The New York Times Foto: AP Policiais israelenses expulsaram uma família palestina de sua casa em um bairro predominantemente árabe de Jerusalém nesta semana e um grupo de colonos judeus se mudou para a propriedade à noite. O episódio tocou em um dos quesitos mais sensíveis na relação entre israelenses e palestinos em um momento de tensão crescente no qual o governo Obama está trabalhando para retomar as negociações de paz. Tais expulsões atraíram condenação internacional no passado. A família Karain, palestina, perdeu uma batalha jurídica pela posse da casa. Eles disseram que a propriedade havia sido vendida a colonos ilegalmente e sem o seu conhecimento por um parente, Ali Karain, que era co-proprietário do imóvel e que já morreu. Os tribunais de Israel confirmaram a venda cerca de seis meses atrás. Após a expulsão, os membros da família permaneceram na rua e em um telhado vizinho, enquanto israelenses protegidos por policiais armados instalaram câmeras de segurança e vedaram as janelas e varandas do edifício com placas de madeira e arame farpado. "Meu tio morreu há quase dois anos", disse Fadi Karain, 21anos, que está estudando para ser professor em uma faculdade de Israel predominantemente judaica em Jerusalém. "Um mês depois que ele morreu, ouvimos os oficiais de justiça dizerem que a casa tinha sido vendida". Colonização Ele disse que os novos proprietários são associados ao Elad, um grupo que promove a colonização judaica em áreas árabes de Jerusalém, e particularmente em Silwan. A tomada da casa dos Karain irá representar um novo momento para os assentamentos judaicos na cidade. O edifício de pedra de três andares está encravado entre outras casas em uma encosta íngreme na seção Farouk do bairro de Jebel Mukaber, com uma vista panorâmica da Cidade Velha, da Mesquita de El Aksa e do Domo da Rocha. Esses santuários ficam sobre o planalto reverenciado pelos muçulmanos como o Santuário Nobre e pelos judeus como o Monte do Templo. Esculpido em uma laje de pedra na parede da casa está a imagem do Domo da Rocha e as palavras "Al mulk lillah" ("Tudo pertence a Deus", em árabe). Um voluntário judeu que estava ajudando a preparar a casa para os seus novos moradores disse estar agindo por "sionismo". Os israelenses têm o direito de viver e comprar um imóvel em qualquer lugar em Jerusalém, capital de Israel, ele disse. Tensão A questão da construção israelense na parte judaica de Jerusalém Oriental, tem sido uma fonte de tensão nos últimos meses entre Israel, os palestinos e os Estados Unidos. Colonos judeus estão avançando cada vez mais em bairros predominantemente árabes, aprofundando a confusão sobre a futura forma da cidade. Israel anexou Jerusalém Oriental logo após capturar a região e a Cisjordânia da Jordânia, na guerra de 1967. A anexação nunca foi reconhecida internacionalmente e os palestinos reivindicam o território como a capital de um futuro Estado independente. Mas muitos israelenses consideram que Jerusalém pertence inteiramente a Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teve recentemente uma troca de farpas acentuada com o governo Obama na qual seu gabinete divulgou uma declaração defendendo a construção judaica em Jerusalém, dizendo: "Jerusalém não é um assentamento, Jerusalém é a capital do Estado de Israel". Nos últimos anos, os assentados despejaram palestinos e tomaram várias casas em Sheikh Jarrah, uma área cobiçada perto da Cidade Velha, depois de os tribunais israelenses, incluindo o Supremo Tribunal Federal, confirmarem as decisões tomadas desde 1970 que afirmam que as propriedades pertenciam inicialmente a judeus. Ativistas do grupo Solidariedade Sheikh Jarrah estavam em Jebel Mukaber na terça-feira ajudando a família Karain a remover caixas de alimentos e alguns pertences da casa. Proposta O grupo emitiu um comunicado dizendo que o objetivo do novo acordo foi "sem dúvida, minar os fundamentos da Proposta Clinton de 2000, ou seja, a divisão de Jerusalém em duas capitais", referindo-se a uma ideia lançada pelo então presidente americano, Bill Clinton. Na fronteira superior de Jebel Mukaber, dezenas de famílias judias agora vivem em um empreendimento privado judaico, o Nof Zion, construído em terreno que foi comprado por um colaborador de Israel. Udi Ragones, um porta-voz da Elad, disse que a casa Karain foi comprada há alguns anos por uma companhia estrangeira chamada Lowell. Ragones não reconheceu nenhum papel direto do Elad na compra do imóvel, mas disse que houve contato entre o grupo e os compradores. Mas grupos como o Elad, também conhecido como Cidade de Davi, são conhecidos por usar empresas estrangeiras para comprar propriedades em Jerusalém Oriental. Eles dizem que têm de trabalhar de forma discreta, a fim de proteger os vendedores palestinos cujas vidas estão ameaçadas por outros palestinos que se opõem a tais negócios. *Por Isabel Kershner
27/11/2010 08:03 AM
The New York Times Foto: The New York Times Quando a menina agora identificada como Jane Doe 2 passou controle deles em 2006, aos 12 anos, os bandidos da gangue Somali Mafia definiram uma regra: seus membros poderiam fazer sexo com ela por nada, enquanto outros teriam de pagar com dinheiro ou drogas. Repetidamente, ao longo dos três anos seguintes, em apartamentos, quartos de motel e banheiros de shopping centres de Minnesota e Tennessee, a menina praticava atos sexuais com membros de gangues e clientes pagantes sem parar. A reveleção veio em uma acusação federal que indiciou 29 somali e seus descendentes americanos por atrair meninas para a prostituição na última década, sob abusos e ameaças. Os suspeitos, agora com idades entre 19 a 38 anos, usavam apelidos como Hollywood e Cash Money, disseram os procuradores. As alegações de tráfico organizado, reveladas este mês, foram um choque profundo para os milhares de somalis que vivem na área de Minneapolis. Eles fugiram da guerra civil e da fome para construir uma nova vida nos Estados Unidos e, agora, se perguntam como alguns dos seus jovens poderiam ter ido tão longe. Na semana passada, em murmúrios durante o chá em uma reunião pública de emergência, pais e idosos expressaram indignação, perplexidade e raiva porque as autoridades não agiram mais cedo para deter os criminosos e salvar seus jovens. A acusação foi o último de uma série de solavancos que começou por volta de 2007, quando tiroteios nas cidades gêmeas tornaram impossível ignorar o surgimento das gangues somalis. Depois veio a descoberta de que mais de 20 homens haviam retornado para a Somália para combater os extremistas islâmicos, gerando o que muitos somalia sentem ser um escrutínio cruel e injusto das agências de aplicação da lei e da mídia. "E agora esta gangue do sexo", lamentou Zuhur Alves, 25 anos, que discute os problemas da Somália em seu programa semanal na rádio comunitária KFAI em Minneapolis. "Todo mundo agora se pergunta o que vem a seguir". Preocupação Cawo Abdi, um sociólogo da Somália na Universidade de Minnesota, disse que ondas de preocupação com jovens problemáticos não têm sido acompanhadas por verbas e programas para ajudá-los. "Isso é visto como um escândalo tão grande e há tanta indignação, que é preciso algum tipo de ação", ela disse sobre as novas acusações. Muitos imigrantes da Somália estão se adaptando bem nos Estados Unidos, como demonstrado em um importante feriado islâmico quando, no que se tornou um ritual anual, milhares saíram das orações da manhã para aproveitar o parque de diversões do Mall of America. Meninas com lenços de cabeça tradicionais e meninos em suas melhores camisas brancas faziam filas nos brinquedos. Mas a pobreza continua a ser comum e sua história dolorosa cria alguns obstáculos especiais para as famílias da Somália. "Os jovens imigrantes têm mais riscos do que outras crianças", disse Jibril Dahir, ex-professor que é o diretor executivo do Centro de Defesa da Justiça da Somália, um pequeno grupo sem fins lucrativos que pretende desenvolver programas comunitários. Normalmente, os pais cresceram na Somália enquanto seus filhos cresceram na América e habitam diferentes mundos culturais. Os pais, alguns dos quais não dominam o inglês, esperam obediência e humildade e acompanham de perto a política na África Oriental, mas os filhos não estão focados na pátria e sim no dinheiro, roupas e entusiasmo da cultura americana. Para piorar os desafios, alguns jovens somalis chegaram aos Estados Unidos depois de anos traumáticos em campos de refugiados sem seus pais. Uma minoria significativa abandonou os estudos apenas para passar o tempo à espreita nas ruas perto do Riverside Plaza, um prédio de baixa renda que alguns chamam de Little Mogadiscio, ou em torno de um dos centros comerciais da cidade. Gangues A denúncia que desencadeou o debate atual acusa os integrantes de três gangues interligadas ? a Outlaws, a Somali Mafia e a Lady Outlaws ? de envolvimento com tráfico sexual, assim como furtos e fraudes de cartão de crédito em larga escala. Uma menina, identificada como Jane Doe 1, não tinha 14 anos quando, em 2005, membros da gangue a levaram para o Tennessee e Ohio para trocar sexo por dinheiro e drogas, segundo a acusação. Outra menina, Jane Doe 3, tinha 15 anos em 2008 quando discutiu com a mãe e fugiu para a membro de uma gangue conhecida como Lady Boss, de apenas 18 anos, que a recebeu e passou a controlar sua prostituição. Alguns líderes da Somália, incluindo parentes de alguns dos acusados, insistem que as agências federais estão exagerando tanto os crimes quanto o alcance de qualquer uma das gangues. As autoridades identificaram "algumas centenas? de somalis membros ou associados de vários grupos diferentes, disse Jeanine Brudenell, elo da comunidade com a polícia de Minneapolis. Os grupos tendem a ser pouco estruturados e ainda que conhecidos por roubos e venda de maconha, não são os sindicatos em larga escala de drogas pesadas como algumas gangues dos Estados Unidos. Jibril, o ex-professor, disse que ouviu outros exemplos de adolescentes que acabaram como escravas sexuais. Ele disse que recentemente ajudou uma menina que fugiu aos 12 anos e adotou a prostituição e as drogas sob a égide das gangues. Ela teve um bebê aos 16 anos, que foi levado pelos serviços de proteção à criança e continuou sua vida no submundo ? sob ameaça de morte caso tentasse deixá-la ? até que recentemente deu à luz um segundo filho a quem está determinada a manter. Em uma comunidade que foge da discussão pública do sexo e do crime, alguns líderes religiosos e assistentes sociais tentaram no passado alertar sobre os perigos enfrentados pelos jovens somalianos. "Vejo essas acusações como um alerta para os pais", disse Hassan Mahamud, advogado e imã do centro islâmico Da'wah em Saint Paul, em Minneapolis. Religião Mohamud visita somalianos na prisão tentando atraí-los à sua mesquita e oferece aulas do Alcorão após a escola para dezenas de jovens, mas ele acrescentou que a comunidade precisa de dinheiro para coisas como treinadores de futebol, bem como uma forte formação religiosa. Um ex-líder de gangue que ele ajudou é Abdulkadir Sheriff, 31 anos, cuja história, embora muitos detalhes não possam ser confirmados de forma independente, parece sintetizar as tensões e tentações de muitos jovens da Somália. Sheriff disse que ele fugiu da Somália para o Quênia depois de ver as duas irmãs serem estupradas e assassinadas. Ele foi parar em Minneapolis, em 1996, com uma irmã e seu marido, aos 17 anos. Eles mudaram-se para o prédio Riverside Plaza e ele foi expulso da escola em um mês após entrar em brigas. Até hoje, ele não sabe ler ou escrever. Sheriff disse que ele ajudou a formar gangues somalis para proteção e autoestima. "A única maneira de sobreviver é ser alguém", ele disse. Ele admitiu portar armas e vender drogas, passou um ano na prisão por roubo de carro, mas insiste que não se envolveu em prostituição. Em 2007, quando Sheriff saia de um bar perto do prédio, um rival o apunhalou no pescoço e deixou-o como morto. Sua recuperação, ele disse, "foi um sinal de Deus", e sua conversão foi cimentada por uma visita do Imam Mohamud. Agora Sheriff, que fala com uma voz rouca por causa de danos em suas cordas vocais, trabalha como chefe de segurança no centro Da'wah e conduz um programa de 12 passos para ajudar outros islâmico a parar de beber. Quando ele vê suas cicatrizes cirúrgicas no espelho pensa, sempre: " lembro que eu tive uma segunda chance". "Não haverá outra", ele disse. *Por Erik Eckholm
27/11/2010 08:02 AM
EFE Os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) aprovaram nesta sexta-feira uma cláusula democrática para responder a tentativas de golpes na região, em cúpula na qual não se chegou a um candidato claro para assumir o cargo de secretário-geral da entidade. Em declarações à imprensa após o fim da reunião, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, descreveu o dispositivo como "um protocolo de apoio à democracia e de ataque aos golpes de Estado e movimentos desestabilizadores, que seguem sendo uma ameaça para a região, sobretudo para Bolívia, Equador e Venezuela". A cláusula estabelece sanções como o fechamento de fronteiras e a suspensão do comércio com o país que sofrer um levante, com o objetivo de enfraquecer qualquer regime estabelecido pela força e dissuadir potenciais golpistas. Na entrevista coletiva que encerrou a cúpula, o presidente do Equador, Rafael Correa, prometeu "o ostracismo total da região" a quem atentar contra a democracia, com uma cláusula "que blinda e protege os países-membros de golpes". O dispositivo registra por escrito e de forma permanente as sanções que o grupo anunciou em reunião de emergência em Buenos Aires, em 1º de outubro, em resposta ao levante no Equador, um dia antes. O presidente equatoriano, por sua vez, entregou ao seu colega de Guiana, Bharrat Jagdeo, a Presidência temporária da Unasul, que passa de um país a outro pela ordem alfabética. A Guiana é uma das nações mais pobres da América do Sul, pelo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil prestará a assistência necessária para os trabalhos do novo líder da Unasul. Participaram da cúpula oito presidentes e quatro chanceleres, contudo, não houve acordo a respeito do nome do novo secretário-geral do organismo, que substituirá o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, que morreu há um mês. Kirchner, aliás, foi homenageado durante as sessões, com manifestações de que não só deixou um vazio político na Argentina, mas também no projeto de integração da América do Sul. Sua viúva, a atual presidente argentina, Cristina Kirchner, que vestia luto rigoroso, disse que seu marido era um homem "maravilhoso e único". "Nosso continente fica mais pobre com a morte de Néstor Kirchner", afirmou Jagdeo, em seu discurso aos delegados. Um dos nomes ventilados para assumir a Secretaria-Geral da Unasul foi o de Lula, que no dia 1º de janeiro passará a Presidência do Brasil a Dilma Rousseff. O ex-líder uruguaio Tabaré Vázquez também foi cotado. Os assessores de Lula indicaram que o governante não está interessado no cargo, enquanto Vázquez preferiu não se pronunciar sobre o tema. A cúpula foi a última com a participação de Lula, que impulsionou a Unasul e em seu discurso fez uma chamada à integração regional. O presidente brasileiro afirmou que a América do Sul aprendeu a conviver democraticamente com a diversidade e destacou como exemplo as relações entre Colômbia e Venezuela, que não poderiam ser mais "harmônicas" como na atualidade, segundo disse, na presença do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e de Chávez. Cristina se manifestou na mesma linha que Lula, convocando os líderes a fortalecer a região. "Não se trata de negar o mundo e a globalização, mas simplesmente olhar o mundo desde a nossa casa, com nossas próprias receitas, projetos e programas", disse. A chave de ouro da cúpula aconteceu ao fim do encontro, quando Santos e Correa anunciaram conjuntamente o restabelecimento pleno das relações diplomáticas entre os dois países. O Governo do Equador rompeu as relações em 2008, depois do bombardeio da Colômbia a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, o que considerou uma violação de sua soberania. "O melhor presente que podemos dar a nossos países é o reinício das relações diplomáticas", afirmou Correa. Santos, por sua vez, disse que celebra "muitíssimo este passo para nossos povos" e ressaltou que a medida contribuirá para unidade dos países da América Latina.
27/11/2010 04:13 AM
EFE Os mexicanos Carlos Muñoz e Marisela Matienso contraíram matrimônio nesta sexta-feira dentro de uma filial do McDonald's, na cidade de Monterrey. O casal, que levou um juiz até a lanchonete para oficiar a união, disse que o local exótico foi escolhido porque seria divertido, "algo para contar aos netos". Segundo os organizadores, é o primeiro casamento realizado em uma filial do McDonald' na América Latina, em celebração que reuniu em torno de 100 convidados. "Como viajamos muito para diversos países, sempre terminávamos comendo em um McDonald's", explicou a noiva à Agência Efe. "Achamos que seria divertido, e agora já temos algo para contar a nossos netos", acrescentou. Após o "sim" de Carlos e Marisela, o juiz desejou que o casal forme uma "casinha feliz" e uma "big família", em alusão a nomes de sanduíches da rede de fast food. O casamento pela Igreja Católica será realizado em 9 de abril de 2011, em uma praça de touradas da cidade de Querétaro.
27/11/2010 03:57 AM
BBC Brasil Foto: AFP No encontro que marcou a despedida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), os líderes do bloco aprovaram, nesta sexta-feira, a criação de um protocolo "antigolpe" na América do Sul, que prevê sanções econômicas e políticas a países cujos governos democráticos sofram atentados. O ?protocolo democrático? estabelece a suspensão dos países do âmbito da Unasul que sofram um golpe de Estado e autoriza os países vizinhos a aplicar um bloqueio comercial. "A carta democrática da Unasul será fundamental para afastar riscos à ordem institucional na região", afirmou Lula em discurso na 4ª Cúpula da Unasul, em Georgetown, capital da Guiana. Elaborada pelo Equador, que passou a presidência temporária do bloco à Guiana, a proposta chegou a gerar desentendimento entre os chanceleres da região sobre seus critérios de aplicação. Mas o documento final acabou sendo aprovado pelos presidentes. "Banir os golpes de Estado da América do Sul ? e temos que banir de toda a América Latina ? é um compromisso da maior importância, e a Unasul mostrou que pode ajudar", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim. A seu ver, a medida aprovada pelo bloco pode ajudar a evitar o efeito cascata de desestabilização na região, tendo como precedente a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no ano passado. Para Amorim, o "mau exemplo" de Honduras contribuiu para que os presidentes reagissem imediatamente durante a recente crise no Equador. A rebelião policial, no final de setembro, foi interpretada pelo bloco como uma tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa. A crise equatoriana "inspirou" a criação do protocolo que deve funcionar como medida de dissuasão a tentativas de desestabilização. "Qual país pode se dar o luxo de viver isolado na região?", comenta Amorim. Secretaria-geral A transição na secretária-geral do bloco não foi definida no encontro e será um dos desafios que os líderes terão de enfrentar nos próximos meses. Depois que Lula descartou a possibilidade de assumir o cargo, o ex-presidente uruguaio Tabaré Vásquez passou a ser um dos mais cotados para assumir a vaga do argentino Néstor Kirchner, que morreu em outubro. No entanto, de acordo com fontes diplomáticas, sua candidatura pode enfrentar resistências por parte do governo argentino. À época, Vásquez foi contrário à eleição de Néstor Kirchner para o cargo de secretário-geral. Amorim minimizou o impasse, ao afirmar que a ausência do secretário-geral não é um problema para o funcionamento do bloco e que é preciso encontrar alguém com ?autoridade moral? para aconselhar os demais chefes de Estado. Desculpas Apesar do protagonismo do Brasil na construção e na consolidação da Unasul, o Congresso brasileiro - e os de outros cinco países - ainda não aprovou o projeto de lei do tratado constitutivo do bloco. Durante a reunião, Lula chegou a pedir "desculpas" aos colegas latinoamericanos pela demora. Disse que o projeto deve ser aprovado "nos próximos dias" e que não deverá enfrentar resistências no Senado. Lula afirmou ainda estar convencido que não foi feito "tudo o que era preciso fazer" no projeto de integração regional, mas sim "tudo o que era possível fazer". O presidente, que foi homenageado durante a cúpula, disse que os países da América do Sul aprenderam a conviver "democraticamente na adversidade" e citou como "milagre da política" a superação da crise entre Venezuela e Colômbia. Lula voltou a criticar a atitude dos países desenvolvidos quanto a possíveis soluções para as crises latino-americanas, "mas quando a crise é deles, não sabem resolvê-la". Para Lula, a relação da América do Sul com os países ricos mudou, "porque hoje temos mais soberania e autodeterminação do que há dez anos". O brasileiro também aproveitou a Cúpula para pedir apoio aos líderes sul-americanos à candidatura do ex-ministro José Graziano à diretoria-geral da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO). Graziano ocupa um cargo na organização como representante regional. Por fim, o presidente disse que vai continuar ?fazendo política?. "Não pensem que vão se livrar de mim. O Brasil tem experiências de êxito que devem ser socializadas em todo o mundo."
26/11/2010 09:35 PM
BBC Brasil Foto: AP O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou nesta sexta-feira, por meio de um comunicado, que o país está trabalhando para tentar dissipar a tensão na península coreana. "A maior prioridade agora é manter a situação sob controle e garantir que este tipo de incidente não ocorra novamente", diz o comunicado, referindo-se ao ataque da última terça-feira da artilharia norte-coreana contra a ilha habitada de Yeonpyeong, na Coreia do Sul. O episódio resultou na morte de pelo menos quatro sul-coreanos e está sendo considerado um dos piores incidentes entre os dois países desde 1953, quando a Guerra da Coreia terminou, sem um tratado de paz. A agência de notícias estatal chinesa, Xinhua, diz que o chanceler chinês, Yang Jiechi, encontrou-se nesta sexta-feira com o embaixador norte-coreano e conversou por telefone com seus colegas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Os detalhes das conversas não foram divulgados, e o Departamento de Estado americano não se pronunciou sobre o tema. Guerra Nesta sexta-feira, a Coreia do Norte disse que os quatro dias de exercícios militares conjuntos de Estados Unidos e Coreia do Sul, previstos para começar no domingo, colocam a península coreana "próxima da guerra". "A situação na península coreana está cada vez mais próxima da guerra devido aos temerários planos de elementos propensos a apertar o gatilho de realizar exercícios de guerra", disse a agência de notícias estatal do país, a KCNA. O governo de Pyongyang responsabiliza a Coreia do Sul, que realizava exercícios militares nas proximidades da ilha, pelo incidente da última terça-feira, afirmando que ordenará "uma segunda e mesmo terceira bateria de ataques, sem hesitação, se os favoráveis à guerra na Coreia do Sul fizerem novas provocações". A China, maior aliado norte-coreano, não criticou Pyongyang, mas "pediu cautela" para ambos os lados e se disse contrária aos exercícios militares. Os ataques causaram a queda do ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, substituído por Kim Kwan-jin. A Coreia do Norte foi criticada por diversos países após o incidente. Nesta sexta-feira, o Parlamento japonês classificou o incidente de "um ato ultrajante de violência" e que o país deve "considerar novas sanções" contra o governo norte-coreano. O comandante americano na Coreia do Sul, responsável pelos 28 mil soldados dos Estados Unidos no país, Walter Sharp, disse que realizará uma "investigação completa" sobre o ataque. Sharp esteve nesta sexta-feira na ilha atingida e, segundo o comando militar americano, não teria escutado novos disparos de artilharia em território norte-coreano, como indicam relatos. O correspondente da BBC em Seul Chris Hogg diz que os disparos podem indicar exercícios militares norte-coreanos.
26/11/2010 09:03 PM
iG São Paulo Foto: AP A Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu apenas US$ 19,4 milhões dos US$ 164 milhões pedidos para o Haiti, que vem sendo devastado por uma epidemia de cólera. Ao lamentar a lentidão da reação dos países doadores, a porta-voz da Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, disse que a quantia está longe de ser significativa para a compra de remédios e alimentos para a população haitiana, que tenta se recuperar do terremoto de janeiro, que deixou o país em destroços, e a recente passagem do furacão Tomas pelo país. "É preciso continuar vigiando para evitar um cenário pior que o esboçado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, 400 mil pessoas que podem ser afetadas", destacou Elisabeth. O Haiti recebeu nesta sexta-feira 39 toneladas de ajuda procedente da Espanha para lutar contra a cólera, doença que causou mais de 1. 600 mortes e cujo índice de mortalidade se situa entre 5% e 7%, "uma taxa elevada demais", disse o embaixador da Espanha no país, Juan Fernández Trigo. A carga entregue inclui também duas toneladas de equipamentos de saúde e tanques de armazenamento de água que a Cruz Vermelha espanhola realiza para a prevenção da cólera em colaboração com a missão haitiana desta organização. A MSF dispõe de 2.912 leitos hospitalares no país (1 mil deles em Porto Príncipe) e prevê aumentar essa quantidade para 3.910 nos próximos dias, disse o chefe de missão da Espanha no Haiti, Francisco Otero. Vítimas Segundo as últimas cifras proporcionadas pelas autoridades haitianas, a epidemia de cólera, cujos primeiros casos apareceram em meados de outubro, causou 1.603 mortos e cerca de 30 mil hospitalizações. O Ministério da Saúde Pública e População (MSPP) estimou que 69.776 pessoas foram atendidas nos centros médicos. Até agora, a OMS estabelecia 200 mil casos como a pior situação possível. Mas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (agência regional da OMS) estes 200 mil casos podem ser alcançados em três meses e chegar a 400 mil antes de um ano. *Com AFP e EFE
26/11/2010 08:20 PM
The New York Times Foto: The New York Times Dias depois de centenas de pessoas morrerem em uma multidão abarrotada na última noite do tradicional Festival de Água, no Camboja, tanto as causas quanto o número de mortos ainda permanecem incertos. A maioria das vítimas ficou presa em uma pequena ponte. Em vez de serem pisoteados, muitos foram sufocados ou esmagados até a morte por uma multidão densa que não se mexiam e qual algumas pessoas ficaram presas por horas. Vários oficiais informaram números diferentes do total de mortos, que podem não incluir as vítimas que morreram afogadas ou foram retiradas do local. Na quinta-feira, autoridades revisaram o número de mortos de 456 para 347, afirmando também que a tragédia deixou 395 feridos. Conforme o pesar e o choque se transformam em pedidos de explicação, as perguntas sobre a causa do tumulto, sobre a resposta da polícia e sobre a capacidade da cidade em lidar com um fluxo de até 3 milhões de peregrinos continuam a aumentar. Uma investigação preliminar do governo relatou que a maioria das pessoas presentes no festival, de origem rural, entrou em pânico quando a ponte suspensa começou a balançar um pouco sob o peso da multidão. Isso confirma um relatório de um investigador da polícia militar, Sawannara Chendamirie, que disse na manhã após o desastre que os sobreviventes afirmaram ter ouvido de outros que a ponte estava caindo. Também há dúvidas sobre algumas pessoas terem sido eletrocutadas, possivelmente por fiações elétricas usadas na ornamentação da ponte. Relatórios sobre isso começaram a ser elaborados logo após o desastre, com alguns dizendo que a polícia disparou mangueiras de água contra a multidão, o que pode ter contribuído para o problema. Médicos do principal hospital da cidade, o Calmette, não descartaram a possibilidade mas disseram não ter visto nenhum sinal de choque elétrico, tanto entre feridos quanto entre mortos. Eles disseram, no entanto, que a maioria dos feridos sofreu com o aperto da multidão. Alguns pacientes do hospital disseram ter sido incapazes de respirar e acabaram desmaiando. A polícia foi criticada por sua falha em manejar a multidão e por uma resposta inadequada e incompetente ao desastre. Um oficial disse que apenas metade do número reportado oficialmente de policiais foi realmente utilizada. Sobreviventes gravemente feridos relataram ser despejados em veículos juntamente com os mortos. Ajuda a parentes O governo conseguiu mobilizar rapidamente a ajuda aos parentes das vítimas, muitos dos quais viajaram de províncias distantes para reivindicar os mortos. Tabelas foram criadas perto de um necrotério improvisado para confirmar as identidades. Caminhões militares ofereceram transporte do caixão e dos familiares para casa. O necrotério ficou quase vazio em um dia, embora algumas pessoas vagassem pelo hospital, segurando fotos de parentes desaparecidos. A Comissão Asiática de Direitos Humanos, sediada em Hong Kong, publicou um relatório que documentou perguntas e críticas. "Embora a causa exata do tumulto ainda não esteja clara, com relatos contraditórios indicando que ele pode ter sido provocado por uma multidão descontrolada ou por má construção da ponte que leva à ilha de Koh Pitch, o fracasso do Estado em controlar a multidão e limitar os danos do tumulto é claro", disse o relatório. O documento sublinhou ainda que Phnom Penh não estava preparada para uma catástrofe de grande escala. "As respostas dadas por policiais e militares não ajudaram e podem até mesmo ter contribuído para o tumulto, enquanto os hospitais ficaram superlotados. Equipes de emergência e pessoal médico recorreram ao empilhamento de corpos, cobrindo-os com esteiras ou folhas". *Por Seth Mydans
26/11/2010 06:50 PM
iG São Paulo O presidente americano, Barack Obama, precisou levar 12 pontos no lábio após ter sido atingido por uma cotovelada de um adversário durante jogo de basquete nesta sexta-feira em Fort McNair, Washington, informou seu porta-voz, Robert Gibbs. "Ele jogava basquete com amigos e parentes e levou uma cotovelada não intencional no lábio. Ele foi atendido pela unidade médica da Casa Branca", disse Gibbs em um comunicado. "Obama levou anestesia local durante o procedimento", acrescentou o porta-voz, antes de explicar que os pontos foram feitos um próximo do outro para que a cicatriz seja menor. O presidente é um praticante bastante habilidoso de basquete. Geralmente joga com amigos, incluindo seu assistente pessoal, Reggie Love, que participou do jogo desta sexta-feira, disse Gibbs. As partidas com amigos se tornaram um ritual durante a campanha presidencial de 2008 e, para comemorar seu aniversário deste ano, Obama jogou com vários astros da NBA, como Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers; LeBron James, do Miami Heat; e a lenda viva do esporte, Earvin "Magic" Johnson. O presidente americano foi fotografado pressionado um saco com gelo nos lábios enquanto assistia à chegada da árvore de Natal oficial da Casa Branca. *Com AFP e AP
26/11/2010 06:08 PM
AFP Ao defender-se das críticas pela gafe de ter-se referido à Coreia do Norte como "aliada dos EUA", a republicana Sarah Palin afirmou que o próprio presidente Barack Obama cometeu deslizes parecidos. A gafe aconteceu em meio ao aumento de tensão na Ásia com um ataque, na terça-feira, da Coreia do Norte contra uma ilha sul-coreana. Na quarta-feira, os EUA enviaram um porta-aviões para participar de manobras militares com a Coreia do Sul durante quatro dias a partir de domingo. Após um programa de rádio do ícone conservador Glenn Beck, quando se confundiu e disse "temos de estar ao lado de nossos aliados norte-coreanos", a ex-governadora do Alasca e possível candidata à nomeação do Partido Republicano à eleição presidencial de 2012 disse que Obama havia se confundido várias vezes de forma similar e se mostrou incomodada com a abordagem da mídia sobre o assunto. "Não pôde (a imprensa) resistir à tentação de transformar uma simples confusão de palavras em manchete política", escreveu Sarah em sua página no site de relacionamentos Facebook. Para atenuar sua gafe, a ex-governadora do Alasca relembrou do engano de Obama de referir-se a 57 Estados americanos quando são 50 e quando disse que os EUA foram fundados há 20 séculos. Segundo ela, esses erros não desencadearam tanta repercussão quanto no seu caso. "Se não se lembram deles, é porque os meios de comunicação não os consideram importantes", disse. Sarah, que deixou seu primeiro mandato como governadora do Alasca para aderir à chapa de John McCain como vice da corrida presidencial de 2008, foi criticada por sua retórica e aparente falta de conhecimento de temas nacionais e internacionais durante a campanha eleitoral. Sua apresentação no The Glenn Bleck Program aconteceu em meio a uma conturbada agenda de promoção de um livro em que critica Obama por sua reforma da saúde e por sua política externa.
26/11/2010 05:51 PM
iG São Paulo O Ministério do Interior da Arábia Saudita afirmou nesta sexta-feira que o país prendeu 149 pessoas suspeitas de terem ligação com Al-Qaeda nos últimos oito meses. Segundo um porta-voz, entre os presos há 25 estrangeiros - de outros países árabes, da África e do sul da Ásia. As 19 células desmanteladas supostamente tinham ligações com a Al-Qaeda no Iêmen, na Somália e no Afeganistão. O porta-voz Mansour Turki disse a jornalistas que os suspeitos estariam planejando ataques contra prédios do governo, mas não explicou se isso incluiria instalações petrolíferas - hipótese divulgada na sexta-feira pelo canal de TV Al Arabiya. O ministério disse ter confiscado o equivalente a quase US$ 600 mil dos suspeitos. Há sinais de que o grupo teria tentado coletar dinheiro e difundir sua ideologia durante as peregrinações islâmicas do hajj e da umra na Arábia Saudita. "A organização está tentando recrutar gente dentro do reino (saudita). Há células que facilitam viagens ao exterior para que eles sejam treinados", disse Turki a jornalistas. Ele afirmou que muçulmanos que fizeram doações não sabiam que o dinheiro se destinava a grupos militantes. Com Reuters
26/11/2010 04:11 PM
iG São Paulo Os consumidores americanos procuravam fizeram fila e encheram lojas de eletrônicos, roupas e brinquedos na "Black Friday", ou "sexta-feira negra", dia em que varejistas oferecem grandes descontos para acabar com os estoques. Ainda que algumas lojas já oferecessem descontos especiais há algumas semanas, muita gente esperou na fila durante a madrugada desta sexta-feira para conseguir promoções ainda melhores. Alguns consumidores, porém, se mostraram decepcionados: "Vejo uma TV e um cartaz que diz 'economize US$ 70'. Então eu penso: vocês estão brincando?", afirmou Sanjay Patil, que esperou na fila pela abertura da loja de eletrônicos Best Buy em Princeton, Nova Jersey. "Se é Black Friday, o desconto deveria ser de no mínimo US$ 100 ou US$ 120". Na loja de brinquedo Toys R Us em Lawrenceville, Nova Jersey, cerca de 200 pessoas esperavam para pagar por suas comprar. Christine Barron empilhou caixas com presentes de Natal para o filho de dois anos, David. "Queria ser uma das primeiras a entrar, mas quando heguei a fila já virava a esquina do prédio", disse. Para evitar tumulto, muitas lojas Wal-Mart abriram no Dia de Ação de Graças (quinta-feira) e até durante a madrugada, uma tática adotada após um funcionário morrer pisoteado há dois anos na Black Friday. A previsão da Federação Nacional de Varejo dos EUA é que 138 milhões compareçam às lojas neste fim de semana. O grupo comercial também estima um aumento de 2,3% nas vendas durante novembro e dezembro, mais que o acréscimo de 0,4% registrado há um ano. Com Reuters
26/11/2010 02:20 PM


