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Ativistas de vários países estariam em barcos

Organização Free Gaza Movement afirma que ativistas pacifistas de diversos países estavam em embarcações atacadas por Israel

Além da cineasta brasileira Iara Lee, o comboio de ajuda humanitária a Gaza atacada pelo Exército israelense levava dezenas de ativistas de direitos humanos de países como Holanda, Estados Unidos, Bélgica e Alemanha.

Veja abaixo a lista de alguns ativistas que estariam nas embarcações, segundo o Free Gaza Movement. Os nomes dos principais ativistas a bordo, divulgados pela organização, não puderam ser confirmados:

Alemanha

Annette Groth, de 56 anos, é membro do Parlamento da Alemanha e participa do Comitê de Direitos Humanos e Ajuda Humanitária do país.

Inge Höger, de 59 anos, é membro do Parlamento da Alemanha e participa do Comitê de Defes da Alemanha. Inge é ativista de movimentos dos direitos das mulheres e porta-voz do partido esquerdista LEFT.

Matthias Jochheim, de 61 anos, é um físico e psicoterapeuta alemão. Ele é membro do grupo "Físicos para a prevenção da guerra nuclear" (http://www.ippnw.de)

Norman Paech, de 72 anos, é parlamentar do partido de esquerda LEFT e professor de Direito na Universidade de Economia e Ciências Políticas de Hamburgo.

Bélgica

Griet M.A. Deknopper, de 32 anos, é ativista belga e professora.

Inge Neefs, de 26 anos, tem mestrado em antropologia e passou três meses na Cisjordânia, participando de movimentos ativistas pacíficos contra a ocupação israelense.

Estados Unidos

Greta Berlin, co-fundadora do Free Gaza Movement, milita pelos direitos dos palestinos desde a década de 60. Greta esteve na Cisjordânia três vezes desde 2003 e foi ferida a tiros por um soldado israelense em julho durante um protesto na região.

Katherine Elliott Sheetz, de 63, é uma enfermeira com mestrado em desenvolvimento sustentável. Ela faz trabalhos sociais no Haiti.

David Schermerhorn, de 80 anos, é um produtor de cinema. Ele fez parte da primeira tentativa do Free Gaza Movement de furar o bloqueio à Faixa de Gaza, em 2008.

Grã-Bretanha

Alex Harrison, de 32 anos, é ativista de direitos humanos. Ela morou na Cisjordânia durante a Intifiada e teve a entrada negada nos territórios palestinos em 2006 e 2008.

Theresa McDermott, de 43 anos, faz sua terceira viagem até a Faixa de Gaza e já morou durante um mês em territórios palestinos, em 2004.

Denis Healey, de 55 anos, é um marinheiro e era o capitão de uma embarcação que foi interceptada por forças israelenses em julho de 2009, quando ativistas tentavam furar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Holanda

Annekarijn de Jong, de 29 anos, é uma holandesa PhD em Antropologia e pesquisadora da Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS). Ela faz pesquisas sobre os protestos populares e direitos humanos. Em sua pesquisa de Campo, Annekarijn morou durante 16 meses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Irlanda

Caoimhe Butterly, de 31 anos, é uma ativista de direitos humanos e coordenadora do Free Gaza Movement. Ela já trabalhou em projetos no Zimbábue, Guatemala, Líbano, Iraque, Haiti e Faixa de Gaza. Ela morou por um ano em um capo de refugiados na Cisjordânia, mas foi atingida por um tiro durante um protesto e deportada para a Irlanda.

Dennis Halliday, de 69 anos, foi o coordenador dos esforços humanitários da ONU no Iraque entre 1997 e 1998. Ele pediu demissão da ONU, em 1998, após 30 anos de carreira por não concordar com as sanções impostas pelo órgão ao Iraque.

Mark Daly, de 37 anos, é um senador irlandês e membro do comitê de relações exteriores do país.

Shane Dillon, de 36 anos, é um navegador irlandês e já trabalhou em navios mercantes britânicos.

Fiachra O Luain, de 28 anos, é um ativista pacifista e foi candidato indepentende as eleições para o Parlamento Europeu em 2009.

Polônia

Ewa Jasiewicz, de 31 anos, é jornalista e líder comunitária na Polônia. Já morou na Palestina e no Iraque e escreveu um livro sobre suas experiências.

Palestinos

Lubna Masarwa, de 32 anos, é uma ativista palestian que trabalha como líder comunitária na Universidade de Al-Quds com foco em crianças palestinas.

Huwaida Arraf, de 33 anos, é autora do livro "Paz sob fogo: Israel, Palestina e o Movimento Internacional de Solidariedade". É fundadora do Movimento Internacional de Solidariedade, que foi nomeado duas vezes para o Nobel da Paz.

Nader El Sakka
, de 58 anos, nasceu em Gaza e atualmente mora na Alemanha. É presidente da Comunidade Palestina de Hamburgo.

 

Nobel da Paz e sobrevivente do Holocausto

Na lista de passageiros divulgada no site da organização ainda consta a presença do Nobel da Paz de 1976, Mairead Corrigan Maguire, e da ativista sobrevivente do Holocausto Hedy Epstein, de 85 anos.

A organização do movimento informou, no entanto, que os dois não embarcaram nos navios com ajuda humanitária como planejado.

31/05/2010 04:10 PM

Irã expande seu programa nuclear, diz AIEA

Segundo documento oficial, até o início de abril Teerã tinha pelo menos 5,7 quilos de urânio altamente enriquecido

O Irã está preparando um equipamento extra para enriquecer urânio em grau mais elevado, mas permitiu que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tivessem acesso maior à instalação, aponta um relatório confidencial da agência de inspeção nuclear da ONU obtido pela Reuters.

O Irã informou à AIEA que as máquinas extras, que ainda não estão operando, darão suporte ao trabalho de refinar urânio a 20%. O relatório também afirma que a AIEA segue preocupada com o trabalho em andamento no Irã para desenvolver carga nuclear útil para um míssil.

Segundo a AFP, o Irã produziu ao menos 5,7 quilos de urânio altamente enriquecido até o início de abril, um material que Teerã afirma ser destinado a seu reator nuclear de pesquisas, segundo o mesmo documento confidencial da AIEA.

"Em 7 de abril de 2010, o Irã retirou 5,7 quilos de hexafluoruro de urânio (UF6) da primeira cascata" de seu projeto piloto de enriquecimento em Natanz, informou o documento da AIEA. "Segundo o Irã, esse UF6 foi enriquecido a 19,7%", afirma o documento.

De acordo com um diplomata de alto escalão vinculado às inspeções realizadas pela AIEA na República Islâmica, o total de urânio altamente enriquecido do qual o Irã dispõe atualmente é muito maior. "Os 5,7 quilos eram no início de abril. Mas, desde então, o Irã continuou produzindo, e portanto, tem mais", afirmou o diplomata sob condição de anonimato.

O Irã afirma que utiliza o urânio enriquecido como combustível para um reator de pesquisas com o objetivo de poder produzir radioisótopos médicos.

As conclusões da AIEA devem aumentar as preocupações das potências ocidentais de que o Irã está tentando secretamente desenvolver armas nucleares por meio de seu programa atômico. Teerã nega a acusação e diz que seu programa é para fins pacíficos.

De acordo com as estimativas da AIEA indicadas pelo diplomata, os iranianos estão produzindo em torno de 100 gramas diários de urânio altamente enriquecido.

*Com Reuters e AFP

31/05/2010 04:00 PM

Em artigo, brasileira falou sobre risco de viagem

Iara Lee, que estava na frota de ajuda humanitária atacada por Israel, é envolvida em diferentes iniciativas sociais

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava na frota de ajuda humanitária a Gaza atacada pelo Exército israelense nesta sexta-feira, falou sobre o risco da missão em um artigo publicado no site americano ?The Hills? na última terça-feira (25).

?É claro que estamos preocupados com a nossa segurança?, afirmou Iara Lee. ?Mesmo assim, estou me juntando a esse esforço porque acredito que ações não-violentas que chamam atenção para o bloqueio (em Gaza) são vitais para informar as pessoas sobre o que está acontecendo. Simplesmente não há uma justificativa decente para que uma missão humanitária seja impedida de alcançar pessoas em um momento de crise.?

No artigo, Lee afirma que o objetivo do comboio era ?entregar comida, água, remédios e materiais de construção para as comunidades de Gaza?. Ela critica o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por não pressionar Israel pelo fim do bloqueio aos palestinos, e pede que a população cobre uma atitude dos políticos americanos.

?Deixei de lado minhas obrigações diárias para me juntar a essa missão humanitária, mas reconheço que nem todos podem fazer isso?, escreveu Iara Lee. "Felizmente, nem todo mundo precisa embarcar em um navio para contribuir. Podemos apenas exigir de nossos governantes que tomem um passo adiante e protestem contra a vergonhosa violação aos Direitos Humanos por parte de Israel".

Cineasta e ativista

Descendente de coreanos, a brasileira de 48 anos é uma das criadoras da Fundação Caipirinha, organização que tem a missão de "conduzir e apoiar atividades educacionais relacionadas a Direitos Humanos, Direito internacional, política externa americana, imprensa independente, arte e cultura".

A fundação é ligada à rede de ativismo social Cultures of Resistance (culturas de resistência, em tradução livre), para a qual Iara Lee dirigiu um filme do mesmo nome, lançado em 2010.

A brasileira passou dois anos viajando por 25 países, como Mianmar, Líbano, Irã e Brasil, para retratar histórias de artistas que ?usam a arte e a criatividade como munição na batalha por paz e justiça?.

Veja o trailer de "Cultures of Resistance", dirigido por Iara Lee:

31/05/2010 03:30 PM

Ativista: "Soldados de Israel desceram atirando"

Relatos de testemunhas contradizem versão israelense sobre ataque contra frota humanitária; ação ocorreu em águas internacionais

"Amparados pela escuridão, os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco 'Mavi Marmara' e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés", disseram os ativistas pró-palestinos que presenciaram a invasão à frota de ajuda humanitária que se dirigia a Gaza.

Os testemunhos, obtidos em ligações telefônicas realizadas antes de fossem cortadas, contradizem a versão das autoridades israelenses, que culpam os militantes que iam a bordo da flotilha pelo início da violência. Um dos soldados chegou a afirmar não ter tido escolha a não ser disparar durante a ação. A versão foi corroborada pelo primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, que afirmou que os soldados agiram em legítima defesa.

A ação teria deixado pelo menos dez mortos e vários feridos, incluindo entre sete a dez soldados, dois deles com gravidade, anunciou o Exército israelense. A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integravam a frota de ajuda humanitária a Gaza. Ainda não está claro se ela está entre os mortos.

"Dispararam diretamente contra a multidão de civis adormecidos", acusou o movimento Gaza Livre, organizador da Frota da Liberdade, em um comunicado divulgado em seu site, após a invasão do "Mavi Marmara", o barco-almirante turco do comboio.

O "Mavi Marmara" transportava centenas de pessoas. A operação, qualificada de ato de "pirataria" pelos palestinos, ocorreu em águas internacionais, muito antes das 20 milhas que delimitam as águas territoriais da Faixa de Gaza.

"Não pudemos contactar ninguém a bordo desde as 3h30 da manhã (21h30 de Brasília)", declarou à AFP Greta Berlin, uma das organizadoras. "A última mensagem que recebemos foi: Tudo está bem, os barcos de guerra israelenses encontram-se atrás de nossa popa, vamos dormir."

O Exército israelense lançou o ataque às 4h00 (22h de Brasília) de três helicópteros apoiados por barcos, segundo um importante responsável militar israelense.

"Telefono escondido, centenas de soldados israelenses atacaram a Frota da Liberdade e os passageiros do barco em que me encontro estão se comportanto com muita valentia", contou uma testemunha, o jornalista da televisão Al Jazeera Abas Nasser, em sua última ligação. "O capitão de nosso barco está gravemente ferido e há outros dois feridos entre os passageiros", acrescentou, antes que a comunicação fosse cortada.

Em "Mari Marmara", um líder islamista radical árabe israelense, Raed Salah, teria sido gravemente ferido segundo a televisão Al-Aqsa, do grupo islamista palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O escritor sueco Henning Mankell também se encontrava no comboio humanitário, segundo a delegação sueca da organização.

Um membro dos comandos da Marinha israelense contou que sua unidade foi atacada assim que chegou ao barco. "Eles nos atacaram com barras metálicas e facas", explicou. "Em certo momento, fomos alvo de disparos de balas reais", acrescentou.

Vários soldados foram expulsos do deque de cima para o de baixo e precisaram saltar na água para salvar suas vidas, declarou esse soldado, que afirmou que havia cerca de 30 ativistas que falavam árabe. "Não era espontâneo, estavam preparados", disse um alto comandante militar israelense.

Imagens do barco turco divulgadas pelas redes de televisão internacionais e pela internet mostram militares israelenses vestidos de negro que saem de helicópteros, assim como confrontos com ativistas pró-palestinos. Também podem ser vistos feridos deitados no convés e uma mulher transportada numa maca.

"As imagens não são simpáticas, não posso mais que expressar meu pesar por todos os mortos", admitiu o ministro de Indústria e Comércio israelense, Binyamin Ben Eliezer.

*AFP e Reuters

31/05/2010 03:23 PM

Brasil chama embaixador de Israel e condena ataque

Países da Europa, Turquia e Egito também convocam diplomatas; Conselho de Segurança realiza nesta segunda reunião de emergência

O governo brasileiro demonstrou nesta segunda-feira "choque e consternação" com o ataque de Israel a um comboio de navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, e chamará o embaixador israelense no Brasil para manifestar sua "indignação" sobre o incidente.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o representante de Israel será chamado e o governo brasileiro expressará também preocupação com a cineasta brasileira Iara Lee, que estaria na frota atacada. "Com choque e consternação, o governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Faixa de Gaza", afirmou o Itamaraty em nota.

"O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário". A chancelaria brasileira defendeu, mais uma vez, o fim do embargo imposto por Israel à Faixa de Gaza, que limita o acesso de alimentos, remédios e produtos ao território palestino.

No incidente desta manhã, pelo menos dez ativistas pró-palestinos foram mortos quando soldados israelenses atacaram um comboio de navios que levava ajuda humanitária a Gaza. Ainda não está claro se Iara Lee está entre as vítimas.

Condenação internacional

Além do Brasil, vários países europeus, a Turquia e o Egito convocaram os embaixadores israelenses para que explicassem o episódio.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. A Turquia também anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem cancelados.

*Reuters e AFP

31/05/2010 02:55 PM

Obama pede que Israel esclareça ataque à frota

Presidente dos EUA pede rápido esclarecimento de episódio; em Toronto, líder de Israel diz que ação foi legítima defesa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira ao primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, que é importante descobrir o mais rápido possível todos os fatos relativos ao violento ataque israelense a uma frota humanitária com ajuda à Faixa de Gaza, disse a Casa Branca.

Pelo menos dez ativistas pró-palestinos foram mortos no ataque. A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integrava a frota de ajuda humanitária a Gaza atacada por Israel nesta segunda-feira, segundo informou o Itamaraty. Ainda não está claro se ela está entre os mortos.

Em telefonema a Netanyahu, Obama afirmou entender a decisão do premiê israelense de cancelar o encontro agendado para terça-feira para retornar a Israel. Ambos concordaram em reagendar o encontro "na primeira oportunidade", disse a Casa Branca. Netanyahu estava no Canadá desde sexta-feira para conversar com os líderes do país e se reuniria com Obama em Washington. Em Toronto, Netanyahu lamentou as vítimas, mas justificou a ação dizendo que os soldados agiram "para protegerem suas vidas".

"O presidente expressou profundo pesar pela perda de vidas no incidente de hoje, e preocupação com os feridos", disse. "O presidente também expressou a importância de descobrir todos os fatos e circunstâncias ao redor dos eventos trágicos desta manhã o mais rápido possível."

Antes, o porta-voz da Casa Branca, William Burton, disse que os Estados Unidos lamentavam profundamente as mortes e os feridos deixados pelo ataque, indicando que analisavam as circunstâncias em que foi realizado.

Dizendo-se "preocupada" com a ação, a Casa Branca não condenou o ataque, que qualificou de "incidente" e "tragédia". "Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda das vidas e as lesões causadas, e está atualmente trabalhando para compreender as circunstâncias da tragédia", disse o porta-voz da Casa Branca, William Burton.

Enquanto o presidente palestino qualificou o ataque de "massacre" e decretou três dias de luto. Israel justificou a ação responsabilizando a "Frota da Liberdade", assegurando que seus tripulantes "atacaram os soldados israelenses", segundo o Ministério de Exteriores.

De acordo com a rede de televisão "NBC", havia 11 americanos na "Frota da Liberdade", entre eles um ex-embaixador e um antigo funcionário do Departamento de Estado.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A ação de Israel põe o Governo do presidente dos EUA, Barack Obama, em uma situação complicada, pois coloca em perigo as negociações indiretas entre israelenses e palestinos, que começaram recentemente sob a mediação do enviado especial americano, George Mitchell.

A frota de seis navios atacada transportava mais de 750 pessoas que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio de Israel desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle desse território palestino em 2007. A ação causou comoção e indignação na comunidade internacional.

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

*Com Reuters, EFE, AFP e BBC

31/05/2010 02:32 PM

Brasileira estava em frota atacada por Israel

Cineasta Iara Lee participou de comboio de ajuda humanitária a Gaza atacada pelo Exército israelense

A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integravam a frota de ajuda humanitária a Gaza atacada por Israel nesta segunda-feira, segundo informou o Itamaraty. Ainda não está claro se ela é ou não umas das dez vítimas.

Em nota, o Itamaraty afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, determinou que fossem tomadas "providências imediatas" para a localização da brasileira.

O embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty "para que seja manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação" com a situação de Iara Lee, que falou sobre o risco da missão em um artigo publicado no site americano ?The Hills? na última terça-feira (25).

Uma amiga da brasileira, que é cineasta, enviou uma carta ao Itamaraty na qual solicita o apoio do governo brasileiro na busca por informações. Na noite de domingo, Iara teria relatado por telefone a colegas do Brasil que as embarcações já estavam cercadas e que o clima era "de medo" entre os tripulantes.

"Falamos com ela ontem (domingo) à noite. Ela contou que os navios estavam cercados pelo Exército de Israel e o tom dela era de medo e tensão", disse a professora da USP Arlene Clemesha.

Segundo Arlene, esse foi o último contato com Iara. A cineasta vinha utilizando o Facebook para fazer comentários sobre a viagem e, algumas vezes, usava um celular via satélite.

Motivos

Com a confirmação do ataque israelense, a professora da USP decidiu enviar uma carta ao Itamaraty, solicitando o apoio do governo brasileiro na busca por informações sobre a brasileira. No último contato, Iara teria ainda dito a Arlene que os tripulantes já estavam tentando planejar "alguma estratégia" para o caso de serem atacados.

"Ela falou que há idosos e crianças nas embarcações. E que uma ideia seria tentar empurrar os soldados israelenses para o mar", disse a professora da USP.

Em uma carta-depoimento escrita antes da viagem, a cineasta relatou os motivos que a levaram a participar da expedição humanitária.

"Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também", escreveu. "Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis para esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise", acrescentou a cineasta, que teria 48 anos.

Com BBC

31/05/2010 01:52 PM

"Não tive escolha a não ser atirar", diz israelense

Segundo relatos de militares israelenses, ativistas atacaram soldados com facas e barras de metal

Militares israelenses que atacaram um comboio com ajuda humanitária destinado à Faixa de Gaza nesta segunda-feira dizem ter sido atacados pelos ativistas com facas e barras de metal e alguns soldados teriam mergulhado no mar para se salvar, segundo testemunho israelense. "Eles me arremessaram, me atingiram com paus e garrafas e roubaram meu rifle", disse um dos soldados. "Eu tirei minha pistola e não tive escolha a não ser atirar".

Um cinegrafista da Reuters a bordo do navio da marinha israelense Kidon, perto do comboio de ajuda de seis navios, disse que os comandantes que monitoravam a operação foram surpreendidos pela forte resistência dos ativistas pró-palestinos.

Um dos militares disse que alguns dos soldados tiveram seus capacetes e equipamentos retirados e vários foram arremessados de um piso superior a outro inferior e depois se jogaram ao mar para que se salvassem.

Outro soldado disse a repórteres ter descido de um helicóptero por uma corda a um dos seis navios do comboio e foi imediatamente atacado por um grupo de pessoas que esperava por eles. "Eles nos bateram com pedaços de metal e facas", disse.

O governo de Israel afirmou que militares abriram fogo para se defender e que dez ativistas foram mortos e sete soldados ficaram feridos. Com Israel interferindo em sinais de rádio e censurando a imprensa, há poucos relatos independentes do que ocorreu no mar.

Um porta-voz militar israelense disse que alguns dos soldados estavam equipados com armas não-letais, mas que elas não eram suficientes contra os ativistas, que as muniram com balas. "Eles tinham pistolas com munição... para se defenderem", disse ele.

Ataque em vídeo

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: ?Todo mundo cale a boca!?. Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

Ajuda humanitária

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10.000 toneladas de ajuda a Gaza, território submetido a um bloqueio israelense desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle do local.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem. Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década. Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

31/05/2010 12:51 PM

Premiê israelense cancela visita aos EUA

Benjamin Netanyahu encurta visita ao Canadá e cancela encontro com presidente norte-americano, Barack Obama

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, cancelou seus planos para visitar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington na terça-feira, segundo um comunicado de Israel. O cancelamento da viagem foi anunciado após o ataque israelense contra navios que levavam ajuda a Gaza, resultando em ao menos 10 mortes.

"Netanyahu decidiu encurtar sua visita ao Canadá e retornar mais cedo a Israel", disse o comunicado nesta segunda-feira. Netanyahu estava no Canadá desde sexta-feira para conversar com os líderes do país.

A decisão foi tomada horas depois que o Exército israelense matou, nesta madrugada, pelo menos dez ativistas de direitos humanos em um ataque à frota que pretendia levar ajuda humanitária a Gaza.

Fontes do escritório do primeiro-ministro israelense disseram que Netanyahu, que está no Canadá, escala prévia à visita aos EUA, "reduziu sua viagem e nas próximas horas se reunirá com o premiê canadense, Stephen Harper". As fontes disseram que depois de sua reunião com Harper, Netanyahu "voltará a Israel".

O cancelamento da visita de Netanyahu a Washington foi determinado depois que seu escritório divulgou um comunicado afirmando que o primeiro-ministro israelense expressou seu "total apoio" ao Exército.

O primeiro-ministro israelense "conversou pelo telefone com os principais ministros e chefe de segurança para dar-lhes as instruções pertinentes" e "reiterou seu total apoio ao Exército", acrescenta o comunicado. Segundo o texto, "o primeiro-ministro (israelense) foi informado sobre a situação e os desenvolvimentos posteriores".

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

* Com AFP, Reuters e AFP

31/05/2010 12:16 PM

Exposição traça história do voyerismo

Mostra na galeria Tate Modern, em Londres, reúne fotos e vídeos de momentos capturados sem que os retratados soubessem

Uma exposição na conceituada galeria Tate Modern em Londres mostra como os avanços da tecnologia mudaram a forma como satisfazemos nossa curiosidade pela vida secreta dos outros. Exposed: Voyeurism, Surveillance and the Camera (Exposto: Voyeurismo, Vigilância e a Câmera) é o nome da exposição, que apresenta 250 fotos ou vídeos com imagens de momentos capturados sem que seus sujeitos soubessem.

As imagens datam do fim do século 19 aos dias atuais. Naquela época, não havia lentes poderosas nem celulares com câmeras, o que obrigava os "voyeurs" a tirar fotos secretas com câmeras escondidas em livros, guarda-chuvas e sapatos.

Entre as obras estão várias fotos tiradas por artistas famosos, como Brassaï, Guy Bourdin, Henri Cartier-Bresson, Walker Evans, Robert Frank, Nan Goldin, Dorothea Lange, Lee Miller, Thomas Ruff, Paul Strand, Weegee, and Garry Winogrand.

. A exposição conduz o visitante por imagens da guerra civil americana, de plataformas de petróleo em chamas na primeira guerra do Golfo, de uma execução na China em 1860, de à câmara de execução de uma moderna penitenciária no Mississippi, entre outras imagens de sexo, morte e inocentes flagrantes de pessoas famosas.

Os organizadores também revelam como a tecnologia tem nos ajudado a captar - e distribuir - com maior eficácia imagens consideradas proibidas.

31/05/2010 12:10 PM

EUA lamentam, mas não condenam ataque de Israel

Segundo porta-voz da Casa Branca, Washington examina circunstâncias de ação contra comboio humanitário que ia para Gaza

Os Estados Unidos disseram nesta segunda-feira que lamentam profundamente as mortes e os feridos deixados pelo ataque de comandos israelenses contra um comboio de navios de ajuda humanitária que estava indo para Gaza, indicando que estao analisando as circunstâncias em que foi realizado. A ação deixou pelo menos dez mortos.

Dizendo-se "preocupada" com a ação, a Casa Branca não condenou o ataque, que qualificou de "incidente" e "tragédia". "Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda das vidas e as lesões causadas, e está atualmente trabalhando para compreender as circunstâncias da tragédia", disse o porta-voz da Casa Branca, William Burton.

O presidente Barack Obama estava em Chicago para o feriado do Memorial Day, e previa encontrar-se com o primeiro-ministro israelense, Beyamin Netanyahu, na terça-feira na Casa Branca. Após o ataque, porém, Netanyahu cancelou a visita. No dia 9 de junho está previsto que ele se reúna com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Enquanto o presidente palestino qualificou o ataque de "massacre" e decretou três dias de luto. Israel justificou a ação responsabilizando a "Frota da Liberdade", assegurando que seus tripulantes "atacaram os soldados israelenses", segundo o Ministério de Exteriores.

De acordo com a rede de televisão "NBC", havia 11 americanos na "Frota da Liberdade", entre eles um ex-embaixador e um antigo funcionário do Departamento de Estado.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A ação de Israel põe o Governo do presidente dos EUA, Barack Obama, em uma situação complicada, pois coloca em perigo as negociações indiretas entre israelenses e palestinos, que começaram recentemente sob a mediação do enviado especial americano, George Mitchell.

A frota de seis navios atacada transportava mais de 750 pessoas que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio de Israel desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle desse território palestino em 2007. A ação causou comoção e indignação na comunidade internacional.

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

*Com Reuters, EFE e AFP

31/05/2010 11:39 AM

Seul faz manobra militar e cresce tensão na região

Exército sul-coreano realiza exercícios de guerra perto da fronteira com a Coreia do Norte

A Coreia do Sul realizou manobras militares perto da tensa fronteira com a Coreia do Norte e prosseguia nesta segunda-feira com sua cruzada diplomática contra o regime comunista, ao qual acusa de ter afundado em março um barco de guerra sul-coreano.

Milhares de soldados sul-coreanos participaram nesta segunda nos exercícios militares que estavam previstos antes do recente incidente, apoiados por helicópteros de combate.

Esta demonstração de força, na qual foi simulada um ataque norte-coreano, envolveu 50 carros de combate e veículos blindados, ao longo de um rio no cantão de Hwacheon, justo ao sul da fronteira com a Coreia do Norte.

Naufrágio de navio

Uma investigação internacional sobre as causas do naufrágio, que provocou a morte de 46 marinheiros, atribuiu em maio passado o ato a um ataque de submarino norte-coreano.

"Ainda há quem repercuta alegações infundadas e alimente as dúvidas sobre as conclusões do informe sobre o (barco afundado) 'Cheonan'. Lamento e isso me entristece", afirmou o ministros das Relações Exteriores, Yu Myung-Hwan.

A Coreia do Sul anunciou uma série de represálias e suspendeu o intercâmbio comerical com o vizinho do Norte.

Além disso, Seul planeja, com o apoio dos Estados Unidos e Japão, solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que sancione - ou pelo menos censure - a Coreia do Norte. Pyongyang acusou o Sul de fabricar as provas que a incriminam pelo naufrágio.

31/05/2010 11:36 AM
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