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AFP

Agência americana definiu uma área quase do tamanho da França para proteger a espécie ameaçada de extinção

Foto: Getty Images

Os Estados Unidos criaram nesta quarta-feira no Alasca (noroeste) uma zona de hábitat protegido para os ursos polares que vivem nos mares gelados, cujo derretimento ameaça a sobrevivência da espécie. A iniciativa pode pesar sobre projetos de prospecção de petróleo e gás no Ártico.

A agência americana de Pesca e Vida Silvestre definiu uma zona de 484 mil quilômetros quadrados (pouco menor que a superfície da França) na qual qualquer projeto que possa ter impacto sobre o modo de vida dos ursos polares deverá ser objeto de um exame minucioso.

"Esta qualificação de 'zona de hábitat protegido' nos permite trabalhar com nossos parceiros para garantir que o que eles fazem não afete as populações de ursos polares", explicou Tom Strickland, responsável pela pesca, parques e faunas do ministério de Assuntos Internos.

"Entretanto, a maior ameaça que pesa sobre os ursos polares é o derretimento de seu hábitat - o mar de gelo no Ártico - causado por mudanças climáticas, das quais o responsável é o ser humano", estimou.

A criação deste espaço não significa o fim das perfurações e outras atividades do gênero, mas permite identificar "zonas geográficas cujas características são essenciais para salvaguardar o urso e que requerem uma gestão e uma proteção particulares", segundo a agência de Pesca e Vida Silvestre.

Os Estados Unidos incluíram o urso polar na lista de espécies ameaçadas.

O Ártico abriga 90 bilhões de barris de petróleo e enormes reservas de gás, segundo o Instituto de Geofísica americano (USGS).

AFP

Cidade prepara reforços policiais e militares para garantir que conferência da ONU aconteça sem problemas

Seis mil policiais e militares começaram a ser mobilizados no balneário mexicano de Cancún para reforçar a segurança e prevenir possíveis protestos de ativistas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP16), que começa na próxima segunda-feira.

"Entre 5.000 e 6.000 efetivos de segurança locais e federais participarão" das operações que, desde esta semana, começam a ser realizadas na cidade, informou à AFP Miguel Ángel Ramos, secretário de Segurança Pública do estado de Quintana Roo, onde fica Cancún.

Participarão, ainda, mais de 700 homens da Marinha que, a partir da quinta-feira estarão em vários pontos de Quintana Roo para realizar operações de vigilância tanto em terra quanto no mar, informou à imprensa a Zona Naval militar de Cancún.

Os homens da Marinha terão o apoio de 15 barcos militares que vigiarão a costa do Caribe mexicano antes do fim de semana, inclusive um navio hospital.

A este contingente militar se somarão elementos da polícia federal mexicana que se encarregarão da vigilância, principalmente nos hotéis designados como sedes e hospedagens para a conferência, da qual participarão representantes de mais de 194 países.

"Os elementos estão preparados para dar viabilidade e segurança ao destino turístico, tanto para os visitantes quanto para a cidadania" de Cancún, explicou Ramos.

Autoridades policiais de Quintana Roo estavam reunidas esta quarta-feira com comandos da guarda presidencial mexicana, a Marinha e a Polícia federal para detalhar a operação.

Ramos disse que 25.000 pessoas estarão presentes em Cancún durante a conferência, que se estenderá até 10 de dezembro.

Os arredores da chamada "Vila Climática", onde será celebrada uma reunião paralela, com a participação de especialistas e ONGs, serão objeto de uma vigilância especial por parte da polícia local.

Segundo Ramos, nas proximidades da "Vila Climática" foram instaladas quatro torres de sete metros de altura, de onde serão vigiados elementos da corporação.

De acordo com a chancelaria mexicana, 12 mil pessoas assistirão à "Vila Climática", que terá conferências e eventos culturais relacionados ao problema das mudanças climáticas.

Adriano Ceolin, iG Brasília

Tucano teve reunião em Brasília com integrantes da bancada da oposicionista do Senado e da Câmara

Candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB, o ex-governador paulista José Serra afirmou nesta quarta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ?está deixando uma herança bastante adversa para o próximo governo?. Ele evitou opinar sobre a formação do ministério da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).

Serra esteve em Brasília, onde se reuniu com integrantes da bancada do Senado e da Câmara. O tucano também rebateu às críticas feitas por Lula em entrevista a um grupo ?blogueiros progressistas?. Segundo o presidente, Serra deveria pedir desculpas pela ?farsa do episódio da bolinha de papel?.

?Se alguém que deve (pedir desculpas) é o presidente Lula porque, como foi comprovado, foi um outro objeto atirado e, inclusive, está filmado. Acontece que o presidente Lula não perde o costume. Continua fazendo campanha?, disse.

Serra afirmou que Lula já deu início para sua volta à Presidência em 2014: ?Talvez ele já tenha começado sua campanha para 2014 dizendo mentiras. Inclusive muito pouco apropriadas para a figura de um presidente da República. Mas ele não dá muito importância a isso. Veja o número de vezes que ele foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral?.

Em seguida, o tucano afirmou que Lula deixará problemas para o futuro governo Dilma Rousseff. ?(Ele) está deixando uma herança bastante adversa para o ano que vem. Há vários problemas saltando do armário?, disse.

Segundo Serra, a economia está com inflação ascendente e taxa de câmbio super valorizada: ?Que está desindustrializando o país. Ao mesmo tempo atividade econômica está caindo. Lula está deixando um nó para o próximo governo?, completou.

Serra afirmou que está em busca de trabalho, mas negou que irá ocupar algum cargo no PSDB. Aliados próximos não descartam uma eventual candidatura para a presidência do partido. Outra opção seria a presidência do Instituto Teotônio Vilella, que é vinculado ao PSDB
 

Márcio Apolinário, especial para o iG

Ele apontou o único maior de idade como um dos principais responsáveis pela agressão; delegado vai pedir prisão preventiva dele


A vítima que foi atacada com uma lâmpada fluorescente na Avenida Paulista, no último dia 14, reconheceu todos os cinco agressores em depoimento nesta quarta-feira no 5º Distrito Policial e apontou o único maior de idade do grupo, Jonathan Lauto Domingues, de 19 anos, como um dos principais responsáveis pela agressão. A vítima é a que aparece em imagens de câmera de segurança divulgadas no último dia 18.

Segundo o delegado José Matallo Neto, responsável pelo caso, a testemunha afirmou que Domingues participou dos ataques imobilizando a vítima pelo pescoço para que o resto do grupo pudesse agredi-lo. ?O rapaz desmentiu a versão apresentada nesta tarde pelo advogado de Domingues, Édio Dalla Torre Júnior, que alegava a inocência de seu cliente e argumentou que as imagens não mostram Jonathan agredindo nenhum dos rapazes?, explicou Matallo Neto.

Ainda segundo o delegado, a vítima afirmou que enquanto apanhava Domingues dizia aos colegas: ?podem bater que agora ele está seguro?.

O delegado também informou que o inquérito está concluído e todas as petições do advogado de Domingues foram negadas. Com isso, o delegado afirmou que pedirá a prisão preventiva do jovem. Segundo o delegado, existem provas suficientes para indiciar Domingues por lesão corporal gravíssima e formação de quadrilha. Matallo também adiantou que recomendará ao Ministério Público que acrescente tentativa de homicídio ao processo. ?Nos vídeos fica nítido que a vitima é atacada brutalmente e que várias vezes ela recebe chutes na cabeça e no tórax e inclusive ela chega a desmaiar. Se eles não estavam tentando matar o rapaz, não sei o que queriam?, afirmou o delegado.

Nesta terça-feira, a 1ª Vara da Infância e Juventude de São Paulo decretou a internação provisória dos quatro adolescentes envolvidos nos atos violentos.
 

Luísa Pécora, iG São Paulo

Casada com o líder sul-africano, ativista recebe homenagem da USP em seu nome e diz que a África ?está mudando para melhor?

Foto: Luísa Pécora

A ativista de direitos humanos moçambicana Graça Machel, de 65 anos, recebeu nesta quarta-feira uma homenagem da Universidade de São Paulo (USP) em nome do marido, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela (1994-1999). O líder foi reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa, maior homenagem concedida a alguém que não fez carreira na USP.

Em seu discurso de agradecimento, Graça disse ?thank you very much? imitando a voz grossa do marido. Depois da brincadeira, afirmou estar emocionada e justificou a ausência de Mandela, de 92 anos, dizendo que ele se retirou da vida pública e não faz mais viagens internacionais.

Graça garantiu que ele receberá o título com ?grande honra? por causa da participação das universidades na formação dos jovens. ?A lei da natureza implica que ele poderá não apenas se retirar da vida pública, mas também deixar este mundo?, afirmou. ?Seu maior desejo é sentir que as instituições e a juventude, em particular do Hemisfério Sul, continuarão as lutas justas e criarão um mundo de igualdade para todos.?

A moçambicana fez a palestra de abertura do 1º Seminário Internacional do Centro Ruth Cardoso, que discute democracia, empreendedorismo social e desenvolvimento sustentável. Ao encontrar o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), ela lhe entregou um presente enviado por Mandela: uma cópia em inglês de seu mais recente livro, ?Conversas que Tive Comigo?.

Graça é a terceira mulher de Mandela. O líder foi casado com Evelyn Ntoko Mase por mais de uma década até 1955, quando o divórcio foi oficializado. Em 1968 ele se casou com Winifred Nomzamo Zanyiwe Madikizela, conhecida como Winnie, de quem se divorciou em 1992.

Mandela assumiu o relacionamento com Graça Machel em 1996 e oficializou a união dois anos depois, no dia de seu aniversário de 80 anos. Desde então, a moçambicana passou a acompanhar o sul-africano em viagens humanitárias e se tornou sua grande companheira. Hoje, os dois vivem em Johanesburgo.

Graça também já havia sido casada antes, com o ex-presidente de Moçambique Samora Machel, morto em um acidente de avião em 1986. Em uma entrevista ao jornal "The Washington Post", ela disse que era "muito fácil" amar Mandela. "A parte mais maravilhosa da nossa história é o fato de termos passado por experiências dolorosas, para então nos conhecermos", afirmou.

Mudança

No seminário, Graça falou com otimismo sobre o futuro do continente africano, apesar dos desafios sociais ?enormes?. ?A África está mudando para melhor?, afirmou. ?Nunca houve tanta esperança quanto agora.?

Com trabalho direcionado principalmente aos direitos das mulheres, ela comemorou o aumento da participação política das africanas que, disse, ?pagam o preço mais caro da injustiça social?. Graça considera importante a recomendação da União Africana, feita em declaração solene aprovada em 2007, para que os 53 países-membros tenham pelo menos 50% dos cargos do Parlamento e do governo ocupados por mulheres.

Segundo Graça, Ruanda já superou a meta, tendo 56% de mulheres no Parlamento e 50% no governo. Outros países, porém, ainda não ultrapassaram 30%. ?A implementação desse tipo de política não ocorre de forma uniforme, pois cada país tem uma dinâmica?, explicou. ?Mas, em geral, há um esforço para aumentar a participação feminina nos órgãos centrais.?

Atualmente, a ativista se concentra em projetos que buscam ampliar o acesso da mulher a recursos financeiros, para que possam deixar o setor informal e abrir seu próprio negócio.

Aids na África

No combate à aids na África, os avanços são poucos, ainda que alguns países observem a diminuição no índice de contaminação entre jovens e nos casos de transmissão de mãe para filho, enquanto outros ampliam o acesso da população ao tratamento. ?Há um grande esforço em termos de políticas e programas, mas não podemos dizer que algum país africano esteja realmente conseguindo conter a doença?, disse.

Os índices de contaminação em todas as faixas etárias continuam sendo mais altos entre as mulheres. Segundo Graça, as políticas de saúde direcionadas especificamente às africanas conseguem poucos resultados, porque seu ?poder de decisão? é pequeno.

?Hoje os programas buscam incluir os homens, principalmente os mais jovens, para que mudem de atitude e entendam que a luta contra aids têm de ser feita pelos dois?, afirmou, ressaltando que aspectos culturais estão no centro da questão.

?Há o conceito de que o homem africano é aquele que continua a linhagem da família. Precisamos confrontar isso e mostrar que, para continuar a linhagem, o homem precisa proteger a si mesmo e à sua mulher.?

Trajetória

A ativista afirmou que seu envolvimento com a luta pelos direitos de mulheres e crianças não foi uma ?escolha intelectual?, mas, sim, um ?compromisso de vida? motivado principalmente por experiências pessoais. Por ter perdido o pai antes mesmo de nascer, Graça cresceu tendo como referência duas mulheres: a mãe e a irmã mais velha. Apesar das difíceis condições econômicas, Graça e os cinco irmãos foram incentivados pela mãe a estudar. ?Ela me ensinou que a origem social não determina quem você é e quem você pode ser?, disse Graça. ?Cresci com a orientação de que não havia limites para o que eu poderia realizar.?

Em sua trajetória, ela destaca dois momentos: a atuação na Frente de Libertação de Moçambique, movimento fundado em 1962 que lutou pela independência do país, e a participação na elaboração de um relatório da ONU de 1990 sobre o impacto dos conflitos armados na infância. Em viagens a países tão diversos quanto Colômbia e Líbano, ela se emocionou com a realidade de mães e seus filhos. ?Até hoje me lembro dos olhos daquelas crianças?, afirmou.

Bacharel em Filologia da Língua Alemã pela Universidade de Lisboa, durante 14 anos Graça foi ministra da Educação e da Cultura de Moçambique. Hoje, lidera a organização sem fins lucrativos Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, cujo objetivo é promover a justiça social no país com participação ativa da população.

AE

Leonardo Campos Alves deu nova versão à polícia nesta quarta-feira

O ex-porteiro Leonardo Campos Alves, que havia confessado o assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  José Guilherme Villela, com a ajuda do sobrinho Paulo Cardoso Santana, deu uma nova versão nesta quarta-feira. O ex-ministro foi morto em agosto de 2009 com 73 facadas junto com a mulher e a empregada.

Ele disse em depoimento ao delegado Luiz Julião Ribeiro, diretor da Coordenadoria de Crimes contra a Vida (Corvida), o quinto dirigente a entrar no caso, que o crime foi encomendado pela arquiteta Adriana Villela, filha do casal. Disse também que não participou diretamente da execução - apenas deu apoio logístico aos assassinos - e deu o nome de um terceiro criminoso, Francisco Naérlio, de 22 anos, preso nesta quarta.

Para o promotor Maurício Miranda, a nova versão reforça a tese, da qual está convencido, de que Adriana teve envolvimento direto na execução dos pais. "Ela tinha relação conflituosa com os pais por disputa de dinheiro e a perícia encontrou digitais dela no apartamento datadas do dia do crime", explicou. Adriana nega e seus advogados pediram o afastamento da Corvida das investigações por falta de isenção, segundo explicou o advogado Rodrigo Alencastro.

Até agora a polícia deu quatro versões diferentes para o crime, prendeu dez suspeitos - depois soltos por falta de provas e trocou a investigação de mãos três vezes entre delegacias. Primeiro prendeu três pessoas na periferia de Brasília, em cuja casa foi encontrada uma chave dos fundos da casa dos Villela. Depois se descobriu que a chave era a mesma fotografada na casa da vítima e "plantada" para incriminar os rapazes, pobres e com passagem pela polícia.

Responsável pelas prisões, por sugestão de uma vidente, a delegada Martha Vargas, da 1ª DP, foi afastada do caso, que passou à responsabilidade da (Corvida), comandada por Mabel de Faria. Ela apontou Adriana como única autora do crime. A 8ª DP, comandada por Deborah Menezes, amiga de Martha, correu por fora e comprovou a participação de Leonardo, que confessou o crime. Mas a Justiça determinou o retorno das investigações à Corvida, que acredita agora ter fechado o esclarecimento do caso com três autores materiais e um mandante.

EFE

Agência espacial precisa de mais tempo para reparar tanque de combustível externo

A Nasa postergou nesta quarta-feira o lançamento da nave Discovery do dia 3 para o dia 17 de dezembro, porque precisa de mais tempo para reparar fendas no tanque de combustível externo.

"Não estamos prontos para 3 de dezembro. Vamos voltar a tentar em 17 de dezembro", disse o diretor do programa de naves da Nasa, John Shannon, em entrevista coletiva, junto ao administrador adjunto para Operações Espaciais, Bill Gerstenmaier.

iG São Paulo

Campanha pedia que passageiros se recusassem a passar pela máquina, na tentativa de causar atrasos em aeroportos

O protesto contra scanners corporais marcado para esta quarta-feira nos Estados Unidos teve adesão de poucos passageiros. Uma campanha organizada pela internet pedia que os americanos se recusassem a passar pela máquina e causassem atrasos nos aeroportos, que estão bastante movimentados por causa do feriado de Ação de Graças nesta quinta-feira.

Segundo a Administração da Segurança dos Transportes, agência que regula o setor, o tempo médio de espera nos maiores aeroportos do país era de 20 minutos ou menos, considerado normal. Além disso, nenhum incidente sério foi registrado.

Cerca de 400 novos scanners avançados foram instalados em mais de 60 aeroportos do país para evitar potenciais ataques terroristas, mas, para alguns, essas medidas representam uma violação da intimidade. Além disso, em novembro a revista física se tornou mais invasiva, o que também irritou passageiros.

Analistas avaliam que a agência falhou ao comunicar as mudanças ao público. Quando os procedimentos de revista manual foram intensificados, por exemplo, a agência se recusou a responder perguntas básicas, alegando motivos de segurança.

O vazio criado pelas perguntas sem resposta foi preenchido por queixas quanto à falta de privacidade e quadros irônicos no programa de humor "Saturday Night Live".

Patrick Smith, que escreve a coluna Ask the Pilot (Pergunte ao Piloto, em tradução livre) no Salon.com, acredita que não se deve ?agredir as pessoas? e tratá-las como possíveis terroristas apenas porque elas querem voar. Para ele, a agência deve agilizar suas operações de segurança e realocar funcionários para realizar uma varredura mais minuciosa nas bagagens em busca de bombas e explosivos.

"Nós não podemos nos proteger de todas as ameaças possíveis e precisamos reconhecer isso", disse Smith. "Sempre haverá uma maneira para um criminoso com recursos suficientes contornar as medidas que colocamos em prática".

Ameaça

Diretor de segurança federal do Aeroporto Internacional Thurgood Marshall Baltimore, em Washington, Philip Burdetter afirma que as medidas de segurança foram reforçadas por causa de ameaças, ?especialmente depois de Umar Farouk Abdulmutallab", nigeriano acusado de tentar explodir um avião sobre Detroit com explosivos escondidos na cueca no último Natal.

Burdette supervisiona o trabalho de 700 agentes que avaliam até 40 mil passageiros por dia ? dos quais menos de 3% são revistados ?, e que muitas vezes são tratados como executores mecânicos fantasiados de policiais.

Essa percepção já foi tão difundida e os agentes se sentiam tão assediados que dois anos atrás a TSA mudou a camisa do seu uniforme para azul e adotou emblemas dourados para substituir os crachás. A agência também iniciou uma campanha interna chamada IGYB ? sigla para "I've Got Your Back? (Eu Cuido de Você, em tradução livre).

Em troca de benefícios e um salário que começa em US$ 12,85 por hora, estes agentes desarmados engolem a irritação dos outros, aplicam métodos de segurança que se intensificam a cada dia, abafam o constrangimento que possam ter a respeito de tocar outras pessoas - ah, e estão sempre alerta para bombas, recipientes contendo líquidos, objetos cortantes, ingredientes explosivos e o próximo Abdulmutallab.

"Eu quero que eles pensem em Abdulmutallab em cada revista", disse Burdette.

Kristin Wade, 27 anos, orienta passageiros durante a passagem pelo scanner corporal. Com um fone de ouvido sem fio ela se comunica com outro funcionário, que fica em uma cabine fechada estudando as imagens captadas pelo aparelho. Se este funcionário avistar uma sombra que não deveria estar lá, notifica Wade, que então realiza uma revista corporal para encontrar, invariavelmente, um conjunto de chaves ou um telefone celular.

Outro agente de segurança do aeroporto de Washington, Patrick Simmons, 50 anos, afirma que as queixas de passageiros têm crescido conforme aumentam as medidas de segurança. Segundo ele, as pessoas entendem o procedimento "contanto que você explique as coisas com voz calma".

Com AP e The New York Times

The New York Times

Suposto insurgente disposto a buscar fim de conflito participou de discussões de alto nível entre autoridades afegãs, EUA e Otan

Foto: AP

Durante meses, o desenrolar de negociações secretas entre o Taleban e os líderes do Afeganistão para encerrar a guerra parecia promissor, mesmo que apenas por causa da aparência de um determinado líder insurgente em uma extremidade da mesa: mulá Akhtar Mohammad Mansour, um dos comandantes mais importantes no Taleban.

Mas agora, ao que parece, Mansour não era Mansour. Em um episódio que poderia ter sido tirado de um romance de espionagem, os Estados Unidos e as autoridades afegãs dizem agora que o homem era um impostor afegão e que as discussões de alto nível realizadas com o apoio da Otan parecem ter avançado pouco.

"Não é ele", disse um diplomata ocidental em Cabul intimamente envolvido nas discussões. "E nós lhe demos um monte de dinheiro". Autoridades dos Estados Unidos confirmaram ter abandonado a esperança de que o afegão seja Mansour ou mesmo um membro da liderança do taleban.

Autoridades afegãs e da Otan disseram ter realizado três reuniões com o homem, que viajou através da fronteira do Paquistão, onde líderes do talibã se refugiaram. O líder talibã falso chegou a se reunir com o presidente Hamid Karzai, levado a Cabul em um avião da Otan e lá escoltado diretamente ao palácio presidencial, disseram as autoridades.

Atmosfera

O episódio ressalta a natureza incerta e mesmo bizarra da atmosfera na qual líderes afegãos e americanos buscam maneiras de encerrar a guerra que já dura nove anos. Acredita-se que os líderes talebans estejam escondidos no Paquistão, possivelmente com o apoio do governo paquistanês, que recebe bilhões de dólares em ajuda dos Estados Unidos.

Muitos na liderança do Taleban, que é constituída essencialmente de clérigos mal alfabetizados da zona rural, nunca foram vistos em pessoa pelas autoridades dos Estados Unidos, da Otan ou do próprio Afeganistão.

As autoridades americanas dizem estar descrentes desde o início sobre a identidade do homem que dizia ser o mulá Mansour. Sérias dúvidas surgiram depois da terceira reunião, realizada na cidade de Kandahar. Um homem que tinha conhecido Mansour anos atrás disse a oficiais afegãos que o homem na mesa não se parecia com ele.

"Ele disse que não o reconheceu?, disse o líder afegão, que falou sob condição de anonimato.

O diplomata ocidental afirmou que o homem afegão recebeu inicialmente uma soma considerável de dinheiro para participar das negociações - e para convencê-lo a retornar.

Enquanto o oficial afegão disse que ainda nutria esperanças de que o homem iria voltar para outra rodada de negociações, os Estados Unidos e outras autoridades ocidentais disseram ter concluído que o homem em questão não é Mansour. Como os americanos chegaram a essa conclusão ? se, por exemplo, eles foram capazes de estabelecer sua identidade através de impressões digitais ou por outros meios ? não se sabe.

No mês passado, autoridades americanas e afegãs tinham grandes esperanças nas negociações. Autoridades americanas disseram que eles e os oficiais de outros governos da Otan estavam ajudando a facilitar as negociações, fornecendo transporte aéreo e garantindo estradas livres para os líderes talibãs provenientes do Paquistão.

Imprensa

No mês passado, oficiais da Casa Branca pediram que o New York Times não mencionasse o nome de Mansour em um artigo sobre as negociações de paz, expressando preocupação de que as negociações seriam comprometidas ? e a vida de Mansour posta em risco ? se a sua participação fosse divulgada. O Times decidiu não veicular o nome de Mansour, juntamente com os nomes de dois outros líderes do Taleban supostamente envolvidos nas negociações. A situação dos outros dois líderes talebans supostamente envolvidos não é clara.

Desde a última rodada de discussões, que aconteceu nas últimas semanas, as autoridades afegãs e americanas ficaram intrigadas em descobrir quem é o homem. Algumas autoridades dizem que o homem pode simplesmente ter sido uma fraude, posando como um líder do Talibã, a fim de enriquecer a si mesmo.

Outros dizem que o homem pode ser um agente taleban. "Os talebans são mais inteligentes do que os americanos e o nosso próprio serviço de inteligência", disse um alto oficial afegão que está familiarizado com o caso. "Eles estão jogando bem".

Paquistão

Outros suspeitam que o líder taleban falso pode ter sido enviado pelo serviço de inteligência paquistanês, conhecido por suas iniciais, ISI. Agentes do ISI são conhecidos por fazer um "jogo duplo" no Afeganistão, garantindo a oficiais americanos que buscam o taleban enquanto, ao mesmo tempo, ajudam os insurgentes.

Pelo menos publicamente, a liderança taleban continua afirmando que não existem negociações em andamento. Em uma recente mensagem aos seus seguidores, Omar negou que houvesse qualquer negociação em qualquer nível.

"O astuto inimigo que tem ocupado o nosso país está tentando, por um lado, expandir as suas operações militares na base da sua política dupla e, por outro lado, quer jogar poeira nos olhos do povo, difundindo rumores de negociações", dizia a mensagem.

Apesar dessas declarações, alguns dirigentes do taleban demostraram vontade nas negociações de paz com representantes do governo afegão em janeiro.

Naquela época, Abdul Ghani Baradar, então vice-comandante do Taleban, foi preso em uma operação conjunta da CIA e da ISI, na cidade portuária paquistanesa de Karachi. Embora as autoridades dos dois países tenham aclamado a prisão como um marco da cooperação entre os Estados Unidos e o Paquistão, autoridades paquistanesas já indicaram ter orquestrado a prisão de Baradar porque ele estava envolvido em negociações de paz sem a permissão do ISI. Líderes afegãos confirmaram.

Identidade

Líderes afegãos e americanos não confrontaram o falso Mansour com suas dúvidas sobre a sua identidade. De fato, alguns líderes afegãos ainda mantêm a esperança de que o homem realmente seja, ou pelo menos represente, Mansour ? e que volte em breve.

"Algumas dúvidas foram levantadas sobre ele, mas ainda é possível que seja ele", disse o líder afegão que não quis ser identificado.

As reuniões foram organizadas por um intermediário afegão, com ligações tanto com o governo afegão quanto com os talibãs, informaram autoridades.

Os americanos e os líderes afegãos estavam inicialmente cautelosos em relação à identidade do homem afegão e suas motivações. Mas depois da primeira reunião, os dois lados ficaram razoavelmente satisfeitos. Várias medidas foram tomadas para estabelecer a identidade do homem, após a primeira reunião, fotos dele foram mostradas a presos do taleban que diziam conhecer Mansour. Eles confirmaram, disse o líder afegão.

Qualquer que seja a identidade do homem afegão, as negociações que se desenrolaram entre os americanos e o homem que dizia ser Mansour pareciam ter fundo, disse o líder afegão. O homem que dizia representar o talebã estabeleceu várias condições surpreendentemente moderadas para um acordo de paz: que a liderança taleban seja autorizada a voltar ao Afeganistão, com segurança, que os soldados recebam empregos e que os prisioneiros sejam libertados.

O homem afegão não exigiu, como outros talebans fizeram no passado, uma retirada das forças estrangeiras ou que uma parte do governo seja composta pelo Taleban.

Sayed Agha Mohammad Amir, antigo comandante taleban que diz ter deixado o grupo, disse em entrevista que não sabia da história do impostor. Ele negou que a liderança taleban tenha dado indícios de uma vontade de participar de negociações.

''Sempre que eu falo com os talibãs, eles nunca dizem aceitar a paz e querem continuar lutando", disse ele. "Eles não estão cansados?.

*Por Dexter Filkins e Carlotta Gall

The New York Times

Suposto insurgente disposto a buscar fim de conflito participou de discussões de alto nível entre autoridades afegãs, EUA e Otan

Foto: AP

Durante meses, o desenrolar de negociações secretas entre o Taleban e os líderes do Afeganistão para encerrar a guerra parecia promissor, mesmo que apenas por causa da aparência de um determinado líder insurgente em uma extremidade da mesa: mulá Akhtar Mohammad Mansour, um dos comandantes mais importantes no Taleban.

Mas agora, ao que parece, Mansour não era Mansour. Em um episódio que poderia ter sido tirado de um romance de espionagem, os Estados Unidos e as autoridades afegãs dizem agora que o homem era um impostor afegão e que as discussões de alto nível realizadas com o apoio da Otan parecem ter avançado pouco.

"Não é ele", disse um diplomata ocidental em Cabul intimamente envolvido nas discussões. "E nós lhe demos um monte de dinheiro". Autoridades dos Estados Unidos confirmaram ter abandonado a esperança de que o afegão seja Mansour ou mesmo um membro da liderança do taleban.

Autoridades afegãs e da Otan disseram ter realizado três reuniões com o homem, que viajou através da fronteira do Paquistão, onde líderes do talibã se refugiaram. O líder talibã falso chegou a se reunir com o presidente Hamid Karzai, levado a Cabul em um avião da Otan e lá escoltado diretamente ao palácio presidencial, disseram as autoridades.

Atmosfera

O episódio ressalta a natureza incerta e mesmo bizarra da atmosfera na qual líderes afegãos e americanos buscam maneiras de encerrar a guerra que já dura nove anos. Acredita-se que os líderes talebans estejam escondidos no Paquistão, possivelmente com o apoio do governo paquistanês, que recebe bilhões de dólares em ajuda dos Estados Unidos.

Muitos na liderança do Taleban, que é constituída essencialmente de clérigos mal alfabetizados da zona rural, nunca foram vistos em pessoa pelas autoridades dos Estados Unidos, da Otan ou do próprio Afeganistão.

As autoridades americanas dizem estar descrentes desde o início sobre a identidade do homem que dizia ser o mulá Mansour. Sérias dúvidas surgiram depois da terceira reunião, realizada na cidade de Kandahar. Um homem que tinha conhecido Mansour anos atrás disse a oficiais afegãos que o homem na mesa não se parecia com ele.

"Ele disse que não o reconheceu?, disse o líder afegão, que falou sob condição de anonimato.

O diplomata ocidental afirmou que o homem afegão recebeu inicialmente uma soma considerável de dinheiro para participar das negociações - e para convencê-lo a retornar.

Enquanto o oficial afegão disse que ainda nutria esperanças de que o homem iria voltar para outra rodada de negociações, os Estados Unidos e outras autoridades ocidentais disseram ter concluído que o homem em questão não é Mansour. Como os americanos chegaram a essa conclusão ? se, por exemplo, eles foram capazes de estabelecer sua identidade através de impressões digitais ou por outros meios ? não se sabe.

No mês passado, autoridades americanas e afegãs tinham grandes esperanças nas negociações. Autoridades americanas disseram que eles e os oficiais de outros governos da Otan estavam ajudando a facilitar as negociações, fornecendo transporte aéreo e garantindo estradas livres para os líderes talibãs provenientes do Paquistão.

Imprensa

No mês passado, oficiais da Casa Branca pediram que o New York Times não mencionasse o nome de Mansour em um artigo sobre as negociações de paz, expressando preocupação de que as negociações seriam comprometidas ? e a vida de Mansour posta em risco ? se a sua participação fosse divulgada. O Times decidiu não veicular o nome de Mansour, juntamente com os nomes de dois outros líderes do Taleban supostamente envolvidos nas negociações. A situação dos outros dois líderes talebans supostamente envolvidos não é clara.

Desde a última rodada de discussões, que aconteceu nas últimas semanas, as autoridades afegãs e americanas ficaram intrigadas em descobrir quem é o homem. Algumas autoridades dizem que o homem pode simplesmente ter sido uma fraude, posando como um líder do Talibã, a fim de enriquecer a si mesmo.

Outros dizem que o homem pode ser um agente taleban. "Os talebans são mais inteligentes do que os americanos e o nosso próprio serviço de inteligência", disse um alto oficial afegão que está familiarizado com o caso. "Eles estão jogando bem".

Paquistão

Outros suspeitam que o líder taleban falso pode ter sido enviado pelo serviço de inteligência paquistanês, conhecido por suas iniciais, ISI. Agentes do ISI são conhecidos por fazer um "jogo duplo" no Afeganistão, garantindo a oficiais americanos que buscam o taleban enquanto, ao mesmo tempo, ajudam os insurgentes.

Pelo menos publicamente, a liderança taleban continua afirmando que não existem negociações em andamento. Em uma recente mensagem aos seus seguidores, Omar negou que houvesse qualquer negociação em qualquer nível.

"O astuto inimigo que tem ocupado o nosso país está tentando, por um lado, expandir as suas operações militares na base da sua política dupla e, por outro lado, quer jogar poeira nos olhos do povo, difundindo rumores de negociações", dizia a mensagem.

Apesar dessas declarações, alguns dirigentes do taleban demostraram vontade nas negociações de paz com representantes do governo afegão em janeiro.

Naquela época, Abdul Ghani Baradar, então vice-comandante do Taleban, foi preso em uma operação conjunta da CIA e da ISI, na cidade portuária paquistanesa de Karachi. Embora as autoridades dos dois países tenham aclamado a prisão como um marco da cooperação entre os Estados Unidos e o Paquistão, autoridades paquistanesas já indicaram ter orquestrado a prisão de Baradar porque ele estava envolvido em negociações de paz sem a permissão do ISI. Líderes afegãos confirmaram.

Identidade

Líderes afegãos e americanos não confrontaram o falso Mansour com suas dúvidas sobre a sua identidade. De fato, alguns líderes afegãos ainda mantêm a esperança de que o homem realmente seja, ou pelo menos represente, Mansour ? e que volte em breve.

"Algumas dúvidas foram levantadas sobre ele, mas ainda é possível que seja ele", disse o líder afegão que não quis ser identificado.

As reuniões foram organizadas por um intermediário afegão, com ligações tanto com o governo afegão quanto com os talibãs, informaram autoridades.

Os americanos e os líderes afegãos estavam inicialmente cautelosos em relação à identidade do homem afegão e suas motivações. Mas depois da primeira reunião, os dois lados ficaram razoavelmente satisfeitos. Várias medidas foram tomadas para estabelecer a identidade do homem, após a primeira reunião, fotos dele foram mostradas a presos do taleban que diziam conhecer Mansour. Eles confirmaram, disse o líder afegão.

Qualquer que seja a identidade do homem afegão, as negociações que se desenrolaram entre os americanos e o homem que dizia ser Mansour pareciam ter fundo, disse o líder afegão. O homem que dizia representar o talebã estabeleceu várias condições surpreendentemente moderadas para um acordo de paz: que a liderança taleban seja autorizada a voltar ao Afeganistão, com segurança, que os soldados recebam empregos e que os prisioneiros sejam libertados.

O homem afegão não exigiu, como outros talebans fizeram no passado, uma retirada das forças estrangeiras ou que uma parte do governo seja composta pelo Taleban.

Sayed Agha Mohammad Amir, antigo comandante taleban que diz ter deixado o grupo, disse em entrevista que não sabia da história do impostor. Ele negou que a liderança taleban tenha dado indícios de uma vontade de participar de negociações.

''Sempre que eu falo com os talibãs, eles nunca dizem aceitar a paz e querem continuar lutando", disse ele. "Eles não estão cansados?.

*Por Dexter Filkins e Carlotta Gall

Foto: AP

Durante meses, o desenrolar de negociações secretas entre o Taleban e os líderes do Afeganistão para encerrar a guerra parecia promissor, mesmo que apenas por causa da aparência de um determinado líder insurgente em uma extremidade da mesa: mulá Akhtar Mohammad Mansour, um dos comandantes mais importantes no Taleban.

Mas agora, ao que parece, Mansour não era Mansour. Em um episódio que poderia ter sido tirado de um romance de espionagem, os Estados Unidos e as autoridades afegãs dizem agora que o homem era um impostor afegão e que as discussões de alto nível realizadas com o apoio da Otan parecem ter avançado pouco.

"Não é ele", disse um diplomata ocidental em Cabul intimamente envolvido nas discussões. "E nós lhe demos um monte de dinheiro". Autoridades dos Estados Unidos confirmaram ter abandonado a esperança de que o afegão seja Mansour ou mesmo um membro da liderança do taleban.

Autoridades afegãs e da Otan disseram ter realizado três reuniões com o homem, que viajou através da fronteira do Paquistão, onde líderes do talibã se refugiaram. O líder talibã falso chegou a se reunir com o presidente Hamid Karzai, levado a Cabul em um avião da Otan e lá escoltado diretamente ao palácio presidencial, disseram as autoridades.

Atmosfera

O episódio ressalta a natureza incerta e mesmo bizarra da atmosfera na qual líderes afegãos e americanos buscam maneiras de encerrar a guerra que já dura nove anos. Acredita-se que os líderes talebans estejam escondidos no Paquistão, possivelmente com o apoio do governo paquistanês, que recebe bilhões de dólares em ajuda dos Estados Unidos.

Muitos na liderança do Taleban, que é constituída essencialmente de clérigos mal alfabetizados da zona rural, nunca foram vistos em pessoa pelas autoridades dos Estados Unidos, da Otan ou do próprio Afeganistão.

As autoridades americanas dizem estar descrentes desde o início sobre a identidade do homem que dizia ser o mulá Mansour. Sérias dúvidas surgiram depois da terceira reunião, realizada na cidade de Kandahar. Um homem que tinha conhecido Mansour anos atrás disse a oficiais afegãos que o homem na mesa não se parecia com ele.

"Ele disse que não o reconheceu?, disse o líder afegão, que falou sob condição de anonimato.

O diplomata ocidental afirmou que o homem afegão recebeu inicialmente uma soma considerável de dinheiro para participar das negociações - e para convencê-lo a retornar.

Enquanto o oficial afegão disse que ainda nutria esperanças de que o homem iria voltar para outra rodada de negociações, os Estados Unidos e outras autoridades ocidentais disseram ter concluído que o homem em questão não é Mansour. Como os americanos chegaram a essa conclusão ? se, por exemplo, eles foram capazes de estabelecer sua identidade através de impressões digitais ou por outros meios ? não se sabe.

No mês passado, autoridades americanas e afegãs tinham grandes esperanças nas negociações. Autoridades americanas disseram que eles e os oficiais de outros governos da Otan estavam ajudando a facilitar as negociações, fornecendo transporte aéreo e garantindo estradas livres para os líderes talibãs provenientes do Paquistão.

Imprensa

No mês passado, oficiais da Casa Branca pediram que o New York Times não mencionasse o nome de Mansour em um artigo sobre as negociações de paz, expressando preocupação de que as negociações seriam comprometidas ? e a vida de Mansour posta em risco ? se a sua participação fosse divulgada. O Times decidiu não veicular o nome de Mansour, juntamente com os nomes de dois outros líderes do Taleban supostamente envolvidos nas negociações. A situação dos outros dois líderes talebans supostamente envolvidos não é clara.

Desde a última rodada de discussões, que aconteceu nas últimas semanas, as autoridades afegãs e americanas ficaram intrigadas em descobrir quem é o homem. Algumas autoridades dizem que o homem pode simplesmente ter sido uma fraude, posando como um líder do Talibã, a fim de enriquecer a si mesmo.

Outros dizem que o homem pode ser um agente taleban. "Os talebans são mais inteligentes do que os americanos e o nosso próprio serviço de inteligência", disse um alto oficial afegão que está familiarizado com o caso. "Eles estão jogando bem".

Paquistão

Outros suspeitam que o líder taleban falso pode ter sido enviado pelo serviço de inteligência paquistanês, conhecido por suas iniciais, ISI. Agentes do ISI são conhecidos por fazer um "jogo duplo" no Afeganistão, garantindo a oficiais americanos que buscam o taleban enquanto, ao mesmo tempo, ajudam os insurgentes.

Pelo menos publicamente, a liderança taleban continua afirmando que não existem negociações em andamento. Em uma recente mensagem aos seus seguidores, Omar negou que houvesse qualquer negociação em qualquer nível.

"O astuto inimigo que tem ocupado o nosso país está tentando, por um lado, expandir as suas operações militares na base da sua política dupla e, por outro lado, quer jogar poeira nos olhos do povo, difundindo rumores de negociações", dizia a mensagem.

Apesar dessas declarações, alguns dirigentes do taleban demostraram vontade nas negociações de paz com representantes do governo afegão em janeiro.

Naquela época, Abdul Ghani Baradar, então vice-comandante do Taleban, foi preso em uma operação conjunta da CIA e da ISI, na cidade portuária paquistanesa de Karachi. Embora as autoridades dos dois países tenham aclamado a prisão como um marco da cooperação entre os Estados Unidos e o Paquistão, autoridades paquistanesas já indicaram ter orquestrado a prisão de Baradar porque ele estava envolvido em negociações de paz sem a permissão do ISI. Líderes afegãos confirmaram.

Identidade

Líderes afegãos e americanos não confrontaram o falso Mansour com suas dúvidas sobre a sua identidade. De fato, alguns líderes afegãos ainda mantêm a esperança de que o homem realmente seja, ou pelo menos represente, Mansour ? e que volte em breve.

"Algumas dúvidas foram levantadas sobre ele, mas ainda é possível que seja ele", disse o líder afegão que não quis ser identificado.

As reuniões foram organizadas por um intermediário afegão, com ligações tanto com o governo afegão quanto com os talibãs, informaram autoridades.

Os americanos e os líderes afegãos estavam inicialmente cautelosos em relação à identidade do homem afegão e suas motivações. Mas depois da primeira reunião, os dois lados ficaram razoavelmente satisfeitos. Várias medidas foram tomadas para estabelecer a identidade do homem, após a primeira reunião, fotos dele foram mostradas a presos do taleban que diziam conhecer Mansour. Eles confirmaram, disse o líder afegão.

Qualquer que seja a identidade do homem afegão, as negociações que se desenrolaram entre os americanos e o homem que dizia ser Mansour pareciam ter fundo, disse o líder afegão. O homem que dizia representar o talebã estabeleceu várias condições surpreendentemente moderadas para um acordo de paz: que a liderança taleban seja autorizada a voltar ao Afeganistão, com segurança, que os soldados recebam empregos e que os prisioneiros sejam libertados.

O homem afegão não exigiu, como outros talebans fizeram no passado, uma retirada das forças estrangeiras ou que uma parte do governo seja composta pelo Taleban.

Sayed Agha Mohammad Amir, antigo comandante taleban que diz ter deixado o grupo, disse em entrevista que não sabia da história do impostor. Ele negou que a liderança taleban tenha dado indícios de uma vontade de participar de negociações.

''Sempre que eu falo com os talibãs, eles nunca dizem aceitar a paz e querem continuar lutando", disse ele. "Eles não estão cansados?.

*Por Dexter Filkins e Carlotta Gall

iG São Paulo

Criminosos incendiaram carros, roubaram motoristas e causaram pânico

iG Rio de Janeiro

Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes não teve prejuízos, mas sofreu com a falta de funcionários

Os ataques organizados pelo tráfico na cidade do Rio não afetaram o movimento da indústria hoteleira. O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, informou que, até o momento, não há notícia de cancelamento de reservas em hotéis no Rio.

Em nota divulgada à imprensa, a assessoria do SindRio (Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio) também assegurou que os ataques não causaram maiores prejuízos para o setor.

"Apesar da sensação de insegurança com os ataques de traficantes em diversos bairros do Rio, nos últimos quatro dias (até terça à noite), o movimento nos bares e restaurantes da cidade foi o mesmo que nos demais dias do mês. O SindRio ouviu gerentes e proprietários de cerca de 30 estabelecimentos em Copacabana, Centro, Ipanema, Tijuca e Barra e apurou que a frequência de clientes não foi menor, mesmo que todos estejam apreensivos com a possibilidade de novas investidas. O maior impacto foi a falta de funcionários. Cerca de 40% dos estabelecimentos pesquisados operaram sem a equipe completa, por problemas no deslocamento de casa até os bairros citados."

 

 


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