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Obama pede que Israel esclareça ataque à frota

Presidente dos EUA pede rápido esclarecimento de episódio; em Toronto, líder de Israel diz que ação foi legítima defesa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira ao primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, que é importante descobrir o mais rápido possível todos os fatos relativos ao violento ataque israelense a uma frota humanitária com ajuda à Faixa de Gaza, disse a Casa Branca. Pelo menos dez ativistas pró-palestinos foram mortos no ataque.

Em telefonema a Netanyahu, Obama afirmou entender a decisão do premiê israelense de cancelar o encontro agendado para terça-feira para retornar a Israel. Ambos concordaram em reagendar o encontro "na primeira oportunidade", disse a Casa Branca. Netanyahu estava no Canadá desde sexta-feira para conversar com os líderes do país e se reuniria com Obama em Washington. Em Toronto, Netanyahu lamentou as vítimas, mas justificou a ação dizendo que os soldados agiram "para protegerem suas vidas".

"O presidente expressou profundo pesar pela perda de vidas no incidente de hoje, e preocupação com os feridos", disse. "O presidente também expressou a importância de descobrir todos os fatos e circunstâncias ao redor dos eventos trágicos desta manhã o mais rápido possível."

Antes, o porta-voz da Casa Branca, William Burton, disse que os Estados Unidos lamentavam profundamente as mortes e os feridos deixados pelo ataque, indicando que analisavam as circunstâncias em que foi realizado.

Dizendo-se "preocupada" com a ação, a Casa Branca não condenou o ataque, que qualificou de "incidente" e "tragédia". "Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda das vidas e as lesões causadas, e está atualmente trabalhando para compreender as circunstâncias da tragédia", disse o porta-voz da Casa Branca, William Burton.

Enquanto o presidente palestino qualificou o ataque de "massacre" e decretou três dias de luto. Israel justificou a ação responsabilizando a "Frota da Liberdade", assegurando que seus tripulantes "atacaram os soldados israelenses", segundo o Ministério de Exteriores.

De acordo com a rede de televisão "NBC", havia 11 americanos na "Frota da Liberdade", entre eles um ex-embaixador e um antigo funcionário do Departamento de Estado.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A ação de Israel põe o Governo do presidente dos EUA, Barack Obama, em uma situação complicada, pois coloca em perigo as negociações indiretas entre israelenses e palestinos, que começaram recentemente sob a mediação do enviado especial americano, George Mitchell.

A frota de seis navios atacada transportava mais de 750 pessoas que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio de Israel desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle desse território palestino em 2007. A ação causou comoção e indignação na comunidade internacional.

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

*Com Reuters, EFE, AFP e BBC

31/05/2010 02:32 PM

Brasileira estava em frota atacada por Israel

Cineasta Iara Lee participou de comboio de ajuda humanitária a Gaza atacada pelo Exército israelense

A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integrava a frota de ajuda humanitária a Gaza atacada por Israel nesta segunda-feira, segundo informou o Itamaraty. Ainda não está claro se ela é ou não umas das 10 vítimas.

Em nota, o Itamaraty afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, determinou que fossem tomadas "providências imediatas" para a localização da brasileira. O embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty "para que seja manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação" com a situação de Iara Lee.

Uma amiga da brasileira, que é cineasta, enviou uma carta ao Itamaraty na qual solicita o apoio do governo brasileiro na busca por informações. Na noite de domingo, Iara teria relatado por telefone a colegas do Brasil que as embarcações já estavam cercadas e que o clima era "de medo" entre os tripulantes.

"Falamos com ela ontem (domingo) à noite. Ela contou que os navios estavam cercados pelo Exército de Israel e o tom dela era de medo e tensão", disse a professora da USP Arlene Clemesha.

Segundo Arlene, esse foi o último contato com Iara. A cineasta vinha utilizando o Facebook para fazer comentários sobre a viagem e, algumas vezes, usava um celular via satélite.

Motivos

Com a confirmação do ataque israelense, a professora da USP decidiu enviar uma carta ao Itamaraty, solicitando o apoio do governo brasileiro na busca por informações sobre a brasileira. No último contato, Iara teria ainda dito a Arlene que os tripulantes já estavam tentando planejar "alguma estratégia" para o caso de serem atacados.

"Ela falou que há idosos e crianças nas embarcações. E que uma ideia seria tentar empurrar os soldados israelenses para o mar", disse a professora da USP.

Em uma carta-depoimento escrita antes da viagem, a cineasta relatou os motivos que a levaram a participar da expedição humanitária.

"Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também", escreveu. "Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise", acrescentou a cineasta, que teria 48 anos.

Com BBC

31/05/2010 01:52 PM

"Não tive escolha a não ser atirar", diz israelense

Segundo relatos de militares israelenses, ativistas atacaram soldados com facas e barras de metal

Militares israelenses que atacaram um comboio com ajuda humanitária destinado à Faixa de Gaza nesta segunda-feira dizem ter sido atacados pelos ativistas com facas e barras de metal e alguns soldados teriam mergulhado no mar para se salvar, segundo testemunho israelense. "Eles me arremessaram, me atingiram com paus e garrafas e roubaram meu rifle", disse um dos soldados. "Eu tirei minha pistola e não tive escolha a não ser atirar".

Um cinegrafista da Reuters a bordo do navio da marinha israelense Kidon, perto do comboio de ajuda de seis navios, disse que os comandantes que monitoravam a operação foram surpreendidos pela forte resistência dos ativistas pró-palestinos.

Um dos militares disse que alguns dos soldados tiveram seus capacetes e equipamentos retirados e vários foram arremessados de um piso superior a outro inferior e depois se jogaram ao mar para que se salvassem.

Outro soldado disse a repórteres ter descido de um helicóptero por uma corda a um dos seis navios do comboio e foi imediatamente atacado por um grupo de pessoas que esperava por eles. "Eles nos bateram com pedaços de metal e facas", disse.

O governo de Israel afirmou que militares abriram fogo para se defender e que dez ativistas foram mortos e sete soldados ficaram feridos. Com Israel interferindo em sinais de rádio e censurando a imprensa, há poucos relatos independentes do que ocorreu no mar.

Um porta-voz militar israelense disse que alguns dos soldados estavam equipados com armas não-letais, mas que elas não eram suficientes contra os ativistas, que as muniram com balas. "Eles tinham pistolas com munição... para se defenderem", disse ele.

Ataque em vídeo

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: ?Todo mundo cale a boca!?. Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

Ajuda humanitária

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10.000 toneladas de ajuda a Gaza, território submetido a um bloqueio israelense desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle do local.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem. Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década. Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

31/05/2010 12:51 PM

Premiê israelense cancela visita aos EUA

Benjamin Netanyahu encurta visita ao Canadá e cancela encontro com presidente norte-americano, Barack Obama

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, cancelou seus planos para visitar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington na terça-feira, segundo um comunicado de Israel. O cancelamento da viagem foi anunciado após o ataque israelense contra navios que levavam ajuda a Gaza, resultando em ao menos 10 mortes.

"Netanyahu decidiu encurtar sua visita ao Canadá e retornar mais cedo a Israel", disse o comunicado nesta segunda-feira. Netanyahu estava no Canadá desde sexta-feira para conversar com os líderes do país.

A decisão foi tomada horas depois que o Exército israelense matou, nesta madrugada, pelo menos dez ativistas de direitos humanos em um ataque à frota que pretendia levar ajuda humanitária a Gaza.

Fontes do escritório do primeiro-ministro israelense disseram que Netanyahu, que está no Canadá, escala prévia à visita aos EUA, "reduziu sua viagem e nas próximas horas se reunirá com o premiê canadense, Stephen Harper". As fontes disseram que depois de sua reunião com Harper, Netanyahu "voltará a Israel".

O cancelamento da visita de Netanyahu a Washington foi determinado depois que seu escritório divulgou um comunicado afirmando que o primeiro-ministro israelense expressou seu "total apoio" ao Exército.

O primeiro-ministro israelense "conversou pelo telefone com os principais ministros e chefe de segurança para dar-lhes as instruções pertinentes" e "reiterou seu total apoio ao Exército", acrescenta o comunicado. Segundo o texto, "o primeiro-ministro (israelense) foi informado sobre a situação e os desenvolvimentos posteriores".

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

* Com AFP, Reuters e AFP

31/05/2010 12:16 PM

Exposição traça história do voyerismo

Mostra na galeria Tate Modern, em Londres, reúne fotos e vídeos de momentos capturados sem que os retratados soubessem

Uma exposição na conceituada galeria Tate Modern em Londres mostra como os avanços da tecnologia mudaram a forma como satisfazemos nossa curiosidade pela vida secreta dos outros. Exposed: Voyeurism, Surveillance and the Camera (Exposto: Voyeurismo, Vigilância e a Câmera) é o nome da exposição, que apresenta 250 fotos ou vídeos com imagens de momentos capturados sem que seus sujeitos soubessem.

As imagens datam do fim do século 19 aos dias atuais. Naquela época, não havia lentes poderosas nem celulares com câmeras, o que obrigava os "voyeurs" a tirar fotos secretas com câmeras escondidas em livros, guarda-chuvas e sapatos.

Entre as obras estão várias fotos tiradas por artistas famosos, como Brassaï, Guy Bourdin, Henri Cartier-Bresson, Walker Evans, Robert Frank, Nan Goldin, Dorothea Lange, Lee Miller, Thomas Ruff, Paul Strand, Weegee, and Garry Winogrand.

. A exposição conduz o visitante por imagens da guerra civil americana, de plataformas de petróleo em chamas na primeira guerra do Golfo, de uma execução na China em 1860, de à câmara de execução de uma moderna penitenciária no Mississippi, entre outras imagens de sexo, morte e inocentes flagrantes de pessoas famosas.

Os organizadores também revelam como a tecnologia tem nos ajudado a captar - e distribuir - com maior eficácia imagens consideradas proibidas.

31/05/2010 12:10 PM

EUA lamentam, mas não condenam ataque de Israel

Segundo porta-voz da Casa Branca, Washington examina circunstâncias de ação contra comboio humanitário que ia para Gaza

Os Estados Unidos disseram nesta segunda-feira que lamentam profundamente as mortes e os feridos deixados pelo ataque de comandos israelenses contra um comboio de navios de ajuda humanitária que estava indo para Gaza, indicando que estao analisando as circunstâncias em que foi realizado. A ação deixou pelo menos dez mortos.

Dizendo-se "preocupada" com a ação, a Casa Branca não condenou o ataque, que qualificou de "incidente" e "tragédia". "Os Estados Unidos lamentam profundamente a perda das vidas e as lesões causadas, e está atualmente trabalhando para compreender as circunstâncias da tragédia", disse o porta-voz da Casa Branca, William Burton.

O presidente Barack Obama estava em Chicago para o feriado do Memorial Day, e previa encontrar-se com o primeiro-ministro israelense, Beyamin Netanyahu, na terça-feira na Casa Branca. Após o ataque, porém, Netanyahu cancelou a visita. No dia 9 de junho está previsto que ele se reúna com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Enquanto o presidente palestino qualificou o ataque de "massacre" e decretou três dias de luto. Israel justificou a ação responsabilizando a "Frota da Liberdade", assegurando que seus tripulantes "atacaram os soldados israelenses", segundo o Ministério de Exteriores.

De acordo com a rede de televisão "NBC", havia 11 americanos na "Frota da Liberdade", entre eles um ex-embaixador e um antigo funcionário do Departamento de Estado.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A ação de Israel põe o Governo do presidente dos EUA, Barack Obama, em uma situação complicada, pois coloca em perigo as negociações indiretas entre israelenses e palestinos, que começaram recentemente sob a mediação do enviado especial americano, George Mitchell.

A frota de seis navios atacada transportava mais de 750 pessoas que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio de Israel desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle desse território palestino em 2007. A ação causou comoção e indignação na comunidade internacional.

Condenação internacional

O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato. "Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno essas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que a tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias dessa tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas esse direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm.

Reação no mundo islâmico

O Egito, que em 1979 se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, convocou o embaixador israelense depois do ataque. "O Egito convoca o embaixador de Israel no Cairo depois dos eventos do 'comboio da liberdade'", disse a TV Nilo em breve manchete sem fornecer maiores detalhes.

A Turquia, por sua vez, também chamou para consultas seu embaixador em Israel e anunciou ter ordenado que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade desse regime", declarou. "Tudo isto mostra que o fim desse sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca."

O ministro de Defesa iraniano fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel após a morte dos ativistas. "O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista", disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

*Com Reuters, EFE e AFP

31/05/2010 11:39 AM

Seul faz manobra militar e cresce tensão na região

Exército sul-coreano realiza exercícios de guerra perto da fronteira com a Coreia do Norte

A Coreia do Sul realizou manobras militares perto da tensa fronteira com a Coreia do Norte e prosseguia nesta segunda-feira com sua cruzada diplomática contra o regime comunista, ao qual acusa de ter afundado em março um barco de guerra sul-coreano.

Milhares de soldados sul-coreanos participaram nesta segunda nos exercícios militares que estavam previstos antes do recente incidente, apoiados por helicópteros de combate.

Esta demonstração de força, na qual foi simulada um ataque norte-coreano, envolveu 50 carros de combate e veículos blindados, ao longo de um rio no cantão de Hwacheon, justo ao sul da fronteira com a Coreia do Norte.

Naufrágio de navio

Uma investigação internacional sobre as causas do naufrágio, que provocou a morte de 46 marinheiros, atribuiu em maio passado o ato a um ataque de submarino norte-coreano.

"Ainda há quem repercuta alegações infundadas e alimente as dúvidas sobre as conclusões do informe sobre o (barco afundado) 'Cheonan'. Lamento e isso me entristece", afirmou o ministros das Relações Exteriores, Yu Myung-Hwan.

A Coreia do Sul anunciou uma série de represálias e suspendeu o intercâmbio comerical com o vizinho do Norte.

Além disso, Seul planeja, com o apoio dos Estados Unidos e Japão, solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que sancione - ou pelo menos censure - a Coreia do Norte. Pyongyang acusou o Sul de fabricar as provas que a incriminam pelo naufrágio.

31/05/2010 11:36 AM

Premiê de Israel mantém viagem apesar de ataque

Nesta segunda-feira no Canadá, Benyamin Netanyahu reúne-se na terça-feira com o presidente americano em Washington

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, prosseguirá com sua visita ao Canadá e não voltará a Israel depois do ataque do Exército israelense contra a frota que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, informou nesta segunda-feira um membro da delegação israelense.

Netanyahu cancelou uma coletiva prevista para o início da manhã, mas deve participar na coletiva conjunta com seu colega canadense Stephen Harper às 11h locais (12h de Brasília).

Mais cedo, a rádio pública israelense indicou que Netanyahu poderia interromper a visita ao Canadá e retornaria a Israel, depois do ataque contra a frota humanitária internacional que se dirigia a Gaza, que deixou pelo menos 10 mortos.

Do Canadá, o dirigente israelense se dirige a Washington, onde se reunirá na terça-feira com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.

Ataque

Israel atacou a flotilha para impedir que chegasse à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle do território palestino após expulsar as forças do partido laico Fatah, em 2007.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão. A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: ?Todo mundo cale a boca!?. Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

"Segundo um informe preliminar, morreram mais de 10 pessoas", declarou um porta-voz do Exército israelense ao confirmar que o ataque provocou vítimas fatais na flotilha. A imprensa israelense aponta que o número de mortos pode chegar a 19.

Condenação internacional

A comunidade internacional reagiu fortemente contra o ataque de Israel aos navios de ajuda humanitária.

O governo da Turquia advertiu Israel para as "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais. "Condenamos energicamente as práticas desumanas de Israel", afirma a chancelaria turca em um comunicado.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

A União Europeia (UE) pediu uma "investigação completa" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias do ataque e reiterou o pedido de uma abertura "incondicional" de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio. A Espanha, que exerce a presidência semestral da UE, convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

O presidente palestino Mahmud Abbas afirmou que o ataque foi "uma matança" e decretou três dias de luto nos territórios palestinos. A Autoridade Palestina exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para debater o ataque e a Liga Árabe qualificou a operação de "crime".

O movimento radical palestino Hamas convocou árabes e muçulmanos a uma revolta diante das embaixadas de Israel.

*Com AFP, EFE, Reuters e BBC Brasil

31/05/2010 10:56 AM

Brasileiro caminha quatro dias pelo Arizona em protesto contra lei de imigração

Jovem que mora ilegalmente na Flórida busca chamar a atenção para problema dos imigrantes nos EUA

O brasileiro Felipe Matos realizou uma caminhada de quatro dias circundando a capital do Arizona, Phoenix, que foi palco, neste fim de semana, de vários protestos contra e a favor da nova lei de imigração do Estado.

Acompanhado por três amigos, Felipe completou o trajeto no sábado, em meio à multidão que participou de uma marcha em protesto contra a lei. "Decidimos vir para o Arizona porque aqui é o centro do que diz respeito a todo tipo de preconceito (contra imigrantes ilegais) e até de racismo", disse Felipe à BBC Brasil.

Aos 24 anos, dez deles como imigrante ilegal nos Estados Unidos, o brasileiro vive em Miami, na Flórida, e tem cruzado o país em caminhadas para chamar a atenção para o problema dos indocumentados.

Em suas andanças, é acompanhado pelos amigos Gaby Pacheco (do Equador), Juan Rodriguez (Colômbia) e Carlos Roa (Venezuela), todos imigrantes ilegais como ele.

Xerife

Nesta terça-feira, o grupo pretende se reunir com Joe Arpaio, chefe de polícia do condado de Maricopa, do qual Phoenix faz parte, e um dos mais ferrenhos opositores dos imigrantes ilegais no Arizona.

Segundo Felipe, o grupo enviou uma carta ao xerife pedindo o encontro, mas não obteve resposta. Mesmo assim, os amigos vão insistir na reunião. "Vamos dizer a ele que somos seres humanos e temos de ser tratados como tal", afirma Felipe.

"Quase todos (os imigrantes ilegais) são pessoas que trabalham muito. Estamos aqui para ajudar a construir esse país".

Lei

A nova lei de imigração do Arizona foi assinada pela governadora Jan Brewer em 23 de abril e deve entrar em vigor em 29 de julho.

A lei torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e dá à polícia o poder de abordar, interrogar e exigir documentos de pessoas sobre as quais haja suspeita.

Desde seu anúncio, a medida tem sido alvo de inúmeros protestos em todo o país, por parte de críticos que consideram a legislação discriminatória e temem que vá afetar especialmente a população hispânica.

A legislação, porém, também tem a simpatia de muitos americanos que vivem no Arizona, que acreditam que ela pode ajudar a reduzir a criminalidade no Estado.

Washington

Felipe afirma que resolveu participar dos protestos do último fim de semana em Phoenix também porque teme que a lei possa inspirar outras regiões dos Estados Unidos a aprovar medidas semelhantes.

Atualmente, 15 Estados americanos cogitam adotar leis similares à do Arizona. "Pode chegar à Flórida", diz. O brasileiro e seus companheiros ganharam destaque nos jornais americanos no início de maio, ao encerrar uma jornada de quatro meses a pé por seis Estados, entre Miami e Washington.

Na bagagem, levavam uma carta pedindo ao presidente Barack Obama o fim das deportações de jovens que poderiam ser beneficiados pelo Dream Act, um projeto de lei que está empacado no Congresso em Washington.

O projeto beneficia imigrantes que chegaram aos Estados Unidos antes de completar 16 anos, moram no país há pelo menos cinco anos, terminaram o ensino médio e pretendem cursar uma faculdade ou cumprir serviço militar.

Esses imigrantes ganhariam residência temporária de seis anos e, ao final do período, caso tivessem cumprido serviço militar ou cursado uma faculdade por pelo menos dois anos, teriam direito a residência permanente.

Felipe se beneficiaria do Dream Act, mas o projeto está parado no Congresso americano.

Trajetória

A trajetória de Felipe começou aos 14 anos, no Rio, quando sua mãe, que estava doente, enviou o filho para passar uma temporada com familiares que viviam em Miami, na Flórida.

"Quando cheguei aos Estados Unidos, meus parentes me disseram: estuda bastante, este é o país das oportunidades", diz. "Naquele momento, eu sonhei. Não sabia o que era ser um indocumentado."

Para Felipe, o sonho acabou quando terminou o ensino médio e não teve dinheiro para pagar uma faculdade, que custa mais que o dobro para estudantes em situação ilegal no país.

Faculdade

Ele chegou a ganhar uma bolsa de estudos para a faculdade de Direito, mas abandonou o curso ao saber que não poderia exercer a profissão por conta de sua condição ilegal.

Agora, estuda Economia em uma universidade em Miami, mas sabe que, se a lei não tiver mudado quando se formar, será impedido de trabalhar na profissão enquanto for um indocumentado.

Por enquanto, o brasileiro sobrevive de pequenos serviços como jardineiro ou garçom. Apesar das dificuldades, não pensa em voltar ao Brasil. "Minha vida está aqui, meus amigos. Não sei como seria se voltasse ao Brasil".

31/05/2010 10:51 AM

Santos atropela rival no 1º turno da Colômbia

Juan Manuel Santos e Antanas Mockus disputarão a sucessão de Uribe em 20 de junho

O candidato governista Juan Manuel Santos contrariou as pesquisas e obteve uma enorme vantagem no primeiro turno da eleição presidencial da Colômbia, no domingo.

O ex-ministro da Defesa no governo de Álvaro Uribe não conseguiu maioria absoluta contra Antanas Mockus, do Partido Verde, mas irá ao segundo turno sem a pressão de precisar formar grandes alianças.

Com 99,71 por cento das urnas apuradas, Santos acumulava 46,56% dos votos, contra 21,49% de Mockus, de acordo com o Registro Nacional. O segundo turno será em 20 de junho.

As pesquisas indicavam um resultado mais apertado, e há apenas uma semana a situação era de empate técnico entre os dois candidatos, que prometem manter as principais políticas de Uribe.

Em terceiro lugar ficou o candidato do partido Mudança Radical, Germán Vargas Lleras, com 10,13% dos votos. O esquerdista Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, recebeu 9,15%.

A boa votação de Vargas também foi uma surpresa, e seu apoio deve ser cobiçado no segundo turno. No passado, ele já declarou que, se não fosse candidato, votaria em Santos.

Em um emocionado discurso, cheio de elogios a Uribe, Santos pediu união aos seus seguidores, e acenou com uma coalizão com os partidos Mudança Radical, Conservador e Liberal, para que "nossa economia cresça com igualdade, como deve ser, para liderar a transformação social da Colômbia, derrotar a pobreza e gerar oportunidades de prosperidade para todos", disse o candidato.

Mockus, por sua vez, se disse confiante numa virada. "Com este segundo turno temos a oportunidade de avançar rumo a uma profunda transformação cultural que liberte nosso país da violência, do narcotráfico e do clientelismo", declarou. Em abril deste ano, Mockus reconheceu que sofre do Mal de Parkinson, ainda em estágio inicial. Segundo seus médicos, os sintomas só começarão a afetar o cotidiano do político em dez anos.

Cerca de 30 milhões de colombianos estavam habilitados a votar, e a abstenção ficou em torno da média histórica de 50% --o voto é facultativo.

O ministro da Defesa, Gabriel Silva, disse que esta foi "a jornada eleitoral mais tranquila nos últimos 30 anos, isso nos orgulha".

A guerrilha Farc costuma realizar atentados em épocas eleitorais, para buscar protagonismo político, mas o governo disse que o único incidente grave foi a morte de um soldado numa ação dos rebeldes no Departamento (Estado) do Meta (sudeste).

Sucessão de Uribe

Em nota, Uribe disse que a Colômbia "recuperou a liberdade política que esteve sequestrada pelo terrorismo". "Obrigado, Forças Armadas; obrigado, cidadania", acrescentou.

Alvo de críticas da esquerda e de organizações sociais, Uribe que se tornou o principal aliado dos Estados Unidos na região terminará seu controvertido mandato com cerca de 68% de popularidade.

Seu sucessor receberá um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com 12% de desemprego, um dos mais altos índices da América Latina e com uma crise de credibilidade institucional.

* Com Reuters e BBC Brasil

 

31/05/2010 10:40 AM

Vacina para câncer da mama é testada com sucesso em ratos

Cientistas avisam: levará alguns anos até que o medicamento esteja disponível ao público

Cientistas americanos dizem ter desenvolvido uma vacina que impediu o desenvolvimento do câncer da mama em ratos. Os pesquisadores planejam agora fazer testes da droga em humanos.

Eles avisam, no entanto, que pode levar alguns anos até que uma vacina esteja disponível para o público. O imunologista que chefiou a pesquisa, Vincent Tuohy, do Cleveland Clinic Learner Research Institute, disse que a vacina age em uma proteína encontrada na maioria dos tumores da mama.

"Acreditamos que esta vacina será usada um dia para prevenir o câncer da mama em mulheres adultas da mesma forma como vacinas vêm impedindo muitas doenças da infância", disse Tuohy. "Se (a vacina) funcionar em humanos da mesma forma como em ratos, vai ser monumental. Poderíamos eliminar o câncer da mama". Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine.

Desafio

No estudo, ratos com grande probabilidade genética de desenvolver câncer da mama foram vacinados. A metade recebeu vacinas contendo a droga a-lactalbumina, a outra metade foi vacinada com uma droga que não continha a substância. Nenhum dos animais vacinados com a-lactalbumina desenvolveu o câncer da mama. Todos os outros ratos apresentaram a doença. Os Estados Unidos aprovaram duas vacinas para a prevenção do câncer, uma contra o câncer do colo do útero e outra contra o câncer do fígado.

Entretanto, essas vacinas atuam em vírus - o vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) e o vírus da hepatite B (HBV) - e não na formação do câncer. Câncer é um crescimento desordenado de células do corpo. Por isso, ao contrário de um vírus, não é reconhecido pelo organismo como um invasor ou um corpo estranho. Isso dificulta a criação de uma vacina preventiva. Vacinar o corpo contra o crescimento excessivo de células significa vacinar o paciente contra seu próprio organismo, provocando a destruição de tecidos saudáveis.

Futuro

Caitlin Palframan, representante da entidade beneficente Breakthrough Breast Cancer, disse que o estudo pode ter implicações importantes na prevenção contra o câncer da mama no futuro. "Entretanto, o estudo está em fase inicial e nós aguardamos com interesse os resultados de experimentos em grande escala para verificar se essa vacina seria segura e efetiva em humanos", acrescentou.

Ela disse que há medidas que mulheres podem adotar para reduzir os riscos do câncer da mama, entre elas, diminuir o consumo do álcool, manter um peso saudável e fazer exercícios regulares.

31/05/2010 10:22 AM

Presidente da Alemanha renuncia ao cargo

Horst Köhler anuncia renúncia após polêmicas declarações sobre missiões internacionais do Exército alemão

O presidente da Alemanha, Horst Köhler, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia "com efeitos imediatos" do cargo de máxima autoridade do país poucos dias após polêmicas declarações no Afeganistão sobre as missões internacionais do Exército alemão.

A interpretação que supostamente havia defendido uma intervenção anticonstitucional do Exército alemão (Bundeswehr) para garantir os interesses econômicos da Alemanha não precisa de justificativa, disse Köhler ao anunciar sua inesperada renúncia.

"Lamento que minhas declarações tenham conduzido a um mal-entendido", ressaltou o presidente alemão à imprensa, mostrando-se constrangido pela polêmica aberta. Nos últimos dias, ele havia sofrido inúmeras críticas por parte da imprensa.

Durante a viagem de volta de uma visita surpresa ao Afeganistão na semana passada, Köhler manifestou à imprensa que as missões do Bundeswehr no exterior têm sua justificativa também pela salvaguarda dos interesses econômicos da Alemanha.

Após começar a polêmica, seu porta-voz afirmou que o presidente da Alemanha não tinha se referido especificamente à missão no Afeganistão, mas às missões das Forças Armadas alemãs em território estrangeiro em geral.

Na sexta-feira passada, por meio de outro porta-voz, a chanceler alemã, Angela Merkel, não quis comentar as declarações de Köhler com o argumento de que o presidente já as havia explicado e que não havia "nada a acrescentar".

Horst Köhler, que tinha sido reeleito presidente da Alemanha em 2009 por um mandato de cinco anos, assinalou que tinha comunicado sua decisão ao presidente rotativo da câmara alta (Bundesrat) do Parlamento alemão, o social-democrata Jens Böhrnsen, que assumirá interinamente a chefia do Estado.

31/05/2010 10:18 AM
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