos da concepção

Foto: Guilherme Lara/ Fotoarena

Lucilene de Medeiros Silva tinha só 21 anos, uma única filha e toda a vida pela frente quando ingressou nas estatísticas de mulheres esterilizadas do Brasil. Aos 32, integrou o grupo de pessoas que tentam, via fertilização in vitro, realizar o sonho da maternidade.

A história da paciente que reúne duas ocorrências extremas da maternidade ajuda a explicar os caminhos inversos percorridos por quem se submete a essas técnicas. Enquanto a laqueadura ? cirurgia que liga as trompas e impede as possibilidades de ter filhos ? está em queda no País, a busca por técnicas de reprodução assistida, especialmente a inseminação artificial, cresce a passos largos.

A primeira deixa de ser tão comum no cenário de saúde por conta da maior autonomia das pacientes, dos novos casamentos que mudam a estrutura familiar (e trazem de volta a vontade de ter filhos) e também pelo avanço da qualidade de outros métodos contraceptivos não definitivos, como a pílula e o DIU.

Já a reprodução assistida está mais popular não apenas porque as mulheres estão adiando a maternidade ? a idade tem um papel importante na dificuldade de engravidar ? mas por causa da crescente redução nos custos dessas técnicas, fato que permitiu o crescimento do acesso da classe média às clínicas da área.

Lucilene morava em Pernambuco quando diz ter feito a laqueadura que sequer desejou. ?Foi uma imposição médica?, conta ela, ?sem respaldo científico nenhum?, descobriu depois. Já para entrar nos números da inseminação artificial, ela reprogramou todo seu cotidiano. Mudou-se para São Paulo e tem economizado do salário que ganha como chefe de seção de serviço de uma empresa para custear o tratamento para engravidar. ?A gente deixa de fazer coisas que gosta, mas tenho fé que vai dar certo?, diz.

250 reais

O sonho e o pesadelo vivido no capítulo "maternidade" da vida de Lucilene começou no primeiro casamento, com um primeiro filho e um pré-natal cheio de cuidados. Enquanto Mariana esteve na barriga de Lucilene, não deu trabalho algum. A gravidez foi tranquila e a cesariana, feita em 2001, em um hospital público do Recife, também. Deve ser por isso, lembra, que nem bem tinha dado à luz e Lucilene já queria passar pela experiência por uma segunda vez. Foi então que o médico, o mesmo que trouxe a sua primogênita ao mundo, disse que os planos precisavam mudar.

?Ele me disse que a melhor alternativa era ligar as trompas. A explicação dada era de que meu sangue (O negativo) era raro e que eu poderia morrer se tivesse um outro filho. O jeito era marcar a laqueadura rápido.?

No mês seguinte ela estava na mesa de cirurgia. Não tinha acesso a opiniões de outros médicos e agora tinha medo de morrer, afinal Mariana não podia ficar sem mãe. ?Acreditei nele e fiz aquela operação que tanto me machucava por dentro. Depois descobri que não tinha nada que impedisse uma outra gravidez, nenhuma doença, nenhum problema, nada foi comprovado?, diz.

?É duro pensar?, afirma Lucilene, ?mas acho que o doutor só queria os R$ 250 que cobrou para me deixar estéril.?

Método em desuso

A laqueadura é um método contraceptivo definitivo em queda no País. Segundo os estudos feitos pelo IBGE em 1996, 40,1% das mulheres entre 15 e 44 anos que viviam com um companheiro haviam sido esterilizadas. A proporção cai para 29% em 2006 (último ano estudado).

A análise do Cedeplar ? instituição de estudos de estatísticas ligada à Universidade Federal de Minas Gerais ? é de esse tipo de cirurgia ainda se concentra mais no público sem instrução e de baixa renda. A maior dificuldade dessa população para conversar com os médicos e entender o alcance de uma operação que, de forma definitiva, vai impedir uma gestação, pode estar por trás do maior índice de arrependimento deste grupo.

De acordo com o Cedeplar, 19% das mulheres laqueadas e sem escolaridade ficam arrependidas após a operação, parcela que cai para 12% entre as com mais de 8 anos de estudo. ?Sem contar que o desejo atual de não ter mais filhos não é imutável?, afirma Magnólia Pereira dos Santos, diretora da Sociedade Brasileira de Ginecologia da Bahia (Sogiba).

Magnólia afirma que, com os novos rearranjos familiares, os novos casamentos e a possibilidade da maternidade tardia, as mulheres acabam esbarrando na vontade de ter filho depois que já fizeram a laquedura.

?Existem outros métodos contraceptivos (como a pílula anticoncepcional, o DIU e a camisinha) que não são definitivos e mais indicados para as mulheres que não correm risco de morrer em uma outra gestação?, explica a médica.

?Reverter uma laqueadura é muito mais difícil do que fazer o procedimento. O ônus financeiro e psicológico para a mulher também é muito maior.?

Lucilene, que desde o princípio não se importaria de ter tomado pílulas anticoncepcionais até, de fato, desejar um irmão para Mariana, tinha agora uma outra razão para lamentar a sua ?laqueadura compulsória?. O primeiro casamento havia chegado ao fim, um novo amor já tinha surgido, e a vontade de ampliar a família também ficou mais forte.

Pratos limpos

Em 1997, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou algumas regras para a realização de laqueaduras no País. As normas diziam que mulher precisa ter mais de 25 anos, dois filhos e um companheiro estável para poder receber a técnica contraceptiva definitiva.

Depois da decisão tomada, é preciso esperar 60 dias para ser realizada a cirurgia, tempo de reflexão para o casal maturar a ideia. Além disso, todo o processo de conversa entre o médico e a paciente precisa ser registrado no prontuário clínico, para não dar margem a interpretações equivocadas nem por parte do médico nem por parte da mulher.

Este ano, o código de ética médica foi revisto pelo CFM e todas as etapas da laqueadura foram reforçadas como necessárias. O presidente da comissão de anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rogério Banasse Machado, afirma que algumas partes deste processo para a cirurgia, entretanto, acabam negligenciadas.

?Diminuir o número de laqueaduras no Brasil não é tão importante como reduzir a quantidade de cesáreas, mas existem algumas falhas na condução da laqueadura?, afirma.

O registro no prontuário médico, por exemplo, Machado diz que nem sempre é feito, ?por uma mistura de falta de conversa esclarecida entre médico e paciente e também por falhas no preenchimento padrão das fichas?.

?Um método definitivo precisa ser ponderado, já que existem outras opções seguras de prevenção à gravidez como pílula e DIU. Mas, por vezes, quando a mulher corre riscos (hipertensão muito grave, por exemplo) a laqueadura acaba indicada?, explica.

É verdade que nenhum desses passos exigidos para a realização da ?ligadura das trompas? foi percorrido pelo médico de Lucilene. Ela já pensou em processá-lo, mas diz ter pouca informação sobre o especialista. Não procurou os conselhos regionais de medicina, entidades que podem julgar se o profissional foi negligente ou não. ?Neste tempo todo, eu pensei mais em arrumar a minha vida. Não foquei em processo ou justiça.?

Alternativas

Em 2006, Lucilene arrumou as malas, pegou Mariana no colo, deixou Recife e foi morar em São Paulo. Logo conseguiu emprego, melhorou as condições de vida e se permitiu sonhar com uma nova gestação. Foi tentar o irmão de sua filha que já estava cansada de ser única na clínica de fertilização Engravida. A diretora da clínica, a médica Ana Lúcia Beltrame, afirma que casos como o de Lucilene não são exceções.

?Das pacientes que nos procuram de fora do Estado, temos uma participação muito importante de mulheres que foram submetidas à laqueadura, muitas vezes sem nem saber o que é esse procedimento, e querem ser mães. Esse alerta precisa ser feito?, acredita Beltrame.

Nem toda a laqueadura não mais desejada precisa ser revertida com fertilização in vitro, mas em alguns casos essa é a única alternativa possível. Da mesma forma, nem todos os casais com dificuldades para engravidar devem recorrer à inseminação. Os especialistas fazem coro ao dizer que essa é a última opção. Antes é preciso passar por testes e ver se nenhuma outra doença fácil de ser corrigida, como varicocele no caso dos homens, não é o que impede a concepção.

Desta vez, Lucilene não podia errar nos trâmites médicos. Fez todos os exames e a fertilização é mesmo o único caminho. ?Eu e minha família estamos economizando bastante para custear o tratamento. Não estamos mais saindo tanto de casa. A Mariana, coitada, tem aberto mão de roupas novas, mas tenho muita esperança de que vou engravidar.?

Fertilização mais acessível

Os médicos especializados em reprodução humana estão em um processo de facilitar a fertilização para pessoas que não têm renda tão elevada. Um dos exemplos é o programa Acesso, a reunião de mais de 20 clínicas de todo País com a proposta de oferecer descontos e facilidade de pagamento para os interessados que não têm renda mensal superior a R$ 3.800.

Lucilene já começou o tratamento. A mulher que já fez parte das estatísticas da laqueadura e agora da inseminação, quer entrar para o grupo de 50% das submetidas ao tratamento que, enfim, conseguem engravidar.


Related Posts with Thumbnails





Não confunda o Original com cópias. Aqui seu anúncio é tratado com seriedade.

Site 100% Compativel com o Google Chrome - Versão Oficial 1583 v0.2.149.27 ou superior, Firefox 1.5 ou Superior e Safari 3 ou Superior.


Yahoo bot last visit powered by MyPagerank.Net Msn bot last visit powered by MyPagerank.Net Bookmark and Share TopSites EmpresaHost TopSites WCSA - Publicidade Progressiva para seu Site!!
WCSA Topsites - http://www.autosurf.wcsa.info Mi Ping en TotalPing.com Powered by Mysiterank Web Link Exchange Add url to directory Submit url

My site is worth$31,096.8Your website value?