Pelo menos 93 voos foram cancelados no maior aeroporto de Londres, Heathrow, neste sábado, quando pilotos e comissários de bordo da British Airways (BA) iniciaram nova greve. A paralisação deve durar até a terça-feira.A companhia aérea espera atender até 75% dos passageiros nestes dias e prevê menos interrupções nos serviços do que no último fim de semana, quando os tripulantes mantiveram uma greve por três dias.
Mas Steve Turner, do sindicato Unite, alertou para a possibilidade de uma nova paralisação depois do feriado da Páscoa, caso os grevistas e a diretoria da BA não cheguem a um acordo sobre salários e condições de trabalho.
Piquete Centenas de grevistas começaram a se reunir em um campo de futebol perto do aeroporto de Heathrow desde as 6h deste sábado (hora local, 3h em Brasília).
Eles estão se revezando nos piquetes realizados em torno do aeroporto.
A companhia disse que, há cinco dias, avisou os passageiros que poderiam ser afetados pela greve sobre possíveis cancelamentos.
Dos 240 mil clientes que deveriam voar nos dias da paralisação, 180 mil serão deslocados em aviões da própria BA ou em aeronaves fretadas especialmente de outras companhias.
Ainda segundo a BA, voos que operam a partir de outros aeroportos britânicos não estão sendo afetados.
A empresa estima que a greve da semana passada tenha dado um prejuízo total de 21 milhões de libras.
Mas o sindicato disse à BBC que, segundo analistas financeiros, os sete dias de paralisação vão custar à BA até 105 milhões de libras.
Especialistas afirmam que a companhia aérea precisa cortar significativamente seus gastos.
No ano passado, a empresa teve um prejuízo anual de mais de 400 milhões de libras.
Representantes de pilotos e comissários de bordo da companhia aérea British Airways (BA) confirmaram nesta sexta-feira o início de uma paralisação de três dias a partir deste sábado contra planos de reestruturação da empresa, depois que fracassaram negociações de última hora para impedir a greve.
A expectativa é de que um total de 1,1 mil voos de um total de 1.950 marcados para os dias de protesto sejam cancelados.
Nos nove últimos meses de 2009, a empresa registrou um prejuízo de 342 milhões de libras (cerca de R$ 922 milhões).
Diante dos maus resultados, a BA anunciou que pretende reduzir o número de tripulantes em voos de longa distância de 15 para 14 e congelar os salários por dois anos.
Em todo o mundo, a BA pretende eliminar 4,9 mil postos de trabalho até o fim de março.
Tom Woodley, secretário-geral do sindicato representante da categoria, o Unite, acusou a BA de querer uma "guerra" com o sindicato.
Por sua vez, o presidente da companhia aérea britânica, Willie Walsh, afirmou que a greve é "profundamente lamentável".
Plano de contingência Depois do anúncio da greve, a British Airways anunciou um plano de contingência que vai permitir que 65% de seus clientes sejam atendidos durante o período de greve.
Todos os voos de longa distância e mais da metade dos voos mais curtos devem ser realizados normalmente a partir do aeroporto de Gatwick, ao sul de Londres.
Já no aeroporto de Heathrow, o mais importante que atende a capital britânica, mais de 60% dos voos de longa distância vão operar normalmente, e apenas 30% dos voos mais curtos devem ser realizados, segundo a previsão da empresa.
A empresa afirmou que não há indicação de alteração dos voos que opera do Brasil, de São Paulo e do Rio de Janeiro a Londres ou Buenos Aires, no primeiro período da greve, entre 20 e 22 de março.
A British Airways, entretanto, recomenda que passageiros chequem regularmente sua página na internet para verificar possíveis alterações.
A verificação é recomendável especialmente para passageiros que fazem conexões em Londres ou Buenos Aires para outros destinos.
Em sua página na internet, a companhia afirma que, para atender seus passageiros durante a greve, vai usar até 22 aeronaves, com suas respectivas tripulações, que serão emprestadas por outras oito empresas diferentes da Grã-Bretanha e Europa.
Os grevistas anunciaram que pretendem realizar outra paralisação no dia 27 de março caso não haja avanços nas negociações com a empresa.
O ex-primeiro-ministro do Iraque, Ayad Allawi, líder da aliança secular que venceu por uma estreita margem as eleições parlamentares do país, se ofereceu para trabalhar com todos os partidos para formar um governo de coalizão. Allawi disse que o bloco Iraqiya vai começar negociando com sua principal rival, a aliança Estado da Lei, do atual premiê, Nouri Al-Maliki, que foi derrotada por uma diferença de apenas dois assentos no Parlamento.
"O povo iraquiano abençoou o bloco Iraqiya ao escolhê-lo", afirmou Allawi em uma entrevista coletiva, neste sábado. "Estamos abertos a todos as forças, a começar pela aliança Estado da Lei, do meu irmão primeiro-ministro Nouri Al-Maliki."
Mas Maliki se recusou a aceitar o resultado do pleito e disse que vai contestar a contagem dos votos através de tribunais.
Observadores da ONU e dos Estados Unidos enviados para acompanhar a eleição no Iraque em 7 de março disseram que a votação foi aceitável.
Risco
Existe uma preocupação de que uma contestação do resultado possa ser longa e divisiva, colocando em risco os avanços em direção a uma maior estabilidade no país.
A violência sectária sofreu um salto no Iraque quando os políticos levaram meses para formar um governo depois das eleições de 2005.
Na sexta-feira, a Comissão Eleitoral do Iraque anunciou que o bloco de Allawi conquistou 91 assentos no Parlamento, contra 89 de Maliki. Ambos são xiitas representando facções politicamente laicas.
Como Allawi não obteve a maioria no Parlamento, terá agora que formar uma coalizão para governar.
Se ele não conseguir realizar isso dentro de 30 dias, o presidente do Iraque vai pedir o mesmo para o líder de outro bloco.
'Abertos'
Neste sábado, Allawi disse que já apontou o vice-premiê Rafa Al-Issaw, que é membro de sua aliança, para negociar com outros partidos e assim ajudar a formar um novo governo "o mais rápido possível".
"O Iraque não pertence a ninguém nem a partido algum, mas pertence a todos os iraquianos." Allawi disse ainda que está "trabalhando por um governo que possa tomar decisões e colocar o Iraque de volta a seu lugar no mundo árabe e no mundo islâmico".
Há rumores, no entanto, que o premiê Maliki estaria negociando uma fusão com o INA, que inclui seguidores do clérigo radical xiita Moqtada Al-Sadr. Assim, Maliki poderia reivindicar a liderança sobre o maior bloco do Parlamento.
Segundo determinação da Suprema Corte, alianças podem ser formadas depois das eleições, o que permitiria a aliança.
Alguns dos monumentos mais famosos da Austrália tiveram suas luzes apagadas neste sábado para marcar o início da Hora do Planeta, uma iniciativa mundial que tem por objetivo chamar a atenção para o aquecimento global. A Opera House e a Harbour Bridge de Sydney, o Luna Park de Melbourne e o Parlamento em Canberra ficaram às escuras a partir das 20h30 (hora local, 6h30 em Brasília).
Este é o horário em que, localmente, pessoas de todo o mundo estão sendo incentivadas a apagar suas luzes.
AP
Austrália apaga as luzes e dá início à Hora do Planeta
Segundo o jornal australiano ABC News, milhões de casas também aderiram ao "apagão" em todo o país.
Cidades em 120 países devem aderir à Hora do Planeta, criada por australianos em 2007. Na ocasião, apenas as luzes dos monumentos de Sydney foram desligadas.
Já no ano passado, cerca de 50 milhões de pessoas aderiram ao evento em todo o mundo.
Este ano, os organizadores esperam que o número aumente.
Eles contam também com a promessa de que 1,2 mil dos monumentos e pontos mais conhecidos do planeta terão as luzes apagadas - entre eles, a Torre Eiffel, em Paris, o Big Ben, em Londres, a Cidade Proibida, em Pequim, as Pirâmides do Egito e a "Strip", de Las Vegas.
A Hora do Planeta vem ganhando cada vez mais projeção com o apoio e o patrocínio de grandes empresas multinacionais.
Um mês após o terremoto de 8,8 graus de magnitude seguido de tsunami, que arrasaram várias regiões do Chile, quase 12 mil pessoas (11.978 mil) continuam desabrigadas, de acordo com dados do Escritório Nacional de Emergência chileno (Onemi, na sigla em espanhol).
O mesmo organismo, ligado ao governo, informou que cerca de 960 mil pessoas foram afetadas pelo desastre, com perdas de familiares ou de seus bens.
Os desabrigados estão morando em instituições públicas ou em barracas de acampamento. No total, 86,9 mil casas e apartamentos foram totalmente destruídos, além de 233 mil residências com danos menores e outras 117 mil com estragos significativos.
A região de Maipu, em Santiago, foi uma das mais afetadas pelos tremores e diversos prédios foram completamente destruídos. Imagens transmitidas na sexta-feira pela emissora de televisão TVN revelam que o cenário é o mesmo, um mês depois da tragédia.
A porta-voz dos moradores de Maipu, Pamela Márquez, perdeu sua casa e seu carro, que foi destruído pelos escombros do prédio onde morava, que desabou.
"Ficamos sem casa e sem carro e não podemos entrar no prédio para retirar nossos bens porque temos medo que ele desabe. Estamos tentando fazer com que os bombeiros nos ajudem e que possamos pelo menos retirar o básico que temos lá dentro", disse Márquez.
Ela contou que as 36 famílias que residiam no edifício estão morando na casa de parentes e sem expectativas de uma solução por parte dos construtores do imóvel.
Demissões
Além dos danos causados pelo terremoto, outro impacto dos tremores tem chamado a atenção dos chilenos nos últimos dias: o número de demissões por motivo de "força maior". Dados divulgados recentemente indicam que 8,4 mil trabalhadores chilenos foram demitidos com essa alegação após o terremoto.
Pela lei chilena, a demissão por "força maior" deixa os funcionários sem direito a indenizações pelas empresas.
Segundo a Onemi, os empregadores alegaram que o terremoto e as ondas gigantes afetaram suas companhias e que as empresas não teriam como pagar os direitos dos trabalhadores.
Na semana passada, funcionários de uma clínica de Santiago realizaram protestos pedindo ao governo que reverta esta determinação. Diante das câmeras de televisão, representantes dos demitidos lamentavam a perda do emprego.
"Neste grupo, temos uma grávida de oito meses e senhoras com mais de 40 anos de casa. E agora todos sem direito a nada", afirmaram os manifestantes.
Reconstrução
O governo do presidente Sebastián Piñera, que assumiu o cargo no dia 11 de março, anunciou as primeiras etapas do plano de reconstrução das áreas afetadas, com prioridade para as escolas das regiões de Maule e Biobío, as mais arrasadas pela catástrofe.
Piñera estimou em US$ 30 bilhões os recursos necessários para a reconstrução. Neste sábado, a previsão é de que o líder chileno viaje à Talcahuano, um dos lugares mais destruídos pelas ondas gigantes.
Na sexta-feira, ele percorreu várias localidades afetadas para supervisionar os primeiros passos do plano de reconstrução.
Nos últimos dias, setores da oposição criticaram o plano de reconstrução, alegando ou que está "lento" ou "rápido e desorganizado".
"A rapidez não é sinônimo de eficiência", disse o ex-presidente Ricardo Lagos.
Forças israelenses se retiraram da Faixa de Gaza na manhã deste sábado, após uma incursão no território, que durou toda a noite. Testemunhas disseram ter visto tanques e escavadeiras israelenses avançarem em direção à cidade de Khan Younis, no sul do território palestino, e contaram ter ouvido disparos feitos por navios israelenses posicionados na costa da Faixa de Gaza.
Há relatos não confirmados de que pelo menos um palestino foi morto e vários outros ficaram feridos na incursão, ocorrida depois que militantes palestinos e soldados israelenses entraram em confronto na fronteira.
O combate deixou dois soldados israelenses e pelo menos dois palestinos mortos, e dois soldados israelenses feridos.
Explosivos
Esta é a primeira vez que militares israelenses são mortos em Gaza desde a ofensiva israelense iniciada em dezembro de 2008.
Israel diz que os confrontos começaram quando os soldados entraram no território palestino depois de notarem militantes colocando explosivos ao longo da fronteira.
Relatos vindos de Gaza dão conta de que, a seguir, os militantes tentaram capturar um dos soldados.
Segundo o correspondente da BBC em Ramallah, na Cisjordânia, Jon Donnison, boa parte dos habitantes da Faixa de Gaza acreditam que a retaliação por parte de Israel vai aumentar.
A porta-voz do Exército israelense Avital Leibovich disse que as mortes dos soldados foram "trágicas" e "dolorosas".
"Este é um dos dias mais tensos que tivemos desde a operação no ano passado", afirmou.
Tanto o Exército israelense quanto o grupo militante palestino Hamas, que controla Gaza, vinham respeitando um longo cessar-fogo.
Mas agora o braço armado do Hamas diz que seus militantes estavam envolvidos nos confrontos da sexta-feira.
Desde o início de 2009 o território permanece sob bloqueio israelense.
Um projeto de lei apresentado nesta semana na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos estende por mais cinco anos a sobretaxa de 54 centavos de dólar por galão (3,78 litros) imposta ao etanol importado do Brasil. A proposta do deputado democrata Earl Pomeroy, de Dakota do Norte, e do republicano John Shimkus, de Illinois, também mantém os subsídios ao etanol americano, que seriam suspensos no final do ano.O projeto já tem o apoio de 30 deputados e deve ser votado na Comissão de Meios e Recursos antes de seguir para o plenário da Câmara.
O anúncio do projeto causou reações no Brasil. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a proposta e disse que irá enviar uma carta ao presidente da Comissão pedindo que o projeto não avance.
Segundo a Fiesp, o projeto é "uma barreira ao livre comércio" e "economicamente inviável".
"Numa clara demonstração de descaso, os deputados norte-americanos estão ignorando a determinação da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) de seu próprio país e usando o protecionismo para promover seu produto em detrimento do etanol brasileiro", disse na nota o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Produção nos EUA Ainda de acordo com o comunicado, a própria EPA afirma que o etanol brasileiro, fabricado à base de cana-de-açúcar, é capaz de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em 61% na comparação com combustíveis fósseis, percentual bem maior do que o etanol à base de milho, que é a maior parte da produção americana.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar, que representa produtores brasileiros, também divulgou um comunicado criticando o projeto.
"Depois de 30 anos de subsídios e tarifas de importação, os consumidores americanos merecem combustíveis limpos a preço de mercado. Os produtores brasileiros de etanol à base de cana-de-açúcar estão prontos para competir. E os produtores de etanol americanos?", questiona o comunicado.
Nos Estados Unidos, porém, os autores do projeto afirmam que a medida vai estender incentivos cruciais à indústria de etanol americana e ajudar "na preservação de centenas de milhares de empregos", em um momento em que o país amarga uma taxa de desemprego próxima de 10%.
"Esse é um projeto bipartidário que vai promover não apenas crescimento econômico, mas também a transformação da nossa indústria de energia de uma indústria dependente de combustível estrangeiro para uma indústria baseada em energia fabricada nas fazendas do coração da América", disse Pomeroy.
Empregos Os congressistas citam estudos que calculam que 112 mil empregos seriam perdidos caso os subsídios sejam extintos no fim deste ano, como previsto.
Segundo especialistas no setor, a expectativa é de que o projeto acabe se tornando uma emenda de uma proposta mais ampla, como é comum ocorrer no caso de leis que estendem ou criam crédito fiscal ou impostos.
Ainda não há data para a votação na Câmara. Depois de aprovado pela Câmara, o projeto deve passar pelo Senado.
Há também a possibilidade de que uma segunda proposta semelhante seja apresentada no Senado.
No entanto, em um ano de eleições legislativas, em que parte do Congresso será renovada, especialistas afirmam que os congressistas americanos podem tentar apressar a votação para usar a continuação da tarifa e dos subsídios como combustível para suas campanhas eleitorais.
A vice-representante comercial dos Estados Unidos, Miriam Sapiro, deve viajar ao Brasil na próxima semana para negociar uma maneira de evitar as medidas de retaliação comercial anunciadas pelo governo brasileiro contra produtos americanos. Segundo fontes diplomáticas e que acompanham as negociações, Sapiro deverá participar de reuniões no Ministério de Relações Exteriores na próxima quinta-feira."Esperamos que ela leve bem mais do que foi apresentado nas últimas conversas (entre representantes dos dois países)", disse à BBC Brasil o diretor-executivo do US Brazil Business Council, Steven Bipes.
A viagem da representante americana ocorre poucos dias antes da data prevista para que a retaliação brasileira entre em vigor, em 7 de abril.
Proposta Desde que anunciou as medidas retaliatórias, em 8 de março, o governo brasileiro vem afirmando esperar uma proposta dos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a pedir, em um discurso em São Paulo, que o governo de Barack Obama negociasse "rapidamente" uma solução.
Até o momento, no entanto, Washington não apresentou propostas concretas que possam evitar a retaliação, autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), por conta dos subsídios concedidos pelo governo americano a seus produtores de algodão.
A retaliação brasileira inclui uma lista de 102 produtos americanos que deverão pagar sobretaxa para entrar no Brasil, num valor total de US$ 591 milhões (cerca de R$ 1 bilhão).
No último dia 15, Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, publicou uma consulta pública sobre a possível suspensão de direitos de propriedade intelectual de uma segunda relação de produtos americanos.
Esses produtos seriam alvo da chamada retaliação cruzada, em um valor adicional de US$ 238 milhões (cerca de R$ 433 milhões), totalizando assim os US$ 829 milhões (R$ 1,5 bilhão) autorizados pela OMC.
Subsídios A mudança no regime de subsídios aos produtores de algodão dos Estados Unidos depende de autorização do Congresso, o que levaria tempo e enfrentaria resistência de vários setores americanos.
No entanto, a expectativa é de que os Estados Unidos apresentem ao Brasil uma proposta para impedir a retaliação imediata e ganhar tempo até uma solução definitiva.
"Acreditamos que essa reunião possa ao menos sinalizar uma vontade do governo e do Congresso americano de negociar", disse Bipes.
Segundo o diretor de Política de Comércio Internacional da Associação Nacional dos Manufatureiros dos Estados Unidos, Doug Goudie, a expectativa do setor industrial americano é de que a reunião da próxima semana abra caminho para uma negociação de longo prazo.
"Esperamos que os Estados Unidos dêem ao Brasil uma 'prova de vida', ou seja, apresentem alguma proposta que evite a retaliação e permita a continuação de negociações mais amplas para uma solução de longo prazo", disse Goudie.
Os Estados Unidos anunciaram, nesta sexta-feira, um plano para ajudar donos de imóveis que enfrentam dificuldades para pagar suas hipotecas. O projeto prevê que proprietários que devem mais do que o valor de suas propriedades terão direito a empréstimos do governo para pagar suas dívidas.Especialistas calculam que um em cada três donos de imóveis nos EUA deve mais do que o valor de suas casas. Cerca de 15% dos pagamentos de hipotecas estão atrasados, segundo os credores americanos.
O governo destinou US$ 14 (R$ 25 bi) bilhões de dólares para o programa que também dará assistência para que donos de imóveis que estejam desempregados consigam honrar seus pagamentos. Mutuários receberão ainda seis meses de auxílio se perderem seus empregos.
Além disso, o plano prevê que companhias que concordem em reduzir o valor dos pagamentos receberão incentivos econômicos do governo.
O governo usará para este programa parte do dinheiro destinado para resgatar o sistema financeiro após o colapso do Lehman Brothers.
O analista econômico da BBC Andrew Walker afirma que "a economia se recupera e o desemprego diminui, mas ainda existe o problema das pessoas perdendo suas casas por não conseguirem honrar o pagamento de suas hipotecas".
"As iniciativas do governo americano, até agora, não conseguiram resolver esse problema."
O presidente do Uruguai, José 'Pepe' Mujica, propôs, em uma entrevista a um semanário local, que dependentes de crack sejam tratados com trabalhos físicos no país. "É preciso isolar os viciados e fazer com que eles se cansem com instrução militar.Mas é preciso diferenciar serviço militar de instrução militar", disse Mujica na edição dessa semana do jornal Búsqueda.
Segundo ele, instrução militar não significa "sair dando tiros por aí", mas "realizar trabalhos físicos".
Mujica defendeu que os dependentes sejam levados para áreas rurais do país ou que fiquem concentrados em locais onde possam receber o treinamento físico. O presidente, no entanto, não deu detalhes sobre como seria o treinamento.
Mujica disse que seu governo fará "algo de impacto" para reverter a situação dos dependentes.
'Tolerância zero' Em entrevista à rádio Expectador, de Montevidéu, o secretário da Junta Nacional de Drogas (JND), ligada ao governo, Milton Romani, disse que a proposta do presidente será "analisada", mas afirmou que "é preciso oferecer várias alternativas de tratamento" para estes casos.
Romani disse ainda que o governo atual adotará "tolerância zero" contra o crack e outras drogas.
Ainda nesta quinta-feira, o deputado governista Víctor Semproni, da coalizão de centro-esquerda Frente Ampla, anunciou que apresentará um projeto de lei propondo tratamento com internação para dependentes de diversas drogas, inclusive álcool e tabaco.
Desde a posse do novo governo, em 1º de março, Mujica fez declarações que geraram polêmicas no país, como o anúncio do projeto que pretende dar à Justiça ferramentas para a libertação de presos com mais de 70 anos, inclusive os que são acusados de crimes durante a ditadura militar (1973-1985).
Assessores de Mujica disseram à BBC Brasil que o líder uruguaio já defendia essas medidas polêmicas durante a campanha, mas reconheceram que depois que ele foi empossado, as declarações "têm outro impacto".
Mujica deve fazer uma visita oficial ao Brasil no início da próxima semana, segundo a agenda oficial do presidente uruguaio.
O novo acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para redução de seus arsenais nucleares representa um avanço significativo na política externa do presidente Barack Obama. Esse é o primeiro tratado abrangente sobre armas nucleares desde o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), assinado em julho de 1991.O Start expirou no fim do ano passado, e os negociadores russos e americanos vinham trabalhando intensamente para tentar chegar a um substituto.
Mas eles tiveram momentos difíceis e entraves. Durante o período de negociações, houve discussões complexas sobre questões técnicas - a divisão de telemetria de voos de mísseis, por exemplo.
Em outros momentos, parecia que o contínuo desconforto de Moscou sobre os planos americanos de criar um sistema de defesa antimísseis poderia acabar de uma vez com as negociações.
Previsibilidade Os dois lados, no entanto, querem a previsibilidade que o novo tratado pode trazer.
Os russos, com um arsenal nuclear antigo, queriam muito um acordo para empurrar os respectivos arsenais a níveis menores.
Em termos diplomáticos, a Rússia também gosta, de certa forma, de negociações estratégicas sobre armas com os Estados Unidos. Afinal, essa é uma das poucas áreas onde Washington e Moscou sentam na mesma mesa como quase iguais.
O novo acordo é um tratado de controle de armas real no sentido que inclui um vasto conjunto de verificações e medidas de monitoramento que dá ao texto sua verdadeira força.
Um acordo de armas provisório, assinado entre George W. Bush e Vladimir Putin há cerca de oito anos, não trazia nenhuma dessas medidas - elementos que especialistas em controle de armas consideram essenciais para criar a transparência e a confiança necessárias entre duas superpotências nucleares.
As reduções previstas no novo tratado em termos de armas estratégicas soam significativas, mas ainda deixam os dois lados com muito mais armas do que eles precisam para deter um ao outro.
Ambição e pragmatismo Apesar disso, o novo tratado, que deve ser assinado em Praga em abril, marca o primeiro passo na ambiciosa agenda de desarmamento do presidente dos Estados Unidos.
Em um discurso importante na capita tcheca há cerca de um ano, Obama falou sobre sua visão de um mundo sem armas nucleares.
Isso representou ambição com um toque de pragmatismo. O presidente percebeu que esse mundo provavelmente não será realidade na sua geração, mas o tratado de controle de armas é um início importante.
O novo tratado também representa um marco importante antes de uma reunião crucial em maio, em que será revisado do Tratado de Não-Proliferação Nuclear - a pedra fundamental nos esforços para prevenir a propagação de armas nucleares.
Tanto Washington como Moscou querem ser vistos como reduzindo seus arsenais nucleares - uma reivindicação de nações não-nucleares para que o regime de não-proliferação funcione efetivamente.
O acordo também marca uma melhora nas relações entre os Estados Unidos e a Rússia.
Obama já havia demonstrado sua intenção de dar um novo começo às relações entre os dois países.
Frequentemente, a falta de confiança dos anos da Guerra Fria parece ressurgir e, a Rússia - como indica toda a preocupação do governo americano sobre suas políticas - é vista como um parceiro crucial em lidar com problemas urgentes de um mundo globalizado.
Mas o tratado de redução de armas não é um fim em si.
O governo de Obama certamente o vê como o início de um ambicioso novo processo, que envolve acordos para salvaguardar materiais nucleares, reforçar os esforços de não-proliferação e garantir cortes mais significativos de armas no futuro.
E o acordo se torna ainda mais importante pelo fracasso, até o momento, em se conter as ambições nucleares do Irã e da Coreia do Norte e pela renovada popularidade do poder nuclear civil, especialmente em regiões instáveis do mundo, aumentando a gama de países flertando com ambições de armas nucleares.
É a forma como as peças do quebra-cabeças atômico são encaixadas que constitui um verdadeiro teste para a diplomacia nuclear de Obama.
Um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que as gangues de traficantes de drogas mexicanas expandiram suas atividades no país e já representam a maior ameaça em termos de crime organizado às autoridades americanas.
O documento, intitulado National Drug Threat Assessment ('Avaliação Nacional da Ameaça das Drogas', em tradução livre) afirma que "organizações de tráfico de drogas mexicanas continuam representando a única grande ameaça em termos de tráfico aos Estados Unidos", apesar do financiamento americano ao combate ao tráfico de drogas.
"As organizações de tráfico de drogas mexicanas já prevalecem entre os fornecedores de drogas ilícitas nos Estados Unidos e estão ganhando ainda mais força nos mercados de drogas do leste, onde as organizações de tráfico colombianas estão perdendo força", diz o documento.
De acordo com o relatório, o aumento da influência dos traficantes mexicanos nos Estados Unidos em 2009 pode ser notada de várias formas.
"Organizações de tráfico de drogas mexicanas aumentaram a cooperação com gangues de rua ou nas prisões americanas para distribuir drogas. Em muitas áreas, estas gangues estavam usando suas alianças com as organizações mexicanas para facilitar a expansão de suas operações de distribuição de drogas em áreas mais rurais e suburbanas."
"Organizações mexicanas aumentaram o fluxo de várias drogas (heroína, metanfetamina e maconha) para os Estados Unidos, primariamente devido ao aumento da produção no México", continua o relatório.
O documento afirma que, de acordo com estimativas do governo americano, a produção de heroína pura dobrou e passou das 17 toneladas em 2007 para 38 toneladas em 2008, o que levou a preços mais baixos do produto e ao aumento das mortes por overdose nos Estados Unidos.
Bilhões
De acordo com o documento do Departamento de Justiça americano, as organizações de tráfico mexicanas estão enviando cerca de US$ 40 bilhões em dinheiro de volta ao México todos os anos.
O México já é há tempos o principal corredor de tráfico de drogas para os Estados Unidos, mas este relatório sugere que os esforços mexicanos e americanos para cortar o fluxo das drogas tiveram um impacto apenas limitado, de acordo com o correspondente da BBC em Washington Richard Lister.
Falando na Cidade do México no começo da semana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu mais esforços para lidar com as questões sociais que estimulam o tráfico de drogas, como a pobreza.
O México, que tem cerca de 50 mil soldados envolvidos na luta contra os cartéis de tráfico de drogas, sugeriu que o dinheiro americano e os equipamentos prometidos pelos Estados Unidos não chegaram ao país em um prazo rápido o bastante para enfrentar as organizações.
A Comissão Eleitoral do Iraque anunciou nesta sexta-feira que o bloco político liderado pelo ex-premiê Iyad Allawi venceu por uma estreita margem as eleições parlamentares do país, derrotando o partido do atual primeiro-ministro, Nouri Al-Maliki.
Segundo os resultados preliminares divulgados pela Comissão, o partido de Allawi conquistou 91 assentos no Parlamento, contra 89 de Maliki. Ambos são xiitas representando facções politicamente laicas.
Como Allawi não conseguiu maioria no Parlamento, terá agora que formar uma coalizão para governar. Maliki insistiu que os resultados não são definitivos e afirmou que recorrerá aos canais legais para questionar a contagem.
"Não consideramos estes resultados definitivos porque existem outros detalhes que a comissão eleitoral deve analisar", disse Maliki.
O premiê disse que acatará o resultado apenas se todos os candidatos vitoriosos forem liberados por uma comissão que investiga ligações deles com grupos extremistas ou seus vínculos com o regime de Saddam Hussein.
"Como é possível que entre eles (os vencedores) existam pessoas que estão detidas acusadas de terrorismo?", disse à jornalistas.
Mais violência
As Nações Unidas, que ajudaram os iraquianos a organizar as eleições de 7 de março, dizem que o pleito transcorreu sem evidências de fraude sistemática e pediu para que todos os partidos aceitem os resultados.
Por sua vez, os Estados Unidos parabenizaram o país pela conclusão da apuração. Allawi disse que trabalhará com as diferentes facções políticas para formar um novo governo.
Entretanto, o correspondente da BBC em Bagdá Peter North disse que há o temor de que os resultados possam dar início a uma nova onda de violência.
Pelo menos 40 pessoas morreram nas explosões de duas bombas perto de um restaurante na cidade de Khales, ao norte de Bagdá, horas antes da divulgação dos resultados.