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National Geographic

Tubarão branco, normalmente, ignora peixes pequenos e segue em busca de banquetes mais substanciosos

Foto: National Geographic

Um grande tubarão branco nada, desinteressadamente, entre cardume de pequenos peixes. Provavelmente, os peixinhos são muito pequenos para o tubarão se incomodar em persegui-los. Os grandes tubarões brancos têm coloração cinza escuro no dorso e a parte da frente do corpo é branca. As duas cores ajudam o animal a se camuflar e conseguir colocar suas presas em emboscadas.

BBC Brasil

De acordo com pesquisadores, explosão populacional de roedores está associada à abundância de alimentos, como semente de bambu

Foto: University of Greenwich

Um peste de ratos que ocorre uma vez a cada 50 anos está devastando plantações no sudeste da Ásia, provocando fome em muitas regiões.

Pesquisas confirmaram que a explosão da população de roedores é causada pela abundância de alimentos, em particular de uma semente de bambu.

Segundo cientistas, o fenômeno é um exemplo de como a simples relação entre duas espécies ? uma vegetal e um pequeno roedor ? pode virar toda a ecologia de pernas para o ar e destruir a agricultura.

Os pesquisadores também advertiram que as mudanças climáticas poderão propiciar o surgimento de uma população de ratos ainda maior no futuro, agravando o problema.

Rara ocasião
Florestas da espécie de bambu Melcocanna baccifera cobrem mais de 26 mil quilômetros quadrados no nordeste da Índia, se estendendo até Mianmar e Bangladesh.

Delas, os agricultores extraem material usado na construção, no vestuário e até na alimentação das populações locais.

A espécie, inestimável para os humanos, aniquilou outras espécies ?competidoras? na região e transformou toda a área em uma espécie de ?carpete? de florestas.

A questão é que, aproximadamente a cada de 50 anos, o ciclo de vida do bambu chega ao fim e esse carpete morre. Independentemente das condições ambientais da época, algo no relógio biológico da espécie avisa à planta que é hora de florescer, lançar sementes e morrer.

"Quando as sementes de bambu caem, o que sobra são 80 toneladas de sementes por hectare", explica o ecologista da Universidade de Greenwich, em Londres, Steve Belmain.

"Ou seja, são 80 toneladas de alimentos no chão, esperando para serem consumidas."
Belmain diz que a mais recente fase de florescimento das plantas, que começou em 2004 e deve continuar até 2011, é uma oportunidade única de estudar um evento que ocorre geralmente uma vez em cada século.

"Antes disso, tudo o que tínhamos eram os relatos de 50 anos atrás", disse o pesquisador à BBC.

"Eles tinham se tornado lenda, porque muita gente que hoje vive na região nem estava viva na última ocasião. São muitas as histórias fantásticas que dificultam a separação entre realidade e ficção."

Prejuízos
Para os fazendeiros da região, o maior problema é que as de arroz ficam especialmente vulneráveis às pestes durante este período.

Belmain diz que, quando os ratos chegam, muitos agricultores nem se dão ao trabalho de fazer o plantio. Apenas aceitam a realidade.

 

EFE

Expectativa é que após Conferência do Clima, países emergentes também se comprometam a cortar emissões de dióxido de carbono

A XVI Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP-16), que começa no dia 29 de novembro em Cancún, tentará se transformar na primeira reunião climática a permitir a criação de novos instrumentos que combatam o aquecimento do planeta, tanto nos países industrializados, como no mundo em desenvolvimento.

O secretário do Meio Ambiente mexicano, Juan Rafael Elvira, sustentou que a reunião buscará o "profundo" compromisso dos países mais poluentes, e outro "recíproco" dos menos desenvolvidos, ainda não vinculados a tratados internacionais, que os obriguem a cortes.

De partida, o México já descartou um acordo global sobre redução de emissões após um "difícil, longo e complexo" processo de negociação de quase um ano, mas está convencido de que em Cancún pode haver avanços substanciais.

O presidente Felipe Calderón, que será a liderança política da reunião, assinalou este mês em Seul que o mundo está "em possibilidade de adotar um pacote amplo de decisões" na luta climática.

Em matéria de adaptação, como são conhecidas as fórmulas para minimizar o impacto negativo dos desastres naturais aguçados pelo aquecimento global, "há um amplo acordo sobre um marco institucional específico para apoiar as medidas nos países em desenvolvimento", segundo o governante.

Incentivador há anos da criação de um Fundo Verde para canalizar as ajudas, Calderón acha possível que isso ocorra na COP-16, e que fique assegurada a coordenação desse mecanismo com "as instituições financeiras internacionais e fluxos bilaterais" de cooperação já existentes, muitos deles com a União Europeia (UE).

O maior obstáculo para a cúpula continua sendo a mitigação os cortes de dióxido de carbono (CO2) e outros gases causadores do efeito estufa, já que existem promessas, mas não uma forma clara de como executá-las.

"Em Cancún, estes compromissos devem ser fixados", assinalou Calderón, que, no entanto, acha "muito difícil" que seja concretizada na COP-16 a segunda fase do Protocolo de Kioto, o único instrumento legal e vinculativo de redução de gases existente.

A longo prazo, a grande aspiração continua sendo manter "abaixo de dois graus centígrados" o aumento da temperatura da Terra no século XXI.

Estão previstos, além disso, progressos em transferência de tecnologias limpas, uma área na qual a Índia está muito comprometida.

Outro país emergente, que será fundamental em Cancún, é a China, que junto aos EUA gera 50% das emissões de CO2 à atmosfera pela alta dependência de sua economia ao carvão.

"Pedimos abertamente o apoio que precisamos para chegar a resultados adequados na COP-16", disse Elvira, que está em permanente comunicação com seu colega chinês, Zhou Shengxian.

O gigante asiático e as demais potências emergentes do BRIC (Índia, Brasil e África do Sul) pediram que as nações industrializadas sejam as que mais se esforcem para conseguir, em 2011, um pacto global de redução de gases.

Em outubro, ressaltaram a responsabilidade histórica que as economias desenvolvidas deveriam ter com esse fim e pediram que a COP-16 permita "aplanar o caminho para conseguir um resultado vinculativo no próximo ano", em Johanesburgo.

Outro bloco chamado por ter protagonismo em Cancún é a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), que não reconheceu o resultado de Copenhague no ano passado por ter sido elaborado na última hora entre poucos países ricos.

"Nós consideramos que eles entenderam com mais clareza, de um país vizinho e irmão, a mensagem de transparência, de abertura, de inclusão do México, para que possam nos ajudar a somar estes acordos que nos trazem benefícios, primeiro a nós, e depois para muitos outros países", explicou Elvira.

Reuters

Agência reguladora americana permitiu testes em pacientes com distrofia macular de Stargardt, que causa cegueira progressiva

Foto: Getty Images

Uma empresa norte-americana anunciou nesta segunda-feira (22) que recebeu autorização da FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos) para testar células-tronco embrionárias em pacientes com distrofia macular de Stargardt, uma forma progressiva de cegueira.

Esta é a segunda vez que os EUA autorizam testes com células-tronco embrionárias em humanos. A empresa Advanced Cell Technology disse que irá testar o tratamento em 12 pacientes.

No mês passado, a Geron Corp. recebeu o primeiro voluntário para uma experiência com o uso de células-tronco em pessoas com lesão grave de coluna.

Células-tronco são uma espécie de "livro de receitas" do organismo, capaz de dar origem a qualquer tipo de tecido do organismo. Elas são mais abundantes em embriões, e cientistas afirmam que novas técnicas podem levar à cura de diversas doenças e lesões. Mas muitos se opõem às pesquisas por envolverem a destruição de embriões humanos.

No ano passado, o governo dos EUA revogou as restrições que existiam ao uso de verbas federais para essas pesquisas, mas o assunto é objeto de uma disputa judicial.

A distrofia macular de Stargardt normalmente se manifesta antes dos 20 anos de idade e causa degeneração do epitélio pigmentado da retina. Atualmente, não existe tratamento.

 

BBC Brasil

Projeto está usando scanner a laser para produzir imagens tridimensionais

Uma equipe de arqueólogos da cidade de Nottingham, no centro da Inglaterra, está usando um scanner a laser para produzir imagens tridimensionais de uma famosa rede de cavernas artificiais da cidade.

Até agora eles documentaram 35 das 140 cavernas acessíveis, escavadas a partir da Idade Média.

O projeto começou em março de 2010. ?Nós registramos um grande número de cavernas nesse período, com diferentes idades e usos?, diz o arqueólogo David Walker.

As cerca de 450 cavernas de Nottingham foram exploradas de diferentes formas ao longo dos anos, sendo usadas como calabouços, depósitos de cerveja, fossas e abrigos antiaéreos.

O mapeamento, que deve durar dois anos e custar 250 mil libras (cerca de R$ 688 mil), está sendo financiado pela Universidade de Nottingham e pelo English Heritage, um órgão público responsável pelo patrimônio histórico inglês.

?As cavernas se revelaram uma parte importante da história de Nottingham por cerca de mil anos?, disse Walker.

A equipe de dois arqueólogos em tempo integral pode escanear uma caverna simples em um dia, e as informações levam dois dias para serem processadas. Cavernas maiores levam mais tempo.

O trabalho deve ser concluído em 2011. Todas as informações e imagens serão publicadas na internet no endereço www.nottinghamcavessurvey.org.uk.

AFP

Os compromissos de cada cidade e seus resultados serão publicados na internet para que possam ser verificados publicamente

Mais de 135 cidades do mundo, incluindo Paris, Buenos Aires e Los Angeles, assinaram neste domingo (21) no México um compromisso voluntário de redução de emissões. Os prefeitos das cidades pretendem que o ato sirva de exemplo para o encontro mundial da ONU sobre o clima, que ocorre no fim de novembro, em Cancún.

Entre as grandes cidades que assinaram o acordo, denominado "Pacto da Cidade do México", estão Paris, Buenos Aires, Bogotá, Los Angeles, Johannesburgo e a própria Cidade do México, que tem mais de 20 milhões de habitantes.

Os prefeitos e autoridades locais se comprometeram "a reduzir as emissões de gases de efeito estufa voluntariamente", disse Gabriel Sánchez, presidente da ONG mexicana Fundacion Pensar, ao ler o acordo.

De acordo com o compromisso assinado em uma cerimônia pública, o valor de cada meta de redução ainda será concretizado nos próximos oito meses. Os compromissos de cada cidade e seus resultados posteriores deverão ser publicados em um registro on-line para que possam ser verificados publicamente.

Os prefeitos enviarão este acordo aos governos que irão participar da cúpula da ONU sobre mudança climática em Cancun, no dia 29 de novembro.

EFE

Segundo estudo, aumento das emissões poderá ser de 3% neste ano. China e Índia foram os que mais tiveram acréscimo nas emissões

As emissões de dióxido de carbono (CO2), o gás que mais contribui para o aquecimento do planeta, poderiam subir mais de 3% e atingir níveis recordes em 2010 se a economia continuar avançando ao ritmo atual, segundo uma equipe de especialistas na revista "Nature Geoscience".

Vários pesquisadores das universidades inglesas de Exeter e East Anglia, em colaboração com colegas de outros países, elaboraram um relatório sobre a evolução das emissões no mundo todo para contribuir com o Projeto Global de Carbono, criado em 2001 para analisar o ciclo global do gás.

O estudo assinala que, apesar da crise econômica que castigou o planeta em 2009, as emissões globais de CO2 procedente de combustíveis fósseis só estiveram esse ano 1,3% abaixo dos níveis recordes atingidos em 2008, menos da metade do que havia sido previsto.

Isto ocorreu porque, embora a crise tenha feito com que muitos países ocidentais reduzissem suas emissões (entre eles o Reino Unido, que diminuiu 8,6% com relação a 2008, EUA, Alemanha, Japão e França), houve aumento nas economias emergentes.

Assim, vários países com economias em expansão registraram um aumento de emissões, como China (8%) e Índia (6,2%).

Pierre Friedlingstein, um dos autores do estudo, assinala que a diminuição das emissões em 2009 não foi tão significativo como o esperado porque a queda do Produto Interno Bruto (PIB) mundial foi menor que o antecipado.

Além disso, a intensidade do carbono - a quantidade de CO2 por unidade de PIB - "melhorou só 0,7% no ano passado, muito abaixo de sua média a longo prazo de 1,7% anual".

O estudo conclui que, se a economia globalizada avançar ao ritmo atual, as emissões de CO2 por combustível fóssil subirão mais de 3% este ano, se situando nos valores máximos registrados entre 2000 e 2008.

A pesquisa também mostrou que as emissões globais de C02 por desmatamento desceram 25% desde 2000 em comparação com os anos 1990, principalmente pela redução das emissões de desmatamento nos trópicos.

AFP

Professor Ivan Nikichenko, 71 anos, morreu no sábado no hospital em que foi internado após acidente de carro

 

Um membro da Academia Nacional de Ciências de Belarus especializado nas consequências da catástrofe nuclear de Chernobyl faleceu em circustâncias suspeitas, informou neste domingo um político da oposição de Belarus, que não descartou a hipóteses de assasinato.

O professor Ivan Nikichenko, 71 anos, morreu no sábado no hospital em que foi internado após uma colisão entre seu automóvel e um caminhão, afirmou Vitali Rymachevski, candidato da oposição à eleição presidencial de 19 de dezembro e apoiado pelo cientista.

"Não descartamos a possibilidade de homicídio, já que o trabalho e as posições do professor Nikitchenko irritavam o governo", disse Rymachevski.

 

The New York Times

Arqueólogos afirmam que estudo que atribui à espécie de "Lucy" como primeira a usar ferramentas e comer carne está incorreto

Um relato de agosto, afirmando que os primeiros ancestrais dos seres humanos usavam ferramentas de pedra para cortar carne há pelo menos 3,4 milhões de anos, está sendo desafiado por outros pesquisadores ? que afirmam que o estudo interpretou de maneira incorreta marcas de corte em ossos animais.

Espécie de "Lucy" já usava ferramentas e comia carne

?Elas se parecem com marcas de cortes feitas por ferramentas de pedra, mas não são?, afirmou Manuel Dominquez-Rodrigo, arqueólogo da Universidade Complutense, em Madri, e um dos autores do novo relato, publicado em ?The Proceedings of the National Academy of Sciences?. ?Eles são bastante diferentes quando examinados de forma microscópica?.

Análises microscópicas e comparações com outros ossos revelaram que as marcas eram mais como arranhões causados por animais pisando nos ossos, disse ele.

O primeiro estudo, conduzido por uma equipe internacional de paleo-antropólogos, arqueólogos e geólogos ? incluindo Shannon P. McPherron, arqueóloga do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, na Alemanha, e Zeresenay Alemseged, paleoantropóloga etíope da Academia de Ciências da Califórnia ?, propôs que a espécie Australopithecus afarensis, que viveu na Etiópia, Quênia e Tanzânia, usava ferramentas feitas com pedras.

A espécie é mais conhecida por um esqueleto chamado Lucy. Graças a seus grandes dentes, supôs-se que eles seriam principalmente vegetarianos.

Porém, os cientistas que encontraram os ossos animais, uma costela e um fêmur fossilizados, afirmaram que as marcas de corte neles eram evidências indiscutíveis de que o Australopithecus usava ferramentas de pedra para cortar carne, pelo menos 800 mil anos antes do que se imaginava anteriormente.

Embora os ossos com as marcas estivessem descobertos, não foram encontrados restos de ferramentas na região, afirmou Dominguez-Rodrigo.

Isso fez com que ele e alguns de seus colegas ficassem desconfiados. Uma análise microscópica dos ossos validou suas dúvidas, afirmou ele.

Isso significa que os cientistas precisam retornar à data inicial de quando as ferramentas de pedra foram inicialmente usadas para cortar carne, cerca de 2,5 milhões de anos atrás, segundo ele.

?Precisamos voltar a essa data mais recente que tínhamos?, disse Dominguez-Rodrigo. ?Essas são as evidências mais antigas que podemos identificar para o consumo de carne pelos humanos?.

The New York Times

Pássaro da Califórnia ameaçado de extinção está produzindo ovos anormais

Foto: Getty Images

Quatro anos atrás, numa cavidade forrada de folhas no tronco de uma sequoia de 60 metros, dois condores da Califórnia fizeram a primeira tentativa de formar um ninho nesta região em mais de um século.

Joe Burnett, renomado biólogo da vida selvagem da Ventana Wildlife Society e principal biólogo do programa de recuperação de condores da Califórnia Central, que estivera monitorando o casal de condores, ficou maravilhado com esse promissor desenvolvimento no esforço para salvar da extinção o maior pássaro dos EUA. Quando essa primeira tentativa de procriação não funcionou, Burnett atribuiu o fracasso à inexperiência dos jovens pássaros. Porém, quando escalou a árvore gigante para examinar o ninho abandonado, ele ficou estarrecido com o que descobriu: a primeira evidência de uma nova dificuldade para o programa de condores.

?Os fragmentos de cascas de ovo encontrados pareciam incrivelmente finos?, disse Burnett. ?Eles eram tão finos que precisamos conduzir testes para confirmar que se tratava de um ovo de condor?. Os fragmentos o lembraram dos frágeis ovos de pássaros como o pelicano-marrom e o falcão-peregrino, que foram devastados pelo DDT e hoje recomeçam a aparecer.

A descoberta levantou uma questão perturbadora: poderia o DDT ? o pesticida fatal que é proibido nos Estados Unidos desde 1972 ? causar problemas reprodutivos nos condores quase quatro décadas depois?

Para descobrir isso, a Ventana Wildlife Society, que gerencia a libertação dos condores da Califórnia Central, coletou o máximo de ovos selvagens que conseguiu. Os poucos casais de reprodução em Big Sur colocam um único ovo a cada dois anos. Biólogos da Ventana desbravam o isolado terreno da região para trocar um ovo selvagem por outro, do programa de criação em cativeiro no zoológico. O desatento casal, então, choca o ovo substituto como se fosse o seu.

Leão marinho
Além disso, os biólogos da Ventana começaram a buscar possíveis novas fontes de DDT. Os condores são comedores de carniça e, nos últimos anos, os pássaros de Big Sur se voltaram ao que era uma importante fonte de alimento, historicamente falando: os mamíferos marinhos. Agora, Burnett suspeita que animais como os leões marinhos da Califórnia podem carregar um perigo oculto aos condores. Mesmo atualmente, a gordura do leão marinho contém altos níveis de DDE, um tóxico subproduto metabólico do DDT.

Os biólogos da Ventana compararam a espessura das cascas de ovos coletadas em Big Sur com aqueles produzidos pelos condores do sul da Califórnia, um grupo que vive a muitas milhas da costa. Os pássaros do sul da Califórnia não se alimentam de mamíferos marinhos, e seus ovos são normais. Burnett afirmou que os ovos de Big Sur são ?substancialmente mais finos? do que os ovos dos pássaros do interior, e que indicadores iniciais apontam o DDT como a principal causa do afinamento.

Embora não existam fontes conhecidas de DDT perto de Big Sur, um grande ponto de DDT em sedimentos marinhos perto da costa sul da Califórnia, chamado de Recife de Palos Verdes, atraiu a atenção de Burnett ? pois fica próximo a uma área de procriação dos leões marinhos da Califórnia, que comem os peixes da região. Em seguida, os leões marinhos migram costa acima. Centenas desses animais usam uma praia rochosa perto de Big Sur como ponto de parada em sua viagem ao norte. Nos últimos anos, essa ?parada? de leões marinhos se tornou o banquete favorito dos condores de Big Sur.

O DDT que polui o Recife de Palos Verdes apareceu há meio século, com a empresa Montrose Chemical Corp. Na época, a Montrose era a maior produtora mundial do que se considerava um ?pesticida milagroso?. Segundo Carmen White, gerente do projeto de remediação da Agência de Proteção Ambiental (EPA, da sigla em inglês) para o local, nas décadas de 1950 e 60 a Montrose dispensou seus resíduos de DDT sem tratamento diretamente no sistema de esgotos do Distrito de Saneamento do Condado de Los Angeles. Estima-se que 1,7 mil toneladas tenham se assentado no fundo do mar, onde segue contaminando as águas da costa do Pacífico. A EPA declarou a área como um local do Superfundo, e White está coordenando um projeto para cobrir as partes mais contaminadas com uma camada de areia e lodo em 2012.

Segundo David Witting, biólogo de pesca para a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, a dieta determina como o DDT afeta as diversas espécies. Em 1971, quando as autoridades locais obrigaram a Montrose a interromper suas descargas, Witting afirmou que os pelicanos-marrons e outros pássaros haviam sido duramente atingidos. Os pelicanos estavam se alimentando de pequenos peixes contaminados por DDT, que absorviam o pesticida enquanto nadavam pela superfície próxima à saída do esgoto.

Assim que a Montrose parou de descarregar DDT no esgoto, essa fonte de contaminação desapareceu. ?Depois disso os pelicanos-marrons reapareceram de forma bastante rápida?, disse Witting.

James Haas, coordenador do programa de contaminantes ambientais do Serviço de Vida Selvagem e Peixes dos Estados Unidos, apontou que outros pássaros da região que se estão mais acima na cadeia alimentar, como as águias-de-cabeça-branca, continuam sofrendo com o afinamento das cascas de ovos induzido por DDT.

Preocupações a respeito dos condores e do DDT estimularam o Serviço de Vida Selvagem e Peixes a iniciar um novo projeto de um ano para estudar como os mamíferos marinhos poderiam levar DDT da Montrose até a costa californiana. A principal pesquisadora, Myra Finkelstein, da Universidade da Califórnia, também conduz um estudo de quatro anos para investigar fatores de risco e estratégias de gerenciamento para assegurar a sustentabilidade em longo prazo dos condores. Isso inclui não só o DDT, mas também intoxicações causadas pela ingestão de fragmentos chumbo, encontrados na caça a tiros. O envenenamento por chumbo foi um fator significativo na luta dos pássaros contra a extinção, e segue sendo o principal perigo atual aos condores libertados.

Em 2008, graças ao problema do envenenamento por chumbo, a Califórnia decretou uma lei exigindo o uso de munição sem chumbo na região dos condores.

Apesar do chumbo e do crescente problema com DDT, Burnett permanece otimista. Ele tem esperanças de que ações como cobrir os sedimentos marinhos contaminados, além das constantes pesquisas, proporcionarão soluções. Ele aponta que, em 1982, a população de condores da Califórnia estava reduzida a 22 pássaros. Embora os problemas continuem, a recuperação dos condores tem sido uma história de sucesso para a conservação. Hoje existem 380 condores da Califórnia no mundo todo, com a metade desses titãs do céu voando livremente no oeste dos Estados Unidos.

?Há uma luz no fim do túnel?, disse Burnett. ?Apenas não sabemos a que distância ela está?.

AE

Quando os bandeirantes seguiram a rota do Tietê, deixaram com rastro a cultura própria e também a forma de falar

Puxar o "erre" ao falar palavras como "porta", a característica mais típica do sotaque do interior de Estado de São Paulo, já foi coisa também de paulistano. A pronúncia caipira (fala-se o "erre" como no inglês) teve seu berço na capital paulista e foi propagada para o interior do território nacional pelos bandeirantes. Pesquisas ainda mostram que expressões imortalizadas em músicas de Adoniran Barbosa - como "frechada" - não se devem à imigração italiana: em São Paulo se falava assim muitos antes da chegada dos italianos.

Segundo o professor Manoel Mourivaldo Almeida, um dos coordenadores do Projeto Caipira, espécie de força-tarefa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) para registrar o falar caipira paulista, quando as bandeiras seguiram a rota do Tietê foram deixando como "rastro" uma cultura própria e sua forma de falar, com a pronúncia do "erre" chamada pelos linguistas de retroflexa. "Como eram comunidades mais isoladas que a capital, houve uma manutenção desse português", afirma.

De todas as características que marcam o dialeto caipira, é justamente o "erre" retroflexo a mais misteriosa e polêmica. Isso porque ele é a única "invenção" do dialeto - os demais traços são herança do português falado no norte de Portugal na época da colonização. "Tem muito mito em torno da pronúncia do ?erre?. Ele só existe no Brasil e numa faixa específica", diz Almeida.

Alguns linguistas defendem que a forma caipira de dizer o "erre" veio da influência do tupi no português. A língua dos índios tupinambá teria sido a influência mais óbvia, pois muitos bandeirantes falavam a língua geral, uma mistura de português e tupi. A hipótese, porém, é descartada por Almeida. "Não há registro no tupi dessa pronúncia. Ela só existiu em uma outra língua indígena, pouco conhecida, o macro-gê."

Apesar de todos os estudos, até agora o processo exato que levou esse único som do macro-gê para dentro da língua portuguesa permanece desconhecido. 

EFE

Projeto de preservação de 60 hectares em ecossistema brasileiro visa compensar as emissões de gás carbônico geradas em evento

As emissões de gás carbônico (CO2) que forem geradas pelo 10º Congresso Nacional do Meio Ambiente (Conama) na Espanha, que será realizado em Madri entre 22 e 26 de novembro, serão compensadas por um projeto de preservação de 60 hectares de Mata Atlântica no Brasil.

Foi o que anunciou Gonzalo Echagüe, presidente da Fundação Conama, na qual explicou que "uma das prioridades" desta edição do evento "é reduzir a pegada ecológica do próprio congresso".

"Embora tenham ocorridos importantes avanços nesses anos, continua havendo impacto ambiental, especialmente pelos deslocamentos", destacou Echagüe.

A nona edição estimou que tenham sido geradas quase 550 toneladas de gás carbônico.

"O Conama 10 compensará as emissões dos conferentes. Os presentes serão convidados para que as compensem com a iniciativa CeroCO2. O dinheiro será destinado à preservação de 60 hectares de Mata Atlântica virgem no Brasil, em uma paragem denominado Serra do Lucindo", no estado de Santa Catarina, explicou Echagüe.

O projeto está promovido pela ONG espanhola Acciónatura, em colaboração com a brasileira Apremavi.

"A Mata Atlântica do Brasil é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Estima-se que restam apenas 7% de sua extensão, quando originariamente havia ocupado 15% da superfície do Brasil, equivalente a 2,5 vezes do território espanhol", destacou.

O projeto consiste na preservação da Mata Atlântica virgem restante, bem como na restauração e reflorestamento de área degradada.


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