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New York Times

 
Obama fez seu primeiro discurso sober Estado da União na quarta-feira / AFP

Nos Estados Unidos, Obama conquistou um projeto de lei de recuperação econômica que foi pequeno demais mas evitou uma recessão ainda maior. Ele elevou os padrões de combustíveis para carros e indicou Sonia Sotomayor ao um Tribunal Supremo que se inclinava para a direita. Isso é bom, mas não o bastante.

O desemprego ainda é de 10%. Os banqueiros e seus lobistas (e grande parte do Capitólio) estão resistindo a reformas financeiras essenciais. O clima político em Washington é venenoso. O Partido Democrata está assustado com sua própria sombra. O único plano legislativo dos republicanos é censurar e obstruir.

Nós respeitamos a natureza deliberativa de Obama e também gostaríamos de ver cooperação bipartidária. Em 2009, Obama subestimou a determinação dos republicanos em bloquear qualquer coisa que ele propôs. Quando a economia estava implodindo, apenas três senadores republicanos votaram pelo projeto de estímulo absolutamente essencial; nenhum aceitou defender a reforma do sistema de saúde ou mesmo votar para encerrar a obstrução.

Enquanto deliberava e negociava, Obama deixou seus críticos definirem e distorcerem suas políticas. O público não esqueceu do verão de painéis da morte.

Obama precisa ser mais duro, mais rápido e mais claro. Se os republicanos querem continuar bloqueando projetos de lei que o país quer e precisa, ele deveria deixá-los obstruírem para que o público tome conhecimento. (Em dezembro passado, os republicanos no Senado tentaram bloquear os gastos anuais com Defesa porque uma extensão de benefícios de desemprego foi anexada a ela. Depois que isso fracassou, eles votaram no projeto em grande número.)

Ao invés de retroceder na reforma do sistema de saúde para cortejar os republicanos, ele pode tentar desafiá-los a propor um plano sério - que ofereça segurança real para todos os americanos e tenha chance real de controlar os gastos.

Ainda que Obama precise ser mais duro e mais vocal, seria um engano para ele concluir que o necessário agora é uma espécie de populismo ou uma guinada para a esquerda.

Depois do financiamento do resgate com o dinheiro dos contribuintes, ele tem razão em pedir impostos maiores para os bancos (e deveria  apoiar o projeto da Câmara que busca tributar as obscenas gratificações dos banqueiros). Mas ele tem que lidar com os assuntos centrais que quase arruinaram a economia e insistir em reformas rigorosas do sistema financeiro.

Obama teve razão em propor um painel bipartidário para a redução deficitária e foi uma hipocrisia dos republicanos do Senado se recusarem a votar. Nós estamos tão preocupados quanto a maioria dos americanos a respeito do déficit, mas agora o país não precisa que Obama seja um falcão do déficit.

A lição de 2009 foi que os americanos precisam de empregos e ajuda com suas hipotecas. O setor privado parece incapaz de impulsionar uma recuperação independente em breve. Isso significa mais gastos com estímulo, não menos, certamente muito mais do que os US$ 154 bilhões do projeto de lei aprovado pela Câmara.

Em um ano como presidente, Obama frequentemente nos lembrou que ele é um orador talentoso, capaz inspirar com sua ampla visão de mundo e com a forma franca como diz a verdade. O Estado da União foi uma boa oportunidade para lidar com os grandes debates e deixar claro que ele continuaria adiante com os cuidados médicos e desafiaria os republicanos a trabalhar com ele ou sair do caminho. Ele era necessário.

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Inverno rígido aquece debate sobre mudança climática

WASHINGTON - Conforme milhões de pessoas ao longo da Costa Leste se recolhem em suas casas envoltas em neve, os dois lados do debate da mudança climática aproveitam o rígido inverno para reforçar seus argumentos.

Os céticos do aquecimento global usam as nevascas recordes para zombar daqueles que alertam sobre uma perigosa mudança do clima gerada pelos humanos - isso mais parece um esfriamento global, eles dizem.

A maioria dos cientistas de clima responde que as tempestades de neve são consistentes com previsões de que um planeta em aquecimento irá gerar eventos climáticos mais frequentes e mais intensos.

Mas alguns especialistas independentes dizem que os temporais não provam que o planeta está esfriando assim como a falta de neve em Vancouver ou as chuvas no sul da Califórnia não provam que ele está esquentando.

Talvez não seja coincidência que o debate aconteça diante de recentes controvérsias sobre o clima: nos últimos meses, críticos do aquecimento global atacaram um relatório do Painel Intergovernamental para Mudança do Clima da ONU, de 2007, e afirmaram que emails e documentos apreendidos no servidor de um centro de pesquisas sobre o clima na Inglaterra aumentavam as dúvidas sobre a integridade de alguns cientistas da área.

Nessa semana, Rush Limbaugh e outros comentaristas conservadores deram pouca importância ao fato do anúncio da criação de um novo serviço de clima federal feita na segunda-feira ter que ser realizado através de chamada em conferência, ao invés de uma coletiva de imprensa, porque o prédio do governo federal foi fechado pela nevasca.

Mas cientistas do clima dizem que nenhum episódio único de clima severo pode ser culpado por tendências globais, ressaltando a evidência de que tais eventos se tornarão mais frequentes provavelmente por causa da elevação da temperatura global.

Um relatório federal divulgado no ano passado, que pretendia ser uma declaração autoritária sobre as tendências do clima nos Estados Unidos, apontou à probabilidade de nevascas mais frequentes no norte e menos frequente no Sul e Sudeste como resultado de uma mudança nos padrões de temperatura e precipitação a longo prazo.

O relatório também projetou seca mais intensa no Sudoeste e furacões mais potentes na Costa do Golfo. Em outros palavras, se os cientistas do governo estiverem corretos, aguarde mais neve.

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11/02/2010 11:32 AM

Tecnologia pessoal começa a pesar no orçamento

John Anderson e Sharon Rapoport gastam em média US$ 400 por mês, ou cerca de US$ 5.000 ao ano, para entreter sua família de quatro pessoas.

Eles pagam US$ 30 ao mês pelo serviço de seus BlackBerrys. Além disso, os dois filhos do casal de Roanoke, Virgínia, têm assinaturas individuais de US$ 50 cada do Xbox Live e enviam milhares de mensagens de textos por mês de seus celulares.

Serviço via satélite da DirecTV, internet de banda larga e aluguel de filmes aumentam os gastos.

"Nós tentamos prestar atenção para não extrapolar", disse Anderson, que fundou uma agência de publicidade com sua mulher.

Até 2004, o americano comum gastava cerca de US$ 770 anualmente em serviços como televisão a cabo, conexão à internet e jogos de videogame, de acordo com dados da Agência de Censo. Em 2008, o valor aumentou mais de 17%, para US$ 903.

Até o final desse ano, espera-se que o valor aumente outros 10%, chegando a US$ 997. Acrescente outros US$ 1.000 para serviços de telefonia fixa e celular e a família americana comum está gastando tanto em entretenimento quanto em jantares em restaurantes ou gasolina.

E esses números do governo não levam em conta filmes, música e programas de televisão comprados no iTunes, ou planos de dados que são cada vez mais necessários para o uso de smartphones.

Para muitas pessoas, as assinaturas e serviços de entretenimento e comunicação, que frequentemente se tornaram a mesma coisa, passaram a ser necessidades indispensáveis da vida, como eletricidade, água e compras de mercado. E para cada dispositivo novo, parece haver mais uma taxa.

"O modelo de assinatura é a droga perfeita", disse James McQuivey, analista da Forrest Research. "As pessoas vêem US$ 15 por mês como uma quantia muito pequena mas quando somados os valores ficam altos".

Por exemplo, Kate Goodall, 32, diretora de arrecação de fundos de museus, na Alexandria, Virgínia, disse que suas despesas altas com televisão a cabo e outras assinaturas começaram a pesar no orçamento.

Ela e o marido optaram por desconectar os canais a cabo e a linha telefônica doméstica para que pudessem pagar por mais jantares e aulas de natação, ballet e artes para seus dois filhos pequenos.

Agora eles assistem programas gratuitos em sites como o Hulu.com e usam o celular como telefone primário.

Seu marido, Mike Hughes, 37, gerente de projetos, tem um Xbox e um Wii, mas em um esforço para controlar os gastos ela não permitiu que ele adquirisse assinaturas para os videogames.

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11/02/2010 11:29 AM

Editorial: Regras inteligentes para o etanol

Apesar da pressão de políticos de regiões rurais, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos deu um passo importante para garantir que o biocombustível ajude, e não prejudique, o meio-ambiente.

Sob novas diretrizes, o biocombustível produzido em novas instalações - inclusive o etanol feito de milho, açúcar, plantas e outras fontes - tem que atingir uma redução de pelo menos 20% das emissões de gases causadores do efeito estufa em comparação à gasolina convencional.

Em 2007, o Congresso designou um grande aumento na produção de biocombustíveis (na época 7 bilhões de galões, agora mais de 12 bilhões) para 36 bilhões de galões até 2022, principalmente para diminuir a dependência do petróleo estrangeiro. Também estipulou que os combustíveis sejam mais limpos que a gasolina, e deu o trabalho de medir e determinar as emissões de vários tipos de etanol ao EPA.

A agência rapidamente se viu sb feroz pressão por parte do lobby do milho, que queria mostrar seu produto na melhor luz possível, e de grupos ambientais que insistiam em uma contabilidade precisa.

A questão mais contenciosa era se a agência deveria levar em conta as emissões diretas de etanol - associadas com o plantio, a refinaria e a queima do etanol de milho ou de outros produtos alimentícios - ou as emissões indiretas advindas das mudanças do uso da terra.

Estudos mostraram que converter colheitas para abastecer a produção em, digamos, Iowa, fará com que fazendeiros em outros lugares do mundo limpem matas virgens para atingir a demanda por alimentos, causando emissões adicionais.

Os estudos revelam que atualmente, por causa destes efeitos indiretos, o etanol do milho emite mais gases causadores do efeito estufa do que combustíveis de petróleo. O EPA sabiamente escolheu incluir o uso de terra nos seus cálculos.

As diretrizes não terão impacto imediato na produção de etanol do milho uma vez que as refinarias existentes e aquelas em construção foram geradas sob a lei de 2007. Porém, adiante,  as regras quase certamente irão encorajar formas menos intensivas de se fazer etanol de milho e, mais importante, avançar o biocombustível da próxima geração de fontes que não deslocam os alimentos, incluindo o mato perene, restos de colheitas e a celulose de arbustos e plantas.

A indústria de etanol do milho, que já desfruta de subsídios generosos e desnecessários diz que pode viver com as novas regras. Mesmo assim, seus aliados congressionais ameaçam negar ao EPA o dinheiro para implementá-las. Esta resistência precisa ser combatida.

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11/02/2010 11:26 AM

Robinho volta para casa

A volta de Robson de Souza, universalmente conhecido como Robinho, e de Roberto Carlos não significa o fim do êxodo de tantos jogadores brasileiros  - quase 900 por ano -  que partem para fazer fortunas na Europa, contudo são retornos significativos. Os fãs brasileiros merecem ver seus melhores artistas em campo, ainda que essas oportunidades sejam passageiras.

Robinho fugiu do severo inverno da Inglaterra, e de suas táticas ainda mais severas - mesmo que apenas até a Copa do Mundo em junho - e marcou um incrível gol em sua estreia no Santos, no domingo.

Roberto Carlos, de volta ao Brasil depois de uma década gloriosa no Real Madrid e Fenerbache, em Istambul, admitiu que foi pego de surpresa pela velocidade do futebol brasileiro. Ele foi tirado da primeira partida pelo Corinthians, mas jogou de maneira inspirada em seu segundo jogo no sábado.

"Eu ainda tenho que me ajustar a este novo tipo de futebol", ele disse. "Mas eu posso melhorar jogo após jogo. A liga brasileira é uma das mais rápidas do mundo".

Mais rápida que a da Europa?

Há tipos diferentes de rapidez, diferentes ênfases de como usar a precisão dos pés de um jogador e sua mente. E este debate é mais acirrado na Inglaterra.

O "fracasso" de Robinho em convencer inúmeros técnicos de que merecia espaço foi o que o afastou do Manchester City. Ele custou ao clube uma taxa de transferência de US$ 52 milhões; ele recebe um salário de US$ 250 mil; mas alguns o veem como jogador exótico demais, muito frágil para a implacável liga inglesa.

Essa é uma história antiga com um novo nome. "Inglesidade' é um conceito antiquado do que funciona no quesito futebol global e os dias em que Charles Hughes, diretor da Associação Inglesa de Futebol, podia andar por aí dizendo ao mundo que seu estilo de jogo era errado quando comparado com os ataques que ele armava acabaram.

Emprestada de uma antiga teoria de um comandante da Força Aérea de que o melhor caminho ao gol é através "da posição de oportunidades maximizadas", Hughes dizia que o Brasil adota o método errado. Todos aqueles passes curtos, aqueles dribles indulgentes, aquelas carícias  amorosas na bola são perda de tempo, ele insinuava.

Aposentado há muito tempo, sem que sua falta seja sentida, Hughes nunca percebeu como simples aritmética contesta sua teoria. A Inglaterra ganhou a Copa do mundo uma vez, em casa, em 1966. O Brasil ganhou o campeonato cinco vezes, sempre no exterior e frequentemente de forma tão memorável que todo o mundo aplaudiu.

Robinho é um um ator desse jogo. Leitores mais velhos podem se lembrar de Garrincha, que duas vezes ganhou a Copa do Mundo, em 1958 e 1962, mas infelizmente deixou a bebida e a depressão levarem a melhor.

Gerações sucessivas viram brasileiros em todo os climas, da Escandinávia à Sibéria, e todas as culturas, do Japão a Jerusalém. Mas a Inglaterra, cujos marinheiros apresentaram a bola ao Brasil, mantém suas dúvidas.

Robinho não se deu bem na Inglaterra. Lá ele é visto como um pássaro que poderia planar na primeira estação quando o sol começasse a brilhar, mas os técnicos do Manchester City o usaram meio período.

Mark Hughes, seu primeiro técnico, era galês. Roberto Mancini, que substituiu Hughes, italiano. A solução deles para o problema era selecionar Robinho para partidas em Manchester mas deixá-lo no banco para jogos fora.

Tudo isso por causa da convicção de que se ataca em casa, se defende fora - e essa defesa tem que vir de todos os membros do time, criativos ou não.

Robinho encontrou esta filosofia pela primeira vez fora da Inglaterra, em Madrid, sob o treinamento de Fabio Capello, atual técnico da seleção da Inglaterra. Capello conseguia apreciar habilidade mas queria vê-la em conjunto com trabalho duro. Ele descartou Robinho, que no final das contas conquistou seu lugar a tempo de ajudar o Real Madrid a ganhar La Liga.

Embora Robinho tenha começado brilhantemente no Manchester City, ele nunca convenceu os técnicos, que vivem de resultados, a confiar nele.

Isso é intrigante porque o futebol inglês agora está longe de ser nativo. Dois terços dos cerca de 300 jogadores de sua Premier League são estrangeiros. É uma mistura de nacionalidades.

O legado de desconfiança que começou quando Mirandinha chegou a Newcastle ainda prevalece. Mirandinha adorava marcar gols mas não gostava muito do gelo e das infrações que recebia. Porém, não muito longe de Newcastle, um brasileiro menor, mais leve, Juninho, conquistou seu luagr entre os jogadores mais amados a usar a camisa do Middlesbrough. Os fãs viram a forma como ele lidou com a perna quebrada e sua coragem em reconquistar seu lugar como puro amor pelo jogo.

Quando a Copa do Mundo terminar, Robinho terá que fazer uma escolha permanente. Voltar a Manchester, que ainda possui seu passe, ou encontrar um financiador que possa mantê-lo feliz...em casa.

- Rob Hughes

10/02/2010 03:31 PM

Editorial: Ouça o povo iraniano

Nos últimos quatro anos, o Conselho de Segurança da ONU exigiu repetidamente que o Irã deixasse de produzir combustível nuclear. O Irã ainda produz urânio enriquecido e agora revelou aos inspetores da ONU que está elevando o nível deste enriquecimento - chegando um pouco mais perto do que seria considerado necessário para a produção de bombas.

O presidente Barack Obama tinha razão quando abriu as portas à Teerã para negociações. Washington e seus aliados tinham razões em buscar um possível acordos mesmo depois que Teerã foi - novamente - flagrada escondendo uma usina de enriquecimento.

Agora chega. O Irã precisa entender que sua ambição nuclear vem com um preço muito alto.

Obama disse na terça-feira que os Estados Unidos e seus aliados estão "agindo rapidamente" sobre a resolução de novas sanções. Ele também disse que levaria várias semanas para traçar uma proposta. Isso não é tranquilizador. Quando uma resolução é escrita, o processo de negociação geralmente se arrasta durante semanas, se não meses.

O Irã passa por tamanho tumulto econômico e político que seu governo pode estar mais vulnerável à pressão externa agora. As forças de segurança locais ampliaram as ações contra a oposição política, prendendo centenas de pessoas antes do aniversário da revolução iraniana na quinta-feira.

As autoridades americanas dizem estar ansiosas para impor sanções que infligiriam dano máximo ao Corpo de Exército da Guarda Revolucionária Islâmica, que coordena o programa nuclear e grande parte da economia iraniana.

O plano, como nós o entendemos, irá bloquear suas contas bancárias, remessas de dinheiro e qualquer tipo de seguro. Autoridades americanas também afirmam que querem minimizar o sofrimento adicional do povo iraniano. Isso faz sentido para nós, embora não será fácil determinar quem é quem.

Se o Conselho de Segurança quer seguir adiante com sanções eficientes, Washington e seus aliados vão ter que aumentar a pressão para que Rússia e China - dois habilitadores do Irã, ambos com poder de veto - participem.

A Rússia deu sinais de apoio a outra resolução. Se a história serve de guia, nós tememos que a Rússia limitará nitidamente o impacto do plano. A China, ansiosa em comprar mais petróleo do Irã, é um obstáculo maior do que nunca. A China precisa entender que garantir o fornecimento seguro de petróleo se tornará muito mais difícil se o Oriente Médio for desestabilizado por um Irã com armas nucleares.

Quanto mais o Conselho de Segurança contemporizar, aceitar e enfraquecer as resoluções, mais desafiador e ambicioso o Irã se tornará. Se o Conselho de Segurança não pode agir rapidamente ou decisivamente, os Estados Unidos e seus aliados terão que propor suas próprias sanções. Eles deveriam estar delineando um plano secundário agora mesmo.

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10/02/2010 03:25 PM

Igrejas promovem lutas para conquistar jovens

MEMPHIS, Tennessee - Na sala dos fundos de um teatro na Rua Beale, o pastor John Renken, 42, recentemente liderou um grupo de jovens em sua oração.

"Pai, nós o agradecemos por esta noite", ele disse. "Nós rezamos para que sejamos uma representação do senhor".

Uma hora depois, um membro de sua paróquia baixou a guarda e foi atingido por uma série de socos do adversário e Renken lhe deu conselhos que não soavam sacrossantos.

"Socos diretos!" ele gritou da lateral do ringue do evento de artes marciais conhecido como Cage Assault. "Acabe com essa luta! Na cabeça! Na cabeça!"

O jovem era um membro do grupo de luta da Xtreme Ministries, uma pequena igreja da região de Nashville que também serve como academia. Renken, seu fundador, é o treinador da equipe. O lema da escola é "Onde pés, punhos e fé se combinam".

O ministério de Renken apenas um de um número cada vez maior de igrejas evangélicas que adotaram as artes marciais mistas (ou Mixed Martial Arts) - um esporte conhecido pela violência e sangue, que combina kickboxing, luta livre e outros estilos de combate - para atrair jovens cuja participação na igreja têm sido baixa. Eventos de Mixed Martial Arts atraem milhões de telespectadores e um chegou a ser o maior evento televisionado pago em 2009.

O recrutamento nas igrejas, que são frequentadas predominantemente por brancos, envolve acompanhar lutas pela televisão em festas e sermões que usam os embates para explicar como Cristo lutou pelo que acreditava. Outros ministérios vão ainda mais longe, sediando ou participando dos eventos.

O objetivo, segundo os pastores, é injetar masculinidade em suas igrejas - e na imagem de Jesus - na esperança de tonar o cristianismo mais atraente. "Compaixão e amor - nós também concordamos com tudo isso", disse Brandon Beals, 37, pastor da Igreja Canyon Creek em Seattle. "Mas o que me levou a encontrar Cristo foi o fato de Jesus ser um lutador".

A medida é parte de um esforço mais amplo por parte de algumas ministérios que temem que as igrejas se tornaram femininas demais, promovendo a ternura e compaixão às custas da força e responsabilidade.

"O homem deve ser o líder do lar", disse Ryan Dobson, 39, pastor e fã de Mixed Martial Arts que é filho de James C. Dobson, fundador do Focus on the Family, um grupo evangélico proeminente. "Nós criamos uma geração de menininhos".

Esses pastores dizem que o casamento de fé e luta busca promover valores cristãos, citando versos como "lute a boa luta da fé", de Tiago 6:12. Há quem coloque o número de igrejas que adotaram as artes marciais mistas em cerca de 700 de um total de 115,000 congregações evangélicas brancas nos Estados Unidos. O esporte parece uma ferramente legítima para buscar o envolvimento de jovens no ministério juvenil da Associação Nacional de Evangélicos, que tem mais de 45,000 igrejas.

"Há muitos jovens problemáticos que cresceram sem pai e andam por aí sem fé e se tornam pais ruins porque estão simplesmente perdidos", disse Paul Robie, 54, pastor da Igreja South Mountain Community em Draper, Utah.

A luta como uma metáfora funciona para muitos jovens.

"Eu estou lutando para oferecer uma melhor qualidade de vida para minha família e dar a eles coisas que eu não tive quando crescia", disse Mike Thompson, 32, ex-membro de gangue e pupilo de Renken que até recentemente lutava contra o desemprego e adotou o nome de guerra "A Fúria" no ringue.

"Depois que eu aceitei Cristo na minha vida", disse Thompson, "Eu percebi que é possível lutar pelo bem".

Há muito tempo as igrejas evangélicas usam a cultura popular - rock, skate e até mesmo yôga - em busca de novos seguidores. Mas mesmo nos setores mais experimentais, a Mixed Martial Arts tem seus críticos.

"O que você usa para atrair as pessoas a Cristo é o que precisa manter para que fiquem", disse Eugene Cho, 39, pastor da Igreja Quest, uma congregação evangélica de Seattle. "Eu não vivo pelo Jesus que come carne vermelha, bebe cerveja e espanca outros homens".

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03/02/2010 01:31 PM

Editorial: A arte de contar calorias

Isso pode soar como uma surpresa desagradável para a indústria alimentícia, mas quando as pessoas têm a possibilidade ler quantas calorias existem em produtos fast-food elas realmente diminuem seu consumo.

Em um estudo de milhares de transações em centenas de lojas da rede Starbucks, economistas da Universidade de Stanford descobriram que os consumidores da cidade de Nova York responderam aos cartazes anunciando a quantidade de calorias diminuindo seu consumo em 15 calorias por produto adquirido, uma redução de cerca de 6%.

As bebidas sofreram menos cortes. Ao invés disso, os compradores optaram por menos comidas para acompanhá-las ou, em menor quantidade, compraram produtos menos calóricos.

A medida foi particularmente eficiente para pessoas que comem muito. Uma anállise separada de compras efetuadas por pessoas que têm um cartão de fidelidade do Starbucks que consumiram pelo menos 250 calorias por compra mostra que elas cortaram seu consumo em 26% desde que as calorias passaram a ser mostradas nas lojas da rede.

Essa pesquisa parece contradizer as descobertas de um estudo anterior, que afirmou que o anúncio de valores calóricos em 14 restaurantes das redes McDonald’s, Wendy’s, Burger King e KFC em regiões de baixa renda da cidade de Nova York não alteraram as compras dos consumidores nas semanas subsequentes.

A pesquisa no Starbucks analisou um número muito maior de transações e lojas ao longo de mais de um ano, portanto é mais precisa. Apesar da discrepância, ambos estudos parecem sugerir conclusões similares: a contagem de calorias será mais eficiente em bairros de maior renda, onde os consumidores tiveram melhor formação. E funcionará melhor quando consumidores têm outras opções de lugares para comer - que ofereçam produtos com baixo teor calórico.

O estudo do Starbucks analisou todas as lojas da cidade e descobriu que os consumidores cortam mais calorias em CEPs de maior renda onde há mais pessoas com ensino superior. Também foi descoberto que quando há uma loja Dunkin' Donuts por perto, o Starbucks vende mais.

A média da queda de consumo calórico reportada no Starbucks ainda é relativamente pequena, especialmente quando se considera a epidemia de obesidade do país. Ainda assim, o argumento da indústria de fast-food de que a contagem de calorias em seus menus não faz diferença está claramente equivocada.

Na verdade, os resultados da pesquisa sugerem que o anúncio das calorias devem ser suplementados por esforços para atrair redes que ofereçam alimentos mais saudáveis aos bairros mais pobres. E mais esforço deve ser feito para educar as pessoas a respeito das consequências da obesidade para a saúde.

Assim os consumidores estarão em uma posição melhor para considerar as calorias anunciadas nos restaurantes ao lado de sua comida favorita e tomar decisões mais saudáveis.

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03/02/2010 01:24 PM

Editorial: Sarkozy incita preconceito anti-muçulmano

É fácil ver que os direitos de uma mulher são violados quando um governo exige que ela cubra seu corpo e rosto com um véu, como fazia o Taleban quando comandava o Afeganistão.

 

Deveria ser tão fácil ver violação quando um painel parlamentário francês recomenda, como fez esta semana, a proibição de mulheres que adotam tais véus, a burqa e o niqab, de usarem serviços públicos, inclusive escolas, hospitais e transporte público. (Os lenços sobre a cabeça já são proibidos nas salas de aula de escolas públicas desde 2004.)

AFP
Mulher veste o niqab em Lyon, leste da França

Mulher veste o niqab em Lyon

As pessoas devem ter a liberdade de tomar estas decisões por si mesmas e não obrigadas por governos com a ajuda da polícia.

Em vez de condenar a recomendação, o presidente Nicolas Sarkozy parece determinado a excedê-la. Ele já declarou que véus que cobrem todo o corpo "não são bem-vindos" na França.

O líder de seu partido no Parlamento quer aprovar uma lei que proíbe que mulheres usem burqas e niqabs nas ruas. O Taleban ficaria feliz. O resto do mundo deveria declarar sua revolta.

Infelizmente, os políticos franceses parecem voluntariosamente cegos à violação das liberdades individuais. Com eleições regionais programadas para março, Sarkozy e seus aliados estão procurando desesperadamente formas de desviar a raiva pública a respeito do alto desemprego. É difícil gerar empregos e muito fácil incitar preconceitos anti-muçulmanos.

A França tem mais de 5 milhões de muçulmanos, o maior grupo de qualquer país europeu ocidental. Menos de 2.000 usam véus de corpo inteiro, não representando ameaça óbvia à identidade francesa ou sua segurança. Mas por serem poucos, eles se tornam uma tentadora arma eleitoral.

O ataque aos muçulmanos se tornou uma forma poderosa de conseguir votos para políticos de  extrema direita franceses, notavelmente Jean-Marie Le Pen.

Em uma clara tentativa de retomar alguns desses votos, o governo de centro direita de Sarkozy passou meses promovendo um "debate nacional" às vezes tolo, às vezes ameaçador, sobre a identidade francesa.

Nenhum ganho político pode justificar a incitação ao ódio.

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28/01/2010 10:38 AM

Cortes judiciais são o novo campo de batalha da mudança climática

A minúscula aldeia de Kivalina, Alasca, não tem um hotel, um restaurante ou um cinema. Mas tem um processo judicial enorme que pode afetar a maneira como os Estados Unidos lidam com a mudança climática.

Kivalina, uma comunidade esquimó Inupiat de 400 habitantes empoleirada em uma ilha ao norte do Circulo Ártico, está acusando dezenas de produtores de combustível e energia de ajudarem a causar a mudança climática que, segundo eles, tem acelerado a erosão de sua terra.

Blocos de gelo de água marítima protegiam a frágil costa da cidade a partir do começo do inverno, em outubro, mas "nós não temos mais essa formação e estamos em janeiro", disse Janet Mitchell, administradora de Kivalina. "Nós vivemos tensos durante a estação de ventos fortes."

A aldeia quer que as companhias, incluindo ExxonMobil, Shell Oil e muitas outras, paguem pelas despesas da transferência da vila para o continente, que poderia chegar a até US$400 milhões.

O caso é um dos três grandes processos judiciais movidos por grupos ambientais, advogados particulares e funcionários do governo de toda a América contra grandes empresas geradoras de gases causadores do efeito estufa. E ainda que a vila enfrente uma difícil disputa à frente, casos como esse estão ganhando força.

Nos últimos meses, duas cortes de apelação inverteram decisões de tribunais distritais para que casos sobre o aquecimento global fossem abandonados, permitindo que as ações tivessem continuidade.

Advogados ambientalistas juntaram forças com procuradores gerais de oito estados e da cidade de Nova York, em busca de uma ordem judicial que obrigue a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa em Connecticut.

Em Mississippi, proprietários de imóveis na Costa do Golfo alegam que as emissões das indústrias que contribuem para a mudança do clima aumentaram a potência do Furacão Katrina.

E ainda que um juiz federal em Oakland, Califórnia, tenha abandonado o processo de Kivalina em outubro, a aldeia está apelando da decisão.

Os casos geralmente fazem uso da lei de perturbação comum, a mesma que permite que vizinhos processem uns aos outros por causa de barulhos, odores e qualquer coisa que interfira com o uso ou prazer de sua propriedade.

No contexto da mudança climática, tais ações judiciais eram tratadas como frívolos exageros que seriam derrubados rapidamente.

Leia mais sobre mudança climática

28/01/2010 10:35 AM

Chapéu de líder afegão perde seu apelo

Ele já atraiu a admiração de pessoas que ditam a moda no Ocidente, os gracejos de comediantes em casa e no exterior, a raiva impotente de defensores dos direitos dos animais. Mas o chapéu de Hamid Karzai, ainda que firmemente posicionado sobre a cabeça do presidente afegão sempre que ele aparece em público, já não é o símbolo que um dia foi.

Conhecido como chapéu de caracul e feito da pele de cordeiros fetais ou recém-nascidos da espécie caracul, o chapéu é tradicionalmente usado por Tajiks e Uzbeks do norte do Afeganistão. Quando Karzai, um Pashtun do sul, tribo que prefere turbantes, assumiu o cargo público em 2002, o chapéu de caracul fazia parte da sua tentativa de inventar um guarda-roupa que fosse afegão ao invés de étnico ou regional.


Chapéu de Karzai passou a ser criticado no país / NYT

A medida foi amplamente elogiada na ocasião, no Afeganistão e no exterior. O estilista britânico Tom Ford disse que o presidente afegão era "o homem mais chique do planeta". Afegãos em busca de um símbolo nacional, depois de décadas de discussões étnicas, inspiraram um amplo comércio de chapéus, feitos de pele de cordeiro da região de Mazar-i-Sharif , no norte do país, e criados por chapeleiros de Cabul, cujas lojas tomavam ambos os lados da rua Shah-e-do Shamshera Wali.

Agora, depois de uma eleição presidencial manchada, e com os esforços para se fazer um governo verdadeiramente multiétnico afundando, o chapéu perdeu seu brilho.

Os jovens já não o usam. O oponente de Karzai na disputa final da eleição, Abdullah Abdullah, do norte, prefere uma cabeça solta, terno e gravata. Apenas 12 das lojas de chapeleiros permanecem abertas na Shamshera e dizem ter sorte quando vendem um chapéu por dia.

"Eu voltei para minha aldeia em Logar vestindo meu chapéu de caracul", disse Ahmed, um afegão de 50 anos, que comprava um novo chapéu, "e as pessoas riram: 'Lá vai o velho que pensa ser presidente'".  Não ficou claro o que mais o ofendeu, "velho" ou "presidente".

"Hamid pode ser o único sujeito no Afeganistão que usa aquele tipo particular de chapéu", diz um artigo em um website satírico local, ridiculopathy.com, "mas mesmo assim o pontudo chapeau de lã veio a simbolizar o país para o resto do mundo".

Da mesma maneira que o chapéu de Karzai é mais do que apenas um chapéu, a reação contra ele é mais do que apenas um capricho de moda. "Teria sido melhor se ele tivesse adotado um turbante. Teria sido mais honesto", disse Rahnaward Zariab, novelista e comentarista cultural da TV Tolo, de Cabul. "Ao invés disso, ele enganou a nação. A fantasia de Karzai não significa nada. O chapéu já não é um símbolo. Agora nós vemos suas ações e está claro que ele é um Pashtun".

Zariab reclamou que há relativamente poucos não-Pashtuns no novo gabinete de Karzai, que ainda precisa ser aprovado completamente pelo parlamento.

Esforços para solicitar um comentário do presidente sobre seu adorno de cabeça foram recebidos com relutância e um certo aborrecimento. "Tudo acabou", disse seu porta-voz, Waheed Omer, "agora você quer escrever sobre o chapéu?"

O próprio Karzai uma vez, em uma cerimônia militar em Cabul, explicou seu afeto pelo chapéu de caracul. "Eu os uso porque eles são muito, muito afegãos", ele disse, de acordo com uma reportagem da Associated Press. "E se fica bem, melhor ainda".

Entre os chapeleiros, pelo menos, o presidente ainda recebe análises positivas por seu bom gosto. Ele também é um de seus melhores clientes.

O afeto de Karzai pelo chapéu de caracul é tão forte que, se os relatos dos chapeleiros forem reais, ele comprou dezenas deles desde que assumiu o cargo. Sayed Habib Sadat, dono de uma das lojas de chapéu restantes, diz ter vendido 15 chapéus de caracul  de diversas cores a  Karzai, principalmente os cinza escuros, mas também pretos e mesclados de marrom e branco.

"O presidente está retomando velhas tradições e mostrando às pessoas: 'Eu sou afegão. Eu uso minha própria tradição'", disse Sadat. "Isto tem sido bom para ele e para nós".

Os chapéus de caracul não são baratos. Os de boa qualidade custam centenas de dólares e alguns podem chegar a até US$ 3 mil.

Os mais caros são particularmente macios e lisos, com a textura de seda lustrosa e aveludada, organizados em tramas padronizadas. Às vezes essas tramas parecem soletrar o nome de Alá em árabe, o que os torna particularmente valiosos. Em ocasiões raras elas parecem soletrar até mesmo o Kalimah, ou declaração muçulmana de fé - "Não há outro Deus senão Deus e Maomé é o seu profeta" - o que os torna ainda mais queridos.

Porém, isso não os valoriza diante das autoridades religiosas. Porque a ovelha não é executada da maneira prescrita pelo Islã, o chapéu e mesmo a carne da ovelha da qual é feito são haram, ou proibido.

Quando Karzai solicita um chapéu, os chapeleiros são chamados ao Palácio Presidencial para medir a cabeça dele pessoalmente. "Quando eu fiz seu primeiro chapéu, sua cabeça media 22 1/2 polegadas", disse Sadat. "Agora ela mede 23 1/2 polegadas". Outros chapeleiros informaram dimensões semelhantes, com diferenças de meia polegada.

"Presidentes ficam com a cabeça inchada", brincou Sadat.

- Rod Nordland

Leia mais sobre Hamid Karzai

28/01/2010 10:30 AM

Editorial: O primeiro ano de governo de Barack Obama

Os Estados Unidos se encontram em um estado de profunda e justificável ansiedade por causa das vagas de emprego, hipotecas e duas longas e sangrentas guerras. O presidente Barack Obama não criou estes problemas e nenhum deles poderia ser resolvido em um ano. Mas 2009 ofereceu lições fortes e, às vezes, dolorosas a um novo presidente que luta para cumprir a grande promessa que foi sua eleição.

 

O primeiro discurso de Estado da União de Obama, feito depois que esse editorial foi publicado, serviu de oportunidade para mostrar o que ele aprendeu e dizer aos americanos como ele pretende governar nos próximos três anos.

Não há dúvida de que o mundo esteja aliviado com o fato de Obama não ser George W. Bush. Ele está gerenciando a necessária retirada Iraque. A decisão dele de enviar tropas adicionais ao Afeganistão (a guerra necessária que o presidente Bush negligenciou desastrosamente) foi corajosa e estrategicamente correta. Ele conduz negociações a respeito do clima global ao invés de zombar delas.

Obama chega ao Congresso para discurso crucial
28/01/2010 10:23 AM

Terremoto do Haiti deixa crianças à deriva em um mundo de caos

Pouco depois que Daphne Joseph, de 14 anos, escapou dos escombros de sua casa no dia do terremoto, ela embarcou em um ônibus abarrotado ao lado de seu tio e se arrastou em trânsito lento para a capital, onde sua mãe solteira vendia produtos de beleza na feira Tete Boeuf.

"Mamãe", ela repetia. "Mamãe, eu estou chegando."

Ao sair do coletivo, Daphne se perdeu de seu tio e pegou um moto-táxi. Ela chegou sozinha na feira em ruínas e correu para uma pilha de escombros cheia de "pessoas quebradas", ela disse.

Ao se aproximar, ela viu sua mãe, sem vida. Ela gelou, ela disse, eventualmente vendo o corpo de sua mãe ser colocado em um carrinho de mão e desaparecer no caos.

"Quis me matar", Daphne disse em um sussurro.


Daphne Joseph, de 14 anos / NYT

As crianças do Haiti, que representam 45% da população, estão entre os mais desorientados e vulneráveis sobreviventes do terremoto. Milhares perderam seus pais, suas casas, suas escolas e seu propósito.

Elas sofreram ferimentos e passaram por amputações. Elas dormiram nas ruas, mendigaram por comida e tiveram pesadelos.

Duas semanas depois do terremoto, com o cheiro de morte ainda impregnado no ar, crianças podem ser vistas em cada canto devastado de forma resistente jogando futebol, empinando pipas, entoando músicas populares e coletando livros de ensino de escolas desmoronadas.

Mas conforme grupos haitianos e internacionais começam a cuidar dos mais necessitados entre elas, muitas crianças se mostram claramente traumatizadas.

"Há preocupações de saúde, preocupações de desnutrição, questões psicossociais e, claro, nós tememos que crianças desacompanhadas sejam exploradas por pessoas sem escrúpulos que podem querer traficá-las para adoção, para o comércio sexual ou para a servidão doméstica", disse Kent Page, porta-voz da Unicef.

Organizações de bem-estar da criança têm concentrado seus esforços iniciais nos órfãos e naqueles que estão separados de suas famílias. Na terça-feira, eles começaram a compilar um registro, enviando voluntários às ruas em busca de informação para um banco de dados no qual cada criança terá uma arquivo numerado para ajudar a localizar o seu caso, disse Victor Nyland da Unicef.

Tal registro foi usado na província indonésia de Aceh após o tsunami de 2004 pra ajudar a reunir famílias separadas.

Algumas crianças que não têm ninguém disposto a cuidar delas serão levadas a um dos três orfanatos da capital onde a Unicef está estabelecendo centros de cuidados interinos ou para espaços seguros estabelecidos através de outras organizações.

27/01/2010 09:46 AM
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