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Notícias, matérias e especiais sobre Cultura: Cinema, Livros e Música no Último Segundo - iG


Louise Bourgeois morre em Nova York

Artista plástica, uma das mais importantes do século, tinha 98 anos

A franco-americana Louise Bourgeois, uma das mais importantes artistas plásticas do século 20, morreu nesta segunda-feira, aos 98 anos, em Nova York. Nascida em Paris, ela vivia nos Estados Unidos desde o final da década de 30. Apesar de ter se expressado nas mais variadas formas de arte, Bourgeois era conhecida principalmente por suas esculturas.

Uma de suas séries mais famosas leva o título de Maman - em francês, mãe. São aranhas de até nove metros de altura, feitas nos anos 90, espalhadas por diversas cidades do mundo. Uma delas está no Museu de Arte Moderna de São Paulo, numa sala especial que permite que ela seja vista da marquise do Parque Ibirapuera.

Segundo informações do jornal New York Times, Bourgeois estava internada no Beth Israel Medical Center, em Manhattan, desde o último sábado, depois de sofrer um ataque cardíaco. Apesar de ter feito sua primeira exposição em 1949, a artista só obteve reconhecimento internacional a partir dos anos 70. O museu Tate Modern, em Londres, sediou uma grande retrospectiva de sua carreira em 2007. A exposição depois seguiu para Paris e Nova York.

31/05/2010 05:53 PM

Ferreira Gullar ganha Prêmio Camões

Poeta vence premiação de 2010, tida como maior honraria das letras lusófonas, no valor de 100 mil euros

O poeta brasileiro Ferreira Gullar foi anunciado como vencedor do Prêmio Camões de 2010, homenagem anual criada em parceria por Brasil e Portugal no ano de 1989 e que tem em sua lista de ganhadores nomes respeitados como Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1995), Rubem Fonseca (2003) e Lygia Fagundes Telles (2005).

Autor de Poema Sujo, livro lançado em 1976 que retrata memórias de sua vida no Maranhão com questões políticas, Gullar também é conhecido por suas crônicas, ensaios e críticas de arte.

O autor recebeu em 2005 o Prêmio Machado de Assis, maior honraria da Academia Brasileira de Letras, e em 2007 o Prêmio Jabuti na categoria "ficção" pelo livro Resmungos.

O nome de Gullar foi revelado pela ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas, nesta segunda-feira, na cidade de Lisboa. O valor pago ao escolhido pelo Prêmio Camões é de 100 mil euros.

31/05/2010 05:49 PM

Ray Charles ainda é um artista lucrativo

Direitos sobre obras do cantor vem sendo reforçados por sucessos mais recentes

Ray Charles é o sonho de qualquer editora musical. Não apenas ele compôs canções que resistem ao tempo como suas interpretações das músicas de outros podiam convertê-las em minas de ouro.

Ele compôs clássicos como "What'd I Say?" e também converteu músicas de outros compositores em sucessos. Sua versão de "Georgia On My Mind," de Hoagy Carmichael e Stuart Gorrel, virou número 1 na lista Billboard Hot 100 em 1960, apesar de ter sido gravada por muitos cantores famosos antes dele.

Além das composições do próprio Ray Charles e das canções que pertenciam a ele, através de suas próprias empresas de edições musicais, "pouco ou nenhum artista já exerceu o mesmo impacto que ele sobre as editoras musicais," diz Tony Gumina, presidente do Ray Charles Marketing Group, que cuida dos licenciamentos ligados ao artista falecido. "Se você olhar apenas as 11 canções diferentes pelas quais Ray ganhou um Grammy, verá 11 editoras e co-editoras diferentes."

Antes do 80o aniversário do nascimento de Ray Charles, em 23 de setembro, o grupo está trabalhando com parceiros sobre vários projetos, que incluem um novo documentário sobre o artista, a ser transmitido pelo Biography Channel, e a estreia de Unchain My Heart: The Ray Charles Musical, prevista para novembro.

A maioria das canções que Charles compôs até 1962 pertencem à editora Warner/Chappell Music, e as que ele criou depois disso são publicadas pelas próprias editoras musicais de Ray Charles, pertencentes à Fundação Ray Charles e licenciadas pelo Ray Charles Marketing Group, formado em 2005 para maximizar as oportunidades ligadas a esses direitos autorais.

A partir de 1962, três anos depois de Charles ter deixado a Atlantic e fechado contrato com a ABC, cada canção que ele compôs, co-compôs ou, em alguns casos, gravou, pertenceu a suas próprias empresas editoras, a Tangerine Music Corp. e a Racer Music Co.

Nos seis anos passados desde sua morte por câncer, seu catálogo de edições musicais vem crescendo. A receita de seus copyrights mais antigos vem sendo reforçada por sucessos mais recentes. Em 2004 a Concord Records lançou o álbum premiado com o Grammy Genius Loves Company, que já vendeu 3,2 milhões de cópias. No mesmo ano foi lançado o filme Ray, com Jamie Foxx no papel título, que valeu um Oscar ao ator. Desde 2004, o álbum Very Best of Ray Charles, da Rhino, já vendeu mais de 1 milhão de cópias, depois de vender apenas 143 mil unidades entre seu lançamento, em 2000, e meados de 2004.

"Com Greatest Hits, o filme, a trilha sonora, os novos discos (da Concord) e Golddigger, de Kanye West (que usa a composição de Ray Charles e Renald Richard 'I've Got a Woman'), a coisa está virando uma bola de neve," diz Brad Rosenberger, vice-presidente sênior de marketing e desenvolvimento de catálogos da Warner/Chappell.

"Não há dúvida: Ray Charles está chegando a uma nova geração de jovens."

 

31/05/2010 05:09 PM

Abel bate recordes de bilheteria no México

Dirigido pelo ator Diego Luna, filme estreou com apenas 65 cópias

O filme "Abel", dirigido pelo mexicano Diego Luna, bateu recordes de bilheteria em seu primeiro fim de semana de exibição no México, com uma distribuição de apenas 65 cópias, afirmou hoje o diretor e ator. "Hoje acordei e fui direto ao computador para ver como tínhamos ido", confessou Luna, ao canal "Televisa". "Ainda faltam algumas contagens, mas já bateu recordes de lançamentos deste tamanho e ficamos felizes", disse o ator de filmes como E Sua Mãe também (2001) e Milk - A Voz da Igualdade (2008).

De acordo com o ator e diretor, a diferença em comparação com o recorde anterior é "gigante", cujo primeiro lugar era ocupado no México pelo filme Shakespeare Apaixonado (1998), do britânico John Madden. Em seu primeiro fim de semana Shakespeare Apaixonado arrecadou 2 milhões de pesos (US$ 155.038), enquanto Abel já faturou quase 3 milhões de pesos (US$ 232.558), e ainda "faltam muitos cinemas a serem contados", disse Luna.

"Recebi uma ligação dos distribuidores no sábado dizendo que estavam felizes, que era um sucesso gigante, que eles já podiam prever vendo os números do primeiro dia", afirmou Luna. "Eu ainda estava meio cético, mas ontem me dei conta de que era sério".

31/05/2010 02:20 PM

Caixa celebra 80 anos de Clint Eastwood

Box traz 19 DVDs, com filmes como Desafio das Águias e Gran Torino

Considerado um dos maiores cineastas da atualidade, Clint Eastwood completa 80 anos hoje. Ícone do cinema nos anos 60, 70, 80, 90 e 2000, o ator, diretor e produtor passeou por vários gêneros (faroeste, drama, policial, guerra, romance), sempre tendo como destaque um trabalho sério e cuidadoso. A cara quase sempre fechada e as falas repletas de mau humor dos seus personagens, no entanto, não escondem outra característica que torna Eastwood um diretor genial: a sensibilidade.

Mesmo depois de ter declarado que não iria comemorar seus 80 anos e que não queria presentes, o cineasta ganhou uma homenagem da Warner Bros., da qual é contratado desde 1975. A empresa lançou, nos Estados Unidos, a coleção Clint Eastwood, com 35 filmes em que ele trabalhou como diretor e/ou ator. O box é composto por 19 DVDs e é o maior já lançado com obras de um único artista. Na seleção, antigos clássicos e filmes mais recentes, como O Desafio das Águias (1969) e Gran Torino (2008). No Brasil, a caixa é vendida por R$ 673,50.

Fanático por jazz e exímio pianista, o diretor, que nasceu em São Francisco, Califórnia, insere sempre que possível o gênero musical na trilha sonora dos seus longas, que contam também com sua colaboração como compositor. "Vi uma foto do Clint, no set de As Pontes de Madison, em que ele estava ajeitando um refletor. Isso é de uma sensibilidade incrível. Se o cinema fosse uma entidade religiosa, o Clint seria um dos santos no altar", diz o diretor Walter Carvalho. Ao todo, Eastwood já dirigiu 33 filmes, o que faz dele um dos cineastas mais produtivos de todos os tempos.

Sua versatilidade influencia cineastas de várias partes do planeta, inclusive do Brasil. Vicente Amorim (Um Homem Bom, 2008) é um deles. "Por causa de Corações Sujos (próximo longa do diretor, que deve ser lançado em 2011) vi e revi Cartas de Iwo Jima (de Eastwood) muitas vezes", diz Amorim. "Um dos atores desse filme do Clint - Tsuyoshi Ihara - é a estrela do meu. Além disso, também usei a mesma tradutora e o mesmo produtor de elenco que ele", afirma o diretor brasileiro, que, em Corações Sujos, contará a história de imigrantes japoneses que acreditavam que o Japão tinha vencido a 2ª Guerra Mundial.

31/05/2010 01:29 PM

Heavy metal fecha Rock in Rio Lisboa

Após cinco dias de música, festival foi encerrado pela banda alemã Rammstein

Lisboa - O show da banda de heavy metal alemã Rammstein encerrou neste domingo o festival Rock in Rio Lisboa, que, após cinco dias de música de todos os gêneros, voltará à capital portuguesa em 2012. A energia do Rammstein ao vivo acendeu cerca de 40 mil espectadores, que puderam desfrutar de efeitos especiais e pirotécnicos.

A banda retornou a Portugal para apresentar seu sexto álbum, "Liebe Ist Fur Alle Da", após ter esgotado meses atrás todas as entradas do show que fez no Pavilhão Atlântico de Lisboa. Os alemães fecharam uma noite de heavy metal que começou com a música do Soulfly - banda liderada pelo brasileiro Max Cavalera, ex-líder do Sepultura - que apresentaram durante seu show o disco "Omen", lançado neste mês de maio.

Em seguida, subiu ao palco o Motorhead, que fez um repasse de seus 35 anos de carreira e cantou as melhores músicas de seus mais de 20 discos editados. Antes que o Rammstein provocasse a histeria no espetáculo, o Megadeath revolucionou o palco em seu retorno a Portugal após seis anos.

A banda, formada em 1983, apresentou para os portugueses seu último álbum, "Endgame", lançado em setembro do ano passado. A edição deste ano do Rock in Rio Lisboa registrou um total de 329 mil espectadores, público abaixo do festival em 2008, quando mais de 354 mil pessoas desfrutaram da música ao vivo do evento.

31/05/2010 01:04 AM

Sex and the City 2 tem estreia fraca nos EUA

Filme ficou em segundo lugar na bilheteria americana, atrás de Shrek Para Sempre

 

As glamurosas garotas de Sex and the City 2 foram ofuscadas por um ogro verde no final de semana de estreia na América do Norte neste domingo, com o filme Shrek para Sempre chegando à segunda rodada com a preferência de público. As comparações entre os dois filmes são um tanto perigosas, no entanto.

Shrek para Sempre faturou 43,3 milhões de dólares nos três dias de estréia desde sexta-feira, enquanto Sex and the City 2 ganhou 32,1 milhões de toneladas durante o mesmo período. Mas a franquia Sex and the City estreou mais cedo, na quinta-feira em vez de sexta, devido ao feriado nacional do Memorial Day nos Estados Unidos nesta segunda-feira.

As vendas de 14,2 milhões de dólares na quinta-feira levaram o total de quatro dias de exibição para 46,3 milhões de dólares - o que o longa provavelmente teria faturado se estreasse um dia depois. Ainda assim, o valor de bilheteria registrado na estreia de Sex and the City 2 ficou bem abaixo dos 57 milhões de dólares faturados nos três primeiros dias de exibição do primeiro filme da série há dois anos.

"Sim, eu adoraria ter visto um número maior, mas eu não estou preocupado até ver como será a segunda semana", disse Dan Fellman, presidente da unidade de distribuição doméstica da Time Warner Inc.

Ele projetou que o filme deve chegar a cerca de 53 milhões de dólares com as vendas no feriado desta segunda-feira. Analistas da indústria estimam que os cinco dias de lançamento devem gerar um valor superior a 60 milhões de dólares.

A animação da DreamWorks Animation SKG Inc, Shrek para Sempre, que também sofreu uma estreia insatisfatória na última semana, avançou surpreendentemente bem. As vendas recuaram apenas 39 por cento, bem melhor que os 56 por cento de queda em relação a Shrek Terceiro em 2007.

 

30/05/2010 07:39 PM

Tela de Wilfredo Lam obtém US$ 1,4 mi em leilão

Obra do pintor cubano que mistura surrealismo e "santería" foi vendida na Sotheby's

Uma tela do cubano Wilfredo Lam que mistura surrealismo e "santería" foi a obra mais cara no leilão de arte latino-americana organizado pela casa Sotheby's na noite de quinta-feira.

"Sur les Traces (Transformação)" obteve 1,42 milhão de dólares, recorde também para o próprio Lam. O leilão como um todo somou 12,2 milhões de dólares, aquém da expectativa pré-vendas, de 13,8 milhões, e do resultado do leilão anterior de arte latino-americana da Sotheby's, em 2009, 14,6 milhões.

Carmen Melian, chefe de arte latino-americana da Sotheby's, minimizou o resultado financeiro e enfatizou a tendência em favor dos gêneros surrealista e abstrato.

Lam pintou "Sur les Traces" em Cuba, após voltar de Paris, onde integrara o núcleo surrealista de André Breton. "Esta obra combina elementos europeus do surrealismo e da santería", disse Melian, referindo-se a uma religião afro-cubana com forte sincretismo, a exemplo do candomblé e da umbanda no Brasil. A avó de Lam era mãe-de-santo, lembrou a especialista.

Caudas de cavalo, chifres e chamas evocam a santería num ambiente onírico, no qual pinceladas fluidas de preto traçam silhuetas de extremidades humanas, como olhos e dedos.

O segundo melhor resultado do leilão foi para "O Drama de Orwain" (1959), da surrealista mexicana Leonora Carrington, com 722,5 mil dólares, que retrata o sacrifício de um nobre galês lendário.

Um sem-título de 1951 do surrealista chileno Matta alcançou 692,5 mil dólares. Um colecionador particular dos EUA arrematou por 662,5 mil o "Retrato de Gladys March", do mexicano Diego Rivera, que ele fez para uma jornalista norte-americana que o ajudou a escrever sua autobiografia.

O leilão também incluiu anotações e o manuscrito feito por ela em seis meses de entrevistas com o pintor mexicano - centenas de páginas em quatro caixas, que Melian descreveu como o "paraíso de um acadêmico". Consta do lote também uma carta em que Rivera afirma que a jornalista era uma menina travessa que virou uma "jovem bonita".

Uma tela de Rivera, "Tejedora y los Niños" ("tecelã e as crianças"), avaliada em até 1,3 milhão de dólares, não encontrou comprador. A obra passou mais de meio século sumida, sendo conhecida apenas por uma granulada foto em preto e branco.

Leis culturais do México impedem que a obra deixe o país. "Isso afetou fortemente o preço, porque realmente estreitou o público" que poderia comprá-la, segundo Melian.

 

30/05/2010 04:01 PM

Um papo sobre Sex and the City 2

Quatro atrizes do filme falam sobre o filme, seus personagens, feminismo e Marrocos

Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte estão de volta. As quatro personagens da série Sex and the City, que virou filme em 2008, retornam numa continuação que chegou aos cinemas brasileiros na última sexta. Dessa vez, as aventuras do quarteto incluem férias em Abu Dhabi - mas as filmagens na verdade aconteceram no MArrocos. Veja abaixo o que Sarah Jessica Parker (Carrie), Kim Cattrall (Samantha), Cynthia Nixon (Miranda) e Kristin Davis (Charlotte) têm a dizer sobre o filme, seus personagens e feminismo:

Vocês poderiam falar sobre seus personagens no filme?

Cynthia Nixon: Acho que para Miranda a questão é o que fazer quando você tem um ótimo emprego pelo qual trabalhou décadas para conseguir e que paga bem, e de repente você se sente péssima nele. Consigo entender isso no sentido que, à medida que você envelhece e entende quem você é, e acho que é isso que acontece com Miranda no filme, você aprende a se valorizar e aprende a dizer 'se alguém está me tratando mal, mesmo que seja do meu interesse manter minha boca calada, eu tenho que falar por mim, porque se eu sou uma advogada infeliz, talvez seja melhor não ser uma advogada'.

Sarah Jessica Parker: Como venho dizendo, houve uma cerimônia de casamento e agora há um casamento, e as duas coisas são bem diferentes. Quando o filme começa, Carrie, como é típico dela, começa a fazer perguntas a respeito da situação em que ela vive. A grande questão do filme para todas nós é tradição. Por que a aceitamos e por que a rejeitamos, e por que, já que queremos tanto nos comprometer com convenções como o casamento, continuamos questionando e fazendo perguntas? E como redefinos as tradições para nós mesmos e como nossos amigos redefinem? Será que eles querem isso?

Isso acontece com você?

Sarah Jessica Parker: Acho que mulheres de uma certa geração nem têm consciência que estamos no meio de um processo de redefinir nossos papeis o tempo todo. É o grande presente que nossas mães nos deram: a oportunidade de repensar nosso papel em situações bastante tradicionais, seja num relacionamento ou num trabalho. Nós fazemos isso o tempo todo, eu acho. Até as mulheres que ficam em casa com as crianças estão repensando essa situação. Acho que é um privilégio poder falar sobre esse assunto porque ele é importante para mim, sem fazer discursos.

Kim Cattrall: Menopausa, menopausa (risos).Não precisei fazer nenhuma pesquisa. Não preciso dizer mais nada.

Kristin Davis: Nossa, ela é sucinta. Para Charlotte, é a mesma coisa que Sarah disse a respeito de tradições. Charlotte sempre foi muito tradicional e sempre esperou muito de situações tradicionais. Mas às vezes as coisas não acontecem como ela espera, porque o que ela quer controlar na vida não pode possam ser controlado de verdade. Então ela tem que encarar sua própria incapacidade de ter a vida perfeita que ela quer criar, e até tem problemas para ser honesta consigo mesma a respeito do estresse que isso envolve. Uma das coisas que mais gosto no filme é que Miranda consegue ver através dessa fachada.

Para muitas mulheres, vocês são o retrato da mulher divertida e destemida. Vocês poderiam dizer as melhores coisas de serem divertidas e destemidas?

Kristin Davis: (risos) Não sei bem como responder. Nossos personagens são diferentes, mas muito, muito unidos. E não importa se nem sempre concordamos, às vezes os personagens discordam, como quando Charlotte julga Carrie. Adoro essa parte do filme porque acho que é o que fazemos na vida real. E então, felizmente, ela tem tempo e conversa suficientes para perceber que não é justo que ela julgue e imponha suas noções pré-concebidas a sua amiga. Adoro o fato que criamos mulheres poderosas que podem ser poderosas do seu jeito e ainda continuarem unidas.

Kim Cattrall: Acho que a coisa mais importante para mim foi encorajar muitas mulheres a mudar o jeito que elas se sentem sobre serem solteiras, sobre terem câncer, todas aquelas histórias sobre se casar e ser abandonada, estar sozinha, estar solitária. Acho que chamamos a atenção delas e as encorajamos a mudar. Acho que isso é algo muito importante nessa era de pós-feminismo. Acho que nós as ajudamos a descobrir o que é ser bem-sucedida, inteligente, e também feminina.

Sarah Jessic Parker: Vivemos num mundo, que felizmente está mudando, em que muitas mulheres são muito grossas com as outras e as chamam de nomes horríveis. O que realmente gosto nas personagens é o quanto elas se amam e se respeitam. Seu DNA é radicalmente diferente, mas elas são amigas. Isso mudou o jeito que eu encaro minhas amizades, como eu respondo às escolhas de minhas amigas. Aí eu ligo a TV e vejo como as mulheres se tratam. É horrível. Por isso, gosto de saber que há um lugar que mostra que as mulheres podem ser aliadas, não adversárias.

Cynthia Nixon: Há um momento em que Charlotte e Miranda têm uma briga por causa da decisão de Charlotte de parar de trabalhar e focar em ter um filho. Miranda fica muito desapontada, e Charlotte diz: 'Não era essa preocupação do movimento feminista? O importante não é trabalhar ou ficar em casa. O importante é poder escolher'. Como Sarah disse, elas quatro mulheres são diferentes, com pontos de vista diferentes e escolhas de vida diferentes, mas elas se amam e não têm vergonha de dar suas opiniões e seus conselhos.

Como foi filmar no Marrocos?

Kim Cattrall: Todas as refeições foram em tendas. O Dia de Ação de Graças foi numa tenda.

Sarah Jessica Parker: Deu trabalho, mas foi uma das grandes experiências da minha vida profissional: viver e trabalhar com essa equipe todo dia; ver o sol nascer e se por nas locações; deitar numa cama o dia inteiro com essas mulheres, exausta e rindo; estar num camelo com Kim Cattrall...

Kim Cattrall: Poucas pessoas podem dizer que fizeram isso.

Quais são suas melhores lembranças de lá?

Kim Cattrall: Nós famos muito bem recebidas pelas pessoas do Marrocos, nos sentimos muito protegidas. Nos sentimos como se fôssemos parte da família real. Não conseguia acreditar que as pessoas realmente assistissem à série. Foi surpreendente. Eles conheciam os personagens e nos chamavam pelos nomes deles (risos). E nós respondíamos. E também tínhamos os finais de semana livres, então foi quase como umas férias. Nas maiorias das filmagens isso não acontece, você normalmente trabalha aos sábados. É um país extraordinário, não é?

O que um homem aprenderia se fosse assistir ao filme com sua namorada?

Sarah Jessica Parker: Talvez ele aprenda que não há problema em...

Kim Cattrall: Em gastar muito dinheiro com uma garota!

30/05/2010 12:12 PM

Clint Eastwood: de A a Z

Cineasta norte-americano completa 80 anos em atividade e com prestígio crescente

Na história do cinema, não são raros os casos de atores que passaram com sucesso para trás das câmeras. O francês Mathieu Almaric acaba de ganhar o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes por Tournée; o inglês Charles Laughton fez a obra-prima O Mensageiro do Diabo (1955). Kevin Costner (Dança com Lobos) e Mel Gibson (Coração Valente) levantaram estatuetas do Oscar de melhor filme depois de longas carreiras como intérpretes.

Mas nunca houve uma transformação tão radical, tão profunda, tão bem-sucedida quanto a de Clint Eastwood. Se algumas décadas atrás fizessem uma enquete com milhares de cinéfilos perguntando qual jovem ator se tornaria um diretor consagrado no futuro, o nome de Clint certamente não seria nem lembrado. Mas é com esse status ? o de um dos grandes autores do cinema americano contemporâneo ? que ele completa agora 80 anos.

Quando ele iniciou sua carreira ? primeiro como coadjuvante de filmes B, depois como Homem sem Nome da trilogia de western spaghettis de Sergio Leone ou como o Dirty Harry da franquia criada por Don Siegel ?, Clint era visto em geral como um ator limitado. Era considerado pouco mais que um Schwarzenegger da época, capaz de encarnar um homem duro, calado e solitário ? mas não muito mais do que isso.

Mas aos poucos ele aprendeu as manhas do ofício com Leone e Siegel e começou a construir uma carreira de diretor consistente ainda nos anos 70, com filmes bem-recebidos como Josey Wales - O Fora da Lei. Mas a virada de percepção da crítica só veio nos anos 80, quando Bird, sua biografia do saxofonista Charlie Parker, assombrou Cannes.

Os anos 90 foram a fase de consagração, com a obra-prima oscarizada Os Imperdoáveis e o sucesso romântico As Pontes de Madison. E, nos 00, Clint parece simplesmente ter desaprendido a errar, variando entre o bom (Menina de Ouro, A Troca) e o brilhante (Sobre Meninos e Lobos, A Conquista da Honra).

Ao longo do percurso, ele erigiu uma obra sólida como o Monument Valley, aquela paisagem rochosa do Oeste americano que foi o cenário preferido do cineasta John Ford, um dos heróis de Clint. Suas obsessões se tornaram evidentes: uma queda por personagens marginalizados, com traumas do passado, em busca de redenção; um interesse pelo confronto entre o fato e a lenda sobre esse fato.

Além de ter se sofisticado como ator (o que nunca foi devidamente reconhecido), Clint tornou-se o mais clássico dos cineastas modernos ? ou talvez o contrário. Um defensor ferrenho ? perto ou longe das câmeras - dos antigos valores americanos, em particular uma fé absoluta no individualismo.

Mas o que pouca gente parece ter percebido é que, como diretor, Clint nunca deixou de ser o Homem Sem Nome ou Dirty Harry, construindo um estilo límpido e direto, sem palavras ou gestos desnecessários, sem chamar atenção para suas virtudes. Clint chega aos 80 ainda como um cavaleiro solitário, percorrendo lenta e silenciosamente o deserto do cinema hollywoodiano.

30/05/2010 09:33 AM

Aerosmith dá adeus a período conturbado

Shows no Brasil mostram que brigas e problemas de saúde foram superados pela banda

A turnê do Aerosmith pelo Brasil, encerrada neste sábado com uma performance em São Paulo, aconteceu logo após um dos momentos mais conturbados da história da banda. No ano passado, o vocalista Steven Tyler, o guitarrista Brad Whitford e o baixista Tom Hamilton tiveram problemas de saúde que provocaram cancelamento de shows. O pior veio no início deste ano: o guitarrista Joe Perry confirmou que estava procurando um novo cantor para a banda. O motivo nunca foi esclarecido. Aparentemente, Perry pretendia iniciar uma nova turnê mundial, e Tyler preferia entrar de férias. O guitarrista venceu a queda de braço: quando tudo levava a crer que o Aerosmith iria acabar (ou, pelo menos, ir em frente desfalcado), o grupo anunciou sua nova turnê. Com Tyler nos vocais.

Com tantos problemas recentes, a expectativa para os dois shows no Brasil - antes de tocar em São Paulo, o grupo havia passado por Porto Alegre - não era das melhores. Mas foi aí que o Aerosmith mostrou uma de suas características mais marcantes: o poder de recuperação. O grupo, afinal, tem um histórico de altos e baixos invejável, sem contar os inúmeros conflitos internos e problemas com drogas. E, mesmo assim, estão juntos há quase quarenta anos. Não seria dessa vez que eles iriam desistir.

O show foi praticamente uma retrospectiva dessa longa história. Estavam lá as canções dos primeiros discos, lançados ainda nos anos 70 (em especial músicas do disco Toys in the Attic, de 1975, como "Walk This Way", "Sweet Emotion" e a faixa título), amostras do retorno às paradas dos anos 80 ("Love in an Elevator", "What It Takes") e muitas músicas do superestrelato da década de 90 (caso das baladas "Crazy" e "Cryin'", tocadas uma seguida da outra). A quantidade de sucessos do grupo é tão grande que ele se deu ao luxo de deixar de fora um de seus maiores hits, "I Don't Wanna Miss a Thing". A faixa havia sido tocada em Porto Alegre, mas foi ignorada em São Paulo.

Tudo foi apresentado conforme se espera de uma grande banda de rock. O vocalista Steven Tyler passou a maior parte do tempo na passarela que levava ao meio da plateia. Mostrou que sua forma vocal continua ótima, com agudos perfeitos. Também abusou de suas dancinhas características, enrolou-se numa bandeira do Brasil, brincou com uma calcinha que recebeu da plateia. Joe Perry também foi o guitar hero clássico: belos solos, cara de mau, a dose certa de pose. Para completar, um dos grande baixistas do rock, Tom Hamilton (ou "Mister Sweet Emotion", nas palavras de Steven Tyler), estava no palco. Difícil uma receita dessas desandar.

E não desandou. Em primeiro lugar, porque é uma banda com anos e anos de estrada, que consegue fazer uma performance redonda de olhos fechados. Esse profissionalismo já era esperado. A surpresa foi o prazer com que eles tocaram. Ou Tyler e Perry são excelentes atores, ou os dois realmente esqueceram as brigas recentes. Além de sorrir o tempo todo, os dois (e o restante da banda) improvisaram bastante, extenderam as músicas, abriram espaço para todos fazerem seus solos. A impressão é que eles se divertiram tanto quanto o público.

Veja abaixo a lista de músicas do show:

"Eat the Rich"
"Back in the Saddle"
"Love in an Elevator"
"Falling in Love Is So Hard on the Knees"
"Pink"
"Dream On"
"Living on the Edge"
"Jaded"
"Kings and Queens"
"Crazy"
"Cryin'"
"Lord Of The Thighs"
"Stop Messin' Around"
"What It Takes"
"Sweet Emotion"
"Baby, Please Don't Go"
"Draw The Line"

Bis

"Walk This Way"
"Toys in the Attic"

 

30/05/2010 02:04 AM

Bebel Gilberto fala sobre São Paulo, Rio e Lula

Na segunda parte da entrevista, cantora revela ainda que pretende remontar o musical Os Saltimbancos

Na segunda parte da entrevista, Bebel Gilberto fala de sua amizade com a cantora Grace Jones e desconfia que Lady Gaga pertence à maçonaria. Fala de seus sentimentos sobre ao Rio de Janeiro e São Paulo, sobre o governo Lula e o Brasil. E comenta o desejo de remontar o musical infantil Os Saltimbancos, de tio Chico Buarque, no qual estreou como artista, quando era criança.

Por que se casou na igreja?

Casei em Trancoso, naquela igrejinha mínima, num momento de piração. Falei, ai, tem uma igreja linda, conheci quando tinha 14 anos, quando vi rolou. Para lidar com as leis da Igreja Católica, se não fosse a paróquia da minha avó, que graças a Deus nos ajudou... Mas não pense que estou com a cabeça de uma católica. Não vou criticar a Igreja Católica, que não fica nem bem, mas na verdade é uma máfia. Você tem que ter sua certidão de nascimento e de batismo autenticadas. Meu marido é do interior do Rio Grande do Sul, e eu nasci em Nova York. Obviamente meu pai não foi, e nem aluguei Chico e Marieta para irem também. Falei: ?Estou comunicando que vou casar, mas não venham, não fiquem culpados?, para não ter problema. Senão ia ser uma loucura, uma cidade mínima. Ia dar uma trabalheira danada.

Por causa de mídia?
Midia, né? Ia ser chato para eles, para mim, para todo mundo. Na verdade eu precisava me casar pela coisa de papel, que a gente precisa para a cidadania do Didiê em Nova York, e fiz uma brincadeira. Como sou uma velha romântica...

Vestido de noiva?
Não, vestidinho branquinho, mas nada de noiva. Teve arroz, bolo. Eu não queria que passassem de 50 pessoas, só de família já vão 20. Os músicos da minha banda foram todos, tocaram ao vivo, todo mundo cantou, foi muito legal, de pés descalços, tipo hippie. Minha avó ficou no telefone 24 horas, mandou a bandejinha que levou as alianças dela. E eu chorei desde a hora que entrei até o final.

Tem algo inusitado no repertório dos shows no Sesc?
O que vai ter de surpresa é "Sweet Dreams (Are Made of This)", dos Eurythmics, que gravei só com voz e violão para um iTunes Exclusive, junto com "Slave to the Rhythm", da Grace Jones, que é uma possibilidade de convidada para o DVD. Grace aparece na minha vida de três em três anos, virou tipo amiga. Ela adora o Brasil, a música brasileira. Sei que ela pode dar trabalho, mas comigo ela se deu superbem. Ela é uma diva, né? De repente ela quer um elefante branco e você tem que dar. Quando conheci ela era um show meu, cheguei no meu camarim em cima da hora ? não gosto de ficar muito tempo porque fico ansiosa, e eu sabia que tinha Moby, Sean Lennon. Até que me contaram: ?Grace Jones chegou, agora é melhor você vir?. Ai, meu Deus, será que é bom encontrar a Grace Jones antes ou depois, o que eu faço? Fui, cheguei no camarim, ela estava com um baseado desse tamanho, um chapéu maravilhoso, umas botas (faz voz grave): ?You?re late?. Ela disse: ?É importante às vezes você vir pelo menos 40 minutos antes?.

Deu bronca?
É, ?porque você tem que se adaptar, uma coisa pode dar errado na sua roupa, só queria que você soubesse isso?. Mas superquerida, numa ótima. Tinha dois camarins, um onde estava todo mundo bebendo champanhe, um tititi, e esse menor, onde ela estava literalmente me esperando. Dali jantamos juntas, ficamos juntas até quatro horas da manhã, ela queria saber tudo de macumba do Brasil, interessadíssima. Queria estabelecer a diferença entre a santería da Jamaica e a macumba do Brasil. Acho que ela estava interessada na coisa da magia mesmo. Na Jamaica tem essa coisa barra-pesada também, de você usar para as coisas materiais que quer, e às vezes até para pessoas, que considero não tão brancas assim...

Ela anda irritada com a Lady Gaga...
É, exato. Louca ela, né? Lady Gaga é um fenômeno, fiquei bem impressionada com ela. Alguém disse: ?Nossa, mas você está obcecada com Lady Gaga?. Adoro coisas novas, e com criatividade e conteúdo. Obviamente a música dela não é o meu cup of tea, mas Lady Gaga merece um respeito. Se é uma coisa que traz alegria, faz as pessoas pensarem, se enfeitiçarem, pirarem, por que não? E tem a coisa do boi zebu, como chama?... Maçonaria. Estava conversando com meu amigo Erick, se existe uma coisa escondida dela. Procure saber, veja. Não sei direito, estou tentando descobrir.

Maçonaria não é só para homens?
Pode ser, mas do jeito que ela é... Lady Gaga é mulher mesmo? Ela é homem? Tem várias coisas que ela usa que têm muito a ver, símbolos, a coisa de um olho só. Pode ser alguma maluquice assim, comparando com a piração da Madonna com a cabala. Lady Gaga é tão mais maluca, pode estar aí querendo dizer alguma outra coisa... Mas isso é uma teoria entre a gente (ri).

O que está achando de ser casada?
Ah, está sendo ótimo. Ele trabalha comigo, é outra vida completamente diferente. Eu, que sempre fui sozinha e independente, agora estou virando dependente. Ele é bem legal, bem legal. É interessante, está sendo uma proteção para mim, estou menos estressada, mais descansada. Obviamente a gente dá umas brigadas, sempre perto de show, mas sobrevivemos.

Quando está no Rio, como você vê a cidade que deixou em 1991?
Ah, o Rio... Fiquei dez dias quando fui para o aniversário da Memélia, nem consegui pensar na possibilidade de ficar, encarar o trânsito e os 15 milhões de turistas, as lojas, os cheiros, a grande metrópole que está virando o Rio. Mas agora, nessa temporada de maio, estou fazendo de novo as pazes com o rio, fui até à praia.

É uma relação conflituosa?
Total. Sou aquela que busca por um paraíso, depois de tanto viajar e de ter lutado com minha família, então prefiro raptar minha mãe, meu tio e minha prima e ir para Trancoso ou para a praia do Espelho, que ficar sentada no trânsito, pagar um jantar milionário, ficar em fila.

Não sente isso em São Paulo?
São Paulo é um pouco mais saudável, viro turista, é diferente. No Rio me sinto um pouco invadida, ou peixe fora d?água. Em São Paulo, Didiê com dengue, consegui fazer o cruzamento entre o hospital Sírio-Libanês e o Einstein, pensei, gente, estou fazendo a rota Pacaembu-Butantã-USP, exatamente onde eu passava todo dia quando morava com minha avó na rua Buri, uma hora e meia no trânsito. Mas não é nem pelo trânsito, acho que meu conflito é pelo crescimento que está ocorrendo, e pela coisa de ficar na moda também.

Como você vê isso de o Brasil estar na moda?
Obviamente vejo primeiro com o maior orgulho. Tem mais é que estar na moda, um absurdo ninguém ter descoberto isso antes. Mas que saibam cuidar.

Sente o estado de espírito do Brasil diferente?
Sinto sim, talvez um pouco mais de... arrogância?

Há meio um confronto entre os que acham que o Brasil está melhorando e os que não acreditam nisso de modo algum...
Com certeza, outro dia entrei no elevador lá no Rio. Aí estava o Lula nessas televisões que agora tem nos elevadores. Eu disse: ?Gente, olha como o Lula está lindo?, foi aquele silêncio no elevador (ri). Uma mulher ficou até sem graça, eu falei: ?Mas é verdade?. Realmente, está todo cuidadinho, por que não dizer que o Lula está lindo?

Você gosta dele?
Ah, eu gosto. Sou suspeita, completamente. Na primeira vez que ele concorreu à presidência e perdeu, minha avó subiu no palanque e fez um superdiscurso. Ela escreveu e mandou para mim, tenho até hoje. Ela sempre dizia, ?o Llulla?, com aquele jeito de falar de antigamente, os dois Ls... Fui acompanhando. Vejo as pessoas da minha classe, se posso dizer assim, pessoas que não vou dizer os nomes, ou mais famosas ou menos, ou mais ricas ou menos do que eu, criticando... Eu nem sabia como colocar, mas hoje, sinceramente, acho que eu estava certa. Não vou ficar brigando e discutindo, porque não é nem o meu feel, mas acho que o Lula fez do Brasil um Brasil melhor. Não tenho vergonha de dizer isso. Há quem não aceite, por puro comodismo, preguiça de crescer, egoísmo. Mas existe resposta melhor do que agora? O Lula foi com a Dilma no aniversário da minha avó, eu estava mais alienada ainda, mal sabia quem ela era. É difícil opinar, mas eu fico orgulhosa.

Vê o Brasil governado por uma mulher?
(Pensa.) Não sei, não sei. Tenho até medo.

Você não vota aqui, vota?
Eu deveria votar. Tenho dupla cidadania, tenho título aqui e nos Estados Unidos, votei no Obama na última vez. Aqui justifico, deveria votar nesta vez.

E seu pai, você visitou?
Visitei, visitei meu pai...

Está velhinho, também (João completa 80 anos em 10 de junho)...
Ah, nem fala isso, porque dá medo. Ele está muito vivo, agora tem também a filha mais nova. Ficou bem triste com a minha avó, bem triste. Sentiu muito, deve ter ficado emocionado, porque falou com ela um dia antes, graças a Deus. Minha avó adorava ele, ela falou um monte de coisas importantes para mim, até em relação ao meu pai, que eu sempre dava uma reclamadinha...

E sua ideia de remontar Os Saltimbancos?
Outro dia sonhei com Os Saltimbancos. Tenho que conseguir um jeito, não sei como, mas vou fazer esse projeto, é sério. Vou fazer muito baseado no Saltimbancos que o Antônio Pedro dirigiu, de um jeito passe a mensagem maluca que Chico quis passar naquela época. Com certeza eu seria a diretora nesse caso, já nem ia nem mais participar. Tem que botar uma gata de verdade, hoje estou mais para diretora que para gata (ri).

Você tem acompanhado e gostado de algo de música brasileira?
Além do novo disco do Otto, que é maravilhoso? Depois disso não tem mais o que dizer. Até tem, tenho visto a Céu, é bacana, com conteúdo. Mas depois do Otto...

Leia a primeira parte da entrevista com Bebel Gilberto
 

29/05/2010 06:05 PM
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