Leoleli Camargo, iG São Paulo Foto: Getty Images Comer em excesso e provocar vômitos para eliminar a culpa por ter comido é uma doença conhecida como bulimia. Caracterizado por um comportamento compulsivo e doentio em relação à comida, esse transtorno alimentar é mais comum em mulheres jovens, e pode até matar se não for identificado e tratado adequadamente. A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA), dos Estados Unidos, elaborou uma cartilha com informações e orientações sobre a doença, e dicas úteis para quem tem ou convive com o problema. O Delas selecionou 15 sinais de alerta que podem ajudar a identificar a bulimia. Como em toda doença, a presença de indícios não significa que a pessoa tem o problema, o diagnóstico deve ser feito por um especialista. Se perceber algum dos comportamentos listados em alguém próximo de você, procure orientação sobre como ajudar conversando com um médico ou um psicólogo. Preste atenção em: 1 ? Comportamentos e atitudes que indicam preocupação excessiva com perder peso, fazer dieta ou controlar a quantidade de comida ingerida 2 ? Desaparecimentos inexplicáveis de grandes quantidades de comida da despensa em períodos muito curtos de tempo 3 ? Grandes quantidades de embalagens de alimentos vazias (elas podem ser um indicativo do consumo compulsivo de grandes quantias de comida) 4 ? Visitas frequentes ao banheiro ao longo ou depois das refeições 5 ? Dentes manchados ou amarelados e hálito de vômito constante 6 ? Cartelas ou embalagens vazias de laxantes e diuréticos no lixo do banheiro ou da cozinha (são indícios de comportamento purgatório) 7 ? Sensação clara de desconforto ao comer na frente de outras pessoas 8 ? Rituais relacionados à comida ou à alimentação (comer apenas um alimento ou um grupo específico de alimentos, mastigar excessivamente a comida ou evitar que o alimento toque os lábios ao ser colocado na boca) 9 ? Ingestão de porções muito pequenas de comida nas grandes refeições do dia (como o almoço) ou na pulada muito frequente de refeições 10 ? Atitudes bizarras em relação à comida (sem motivo algum, roubar ou esconder alimentos em lugares estranhos da casa ou do quarto) 12 ? Uso exagerado de enxaguatórios bucais, pastilhas e chicletes de menta (eles ajudam a mascarar o hálito de vômito) 13 ? Uso constante de roupas folgadas, que escondam os contornos do corpo 14 ? Dedicação incansável a regimes de exercícios intensos e rígidos demais, mantidos independentemente do clima, do cansaço ou de alguma doença ou lesão muscular 15 ? Calos nas costas das mãos ou nas juntas dos dedos (são uma espécie de cicatriz da repetição frequente do ato de provocar o vômito colocando os dedos na garganta) Onde encontrar informações e ajuda: Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) Programa de Orientação e Assistência aos Transtornos Alimentares (Proata) Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Gota) Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares (Gatda) Grupo de Estudo e Assistência em Transtornos Alimentares (Geata) Grupo de Estudos em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta) 
24/11/2010 11:20 AM
The New York Times As mulheres abusadas sexual ou fisicamente quando crianças apresentam risco maior para alcoolismo na vida adulta, de acordo com uma pesquisa norte-americana. No estudo, os pesquisadores analisaram dados de quase 3.700 mulheres que participaram do Levantamento Nacional do Álcool, em 2005, nos Estados Unidos. Foi constatada uma relação entre abuso sexual na infância e excessos no consumo de álcool. As mulheres que relataram abusos eram mais propensas a assumir a ingestão de quatro ou mais bebidas alcoólicas por dia. Elas também se mostraram mais propensas a se classificar como dependentes de álcool e portadoras de uma relação com as bebidas alcoólicas que representa sérios riscos à saúde. ?O principal recado é que, depois de um certo período, as crianças abusadas acabam tendo problemas com álcool. Todas as minhas análises indicam esta associação?, acrescenta. Os resultados do estudo foram apresentados em novembro, na edição online da revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research. ?Nós, como sociedade, temos de assumir a responsabilidade pela cura das crianças e dos adultos com histórico de abuso infantil?, disse Lown. ?Precisamos evidenciar todos os aspectos do abuso, além de adotar intervenções capazes de atingir as consequências de longo prazo. De outra forma, o problema não será reconhecido?, alerta.
?Os resultados mostram uma forte associação entre histórico de abuso infantil e problemas com abuso de álcool?, diz a autora da pesquisa Anne E. Lown, cientista do Grupo de Pesquisa em Álcool de Emeryville, Califórnia.
23/11/2010 07:24 PM
The New York Times Foto: Getty Images Para mulheres com alto risco de câncer de mama devido a mutações genéticas ou histórico familiar, exames anuais de ressonância magnética, além de mamografias e exames de mama, podem salvar vidas, conforme descobriu um novo estudo. O estudo, o primeiro a medir a sobrevivência num grande número de mulheres em alto risco que passaram por ressonância magnética, descobriu que, depois de seis anos de acompanhamento, 93% das portadoras de mutação com câncer ainda estavam vivas, em comparação a 74% das que estavam vivas em cinco anos em estudos anteriores. No novo estudo, todas as mulheres em alto risco devido ao histórico familiar ainda estavam vivas após seis anos. Especialistas começaram, há muitos anos, a recomendar exames anuais de ressonância magnética, além de mamografias, para mulheres em alto risco, pois esse exame é melhor para descobrir tumores. As mamografias ainda detectam alguns tipos de câncer que a ressonância não detecta, então mulheres em alto risco geralmente são aconselhadas a fazer os dois exames. Mas até agora os pesquisadores não sabiam se a combinação de ambos salvava vidas. ?Sempre deduzimos que, se detectarmos o câncer cedo, os pacientes se saem melhor?, disse Maxine Jochelson, diretora de exames de imagem do centro de mama e imagens do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Manhattan (ela não esteve envolvida no estudo). ?Este é o primeiro estudo que realmente contou com um grande número de mulheres e mostrou que, se detectarmos a doença cedo, isso se traduz, sim, em resultados melhores?. As descobertas podem oferecer uma prorrogação a mulheres com alto risco que achavam que ter os seios removidos preventivamente era a única forma de evitar o câncer e salvar suas vidas. Com isso, crêem os especialistas, mais mulheres também poderão se dispor a fazer os testes para mutações, já que pode haver uma forma menos drástica de lidar com elas. ?Com exames cuidadosos de ressonância magnética, testes clínicos da mama e mamografias, todas as mulheres em alto risco de desenvolvimento da doença podem tomar uma decisão racional para não precisam se submeter a uma mastectomia profilática para reduzir o risco?, afirmou Andrew D. Seidman, especialista em câncer de mama do Memorial Sloan-Kettering, que não esteve envolvido no estudo. Mas até mesmo exames cuidadosos podem não proteger tão bem quanto a cirurgia preventiva: quatro mulheres no estudo, todas com mutações BRCA, morreram de câncer de mama. Exames de mama por ressonância magnética não são recomendados para a maioria das mulheres, que possuem apenas um risco médio de desenvolver câncer de mama, pois os exames encontram muitas possíveis anormalidades e levam a exames e biópsias repetidas para elementos que podem ser inofensivos. Mesmo neste estudo com mulheres em alto risco, cerca de 10% das descobertas suspeitas de exames de ressonância magnética eram falsos positivos. O novo estudo, publicado online no Jornal de Oncologia Clínica, envolveu 2.157 mulheres em alto risco na Holanda. Algumas tinham mutações em genes, chamadas de BRCA1 ou BRCA2, que produzem um risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida de 50% a 85%. Outras tinham riscos de 15% a 50% com base no histórico familiar (o risco de uma mulher é de 12,2%). A pesquisa foi conduzida por Jan G.M. Klijn, professor emérito de oncologia média da Universidade Erasmus, em Roterdã. Klijn e Seidman disseram que pode valer a pena considerar se mulheres em alto risco devem se submeter a uma ressonância magnética duas vezes por ano. Mas esse exame é mais caro do que a mamografia. Um problema apontado pelos especialistas é que não ouve grupo controle no estudo. Todas as mulheres fizeram exames de ressonância magnética, então os pesquisadores tiveram de usar um método menos confiável, comparando seus resultados com estudos anteriores com mulheres que não fizeram esse exame. Criar um grupo controle não seria ético, pois as mulheres tinham alto risco de desenvolver a doença e havia motivo para crer que a ressonância as ajudaria. Uma descoberta impressionante foi que, em mulheres com mutação BRCA1, a ressonância magnética foi muito melhor que mamografia: a ressonância descobriu 66,7% de casos de câncer no grupo de mulheres, mas a mamografia descobriu apenas 25%. ?A diferença é grande, maior do que eu esperava?, disse Linda Moy, especialista em exames de imagem de mama do New York University Langone Medical Center. Moy disse que as novas descobertas enfatizam a necessidade de acompanhar de perto as portadoras de mutação por meio de exames de ressonância magnética.
23/11/2010 12:09 PM
AE Zerar a mortalidade infantil em Jaguariúna (SP) no ano passado e ver a cidade ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio do Americas Award 2010 é, para a ginecologista e obstetra Benedita de Fátima Machado de Sousa, diretora de saúde da cidade, resultado de ações e programas conduzidos pelo princípio da humanização no atendimento. ?É a diferença que faz o acolhimento, desde o diagnóstico. A gestante chega ao posto de saúde com atraso menstrual e é bem recebida, atendida prontamente?, diz. Benedita informou que o resultado do exame para confirmar a gravidez sai em uma semana. ?Se for positivo, a consulta já é marcada.? A ONU preconiza sete consultas durante a gravidez. ?Nós fazemos dez?, diz ela. Por meio do diagnóstico precoce da gravidez e do acompanhamento médico, é possível detectar doenças na gestante e no feto e reduzir riscos de mortalidade. Em 2008, o índice de mortes na cidade, a cada mil nascidos vivos, foi de 11,7. A média dos últimos cinco anos era de 8,3. Em 2009, foi zero. A média nacional em 2007 era de 20 a cada mil, segundo o IDB 2009. Segundo a secretária de Saúde de Jaguariúna, Maria do Carmo de Oliveira Pelisão, foram feitos investimentos em tratamento de água, campanhas de vacinação, saneamento básico, programas educacionais sobre higiene pessoal e sanitária, aleitamento materno e nutrição infantil, sobretudo em comunidades carentes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A quantidade de médicos na rede não mudou: são oito ginecologistas e obstetras. Mas os atendimentos ganharam fôlego e planejamento de prioridades. Com isso, das 3.905 consultas de pré-natal realizadas em 2008, o número saltou para 4.295 no ano passado. Dos 80% de grávidas que fizeram sete consultas ou mais em 2008, o índice foi para 98% em 2009. Os exames de gravidez cresceram de 1.574 para 1.729 e as ultrassonografias em gestantes, foram de 1.060 para 1.153, em um ano.
22/11/2010 12:06 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: Reprodução A técnica de enfermagem Solange Gomes de Oliveira, 54 anos, nunca foi do tipo que chora em novela. Mas fica emocionada só de falar das atrizes Drica Moraes, Márcia Cabrita, Patrícia Pillar. Também ?tem o coração tocado? pelas apresentadoras Hebe Camargo e Ana Maria Braga. Ela resume estas sensações em duas palavras: ?Identificação e admiração?. A conexão entre a mulher de vida anônima, que mora no Rio de Janeiro, e as famosas de todo País acontece por causa do câncer, doença em ascensão e segunda causa de morte nacional. Há 11 anos, Solange convive com o diagnóstico do tumor maligno nas mamas. Para ela, acompanhar pelo noticiário uma batalha semelhante travada por estas e outras pessoas de vida pública traz a ideia de que elas façam parte da mesma turma. ?Nunca fico feliz quando vejo alguém famoso com câncer. Não é isso?, explica. ?Mas quando leio que elas voltaram para o trabalho, tiveram filhos, estão felizes e tocando a vida, passeando de lenço ou de peruca pela rua, é uma fonte de energia para continuar a minha luta e ajudar na luta de outras pessoas?, explica Solange, que ainda trata as sequelas do câncer, mas já está recuperada e começa agora um trabalho para levar informações para outras pacientes. ?Ao mesmo tempo, sou capaz de sentir a dor e o medo destas mulheres famosas quando vejo que algum tratamento não deu certo ou que existiu algum tipo de recaída?, complementa. ?Musas? Partilhar um problema de saúde tão peculiar ? que traz para perto a sensação de morte e solidão ? funciona como uma via de mão dupla de benefícios, tanto para anônimas quanto para famosas. Para as primeiras, fica mais fácil compreender que o câncer é uma doença democrática, que pode acontecer com qualquer um. Além disso, explica Cristina Volker, presidente da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia e pesquisadora da área há 25 anos, também há a criação de referenciais positivos de superação da doença, o que pode resultar em maior confiança e adesão ao tratamento, dois pontos chaves na recuperação. Já para as pessoas públicas, dividir medos e anseios depois de detectado o tumor tem como consequência benéfica o desencadeamento de uma rede de apoio e conforto. A gratificação em ser inspiração para uma atitude positiva também conta pontos a favor na interação com o público. Para a atriz Márcia Cabrita, 46 anos e em tratamento para um câncer de ovário, é muito positivo ler os comentários deixados no blog mantido por ela chamado Força na Peruca. ?Saber que de alguma forma a leitura faz bem para as pessoas é gratificante, me anima?, disse em entrevista ao Delas. Márcia utiliza o humor ? característica sua que ganhou fama nacional com o seriado Sai de Baixo, no papel de Neide ? para falar da doença, superação e das pedras no caminho que o diagnóstico impôs. ?Este é meu estilo, faz parte da minha personalidade. Não falo do tratamento porque não sou médica e não saberia escrever sobre isso. Falo sobre mim. Escrevo quando tenho vontade e não sinto nenhum tipo de pressão para estar sempre bem ou por ser esta referência?, explicou. Cotidiano Na avaliação da Associação Brasileira de Apoio ao Paciente com Câncer (Abrapac) ? entidade da qual a técnica de enfermagem Solange faz parte ? quando os famosos enfrentam enredos reais da doença criam uma conexão com os outros pacientes. Aquela sensação ruim trazida pela dúvida ?poxa, por que comigo?? é de certa forma amenizada. A rotina pesada de exames, sequelas e privações é comum a grande parte dos 489.270 casos de câncer registrados anualmente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), inclusive de atores, atrizes e personalidades. Drica Moraes, atriz de 42 anos, por exemplo, contou ao programa Fantástico, da Globo, que ficou 120 dias internada em um hospital por causa da leucemia. ?Era uma clausura, o toque com o outro era proibido (ela tinha acabado de começar a namorar e seu filho adotivo tinha um ano)", falou ao programa. "Fiquei dois meses sem poder escovar os dentes. Foi uma fase difícil, em que você chora muito. Eu tinha raiva. Chegava e jogava coisas na parede?, completou. Drica não foi a única. O símbolo do bom-humor e do alto astral, Hebe Camargo, também partilhou as dificuldades do seu câncer. ?Fiz quimioterapia, fiquei careca, comprei peruca?, disse à Revista Quem. A apresentadora do SBT teve câncer de peritônio, uma membrana do intestino, tumor raro, segundo os médicos, mas que exige tratamento padrão, semelhante ao de outros cânceres. A perda dos cabelos, um dos sinais mais clássicos do tratamento quimioterápico, também foi vivida por Dilma Roussef, presidente eleita do País. Ela desfilou de peruca durante o ano de 2009, pouco depois de anunciar que tinha linfoma, um outro tipo de câncer. Em outros anos, Patrícia Pillar, Ana Maria Braga, Glória Perez, o vice-presidente José Alencar, o sambista Neguinho da Beija Flor, são outros exemplos que, sem máscaras, mostraram suas carecas e o enfrentamento de seus cânceres. Além da doença Mas o grande ponto de virada é que todas estas pessoas, de certa forma ,conseguiram representar mais do que o câncer, avalia a psicóloga Cristina. Eles até são lembrados por isso (doença), mas não só por isso. Esta é de fato uma preocupação de Márcia Cabrita, que é avessa a dar entrevistas sobre sua doença. Sua conversa com o Delas teve apenas alguns segundos de duração. A técnica de enfermagem Solange entende a cautela. Segundo ela, "seria ótimo que todas os atores que tivessem um câncer diagnosticado fossem ao público e falassem sobre o problema, para conscientizar e alertar a população?, diz. Mas a plateia aplaude muito mais quando estas personagens da vida real retocam o batom e entram em cena para outro papel, que não é mais o de doente.
22/11/2010 10:07 AM
Lívia Machado, iG São Paulo Foto: Rede Globo/Divulgação Nas novelas, temas polêmicos ou pouco debatidos na sociedade são, por vezes, mais fundamentais e atraentes do que um belo casal de protagonistas famosos. Em Passione, da Rede Globo, o pedido de casamento entre dois primos-irmãos arrebatou a audiência e a apresentou aos espectadores uma especialidade da medicina pouco conhecida e de difícil acesso para a maioria da população brasileira: a genética. Após a descoberta de uma relação de parentesco, a possibilidade de gerar filhos com alguma doença genética fez com que Sinval (Kayky Britto) e Fátima (Bianca Bin) procurassem um médico geneticista para saber que rumo dar ao relacionamento. É fato que o conto global pouco reflete o mundo real. Os especialistas da área, embora agradeçam a chance de popularizar o assunto, criticam a forma como o autor abordou os riscos de uma união entre primos e o aconselhamento genético do casal em rede nacional. Na cena, que foi ao ar esta semana, o médico revela aos personagens que os riscos são altíssimos, e sugere que optem pela adoção quando decidirem ter filhos. Salmo Raskin, diretor da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), explica que os riscos são, na verdade, relativamente baixos. ?Foi interessante quebrar o tabu sobre o tema em uma novela. Nos consultórios, a falta de informação é comprovada diariamente. A maioria das pessoas entra na consulta temerosa, baseada nos altos riscos divulgados pelo senso comum. Após o aconselhamento, ficam aliviados.? Casais sem relação de parentesco têm 3% de chance de ter filhos com alguma anomalia genética. Para os consangüíneos, ou seja, pessoas que são parentes pelo sangue, o risco dobra, e passa a ser de 6%. ?É errado dizer que o risco é alto. Pelo contrário. A maioria dos casais tem 94% de chances de não ter filhos com nenhuma doença genética.? Entretanto, essa matemática só traduz a realidade de um casal que não apresente histórico de doenças genéticas na família. Cabe ao médico investigar as três últimas gerações e avaliar a possibilidade de combinações negativas. A SBGM critica a falta de critérios para sustentar a tese de que Fátima e Sinval terão filhos com alguma doença genética. Além disso, defende Raskin, nenhum geneticista orienta seus pacientes sobre qual atitude tomar. ?Optar pela adoção é uma decisão pessoal. Não cabe ao especialista sugerir absolutamente nada, apenas apresentar os riscos.? Mayana Zatz, professora titular e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células Tronco da Universidade de São Paulo (USP), também condena a postura apresentada na novela. A médica defende que o papel do geneticista é explicar os riscos em uma linguagem clara, objetiva, apenas. "Não aconselhamos ter ou não filhos. Apontamos o coeficiente de risco, é errado indicar uma postura.? Para facilitar o entendimento, a médica revela que costuma usar a metáfora das maçãs. A proposta é apresentar os riscos de uma forma mais palatável, em uma situação imaginária que ajude os casais a analisar com cautela. ?Imagine que você tem um risco de no máximo 10% de gerar filhos com alguma doença genética. Pense em uma mesa com 100 maçãs. Apenas 10 delas contêm um veneno mortal. Você correria o risco de escolher aleatoriamente e comer uma das frutas?? demonstra a médica. A especialista comenta que os homens tendem a avaliar as possibilidades como menos temor. As mulheres, como carregarão as crianças por nove meses, depois do valor apresentado, julgam os riscos altos e preferem não arriscar. Possibilidades Do que a medicina conhece e descreve, hoje, existem mais de 10 mil doenças genéticas. Calcular as chances em casos de parentesco, por ora, no Brasil, é uma matemática cara e pouco acessível. Clínicas de aconselhamento genético pipocam pelo País e podem cobrar de mil a 10 mil reais por exames, dependendo da doença e complexidade do gene a ser estudado. Do lado público, alguns hospitais, ligados a universidades, realizam tal serviço. Para o diretor da SBGM, o controle e mapeamento das doenças genéticas no Brasil só poderão ser feitos quanto esse tipo de atendimento estiver presente na rede pública de saúde. O especialista defende que não é preciso desonerar os cofres das secretarias ou do Ministério para ampliar o acesso. Segundo ele, bastaria oferecer o atendimento médico. ?O geneticista pode estudar a história genética do casal e, com um cálculo no papel, sem grandes tecnologias, apresentar um coeficiente aproximado de risco.? Nordeste Dados apresentados no último congresso de Medicina Genética, em Salvador, mostram que o Brasil tem uma incidência altíssima em algumas regiões do nordeste para um tipo de anomalia genética conhecida como mucopolissacaridose ou MPS ? ela compromete o Sistema Nervoso Central e diversas outras partes do corpo. No sertão da Bahia, um trabalho pontual de mapeamento e atendimento dessas populações, revelou índices de MPS alarmantes nessa região. A média mundial é de um habitante para cada 200 mil. No local, porém, há uma pessoa diagnosticada com a doença para cada cinco mil habitantes. O motivo é simples: o índice de casamentos consanguíneos é elevado nessas populações, o que aumenta a chance de doenças genéticas na família. Tal dado, na visão dos geneticistas, serve de alerta: se existisse acompanhamento genético nessas populações, os índices poderiam ser controlados. ?Esse exemplo não indica que os riscos são altíssimos em função dos casamentos entre parentes. Há muitos anos atrás, alguém que era portador do gene dessa doença se instalou na região. Com os casamentos consanguíneos, e sem mapeamento genético, a população afetada pela doença cresceu com o passar do tempo", defende Raskin. A especialista da USP, porém, prega cautela no discurso. ?Não podemos minimizar o problema. Em algumas populações do nordeste, o índice de doenças que provocam deficiências mentais ou físicas não é baixo. É uma questão de saúde pública, que precisa ser analisada com critérios pelas famílias.?
20/11/2010 12:24 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: SXC A mulher preocupada com câncer de mama e que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentará dificuldade até cinco vezes maior para diagnosticar e tratar a doença quando comparada à paciente que pode contar com a rede privada de saúde. Pesquisa divulgada hoje pelo IBGE, feita em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que os hospitais particulares têm 66,7% mais mamógrafos do que as unidades gratuitas. Nesta conta, são levados em consideração também os aparelhos disponíveis em clínicas pagas mas que acolhem ? em uma determinada cota - pacientes do SUS. Se a matemática usar apenas as mamografias realizadas aparelhos disponíveis em hospitais exclusivamente públicos, as diferenças são ainda mais gritantes. São 596 mamógrafos neste tipo de unidade contra 3.547 aparelhos na esfera privada, uma média cinco vezes maior. O câncer de mama é uma das doenças mais letais para o sexo feminino e, segundo as diretrizes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a forma mais eficaz de reduzir a mortalidade é por meio do diagnostico precoce, feito justamente por meio da mamografia. Tratamento As cerca de 49 mil mulheres que todo ano recebem o diagnóstico da doença após passarem pelo mamógrafo também vão enfrentar uma oferta muito menor de tratamento indicado para este tipo de tumor nas unidades públicas. Segundo os números do IBGE- traçados em parceria com o Ministério da Saúde ? 406 unidades públicas oferecem quimioterapia em estabelecimentos públicos contra 689 no serviço privado, diferença estatística de 69,7%. Mesma disparidade é diagnosticada na oferta de radioterapia, 173 em hospitais públicos contra 208 em unidades privadas, sendo que estabelecimentos SUS exclusivos somam apenas 41 locais. Esta, segundo já afirmou a Sociedade Brasileira de Radiologia, é uma das razões para a fila de espera para este tipo de tratamento, muito utilizado no câncer de mama, ter fila de espera superior a 100 mil pessoas. Aumento Apesar das diferenças, a pesquisa chamada de Assistência Médico-Sanitária (AMS), afirma que a oferta de mamógrafos, tomógrafos e ultrassom aumentou em todas as regiões do País. Na Região Norte, a oferta de mamógrafos passou de 0,8 por mil habitantes em 2005, para 1,1 em 2009. Nesta região, o crescimento foi de 7%, sendo que em todo Brasil a média geral de aumento foi de 5,3%. Em quatro anos, cresceu 118,4% a oferta de aparelhos de ressonância magnética Outros dados Enquanto a rede privada concentra a maior oferta deste tipo de exame, algumas especialidades são muito mais encontradas no serviço publico mostra a mesma pesquisa do IBGE. O atendimento ambulatorial de ginecologia soma 12.847 unidades públicas contra 7.193 privadas. Em odontologia, são 24.636 locais no SUS frente a 6.374 no sistema particular A pesquisa foi feita em parceria com o Ministério da Saúde, investigou os estabelecimentos de saúde, públicos e privados, com ou sem internação, em todo o País, por meio de localização geográfica via GPS e questionários eletrônicos preenchidos na internet. O objetivo era traçar o perfil da oferta de serviços de saúde no Brasil. Além da oferta de equipamentos e tipo de especialidade oferecida, foi mapeado o número de leitos e a divisão de médicos no Brasil.

Número de mamógrafos por região
Região Norte: 171
Região Nordeste: 700
Região Centro-Oeste: 335
Região Sudeste: 2.257
Região Sul: 638
19/11/2010 10:12 AM
Bruno Folli, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images A recuperação da mulher após o parto não precisa ser sofrida. Dois testes simples ajudam a identificar possíveis alterações nos mecanismos de percepção da dor e, assim, permitem o ajuste mais preciso da medicação. São as anestesias personalizadas. Controlar a dor no momento do parto não é problema. Mas as estratégias terapêuticas para o pós-operatório ainda são um desafio, encarado até recentemente na base do ?erro e acerto?. Os médicos adotavam medicações e dosagens padronizadas, que funcionam bem para a maioria das pessoas. ?São como camisetas tamanho médio, elas servem para boa parte da população. Mas e quem usa tamanho grande? Ou pequeno?, questiona Mônica Capell Cardoso, anestesista da Maternidade Santa Joana. Nestes casos, as reclamações de dor obrigavam o médico a repensar a estratégia e adotar novos medicamentos e dosagens. Até chegar à prescrição certeira, a paciente seguia sofrendo. Dois mecanismos Existem substâncias no organismo produzidas a partir de estímulos dolorosos. Algumas servem para sensibilizar a percepção da dor, como alerta de perigo ou de ameaça, e outras agem no controle do estímulo, para que o indivíduo não fique incapacitado. A endorfina é o neurotransmissor responsável pela inibição da dor. É uma espécie de analgésico natural, também associado a sensações de prazer e de bem-estar. Já para a percepção do estímulo doloroso existe o glutamato, principal neurotransmissor do sistema nervoso, também ligado a processos cognitivos. A produção destas substâncias varia conforme a intensidade do estímulo doloroso e isso acontece de maneira mais ou menos semelhante na maioria das pessoas, gerando padrões de percepção e de tolerâncias à dor. Em outras palavras, tais mecanismos fazem com que estímulos dolorosos, como um corte na pele feito da mesma maneira em diversas pessoas, provoquem dores parecidas. Água quente Estímulos térmicos são usados para testar os mecanismos relacionados à percepção da dor. ?Mas a paciente não precisa se preocupar. Ela não vai sentir dor, vai apenas dizer quando o calor começa a incomodar?, resume a anestesista. No primeiro teste, o médico verifica a sensibilidade da paciente à dor. Um equipamento é colocado em contato com a pele do antebraço. Ele conta com uma face de metal capaz de aquecer rapidamente. ?A pessoa é exposta ao calor de 49 graus. Não queima, mas gera um certo incômodo?, detalha a anestesista. O passo seguinte a atribuir uma nota de zero a dez, dada pela paciente, para apontar a intensidade do incômodo. O segundo teste ativa o mecanismo de controle da dor. A mão da paciente é exposta ao calor gradual, com água quente, aquecida lentamente. Após a exposição, novamente, a pessoa atribuirá uma nota ao incômodo gerado. Os pacientes mais sensíveis à dor ou com menos capacidade de suportá-la são tidos como os sensíveis, segundo Mônica. ?Mas isso não é certo. Pode ser uma questão genética?, afirma. Pré e pós-operatório Os testes fazem parte das preparações para o parto e devem ser realizados por um anestesista. ?Nosso trabalho não se limita à anestesia, no momento da operação. Vamos cuidar do pacientes antes, durante e depois do procedimento?, esclarece a médica. A anestesia personalizada é indicada para os casos de cesáreas, procedimento que causa dor ou muito desconforto em pelos menos 15% das pacientes. Estes protocolos de atendimento já são praticados pelos hospitais universitários de Washington e de Stanford, nos Estados Unidos, e de Bruxelas, na Bélgica.
18/11/2010 10:20 AM
Bruno Folli, iG São Paulo Foto: Thinkstock/Getty Images Uma cólica intensa no lado direto do abdome pode indicar a presença de cálculos na vesícula biliar da mulher. É raro a dor ser de baixa intensidade, mas se isso acontecer, o problema pode até ser confundido com cólica menstrual. As pedras na vesícula atingem cerca de 10% da população brasileira, são duas vezes mais frequentes em mulheres e motivam inúmeras visitas aos consultórios médicos. ?O cálculo acontece por uma combinação de fatores, como questões hormonais e alimentação rica em gordura?, explica Marcelo Averbach, presidente da comissão científica da SOBED (Sociedade Brasileira do Aparelho Digestivo). Para o diagnóstico, um dos primeiros passos é uma avaliação clínica. Os médicos verificam se a paciente se enquadra no perfil ?4F?: mulher, fértil, com idade a partir de 40 anos e acima do peso (do inglês, female, fertile, fourty and fat). O estrógeno, hormônio feminino, age nas substâncias que se precipitam, especialmente o colesterol, favorecendo a formação dos cálculos. ?É como um copo que tem tanto açúcar que ele não se dilui mais no líquido e acumula no fundo do recipiente?, compara o especialista. Além disso, o médico explica que o hormônio feminino favorece o relaxamento da vesícula biliar, o que também favorece a sedimentação dos sais e do colesterol. As mulheres que sofrem de úlcera são mais propensas a formar cálculos biliares, assim como pacientes que tenham passado por cirurgias gástricas. Anatomia da doença A vesícula biliar é um pequeno órgão, em forma de pêra, ligado ao fígado. Ela tem a função de acumular líquido biliar, importante para o processo digestivo. Este líquido é formado pela solução de diferentes substâncias, como colesterol e sais biliares. Quando um cálculo se forma no interior do órgão, ele pode permanecer lá por anos e anos, totalmente assintomático. ?A pessoa só descobre por acidente, quando faz algum exame de rotina. Ou nunca descobre?, revela Ana Botler Wilheim, especialista em endoscopia digestiva e palestrante da IX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, evento que acontece entre 20 e 25 de novembro, em Florianópolis. Mas a pedra pode não ficar ali inócua. Existe o risco dela desencadear diversos problemas agudos como repetidas inflamações na vesícula ou icterícia, gerada pela obstrução de canais hepáticos. A vesícula pode inflamar pela obstrução de seu canal, situação que obriga a bílis a ser reabsorvida pelas paredes do órgão. Contudo, o processo faz a vesícula inflar e causa dores fortíssimas no lado direto do abdome. Muitos pacientes relatam essa dor como a sensação de agulhadas. Existe ainda outra complicação, menos intensa porém frequente e incômoda. São as pequenas contrações do órgão provocadas pela ingestão excessiva de alimentos gordurosos. Essa contração pode causar mal-estar, dor de cabeça e enjoos. Há risco ainda de fazer a pedra migrar para as saídas do órgão, provocando os sintomas mais intensos. Dilema Se a paciente tem complicações agudas e sofre com os sintomas, a cirurgia é indiscutível. Mas a situação muda quando o cálculo é assintomático. ?Existem estudos conflitantes a este respeito?, afirma Averbach. ?Pessoalmente, acho que paciente jovem, com baixo risco cirúrgico, mesmo sem sintomas, deve ser operado para evitar as complicações de um quadro agudo?, defende o médico. Mas ele reconhece que outros estudos sugerem apenas o acompanhamento. A cirurgia já foi tida como um procedimento complexo e com certo risco. O corte era grande e obrigava o paciente a permanecer internado por pelo menos cinco dias. ?Hoje, o procedimento é feito por laparoscopia?, conta. Isso permite receber alta em 24 horas, sendo que a recuperação costuma ser tranquila. Se a pessoa realmente se recusar a ser operada, é preciso adotar uma dieta com baixa ingestão de calorias para contrações na vesícula. Essas contrações podem fazer a pedra se descolar e provocar sintomas dolorosos.
17/11/2010 09:34 AM
Reuters Health Foto: Getty Images Com os crescentes índices de mulheres que deixam para engravidar depois dos 40, tem aumentado também o número de estudos que buscam analisar as consequências da maternidade tardia para a saúde destas mães e de seus bebês. Para as poucas mulheres que hoje conseguem engravidar depois dos 45 anos, no entanto, os riscos de complicação são ainda maiores, apontam os especialistas. Por exemplo, essas mulheres são três vezes mais propensas do que as mais jovens de ter diabetes e hipertensão durante a gestação, afirma uma recente pesquisa publicada no periódico Jornal Americano de Ginecologia e Obstetrícia. Mulheres mais velhas também apresentam taxas mais elevadas de partos prematuros e de placenta prévia, uma condição na qual a placenta bloqueia a abertura para o canal vaginal. Para entender melhor os riscos envolvidos nas gestações maduras, Yariv Yogev e seus colegas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, analisaram dados de mulheres de diversas idades que tiveram seus bebês em um hospital local da cidade, entre 2000 e 2008. Entre as quase 80 mil grávidas que pariram durante os oito anos analisados, apenas 177 (0,2%) tinham 45 anos ou mais. A maioria delas teve seus bebês concebidos por fertilização in vitro, usando óvulos de doadoras mais jovens, e 80% tiveram seus filhos por cesariana ? mais do que o dobro da média nas mulheres em geral. Comparando as mães mais velhas com as de 44 anos ou menos, os pesquisadores constataram que 17% das primeiras tiveram diabetes durante a gestação, contra apenas 6% das últimas. E mais: 9% das mães mais velhas tiveram pressão alta enquanto estavam grávidas, uma condição que afeta menos de 3% das gestantes em geral. Placenta prévia foi observada em aproximadamente 6% das mães maduras ? o equivalente a quase seis vezes a taxa normal em grávidas mais jovens. A idade mais avançada aparentemente também reduziu o tempo de gestação. Mais de uma em cada cinco mães com 45 anos ou mais tiveram seus bebês com menos de 37 semanas de gestação (uma gravidez normal dura 40 semanas). Comparado com as mais jovens, a taxa é de uma em cada 10 mulheres. Mulheres mais velhas também foram mais propensas a ter febre e hemorragias severas depois do parto. Em média, elas e seus bebês precisaram ficar mais tempo internados e as crianças acabaram na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com mais frequência do que as nascidas de mães mais jovens. Cerca de 4% dos bebês nascidos das mães mais velhas tiveram problemas metabólicos ao nascer, como baixas taxas de glicose no sangue, contra apenas 2% dos nascidos de mães de todas as idades. Para as mães que tiveram seus filhos com mais de 50 anos os riscos foram ainda mais altos. Para os pesquisadores, a idade da mulher, por si só, nem sempre é o principal problema. Na medida em que envelhecem, elas desenvolvem doenças e condições que, por vezes, complicam a gravidez. * Por Alison McCook
16/11/2010 12:59 PM
Fernanda Aranda, iG São Paulo Foto: Getty Images Nas pistas dos bailes da saudade, as damas e os cavalheiros com mais de 60 anos podem, ao mesmo tempo, experimentar um veneno e um santo remédio para seus corações: a dança. Os passos embalados por valsa, bolero ou samba-rock conquistaram a atenção dos cardiologistas. Desde 2004, a dança frequenta os centros de reabilitação como opção terapêutica para infartados e vítimas de acidente vascular cerebral recuperarem a plena forma. Os resultados têm sido muito bons, superiores a qualquer outro tipo de exercício, mas uma preocupação com possíveis danos acarretados pelas coreografias foi lançada no último congresso brasileiro de cardiologia. ?A cautela não é difícil de entender?, afirmou Tales de Carvalho, especializado em medicina esportiva e um dos principais defensores da dança como terapia para o coração, durante sua apresentação no congresso realizado em outubro em Belo Horizonte. ?Se já constatamos que a dança de salão pode elevar a freqüência cardíaca da mesma forma que uma corrida em velocidade moderada, isso pode ser um perigo para um sedentário, que tem uma dieta ruim e decide dançar muito, depois de beber uma ou outra dose alcoólica?. Recomendações O conceito é simples. Da mesma forma que as pessoas já aprenderam a reconhecer que o futebol esporádico - aquele jogado uma vez por ano só na final de campeonato do time da empresa - pode ser prejudicial ao sistema cardiovascular, Tales de Carvalho acredita que uma consciência parecida precisa existir no caso da dança. ?Ninguém tem dúvida que o principal inimigo do coração é o sedentarismo e qualquer atividade é melhor do que nenhuma. Mas também é importante que as pessoas tenham noção sobre quais são as situações de risco para o coração?, afirma o médico. Enfrentar horas de dança sem preparo deve parecer tão ilógico quanto encarar uma corrida de 10 quilômetros sem treinar. Se além de mexer o corpo ? depois de tempos de inatividade física ? outros fatores de risco estiverem associados, como fumo e álcool, o perigo é redobrado. O cardiologista do Instituto do Coração, Rui Ramos, que pesquisa os infartos em pessoas jovens, coloca o esforço físico extremo como uma das conseqüências cardíacas ruins trazidas pelo uso de cocaína ou ecstasy nas festas que varam a madrugada. As drogas, sem a companhia da dança, já potencializam as panes no coração ? e estão relacionadas em 30% dos infartos em pessoas com menos de 40. Estes efeitos negativos podem ser acelerados pelo esforço físico demasiado, uma das sequelas dos tóxicos estimulantes. O lado bom Entre os cardiologistas, a dança então só fica contraindicada para sedentários que resolvem arriscar os passos e tirar o atraso em um único dia e também para usuários de drogas pesadas. Para todos os outros, incluindo aqueles que não sabem como abandonar o sedentarismo, o bailado é uma ótima opção. Segundo pesquisa feita pelo cardiologista Romualdo Belardinelli, professor de cardiologia da Università Politecnica delle Marche e diretor da reabilitação cardíaca do Instituto do Coração Lancisi, em Ancona, na Itália, até mesmo a valsa já pode trazer benefícios. Ele estudou 107 homens com insuficiência cardíaca, dividido em três grupos. Um deles fez exercícios aeróbicos, com bicicleta e aeróbica. O outro dançou valsa, alternando velocidade lenta e rápida, durante 21 minutos. A terceira turma não fez nada. A recuperação dos batimentos cardíacos depois de oito semanas foi semelhante nos grupos que fizeram ginástica e dançaram valsa, com a vantagem da dança, como definiu Tales de Carvalho em seu artigo no jornal da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ser lúdica. ?Acreditamos que a vantagem da dança decorreria, não de aspectos objetivos, mas, principalmente, do aspecto lúdico e prazeroso por ela proporcionado, o que poderia contribuir para um ganho adicional da qualidade de vida?, escreveu. Boa para tudo José Sanches, aposentado e com quase 84 anos completos, sabe dos benefícios que as coreografias podem trazer. Depois de passar no médico e ter autorização para frequentar os bailes, ele viu o bolero ajudar na recuperação das dores nas costas e pernas, ?de forma muito mais gostosa do que a fisioterapia?. O coração dele também foi afetado. Circulando pelas pistas, José conheceu Antonieta, 62 anos, hoje a ?dona? de seus batimentos cardíacos.
15/11/2010 12:00 PM
iG São Paulo Diabetes é uma doença crônica, que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não pode utilizar eficazmente a insulina que produz. Isto leva a um aumento da concentração de glicose no sangue (hiperglicemia). O diabetes tipo 1 (anteriormente conhecido como insulino-dependente ou diabetes de início na infância) é caracterizada pela falta de produção de insulina. O diabetes tipo 2 (anteriormente chamado de não-insulino-dependente ou diabetes do adulto) é causada pelo uso ineficaz do corpo de insulina. Resulta muitas vezes de excesso de peso e inatividade física. O diabetes gestacional é a hiperglicemia que é reconhecido pela primeira vez durante a gravidez.
13/11/2010 05:46 PM


