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Cobertura completa das Eleições 2010: notícias, fotos e vídeos dos candidatos, pesquisas, guia do eleitor, apuração dos resultados da eleição e muito mais.


Dilma: campanha avalia permanência de tesoureiro

Escolhido para comandar finanças da campanha, Filippi foi condenado pelo TJ-SP a devolver valor pago em contrato com Greenhalgh

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje que a coordenação de sua campanha está avaliando a permanência do futuro tesoureiro José de Filippi Junior, ex-prefeito de Diadema. Após o evento Exame Fórum, onde falou a empresários sobre desafios do crescimento econômico, a petista conversou com jornalistas. 

Perguntada sobre as denúncias contra o tesoureiro, Dilma respondeu: "A coordenação da campanha está fazendo uma avaliação sobre o assunto?. Em seguida, a pré-candidata disse: ?Vamos aguardar a sua volta, agora ele está em Harvard?.

Filippi foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver aos cofres de Diadema os valores pagos pela contratação, sem licitação, do escritório de advocacia do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh.

O escritório foi contratado pela prefeitura de Diadema entre 1983 e 1996 e recebeu R$ 2,1 milhões, de acordo com a reportagem do jornal Folha de São Paulo. O TJ-SP quer a devolução do montante pago aos advogados. Além disso, o ex-prefeito foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos, o que não altera a possibilidade de ele continuar trabalhando na campanha da pré-candidata do PT à Presidência. Filippi pode recorrer da decisão.

O ex-prefeito foi escolhido para gerenciar as contas da campanha de Dilma por ser uma das poucas opções no comando do PT sem acusações e condenações de corrupção.

 

 

 

31/05/2010 02:59 PM

Dilma diz que contemplará liberdade de imprensa

A pré-candidata afirmou que seu projeto político contempla o aprofundamento da democracia, com liberdade de expressão e imprensa

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou hoje que seu projeto político contempla o aprofundamento da democracia, com liberdade de expressão e de imprensa. "Entre os emergentes, somos um País democrático e temos de garantir que essa democracia seja aprofundada, com liberdade de expressão e de imprensa", acrescentou a pré-candidata.

Outro ponto destacado por Dilma foi a transparência do Estado. Segundo ela, o governo federal já deu um grande passo ao colocar suas contas no Portal da Transparência, mas é necessário ampliar a iniciativa.

A ex-ministra deu essas declarações durante a palestra "Brasil, quinta economia mundial. Como chegar até lá?", no "Fórum Exame - A construção da quinta maior economia do mundo", que acontece em São Paulo. À tarde, está prevista a participação pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

PIB

A pré-candidata disse ver condições para que o crédito no Brasil chegue a 70% do PIB até 2014, desde que se façam os investimentos necessários. Atualmente a taxa de crédito no País está ao redor de 45% do PIB.

Dilma reconheceu, no entanto, que, para dar esse salto, alguns desafios de ordem econômica e financeira terão de ser enfrentados, porque não dá para esperar que só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atenda à demanda dos financiamentos de longo prazo.

Segundo a pré-candidata, entre esses desafios está o de fortalecer o mercado de capitais, que, de acordo com ela, é suficiente para atender a demanda por financiamentos de prazo mais longo. "Eu acredito muito no mercado de capitais como fonte suficiente para atender a demanda por financiamentos de longo prazo. Por isso, sempre defendi a securitização e o project finance (financiamento relacionado a projeto)", explicou a pré-candidata petista.

 

31/05/2010 02:44 PM

Dilma prevê crescimento de 5,5% ao final de possível mandato

Convidada a comentar como o Brasil poderá chegar ao posto de quinta economia mundial, a pré-candidata propôs acabar com a miséria

 

SÃO PAULO (Reuters) - Convidada a comentar como o Brasil poderá chegar ao posto de quinta economia mundial, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira que, ao final de um possível governo seu, em 2014, a economia apresentará crescimento de 5,5 por cento.

"Nós podemos prever, pelo menos em 2014, uma taxa em torno de 5,5 por cento de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com investimento de 22 por cento", disse Dilma em palestra promovida pela revista Exame em que seu oponente, José Serra (PSDB), também participará.

Ela previu ainda que a partir de 2014 a economia brasileira terá condição de uma média maior de crescimento.

Dilma reiterou a política de metas de inflação, a manutenção do equilíbrio fiscal com as metas de superávit primário e a persistência do câmbio flutuante.

Ela afirmou ainda que esse tripé da economia deve convergir para um endividamento decrescente até 2014, levando a dívida pública líquida a 28 ou 30 por cento do PIB.

Previu também que a taxa de juro real deve estar em 5 ou 6 por cento daqui a quatro anos e meio e se comprometeu mais uma vez com a realização da reforma tributária, mencionando devolução de créditos da exportação e do investimento, além de redução de impostos da folha de pagamento.

A pré-candidata deixou claro, logo na abertura do discurso, o sentimento de que para o Brasil chegar a ser uma economia desenvolvida é preciso erradicar a miséria, composta pela população com renda de meio salário mínimo por mês.

Segundo a ex-ministra da Casa Civil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou 24 milhões de pessoas desta situação, mas ainda restam 53 milhões de brasileiros nesta faixa.

 

31/05/2010 02:12 PM

Dilma propõe fim da miséria para desenvolvimento

A pré-candidata do PT disse hoje em palestra a empresários que o País deve erradicar a miséria para ser a quinta economia mundial

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje em palestra a empresários que o Brasil precisa erradicar a miséria para chegar à condição de quinta economia mundial. A petista fez uma apresentação no Exame Fórum, no hotel Unique, em São Paulo, com o tema "Brasil, quinta economia mundial: como chegar até lá??.

Segundo Dilma, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva começou a erradicar a miséria e tirou 24 milhões de brasileiros dessa situação. Para a pré-candidata, estão nessa faixa as pessoas que ganham até meio salário mínimo por mês. ?Ainda restam 53 milhões de brasileiros?, disse.

A ex-ministra disse também que ser um país desenvolvido significa intensificar a mobilidade social. Para a pré-candidata, este é um objetivo para mais de uma década.

Outro setor prioritário para alcançar esse objetivo é a educação. De acordo com Dilma, o Brasil precisa investir na formação universitária dos professores, nas escolas profissionalizantes e na qualificação do ensino universitário.

A petista aproveitou o tema educação para falar das drogas entre os jovens, especificamente do crack, tema de campanha do governo federal. No dia 20, foi lançado o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack.

Dilma também ressaltou que é uma "grande" vantagem o fato de o País ter uma matriz energética renovável. ?O pré-sal é nosso passaporte para o futuro?, disse. A pré-candidata creditou à Embrapa a descoberta do pré-sal. ?Nós descobrimos o pré-sal porque temos um centro de excelência?.

A presidenciável chegou ao evento acompanhada da pré-candidata do PT ao Senado por São Paulo, Marta Suplicy, e do pré-candidato do PT ao governo paulista, Aloisio Mercadante. Também estão presentes o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ex-ministro Antonio Palocci.

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, também fará palestra no evento sobre o mesmo tema, às 16h40.

31/05/2010 01:22 PM

Por votos, Serra e Dilma buscam alianças incômodas

Os dois principais pré-candidatos têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas", porém necessárias

A cerca de quatro meses das eleições, os dois principais pré-candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas". São aqueles apoios constrangedores, mas necessários para a caminhada eleitoral. 

Dilma já distribuiu afagos ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Parte do PT não gostou e outra respaldou. Garotinho e sua mulher, a ex-governadora Rosinha Matheus, são investigados por suposto envolvimento em corrupção, como o uso de ONGs para desvio de dinheiro público, entre outras suspeitas. 

Na quinta-feira, o casal foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio por abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação nas eleições de 2008. Se a decisão for confirmada, eles ficarão inelegíveis até 2011. Mesmo assim, Dilma quer os votos de Garotinho, embora caminhe para um apoio oficial à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB). 

Do Rio surge outro apoio incômodo, mas importante para José Serra: o do deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Ele denunciou o mensalão do PT, em 2005, e acabou sendo cassado por envolvimento no escândalo de distribuição de propinas. Agora, declarou apoio a Serra. Esteve no lançamento de sua pré-candidatura em Brasília. 

Fronteira 

"É ingenuidade imaginar que só se trabalha com pessoas de bem na política. A questão é saber o limite dessas companhias", avalia o deputado tucano Gustavo Fruet (PR). 

Seu colega de Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), aliado de Dilma, diz que é preciso estabelecer, de alguma maneira, o limite. "Não se pode imaginar critérios normativos para os políticos. O importante é ter noção de fronteira. A fronteira, no meu caso, é saber o programa do candidato." Pré-candidato ao governo do Maranhão, Dino é adversário dos Sarney. Mas sabe que corre o risco de subir com eles no palanque de Dilma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

31/05/2010 10:25 AM

Polícia Civil do DF acusa Agnelo Queiroz de desvio

Investigação aponta ex-ministro do Esporte e pré-candidato ao governo como suspeito de desvio de verbas de programa do ministério

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, batizada de Operação Shaolin, aponta o ex-ministro do Esporte e pré-candidato do PT ao governo do DF, Agnelo Queiroz, como suspeito de desvio de verbas do Segundo Tempo, programa do ministério. Segundo reportagem no site da revista Época, documentos obtidos pela polícia sobre o destino de quase R$ 3 milhões repassados a associações de kung fu de Brasília comprometeriam o petista. 

"Este é um inquérito ilegal e clandestino, arquitetado por uma facção da Polícia Civil, sob o comando dos meus adversários, o ex-governador José Roberto Arruda à frente", defendeu-se Agnelo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

31/05/2010 10:24 AM

Marina Silva participa de culto da Assembleia de Deus

Pré-candidata do PV pede que crentes não "satanizem" seus rivais nas eleições presidenciais deste ano

A pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, participou do culto da igreja Assembleia de Deus em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, e pediu para que os crentes não "satanizassem" os seus adversários nas eleições, como Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). "O mesmo Deus que me ama, ama Dilma, ama Serra e ama Plínio (Plínio de Arruda Sampaio, virtual candidato à presidência pelo PSOL)".

Marina, evangélica e missionária da Assembleia de Deus, chegou um pouco antes das 9 horas e foi homenageada pelos evangélicos. Depois, conduzida junto aos pastores que representavam perto de 20 assembleias em municípios do interior de São Paulo. Ela ouviu a pregação e depois ocupou o púlpito por 40 minutos em que fez um resumo de sua trajetória de vida e começou contando sobre "a vontade" de se alfabetizar aos 16 anos de idade. Falou que chegou a ser desenganadas pelos médicos com a malária e hepatite antes de concluir sua graduação em história.

Em uma conversa rápida com a imprensa, Marina foi questionada se temia ser apontada por usar o púlpito como palanque. "Não temo por questões de princípios, a minha fé é publica, todos me conhecem", declarou. "Sou o que sou desde quando eu era cristã católica. Nós somos um Estado laico e isso é muito positivo tanto para quem crê como para quem não crê, ou é evangélico, como para espírita, como para católico ou qualquer pessoa."

Quanto ao caso da intermediação através do presidente Lula entre Irã e Turquia para trocas de componentes atômicos, a pré-candidata Marina Silva disse que "o diálogo em busca da paz é sempre bom. Mas temos que ser cautelosos" falou. "O Irá já se comprometeu, ano passado, com a Rússia e a França e não cumpriu", disse. "Estamos na expectativa de paz."

Marina Silva não participou das prévias das convenções do PV programada para o início da tarde em Campinas. Ela disse que retornaria a Brasília ainda neste domingo, sem explicar o motivo. A ex-senadora está na região de Campinas desde a manhã de sábado, quando participou de caminhada pelo centro da cidade e de lançamentos de pré-candidatos a Câmara federal.

30/05/2010 03:18 PM

Ajuda de Alckmin será "decisiva", diz Aloysio

Em entrevista ao iG, pré-candidato tucano ao Senado também defende legalização do aborto e casamento gay

Com 6% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, o pré-candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, diz apostar no alto índice de aprovação do colega de partido e pré-candidato tucano ao governo paulista, Geraldo Alckmin, para eleger-se senador. Na entrevista que concedeu ao iG em seu escritório de campanha, no centro da capital paulista, Aloysio afirma que a tendência é o eleitor votar no candidato ao Senado identificado com uma determinada corrente política.

O PSDB governa São Paulo há 16 anos. A hegemonia tucana, no entanto, não foi suficiente para conquistar uma cadeira no Senado. O último senador da legenda eleito pelo Estado foi o pré-candidato à Presidência José Serra, em 1994. Aloysio aparece na pesquisa atrás de Marta Suplicy (PT), Romeu Tuma (PTB), Orestes Quércia (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB), Soninha (PPS) e Gabriel Chalita (PSB).

Dizendo possuir uma história política de mais de 40 anos, Aloysio, secretário da Casa Civil na gestão de Serra, disputou internamente com Alckmin a indicação para concorrer ao governo paulista. Mencionando mais de uma vez a ex-ministra Marta Suplicy, sua rival na disputa, ele explica por que é a favor da descriminação do aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo, mas contra a eutanásia. "Quando se trata de legislar, eu sou fiel aos princípios republicanos. Eu prego a laicidade do Estado."

iG - Como os altos índices de aprovação de Geraldo Alckmin poderão ajudar na sua campanha ao Senado?

Aloysio Nunes - É uma ajuda decisiva porque a tendência do eleitor é votar no senador que ele identifica com uma corrente política. Não é um cargo isolado, não tem um frenesi. A atenção se volta à escolha do candidato à presidente e governador. O senador terá tanto mais chances de sucesso quanto maior for a identificação com essa corrente. Por outro lado eu posso também contribuir para engrossar essa corrente. Eu sou um político de longa militância, tenho uma rede de contatos políticos muito ampla em todo Estado de São Paulo, inclusive que transcende a coligação majoritária. Posso contribuir para a vitória do Serra e do Alckmin, agregando esses apoios à campanha majoritária.

iG - Em São Paulo, o PSDB não elege um senador desde 1994, mas está no governo há 16 anos. Isso contraria a tendência que o senhor apontou? Como se explica isso?

AN - Na última eleição, nós fizemos uma aliança, não lançamos um candidato ao Senado. Sinceramente, não tem explicação. Acho que o Guilherme Afif (DEM) teria sido eleito se houvesse, por parte da maioria dos agentes políticos, convicção de que era possível ganhar a eleição. E de que o Eduardo Suplicy (PT), contrariamente ao que pensam, é ruim de voto. Ele poderia ter ganhado a eleição se nós tivéssemos agregado as estruturas políticas dos partidos. Isso está sendo feito agora. E outra razão muito prosaica. O número dele não era 45, era 22. Muita gente queria votar no senador do 45, mas o nosso era 22. Se ele tivesse concorrido com o 45, ele teria sido eleito.

iG - O que no seu currículo político mais te credencia para ser senador?

AN - Eu tenho uma história que começa há mais de 40 anos com a militância contra a ditadura no movimento estudantil e uma vasta experiência legislativa com cinco mandatos. Um conhecimento da máquina do governo federal por ter sido ministro de Fernando Henrique durante três anos. Fui secretário do município de São Paulo e do Estado, na Casa Civil, com Serra, o que me propiciou um conhecimento muito íntimo do interior, das regiões metropolitanas com suas peculiaridades, necessidades regionais. Essa experiência me permite conhecer os problemas e as pessoas que estão envolvidas nas soluções. E, ao mesmo tempo, os caminhos para resolvê-los, seja do ponto de vista legislativo, seja do ponto de vista administrativo.

iG - O senhor acredita que Serra, se eleito, fará reformas estruturantes ou vai apostar nas emendas constitucionais, como fez Fernando Henrique?

AN - As reformas precisam de emenda constitucional. Para alteração da estrutura tributária, necessariamente precisa fazer emenda constitucional. Da mesma forma para fazer alteração na estrutura política. Algumas mudanças importantes, como a adoção do voto distrital proporcional, exigem mudança constitucional. Mas há muito tempo que não se faz reformas. O governo atual não apresentou nenhuma. Não tem uma agenda, como teve Fernando Henrique e como tivemos em São Paulo, na prefeitura e no governo. As reformas foram feitas no primeiro mandato de Fernando Henrique, com o plano real, e no segundo com a lei de responsabilidade fiscal. O atual governo não fez rigorosamente nada. Empurrou os problemas com a barriga.

iG - O ministro Peluso, ao assumir o STF, anteviu alguns temas controversos na pauta. Qual é a sua posição sobre a descriminalização do aborto?

AN  - O aborto não pode ser considerado crime. Essa é uma das convergências que eu tenho com a Marta Suplicy. É um problema social, grave. Milhões de mulheres são levadas a fazer aborto por várias razões nas condições mais precárias de saúde. É a quarta causa de mortalidade materna. É um morticínio de mulheres, especialmente de mulheres pobres. O aborto não pode ser um método anticoncepcional. Conheço mulheres que fizeram aborto e para elas foi um enorme sofrimento, que deixa marcas. É preciso ter difusão de métodos anticoncepcionais. Mas botar uma mulher na cadeia por ter feito aborto eu acho uma crueldade, uma desumanidade, com todo respeito às orientações religiosas, que servem às pessoas que têm orientação religiosa. A lei tem que valer para todos, é universal. A esfera pública, legal, não pode se confundir com a esfera religiosa.

iG - O senhor é a favor da legalização da eutanásia?

AN - Eu sou contra a exacerbação terapêutica sem sentido, isto é, submeter um ser humano a métodos terapêuticos sem nenhuma perspectiva de cura. Eu não quis que meus pais fossem para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para prolongar por 40, 45 dias a vida deles em condições artificiais. Nem eles quiseram. Meu pai pôde me falar isso claramente. Prolongar a vida por métodos artificiais desumanos, aviltantes, que afetam a dignidade da pessoa, eu sou contra. Agora, sou contra provocar a morte.

iG - E o casamento gay?

AN - Sou a favor. Toda forma de amor vale a pena. E suas consequências jurídicas existem. Uma união entre pessoas do mesmo sexo tem conseqüências no plano civil. Eu votei a favor do projeto da então deputada Marta Suplicy. Ninguém é obrigado a se casar. Mas se duas pessoas estão unidas e querem que essa união tenha consequências jurídicas, não tem porque recusar.Essas questões têm uma dimensão ética, moral, religiosa que é muito pessoal. O Estado não pode impor uma visão que é própria de uma determinada filosofia ou ideologia ao conjunto da sociedade. Sem liberdade religiosa você não tem democracia. A esfera da lei tem que ser absolutamente distinta da esfera individual, religiosa, de questões de consciência. A religião transcende a esfera individual, tem uma função pedagógica, transmite valores positivos. Nunca vi uma religião pregar morte, discriminação, violência. Mas quando se trata de legislar, eu sou fiel aos princípios republicanos. Eu prego a laicidade do Estado.

30/05/2010 10:00 AM

Eleitorado do Norte é o que mais cresce no País

Mudanças no tabuleiro eleitoral se devem a fenômenos migratórios e a variações na taxa de natalidade

O colégio eleitoral que mais cresce no Brasil é o da região Norte. Porém, desde abril, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) não pisaram ali. Desde as eleições de 2006, o eleitorado do Norte aumentou 11,2% e passou o do Centro-Oeste, que caiu para o último lugar do ranking, apesar de ter crescido 7,6%. Os cinco Estados onde o número de eleitores mais aumentou são nortistas: Amapá, Pará, Roraima, Amazonas e Acre. 

Houve crescimento abaixo da média nacional no Nordeste, no Sudeste e no Sul. Essa região é a que mais vem perdendo participação no total. O crescimento de seu eleitorado foi de 16,5% nos últimos dez anos, menos da metade dos 38,5% atingidos pelo Norte. 

As mudanças no tabuleiro eleitoral se devem a fenômenos migratórios e a variações na taxa de natalidade. As projeções de população para 2030 indicam continuidade na tendência de encolhimento proporcional do Sul e de crescimento maior do Norte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

São Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com 30 milhões de eleitores. Minas Gerais é o segundo, com 14,4 milhões de votantes - mais do que a soma de Mato Grosso, Amazonas, Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima.

30/05/2010 09:04 AM

Caravana do PT forma ?eleitor multimídia"

Coordenadores da campanha digital de Dilma treinam militantes para atuar na "guerra" da blogosfera: dica é mobilizar redes sociais

Para a campanha de 2010, os principais partidos dos presidenciáveis desembolsaram grandes quantias para contratar marqueteiros, estrategistas e coordenadores políticos. De olho nas novas mídias, o PT reforçou a equipe com profissionais especializados em transformar o militante em ?eleitor multimídia?. Comandada por Marcelo Branco, ex-diretor da Campus Party, o partido programou palestras e workshops em todas as regiões do País até o final de junho para mobilizar os apoiadores de Dilma Rousseff nas redes sociais.

Batizada de caravana digital, as aulas começaram há cerca de um mês e já reuniram cerca de mil pessoas. Durante uma hora, Branco apresenta as ferramentas que servirão de apoio para a campanha digital, como o Twitter e os blogs. ?Em Vitória, por exemplo, uma senhora aprendeu a fazer o blog dela com a caravana. Bem idosa, do movimento, entrando na rede?, explicou. Nas viagens, ele conta com a ajuda de Juan Pessoa, que representa a secretaria de comunicação do PT e foi escalado para fazer a articulação política nos Estados. Desde o dia 30 de abril, a campanha já passou por nove Estados com objetivo de transformar os militantes - do PT ou da base aliada - em eleitores multimídias.

Nesta semana, a campanha começa em Pernambuco e passa pelo Ceará. No dia 28 de junho, está previsto o último evento, no Piauí. ?É uma forma de organizar a militância para o trabalho na internet como voluntário. Eles fazem as coberturas, filmam, colocam foto e texto. Ou seja, cobrem o dia a dia das eleições nas suas regiões?, explicou Juan ao iG.

A equipe dispõe conteúdo para além da campanha virtual, o que eles chamam de disputa ?offline?. A recomendação, segundo eles, é não atacar os concorrentes tucanos e alimentar o troll - os provocadores da internet. ?Eu aconselho a não entrar na baixaria. Eu falo para não responder e não dar bola?, contou Branco. E continuou: "E, claro, o nosso conselho é para que eles não se esqueçam que o Serra é o anti-Lula?.

Durante a primeira fase da pré-campanha, o ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência evitou o confronto direto com o governo Lula, que registra recorde de popularidade. Nesta semana, apesar de ter minimizado o crescimento da adversária petista nas últimas pesquisas, Serra aumentou o tom das críticas.

Já na internet, o PT quer ter um exército de 200 mil filiados. O cálculo tem como referência os cadastrados na rede de e-mails do partido, que devem atuar como guerrilheiros da blogosfera, convencer o eleitor a votar em Dilma e rebater ataques contra ela.

30/05/2010 08:00 AM

Marina pede transparência e defende cartão corporativo

Para Marina, a má utilização de uma ferramenta não justifica sua eliminação

Motivo de polêmica envolvendo gastos irregulares de ministros de Estado, dois anos atrás, o cartão corporativo do governo federal estaria a salvo em um eventual governo da pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva. Foi o que ela garantiu neste sábado.

"As pessoas me perguntam se vou acabar com o cartão corporativo. Não vou", declarou a pré-candidata, em palestra para professores, alunos e lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no Teatro Tuca, da Universidade Pontifícia Católica (PUC) em São Paulo.

Para Marina, a má utilização de uma ferramenta não justifica sua eliminação. O necessário nos casos que envolvem o manuseio e gastos dos recursos públicos é transparência. "Temos que fazer do cartão corporativo uma espécie de Big Brother para que toda a sociedade possa fiscalizar", disse a pré-candidata do PV, numa analogia com o reality show da TV Globo.

"O que é uma tapioca? Na minha terra, o que mais tem é tapioca e eu dou umas tapiocas de graça", disse em alusão ao ministro dos Esportes do governo Lula, Orlando Silva, provocando risos na plateia. Em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, em 8 de abril de 2008, o ministro disse que o uso do cartão do governo para pagar a tapioca de R$ 8,30 foi por "engano". 

BC 

Marina reiterou a defesa da autonomia do Banco Central nas decisões de política monetária. No entanto, deixou claro que se opõe a uma forma mais institucionalizada, nos moldes da Argentina. "O piloto tem que ter autonomia no voo do avião", comparou. 

O tripé macroeconômico - câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário -, que na avaliação de Marina garante a estabilidade da economia, seria mantido em um governo do PV, disse a senadora, ressalvando, contudo, que isso "não é um dogma".

29/05/2010 08:58 PM

Em Cuiabá, Serra volta a atacar Bolívia

Pré-candidato disse que "o governo boliviano é conivente com a exportação de drogas", o que "acaba com a vida de nossos jovens"

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a culpar o governo da Bolívia pela entrada de cocaína no Brasil neste sábado. Disse que "o governo boliviano é conivente com a exportação de drogas para o Brasil", o que "acaba com a vida de nossos jovens".

Em relação ao financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para a construção de uma rodovia em território boliviano, o ex-governador de São Paulo defendeu que o governo brasileiro exija como contrapartida o controle sobre o tráfico de drogas. 

Serra participou nesta tarde, em Cuiabá, do lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Cuiabá Wilson Santos (PSDB) ao governo do Estado. No encontro com lideranças do PSDB, PTB e DEM, um dos temas abordados foi a permeabilidade e a necessidade de reforçar a segurança dos 710 km de fronteira seca do Mato Grosso. Em discurso, Serra destacou como áreas principais de sua proposta de governo segurança, saúde e educação. 

Durante o ato político, Serra recebeu o apoio de parte dos militantes do PPS, que no Estado está dividido entre as candidaturas de Wilson Santos e Mauro Mendes (PSB). O ex-governador de São Paulo disse ter conversado sobre a situação do PPS no Mato Grosso com o presidente do partido, Roberto Freire. Freire teria garantido ao tucano o apoio do partido no MT.

Vice 

Serra repetiu que o fato de ainda não ter um candidato a vice não o "angustia". "Com certeza em junho, teremos." Ele explicou que tem evitado o tema para não dar margem a especulações.

29/05/2010 08:20 PM
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