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Notícias, matérias e especiais sobre Educação. Confira as últimas notícias da Educação no Último Segundo - iG.


Propostas têm de ser lógicas, diz reitor da USP sobre grevistas

Carolina Rocha, iG São Paulo

João Grandino Rodas afirma que não acredita em invasão do Centro de Computação Eletrônica, mas preferiu prevenir e chamar polícia

Foto: Carolina Rocha, iG São Paulo

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e da reitoria da universidade farão nova reunião nesta quarta-feira para tentar chegar a um acordo para o fim da greve, que está próxima de completar dois meses. ?Esperamos chegar a um acordo na reunião. Sempre estivemos abertos para negociação, mas para chegar a um acordo ambas as partes têm de trazer propostas lógicas. Não podemos aceitar ameaças. Dizer ?ou aceita o que eu quero ou vamos quebrar tudo? não é coisa de gente civilizada?, diz o reitor da USP, João Grandino Rodas em entrevista ao portal iG.

A proposta oferecida pela universidade é o pagamento dos dias parados (que foram descontados dos salários de mais de 1,6 mil funcionários grevistas) e, num prazo de 48 horas após o fim da greve, o início da análise do pedido de promoção de todos os 15 mil servidores para uma faixa acima, o que renderia a eles um aumento de 5% nos holerites.

Levada para a reunião na última semana, a proposta foi recusada pelos grevistas, mas volta à mesa de negociação no encontro desta quarta. E devido à proximidade do dia 3 de julho, fim do período em que servidores públicos podem receber aumento ou promoção, de acordo com a lei eleitoral, esta deve ser a reunião mais importante entre as inúmeras já realizadas entre reitoria e sindicato.

Depois de invadir a reitoria, fazer piquetes em frente às três creches que atendem os filhos dos servidores da universidade, paralisar o bandejão, entre outros prédios da Cidade Universitária, o Sintusp diz que se não houver acordo o foco dos grevistas será o Centro de Computação Eletrônica (CCE), prédio que concentra todo o processamento de dados da USP.

O aviso foi levado a sério pela reitoria, que na segunda-feira registrou boletim de ocorrência e chamou a Polícia Militar para fazer uma verificação preventiva do que tem no prédio. ?Ninguém acredita que as ações poderão chegar a uma invasão ou coisa pior do CCE, mas o papel do administrador público é prevenir. Pelo o que eles demonstraram quando invadiram a reitoria com picaretas, machados, eles são capazes de coisas incríveis.?

Negociação

Os funcionários da USP, Unesp e Unicamp iniciaram greve desde o 5 de maio pedindo a isonomia entre os salários deles com o dos professores. Segundo os manifestantes, a isonomia foi quebrada quando o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) concedeu aos professores das instituições um aumento de 6%, além de bonificação de R$ 500, o qual não foi estendido aos demais funcionários das universidades.

No início das negociações, os funcionários pediam 16% de aumento, além de R$ 200 nos salários. Depois de enfrentar resistência dos reitores para retomar as negociações, reduziram para 6%.

Em 18 de junho, após a resistência nas negociações, os servidores da USP passaram a pedir a promoção dos funcionários da instituição para uma faixa superior, o que garantiria um aumento salarial de 5%, além do pagamento dos dias parados.

29/06/2010 07:49 PM

Apostilas melhoram desempenho de estudantes

Priscilla Borges, iG Brasília, e Carolina Rocha, iG São Paulo

Estudo da Fundação Lemann mostra que notas de alunos na Prova Brasil são mais altas nos sistemas de ensino que adotam os materiais

O uso de apostilas tem beneficiado os estudantes cujas escolas adotaram o material em sala de aula. As justificativas seriam a mudança provocada nas aulas e o melhor aproveitamento do tempo, de acordo com estudo realizado pela Fundação Lemann divulgado nesta terça-feira.

Os dados da pesquisa revelam que a adoção dos materiais provocou um aumento de cinco pontos nas notas dos alunos na Prova Brasil, exame nacional que avalia os conhecimentos de matemática e língua portuguesa. Para Paula Louzano, coordenadora do estudo, o impacto é importante. ?As metas do Ministério da Educação dizem que um aluno precisa evoluir nas notas 50 pontos entre 5º e o 9º ano. Isso significa 12 pontos a cada ano. Então esse ganho de cinco pontos simboliza metade de um ano escolar?, afirma.

Durante a pesquisa, foram observadas escolas com diferentes perfis. A amostra de 7,5 mil colégios das redes municipais de educação do estado de São Paulo possuía escolas que utilizaram as apostilas entre 2006 e 2007 (depois da aplicação da primeira Prova Brasil), outras que só começaram a usar esses materiais depois de 2008 e um grupo que nunca utilizou esse tipo de material.

As notas dos alunos dessas escolas foram comparadas para se obter um resultado mais preciso sobre o impacto desses materiais no processo de ensino e aprendizagem das escolas. Os pesquisadores explicam que os sistemas que utilizam esses materiais ? em São Paulo, há 291 municípios nessa situação ? fornecem, além das apostilas para os alunos, material específico para o professor, capacitação pedagógica, acesso a portais educativos e, em alguns casos, acompanhamento pedagógico para os professores.

De acordo com Paula, as comparações ponderam ainda outras características consideradas fundamentais para o sucesso escolar das crianças: a escolaridade familiar, a formação dos professores, a infraestrutura das escolas. Além de avaliar os aumentos das médias das notas dos estudantes, o estudo da Fundação Lemann também traz números sobre a capacidade do colégio de melhorar a condição do aluno.

Paula explica que, em 2005, apenas 20% dos estudantes das escolas observadas apresentaram conhecimentos adequados de português e matemática na Prova Brasil. Em dois anos, esse montante passou para 25%. ?É um aumento bastante representativo. É importante analisarmos isso também?, ressalta a pesquisadora.

Experiências populares
Em São Paulo, a quantidade de municípios que adota materiais diferentes dos concedidos pelo governo federal, que distribui livros didáticos às escolas, aumentou 89% nos últimos cinco anos. Em 2006, eram 154. Agora, são 291. Destes, apenas 73 utilizam materiais elaborados pelas próprias prefeituras ou secretarias municipais. O restante compra apostilas de empresas privadas ou organizações não-governamentais.

?Esse não é um tema fácil. Nas pesquisas que estamos realizando desde 2008, percebemos a resistência de muitos professores, mas também observações positivas sobre os materiais. Acho que temos de aprender com esses métodos. Queríamos apresentar os dados para discutirmos o que fazer a partir deles?, destaca Paula.

Mudanças na sala de aula
O bom resultado de alunos ao usar apostilas é, na verdade, um efeito colateral. É o que acredita o coordenador do departamento de Educação da Universidade de São Paulo, na área de Metodologia do Ensino, professor Nilson Machado.

Segundo o professor, as apostilas que indicam exatamente como abordar cada assunto em sala de aula ajudam no planejamento, provocaram um avanço na organização e planejamento das aulas, ?mas isso acontece a custo da uniformização do que é dado. Todos os alunos, não importa a realidade deles, recebem a mesma aula?.

Em um quadro em que a condição de trabalho dos docentes impede o planejamento mais aprofundado das aulas, as apostilas surgem como uma solução dinamizadora. ?Elas melhoram a organização da aula, pois impede que o professor passe um bimestre inteiro em um único assunto, mas o colégio perde a identidade, o professor perde a identidade e por conseqüência o aluno perde na qualidade do ensino?, afirma o coordenador.

Modelos como o adotado pela Secretaria de Educação de São Paulo, que desenvolveu um caderno para o professor, com sugestões de como abordar os temas em sala de aula, com dicas de atividades, seriam os mais indicados, segundo o especialista. ?o caderno do professor não elimina o livro didático e mantém uma conversa com o professor. Ele não diz como fazer, só sugere?.

29/06/2010 05:27 PM

MEC estima 2,2 mi adultos em classes de alfabetização em 2010

Agência Brasil

Prazo para adesão ao programa de alfabetização de adultos termina no próximo domingo

A uma semana do final do prazo para adesão de estados e municípios ao Programa Brasil Alfabetizado, do governo federal, o Ministério da Educação faz a previsão de matricular, neste ano, 2,2 milhões de jovens e adultos em classes de alfabetização. O prazo para adesão de estados e municípios termina no próximo domingo (4) e a meta do ministério é fechar parceria com 1.450 secretarias de Educação.

Até agora, foram registradas 1.392 adesões ? 23 estados, o Distrito Federal e 1.368 municípios. Ainda não aderiram ao programa os estados de São Paulo, do Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O ministério repassa recursos aos estados e municípios participantes para capacitações de professores, compra de material pedagógico, além de ser responsável pelo pagamento da bolsa dos alfabetizadores.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 14 milhões de analfabetos entre a população com 15 anos de idade ou mais, o que representa 10% dos brasileiros nessa faixa etária.

28/06/2010 08:31 PM

Inscrições para o Prêmio Jovem Cientista encerram nesta semana

iG São Paulo

Estudantes de ensino médio, superior e graduados podem concorrer aos prêmios, que totalizam R$ 145 mil

Encerram nesta semana as inscrições para a 24ª edição do prêmio Jovem Cientista. Estudantes do ensino médio, superior e graduados têm até a próxima quarta-feira, 30, para inscrever seus projetos no site do prêmio. A inscrição é gratuita.

O tema deste ano é Energia e Meio Ambiente - Soluções para o Futuro. Os participantes concorrem a prêmios que totalizam R$ 145 mil, a equipamentos de informática e a bolsas do CNPq. Os orientadores dos projetos também ganham prêmios e a escola ou universidade que tiver o maior número de trabalhos inscritos recebe R$ 30 mil.

Os projetos também podem ser enviados pelo correio. Os concorrentes do ensino médio devem mandar para a Fundação Roberto Marinho, que fica na rua Santa Alexandrina, 336, Rio Comprido, Rio de Janeiro, CEP: 20261-232.

Para as categorias de graduado e estudante do ensino superior, os projetos devem ser enviados para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo endereço é Serviço de Prêmios ? SEPN 507, sala 203, Brasília (DF), CEP: 70740-901.

28/06/2010 08:22 PM

MEC desvincula Uningá do ProUni

iG Brasília

Secretaria de Ensino Superior havia iniciado apuração de denúncias de fraude contra a instituição em maio

A Faculdade Ingá (Uningá), do Paraná, foi desvinculada do Programa Universidade para Todos (ProUni) pela Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do Ministério da Educação. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira e diz que foi tomada em função dos ?indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão ao programa?.

A desvinculação não vai prejudicar os estudantes que já possuem bolsas do programa na instituição. Eles continuarão sendo beneficiados até o fim dos cursos. A entidade mantenedora será comunicada a respeito do despacho e pode recorrer da decisão em dez dias. O Ministério Público Federal e a Advocacia Geral da União para ciência e tomar providências cabíveis.

O processo administrativo contra a instituição foi instaurado em 5 de maio, depois de reportagem exibida pela Rede Globo denunciando o uso irregular de bolsas do por estudantes de medicina da instituição paranaense. Os alunos mostrados possuem renda superior à permitida para participação no programa (até um salário mínimo e meio por pessoa da família). A instituição terá dez dias para se manifestar.

28/06/2010 01:50 PM

Grevistas da USP adotam ações radicais para agilizar negociação

Carolina Rocha, iG São Paulo

Obstrução de creche e promessa de ocupação do centro de processamentos da USP são armas dos manifestantes para pressionar reitoria

Foto: Carolina Rocha, iG São Paulo

Com a aproximação do dia 3 de julho, quando servidores públicos ficam impedidos de receber aumento, promoção ou novas contratações, devido à lei eleitoral, funcionários da Universidade de São Paulo (USP) adotaram medida para chamar mais atenção para a greve e pressionar a reitoria a aceitar a proposta de 5% de aumento e o pagamento dos dias parados. Na manhã desta segunda-feira, manifestantes ocuparam a frente da creche central da universidade, destinada a filhos de funcionários e de alunos ? a única das três que ainda funcionava.

Segundo o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho Costa, esta unidade praticava uma ?greve sanfona?. ?Alguns dias eles aderiam à greve, outros não. Os próprios funcionários nos procuraram para fazermos a paralisação completa?, explica.

Pais mais exaltados enfrentaram os manifestantes e um deles chamou a polícia para garantir a entrada das crianças na creche. Entretanto, com a falta de funcionários para cuidar, os pequenos foram levados de volta para casa.

Os funcionários têm reunião marcada com representantes da reitoria no dia 30 de junho, próxima quarta-feira, que será realizada fora da Cidade Universitária: desta vez, será na sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que fica na Rua Itapeva, região da Avenida Paulista, zona Sul de São Paulo.

Polícia no campus

O Centro de Computação Eletrônica (CCE), onde todas as informações da universidade são processadas, incluindo folha de pagamento dos funcionários e matrículas de alunos, amanheceu nesta segunda-feira ocupado por policiais militares. Foram enviadas para o local 10 viaturas, que permaneceram nolocal até por volta das 14h30.

Esta foi a primeira vez que a polícia militar foi chamada para agir no campus desde o início da greve. Mesmo depois da ocupação da reitoria em 8 de junho, a direção da USP nem mesmo executou o mandado de reintegração de posse, obtido no início de maio. A ocupação do CCE pela polícia, segundo a reitoria, seria uma forma de prevenção desta invasão, já que o centro é o coração da universidade.

De acordo com a área de comunicação da PM, eles foram chamados para garantir a segurança do prédio, pois haviam indícios de que haveria manifestações nesta manhã no campus. Costa afirma que os representantes da reitoria foram avisados na semana passada pelo sindicato que, caso não haja acordo na reunião de quarta-feira, os manifestantes invadiriam o CCE, o que gerou a desconfiança de uma ação neste local no dia de hoje.

Perguntado se, mesmo com a presença da polícia no local, acontecerá a ocupação na quarta-feira, o diretor do sindicato afirma que sim. ?Se não tiver negociação, vai ser confronto puro?, diz.

Greve

Os funcionários das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) estão em greve desde o 5 de maio pedindo a isonomia entre os salários deles com o dos professores.

Segundo os manifestantes, a isonomia foi quebrada quando o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) concedeu aos professores das instituições um aumento de 6%, além de bonificação de R$ 500, o qual não foi estendido aos demais funcionários das universidades.

A isonomia entre os funcionários as três instituições está prevista pelo conselho, mas, de acordo com o presidente do Cruesp e reitor da Unicamp, Fernando Costa, a equiparação vale apenas entre as universidades e não entre as classes.

Segundo o Cruesp, em 2010, o reajuste salarial para os servidores técnico-administrativos das três universidades estaduais públicas foi de 6,57% e esse índice situa-se 1,5% acima da inflação medida pelo IPC-Fipe no período de maio de 2009 a abril de 2010 e corresponde ao limite de comprometimento orçamentário das três instituições.

Em 18 de junho, os servidores da USP decidiram modificar a negociação: passaram a pedir a promoção de todos os 15 mil funcionários da instituição para uma faixa superior, o que garantiria um aumento salarial de 5%, além do pagamento dos dias parados, descontados dos salários de mais de 1600 funcionários.

A reitoria, na última reunião com os sindicalistas, propôs pagar os dias parados em quatro dias úteis depois que os funcionários voltassem ao trabalho. A promoção seria avaliada apenas 48 horas após a volta ao trabalho.

28/06/2010 12:39 PM

MEC divulga segunda chamada de aprovados no SiSU

Agência Brasil

Os estudantes selecionados devem fazer a matrícula na quinta-feira (1º) e na sexta-feira (2)

A lista de convocados em segunda chamada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi divulgada nesta segunda-feira. Os estudantes selecionados devem fazer a matrícula na quinta-feira (1º) e na sexta-feira (2). Os documentos necessários podem ser consultados nos boletins individuais ou nas universidades. Clique aqui e consulte.

Caso haja vagas excedentes, será feita uma terceira chamada no dia 8 de julho. Se ainda assim sobrarem vagas, as universidades convocarão os alunos a partir de uma lista de espera.

Participam do processo seletivo 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais de educação, ciência e tecnologia e um centro federal de educação tecnológica.

28/06/2010 10:36 AM

USP e Unicamp deixam de usar o Enem este ano

iG São Paulo

As universidades paulistas, que aproveitam os resultados do exame nos vestibulares, alegam que datas serão incompatíveis

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP) comunicaram nesta segunda-feira que não vão utilizar os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos vestibulares aplicados por elas este ano. A justificativa para o não-aproveitamento das notas este ano é o período de aplicação do Enem: entre 6 e 7 de novembro.

A Unicamp utiliza as das provas de múltipla escolha do Enem durante a primeira fase do vestibular. ?Como os resultados desse processo serão divulgados no dia 20 de dezembro de 2010, a utilização das notas do Enem se torna inviável, uma vez que o Inep informou que divulgará os resultados em janeiro de 2011?, afirma nota oficial da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest).

A mesma justificativa foi apresentada pela Fuvest, responsável pelos processos seletivos da USP. Na instituição, os resultados do Enem eram usados na primeira fase e na composição do bônus para alunos de escolas públicas que participam do programa de inclusão da universidade. A USP e a Unicamp também deixaram de aproveitar as notas nos processos seletivos do ano passado, por causa do adiamento do Enem.

Em nota, a USP garante que pretende voltar a utilizar os resultados em processos futuros, ?por entender ser esta uma avaliação do ensino médio muito respeitada?.

28/06/2010 10:28 AM

Opções de financiamento privado atraem universitários

Priscilla Borges, iG Brasília

Economistas defendem a alternativa para quem não pode pagar mensalidade, mas sugerem cuidados com juros e pagamentos em dia

Foto: Divulgação

Um diploma de ensino superior é passaporte para melhores postos no mercado de trabalho e salários. Porém, conquistar esse título não é tarefa simples para todo mundo. As vagas nas universidades públicas são escassas perto do contingente de candidatos que poderia chegar ao ensino superior. Nas instituições privadas, as mensalidades são impeditivas para tantos outros.

De acordo com o Censo da Educação Superior 2008, último divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as instituições privadas possuíam 3,8 milhões de alunos. E apenas metade deles se forma. Na opinião dos especialistas, o Brasil precisa dar condições para que esses estudantes consigam concluir os cursos.

O programa de financiamento estudantil do governo federal, o Fies, foi, durante muitos anos, a opção mais procurada pelos alunos que não possuíam renda suficiente para pagar as mensalidades. No entanto, as poucas vagas oferecidas ? hoje, cerca de 400 mil estudantes são beneficiados ? e os critérios de concessão do crédito eliminavam grande parte dos candidatos.

Com a chegada do Programa Universidade para Todos (ProUni), que dá bolsas aos alunos de baixa renda em instituições privadas, o perfil do Fies mudou. Estudantes em uma faixa diferente de renda passaram a ser contemplados, o que pode elevar a demanda por vagas no programa. Mas, ao longo dos anos, as faculdades buscaram alternativas próprias para manter os universitários.

Os programas de financiamento privado estão cada vez mais numerosos. Além das próprias instituições, bancos e empresas de crédito passaram a atuar nesse mercado. As condições oferecidas nesses casos não são as mesmas condições do Fies ? os juros atuais do programa são 3,4% ao ano, os mais baratos do mercado ? mas têm atraído clientes.

A maioria dos programas consultados pelo iG tem juros que variam entre 6% e 7% ao ano. Há programas, no entanto, que cobram percentuais mais altos, de 1,5% ao mês. De resto, os critérios são semelhantes aos do Fies: financiam metade do valor da mensalidade, exigem fiador e os estudantes têm o dobro da duração do curso para quitar a dívida.

Para os economistas, a perspectiva de melhoria salarial e empregatícia para quem possui diploma de ensino superior compensa o investimento. Ressaltam, no entanto, que o estudante deve procurar os programas que oferecem os menores juros e pagar as prestações sempre em dia. ?Se a pessoa confia que se tornará um profissional capaz, o investimento vale a pena?, afirma o professor de economia da Universidade Católica de Brasília Rogério Miranda.

Rogério dá dicas para os estudantes que pensam em solicitar um financiamento. ?A primeira coisa que eles têm de fazer é olhar o custo do financiamento e comparar a taxa de juros com o rendimento da poupança. Se eles forem mais altos, começam a ficar perigosos?, diz.

Nilton Marques, professor e conselheiro do Conselho Federal de Economia, acredita que mesmo os financiamentos que cobram cerca de 1% ao mês são vantajosos. ?O dinheiro mais barato disponível para uma pessoa tomar emprestado em um banco não terá juros menores. O mais importante é pagar em dia, para que não haja multas e cobranças de juros sobre juros?, opina.

?As pessoas se esquecem do tamanho do financiamento que estão fazendo. Se um curso custa R$ 500 ao mês, dá R$ 6 mil ao ano. Em quatro anos, são R$ 24 mil. É uma soma alta, então, no fim a dívida é mesmo grande?, completa Rogério.

Soluções variadas

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) mantém um programa de financiamento estudantil em parceria com a Fundação Aplub de Crédito Educativo desde 1974. Segundo Adroaldo Piccinini, da coordenadoria de Relacionamento Discente da instituição, cerca de 2,5 mil estudantes são beneficiados.

Lá, os universitários podem financiar 50% da mensalidade. A apresentação de fiador é indispensável e essa figura não pode ser pai, mãe ou cônjuge. A pessoa que garantirá o pagamento do valor financiado, caso o estudante não pague a dívida, deve ter renda três vezes maior que a mensalidade paga pelo aluno. A matrícula não entra no financiamento.

?Para a instituição, o programa foi muito importante porque é uma solução para que o estudante se mantenha no curso e consiga administrar seus compromissos com a universidade?, afirma Adroaldo.

Carlos Furlan, diretor executivo da Ideal Invest, responsável pelo crédito universitário Pravaler, acredita que esse é um mercado em expansão no País. ?Depois de o volume de oferta de vagas ter crescido, o próximo passo será um impulso para viabilizar acesso financeiro aos estudantes?, analisa.

O Pravaler oferece crédito a qualquer estudante, independentemente da renda. Disponível em 170 instituições de ensino em diferentes estados. Até hoje, 430 mil alunos já procuraram o financiamento. Há pouco mais de 35 mil matriculados nas faculdades parceiras do grupo com crédito aprovado. Na média, os alunos têm juros médios de 1,5% ao mês.

Os bancos também decidiram investir no financiamento estudantil. Mônica Bari, superintendente de Produtos do Santander, diz que a primeira preocupação é praticar juros bem baixos. A experiência ainda piloto do banco ? que deve ser ampliada no ano que vem ? foi feita com 10 universidades. Segundo ela, os contratos do programa serão feitos a cada semestre e nenhum aluno precisará financiar o curso tudo.

?Ele vai pagar metade da mensalidade, terá o dobro do tempo que financiar para pagar e pode escolher o período que quer financiar. Vamos trabalhar com um programa forte de educação financeira?, conta. ?Um percentual muito baixo da população está na universidade. Há muitas pessoas, inclusive, que fazem um curso porque não puderam pagar outro. Existem oportunidades em todos esses nichos?, enfatiza.

No produto do Itaú/Unibanco, as parcelas pagas pelos estudantes são fixas e os juros não ultrapassam 7% ao ano. ?Trabalhamos com 45 escolas no País, ainda estamos em fase de aprendizado, mas a experiência tem sido positiva e o retorno dos alunos, também?, garante Marcos Magalhães, diretor do banco.

Dicas de quem fez financiamento

Marconny Souza Gomide, 29 anos, estudou engenharia por dois anos. As mensalidades de R$ 600 pesaram no orçamento familiar e ele precisou desistir do curso. ?Eu havia tentando, mas não consegui o Fies. Fiquei sem estudar um tempo, mas era um sonho cursar o ensino superior. Além da empregabilidade, o conhecimento faz diferença?, pondera.

Quando criaram o curso de sistemas de informação em uma instituição privada de Ipatinga (MG), ele decidiu recomeçar. Logo perdeu o emprego e a esposa engravidou. Para não parar, apostou no financiamento. A faculdade possui parceria com o Pravaler. Pegou o financiamento integral das mensalidades. ?Passei a pagar R$ 260 por mês. Ficou bem mais fácil?, diz.

Segundo Marconny, sem o financiamento, ele teria de interromper o curso. Formado desde julho do ano passado, ele está pagando com ?tranqüilidade? o restante da dívida. ?Consegui emprego antes de terminar a faculdade e agora falta pouco mais de seis meses para quitar o resto do financiamento?, conta.

Andrews Minuzzi, 29 anos, ainda está longe de quitar sua dívida com a Fundação Aplub, responsável pelo financiamento do curso de direito que fez na PUCRS. Os pagamentos vão até 2013. Mas, de acordo com o jovem, isso não o incomoda. Pagando sempre em dia as prestações, Andrews viu no financiamento a única possibilidade de obter um diploma.

?Quando comecei o curso, meu pai pagava as prestações. Mas ele aposentou e a renda familiar caiu. Eu estava no terceiro semestre. O crédito foi a realização do meus sonhos. Acho que o estudante que decide pegar um financiamento tem de pensar bem para não ter problemas e calcular os gastos mesmo?, aconselha.

27/06/2010 08:16 AM

Há vagas em públicas para quem é veterano de faculdade privada

Priscilla Borges, iG Brasília

Com seleções distintas, as transferências são uma oportunidade para entrar na universidade pública. USP abre inscrições na segunda

Foto: Fellipe Bryan Sampaio

A cada semestre, milhares de candidatos se frustram durante a divulgação dos resultados dos vestibulares das universidades públicas. A quantidade de vagas oferecidas pelas instituições é insuficiente para atender a demanda. Mas, ao contrário do que muitos jovens imaginam, o vestibular não é a única possibilidade de entrada em uma universidade pública.

Todos os anos, inúmeras instituições oferecem vagas ociosas dos cursos de graduação em processos seletivos distintos do vestibular. São vagas que vão surgindo ao longo do curso, por desistências dos alunos. Segundo o Censo da Educação Superior de 2008 ? dado mais recente fornecido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ? as universidades públicas (federais, estaduais e municipais) tinham 36.725 vagas ociosas.

Para concorrer a essas vagas, os candidatos precisam estar matriculados em cursos da área. A exigência de carga horária do curso já cumprida varia conforme a vaga que aparece. É possível que a universidade peça para os estudantes o cumprimento de 20% ou 30% do currículo, por exemplo. Em geral, a seleção é feita com base em análise de currículos e provas específicas.

Os nomes dados para esse tipo de processo seletivo variam de acordo com a instituição. Na Universidade de São Paulo (USP), é apenas transferência. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vagas remanescentes. Na Universidade de Brasília (UnB), transferência facultativa. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: preencher os espaços vazios.

?Naturalmente, como universidade pública, queremos minimizar o número de vagas ociosas. Se temos a capacidade de atender um número específico de estudantes, nosso objetivo é atendê-la completamente. O processo acontece todos os anos, de maneira muito cuidadosa?, afirma o pró-reitor de Graduação da Unicamp, Marcelo Knobel.

Ele reforça que o processo na instituição não é fácil e tem demonstrado resultados satisfatórios. ?Conseguimos preencher muitas vagas, mas essa possibilidade de entrada na universidade ainda é desconhecida pelos estudantes. É preciso divulgar mais?, defende.

Vagas abertas

A USP vai abrir inscrições para preencher 903 vagas de transferência a partir desta segunda-feira. Do total, 111 vagas são para o Instituto de Física de São Carlos. Os interessados terão até 5 de julho para preencher os formulários de inscrição. Há vagas em cursos como engenharia elétrica, ciência da computação, arquitetura e direito e são para o primeiro semestre de 2011. As informações sobre as provas e como concorrer podem ser conferidas no edital.

Alguns cursos terão editais próprios de seleção, como os da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Os candidatos aos outros cursos terão de passar por uma prova de pré-seleção de língua portuguesa e inglesa, cultura contemporânea (para a área de humanidades), genética e bioquímica (biológicas) e física e matemática (exatas). Os exames devem ser aplicados em 25 de julho. Depois, serão feitas provas específicas em cada curso.

A seleção da Unicamp também está próxima. O período de inscrições, organizado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), será de 12 a 23 de agosto, exclusivamente pela internet. A quantidade de vagas será divulgada no início das inscrições. O processo exige teste de conhecimentos gerais, análise de compatibilidade de currículo e prova específica. Ainda há provas de habilidades específicas para alguns cursos.

Em agosto, ainda sem data definida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também vai divulgar edital de transferência. A Universidade Estadual de Londrina abrirá inscrições de 2 a 27 de agosto. A Universidade Federal de Goiás (UFG) vai divulgar o edital no dia 11 de setembro. A dica é ficar de olho no site da instituição que você deseja estudar.

Vagas conquistadas

Rafael de Gois Netto, 24 anos, cursava publicidade em uma faculdade privada de Brasília quando soube da existência do processo de transferência facultativa da UnB. Ele havia desistido da universidade pública depois de quatro tentativas frustradas no vestibular. Quando soube da transferência, se animou novamente e arriscou.

?Vi que seria uma possibilidade de ampliar meus horizontes, para além da publicidade. Achei que seria muito difícil, então estudei muito. Mas não esperava o resultado e a minha colocação. Fiquei em primeiro lugar?, conta Rafael. Para ele, muita coisa mudou depois da aprovação na UnB. ?Minha postura acadêmica é outra, me encontrei aqui na UnB. Fora a economia da mensalidade, que estava em R$ 1 mil?, afirma.

Livrar-se da mensalidade cara era um dos objetivos de Juliana Cíntia Videira, 34 anos. Estudante do curso de história na PUC de Campinas e já casada, a prestação estava pesando no orçamento familiar. Além disso, ela queria participar de pesquisas, mais escassas na instituição privada.
Quando soube da possibilidade de vagas remanescentes da Unicamp, tratou de concorrer. Estava tranqüila e acha que a falta de expectativas a favoreceu. Ainda em adaptação na Unicamp, ela acredita que a divulgação do processo seletivo deveria ser mais intensa.

Por causa da pouca divulgação desse tipo de seleção, Julia Nunes Sardinha, 27 anos, aluna da Universidade do Estado de Santa Catarina, conta sua própria história a todos os estudantes que conhece. Julia, que mora em Florianópolis, tinha uma vontade imensa de estudar em federal. Durante anos, estudou e tentou, sem sucesso.

Quanto estava no 3º semestre do curso de desenho industrial em uma faculdade privada da cidade, ficou sabendo da transferência da Udesc. O prazo para inscrições já havia passado e precisou esperar o próximo. Ela não desanimou. Estudou bastante antes das provas e conseguiu uma das seis vagas oferecidas. Curioso é que três não foram preenchidas.

?Os estudantes precisam demonstrar um nível pré-determinado de conhecimento. Não adianta só ter a vaga. Fiquei muito feliz em ter passado, porque era um sonho antigo meu. Achei que tudo valeu a pena, mesmo tendo atrasado a formatura. O curso é mais puxado e sei que fez diferença na minha formação?, pondera.

A formação oferecida na universidade pública também foi o grande estímulo de Juliana Rodrigues Freitas para tentar uma vaga na transferência facultativa da UnB. A jovem de 22 anos estudava jornalismo em uma instituição privada de Brasília, mas sentia falta de poder aprender coisas diferentes. ?Queria ter liberdade de estudar outras áreas, queria algo que a universidade privada não me oferecia?, conta.

Além disso, Juliana, que é órfã, temia perder a pensão dos pais e não poder continuar pagando a faculdade. Aprovada na UnB, já fez disciplinas de economia e tem a certeza de que sua vida mudou. ?Senti alívio em relação ao dinheiro e hoje me sinto melhor por participar disso tudo?, reflete.

Andressa Mariosi, 28 anos, trabalhava durante o dia para bancar as mensalidades do curso de letras que fazia à noite, com o auxílio de financiamento estudantil. A graduação que queria fazer, letras-francês, só era oferecida pela UnB em Brasília. Em 2001, visitando o site da universidade, descobriu a transferência facultativa.

?Achava que seria difícil, porque não sabia como seria a prova. Não conhecia ninguém que tivesse feito para o curso que eu queria?, lembra. O apoio da família e do marido foi fundamental. ?Além de fazer o curso que eu queria, tive muitas oportunidades estudando em uma universidade pública. Participei de um programa de oito meses na França?, conta.

26/06/2010 08:13 AM

Gastos com perfume, cabelo e sapato superam de educação

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro

Para professor da UnB, expansão da cobertura da rede pública de ensino pode ter contribuído na queda de gasto observada pelo IBGE

Foto: Hélio Motta

A mais nova radiografia do orçamento das famílias, divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela um brasileiro mais disposto a gastar com salão de beleza, perfumes e sapatos (R$ 74,58) do que com educação. Despesas com mensalidades de colégio, universidade, material escolar e outros cursos somam R$ 64,81, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) iniciada em 2008 e concluída em 2009.

?Muitos pais têm tirado seus filhos da escola particular e colocado na rede pública de ensino. Nossa pesquisa mostra que está havendo uma mudança de prioridades?, afirmou ao iG o pesquisador do IBGE Edilson Nascimento, gerente da POF.

A compra de perfumes consome em média 0,8% do orçamento das famílias brasileiras, o mesmo percentual de desembolso com cursos superiores. Já a parcela do orçamento destinada a calçados e apetrechos (1,3%) é o dobro do dispêndio com mensalidades de nível médio e fundamental (0,6%). Os gastos com cabeleireiro e manicure (0,8%) também extrapolam as despesas com outros cursos (0,6%), entre ensino profissionalizante e de idiomas.

O dispêndio com educação recuou de maneira significativa nos últimos seis anos. A POF 2008/2009 mostra que o item responde por 2,5% das despesas das famílias. A pesquisa anterior, realizada entre 2002 e 2003, apontava participação média de 3,4% da educação no orçamento familiar. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília Remi Castioni observa que a expansão da cobertura da rede pública de ensino pode ter contribuído para explicar por que as famílias estão gastando bem menos com educação.

O aumento da oferta de escolas públicas, contudo, não significa que o ensino gratuito melhorou. Para o professor aposentado Erasto Fortes, porém, o processo de migração das escolas privadas para a rede gratuita vai resultar em avanços na rede pública. ?As políticas educacionais têm sido exitosas, mas a qualidade do ensino não muda de uma hora para outra, isso requer investimento. Mas é de se esperar que a ida da classe média para a escola pública force uma melhora no ensino?, avalia.

Os professores afirmam que houve redução de preço nas mensalidades das universidades ? um reflexo da maior oferta de ensino privado. Mas, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), serviços e produtos que compõem a inflação da educação, que abrange mensalidades não apenas de universidades mas também de cursos de nível fundamental e médio, ficaram 50% mais caros entre 2003 e 2009. No mesmo período, a inflação média foi de 39%. A redução dos gastos com educação mesmo diante do aumento de preços indica que houve menos consumo de serviços relativos ao aprendizado, uma transformação nas prioridades do brasileiro.

Se por um lado os gastos com estudo diminuem nas despesas domésticas, por outro os anos de escola ditam o tamanho do orçamento. O IBGE apurou que, nos lares onde ao menos uma pessoa chega ao nível superior (seja este completo ou não), o orçamento médio é de R$ 4.296, enquanto nas casas onde não há quem tenha tal escolaridade a cifra é de R$ 1.659. A diferença reflete o acesso à escolaridade por pessoas de maior renda.

Mais cheirosos

Quem compara os indicadores de 2002/2003 com os de 2008/2009 conclui que o dispêndio com perfume aumentou participação de 0,6% para 0,8% nas despesas totais dos brasileiros. A parcela destinada a cabeleireiro aumentou de 0,5% para 0,6%, ao mesmo tempo em que a de calçados subiu de 1,1% para 1,3%. E a participação dos eletrodomésticos passou de 1,8% para 2,3% em seis anos. A conseqüência disso, segundo o pesquisador do IBGE, foi aumento nos gastos com energia elétrica (2,1% para 2,3%).

Por outro lado, as famílias estão gastando menos com recreação, esportes e brinquedos. ?É o efeito da substituição, tem coisas que estão virando prioridade em detrimento de outras. Se eu compro um computador e uma televisão moderna com videogame, desloco o divertimento do meu filho e da família para esses novos bens?, explica o gerente da pesquisa.

?O brasileiro foi estimulado a comprar eletrodomésticos neste período, por causa do câmbio (o dólar recuou e propiciou importações), do crédito e da renda?, conclui. A POF mostra que a renda familiar cresceu 10,8% nos últimos seis anos, enquanto as despesas aumentaram 5,9%. O IBGE descontou a inflação para chegar a estes números. Uma família gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês.

A mesma pesquisa mostra que os gastos com comida encolheram no orçamento das famílias nos últimos seis anos, de 17,1% para 16,1% na média nacional. Por outro lado, os preços crescentes dos combustíveis e o maior acesso da população a compra de carros aumentou o peso do transporte no bolso dos brasileiros, de 15,2% para 16%. Resultado: os brasileiros estão gastando o mesmo com alimentação e transporte - algo inimaginável na década de 70, quando pesquisa semelhante do IBGE mostrava que a parcela de despesas com comida (30%) superava em três vezes o gasto com transporte (11%) no consumo das famílias.

25/06/2010 06:49 PM

Aluna deficiente tem planos de competir nas Paraolimpíadas

Carolina Rocha, iG São Paulo

Mônica Guimarães se prepara para vestir a camisa do Brasil em 2016

Até o ano passado, a aluna Mônica Guimarães, do 2º ano do ensino médio, queria ser jornalista ou psicóloga. Neste ano, os planos para o futuro são diferentes: ela quer fazer faculdade de educação física e se dedicar à carreira de atleta, com pretensões de competir em 2016 por uma medalha olímpica.

A mudança na opção ? e até mesmo a nova escolha ? não seriam nada surpreendentes se a aluna não tivesse uma deficiência motora que a obriga a andar de cadeira de rodas ou andador.

Competitiva, Mônica se viu estimulada a participar de esportes quando fazia suas aulas de fisioterapia na Associação de Assistência da Criança Deficiente (AACD). Desde os seis anos de idade, era envolvida em aulas de hidroterapia e aos nove passou a frequentar aulas de natação.

Estudou até a 4ª série na escola da associação e, quando passou para o ensino fundamental II, a mãe procurou por um lugar em que ela não deixasse de participar de nenhuma atividade. Desde 2005 estuda no Colégio Adventista de Interlagos, onde encontrou apoio da professora Maria Conceição Moreira Lopes, que a incluiu em atividades de educação física e despertou o interesse da aluna para este campo.

Hoje, joga vôlei, basquete, futebol, mas a natação é onde está se empenhando mais. ?Eu sempre achei que nadava tudo errado. Quando peguei a primeira medalha na mão, não acreditei. Eu me perguntava: ?fui eu mesma que ganhei isso???, confessa.

A medalha era de ouro e veio em abril deste ano, ganha no Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação. Chegou acompanhada de outras três: mais uma de ouro e duas de prata. Por pouco não conseguiu pontuação para a etapa de Fortaleza, mas pretende ainda disputar dois torneios de natação neste ano. ?Estou treinando em uma academia em Indaiatuba. Esse ano tem mais duas competições, uma estudantil e uma regional do interior e vou competir pela cidade?.

Os planos de futuro vão além e não são pequenos. Questionada se pretende estar entre os atletas da paraolimpíada de 2016, que será realizada no Brasil, Mônica diz imediatamente: ?estou treinando para isso?.

25/06/2010 06:25 PM
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