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iG São Paulo

Eles têm propriedades que vão além de nutrir o corpo e agradar ao paladar

Foto: Getty Images

Uma comida simples, um acompanhamento, uma bebida, uma fruta, um doce. Nem todo mundo sabe, mas alguns alimentos que parecem triviais na mesa do brasileiro guardam benefícios preciosos para a saúde do organismo. O Delas selecionou uma série de reportagens sobre alimentos que ajudam a enfrentar TPM, prisão de ventre, colesterol alto, mau-humor e até gula. Confira!

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Lívia Machado, iG São Paulo

Novela debate a polêmica, mas retrata assunto de forma incorreta, afirmam especialistas

Foto: Rede Globo/Divulgação

Nas novelas, temas polêmicos ou pouco debatidos na sociedade são, por vezes, mais fundamentais e atraentes do que um belo casal de protagonistas famosos.

Em Passione, da Rede Globo, o pedido de casamento entre dois primos-irmãos arrebatou a audiência e a apresentou aos espectadores uma especialidade da medicina pouco conhecida e de difícil acesso para a maioria da população brasileira: a genética.

Após a descoberta de uma relação de parentesco, a possibilidade de gerar filhos com alguma doença genética fez com que Sinval (Kayky Britto) e Fátima (Bianca Bin) procurassem um médico geneticista para saber que rumo dar ao relacionamento.

É fato que o conto global pouco reflete o mundo real. Os especialistas da área, embora agradeçam a chance de popularizar o assunto, criticam a forma como o autor abordou os riscos de uma união entre primos e o aconselhamento genético do casal em rede nacional.

Na cena, que foi ao ar esta semana, o médico revela aos personagens que os riscos são altíssimos, e sugere que optem pela adoção quando decidirem ter filhos. Salmo Raskin, diretor da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), explica que os riscos são, na verdade, relativamente baixos.

?Foi interessante quebrar o tabu sobre o tema em uma novela. Nos consultórios, a falta de informação é comprovada diariamente. A maioria das pessoas entra na consulta temerosa, baseada nos altos riscos divulgados pelo senso comum. Após o aconselhamento, ficam aliviados.?

Casais sem relação de parentesco têm 3% de chance de ter filhos com alguma anomalia genética. Para os consangüíneos, ou seja, pessoas que são parentes pelo sangue, o risco dobra, e passa a ser de 6%. ?É errado dizer que o risco é alto. Pelo contrário. A maioria dos casais tem 94% de chances de não ter filhos com nenhuma doença genética.?

Entretanto, essa matemática só traduz a realidade de um casal que não apresente histórico de doenças genéticas na família. Cabe ao médico investigar as três últimas gerações e avaliar a possibilidade de combinações negativas.

A SBGM critica a falta de critérios para sustentar a tese de que Fátima e Sinval terão filhos com alguma doença genética. Além disso, defende Raskin, nenhum geneticista orienta seus pacientes sobre qual atitude tomar. ?Optar pela adoção é uma decisão pessoal. Não cabe ao especialista sugerir absolutamente nada, apenas apresentar os riscos.?

Mayana Zatz, professora titular e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células Tronco da Universidade de São Paulo (USP), também condena a postura apresentada na novela. A médica defende que o papel do geneticista é explicar os riscos em uma linguagem clara, objetiva, apenas. "Não aconselhamos ter ou não filhos. Apontamos o coeficiente de risco, é errado indicar uma postura.?

Para facilitar o entendimento, a médica revela que costuma usar a metáfora das maçãs. A proposta é apresentar os riscos de uma forma mais palatável, em uma situação imaginária que ajude os casais a analisar com cautela. ?Imagine que você tem um risco de no máximo 10% de gerar filhos com alguma doença genética. Pense em uma mesa com 100 maçãs. Apenas 10 delas contêm um veneno mortal. Você correria o risco de escolher aleatoriamente e comer uma das frutas?? demonstra a médica.

A especialista comenta que os homens tendem a avaliar as possibilidades como menos temor. As mulheres, como carregarão as crianças por nove meses, depois do valor apresentado, julgam os riscos altos e preferem não arriscar.

Possibilidades

Do que a medicina conhece e descreve, hoje, existem mais de 10 mil doenças genéticas. Calcular as chances em casos de parentesco, por ora, no Brasil, é uma matemática cara e pouco acessível.

Clínicas de aconselhamento genético pipocam pelo País e podem cobrar de mil a 10 mil reais por exames, dependendo da doença e complexidade do gene a ser estudado. Do lado público, alguns hospitais, ligados a universidades, realizam tal serviço.

Para o diretor da SBGM, o controle e mapeamento das doenças genéticas no Brasil só poderão ser feitos quanto esse tipo de atendimento estiver presente na rede pública de saúde. O especialista defende que não é preciso desonerar os cofres das secretarias ou do Ministério para ampliar o acesso. Segundo ele, bastaria oferecer o atendimento médico.

?O geneticista pode estudar a história genética do casal e, com um cálculo no papel, sem grandes tecnologias, apresentar um coeficiente aproximado de risco.?

Nordeste

Dados apresentados no último congresso de Medicina Genética, em Salvador, mostram que o Brasil tem uma incidência altíssima em algumas regiões do nordeste para um tipo de anomalia genética conhecida como mucopolissacaridose ou MPS ? ela compromete o Sistema Nervoso Central e diversas outras partes do corpo.

No sertão da Bahia, um trabalho pontual de mapeamento e atendimento dessas populações, revelou índices de MPS alarmantes nessa região. A média mundial é de um habitante para cada 200 mil. No local, porém, há uma pessoa diagnosticada com a doença para cada cinco mil habitantes.

O motivo é simples: o índice de casamentos consanguíneos é elevado nessas populações, o que aumenta a chance de doenças genéticas na família. Tal dado, na visão dos geneticistas, serve de alerta: se existisse acompanhamento genético nessas populações, os índices poderiam ser controlados.

?Esse exemplo não indica que os riscos são altíssimos em função dos casamentos entre parentes. Há muitos anos atrás, alguém que era portador do gene dessa doença se instalou na região. Com os casamentos consanguíneos, e sem mapeamento genético, a população afetada pela doença cresceu com o passar do tempo", defende Raskin.

A especialista da USP, porém, prega cautela no discurso. ?Não podemos minimizar o problema. Em algumas populações do nordeste, o índice de doenças que provocam deficiências mentais ou físicas não é baixo. É uma questão de saúde pública, que precisa ser analisada com critérios pelas famílias.?

Reuters

Estudo realizado na China apontou tendência nas crianças nascidas em partos mais estressantes

Foto: Getty Images

Novo estudo chinês aponta que bebês que passam por um nascimento difícil, em um parto com fórceps, estão mais propensos a enfrentar problemas, como agressividade durante a infância.

Os pesquisadores acreditam que os problemas comportamentais podem estar relacionados aos altos níveis de cortisol, hormônio produzido pelo corpo durante um parto difícil e estressante. ?A associação entre o tipo de parto e psicopatologias infantis subsequentes possivelmente está relacionada à resposta do cortisol?, declararam os pesquisadores em um trabalho publicado semana passada na BJOG, revista especializada em obstetrícia e ginecologia.

Estudos anteriores constataram que os níveis de cortisol na corrente sanguínea são mais baixos em bebês nascidos através de cesarianas eletivas, seguidas de parto vaginal espontâneo. Os altos níveis de cortisol são encontrados naqueles nascidos através de parto vaginal assistido com uso de fórceps ou de vácuo-extração.

?Os níveis de cortisol vêm sendo relacionados a psicopatologias infantis. Serão necessários outros estudos, porém, para que isto seja analisado com mais detalhes?, escreveram os cientistas, chefiados pelo professor Jianmeng Liu, diretor do Instituto de Reprodução e Saúde Infantil do Centro de Ciência da Saúde da Universidade de Pequim.

Participaram do estudo 4.190 crianças chinesas nascidas em províncias ao sul do país. As crianças foram avaliadas entre os 4 e 6 anos de idade em relação a problemas como ansiedade, depressão, dificuldades de atenção, comportamento agressivo, comportamento delinquente e de reclusão.

Os pesquisadores afirmam que estes problemas foram menos frequentes em crianças que nasceram através de cesariana e mais frequentes naquelas nascidas em partos em que foram utilizados instrumentos como fórceps ou vácuo-extração.

O número de cesarianas vem aumentando na China, especialmente nas regiões mais ricas do sudoeste do país, onde os índices subiram para 56% em 2006, em relação aos 22% de 1994. O parto cesariano solicitado pelas mães é um fator de grande contribuição para tal tendência. Ele é responsável por 3,6% de todas as cesarianas realizadas no sudeste chinês em 1994 e 36% em 2006.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

Camila de Lira, iG São Paulo

Conheça as celebridades que passaram por quatro, cinco, seis... e até nove casamentos

Fabiana Schiavon, especial para o iG São Paulo

Ser uma boa madrasta é reconhecer seu papel dentro de uma família que já têm laços e problemas muito antes de sua chegada

Foto: Flavio Moraes/Fotoarena

Os contos de fada cristalizaram uma imagem nada favorável para as madrastas. Elas são mulheres que vêm tomar o lugar da boa mãe, perseguindo e explorando os filhos do casamento anterior ? quando não tentando livrar-se sumariamente deles. ?A primeira vez que uma criança escuta a palavra madrasta é nos contos de fadas, em que as personagens eram realmente más?, diz a terapeuta familiar Roberta Palermo, autora do livro ?100% Madrasta: Quebrando as Barreiras do Preconceito? (Integrare Editora), explicando um estereótipo que, embora bem contrário ao mundo real, ainda sobrevive.

Na verdade, as mulheres que se casam com pais separados já ganharam espaço e são figura comum nas novas famílias. Elas provam que é possível ter uma boa convivência com as crianças e adolescentes que ocupavam a casa antes. Mas muitas ainda cometem erros fatais. Conversamos com especialistas e mulheres que viveram essa experiência para saber quais são eles ? e como evitá-los.

1. Falar mal da mãe da criança
As madrastas surgem na vida das crianças durante a separação dos pais, um momento bastante delicado. Esse é o principal ponto que a madrasta deve entender ao entrar em uma relação. Sofrer a separação dos pais e ainda ter de conviver com uma pessoa estranha que chega já é informação suficiente para os filhos.

2. Comprar a provocação das mães que usam a criança para atingir a mulher atual
Alessandra Gomes da Silva tinha uma boa relação com a mãe de um de seus enteados. Mas logo percebeu que a mãe da outra era jogo duro. ?Quando ela mandava a menina para visitar o pai, colocava roupa suja na mochila, brigava por dinheiro?, conta. Em vez de comprar a briga, Alessandra entendeu que a criança precisava de mais carinho e atenção ? e quando estava com ela se dedicava a isso. ?Tem mulher que desconta seus ciúmes no filho. E tem madrasta que desconta na criança o que mãe faz?, compara. Para Marina Massi, doutora em psicologia pela USP (Universidade de São Paulo), o melhor é evitar o confronto, mas não se submeter indiscriminadamente ao que vem da ex-mulher. ?É preciso deixar claro que o ataque vem do outro lado e que, no fundo, a mãe não está conseguindo refazer a vida e ser feliz?, explica a psicóloga. ?Marque o seu lugar como um lugar de paz e não de guerra familiar?.

3. Tentar ser melhor que a mãe das crianças
Quando se casou, Claudia Maria da Silva Righetti conheceu seu enteado, Thiago, com 4 anos. Hoje, ele tem 29 anos e ela sempre soube dividir bem cada momento. ?Quando o Thiago casou, eu defendi que a mãe dele entrasse com o pai na igreja. Quando o filho deles nasceu, eu sempre soube que ela seria a avó. Ele acabou me escolhendo como madrinha?, conta. 

4. Manter uma rotina à parte nos finais de semana que estiver com a criança
Para construir uma relação saudável, Claudia conta que se dedicava integralmente a Thiago nos dias de visita ao pai. Criou, ao longo dos anos, uma relação de respeito e amizade, que sobreviveu até à adolescência, quando ele dava mais importância aos amigos do que à família. Claudia entrou na vida de Carlos e seu filho Thiago já refletindo sobre seu papel naquela relação familiar. ?Quando nos casamos, fiz questão que ele participasse de tudo para se sentir parte, sem achar que estava perdendo o pai dele?, conta. O casal até decidiu não ter lua-de-mel para não se afastar muito tempo da criança.

5. Medir forças com o enteado
O desafio complica quando os filhos são adolescentes. Enquanto as crianças tendem a ser mais obedientes e se adaptam facilmente, os adolescentes vivem a fase do enfrentamento. Vale redobrar a atenção para não querer ocupar o lugar da mãe ou impor novas regras. E, se houver birra, a primeira providência é conversar com o companheiro. ?É preciso explicar a situação com franqueza e pedir que ele, com muito jeito, vá falando aos poucos que eles resolveram se separar e que a madrasta não foi a culpada?, recomenda Roberta. Segundo Marina, isso ocorre quando os enteados culpam a madrasta pela separação dos pais. Entrar nesse jogo só prejudica a boa convivência de todos na família.

6. Exigir ser amada pela criança
Essas atitudes são comuns a madrastas que querem ter o lugar de ?segunda mãe? a qualquer custo. Para estas, um aviso: não há como esperar que os filhos amem a madrasta da mesma maneira que amam suas mães. ?Amor pode ser construído, mas se não acontecer, tudo bem! Uma relação muito próxima pode ser difícil, mesmo nos melhores casos?, explica Roberta. Quem deve reconhecer a dedicação da madrasta ao filho é o pai, que pode apoiá-la no seu papel de madrasta e ser um bom moderador na família.

7. Impor novas regras, invadindo o espaço dos pais

Tanto na convivência diária como nas visitas periódicas, a madrasta não deve ter o papel de educar as crianças ? essa responsabilidade é exclusiva do pai. Mesmo tendo razão, o que ela pode fazer é criar novas regras, desde que o pai compactue com elas. ?Se a madrasta quer colocar a criança para dormir mais cedo, não pode obrigá-la a menos que o pai concorde?, diz Roberta Palermo.

8. Sentir ciúmes da relação que a criança tem com os pais
Quanto melhor a família se dá, melhor também será sua relação com as crianças. Alessandra Gonzaga de Almeida entendeu o recado quando se casou e passou a conviver com Gabriel, de 10 anos. O menino, hoje com 16 anos, mora com a avó, mas toda a relação da família é saudável. ?Como a criança está passando por um momento difícil, o melhor é ser amiga dela. Não acho certo comprar pessoas com presentes, por exemplo. Dar atenção é muito mais importante?, conta ela.

Relembre as madrastas - boas ou más - mais famosas

 

Lívia Alves, iG São Paulo

Com soluções e efeitos diferentes, eles se destacaram na segunda edição da Casa Cor Trio

Eles estavam tímidos na Casa Cor São Paulo 2010, realizada entre 25 de maio e 18 de julho, apareceram apenas em um ou outro ambiente. Mas, na Casa Cor Trio, os jardins verticais vieram com força em diversos ambientes.



Com diferentes soluções, modernos e estilizados, eles decoraram pergolados, praças e até mesmo escritórios sem ocupar muito espaço. ?Com ele é possível ter o verde dentro de casa sem se preocupar com o espaço?, afirma o agrônomo e paisagista, Alessandro Terracini.

?Os jardins verticais humanizam o ambiente, deixando-o mais aconchegante e relaxante?, diz a arquiteta Jóia Bergamo, que mesclou bambu com orquídeas no Press Center do Casa Office.
?Entre revestir uma parede e ter um jardim vertical eu fico com a segunda opção. Eles combinam com salas de almoço, varandas, pergolados e livings?, completa a arquiteta.

Mas Ana Paula Magaldi alerta: ?É preciso verificar e estudar bem o projeto, levando em consideração fatores como passagem, luminosidade, destaque e custo?.

Segundo a paisagista, que ganhou o prêmio de melhor projeto paisagístico com a Praça Boa Mesa, , já que por ter um custo elevado precisam chamar atenção.

Estreante na Casa Cor Trio, Terracini também apostou na tendência e utilizou a técnica do jardim vertical para recobrir com mais de dez espécies diferentes de plantas - divididas em mais de três mil vasinhos - os pilares do Pergolado.

?Nossa principal proposta era causar sensações e deixar o ambiente intimista e aconchegante, onde as pessoas pudessem se surpreender?, conta Terracini.

Como fazê-los

Existem algumas técnicas diferenciadas para fazer jardins verticais.

De fácil manejo, os jardins verticais que decoram a parte de fora do Press Center podem ser facilmente feitos em casa. ?Em uma parede uni bambu e orquídeas apenas com um fio de juta. No outro, amarrei com o mesmo material a samambaia a um círculo de madeira pintada?, explica a arquiteta Jóia Bergamo.

Já na Praça Boa Mesa, Ana Paula Magaldi optou por um jardim vertical mais sofisticado, onde módulos feitos em argila, da marca Green Wall Ceramic, são assentados por meio de argamassa na parede já existente. Essa estrutura recebe um cano de irrigação oculto na lateral e contém várias cânulas horizontais, onde a água corre por gotejamento.

 

Segundo a paisagista, o diferencial desse jardim para os que são amarrados com fibra de coco ou arame ? outros materiais também muito utilizados ?, é o fato de permitir o enraizamento das plantas. ?Como essa estrutura é maior, o espaço se torna suficiente para cada planta florescer e se enraizar com mais facilidade?, diz. Como essa estrutura é mais complexa, é indicado contratar uma empresa especializada para instalá-la.

O jardim vertical utilizado por Terracini foi feito com outra técnica. ?Os vasos de plástico que comportam samambaias, begônias, eras, columeias e brilhantinas foram pendurados em uma treliça com a ajuda de ganchos?, explica o agrônomo. 

 

 

 

Serviço:

Green Wall Ceramic
Rod. Mario Batista Mori - km 33,1 ? Tatuí (SP)
Tel: 0800 772 6003

 

Alexandre Adoni, especial para o iG São Paulo

Produtos evoluem e agora também previnem ação de radicais livres

Foto: Getty Images

Filtro solar é item obrigatório. Os dermatologistas são unânimes e recomendam o uso diário do protetor como a melhor forma de evitar o envelhecimento precoce e o câncer de pele. De olho nessas preocupações, a indústria reage. Já é possível encontrar no mercado produtos desenvolvidos com tecnologia de ponta que aliam a proteção biológica com ativos antienvelhecimento ? além de protegerem a pele física e quimicamente dos efeitos dos raios UVA e UVB, eles também combatem a formação de radicais livres e preservam o colágeno, substância responsável pelo viço e firmeza.

A linha Ansolar, da Stiefel, com FPS 30, 60 ou 70, traz na fórmula uma combinação de agentes antioxidantes, entre eles o Alistin, que previne a ação de radicais livres. Disponível em diferentes apresentações, a versão gel-creme merece destaque por vir em cápsulas individuais para aplicação tópica. Entre os lançamentos para o verão 2011, a La Roche-Posay apresenta o Anthelios XL Fluide Mexoplex. Com FPS 60, a ação antioxidante é reforçada por ingredientes como a água termal e Senna Alata ? uma planta tropical que desenvolveu um sistema de autodefesa por viver em ambiente ensolarado. Mais novidade: a linha da Eucerin, lançada no Brasil pelo Aché Laboratórios, tem tecnologia 3D. Os produtos oferecem proteção física, química e biológica e contam com Licochalcona A na fórmula, poderoso agente antienvelhecimento.



Mas como escolher o protetor solar ideal? A Dra. Mariane Shono, da Clínica de Dermatologia do Dr. Nuno Osório, dá algumas dicas. Segundo ela, devem ser considerados fatores como: tipo de pele, área a ser aplicado (rosto ou corpo), objetivo (uso diário ou para prática de esportes), e a possível existência de doenças de pele, que são agravadas ou desencadeadas pela luz solar. Nesse caso, o fator deve ser maior.

Adriana Leite, dermatologista e colunista do Delas, recomenda o uso do filtro solar 30 diariamente. Na praia, o cuidado deve ser redobrado. Quanto mais clara e sensível for a pele, maior deve ser a potência do produto. A dermatologista Adriana Vilarinho frisa: ?O ideal são os que têm ação UVA/UVB e que façam ação de bloqueadores também?. É que os protetores atuam de duas maneiras: com filtros químicos e físicos, esse último tipo possui partículas opacas na composição que formam uma barreira física para bloquear os raios solares.

Para aqueles que reclamam do aspecto esbranquiçado que os protetores deixam na pele, a doutora aconselha as versões tonalizadas, que colorem suavemente e podem ser enriquecidos com vitaminas.

Siga essas dicas:

- O correto é aplicar 2 miligramas (uma colher de chá) de filtro solar por centímetro quadrado de corpo. Calcula-se que, para uma pessoa de porte médio, são necessárias nove porções de filtro distribuídas pelo corpo. Aplique uma porção em cada uma das seguintes regiões: face e pescoço, barriga e peito, braço e ombro direto, braço e ombro esquerdo e costas. Duas porções para perna e pé esquerdo, e a mesma quantidade para perna e pé direito.

- Protetores ?resiste à água? e ?à prova d?água?? O produto ?resistente à água? é capaz de resistir a 40 minutos de imersão em água, enquanto os à prova d?água resistem a 80 minutos de imersão em água. Isso significa que o FPS do produto se mantém inalterado por esses períodos de imersão em água ou atividade física moderada.

- Fique de olho na embalagem, pois os bons protetores levam o selo da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Prefira um produto resistente à água e confira se ele protege também contra os raios UVA. O fator de proteção UVA deve ser um terço da proteção UVB (aquele que vem gravado na embalagem), por exemplo: um protetor solar 30 deve ter fator de proteção 10, pelo menos. Por isso, leia o rótulo com atenção.

- O FPS alto (maior do que 50) é indicado para pessoas com dermatoses desencadeadas pelo sol e para pessoas que se submeteram a algum procedimento mais agressivo, como peeling, laser ou uso de ácidos na pele. Crianças também precisam de um alto nível de proteção, para isso, utilize protetor solar a partir de FPS 40 e complemente com outros recursos, como bonés e camisetas.

- Na praia, aplique o protetor solar de 15 minutos a 30 minutos antes da exposição solar. Reaplique a cada duas horas ou após transpiração excessiva ou mergulho na água.

- Os sprays são indicados para pessoas que sentem dificuldade na aplicação em áreas de difícil acesso, como costas, por exemplo.

Leia também: Dez perguntas respondidas sobre cravos

Verônica Mambrini, iG São Paulo

Exercícios e procedimentos estéticos em exagero também podem indicar Transtorno Dismórfico Corporal

Foto: Getty Images

Como você se sente depois de uma tarde no salão de beleza, cuidando de pele, unhas e cabelo? A sensação, gostosa e relaxante para a maioria das pessoas, pode ser torturante para quem sofre de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). São pessoas que passam horas pensando na própria aparência e sofrendo com a autoimagem. A angústia é permanente e a vontade de se esconder substitui a de ser visto. E apesar das tentativas, nenhum procedimento estético é capaz de sanar o mal.

Viciados em cirurgias plásticas são lembrados quando se fala em transtorno dismórfico corporal. Mas pesquisas recentes mostram que, para tentar aliviar a eterna insatisfação com a imagem, a população mais vulnerável à enfermidade recorre a outros procedimentos mais leves que o cirúrgico.

?Pensava-se que o impacto maior era na cirurgia plástica?, afirma Luciana Conrado, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, que pesquisou a doença em seu doutorado. Ela conta que outras formas de intervenções menos invasivas, como aplicações de toxina botulínica, peelings e laser, tornaram o acesso aos procedimentos mais fácil. ?Diminui custo e risco?, justifica.

As manifestações variam conforme o gênero. ?A preocupação pode envolver qualquer região do corpo. Na mulher, geralmente é face, cabelo, peito e nádegas, e para homens, rosto, calvície e genitais?, diz Daniel Costa, psiquiatra do ProTOC, programa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. O problema é que a forma de agir de quem sofre de TDC é um tiro no pé: o ?disfarce? acaba chamando mais ainda a atenção para o suposto defeito.

Outra variação do transtorno, que atinge com maior impacto o público masculino, é a vigorexia, ou Transtorno Dismórfico Muscular (TDM). Trata-se da compulsão por um físico forte, atividades físicas, além da distorção da própria imagem corporal. ?A incidência nas academias é surpreendente?, diz Ana Paula Cunha Vieira Daltro, médica que estudou o fenômeno nas academias de ginástica de Salvador.

Segundo a pesquisa de Daltro, entre frequentadores de academia, 30% dos homens e 29% das mulheres têm suspeita do transtorno. A médica afirma que os pacientes de TDM apresentaram humor depressivo, timidez, insegurança em relação ao seu desempenho físico e mental, dificuldade de socialização e busca descontrolada por uma forma física idealizada. ?No começo do quadro, o transtorno não traz tanto sofrimento. Conforme a compulsão aumenta, a pessoa deixa de realizar atividades cotidianas e manter relações sociais. Em longo prazo, o portador fica ansioso, sofre de depressão?, afirma a médica. Para piorar, os vigoréxicos tendem a abusar de suplementos alimentares e anabolizantes. Entre as mulheres, 35% usavam, e assim como 58% dos homens.

Outro transtorno que se manifesta pela insatisfação com a aparência é a tanorexia, em que a compulsão é por estar cada vez mais bronzeado. Quem sofre dela, acredita que está inaceitavelmente pálido e procura recursos como bronzeamento solar ou artificial para deixar a pele dourada, sem perceber que, na verdade, aparenta um alaranjado nada saudável. Além do sofrimento psicológico constante, a alta exposição a raios UV aumenta os riscos de câncer de pele. Do estilista Valentino ao ator Denzel Washington, muitas celebridades já deram sinais de que abusaram na câmara de bronzeamento.

Diagnóstico e tratamento
Dos primeiros sintomas até o diagnóstico podem transcorrer entre nove e doze anos. ?A pessoa passa horas presa na frente do espelho, sem diagnóstico?, diz a pesquisadora Luciana Conrado. ?O limite entre a implicância com um defeito e o problema é tênue?, afirma a médica.

Os primeiros sinais surgem na adolescência. Com queixas sobre a aparência, o indivíduo geralmente busca um esteticista, dermatologista ou cirurgião plástico, profissionais que raramente são treinados para detectar o transtorno, de acordo com a especialista.

Conrado descobriu que 15% dos pacientes de cosmiatria (tratamentos dermatológicos estéticos) tinham a doença, assim como 7% dos de dermatologia. Conrado insiste que esses profissionais precisam se preparar para reconhecer e encaminhar pacientes com TDC. ?É um dilema. Se eu fizer o procedimento que o paciente pede, pioro a doença dele. Se eu não fizer, ela vai fazer em outro lugar?, afirma a dermatologista.

Para ela, a grande exposição corporal e o culto à beleza colaboram para tirar a preocupação com a aparência de uma perspectiva saudável. ?É uma doença social. Desde a revolução sexual nos anos 70, o corpo é cada vez mais responsável pela identidade da pessoa?, afirma. ?As pessoas chegam com uma ?lista de supermercado? de defeitos para corrigir. Até que ponto isto está de fato melhorando algo em alguém??, questiona.

É comum o paciente de TDC ter outras doenças psiquiátricas, como depressão ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que podem mascarar o diagnóstico. De acordo com uma pesquisa do ProTOC, programa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, 12% dos pacientes de TOC sofrem também de TDC. ?A pessoa adota comportamentos como checar o defeito no espelho compulsivamente e faz o que chamamos de camuflagem, ao tentar disfarçá-lo?, afirma Daniel Costa, psiquiatra do ProTOC. Por exemplo, um homem excessivamente preocupado com o cabelo pode ser incapaz de sair de casa sem boné.

O tratamento para transtornos dismórficos envolve antidepressivos e terapia. ?Na terapia cognitivo comportamental, o paciente é orientado a aprender a se expor a situações onde ele seria julgado pelo suposto defeito e a evitar fazer os rituais, como a camuflagem e a checagem no espelho?, diz Daniel. ?A medicação ajuda a melhorar a crítica em relação aos sintomas. Eles começam a reconhecer que o defeito não é tão perceptível como eles acham?, afirma o médico. Não há cura definitiva, mas manter o TDC sob controle pelo resto da vida traz de volta o prazer da vaidade.

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Como a lua, a vida tem fases de cheia, crescimento e minguante

Do mesmo jeito que a Lua, a vida da gente é um ciclo que tem uma fase crescente, uma fase cheia e uma fase minguante.

Para a astrologia, a definição completa de um ser humano leva oitenta e quatro anos para acontecer. O tempo que Urano, o planeta da consciência da individualidade, leva para dar uma volta no mapa astral.

A fase dos primeiros quarenta anos corresponde à metade do ciclo e é uma das mais difíceis de ser vivida. Ela pode ser comparada com a Lua cheia, uma fase de extrema beleza, mas que marca o início da fase minguante. Em torno dos quarenta anos, Urano, Netuno e Plutão tensionam violentamente o mapa astral e provocam uma crise sem precedentes.

A influência de Urano traz uma sensação de urgência quase insuportável. Por mais que a pessoa seja bem resolvida ou equilibrada, não escapa da consciência de que existem muitas coisas que ainda não foram vividas ou experimentadas. É o tempo do ?agora ou nunca?, do ?é hoje só, amanhã não tem mais.?

Quase ao mesmo tempo, Plutão começa um processo de regeneração que pode não ser muito agradável. Plutão comanda forças de transformação muito profundas, exige novas atitudes e o rompimento com padrões de comportamento que foram importantes no passado, mas que agora não servem mais.

Como se isso não bastasse, Netuno obriga as pessoas a se perguntarem qual o significado das suas vidas e até aonde realizaram os seus sonhos e ideais. Uma resposta precipitada a esses estímulos pode provocar sérios distúrbios na vida emocional, domestica e profissional.

Mas depois da tempestade vem a bonança. A fase dos cinquenta corresponde a uma verdadeira calmaria astral. No começo, a paz vem unicamente da sensação de ter sobrevivido ao temporal. O choque da meia idade vai sendo lentamente absorvido e integrado. Basta reparar na segurança que os cinquentões e cinquentonas modernos andam exibindo por aí para perceber como essa fase pode ser boa. A segunda metade da década dos cinquenta é conhecida como ?os belos anos?.

Se na faixa dos quarenta anos a pessoa conseguiu se libertar das exigências inconscientes que fizeram parte do começo da vida, a fase dos cinquenta pode assinalar o momento de uma verdadeira iluminação do espírito ou de alguma mudança profunda na orientação da vida. Por incrível que pareça é um momento perfeito para novos começos. Como o que levou a renomada artista plástica Tomie Otake a começar a pintar e se transformar em uma dama das artes no Brasil.

Lívia Alves, iG São Paulo

Chef Viko Tangoda visita o Casa Boa Mesa 2010 e avalia a funcionalidade das cozinhas projetadas

Foto: Guilherme Lara Campos / Fotoarena

É impossível falar de Casa Cor Trio e não pensar em tecnologia, inovação, beleza e estética. Nos 52 ambientes da mostra deste ano, arquitetos e decoradores procuraram apresentar ao público as últimas novidades do mercado em cozinhas, escritórios e artigos para festas.

Mas de nada adianta se a estética e a beleza não estiverem unidas à funcionalidade e praticidade no dia a dia. Foi para analisar esses aspectos que convidamos o chef Viko Tangoda, um expert entre fogões e panelas, para visitar as cozinhas do Casa Boa Mesa em busca da cozinha ideal.

?Para mim, cozinha perfeita é aquela que permite fazer o que eu quiser, na hora que quiser e do jeito que quiser. E claro, precisa ter um ótimo sistema de exaustão e fogões que atinjam altas temperaturas?, diz Tangoda. Fomos atrás.

Sem gordura

Fã dos legumes grelhados por fora e al dente por dentro, o chef focou seu olhar nos fogões por razões técnicas. ?Só com um modelo que atinja altas temperaturas é possível alcançar esse resultado.? Gostou do que encontrou na Cozinha e Adega Gourmet, projetada por Claudia Macedo, que contou com inovadores fogões de indução, muito utilizados na Europa e Estados Unidos.



Com uma velocidade melhor que a dos elétricos, resposta de controle de temperatura mais precisa que os a gás e facilidade de limpeza superior aos de vidro e cerâmica, esse tipo de fogão usa o eletromagnetismo para aquecer os alimentos, o que garante a fervura apenas da panela, enquanto a superfície não se aquece. ?Esse é o futuro pois, além de facilidade e portabilidade, a perda de calor é menor?, explica Tangoda.

E para não criar uma fumaceira na cozinha ou deixá-la quente demais é preciso ter por perto um ótimo sistema de exaustão, o que encontramos no Gourmet Center, projetado por Ana Claúdia Santi Carmello. ?Essa coifa é ótima, o que permite a utilização de espelhos em toda a cozinha. Caso contrário, eles ficariam engordurados e o efeito estético ficaria muito ruim?, alerta.



É o que provavelmente aconteceria caso a Cozinha do Futuro, criada por Daniela Colnaghi, fosse colocada em uso. Toda revestida com vidro jateado (paredes, bancada central e a própria coifa), ela teria de ter um sistema de exaustão muito bom para garantir a limpeza. ?Apesar de lindo, vidro não combina com um ambiente que tenha chapa e churrasqueira, onde é impossível não ter gordura?, diz o chef. ?Além disso, ele mancha com muita facilidade e, por ser frio, pode ocorrer choque térmico com altas temperaturas e causar rachaduras no material?, completa.

Problema que, segundo a arquiteta não existiria, uma vez que se trata de vidro temperado, ideal para resistir ao calor. De qualquer forma, o ambiente com ares futuristas foi o que mais causou estranhamento ao banqueteiro. ?Falta calor e funcionalidade. Gosto de cozinhas com cores quentes e nesse caso, o vidro e o azul do ambiente não trouxeram aconchego.? Para ele, a cozinha do futuro teria de ter uma bancada de madeira sustentável e utensílios modernos e tecnológicos, como a faca de porcelana, encontrada no ambiente, que apesar de quebrar fácil é a melhor no mercado.

Espaço para cozinhar
Outro elemento importante na cozinha é a bancada. ?Cozinheiro nenhum gosta de pouco espaço para cozinhar, é preciso ter lugar para colocar panelas, ingredientes e utensílios?, diz Tangoda. Daí o incômodo do chef com a proposta apresentada por Ana Cristina Quitete e Leonardo Faria na Cozinha da Família. ?Essa bancada poderia ter sido melhor aproveitada. O projeto está lindo, mas nesse caso, eu colocaria uma outra bancada no meio da cozinha, onde ficaria a pia?.

Um dos projetos que mais agradou ao chef foi a Cozinha da Família, onde em cima da mesa a dupla de arquitetos colocou temperos. "Ficou muito bonito, mas é preciso atenção, já que as plantas precisam de cuidados especiais como água e iluminação".

"Outra ideia maravilhosa foi a mesa de 10 lugares integrada à bancada do fogão. Mas é preciso não deixar tudo muito extenso para que as pessoas possam se confraternizar em torno do fogão".


?Eu, particularmente, gosto de cozinhas americanas quando convido poucos amigos para um jantar. Mas, quando existe um evento maior prefiro fechar a área da cozinha e utilizar apenas a sala de jantar ou de lazer?, diz Tangoda.

Para esses dois tipos de evento, ele ataca de arquiteto e sugere uma solução: ?Colocar uma porta de correr entre a sala e a cozinha. Quando quiser utilizar os ambientes integrados abre a porta, caso contrário fecha?.

?Além disso, é muito importante sempre pensar na entrada de ar. Qualquer ventilação cruzada pode ser fatal para a chama do fogão?, encerra.


 

Carina Martins, iG São Paulo

Pesquisa da Harvard diz que o sexo é o momento em que as pessoas estão mais felizes. Mas quanto disso é verdade?

Felizes mesmo as pessoas ficam quando estão fazendo sexo. O resto do tempo, ou 46,9% dele, preferem nem pensar na atividade que estão executando. Deixam a mente divagar enquanto trabalham, dirigem ou se arrumam, esquecendo o que estão fazendo para pensar em outra coisa (talvez em sexo?). O resultado, indica uma pesquisa feita pela Harvard e divulgada este mês na revista Science, é que o desligamento entre o que pensamos e o que fazemos promove índices altos de infelicidade. Concentrados no que estão fazendo, e felizes, os entrevistados disseram estar enquanto faziam sexo, bem mais do que qualquer outra atividade.

Os pesquisadores de Harvard sabem muito mais do que nós sabemos, mas algumas coisas são do repertório de todos. Como, por exemplo, o fato de que nem sempre o que as pessoas dizem é necessariamente o que elas pensam, fazem ou sentem. O estudo aponta que, quando consultados via celular, os entrevistados diziam que não há felicidade como a proporcionada pelo sexo. Mas será que é realmente isso que vivem? "Orgasmo é o fenômeno que proporciona extremo prazer ao ser humano. Ele foi selecionado filogeneticamente como uma atividade que proporciona prazer justamente para garantir a reprodução das espécies", diz o psicólogo e terapeuta sexual João Batista Pedrosa.

A concentração nesta atividade específica, para ele, também teria respaldo orgânico. "Na hora do sexo, as pessoas ficam concentradas e, na obtenção do orgasmo, entram num estado único de desligamento da realidade por segundos. É tanto que os franceses chamam o orgasmo de ?le petit mort?, ou seja, a pequena morte. O orgasmo está associado à diminuição do fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, uma parte do cérebro que é fundamental para o controle do comportamento", diz."Acho que a grande maioria das respostas não estão ligadas a uma idealização do sexo, mas que elas realmente sentem isso, ou seja, gostam do sexo".
 

Gostar de sexo é uma coisa. Aproveitar a sexualidade de maneira saudável a ponto de ela ser a principal fonte de satisfação da vida cotidiana é outra. E é aí que pode haver uma diferença: o que os entrevistados contam sobre suas vidas pode ser o que vivem, mas pode ser o que acham que deveriam viver. Com base em sua experiência profissional, o especialista em sexualidade Paulo Tessarioli afirma que o sexo costuma ser mais fonte de angústia do que plenitude. "Não tenho nenhuma dúvida disso, é um fato. O sexo hoje está muito mais voltado a ser um complicador do que um facilitador na vida das pessoas", diz. A explicação para o resultado da pesquisa, ele acredita, estaria na importância do discurso. "Numa sociedade consumista, o sexo não fica de fora. Vira um objeto que eu tenho que desejar e ter. Esse sexo que está no nível do discurso é inatingível, completamente construído e idealizado".
 

Para Tessarioli, não é que a prática não seja importante, mas o discurso acaba sendo mais. "As pessoas falam demais, e isso vem ao encontro de uma tentativa de mostrar a si mesmo e ao mundo que 'eu estou bem'. Mas nem sempre isso se sustenta na realidade. E no discurso eu posso sustentar tudo", afirma. Fora do discurso, ele vê um mundo em que as pessoas têm "muitas dúvidas, muitas incertezas, muita insatisfação e pouco desejo". A combinação entre a cobrança de uma vida sexual perfeita e a realidade de dúvidas e falta desejo é fonte de sofrimento para muita gente. "Para quem está consciente disso, realmente é de uma angústia ímpar".
 

Os pesquisadores de Harvard acreditam que, para ser feliz, ajuda muito evitar as distrações que levam a mente para longe de nós mesmos. O conselho de Tessarioli para ter uma vida sexual tão satisfatória quanto a dos entrevistados da pesquisa parece ser é o mesmo. "As pessoas precisam perceber o que realmente querem. Parece grandioso, mas é tão simples", diz. Eleger momentos de reflexão pode ajudar - como caminhar sem levar o celular ou usar fones de ouvido, por exemplo. "Momentos de reflexão são bons para que a pessoa consiga de alguma forma se conectar com isso e não ficar no meio da massa".

 

Livia Valim, especial para o iG São Paulo

Pesquisadora na área de enfermagem contesta a prescrição de ficar na cama, até mesmo em gestações de risco

Foto: Getty Images

Há mais de 20 anos estudando a eficácia do repouso absoluto, Judith Maloni, professora de enfermagem da Universidade de Case Western (EUA), acaba de publicar um artigo no periódico Biological Research for Nursing sobre suas conclusões. Segundo ela, não existe evidência científica que comprove a eficácia do repouso na cama para evitar partos prematuros. E o que é pior: o descanso pode trazer problemas físicos e psicológicos para a mãe e, consequentemente, para o bebê.

Nos Estados Unidos, cerca de 1 milhão de mulheres são aconselhadas anualmente por seus obstetras a ficar na cama o dia inteiro, levantando apenas para ir ao banheiro ou tomar banho. Essa prescrição pode ter dias ou mesmo meses de duração. ?A falta de eficácia do repouso deitada não seria uma grande preocupação se não houvesse efeitos adversos. No entanto, as pesquisas também não conseguem apoiar a suposição de que o repouso absoluto é seguro tanto para a mãe quanto para o bebê?, escreveu Judith.

No Brasil não existem estatísticas oficiais para o número de grávidas que ficam de repouso, mas o ginecologista e obstetra José Bento de Souza acredita que cerca de 20 a 30% recebam esta prescrição em alguma fase da gravidez. ?Realmente não existe nenhum trabalho científico sério comprovando que o repouso inibe contração, sangramento ou parto prematuro. Mas se você não pedir para a paciente que está com contrações fazer repouso, ela vai mudar de médico. É um pensamento já tão arraigado na cabeça das pessoas que vão te achar louco se não houver a prescrição?, diz.

Segundo José Bento, mesmo nos casos de fertilização in vitro não há evidências de que após o procedimento seja preciso descansar para aumentar as chances de sucesso. Mas as pacientes querem ficar de repouso. ?Tem um trabalho do subconsciente muito forte para as mulheres acharem que estão fazendo tudo o que podem para a gravidez ser levada adiante. Se acontece um aborto e elas não repousaram, sentem-se culpadas?. Isabel Corrêa, ginecologista e especialista em reprodução humana da Huntignton Perinatal, no Rio de Janeiro, diz que também não há razão para abandonar as atividades normais por conta própria. ?Não há evidências de que isto traga benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Pode-se trabalhar até o último momento, sempre levando em conta as condições da mãe e do feto, que devem ser avaliadas pelo obstetra?.

Efeitos colaterais

Judith Maloni analisou diversos estudos científicos que compararam a situação de mulheres grávidas em repouso absoluto com as gestantes em suas atividades normais. Ela dividiu os males do descanso na cama entre fisiológicos e psicológicos. Dentre os fisiológicos, estão o risco de atrofia muscular, ganho de peso da mãe abaixo do esperado, pouco peso do bebê, perda óssea, trombose, fadiga, dores nas costas, mudanças na qualidade do sono, congestão nasal, refluxo, indigestão e lábios ressecados. Os danos comportamentais geralmente são sintomas de depressão, ansiedade e hostilidade.

?Para algumas mulheres, esse período sem atividade gera mais ansiedade do que se estivesse trabalhando, o que pode ser ruim?, explica a ginecologista e obstetra do Centro de Fertilidade da Rede D?Or, no Rio de Janeiro, Maria Cecília Erthal. Judith vai além e cita um estudo feito em 2003 demonstrando que até as crianças sofrem a consequência: mães que ficaram de repouso absoluto por ao menos 15 dias durante a gravidez relataram que seus filhos tiveram uma incidência significativamente maior de alergias, enjoos ao movimento e precisavam mais serem embalados para dormir do que os bebês de mães ativas.

Apesar das conclusões, o repouso absoluto para grávidas tem décadas de prescrição, por isso não é tão fácil mudar o pensamento de médicos e futuras mamães. Em alguns países, porém, há sinais de transformação. ?No Canadá, por exemplo, novos guias de prática clínica publicados pela Sociedade de Obstetras e Ginecologistas declaram que o repouso deitada não é recomendado para tratar de pré-eclampsia e não existem evidências suficientes para recomendar este descanso absoluto para mulheres com problemas de hipertensão?, escreveu Judith na conclusão de seu artigo.


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