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Tire suas dúvidas sobre sexo e leia mais sobre amor, namoro, casamento e fidelidade na seção Amor e Sexo do iG Delas.




Natália Garcia, especial para o iG São Paulo

Conheça as histórias de casais que se amaram, separaram e voltaram

Foto: Eduardo Cesar - Fotoarena

?Seja do jeito que for
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar
Tá Perdoado!...?

A composição de Arlindo Cruz interpretada pela cantora Maria Rita conta a história de alguém que foi abandonado por seu amor e está disposto a fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. ?E se voltar te dou café // Preliminar com cafuné // Pra deixar teu dia mais gostoso?, diz a letra, em um clamor quase desesperado para que o ser amado volte. Essa canção apenas reforça aquela sensação comum depois de um fim de namoro ou casamento. ?Principalmente porque, depois de algum tempo separados, os casais se esquecem de todos os pequenos problemas do cotidiano que culminaram no término?, diz a psicóloga especialista em terapia de casais Suzy Mosna. ?E muitos dos casais que insistem em voltar acabam se machucando e se afastando ainda mais?, completa. ?Mas existem casos em que a separação funciona como um período de amadurecimento?, contemporiza. Conheça algumas das histórias de casais que se amaram em dois tempos ? e continuam vivendo felizes para sempre.

Se equilibrando em cordas bambas
Filipe e Vanessa Trielli se conheceram na Vila Mariana, bairro paulistano, em 1998. Ele estudava publicidade na faculdade ESPM e, do outro lado da rua, ela cursava desenho industrial. Os dois provavelmente já tinham se esbarrado rumo ao curso, mas foi o coral da ESPM que fez com que eles se aproximassem.

Ele, ?um moleque frangote de 19 anos?, nas palavras de Vanessa, ela ?uma mulher linda de 21 anos que mexeu comigo de cara?, na lembrança dele. Acontece que o moleque de 19 anos deixava qualquer um de boca aberta quando fazia solos de guitarra, e não demorou para Vanessa se encantar com o talento de Filipe, hoje produtor musical da Panela Produtora. Os dois se apaixonaram e namoraram por quatro anos. Vanessa foi vocalista de várias bandas que tiveram Filipe como guitarrista solo, como ?Vanessa e o resto? e ?Classe?. Mas no último dos quatro anos desse namoro as coisas começaram a esfriar. ?Ele já não me dava atenção, não me surpreendia, comecei a me cansar daquele namoro morno?, diz ela. Ele não nega ?sou um cara meio desligado mesmo, para mim estava tudo bem?.

Mas não estava. E Vanessa, decidida que é, tomou as rédeas da situação e terminou o namoro. O período de separação foi de sofrimento para ele e busca para ela. Vanessa buscava não necessariamente outras relações ? apesar de ter tido duas paixões relâmpago ? mas certo equilíbrio interno, queria amadurecer, conhecer coisas novas. Filipe não. Sem pressa de viver, ele sabia que Vanessa era o amor de sua vida. Ele insistiu durante os seis meses em que estiveram separados para que voltassem, mas Vanessa só dizia não. Até que, inspirado pelo seu chefe na época, Filipe tentou uma estratégia diferente. ?Olha, eu cansei de esperar por você. Conheci outra mulher e decidi seguir minha vida ao lado dela?. Uma semana depois, Vanessa estava de volta ? e demoraram anos para que Filipe admitisse a mentira ? uma jogada de sorte para tê-la novamente. Logo que voltaram, em 2002, já decidiram morar juntos e, em 2003, se casaram. Hoje têm um filho de quase dois anos, João Pedro, e estão felizes da vida ? ele continua tocando sua guitarra e ela se divide entre o microfone e as aulas de ioga, sua principal atividade. ?Éramos dois adolescentes com sentimentos de gente grande?, diz Vanessa. Ambos moravam com os pais na época da separação e não estavam prontos para se comprometer com uma relação mais séria. Mas esse período de separação serviu para que Vanessa percebesse que era aquele guitarrista charmoso que ela queria ao seu lado pelo resto da vida. E Filipe aprendeu a prestar mais atenção para, de vez em quando, surpreender sua mulher.

Tinha que ser
Quando viu Ricardo Cipriano de Sá pela primeira vez, Marcela Coffers disse à amiga Claudia Donega que namoraria com ele. ?Não só vou namorar, mas me casar?, profetizou. De fato, naquela noite, os dois dançaram juntos e, logo em seguida, começaram a namorar. Marcela tinha 17 anos, Ricardo, 18. Mas, se a idade dos dois diferia em apenas um ano, a distância entre eles, com o tempo, se mostrou maior do que isso. Ela morava com os pais, que não permitiam que os dois fizessem viagens ou que ela voltasse muito tarde para casa. Ele, alistado no exército, era mais independente e se mostrou cada vez menos disposto a ter um namoro adolescente. Foi inevitável: um ano depois terminaram o namoro, mesmo que ainda se gostassem muito. Terminaram e, como em boa parte dos casos, se envolveram com outras pessoas.

Mas a paixão entre o casal era tanta que, de vez em quando, escapavam de suas relações para se encontrarem. Até que, depois de um ano de término, o sentimento falou mais alto. Foram juntos ao casamento da prima de Marcela e, ali, decidiram voltar. Marcela já estava trabalhando em uma loja e muito mais madura ? e o namoro foi diferente. Oito anos depois, em 1994, eles se casaram e permanecem juntos até hoje. Para Marcela foi importante se separar por um ano de Ricardo, pois ?a falta de quem você ama de verdade te faz mais forte?, diz ela, que passou três meses ?na fossa?. O envolvimento com outro homem também teve um papel importante: aumentou ainda mais o amor que sentia por Ricardo. Ele, por outro lado, diz ?farreei bastante, mas voltei para buscar o amor da minha vida?. Hoje os dois trabalham juntos na confecção de uniformes, e se policiam para não conversar sobre trabalho nos fins de semana.

Depois de três anos
Ainda muito jovem, a baiana Maria das Graças Soares de Souza Ferreira partiu rumo a São Paulo para tentar a vida com a família. O ônibus passou por Minas Gerais e foi lá que apanhou Wilson Ferreira. Os dois eram novinhos e foram morar na mesma rua, na Zona Leste de São Paulo. Cresceram juntos, suas famílias tornaram-se amigas e o destino dos dois seguiu a sina quase que obrigatória em casos como esse: começaram a namorar.

Ficaram juntos por um ano e meio. Na época, Graça recebeu uma oferta para trabalhar na região de Moema, zona sul da cidade e bem distante de Wilson, e aí a relação começou a ficar complicada. Mas o ponto final se deu quando Graça se envolveu com outro homem, cortando de vez os laços com Wilson. Nesse meio tempo, Wilson também teve um envolvimento com outra mulher, mas nunca conseguiu esquecer Graça.

Depois de três anos, a irmã de Wilson contou a Graça que ele também estava solteiro e sugeriu que se reencontrassem. A baiana, então, se encheu de ternura para procurar o querido Wilson, pediu-o em namoro e recebeu um sim emocionado. Três meses de namoro e outro pedido, dessa vez, de casamento, também feito por ela. Casaram-se em 1983 e estão juntos até hoje. Têm uma filha, Ana Carolina Soares, de 24 anos. ?Aprendi a dar valor à pessoa que ele é?, conta Graça. ?O Wilson é um lago azul no meio das montanhas?, diz.
Ela afirma que, ao lado dele, sempre sentiu paz e segurança, nesses quase 30 anos de casamento. O fato de serem muito amigos e terem crescido juntos fez com que a relação desse certo quando voltaram. Eles têm total liberdade para serem verdadeiros um com o outro, e é com esse amor que continuam a enfrentar todos os percalços da vida ? juntos.

 

 

 

 

 

 

 

Júlia Reis, iG São Paulo

Mesmo engraçados ou inofensivos, comportamentos cotidianos do parceiro começam a incomodar ? e como dar o alerta?

Foto: Guilherme Campos / Fotoarena

Ele faz piadas sem graça, escuta músicas horríveis ou dá nome para o próprio carro? O amor supera muita coisa e no relacionamento é preciso conviver com o jeito do outro. O que acontece em alguns casos é que as manias do parceiro, que antes eram tão charmosas ou engraçadinhas, começam a irritar ou incomodar no dia a dia.

Reunir essas críticas tão pequenas e tão grandes ao mesmo tempo é o objetivo do site I Love You But, idealizado pelos artistas ingleses Alex Holder e Ross Neil. Os dois perguntaram aos amigos quais eram os hábitos ou características de seus pares que os irritavam e postaram caricaturas de cada um com o depoimento. Entre o material coletado estão frases como ?Eu te amo, mas você usa roupas muito pequenas para você?, ?Eu te amo, mas você compra todos os presentes de Natal em outubro? ou ainda ?Eu te amo, mas você coloca catchup em tudo?.

Revelar que algo incomoda é importante, segundo Ailton Amélio, psicólogo especialista em relacionamentos. Mas isso deve acontecer em uma conversa sem acusações, questionamento de caráter ou intenção de estar sempre certa. A ideia é chegar a consensos para que uma mania não tire mais vocês do sério.

?Eu te amo, mas queria que você gostasse menos de videogame?, diz a publicitária Rachel Juraski, de 27 anos, sobre o marido José Granado. Ele recentemente vendeu os aparelhos em função das brigas, mas revida: ?Eu te amo, mas você gosta mais do cachorro?.

Qual o limite
É preciso avaliar o quanto o problema em questão aparece no dia a dia. ?O que faz o relacionamento dar certo depende do setor onde está a incompatibilidade. Gostar de Carnaval é um problema que só aparece uma vez ao ano. Já onde sair no sábado a noite é recorrente?, explica Ailton.

?Eu sou assim? ou ?Você me conheceu desse jeito? são respostas comuns para as reclamações sobre hábitos ou manias. Para o psicólogo, essa é uma reação defensiva. ?O que era bom aos 18 anos não é agradável aos 40. É preciso renegociar. O relacionamento é vivo?, diz Ailton. Mesmo que seja preciso fazer um ajuste fino para garantir a harmonia do casal, vale ter cuidado com a intolerância. Afinal, no namoro ou casamento sempre haverá diferenças.

Outros casais e leitores contaram quais os ?mas? de seu amor pelo parceiro.

?Eu te amo, mas você tem um paladar infantil. Só come arroz, feijão, bife e macarrão? - Camila Olivo, 27 anos.

"Eu te amo, mas você dirige muito rápido" - Alessandra Ferreira, 22 anos.

?Eu te amo, mas você anda de meia preta social com shorts? - Kelly Giacon, 29 anos.

?Eu te amo, mas você tem manias irritantes como achar que está sempre certo e não dispor de nenhuma paciência? - Bruna Burk, 24 anos.

?Eu te amo, mas você podia beber menos!? Milena Sangali, 20 anos.

?Eu te amo, mas esse seu ciúme obsessivo precisa de um tratamento!? - Zélia Torrezan, 22 anos.

?Eu te amo, mas namoro à distância não dá? - Queli Alves Santos, 25 anos.

?Eu te amo, mas você poderia me poupar de assistir jogos de futebol nas quartas à noite? - Patricia Santana de Oliveira, 23 anos.

O Delas convida vocês a fazer uma declaração de amor com um recado para seu parceiro. Deixe aqui um comentário dizendo por que ?eu te amo, mas...?.


Leia também: Casamento não é comercial de margarina

 

Carina Martins, iG São Paulo

Pesquisa da Harvard diz que o sexo é o momento em que as pessoas estão mais felizes. Mas quanto disso é verdade?

Felizes mesmo as pessoas ficam quando estão fazendo sexo. O resto do tempo, ou 46,9% dele, preferem nem pensar na atividade que estão executando. Deixam a mente divagar enquanto trabalham, dirigem ou se arrumam, esquecendo o que estão fazendo para pensar em outra coisa (talvez em sexo?). O resultado, indica uma pesquisa feita pela Harvard e divulgada este mês na revista Science, é que o desligamento entre o que pensamos e o que fazemos promove índices altos de infelicidade. Concentrados no que estão fazendo, e felizes, os entrevistados disseram estar enquanto faziam sexo, bem mais do que qualquer outra atividade.

Os pesquisadores de Harvard sabem muito mais do que nós sabemos, mas algumas coisas são do repertório de todos. Como, por exemplo, o fato de que nem sempre o que as pessoas dizem é necessariamente o que elas pensam, fazem ou sentem. O estudo aponta que, quando consultados via celular, os entrevistados diziam que não há felicidade como a proporcionada pelo sexo. Mas será que é realmente isso que vivem? "Orgasmo é o fenômeno que proporciona extremo prazer ao ser humano. Ele foi selecionado filogeneticamente como uma atividade que proporciona prazer justamente para garantir a reprodução das espécies", diz o psicólogo e terapeuta sexual João Batista Pedrosa.

A concentração nesta atividade específica, para ele, também teria respaldo orgânico. "Na hora do sexo, as pessoas ficam concentradas e, na obtenção do orgasmo, entram num estado único de desligamento da realidade por segundos. É tanto que os franceses chamam o orgasmo de ?le petit mort?, ou seja, a pequena morte. O orgasmo está associado à diminuição do fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, uma parte do cérebro que é fundamental para o controle do comportamento", diz."Acho que a grande maioria das respostas não estão ligadas a uma idealização do sexo, mas que elas realmente sentem isso, ou seja, gostam do sexo".
 

Gostar de sexo é uma coisa. Aproveitar a sexualidade de maneira saudável a ponto de ela ser a principal fonte de satisfação da vida cotidiana é outra. E é aí que pode haver uma diferença: o que os entrevistados contam sobre suas vidas pode ser o que vivem, mas pode ser o que acham que deveriam viver. Com base em sua experiência profissional, o especialista em sexualidade Paulo Tessarioli afirma que o sexo costuma ser mais fonte de angústia do que plenitude. "Não tenho nenhuma dúvida disso, é um fato. O sexo hoje está muito mais voltado a ser um complicador do que um facilitador na vida das pessoas", diz. A explicação para o resultado da pesquisa, ele acredita, estaria na importância do discurso. "Numa sociedade consumista, o sexo não fica de fora. Vira um objeto que eu tenho que desejar e ter. Esse sexo que está no nível do discurso é inatingível, completamente construído e idealizado".
 

Para Tessarioli, não é que a prática não seja importante, mas o discurso acaba sendo mais. "As pessoas falam demais, e isso vem ao encontro de uma tentativa de mostrar a si mesmo e ao mundo que 'eu estou bem'. Mas nem sempre isso se sustenta na realidade. E no discurso eu posso sustentar tudo", afirma. Fora do discurso, ele vê um mundo em que as pessoas têm "muitas dúvidas, muitas incertezas, muita insatisfação e pouco desejo". A combinação entre a cobrança de uma vida sexual perfeita e a realidade de dúvidas e falta desejo é fonte de sofrimento para muita gente. "Para quem está consciente disso, realmente é de uma angústia ímpar".
 

Os pesquisadores de Harvard acreditam que, para ser feliz, ajuda muito evitar as distrações que levam a mente para longe de nós mesmos. O conselho de Tessarioli para ter uma vida sexual tão satisfatória quanto a dos entrevistados da pesquisa parece ser é o mesmo. "As pessoas precisam perceber o que realmente querem. Parece grandioso, mas é tão simples", diz. Eleger momentos de reflexão pode ajudar - como caminhar sem levar o celular ou usar fones de ouvido, por exemplo. "Momentos de reflexão são bons para que a pessoa consiga de alguma forma se conectar com isso e não ficar no meio da massa".

 

Redação, iG São Paulo

Descubra qual princípio rege a sua seleção de parceiros amorosos

Teste desenvolvido pelo psicólogo Thiago de Almeida, especializado em relacionamentos amorosos

Mais testes do Delas:
Qual o perfil do seu príncipe?
Seu estilo de sedução é eficiente?
Você lida bem com críticas?
 

Redação, iG São Paulo

Livro reúne ideias detalhadas - e criativas - para experiências fora da cama

Foto: Getty Images

Fazer sexo em um lugar diferente é uma das alternativas para tirar o relacionamento da rotina ou simplesmente viver uma aventura com o parceiro. Com essa proposta, o livro ?101 Lugares para fazer sexo antes de morrer? (Editora BestSeller), que acaba de chegar ao Brasil, traz sugestões das mais conhecidas - como uma transa na praia, chuveiro ou banheiro do avião -, até ideias ousadas e desafiadoras: que tal fazer amor no teleférico ou em cima da mesa do chefe?

Na publicação os autores Marsha Normandy e Joseph St. James detalham com bom humor os locais sugeridos e os classificam por dificuldade, riscos envolvidos e conforto. Cada capítulo ainda conta com um campo para registro da experiência do casal em cada um dos lugares.

Além dos lugares que já estão no imaginário sexual das pessoas, como hidromassagem e na frente da lareira, no livro há uma parcela de locais inusitados para fazer sexo. Responda abaixo qual deles parece viável para você:

 

Júlia Reis, iG São Paulo

A filosofia tântrica é baseada na consciência corporal e intimidade, prometendo um orgasmo intenso e mais longo

Foto: Bruno Zanardo/Fotoarena

?Havia incorporado a ideia de transar para aliviar o estresse em vez de usá-lo para me aproximar do parceiro. Hoje sei me vincular, sustentar uma intimidade.? É assim que a terapeuta corporal Isabelle Moura, 27 anos, relata sua experiência com o sexo tântrico. Profissional formada em técnicas de massagem, ela se especializou no atendimento tântrico há dois anos.

Popularmente conhecida como uma técnica que retarda o orgasmo e potencializa o prazer, o sexo tântrico é mais que isso. A prática proporcionaria um movimento de energia sexual capaz de se expandir e circular pelo corpo, passando pelos canais de energia chamados de chakras. ?Não tem qualquer urgência, você aproveita aquilo, se nutre. Isso tira a nossa afobação?, relata Isabelle.

De acordo com os praticantes, um orgasmo ?tântrico? pode durar mais de uma hora - e com o tempo o organismo aprende a lidar com essa intensidade. Além disso, a sensação tende a ser diferente do sexo comum, porque em vez de expulsar a energia e acabar logo, o prazer se espalha para o resto do corpo. No caso dos homens isso significa que não há ejaculação durante o clímax.

Mas nada disso é conquistado em um passe de mágica: exige disposição, treino e um olhar diferente sobre o sexo. O trabalho terapêutico pode ser realizado junto a especialistas em atendimentos individuais, para casais ou em vivências de grupo, e envolve técnicas de respiração e massagens (algumas delas na região genital). Esse processo ajuda na redescoberta do corpo e desenvolve a intimidade das pessoas com a excitação, apontam os profissionais.

Redescoberta do prazer
Quem pratica sexo tântrico também muda os hábitos sexuais e a forma como vê a transa, se desprendendo de imagens, conceitos e atitudes como a do homem dominador, mulher submissa ou esposa responsável pela satisfação sexual do parceiro. ?Todos já têm um jeito de fazer a relação sexual, um condicionamento, um vício. Acham que, quanto mais forte o sexo, mais intimidade terão. Mas o afeto é o caminho da relação sexual - e não se vestir de enfermeira ou mulher samambaia?, diz Gabriel Saananda, terapeuta. A excitação, nesse caso, acontece em um processo de relaxamento e não por fetiches, fantasias ou tensão. É menos mental e baseada no toque do outro. ?É mais sensorial, refinado. A maioria dos homens ainda é muito machista, e o tantra tira isso?, diz Celi Shakti, terapeuta tântrica. ?Você aprende a ter soltura, falar o que deseja?, completa ela.



Para conhecer novas formas de fazer sexo, não são as posições que se tornam fundamentais, mas explorar áreas do corpo e brincar com as sensações usando mais que genitais, mãos e boca. Parte do treinamento, inclusive, consiste em retirar a penetração do sexo. Nesse processo, a pele tem um papel importante, produzindo fluxos e espalhando estímulos pelo corpo. ?É o maior órgão que temos. A gente cuida, enche de creme, mas ela está congelada sensorialmente. Não temos uma educação sexual para estimular a pele?, aponta Saananda.

Orgasmo potencializado
No tantra há a possibilidade de atingir um ?multiorgasmo?, uma finalização que não deixa o casal cansado, e sim cheio de disposição, como explica Saananda. Treinando a ter pulsos de orgasmo, a sensação é prolongada. ?A mulher é capaz de ter vários orgasmos. Tem que aprender a fazer essa energia subir pelo corpo, se abrir e confiar em si mesma?, diz. Assim como ele, Shakti também ressalta a feminilidade do Tantra, já que ele é baseado na energia vital que provém da mulher.

Entre os benefícios do tantra estão a consciência corporal e a confiança. Na vida sexual ele promete ajudar mulheres na menopausa ou com outras dificuldades sexuais, homens que sofrem com ejaculação precoce e impotência. ?Foi há muito anos que me encontrei pela primeira vez com uma mulher tântrica que não me deixava ejacular. Para um argentino, engenheiro e com ejaculação precoce foi um susto. Mas deu um clique na minha vida?, conta Saananda.

O trabalho com a energia sexual não beneficia os praticantes apenas entre quatro paredes. Além de melhorar a qualidade dos relacionamentos, o fluxo de energia dá mais vitalidade, disposição e lucidez para todos os momentos do dia, segundo os terapeutas. ?Você leva isso na forma de estar no mundo. A energia sexual é a energia vital. Quando você não joga ela fora em uma ejaculação ou orgasmo, muda seu padrão?, diz Saananda. Já Shakti explica que a libido tem que estar presente em todas as áreas da vida, até no trabalho: ?O tantra te ensina a ser sensual o tempo todo, seduzir as coisas para você?, aponta.

Para Julia Sakamoto, o tantra a ajudou a driblar a timidez e ser mais segura com o próprio corpo. Aos 41 anos, a profissional de estética se aproximou do tantra há três anos e nos últimos sete meses intensificou as terapias. ?Com as vivências sei me amar, tocar, me ver como sou. Hoje me olho de corpo inteiro no espelho?, diz ela. O trabalho tântrico a ajudou a quebrar bloqueios sexuais que ela carregava pela religião e formação familiar.

O tantra no dia a dia
Fazer sexo tântrico exige prática e estudos. Mas é possível introduzir um pouco desse conhecimento no seu dia a dia. Os terapeutas tântricos dão dicas para melhorar o sexo:

- Sair para jantar e tomar um vinho parece muito romântico, mas o álcool e estômago cheio atrapalham no desempenho

- Reserve um momento do seu dia para o sexo, quando não tiver muito cansada ou estressada. É preciso estar disposta e não fazer por obrigação. O horário da manhã é recomendado

- Arrume o quarto para fazer massagens um no outro. Brinquem de explorar os corpos digam o que desejam sem receio

- Aposte em trilhas sonoras mais femininas ou calmas

- Respire fundo no durante, puxando o ar pra dentro em vez de soprando forte para fora.

Celi Shakti: www.celishakti.com.br

Gabriel Saananda:
www.ciadoser.org

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iG São Paulo

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AE

Rejeição a união com parceiro acima do peso é maior entre homens e mais ricos, mas atinge também mulheres e classes B e C

Um estudo realizado pelo Hospital do Coração (Hcor) nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro com 600 pessoas mostrou que 81% dos entrevistados afirmam que a obesidade interfere na ascensão profissional e 78% acreditam que o excesso de peso dificulta o casamento.

A pesquisa apontou que 50% das pessoas entrevistadas não se casariam com um obeso. A média é maior entre os entrevistados do sexo masculino: 54% afirmaram não ter interesse em construir uma relação matrimonial com pessoas acima do peso, contra 46% das mulheres. A rejeição a um parceiro obeso também varia de acordo com a classe social, com 66% da classe A não assumindo a união, contra 44% da classe B e 51% da classe C.

No levantamento, foram analisados classe social, estado civil, nível de instrução, sexo e faixa etária dos entrevistados. Desenvolvida pelo HCor em parceria com o Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN), a pesquisa avaliou a opinião de pessoas entre 18 e 60 anos sobre o perfil do obeso no Brasil.

Dos 600 entrevistados, 81% acreditam que o excesso de peso interfere no sucesso profissional. De acordo com o levantamento, a opinião é mais significativa na classe C (83%). Já na classe B, 80% concordam com a afirmação, contra 60% na classe A.

Além das barreiras físicas que comprometem ações sociais, profissionais e afetivas dos obesos existem aquelas ligadas à mobilidade e locomoção, como é o caso da escolha de um transporte público que atenda às necessidades dessa população, de roteiros de viagens e prática de atividades físicas diferenciadas para pessoas com excesso de peso.

Já sobre tratamento e prevenção, os métodos convencionais mais utilizados e conhecidos pela população em geral foram os mais identificados pela amostra da pesquisa. Como melhor forma de conhecer e buscar tratamento para a obesidade, 40% dos entrevistados afirmaram obter informações por meio de nutricionistas. Médicos somaram 31% e os veículos de comunicação, 24%. Para perder peso, o exercício físico saiu na frente, com 58%, contra 41% de tratamentos a base de dieta, medicação e cirurgias.

Entre os alimentos mais citados relacionados à obesidade apareceram as frituras com 33%, massas, pães e bolos com 27% e o açúcar com 23%.

Carina Martins, iG São Paulo

Muita gente usa a web para encontrar um amor ou matar a saudade. Mas mensagens de texto e redes sociais revelam quem sai da linha

Estar sempre conectado significa que o ambiente virtual passa a ser também um dos cenários onde se desenrolam parte dos relacionamentos amorosos: a internet pode ser onde um casal se conhece, o meio através do qual um dos pares resolve colocar um ponto final na relação ou até mesmo fonte de desentendimentos. Uma pesquisa realizada pela Nokia com uma amostragem de 601 brasileiros acima de 16 anos de todas as classes sociais mostra que o impacto das relações online é variado e bem integrado ao cotidiano.

Mais de um terço dos entrevistados (34%) respondeu, por exemplo, que a internet ou o celular já causou problemas de relacionamento para eles. O principal motivo de brigas, e até separações, apontado pelos usuários é encontrar mensagens suspeitas e ligações para números comprometedores no celular ou perfil do parceiro.

Claro que, para que isso aconteça, são necessárias pelo menos duas coisas: que os recados duvidosos estejam lá, e que namorados xeretem as contas uns dos outros. O percentual dos entrevistados que admitem a prática de dar uma espiadinha é quase idêntico ao dos que encontram problemas: 33%.

?Acho que é muito pessimismo dizer que ?quem procura, acha?, mas foi o que aconteceu comigo?, conta o estudante Mário Carvalho. ?Vi mensagens suspeitas no celular dela, confrontei e ela admitiu que estava gostando de outro?. Ele não está sozinho. ?Já aconteceu comigo, terminei um relacionamento porque descobri no Facebook que ele paquerava outras?, diz a administradora Rosângela Carvalho. ?Não me interessa se ele já saía com elas ou não, para mim aquele flerte já configura traição?.

A opinião de Rosângela sobre fidelidade na rede coincide com a da grande maioria dos entrevistados, homens e mulheres. Dar intimidade para outros online é considerado traição por 66% dos brasileiros. "As regras do que é ou não fidelidade pertencem a cada casal. Mas é muito comum que traição seja a quebra da cumplicidade, sem precisar haver sexo ou mesmo toque", explica a psicóloga Suely Martins. Por isso, não é surpresa que os apaixonados fiquem tão abalados com as paqueras online. E, às vezes, o problema é resolvido online mesmo: 15% já deram ou levaram um fora virtual de um amor real.

Júlia Reis e Andrea Giusti, iG São Paulo

Rodrigo Faro, Caco Ricci e mais oito gatos dizem o que esperam das mulheres na conquista e no relacionamento

Foto: Divulgação

Atire a primeira pedra quem nunca teve dúvidas sobre ?o próximo passo? na conquista. É comum bater aquela dúvida nas mulheres na hora de se aproximar, mostrar interesse e até discutir a relação com o namorado: qual é a melhor maneira de fazer tudo isso e ainda se dar bem? Conversamos com 10 homens para saber quais são as atitudes delas que mais agradam ? e as que irritam também. Veja as dicas de Rodrigo Faro, Caco Ricci e outros gatos!

1. Tenha iniciativa
?Hoje em dia as mulheres estão mais seguras e independentes. Se gostou do cara, vai lá e convida para sair mesmo! Vejo no meu programa a mulherada tomando iniciativa, falando que gostou desse ou daquele, chamando pra conversar. Hoje isso é supernormal?
Rodrigo Faro, apresentador de TV, 37 anos

2. Não force a barra
?Apresentar a família, só depois do ganho de confiança total. E esse momento vai aparecer naturalmente, com o tempo, sem forçar a barra?
Kadu Parga, modelo e ex-BBB, 25 anos

3. Monitoramento de namorado, não!
?Uma relação saudável é aquela em que cada um tem a sua vida. Começa a ir mal quando um quer controlar o outro. Não há nada de errado em assistir ao jogo de futebol ou encontrar os amigos. Quando a mulher 'permite' isso, demonstra segurança em si e confiança no parceiro, que se sente livre e amado, o que é fundamental para uma relação duradoura?
Caco Ricci, modelo, 32 anos

4. Cartas na mesa

?Não funciona ficar se fazendo de difícil ou mandar uma amiga perguntar se ele gostaria de te conhecer. Se a mulher está interessada, melhor ir conversar com o cara. Isso resolve para mim e nunca é vulgar. E tem mais, adoro mulher que convida para sair! Se fizer isso, ganhou mil pontos comigo?
Flávio Athayde, administrador, 28 anos 


5. Bom humor e iniciativa
?Confiança, vaidade e bom humor são qualidades fundamentais para uma mulher. Na época de solteiro, eu gostava de receber um olhar com um sorriso da menina que eu estava paquerando. Tem que correr atrás e não esperar as coisas caírem do céu?
Leonardo Horvath Mello, jogador de vôlei, 34 anos

6. O tempero do ciúme
?O ciúme é como o sal. Se não tiver nada fica até sem graça, insosso. Mas se tiver demais fica intragável. É um tempero que deve aparecer como um cuidado ou um querer bem"
Rodrigo Oliveira, chef de cozinha, 30 anos

7. Ligo ou não ligo?
?Pode ligar sim depois do primeiro encontro e mostrar que tem atitude. Mas é melhor que não seja no dia seguinte, para não passar um ar de oferecida demais. Vale mostrar que é ocupada e que tem vida pessoal também?
Danilo Lang, publicitário, 25 anos

8. Simplifique a conversa
?Mulher que discute frequentemente a relação é chata. E não importa a relação, pode ser de amor, amizade ou trabalho. A de amor é a que mais pega, e devemos evitar a fadiga. Mas mulher tem essa mania de querer entender mais do que viver o amor.
Rafael Cortez, repórter do programa CQC, 34 anos

9. Dê liberdade
?Reclamações sobre o futebol ou happy hour com os amigos sempre desgastam a relação. Não deve existir controle sobre a vida do outro. Cada um deve ter o bom senso para aceitar ou não essas atitudes
Raoni Carneiro, ator, 28 anos

10. Capriche no olhar
?Acho que um simples olhar pode dizer tudo. E não precisa ser vulgar, a sutileza me cativa e é esse tipo de aproximação que eu mais admiro. Eu sigo a escola do diretor francês de cinema François Truffaut, que sempre cultivou em seus filmes encontros amorosos inusitados, como em ?O Último Metrô?, quando um dos personagens aborda uma mulher desconhecida na rua e se declara pra ela. Ele a vê andando e se apaixona?
Tatá Aeroplano, músico, 35 anos


Leia também:
Por que eles não têm coragem de terminar o namoro?
 

 

Carina Martins, iG São Paulo

Muitos homens preferem sabotar um relacionamento até que a parceira desista dele a encarar a hora de dizer que o amor acabou

Foto: Getty Images

"Ele começou a chegar tarde sempre, brigava por qualquer motivo, se recusava a ir a qualquer evento de família. Entre o terceiro e o quarto ano de nosso namoro, a vida foi um inferno", conta a arquiteta Júlia Barros, 31, sobre seu último relacionamento. "Sofri muito e tivemos incontáveis discussões para tentar salvar a relação. Até que me dei conta de que quem queria salvar a relação era só eu. Ele queria terminar, mas não tinha coragem. Então destruiu nosso namoro até que eu tive que tomar a iniciativa e por um fim em tudo", diz. "Não bastou perder o namorado, ainda tive que fazer todo o trabalho sujo. Achei a atitude dele tão covarde que até me ajudou a superar a perda - no fim, acho que não estava perdendo grandes coisas".

O senso comum de que mulheres buscam um relacionamento estável de forma mais incisiva do que os homens também diz que, na hora de terminar esse relacionamento, elas também são mais diretas. "De maneira geral, as mulheres quando querem terminar um relacionamento têm mais facilidade de deixar isso bem claro para o parceiro. O homem prefere enrolar ou provocar a mulher até que ela tome a atitude por ele", afirma a psicanalista Ana Claudia Ferreira de Oliveira. 

Mas o que leva alguém que não quer mais estar em um relacionamento a preferir sabotá-lo a conversar sobre o fim? "Talvez haja uma diferença porque o homem não lida bem com os seus sentimentos de dependência e tem esse papel de ser o provedor, o que cuida. Ele pode subestimar as mulheres e por razões suas considerá-las frágeis", diz o psiquiatra Márcio Pinheiro. "Eles querem sempre agradar as
mulheres na tentativa de `sairem bem na foto´ com todas, e evitarem ter que lidar com os sentimentos despertados na mulher pelo término da relação", avalia Ana Claudia.

Quem ajudou a arquiteta Júlia Barros a entender que seu namorado estava usando todas as armas - menos a conversa - para terminar o romance foi a amiga e também arquiteta Renata Mendes. "Isso já me aconteceu tanto que me considero especialista no assunto", diz. Como "expert", a amiga de Júlia diz o que os homens podem fazer de pior nessa situação: "O mais humilhante é alguém com quem você dividiu sua vida simplesmente desaparecer. Deixar de atender ligações, de te procurar. É uma grosseria e machuca muito. Mas é bem comum".

Apesar de ser doloroso e pouco respeitoso, o método de "implosão" do relacionamento adotado por muitos homens acaba dando o recado mais cedo ou mais tarde. "No fundo nós sempre
sabemos ou sentimos quando somos queridas ou desejadas, mas muitas vezes temos medo de encarar isso e tomar a atitude de romper com aquele relacionamento", diz a psicanalista Ana Cláudia. Ou seja, a parceira acaba percebendo e o relacionamento uma hora acaba. Mas o custo emocional é altíssimo. A falta de clareza e honestidade nos relacionamentos pode comprometer também a parte boa. "Quem está sendo rejeitado sempre sabe. O perigo é a pessoa por razões pessoais se sentir rejeitada quando isso não está acontecendo. Ou pior: provocar a rejeição", afirma o psiquiatra Márcio Pinheiro.

A hora de terminar
Reconhecer o momento em que um namorou ou casamento não funciona mais para algum dos parceiros não é tarefa simples nem indolor. "Nós temos esse defeito de fabricação: não lidamos bem com a separação. Aliás, é mais do que isso: temos horror a ela", diz Márcio. Na prática, é preciso um exercício de comunicação. Para Ana Cláudia, "depende do quanto cada um dos parceiros quer fazer aquele
relacionamento funcionar. Se só um quer e está trabalhando sozinho pra isso, vai nadar e vai morrer na praia. É preciso que os dois parceiros encarem a crise e sejam muito claros um com o outro com relação ao desejo de continuar e os esforços e atitudes que vão tomar para efetivamente enfrentarem juntos essa crise". Se não for assim, é hora de encarar a separação. E um aviso aos que tentam fugir dela para "preservar" a parceira: de qualquer maneira, vai doer.

"Separações sempre doem. Até quando não amamos mais o parceiro, porque há muitas perdas envolvidas, além da enorme dor narcísica de encarar que fracassamos naquela tentativa de relacionamento", afirma Ana Cláudia. Márcio Pinheiro faz coro: "Não tem jeito. Quem quiser encontrar o amor, vai ter de sofrer, vai ter de chorar. Quem é capaz de sofrer é tambem capaz de sentir alegria. A gente bebe essas coisas no mesmo copo. Separação dói e não adianta sair por si negando a dor e se relacionando com Deus e todo o mundo na esperança de não sofrer. O melhor é passar pelo luto, sentir tudo que tem direito e depois perceber que milagrosamente começarão a aparecer interesses em outras pessoas. Ou seja: você sobreviveu".

 

Carina Martins, iG São Paulo

O que o fim do "milagre" em forma de pílula significa para a vida sexual das mulheres?

Quando os esforços mais bem-sucedidos até agora no controverso caminho da criação de um medicamento que ficou conhecido como ?viagra feminino? foram abandonados no início deste mês pela farmacêutica que apostava em sua aprovação, não foram poucos os que comemoraram. Leonore Tiefer, professora da New York University que liderou o movimento contra a nova pílula, por exemplo, escreveu ao jornal ?The New York Times? celebrando o que considera uma vitória contra uma ?farsa de mais de uma década?. Mas além das questões práticas a respeito da aprovação do medicamento ? entre elas, as provas de que a pílula estudada pela Boehringer realmente conseguiria aumentar o desejo, e de que os efeitos colaterais valeriam a pena, por exemplo ? existe entre detratores, incentivadores e simples observadores um debate mais profundo a respeito do comportamento sexual feminino: há 50 anos, uma pílula mudou tudo. Mas quanto um novo comprimido realmente faria diferença quando se fala de desejo?

Um dos poucos consensos entre os que apostam na pílula e os que não podem ouvir falar dela é a preocupação com o risco de que a ideia de que a sexualidade feminina é muito mais complexa e misteriosa que a do homem volte a ser corrente. Para muitos, essa visão não tem necessariamente um respaldo real e pode atrapalhar mulheres e casais a se entenderem melhor, reforçando tabus. ?A sexualidade, feminina ou masculina, não pode ser padronizada e normatizada. É complexa para os dois. Mas isso não significa que deva ser complicado para homens ou mulheres exercerem sua sexualidade e se conhecerem?, diz a psiquiatra Ana Paula Martinez. ?A dificuldade enfrentada pela indústria no lançamento desta pílula, comparada à aparente simplicidade dos facilitadores de ereção, pode sim reforçar a ideia de que o sexo feminino é um mistério, e isso não ajuda ninguém?.

?Não se trata de ser a fisiologia feminina mais complexa. Trata-se de serem problemas diferentes em fisiologias e anatomia diferentes?, diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues, presidente do Instituto Paulista de Sexualidade. Ele lembra que a pílula masculina não afeta o desejo do paciente ? embora isso possa acontecer de forma secundária -, apenas age na fisiologia da ereção. O que simplesmente não se aplica às mulheres, sem implicar em nenhuma ?complicação? da parte delas. ?No caso das mulheres, não existe uma maioria com problemas de excitação, mas queixas de falta de orgasmos ou de desejo sexual?, afirma.

Com ou sem pílula

Na opinião de Oswaldo, ?se existir uma causa biológica, como falta de substâncias químicas, uma medicação serviria para produzir o desejo em falta?, mas isso não se aplicaria às mulheres que sofrem com a falta de orgasmo, por exemplo, ou que buscam no sexo outras finalidades além do sexo em sim, como intimidade, por exemplo. De qualquer forma, no centro da questão o que continua é a identidade sexual feminina. Para o presidente do Instituto Paulista de Sexualidade, a maior fonte de problemas desta área para as mulheres hoje está exatamente em ?compreenderem-se sexuais?.

"Eu diria que um medicamento que tivesse efeito real sobre a sexualidade da mulher equivaleria à pílula contraceptiva. Mas a mulher que não se percebe, não se identifica com sexo, não tomará este medicamento que venha a ser colocado no mercado. Diferente dos homens, que mesmo sem desejo sexual tentavam o medicamento, pois capacitar-se para sexo é sentido como parte da identidade masculina?, diz.

"A mulher precisa ter uma visão de mundo que coloque o sexo, suas expressões e variações como prioridade em suas vidas. As pesquisas das últimas décadas mostram que elas preferem comprar um carro, viajar ou comprar um sapato novo a fazer sexo... Sem prioridade não se desenvolve o desejo por sexo, nem os comportamentos sexuais?.
 


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