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EFE

Conclusão foi apresentada em relatório realizado pelo secretário de Defesa americano, Robert Gates

Um estudo elaborado pelo Pentágono conclui que a abolição da lei "Don't Ask, Don't Tell", que impede a participação no serviço militar de homossexuais que expressem abertamente sua condição sexual, não afetará as Forças Armadas.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen, apresentaram nesta terça-feira um relatório realizado entre os militares americanos para analisar o impacto que teria a derrogação da lei após 17 anos em vigor.

Segundo eles, a derrogação poderia causar algum contratempo em um primeiro momento, mas não seria nenhum problema generalizado de longa duração.

O estudo concluiu que 70% dos militares consultados acham que o impacto seria "positivo, misto ou inexistente". No entanto, a oposição foi maior entre as tropas de combate (40%) e as forças especiais, em particular entre o corpo de Infantaria da Marinha, que serve em missões de combate, cuja oposição foi de 58%.

Gates assinalou que, para que a transição seja positiva, existem algumas "preocupações" que precisam ser tratadas, mas assegurou que o relatório revela que a derrogação "não provocaria as mudanças dramáticas que muitos predisseram".

Neste sentido, assinalou que se o Congresso aprovar antes do final de ano a anulação, deve conceder às Forças Armadas um tempo de adaptação para que os comandantes e as tropas se preparem para a transição.

A lei foi aprovada em 1993 durante a Presidência do democrata Bill Clinton.

AFP

Em reunião de mais de uma hora na Casa Branca, republicanos e presidente dos EUA não chegaram a consenso sobre impostos

Foto: AP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus adversários republicanos, vitoriosos nas recentes eleições legislativas, anunciaram nesta terça-feira a formação de comissão destinada a solucionar o impasse sobre a questão da redução de impostos que expira em um mês.

Ao final de uma reunião de mais de uma hora na Casa Branca, Obama e os dirigentes republicanos disseram não ter chegado a um consenso sobre o assunto. "Líderes republicanos querem prorrogar por tempo indeterminado as reduções, não apenas para as famílias de classe média, mas também para os americanos mais ricos. Não estamos de acordo", explicou Obama durante um curto pronunciamento para a imprensa.

Para tentar "sair do impasse" e "ajudar no processo de negociação", Obama anunciou ter encarregado seu secretário do Tesouro Tim Geithner e seu diretor de orçamento, Jack Lew, de se reunirem com os delegados republicanos.

"O processo começará a partir de agora. Esperamos obter respostas nos próximos dias para saber como atingir nosso objetivo principal, que é fazer a economia continuar a crescer e ajudar as pessoas a encontrarem trabalho", disse ainda o presidente.

Start

Em relação a uma outra questão que provoca discórdia entre Obama e seus adversários republicanos, a ratificação no Senado do novo tratado Start de desarmamento com a Rússia, o líder da minoria republicana na Câmara Alta, Mitch McConnell, deixou a entender que nenhum progresso havia sido efetuado nesta terça-feira. O tratado, defendeu o presidente, "é absolutamente essencial a nossa segurança nacional, e é preciso ratificá-lo".

Apesar da falta de resultados concretos da reunião bipartidária, o presidente afirmou que "foi um encontro produtivo". "Os participantes compareceram com um espírito de trabalhar junto", concluiu o presidente americano.

iG São Paulo

No Maranhão, presidente subestima cartas de embaixador dos EUA que apontam corrupção no governo e controvérsia com Nelson Jobim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subestimou a divulgação de telegramas da diplomacia americana pelo site WikiLeaks, que aponta corrupção no governo brasileiro.

"Acho que as coisas que vi são insignificantes e não merecem ser levadas a sério. Na verdade não sou obrigado a acreditar num telegrama do embaixador americano", disse Lula, em entrevista concedida depois de visitar as obras da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.

Em um telegrama secreto revelado pela organização WikiLeaks, o embaixador americano em Brasília em 2008, Clifford Sobel, teria avaliado que o presidente Lula concluirá seus oito anos de governo uma gestão marcada pela corrupção entre seus "mais próximos aliados", com uma "praga" de compra de votos no PT e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil.

Lula subestimou também a informação de que o ministro da Defesa Nelson Jobim teria dito ao embaixador que o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, odeia os Estados Unidos. "Tenho certeza do comportamento do Jobim e tenho certeza do comportamento do Samuel. Eles são amigos e um não falaria mau do outro", afirmou Lula.

Nesta terça-feira, a assessoria do Ministério da Defesa divulgou um comunicado afirmando que Jobim ligou para Pinheiro Guimarães, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, para desmentir as afirmações atribuídas a ele no documento vazado pelo WikiLeaks.

*Com AE

iG São Paulo

Segundo documentos vazados, China teria perdido paciência com Coreia do Norte e presidente afegão teria perdoado narcotraficantes

O site WikiLeaks deu prosseguimento, nesta terça-feira, à publicação de documentos diplomáticos dos Estados Unidos que irritam Washington e os países citados. As correspondências fazem parte do pacote de mais de 250 mil comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site WikiLeaks teve acesso e que começou a vazar no domingo.

Os Estados Unidos condenaram os vazamentos como um "delito grave" mas não questionaram sua autenticidade.

Veja as últimas revelações divulgadas pelo site:

China se irrita com Coreia do Norte

Pequim pensa que a Coreia do Norte está perdendo poder estratégico e acredita que um dia se unirá a seus vizinhos sul-coreanos. Ano passado, o embaixador chinês no Cazaquistão, Cheng Guoping, revelou a um enviado dos Estados Unidos que Pequim considera o programa nuclear da Coreia do Norte "muito conflitivo".

Autoridades chinesas teriam afirmado a um vice-ministro sul-coreano que a península coreana deveria ser reunificada sob o controle de Seul, de acordo com os documentos diplomáticos secretos.

Em outro documento, que demonstra a frustração de Pequim com a Coreia do Norte, o vice-ministro das Relações Exteriores da China, He Yafei, é citado como tendo afirmado que o comportamento do governo norte-coreano é o de "criança mimada".

Kuwait e terroristas no Afeganistão

Em discussão realizada em fevereiro de 2009, o ministro kuwaitiano do Interior disse ao embaixador americano que seu país não queria de volta os terroristas encerrados em Guantánamo. "Se são maus, são maus, e o melhor é deixá-los morrer", disse o xeque Jaber Al Jalid Al Sabah, de acordo com o texto vazado.

Arábia Saudita e presos acompanhados por chip

O rei Abdullah da Arábia Saudita propôs implantar chips eletrônicos em um grupo de presos de Guantánamo para poder segui-los após sua libertação. O acordo teria sido feito em março, durante encontro com John Brennan, conselheiro antiterrorista de Obama. O soberano sugeriu os chips eletrônicos para controlá-los "por Bluetooth". "Assim se faz com os cavalos e os falcões", observou o Rei.

As mensagens diplomáticas americanas vazadas pelo site WikiLeaks revelam também que a Arábia Saudita está obcecada com o perigo representado pelo programa nuclear iraniano e com as aspirações hegemônicas de Teerã na região.

Apesar do reino saudita, sunita, se mostrar moderado nas declarações públicas sobre o vizinho xiita, os documentos revelam que nas conversas privadas se mostra veemente contrário ao programa nuclear do Irã, do qual suspeita que o objetivo final é a bomba atômica.

"Disse a vocês que cortem a cabeça da serpente", disse o rei, segundo o embaixador saudita em Washington, Adel al-Jubeir, ao colega americano no Iraque, Ryan Crocker, e ao general David Petraeus.

Egito e a democracia no Iraque

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, aconselhou os Estados Unidos em 2008 a "esquecer" a democracia no Iraque. "Esqueçam isso; os iraquianos são por natureza demasiado inflexíveis", declarou a parlamentares americanos, segundo o documento diplomático.

Karzai perdoa traficantes de droga

O presidente afegão, Hamid Karzai, ordenou a libertação sem processo de dezenas de criminosos perigosos e traficantes de drogas pelas forças internacionais, diz um telegrama diplomático americano publicado nesta terça-feira pelo site Wikileaks. 

De acordo com o texto, autoridades americanas repreenderam Karzai e o procurador-geral do Afeganistão, Muhammad Ishaq Alko em diversas ocasiões, por terem libertado todos estes prisioneiros em um período de três anos. "Os dois homens autorizaram a liberação de prisioneiros antes de seu julgamento, e permitiram que perigosos criminosos saíssem da prisão e retornassem às suas atividades sem sequer terem sido apresentados a um tribunal", indica o texto, datado de agosto de 2009 e classificado como "secreto" pela embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

A embaixada americana afirma também que 150 dos 629 prisioneiros foram libertados sem julgamento desde 2007.

Príncipe Charles é menos respeitado que a rainha

O príncipe Charles da Inglaterra "não tem o mesmo respeito" que a rainha Elizabeth II, disse Amitav Banerji, diretor dos assuntos políticos da Commonwealth.

Além de países estrangeiros, o WikiLeaks publicou documentos sobre a percepção do então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, a respeito do Brasil. Segundo documentos de 2008 e 2009, o diplomata americano vê o Itamaraty como um empecilho à influência americana no país, diferentemente do ministro da Defesa Nelson Jobim, que é tido como um aliado 'confiável'.

*Com AFP

iG São Paulo

Neve força cancelamento de voos e de escolas e causa acidentes e mortes na Europa

Foto: AFP

Um total de 255 voos foram cancelados nesta terça-feira no aeroporto internacional de Frankfurt por causa das fortes nevadas na Alemanha, informou um porta-voz do aeroporto. A onda de frio e as nevascas obrigaram, desde segunda-feira, o cancelamento de aproximadamente 400 voos nos aeroportos internacionais de Frankfurt e Munique, os de maior tráfego aéreo da Alemanha.

De acordo com as previsões, continuará nevando nesta terça-feira no centro e no norte do país nas próximas horas, enquanto no leste são aguardadas fortes geadas. "Os próximos dias serão ainda mais frios", disse Christina Speicher, do Serviço Alemão de Meteorologia em Offenbach.

As nevascas e o gelo provocaram pelo menos três mortes e, nas últimas 24 horas, causaram mais de 1,75 mil acidentes no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, enquanto em Baden-Württemberg foram contabilizados mais de 100 incidentes. A onda de frio foi acompanhada de fortes ventos no litoral do Mar Báltico, onde as autoridades decretaram sinal vermelho nos portos de Rostock e Lübeck diante da ameaça de inundações.

Em Oberfranken, cerca de 200 viajantes de um trem de alta velocidade foram prejudicados pela queda de uma árvore, enquanto no Estado de Schleswig-Holstein cerca de 40 crianças permaneceram durante horas presas em uma creche por causa da neve. No fim de semana, as temperaturas podem chegar a 16 graus negativos na Alemanha, segundo a meteorologista Christina Speicher.

Onda de frio na Europa

Além da Alemanha, o Reino Unido e a França também tiveram problemas com o frio. Na Escócia e no norte da Inglaterra, mais de 1 mil escolas permaneceram fechadas por causa das fortes nevascas que acontecem desde segunda-feira e causaram problemas de transporte e o fechamento temporário do aeroporto escocês de Edimburgo.

As principais prefeituras da Escócia informaram que os colégios permanecerão fechados nesta terça-feira, enquanto várias estradas, entre elas a que liga as cidades escocesas de Perth e Dunblane, estão bloqueadas pela neve. O aeroporto de Edimburgo voltou a operar após o fechamento temporário de segunda-feira, embora alguns voos tenham sido transferidos para quarta-feira.

Atrasos foram registrados em Newcastle, nordeste da Inglaterra, uma das regiões mais afetadas pelo intenso frio que atinge o Reino Unido. As linhas férreas da Escócia, especialmente as que unem as cidades de Glasgow e Edimburgo, foram afetadas. Em Inverness, norte da Escócia, as temperaturas chegaram a cair nesta manhã para 13 graus negativos.

A onda de frio que atinge o Reino Unido chegou nesta terça-feira a Londres, onde a neve provocou transtornos nos aeroportos. Um manto de neve de 2 cm a 10 cm de espessura cobria a maior parte do país, afetado por uma frente de frio que desde sábado provoca as piores nevascas desde 1993.

Na capital, todos os aeroportos estão abertos, mas alguns como o London City, Luton e Stansted, tiveram de cancelar alguns voo ou registravam atrasos. Os inúmeros acidentes que foram registrados nas estradas cobertas pela neve obrigaram a interromper a circulação em vários trechos e causaram pelo menos duas mortes no norte e leste da Inglaterra.

No centro e nordeste da França, foram registradas temperaturas de até 15 graus abaixo de zero durante a madrugada, com problemas em diferentes estradas e diversos departamentos em alerta por causa do risco de nevascas.

A temperatura mais baixa, de 15 graus negativos, foi registrada em Orleans, a cem quilômetros ao sul de Paris, onde desde segunda-feira está suspenso o transporte escolar por causa da neve que dificulta a circulação em muitas estradas da região.

Nesta manhã, vários acidentes causados pelo gelo provocaram trânsito superior a 260 km nos arredores da capital francesa. Duas pessoas morreram nos últimos dias e milhares estão sem energia elétrica.

*Com EFE e AFP

iG São Paulo

Transporte no Afeganistão, protestos na Itália, neve na Alemanha e mais...

EFE

Segundo Wikileaks, foram oferecidos US$ 85 mil por preso; EUA também teriam pressionado Espanha para congelar casos judiciais

O ministro da Justiça espanhol, Francisco Caamaño, negou nesta terça-feira que os EUA tenham oferecido à Espanha uma quantia em dinheiro para receber os presos de Guantánamo, como publicou o jornal El País citando os documentos vazados pelo site WikiLeaks. Os documentos afirmam que foram oferecidos US$ 85 mil por preso.

"Segundo a informação que tenho, isso é absolutamente falso, é categoricamente falso que tenham oferecido quantidade alguma de dinheiro", declarou Caamaño.

De acordo com os documentos diplomáticos, os procuradores Javier Zaragoza e Vicente González Mota receberam pressões dos EUA para congelar três casos judiciais na Espanha contra políticos e militares americanos.

De acordo com documentos diplomáticos confidenciais divulgados pelo site, "a Embaixada dos EUA em Madri mobilizou importantes recursos nos últimos anos para frear ou boicotar as causas judiciais abertas na Espanha contra políticos e militares americanos", indicou o El País.

A primeira das causas se refere à morte do cinegrafista José Couso em Bagdá por disparos do Exército americano em 2003, durante a invasão do Iraque. A justiça espanhola reabriu o caso recentemente e emitiu três ordens de prisão contra militares americanos.

Outra das causas é a investigação aberta pelo juiz Baltasar Garzón (suspenso de suas funções em maio) após um processo por tortura na prisão de Guantánamo de Hamed Abderraman Ahmed, taleban de nacionalidade espanhola.

O terceiro processo refere-se às escalas feitas na Espanha por voos secretos americanos usados para transportar prisioneiros para Guantánamo. Por este caso, a promotoria espanhola pediu em maio a prisão de 13 dirigentes da CIA.

Segundo o El País, o ex-embaixador Eduardo Aguirre, que permaneceu no cargo durante a administração Bush, "coordenou pessoalmente muitas das pressões exercidas sobre o governo espanhol e as autoridades judiciais espanholas" para que esses casos fossem arquivados.

Para Caamaño, os documentos do site WikiLeaks são informações subjetivas que foram descontextualizadas. Em paralelo, a procuradoria-geral espanhola defendeu nesta terça-feira a "estreita e frutífera relação de cooperação" com a Promotoria americana e assegurou que sua postura em cada causa judicial tem como base critérios estritamente jurídicos.

iG São Paulo

Segundo texto vazado pelo WikiLeaks, ministro da Defesa disse que reconhecimento da presença de guerrilha na Venezuela seria ruim

Documento enviado pela embaixada brasileira para Washington em 11 de novembro de 2009 mostra que o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, acredita que o reconhecimento da presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela poderia prejudicar mediação brasileira.

"Perguntado sobre a presença das Farc na Venezuela, Jobim disse o reconhecimento de sua presença poderia 'arruinar a habilidade do Brasil para mediar'", mostra documento vazado pelo WikiLeaks nesta terça-feira.

Segundo o texto também, Jobim teria oferecido cooperação entre Colômbia e Equador ao longo da fronteira, além de um monitoramento conjunto entre Colômbia e Brasil para combater a entrada de drogas no país.

Bases

No documento, a embaixada americana diz que Jobim estava ciente dos reais propósitos do acordo sobre bases militares americanas na Colômbia, mas um memorando da Força Aérea publicado na internet que cita "países não-amigáveis" na área teria complicado a aceitação do acordo no continente, segundo o ministro.

De acordo com o texto também, Jobim também teria se mostrado crítico em relação a um terceiro mandato de Uribe, "um movimento que ele pensou que abriria um mau precedente para os 'bolivarianistas'.

iG São Paulo

Wikileaks vaza telegramas da embaixada dos EUA que revelam avaliação de diplomata sobre presidente brasileiro

Documentos diplomáticos dos EUA descrevem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um líder cuja popularidade não foi afetada pelos esquemas de corrupção que atingiram seus "aliados mais próximos" nem por não ter abordado de forma eficiente "as principais preocupações da população": a redução da criminalidade e a melhora da segurança pública.

As afirmações datam de um telegrama enviado a seus superiores pelo então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, em 12 de março de 2008.

"Lula foi eleito em 2002 em grande pelas promessas de promover uma ambiciosa agenda social, incluindo generosos doações de dinheiro aos pobres. Com a força da popularidade dessas medidas, ele foi reeleito em 2006, embora com menor apoio da classe média", diz a carta, que faz parte de 250 mil documentos diplomáticos americanos vazados pelo site desde domingo.

Segundo o telegrama, o governo Lula foi atingido por "uma grave crise política à medida que membros do Partido dos Trabalhadores foram acusados de tráfico de influência e de compra de votos", mas a popularidade do presidente não sofreu mesmo com aliados tendo sido "flagrados em práticas corruptas".

Além das afirmações sobre a corrupção no governo Lula, Sobel indica que o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, seria um contraponto à uma "inclinação antiamericana" do Itamaraty. No telegrama, Jobim é descrito como ?aliado? e ?talvez um dos mais confiáveis líderes brasileiros da atualidade?.

As mensagens afirmam que Jobim teria confidenciado ao embaixador americano que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, tem uma postura ?muito crítica aos EUA? e ?trabalha dentro do Ministério das Relações Exteriores? para prejudicar a aproximação entre os dois países.

Nesta terça-feira, a assessoria do Ministério da Defesa divulgou um comunicado afirmando que Jobim ligou para Pinheiro Guimarães, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, para desmentir as afirmações atribuídas a ele no documento vazado pelo WikiLeaks.

Reuters

Relatório afirma que é preciso fazer mais para garantir que mulheres e crianças tenham acesso a tratamento

Uma geração de bebês poderá nascer livre da Aids caso a comunidade internacional intensifique seus esforços para dar acesso universal à prevenção contra o HIV, ao tratamento e à proteção social, defendeu a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (30/11).

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicou que milhões de mulheres e crianças, especialmente nos países pobres, são negligenciadas pelos serviços de HIV por causa do seu gênero, de seu status econômico ou social, da localização ou da educação.

Embora crianças tenham se beneficiado do progresso substancial da luta contra a Aids, afirma o documento, é preciso fazer mais para garantir que todas as mulheres e crianças tenham acesso aos medicamentos e serviços de saúde destinados a evitar a transmissão do HIV de mãe para filho.

De acordo com os dados mais recentes da ONU, 370 mil crianças nasceram com o HIV em 2009, a grande maioria delas na África - de longe a região que mais sofre com a Aids.

"Apesar de ser muito raro uma criança nascer com HIV no mundo desenvolvido, há ainda mil recém-nascidos por dia infectados na África", disse o diretor de HIV e Aids do Unicef, Jimmy Kolker, a jornalistas. "Isso é algo que sabemos como evitar."

A Aids ainda é uma das principais causas de morte em todo mundo entre mulheres em idade reprodutiva e uma causa importante de morte materna em países com epidemia de Aids. Na África Subsaariana, nove por cento das mortes maternas são atribuíveis ao HIV e à Aids, disse o Unicef.

Apenas pouco mais de metade de todas as grávidas infectadas pelo HIV obtiveram as drogas necessárias para evitar a transmissão de mãe para filho em 2009, em comparação com os 45 por cento de 2008.

Em 2009, cerca de 33,3 milhões de pessoas ao redor do mundo tinham o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa a Aids - 22,5 milhões delas viviam na África Subsaariana.

O Unicef afirmou que um dos aumentos mais significativos no acesso às drogas de prevenção ocorreu no leste e no sul da África, onde a proporção subiu 10 pontos percentuais, de 58 por cento em 2008 para 68 por cento em 2009.

* Por Kate Kelland

iG São Paulo

Governo boliviano negou que presidente tinha câncer, conforme revelou documento vazado pelo site WikiLeaks

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria oferecido ao presidente boliviano, Evo Morales, tratamento contra um câncer do líder da Bolívia, diz um documento vazado nesta terça-feira pelo WikiLeaks.

Uma carta de 22 de janeiro de 2009, enviada pelo então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, a Washington relata um encontro entre Lula, Evo e o presidente da Defesa Nelson Jobim em que confirmou-se o rumor da doença do líder boliviano.

Jobim teria contado ao embaixador que Lula ofereceu a Evo "exames e tratamento em um hospital de São Paulo". "Apesar de ter havido documentos públicos de que Morales precisa de cirurgia para uma 'sinusite aguda', e dores de cabeça e otite relacionadas, de acordo com Jobim, seus problemas são causados por um sério tumor e a cirurgia será uma tentativa de removê-lo", segundo a correspondência de Sobel.

O tratamento, no entanto, teria sido descartado por conta do referendo constitucional de 25 de janeiro daquele ano. Segundo documento também, Jobim que esteve no encontro entre Lula e Morales, comentou que o tumor poderia explicar por que Morales andava ausente de cúpulas recentes.

Réplica

Depois da divulgação do arquivo, o governo boliviano negou os rumores sobre o câncer de Evo. "Foi um problema de septo nasal. De maneira alguma o presidente tinha um tumor, menos ainda um tumor que poderia gerar dificuldades em sua saúde", afirmou o porta-voz do governo Iván Canelas à rádio privada Erbol.

Para Canelas, há "uma boa carga de especulação" no relatório que a embaixada dos EUA em Brasília enviou ao Departamento de Estado em janeiro de 2009.

Ele ressaltou também que o presidente boliviano foi operado em fevereiro por uma equipe de médicos cubanos em La Paz, porque tinha "um problema de septo nasal". "Todos sabem que o presidente se submeteu a uma cirurgia do nariz, porque tinha um problema de septo que gerava dificuldades, especialmente coriza, às vezes resfriados permanentes", insistiu o porta-voz.

*Com AFP

iG São Paulo

Wikileaks vaza telegramas da embaixada dos EUA que revelam divergências entre ministro da Defesa Nelson Jobim e Itamaraty

Correspondências de diplomatas americanos vazadas pelo site WikiLeaks indicam que Washington considera que Itamaraty adota uma "inclinação antiamericana". Em um documento enviado pelo então embaixador em Brasília, Clifford Sobel, em março de 2008, a relação entre Brasil e EUA é descrita como uma "cooperação amigável, mas não uma amizade forte". 

"Enquanto as relações entre EUA e Brasil são, em geral, amigáveis, às vezes o governo americano encontra grandes dificuldades em ganhar cooperação de políticos graduados em temas de interesse para os EUA. A dificuldade é mais perceptível no Ministério de Relações Exteriores (MRE), que mantém uma 'inclinação antiamericana' e tentou bloquear o aumento das relações entre Departamento de Defesa (americano) e o Ministério de Defesa", revela o documento. 

Em correspondência datada de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata um almoço que teve com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, mantido no cargo pela presidente eleita Dilma Rousseff e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes do Brasil".

No almoço, o ministro teria dito a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, "'odeia os EUA' e trabalha para criar problemas na relação (entre os dois países)". Nesta terça-feira, a assessoria do Ministério da Defesa divulgou um comunicado afirmando que Jobim ligou para Pinheiro Guimarães, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, para desmentir as afirmações atribuídas a ele no documento vazado pelo WikiLeaks.

Acordo de Defesa

Ao condenar a resistência do Itamaraty em relação a acordos de interesse americano, em documento enviado em janeiro de 2008, o embaixador americano conta que Jobim teria interesse em assinar um Acordo de Cooperação de Defesa (DCA, na sigla em inglês), durante uma visita a Washington, datada de março de 2008, mas enfrentou resistência do Ministério das Relações Exteriores.

Ao mencionar o acordo bilateral, Sobel afirma que o presidente Lula terá de decidir entre as posições de um "inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional e continuar a ter uma certa distância entre Brasil e EUA".

Sobel conclui que "'embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de Defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema" e reconhece que o ministro da Defesa brasileiro representa uma "ameaça à histórica supremacia do Itamaraty em todas as áreas da política externa".

Em telegrama de fevereiro de 2008, o embaixador americano relata que o ministro da Defesa brasileiro compartilha da mesma preocupação de Washington em relação ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas acredita que isolar a Venezuela poderia levar a um risco maior de instabilidade entre os países da região. A sugestão dada por Jobim de não isolar Caracas é criticada pelo diplomata como a "tradicional política brasileira de ser amigo de todo mundo".

Infraero 

Além da política externa brasileira, o então embaixador em Brasília teria conversado com Jobim sobre investimentos estrangeiros na aviação civil brasileira. Ao discutir a operadora Infraero, o ministro reconheceu que o setor tem tantos problemas de administração que "será preciso mais tempo antes de ele conseguir abrir o setor para investidores estrangeiros", diz o documento de 24 de janeiro de 2008.

As informações estão em seis documentos divulgados nesta terça-feira pelo WikiLeaks, que teve acesso a 1.947 telegramas diplomáticos enviados pela embaixada americana em Brasília entre 1989 e 2010.

Segundo o WikiLeaks, desse total, 54 são classificados como secretos e 409 como confidenciais. Além da documentação de Brasília, há 12 do consulado do Recife, 119 do Rio de Janeiro e 778 de São Paulo. Os documentos fazem parte de mais de 250 mil telegramas diplomáticos a que o site teve acesso e começou a vazar no domingo.


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