Cobertura completa das Eleições 2010: notícias, fotos e vídeos dos candidatos, pesquisas, guia do eleitor, apuração dos resultados da eleição e muito mais.
Os dois principais pré-candidatos têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas", porém necessárias
A cerca de quatro meses das eleições, os dois principais pré-candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas". São aqueles apoios constrangedores, mas necessários para a caminhada eleitoral.
Dilma já distribuiu afagos ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Parte do PT não gostou e outra respaldou. Garotinho e sua mulher, a ex-governadora Rosinha Matheus, são investigados por suposto envolvimento em corrupção, como o uso de ONGs para desvio de dinheiro público, entre outras suspeitas.
Na quinta-feira, o casal foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio por abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação nas eleições de 2008. Se a decisão for confirmada, eles ficarão inelegíveis até 2011. Mesmo assim, Dilma quer os votos de Garotinho, embora caminhe para um apoio oficial à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB).
Do Rio surge outro apoio incômodo, mas importante para José Serra: o do deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Ele denunciou o mensalão do PT, em 2005, e acabou sendo cassado por envolvimento no escândalo de distribuição de propinas. Agora, declarou apoio a Serra. Esteve no lançamento de sua pré-candidatura em Brasília.
Fronteira
"É ingenuidade imaginar que só se trabalha com pessoas de bem na política. A questão é saber o limite dessas companhias", avalia o deputado tucano Gustavo Fruet (PR).
Seu colega de Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), aliado de Dilma, diz que é preciso estabelecer, de alguma maneira, o limite. "Não se pode imaginar critérios normativos para os políticos. O importante é ter noção de fronteira. A fronteira, no meu caso, é saber o programa do candidato." Pré-candidato ao governo do Maranhão, Dino é adversário dos Sarney. Mas sabe que corre o risco de subir com eles no palanque de Dilma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Investigação aponta ex-ministro do Esporte e pré-candidato ao governo como suspeito de desvio de verbas de programa do ministério
Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, batizada de Operação Shaolin, aponta o ex-ministro do Esporte e pré-candidato do PT ao governo do DF, Agnelo Queiroz, como suspeito de desvio de verbas do Segundo Tempo, programa do ministério. Segundo reportagem no site da revista Época, documentos obtidos pela polícia sobre o destino de quase R$ 3 milhões repassados a associações de kung fu de Brasília comprometeriam o petista.
"Este é um inquérito ilegal e clandestino, arquitetado por uma facção da Polícia Civil, sob o comando dos meus adversários, o ex-governador José Roberto Arruda à frente", defendeu-se Agnelo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Pré-candidata do PV pede que crentes não "satanizem" seus rivais nas eleições presidenciais deste ano
A pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, participou do culto da igreja Assembleia de Deus em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, e pediu para que os crentes não "satanizassem" os seus adversários nas eleições, como Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). "O mesmo Deus que me ama, ama Dilma, ama Serra e ama Plínio (Plínio de Arruda Sampaio, virtual candidato à presidência pelo PSOL)".
Marina, evangélica e missionária da Assembleia de Deus, chegou um pouco antes das 9 horas e foi homenageada pelos evangélicos. Depois, conduzida junto aos pastores que representavam perto de 20 assembleias em municípios do interior de São Paulo. Ela ouviu a pregação e depois ocupou o púlpito por 40 minutos em que fez um resumo de sua trajetória de vida e começou contando sobre "a vontade" de se alfabetizar aos 16 anos de idade. Falou que chegou a ser desenganadas pelos médicos com a malária e hepatite antes de concluir sua graduação em história.
Em uma conversa rápida com a imprensa, Marina foi questionada se temia ser apontada por usar o púlpito como palanque. "Não temo por questões de princípios, a minha fé é publica, todos me conhecem", declarou. "Sou o que sou desde quando eu era cristã católica. Nós somos um Estado laico e isso é muito positivo tanto para quem crê como para quem não crê, ou é evangélico, como para espírita, como para católico ou qualquer pessoa."
Quanto ao caso da intermediação através do presidente Lula entre Irã e Turquia para trocas de componentes atômicos, a pré-candidata Marina Silva disse que "o diálogo em busca da paz é sempre bom. Mas temos que ser cautelosos" falou. "O Irá já se comprometeu, ano passado, com a Rússia e a França e não cumpriu", disse. "Estamos na expectativa de paz."
Marina Silva não participou das prévias das convenções do PV programada para o início da tarde em Campinas. Ela disse que retornaria a Brasília ainda neste domingo, sem explicar o motivo. A ex-senadora está na região de Campinas desde a manhã de sábado, quando participou de caminhada pelo centro da cidade e de lançamentos de pré-candidatos a Câmara federal.
Em entrevista ao iG, pré-candidato tucano ao Senado também defende legalização do aborto e casamento gay
Com 6% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, o pré-candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, diz apostar no alto índice de aprovação do colega de partido e pré-candidato tucano ao governo paulista, Geraldo Alckmin, para eleger-se senador. Na entrevista que concedeu ao iG em seu escritório de campanha, no centro da capital paulista, Aloysio afirma que a tendência é o eleitor votar no candidato ao Senado identificado com uma determinada corrente política.
O PSDB governa São Paulo há 16 anos. A hegemonia tucana, no entanto, não foi suficiente para conquistar uma cadeira no Senado. O último senador da legenda eleito pelo Estado foi o pré-candidato à Presidência José Serra, em 1994. Aloysio aparece na pesquisa atrás de Marta Suplicy (PT), Romeu Tuma (PTB), Orestes Quércia (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB), Soninha (PPS) e Gabriel Chalita (PSB).
Dizendo possuir uma história política de mais de 40 anos, Aloysio, secretário da Casa Civil na gestão de Serra, disputou internamente com Alckmin a indicação para concorrer ao governo paulista. Mencionando mais de uma vez a ex-ministra Marta Suplicy, sua rival na disputa, ele explica por que é a favor da descriminação do aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo, mas contra a eutanásia. "Quando se trata de legislar, eu sou fiel aos princípios republicanos. Eu prego a laicidade do Estado."
iG - Como os altos índices de aprovação de Geraldo Alckmin poderão ajudar na sua campanha ao Senado?
Aloysio Nunes - É uma ajuda decisiva porque a tendência do eleitor é votar no senador que ele identifica com uma corrente política. Não é um cargo isolado, não tem um frenesi. A atenção se volta à escolha do candidato à presidente e governador. O senador terá tanto mais chances de sucesso quanto maior for a identificação com essa corrente. Por outro lado eu posso também contribuir para engrossar essa corrente. Eu sou um político de longa militância, tenho uma rede de contatos políticos muito ampla em todo Estado de São Paulo, inclusive que transcende a coligação majoritária. Posso contribuir para a vitória do Serra e do Alckmin, agregando esses apoios à campanha majoritária.
iG - Em São Paulo, o PSDB não elege um senador desde 1994, mas está no governo há 16 anos. Isso contraria a tendência que o senhor apontou? Como se explica isso?
AN - Na última eleição, nós fizemos uma aliança, não lançamos um candidato ao Senado. Sinceramente, não tem explicação. Acho que o Guilherme Afif (DEM) teria sido eleito se houvesse, por parte da maioria dos agentes políticos, convicção de que era possível ganhar a eleição. E de que o Eduardo Suplicy (PT), contrariamente ao que pensam, é ruim de voto. Ele poderia ter ganhado a eleição se nós tivéssemos agregado as estruturas políticas dos partidos. Isso está sendo feito agora. E outra razão muito prosaica. O número dele não era 45, era 22. Muita gente queria votar no senador do 45, mas o nosso era 22. Se ele tivesse concorrido com o 45, ele teria sido eleito.
iG - O que no seu currículo político mais te credencia para ser senador?
AN - Eu tenho uma história que começa há mais de 40 anos com a militância contra a ditadura no movimento estudantil e uma vasta experiência legislativa com cinco mandatos. Um conhecimento da máquina do governo federal por ter sido ministro de Fernando Henrique durante três anos. Fui secretário do município de São Paulo e do Estado, na Casa Civil, com Serra, o que me propiciou um conhecimento muito íntimo do interior, das regiões metropolitanas com suas peculiaridades, necessidades regionais. Essa experiência me permite conhecer os problemas e as pessoas que estão envolvidas nas soluções. E, ao mesmo tempo, os caminhos para resolvê-los, seja do ponto de vista legislativo, seja do ponto de vista administrativo.
iG - O senhor acredita que Serra, se eleito, fará reformas estruturantes ou vai apostar nas emendas constitucionais, como fez Fernando Henrique?
AN - As reformas precisam de emenda constitucional. Para alteração da estrutura tributária, necessariamente precisa fazer emenda constitucional. Da mesma forma para fazer alteração na estrutura política. Algumas mudanças importantes, como a adoção do voto distrital proporcional, exigem mudança constitucional. Mas há muito tempo que não se faz reformas. O governo atual não apresentou nenhuma. Não tem uma agenda, como teve Fernando Henrique e como tivemos em São Paulo, na prefeitura e no governo. As reformas foram feitas no primeiro mandato de Fernando Henrique, com o plano real, e no segundo com a lei de responsabilidade fiscal. O atual governo não fez rigorosamente nada. Empurrou os problemas com a barriga.
iG - O ministro Peluso, ao assumir o STF, anteviu alguns temas controversos na pauta. Qual é a sua posição sobre a descriminalização do aborto?
AN - O aborto não pode ser considerado crime. Essa é uma das convergências que eu tenho com a Marta Suplicy. É um problema social, grave. Milhões de mulheres são levadas a fazer aborto por várias razões nas condições mais precárias de saúde. É a quarta causa de mortalidade materna. É um morticínio de mulheres, especialmente de mulheres pobres. O aborto não pode ser um método anticoncepcional. Conheço mulheres que fizeram aborto e para elas foi um enorme sofrimento, que deixa marcas. É preciso ter difusão de métodos anticoncepcionais. Mas botar uma mulher na cadeia por ter feito aborto eu acho uma crueldade, uma desumanidade, com todo respeito às orientações religiosas, que servem às pessoas que têm orientação religiosa. A lei tem que valer para todos, é universal. A esfera pública, legal, não pode se confundir com a esfera religiosa.
iG - O senhor é a favor da legalização da eutanásia?
AN - Eu sou contra a exacerbação terapêutica sem sentido, isto é, submeter um ser humano a métodos terapêuticos sem nenhuma perspectiva de cura. Eu não quis que meus pais fossem para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para prolongar por 40, 45 dias a vida deles em condições artificiais. Nem eles quiseram. Meu pai pôde me falar isso claramente. Prolongar a vida por métodos artificiais desumanos, aviltantes, que afetam a dignidade da pessoa, eu sou contra. Agora, sou contra provocar a morte.
iG - E o casamento gay?
AN - Sou a favor. Toda forma de amor vale a pena. E suas consequências jurídicas existem. Uma união entre pessoas do mesmo sexo tem conseqüências no plano civil. Eu votei a favor do projeto da então deputada Marta Suplicy. Ninguém é obrigado a se casar. Mas se duas pessoas estão unidas e querem que essa união tenha consequências jurídicas, não tem porque recusar.Essas questões têm uma dimensão ética, moral, religiosa que é muito pessoal. O Estado não pode impor uma visão que é própria de uma determinada filosofia ou ideologia ao conjunto da sociedade. Sem liberdade religiosa você não tem democracia. A esfera da lei tem que ser absolutamente distinta da esfera individual, religiosa, de questões de consciência. A religião transcende a esfera individual, tem uma função pedagógica, transmite valores positivos. Nunca vi uma religião pregar morte, discriminação, violência. Mas quando se trata de legislar, eu sou fiel aos princípios republicanos. Eu prego a laicidade do Estado.
Mudanças no tabuleiro eleitoral se devem a fenômenos migratórios e a variações na taxa de natalidade
O colégio eleitoral que mais cresce no Brasil é o da região Norte. Porém, desde abril, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) não pisaram ali. Desde as eleições de 2006, o eleitorado do Norte aumentou 11,2% e passou o do Centro-Oeste, que caiu para o último lugar do ranking, apesar de ter crescido 7,6%. Os cinco Estados onde o número de eleitores mais aumentou são nortistas: Amapá, Pará, Roraima, Amazonas e Acre.
Houve crescimento abaixo da média nacional no Nordeste, no Sudeste e no Sul. Essa região é a que mais vem perdendo participação no total. O crescimento de seu eleitorado foi de 16,5% nos últimos dez anos, menos da metade dos 38,5% atingidos pelo Norte.
As mudanças no tabuleiro eleitoral se devem a fenômenos migratórios e a variações na taxa de natalidade. As projeções de população para 2030 indicam continuidade na tendência de encolhimento proporcional do Sul e de crescimento maior do Norte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com 30 milhões de eleitores. Minas Gerais é o segundo, com 14,4 milhões de votantes - mais do que a soma de Mato Grosso, Amazonas, Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima.
Coordenadores da campanha digital de Dilma treinam militantes para atuar na "guerra" da blogosfera: dica é mobilizar redes sociais
Para a campanha de 2010, os principais partidos dos presidenciáveis desembolsaram grandes quantias para contratar marqueteiros, estrategistas e coordenadores políticos. De olho nas novas mídias, o PT reforçou a equipe com profissionais especializados em transformar o militante em ?eleitor multimídia?. Comandada por Marcelo Branco, ex-diretor da Campus Party, o partido programou palestras e workshops em todas as regiões do País até o final de junho para mobilizar os apoiadores de Dilma Rousseff nas redes sociais.
Batizada de caravana digital, as aulas começaram há cerca de um mês e já reuniram cerca de mil pessoas. Durante uma hora, Branco apresenta as ferramentas que servirão de apoio para a campanha digital, como o Twitter e os blogs. ?Em Vitória, por exemplo, uma senhora aprendeu a fazer o blog dela com a caravana. Bem idosa, do movimento, entrando na rede?, explicou. Nas viagens, ele conta com a ajuda de Juan Pessoa, que representa a secretaria de comunicação do PT e foi escalado para fazer a articulação política nos Estados. Desde o dia 30 de abril, a campanha já passou por nove Estados com objetivo de transformar os militantes - do PT ou da base aliada - em eleitores multimídias.
Nesta semana, a campanha começa em Pernambuco e passa pelo Ceará. No dia 28 de junho, está previsto o último evento, no Piauí. ?É uma forma de organizar a militância para o trabalho na internet como voluntário. Eles fazem as coberturas, filmam, colocam foto e texto. Ou seja, cobrem o dia a dia das eleições nas suas regiões?, explicou Juan ao iG.
A equipe dispõe conteúdo para além da campanha virtual, o que eles chamam de disputa ?offline?. A recomendação, segundo eles, é não atacar os concorrentes tucanos e alimentar o troll - os provocadores da internet. ?Eu aconselho a não entrar na baixaria. Eu falo para não responder e não dar bola?, contou Branco. E continuou: "E, claro, o nosso conselho é para que eles não se esqueçam que o Serra é o anti-Lula?.
Durante a primeira fase da pré-campanha, o ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência evitou o confronto direto com o governo Lula, que registra recorde de popularidade. Nesta semana, apesar de ter minimizado o crescimento da adversária petista nas últimas pesquisas, Serra aumentou o tom das críticas.
Já na internet, o PT quer ter um exército de 200 mil filiados. O cálculo tem como referência os cadastrados na rede de e-mails do partido, que devem atuar como guerrilheiros da blogosfera, convencer o eleitor a votar em Dilma e rebater ataques contra ela.
Para Marina, a má utilização de uma ferramenta não justifica sua eliminação
Motivo de polêmica envolvendo gastos irregulares de ministros de Estado, dois anos atrás, o cartão corporativo do governo federal estaria a salvo em um eventual governo da pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva. Foi o que ela garantiu neste sábado.
"As pessoas me perguntam se vou acabar com o cartão corporativo. Não vou", declarou a pré-candidata, em palestra para professores, alunos e lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no Teatro Tuca, da Universidade Pontifícia Católica (PUC) em São Paulo.
Para Marina, a má utilização de uma ferramenta não justifica sua eliminação. O necessário nos casos que envolvem o manuseio e gastos dos recursos públicos é transparência. "Temos que fazer do cartão corporativo uma espécie de Big Brother para que toda a sociedade possa fiscalizar", disse a pré-candidata do PV, numa analogia com o reality show da TV Globo.
"O que é uma tapioca? Na minha terra, o que mais tem é tapioca e eu dou umas tapiocas de graça", disse em alusão ao ministro dos Esportes do governo Lula, Orlando Silva, provocando risos na plateia. Em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, em 8 de abril de 2008, o ministro disse que o uso do cartão do governo para pagar a tapioca de R$ 8,30 foi por "engano".
BC
Marina reiterou a defesa da autonomia do Banco Central nas decisões de política monetária. No entanto, deixou claro que se opõe a uma forma mais institucionalizada, nos moldes da Argentina. "O piloto tem que ter autonomia no voo do avião", comparou.
O tripé macroeconômico - câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário -, que na avaliação de Marina garante a estabilidade da economia, seria mantido em um governo do PV, disse a senadora, ressalvando, contudo, que isso "não é um dogma".
Pré-candidato disse que "o governo boliviano é conivente com a exportação de drogas", o que "acaba com a vida de nossos jovens"
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a culpar o governo da Bolívia pela entrada de cocaína no Brasil neste sábado. Disse que "o governo boliviano é conivente com a exportação de drogas para o Brasil", o que "acaba com a vida de nossos jovens".
Em relação ao financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para a construção de uma rodovia em território boliviano, o ex-governador de São Paulo defendeu que o governo brasileiro exija como contrapartida o controle sobre o tráfico de drogas.
Serra participou nesta tarde, em Cuiabá, do lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Cuiabá Wilson Santos (PSDB) ao governo do Estado. No encontro com lideranças do PSDB, PTB e DEM, um dos temas abordados foi a permeabilidade e a necessidade de reforçar a segurança dos 710 km de fronteira seca do Mato Grosso. Em discurso, Serra destacou como áreas principais de sua proposta de governo segurança, saúde e educação.
Durante o ato político, Serra recebeu o apoio de parte dos militantes do PPS, que no Estado está dividido entre as candidaturas de Wilson Santos e Mauro Mendes (PSB). O ex-governador de São Paulo disse ter conversado sobre a situação do PPS no Mato Grosso com o presidente do partido, Roberto Freire. Freire teria garantido ao tucano o apoio do partido no MT.
Vice
Serra repetiu que o fato de ainda não ter um candidato a vice não o "angustia". "Com certeza em junho, teremos." Ele explicou que tem evitado o tema para não dar margem a especulações.
O futuro gerente de finanças da campanha de Dilma pode ter de ressarcir prefeitura de Diadema. Petistas defendem Filippi Jr.
A condenação do futuro tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Jr., pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, não preocupam a cúpula petista. Como divulgou nesta sexta-feira o jornal "Folha de S. Paulo", a corte determinou que Filippi Jr. devolva aos cofres de Diadema os valores pagos pela contratação, sem licitação, do escritório de advocacia do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh.
O escritório foi contratado pela prefeitura de Diadema entre 1983 e 1996 e recebeu R$ 2,1 milhões, de acordo com a reportagem da Folha. O TJSP quer a devolução do montante pago aos advogados. Além disso, o ex-prefeito foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos, o que não altera a possibilidade de ele continuar trabalhando na campanha da pré-candidata do PT à Presidência. Filippi Jr. pode recorrer da decisão.
O presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, afirmou ao iG que a decisão do tribunal não causa problemas ao PT ou à campanha da pré-candidata à presidência Dilma Rousseff. ?Temos de analisar os fatos. Ele foi condenado por uma atitude que tomou enquanto prefeito, em 1996. Depois disso, ele foi tesoureiro na campanha de Lula à Presidência em 2006 e a conduta dele foi exemplar. Não houve ressalvas à prestação de contas dele?, ressaltou.
Para Dutra, não há motivos para que a confiança na capacidade de Filippi Jr. em coordenar as finanças da campanha de Dilma seja quebrada. O presidente nacional do PT contou que tentou contato com o ex-prefeito, que está em viagem para os Estados Unidos, mas não conseguiu.
Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara dos Deputados, reforça que a decisão do tribunal não é definitiva. ?Essa é a decisão de uma instância apenas. Há ainda recursos judiciais que serão feitos. Não há preocupações sobre isso?, garantiu.
Embora reconheça legitimidade de questão das terras no Brasil, pré-candidata pelo Partido Verde defende discussão responsável
A pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde, Marina Silva, disse neste sábado que a questão das terras no Brasil é uma questão legítima, mas que tem de ser discutida com responsabilidade. Marina considera legítimas as causas do Movimento dos Sem Terra (MST), mas diz que seria interessante que o movimento não extrapolasse suas ações.
Da mesma forma, mencionou que no Norte e Nordeste do País, a questão principal é a ameaça de morte. Segundo a pré-candidata, o bispo de Altamira, por exemplo, tem sido perseguido e ameaçado. "Isto também é uma extrapolação da liberdade", afirmou Marina.
Questionada sobre o comentário do pré-candidato José Serra (PSDB) em relação ao narcotráfico da Bolívia, Marina Silva disse "temos de ter muito cuidado em relação a comentários sobre os países vizinhos. É preciso não generalizar quando se trata do tema narcotráfico". Segundo ela, todo comentário sem responsabilidade não favorece nenhum dos dois países.
A pré-candidata disse também que o PV tem tomado muito cuidado para cumprir a legislação eleitoral, ao contrário dos outros pré-candidatos que já agem como em campanha eleitoral. "Por outro lado, não tem como ficar em casa esperando a data chegar para depois sair às ruas anunciando que é candidata", afirmou.
Por isso Marina Silva passeou neste sábado pela rua Treze de Maio, no centro de Campinas. "Nesses passeios, falo quase 500 mil vezes: sou pré-candidata, pré-candidata", disse ela. Marina esteve também na Casa de Portugal no lançamento da pré-candidatura de Luciano Zica (PV) a deputado federal.
Maratona de eventos que marcam tradicional festa da região é oportunidade de exposição para pré-candidatos ao governo do Estado
Agreste é a faixa semiárida coberta por caatinga que liga a zona da mata, no litoral, ao sertão. Esta foi a região escolhida pelos dois principais pré-candidatos ao governo de Pernambuco para passar o fim de semana, quando tem início a maratona de festas de São João, principal data no calendário do interior do Estado.
Ao longo de todo mês de junho, dezenas de festejos serão palco da disputa eleitoral ao governo.
O atual governador e pré-candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), está em Caruaru, cidade conhecida como a capital do agreste. O ex-governador e maior oponente de Campos, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), está a cerca de 60 km de distância, no município de Belo Jardim, onde acontece outra grande festa de São João, na fazenda do deputado José Mendonça Filho (DEM).
Com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto, Eduardo Campos foi convidado pelo prefeito de Caruaru, José Queiroz de Lima (PDT), para a inauguração do Expresso Cidadão, serviço que facilita a retirada de documentos. Queiroz é o sucessor de Tony Gel (DEM), marido da pré-candidata a vice de Jarbas Vasconcelos, Miriam Lacerda (DEM). Este ano, a família Lacerda não participará dos festejos oficiais. ?Faremos um São João particular?, diz Miriam, a deputada estadual mais votada na história de Pernambuco nas palavras de Jarbas Vasconcelos.
O pai de Miriam, Luiz Lacerda, torcedor veterano do Central de Caruaru, dá nome ao estádio de futebol do clube, o Lacerdão. É dono da rádio Liberdade, uma das principais emissoras do agreste. ?Dizem que agora na Prefeitura os funcionários não podem mais ouvir a rádio Liberdade?, conta. Neste sábado, o governador aproveitou a passagem pela cidade para conceder uma entrevista à rádio controlada pela família Lacerda, da oposição.
O convite feito a Miriam Lacerda para integrar o palanque foi justificado por Jarbas por ser ?um nome forte no interior? e pela ?competente oposição que faz na Assembleia Legislativa?. Além disso, no entanto, a presença de Miriam rejuvenesce a chapa, composta também pelo senador Marco Maciel (DEM). Com ela, Jarbas quer conquistar o voto do sertanejo e da nova geração.
Aos 69 anos, o senador, que já foi duas vezes governador de Pernambuco e duas vezes prefeito de Recife, relutou em aceitar candidatar-se novamente. Já Eduardo Campos, de 45 anos, pretende reeleger-se mirando a sucessão presidencial em 2014. O senador tem a idade da mãe do governador pernambucano, a deputada federal Ana Arraes (PSB). Ana é filha do ex-governador pernambucano Miguel Arraes, do então MDB, que originou o PMDB, partido de Jarbas Vasconcelos, e o PSB, de Eduardo Campos.
Depois de tentar seduzir o pedetista Osmar Dias para encabeçar uma chapa ao governo do Paraná, o PT resolveu partir para um acordo em torno da reeleição do governador peemedebista Orlando Pessuti. Se a chapa for formalizada, o ex-governador Roberto Requião, também PMDB, seria um dos candidatos ao Senado, assim como Gleisi Hoffman, do próprio PT. A formação é festejada pelo presidente do PT do Paraná, deputado estadual Enio Verri, que reclama da indecisão de Osmar Dias. O senador pelo PDT até agora não deixou claro se concorrerá ao governo do Paraná ou à reeleição ao Senado, neste caso, provavelmente na chapa do PSDB, que tem como candidato ao governo o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB).
?Não se sabe qual será o próximo movimento. Dias fechou conosco e voltou atrás, fechou com o presidente Lula e voltou atrás. E as convenções partidárias serão agora?, reclama Verri.
As estratégias eleitorais de nada menos que 10 partidos dependem da definição do senador do PDT. PMDB, PSDB, PT, PP, PTB, DEM, PR, PSC e PPS aguardam a decisão de Dias para levarem adiante as negociações, e o pré-candidato tem até o dia 30 de junho para anunciar a escolha definitiva. Nessa data acontecerá a convenção estadual do PDT, justamente no último dia do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para as convenções partidárias. Mas as várias lideranças partidárias não pretendem necessariamente esperar até lá.
?Ainda existe a expectativa de aliança com Dias. Mas hoje, aparentemente é mais concreta a aproximação com Pessuti?, disse o presidente regional do PT. O problema é que o partido precisa de um palanque forte para Dilma Rousseff no estado ? e na região Sul como um todo ?, e essa base será enfraquecida no caso de Dias integrar a chapa do tucano Beto Richa.
Já Requião teme que uma eventual disputa com Dias rumo ao Senado prejudique sua própria candidatura, mesmo risco que o PT quer evitar em relação a Gleisi Hoffmann. Vale lembrar ainda que o senador petista exige Hoffman como sua vice caso concorra para governador. Dias também não gosta da idéia de oficializar a candidatura apenas com o apoio de PT, PSC e PR, e argumenta que, em sua negociação inicial com Lula, o acordo era juntar todos os partidos da base de apoio em Brasília.
No campo dos presidenciáveis, José Serra (PSDB) oferece a Dias a possibilidade de indicar o vice de Richa para tê-lo em seu palanque no estado. O problema é que o PDT irá apoiar Dilma na corrida presidencial, e pode cobrar fidelidade do senador. Enquanto isso, o presidente Lula marcou reunião para a próxima semana com Pessuti, onde deve tentar convencê-lo a abrir mão da candidatura e apoiar a chapa do PDT, na última jogada para atrair Dias.
Na mais recente pesquisa Vox Populi, divulgada em 18 de maio, Richa emplacou 40% das intenções de voto, seguido por Dias, com 33%, Pessuti ,com 10% e Rubens Bueno (PPS), com 3%, com margem de erro de 3,7 pontos percentuais. O Paraná tem hoje cerca de 7,5 milhões de eleitores, ou 5,6% do eleitorado nacional.
29/05/2010 09:30 AM
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