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AFP

As perguntas poderão ser enviadas até o dia 1 de dezembro

YouTube, Facebook e a Fundação Nobel darão ao público a oportunidade de enviar suas perguntas a alguns dos ganhadores do prêmio Nobel deste ano.

As perguntas podem ser enviadas por vídeo ou texto ao canal do Nobel no Youtube (youtube.com/thenobelprize) ou para seu perfil no Facebook (facebook.com/Nobelprize.org).

O prazo para o envio é o dia 1 de dezembro e os ganhadores do Nobel 2010 responderão a algumas das perguntas em dezembro.

A Fundação Nobel informou que entre os que responderão aos questionamentos estão os premiados em Física, Química, Literatura e Economia.

O organismo indicou que o Prêmio Nobel da Paz, o dissidente chinês Liu Xiabao, atualmente preso, não poderá participar "devido às atuais circunstâncias".

AFP

Relatório aponta que 30 milhões de hectares de terra por causa da degradação ambiental, industrialização e urbanização

A cada ano são perdidas no mundo 30 milhões de hectares cultivados, o equivalente à superfície da Itália, devido à degradação ambiental, à industrialização e à urbanização, disse nesta quinta-feira (21) um especialista da ONU.

"Esta tendência tem consequências dramáticas para milhões de agricultores, pescadores e povos indígenas", assegurou Olivier de Schutter, enviado especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, ao apresentar seu relatório à Assembleia Geral.

"Hoje, 500 milhões de pequenos agricultores sofrem de fome porque seu direito à terra é atacado", disse.

"Enquanto as populações rurais aumentam e a competição com as grandes entidades industriais cresce, as parcelas cultivadas pelos pequenos exploradores diminuem ano a ano. Os agricultores são frequentemente deslocados a solos áridos, montanhosos ou sem irrigação", acrescentou.

O relatório destaca que a combinação entre a degradação ambiental, a urbanização e as compras de grandes terrenos por investidores etrangeiros é "um coquetel explosivo".

Reuters

Mudanças nas condições do Ártico têm grandes consequências sobre o clima em todo o Hemisfério Norte

Foto: Getty Images

Os sinais da mudança climática estiveram espalhados pelo Ártico neste ano -- --, o que provavelmente significa que essa região, crucial para a definição do clima no resto do planeta, não irá voltar ao seu antigo estado mais frio, disseram cientistas na quinta-feira (21).
 

No estudo, divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), cientistas norte-americanos, do Canadá, da Rússia, da Dinamarca e de outros países disseram que "um retorno às condições anteriores do Ártico é improvável."

As condições do Ártico têm grande influência sobre o clima nas latitudes temperadas do Hemisfério Norte, onde se concentra grande parte da população mundial. Nevascas nos EUA, norte da Europa e oeste da Ásia no inverno passado provavelmente tiveram relação com a maior temperatura atmosférica no Ártico, segundo os cientistas.

"O inverno de 2009-10 mostrou uma nova conectividade entre o frio extremo e a neve em latitudes médias e as mudanças nos padrões de ventos do Ártico", disse o estudo.

Jackie Richter-Menge, do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Regiões Frias do Exército dos EUA, disse que a temperatura atmosférica na superfície do Ártico está aumentando ao dobro do ritmo do que em latitudes inferiores.

Isso se deve em parte à chamada amplificação polar -- o derretimento do gelo e da neve, que são brancos, expõe áreas mais escuras de mar e terra, que absorvem mais calor, num círculo vicioso. A exposição constante à luz solar durante o verão nas altas latitudes também contribui para isso, disse Richter-Menge por telefone.

Normalmente, o ar frio fica "engarrafado" no Ártico durante o inverno, mas no final de 2009 e começo de 2010 ventos fortes empurraram esse frio do norte para o sul, em vez de seguirem o padrão habitual de oeste para leste, disse o oceanógrafo Jim Overland, da NOAA em Seattle.

Overland disse haver uma ligação direta disso com a redução do gelo marinho no Ártico e com o clima em latitudes temperadas, e sugeriu que o fenômeno deve se tornar mais comum nos próximos 50 anos.

Esse padrão ocorreu apenas três vezes nos últimos 160 anos, disse Overland a jornalistas.

"É meio que um paradoxo em que você tem um aquecimento global geral e aquecimento da atmosfera que na verdade criam mais dessas tempestades de inverno", afirmou. "O aquecimento global não é só aquecimento em todo lugar ... ele cria essas complexidades.

"Os pesquisadores disseram que Nuuk, capital da Groenlândia, teve seu ano mais quente em 138 anos de medições, e que quatro grandes geleiras perderam mais de 25 quilômetros quadrados cada uma.

 

BBC Brasil

Cachorros procuram fezes de baleias boiando no mar; amostras fornecem respostas sobre redução no número de espécimes

Cientistas americanos estão usando cães farejadores para ajudar na preservação de populações de baleias no Oceano Pacífico.

A ideia de treinar cachorros para detectar fezes de baleia boiando na água surgiu da necessidade de estudar esses animais enormes que passam quase toda a sua vida embaixo da água.

"Como você estuda uma baleia de 50 toneladas? Você não pode pegar o animal, nós não podemos fazer um exame físico. Então, a única coisa que sabíamos que podíamos conseguir eram amostras de fezes, porque isso já havia sido feito nos anos 80 para estudar a dieta das baleias", explicou Roz Rolland, do New England Aquarium, em Boston, uma pioneira no uso da técnica.

As fezes contém informações sobre os níveis de estresse e fertilidade da baleia, sua nutrição e a exposição do animal à poluição. Esses dados permitem que os cientistas descubram o que está por trás do declínio da população de baleias na região.

"Há algo muito importante no uso de habilidades - que não envolvem alta tecnologia, mas que são altamente eficientes - de um animal para ajudar a preservar outro. E para os cachorros, isso é um jogo de esconde-esconde. Eles adoram", diz Rolland.

O repórter da BBC Andrew Luck-Baker passou um dia inteiro em um barco com o labrador Tucker, procurando fezes de baleia.

Segundo ele, o trabalho do cachorro é fundamental, já que as fezes boiam por, no máximo, 45 minutos antes de afundar entre as ondas. Se as condições de vento foram ideais, um cão como Tucker pode farejá-las a mais de 1,6 mil metros de distância e guiar o barco até elas.

Quanto mais amostras forem coletadas, mais robustas são as conclusões sobre o que está afetando as baleias.

As análises de laboratório já confirmaram as suspeitas de que o número de turistas aumenta o nível de estresse das baleias, através do cruzamento de informações sobre os números de barcos no mar e a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, presente nas amostras de fezes em um determinado dia.

Os dados revelaram que os barcos particulares geram mais estresse para os animais que as operadoras comerciais, porque tendem a chegar mais perto das baleias e agir de forma irresponsável.

Mas o grande problema para as baleias parece ser que há menos peixes, e eles são menores do que costumavam ser, disponíveis para sua alimentação hoje em dia.

Segundo os especialistas, as baleias tem que trabalhar muito mais para conseguir a mesma quantidade de comida, porque peixes como o salmão estão se tornando mais raros devido à pesca comercial e à construção de represas.

Por ajudar a descobrir informações tão importantes para a preservação das baleias, cachorros como Tucker ganham uma recompensa: uma brincadeira animada com uma bola por cada amostra de fezes descoberta no oceano.

 

 

EFE

Falta de flexibilidade e uso de metas de preservação como moeda de troca para obter concessões seriam maiores problemas

A falta de flexibilidade de alguns países emergentes foi criticada hoje (21) na convenção da ONU sobre a biodiversidade realizada desde segunda-feira na cidade japonesa de Nagoia, informou a imprensa local. A 10ª Conferência das Partes (COP-10), da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, pretende culminar em um plano estratégico para proteger a biodiversidade até 2020 e um protocolo sobre os benefícios compartilhados pelo uso dos recursos genéticos.

"O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos", disse hoje um negociador japonês à agência de notícias local "Kyodo".

Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso. Alguns países como o Brasil - que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico - pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP10, onde participam representantes de 193 países.

Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar, segundo "Kyodo". Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental.

Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento. Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.

EFE

Enviado americano viajou à China antes da Conferência de Cancún que será realizada em dezembro e onde se buscará um acordo

O enviado especial dos Estados Unidos para a luta contra a mudança climática, Todd Stern, assegurou hoje (22) em entrevista coletiva que manteve "conversas construtivas" com os líderes chineses e que sua visita mostra o esforço de Pequim e Washington para combater o aquecimento global.

O enviado americano viajou à China antes da Conferência de Cancún (México) que será realizada em dezembro e onde se buscará um acordo vinculativo que suceda o Protocolo de Kioto em 2012.

Stern, que se reuniu com o chefe negociador chinês, Xie Zhenhua, assinalou que as linhas do próximo encontro em Cancún não estão claras e insistiu em que "os países devem aderir aos objetivos descritos no acordo de Copenhague do ano passado".

Na cúpula passada realizada em dezembro de 2009 em Copenhague não foram alcançados acordos de fundo sobre a redução de gases poluentes, mas sim o compromisso de entregar US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 aos países em desenvolvimento para ajudá-los a combater a mudança climática.

Os EUA estão no ponto de mira nas negociações, já que além de ser o maior poluidor global per capita, é o único país industrializado que não assinou o Protocolo de Kioto, ratificado até o momento por 163 países. Stern disse que manteve conversas com a parte chinesa sobre combate, financiamento, tecnologia e a necessidade de criar um sistema transparente de negociação. EFE mmp/ma

iG São Paulo

Húngaro ganhou concurso da BBC e do Museu de História Natural de Londres

A imagem de algumas formigas comendo uma folha, obra do húngaro Bence Mate, obteve nesta quinta-feira (21/10) o prêmio Veolia de Fotografia de Natureza de 2010, organizado pela revista de natureza da "BBC" e pelo Museu de História Natural de Londres.

"Uma maravilha de formigas" mostra uma cena de um grupo destes insetos no que parece um esforço organizado por obter alimento.

Fotografia foi feita por Mate no meio da noite, projetando o flash sobre o verso do folha.

O júri avaliou especialmente a qualidade "artística" da foto, que será exposta a partir desta sexta-feira (22/10) no Museu de História Natural junto a outras 100 fotografias vencedoras nas diferentes categorias deste concurso. Veja abaixo:

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo

Análise de compostos no pólo sul lunar permitiu a cientistas imaginar o satélite terrestre como ponto de abastecimento para missões futuras

Foto: Science/AAAS

Antiga conhecida do homem, hoje é possível afirmar que a Lua é mais complexa do que se imaginava. Além de ter conter bilhões de litros em seus pólos, ela contém compostos como hidroxila, monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia, sódio, mercúrio e prata. As descobertas foram publicadas em uma série de estudos na edição desta semana do periódico científico Science.

Os novos estudos são resultado de observações feitas em outubro do ano passado pelo satélite LCROSS (Lunar Crater Remote Observation and Sensing Satellite) da Nasa, quando ele se chocou, intencionalmente, com a superfície da Lua. Cerca de 90 minutos após a colisão, o satélite LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) passou pela poeira resultante do impacto e coletou dados sobre as substâncias que formavam uma névoa.

?É uma nova visão sobre o pólo sul lunar, não só pelos compostos, mas pela incrível variedade deles que são de grande importância para a análise científica?, disse em entrevista coletiva Anthony Colaprete pesquisador do projeto de reconhecimento da órbita da Lua (LRO), da Nasa.

O ponto de impacto escolhido foi a cratera Cabeus, que fica no Pólo Sul lunar, uma das regiões mais frias do sistema solar com temperatura semelhante à encontrada em Plutão. Isto porque o pequeno eixo de inclinação de rotação da Lua faz com que o solo dos pólos permaneça sempre a sombra da luz solar. Sem receber a energia do sol, a temperatura destas regiões se mantém entre -238ºC e -173ºC.

Temperaturas tão baixas que quase todas as substâncias voláteis ficam presas por ali, sem se dispersar.

O choque criou uma cratera (dentro da Cabeus) de 25 a 30 metros de largura e algo em torno de 4 a 6 toneladas de detritos, poeira e vapor que como em uma explosão subiu até a uma área iluminada pelo sol no campo de visão do satélite.

A missão possibilitou que cientistas estimassem o total de concentração de gelo na cratera: cerca de 5,6% da massa total no interior da Cabeus pode ser atribuída ao gelo. Isso significaria a bilhões de litros de água em uma única cratera.

A descoberta de água em forma de gelo e outros elementos, principalmente mercúrio ? aparentemente na mesma quantidade que a água encontada - e hidrogênio, poderão reduzir a necessidade de transporte e armazenamento de recursos usados por astronautas. ?O hidrogênio poderia ser uma fonte usada em missões futuras?, disse Colaprete. Já o mercúrio poderia ser tóxico para astronautas.

AFP

Arqueólogos descobriram esqueletos e artefatos das épocas romana e bizantina em sítio a 85 km de Beirute

Esqueletos, sarcófagos e cerâmicas datando da época romana e bizantina foram descobertos perto da necrópole da antiga cidade de Tiro, no sul do Líbano, anunciou o responsável pelas escavações nesta quinta-feira à AFP.

"As novas descobertas fazem parte da necrópole do sítio de Al Bass", na periferia da cidade portuária, informou Ali Badaoui, arqueólogo e responsável do Ministério libanês da Cultura pelos vestígios em Tiro (85 km ao sul de Beirute).

Cerca de 50 esqueletos de crianças, de mulheres e de homens, sarcófagos, jarros e cerâmicas remontando a estas duas épocas foram descobertos por uma equipe libanesa, a centenas de metros da necrópole, famosa por seus sarcófagos e mosaicos.

"Os esqueletos da época romana são reconhecíveis já que foram enterrados na areia; quanto aos sarcófagos, remontam da época bizantina", explicou Badaoui.

As escavações, iniciadas há dois meses, foram conduzidas a pedido do Departamento de Antiguidades ligado ao Ministério da Cultura ante um pedido de construção no local.

"Foi realmente uma surpresa, não esperávamos isto por causa da pouca areia acumulada no lugar", disse Badaoui.

"A descoberta forneceu novas informações sobre a geografia da cidade antiga, bem como sobre os hábitos sociais das diferentes épocas", acrescentou o arqueólogo.

Tiro (Sul, em árabe) era a principal cidade-estado do território da Fenícia, que corresponde ao atual Líbano, antes de passar para domínio grego, romano e depois muçulmano, por ser especialmente cobiçada por causa de seu porto, de importância comercial estratégica.

Além dos sarcófagos em pedra e mármore luxuosamente decorados, a necrópole de Tiro é conhecida por seu arco do triunfo e seu hipódromo romano.

AFP

Encontro de nações na Rússia debaterá o futuro dos felinos

Foto: AFP

Os tigres podem estar extintos em 12 anos, mas um encontro na Rússia, no próximo mês, poderá reverter o declínio da população destes animais, anunciou nesta quinta-feira a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

"O pior cenário é aquele no qual os tigres podem estar extintos quando entrarmos no próximo ano do tigre, em 12 anos", disse Ola Jennersten, diretor do programa de preservação internacional da WWF sueca.

A organização lidera uma campanha global para tentar dobrar o número de tigres até 2022, quando começará o próximo ano do tigre.

O WWF informou que no último século, a caça ilegal, a redução do hábitat e o comércio de partes de tigre utilizadas na medicina oriental fizeram o número de grandes felinos cair, em todo o mundo, 97%, diminuindo sua população para 3.200 indivíduos, atualmente.

"Apesar dos números pessimistas, a situação é mais esperançosa do que nunca", disse Jennersten, enaltecendo a iniciativa política dos 13 'estados tigres' e de diferentes entidades de se encontrar na Rússia de 21 a 24 de novembro a fim de deter uma possível extinção da espécie.

"Isto será alcançado com um maior envolvimento político, concentrado em áreas para tigres, que têm a maior chance de garantir a conservação a longo prazo dos animais, e um controle maior sobre o comércio" ligado aos felinos, afirmou.

Espera-se que o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que no passado deu demonstrações de seu amor pela natureza, beijando animais publicamente e exibindo-se em uma série de peripécias na natureza, algumas envolvendo tigres, participe da conferência, em São Petersburgo.

Segundo a WWF, 1.800 tigres vivem na Índia, no Nepal, no Butão e em Bangladesh; 450, em Sumatra, 400 na Malásia, 350 estão espalhados em todo o sudeste asiático e 450 vivem, em hábitat natural, na Rússia.

Reuters

Riscos e impactos da manipulação da natureza em larga escala não são totalmente conhecidos

 A Organização das Nações Unidas (ONU) deveria impor uma moratória aos projetos de geoengenharia (tais como vulcões artificiais e grandes esquemas de produção de nuvens) para combater a mudança climática, afirmam grupos ecológicos, que temem que esses projetos prejudiquem a natureza e a humanidade.

Os riscos são muito grandes porque os impactos da manipulação da natureza em larga escala não são totalmente conhecidos, disseram os grupos numa importante conferência da ONU no Japão destinada a combater as perdas cada vez maiores de espécies animais e vegetais.

Os enviados de quase 200 países estão reunidos em Nagoya a fim de aprovar metas de combate à destruição de florestas, rios e recifes de corais que proporcionam os recursos essenciais ao sustento de comunidades e a economias.

Uma causa importante para as rápidas perdas na natureza é a mudança climática, afirma a ONU, ressaltando a urgência para que o mundo faça o que for possível para conter o aquecimento global e evitar secas extremas, enchentes e a elevação do nível das marés.

Alguns países consideram os projetos de geoengenharia de bilhões de dólares uma forma de controlar a mudança climática, cortando a quantidade de luz solar que atinge a Terra ou absorvendo o excesso de emissões de gases-estufa, em especial o dióxido de carbono.

"É totalmente inapropriado que alguns governos de países industrializados tomem a decisão de experimentar a geoengenharia sem a aprovação de todo o apoio do mundo", disse à Reuters Pat Mooney, da organização ativista com sede no Canadá ETC Group, nos bastidores do encontro que acontece de 18 a 29 de outubro.

"Eles não deveriam fazer experiências com a vida real, com o ambiente, nem empregar qualquer geogenharia antes de haver um consenso na ONU de que isso seja ok."

Alguns grupos conservacionistas afirmam que a geoengenharia é uma forma de certos governos e empresas evitarem medidas para cortar as emissões ligadas ao aquecimento do planeta.

O painel climático da ONU diz que uma revisão da geoengenharia será parte de seu próximo grande relatório, em 2013.

Alguns dos esquemas de geoengenharia propostos incluem: fertilização do oceano; borrifar água marinha na atmosfera a fim de aumentar a reflexibilidade e a condensação das nuvens, para que reflitam mais luz solar de volta para o espaço; a instalação de trilhões de minúsculos refletores no espaço para cortar a quantidade de luz solar que chega à Terra; vulcões artificiais.

Os ambientalistas afirmaram que a geoengenharia vai contra o espírito das conversações de Nagoya, que tem como objetivo estabelecer novas metas para 2020 a fim de proteger a natureza, tais como o estabelecimento de novas áreas de proteção terrestres e marinhas, a redução da poluição e o manejo da pesca.

"Certamente defendemos mais pesquisas (de geoengenharia), como em todos os campos, mas não a sua implementação, por enquanto, porque é muito perigoso. Não sabemos quais podem ser os efeitos", disse François Simard, do grupo conservacionista IUCN.

 

Alessandro Greco, especial para o iG

Planeta já teve água em forma líquida. Missão estudará as razões da mudança e o potencial para vida do planeta

Foto: NASA

No início de outubro, a Agência Espacial Americana (Nasa) autorizou o desenvolvimento da missão Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN). O projeto irá levar até Marte uma sonda para investigar porque ao longo do tempo o planeta vermelho perdeu a água que tinha em sua superfície e com isso, a possibilidade de ter vida. ?O objetivo da missão MAVEN é entender o quanto da atmosfera de Marte se perdeu para o espaço. O clima no planeta mudou ao longo do tempo. Evidências geológicas nos mostram que antigamente o ambiente lá era mais molhado e presumivelmente mais quente do que é hoje. Sabemos que água líquida corria pela superfície, mas não há água líquida em forma estável atualmente ? hoje Marte é muito frio e muito seco para ela existir?, explicou ao iG Bruce Jakosky, chefe de pesquisa da missão e professor de Ciências Geológicas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

A mudança climática em Marte também levanta a questão do potencial de existência de vida no planeta no passado. ?As pessoas querem saber se Marte podia ter tido vida e se ela existiu lá. A MAVEN irá nos fazer entender a natureza e a história da capacidade de Marte ter sido habitada por microorganismos?, comenta Jakosky.

A explicação mais plausível para a mudança climática marciana é que havia uma grossa camada de atmosfera que provia calor suficiente para elevar a temperatura a um valor no qual água podia existir. ?O mais provável é que o gás fosse CO2. Ele pode ter sido perdido para o solo, formando minerais, ou para o espaço?, afirmou Jakosky.

A sonda tem lançamento previsto para novembro de 2013 e deve chegar ao seu destino final em agosto de 2014 em uma viagem de 10 meses até Marte. ?Iremos começar a mandar dados para a Terra em outubro de 2014?, afirma Jakosky.


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