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Líder mexicano condena assassinato e acusa crime organizado

iG São Paulo

Felipe Calderón diz que responsáveis por morte de candidato Rodolfo Torre Cantú querem "interferir" em eleições de domingo

Foto: AFP

O presidente do México, Felipe Calderón, condenou nesta segunda-feira o "assassinato covarde" de Rodolfo Torre Cantú, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) ao governo de Tamaulipas (nordeste), responsabilizando o crime organizado por sua morte e conclamando a sociedade a defender a democracia.

Com a ação, segundo o líder mexicano, o crime organizado pretende "interferir" nas eleições legislativas e dos governos estaduais, que ocorrem domingo no país. "Comprovamos que o crime organizado é uma ameaça e temos de evitar ações como o covarde assassinato que sacudiu o país", disse Calderón no fim de uma reunião com seu gabinete de segurança.

O presidente mexicano acusou o crime organizado de tentar "impor sua vontade e suas regras, como agora, que pretende intervir nas decisões dos cidadãos nos processos eleitorais".

Torre Cantú, líder nas pesquisas em Tamaulipas, e pelo menos mais quatro pessoas, foram assassinados por desconhecidos nesta segunda-feira a tiros em Ciudad Victoria, capital desse Estado mexicano, quando se dirigiam ao aeroporto.

As autoridades que investigam o caso ainda desconhecem a causa e os autores do crime em Tamaulipas, onde são confrontados os cartéis de drogas do Golfo e os Zetas.

Cantú, que era médico de profissão, casado e tinha 46 anos, liderava a candidatura da aliança Todos Tamaulipas, formada pelo PRI, pelo Partido Verde e pelo Partido Nova Aliança para a eleição de domingo.

Calderón afirmou que o crime organizado é "a maior ameaça para a segurança, a liberdade e a tranquilidade dos mexicanos", e um inimigo que "não conhece limites".

O "covarde assassinato" é um fato "absolutamente condenável" que "merece o repúdio da sociedade inteira", disse Calderón.

*Com EFE e AFP

28/06/2010 09:37 PM

Hondurenhos protestam e Zelaya acusa EUA um ano após golpe

EFE

EUA rejeitam acusação de líder deposto; milhares exigem regresso de Zelaya e estabelecimento de Assembleia Constituinte

Foto: AFP

Milhares de hondurenhos convocados pela Frente Nacional de Resistência Popular lembraram nesta segunda-feira o primeiro aniversário do golpe de Estado que destituiu o ex-presidente Manuel Zelaya, que voltou a acusar o comando sul dos Estados Unidos de responsabilidade no caso.

Os manifestantes saíram às ruas das principais cidades de Honduras para exigir o regresso de Zelaya, exilado desde janeiro na República Dominicana, e o estabelecimento de uma Assembleia Constituinte.

Na capital Tegucigalpa, centenas percorreram com total tranquilidade cerca de 10 quilômetros antes de chegar à Plaza de la Merced, no centro histórico da capital, para homenagear o general Francisco Morazán, líder da independência centro-americana.

Diferentemente do que ocorria nas manifestações realizadas sob o governo de fato de Roberto Micheletti, houve apenas a presença das forças da ordem nas ruas.

Somente a Casa Presidencial estava protegida com cordões e policiais antidistúrbios, além de soldados fortemente armados.

"Pedimos o retorno de Zelaya e a convocação de uma Assembleia Constituinte", disse Cindy Melissa Jirón, estudante de Medicina de 20 anos que participou da colorida passeata na qual não faltaram cartazes com fotos de Zelaya e de Che Guevara. Segundo ela, o desejo da população é que seja formado um novo Partido da Resistência, com apoio "do presidente Zelaya".

Gloria Vásquez, que integra juntamente com outros 500 advogados a plataforma da Resistência contra o Golpe, denunciou que, sob o governo de Porfirio Lobo, que se esforça para ser reconhecido pela comunidade internacional, "ainda há perseguição política".

Comissão da Verdade

Com apoio da Frente Nacional de Resistência Popular, a Plataforma de Direitos Humanos de Honduras instalou sua própria Comissão da Verdade para investigar violações após o golpe, em resposta a uma Comissão da Verdade instalada por Lobo, em maio.

"Seremos exigentes na busca dos fatos, justos na definição da verdade, mas implacáveis na denúncia das responsabilidades", disse a coordenadora do Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh), Bertha Oliva, ao instalar a Comissão da Verdade, integrada por dois hondurenhos e oito estrangeiros.

Ela acrescentou que "a Comissão da Verdade não nasce para prender a informação por dez anos nem para depositá-la entre os segredos do estado burguês, explorador, neoliberal e corrupto", em alusão à comissão instalada por Lobo.

Zelaya, que enviou da República Dominicana uma mensagem de solidariedade à Comissão da Verdade, disse nesta segunda-feira em carta aos hondurenhos que o golpe de Estado foi planejado pelo Comando sul dos EUA, na base militar local de Palmerola. "Tudo indica que o golpe foi idealizado na base militar de Palmerola e executado por hondurenhos", disse Zelaya.

Os EUA rejeitaram a acusação. A porta-voz do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, Virginia Staab, declarou que Washington disse e repetirá: "O governo dos EUA não tinha conhecimento prévio nem estava envolvido no golpe" de Estado que derrubou Zelaya.

"Escrevo estas palavras para o povo de Honduras um ano depois daquela fatídica madrugada em que a casa onde eu morava com minha família sendo presidente da República foi rodeada pelas forças especiais dos militares", ressaltou Zelaya em sua mensagem, enviada por e-mail.

"Os autores intelectuais desse crime obedecem a uma formação de quadrilha dos velhos falcões de Washington com hondurenhos, proprietários de capitais e seus parceiros de subsidiárias americanas e agências financeiras", acrescentou.

Em sua mensagem à Comissão da Verdade, lida por sua esposa na cerimônia de instalação, Zelaya disse que a Comissão da Verdade e Reconciliação instalada por Lobo "não tem credibilidade" porque é "governista". Acrescentou que não tem autonomia, não é independente, não é profissional nem é integrada por nenhum organismo internacional.

*Com EFE e AFP

28/06/2010 08:49 PM

Estudo: remédio contra diabetes traz riscos ao coração

iG São Paulo com AFP

Especialistas independentes se reunirão em julho para recomendar ou não a retirada do medicamento do mercado

O medicamento Avandia, do laboratório britânico GlaxoSmithKline (GSK), utilizado contra a diabetes, aumenta o risco de problemas cardiovasculares, segundo a análise dos resultados de 50 testes clínicos publicados nesta segunda-feira e que confirmam estudos anteriores.

O risco aumenta de 28% a 39%, mas o número não vem acompanhado de um aumento de mortes por infarto.

Esta análise, realizada pelos médicos Steven Nissen e Kathy Wolsky da Cleveland Clinic Foundation, estudou 56 ensaios clínicos até fevereiro de 2010. Os testes contaram com a participação de 35.531 pacientes, dos quais 19.509 haviam tomado Avandia (rosiglitazona), enquanto 16.022 foram tratados com o medicamento Artos (pioglitazona), da mesma categoria que o anterior mas do laboratório japonês Takeda.

"Estes resultados são similares aos estudos feitos anteriormente (em 2007) pelo laboratório britânico GlaxoSmithKline - o fabricante - , a agência americana de medicamentos (FDA, Food and Drug Administration) e pesquisadores independentes, e dão conta de um aumento de risco cardiovascular nos doentes que utilizam a rosiglitazona", afirmam os autores destes trabalhos publicados nesta segunda-feira na versão on-line do jornal Archives of Internal Medicine.

"A FDA já anunciou que um grupo de especialistas independentes se reunirá em julho para recomendar ou não a retirada deste medicamento do mercado", acrescentam os autores em um comunicado.

A análise foi publicada nesta segunda-feira, antes que essa reunião aconteça, e voltará a ser publicada na versão impressa do jornal médico no dia 26 de julho.

A comercialização da rosiglitazona foi autorizada em 1999 pela FDA para tratar a hiperglicemia - taxa elevada de açúcar no sangue - nos pacientes que sofrem de diabetes tipo 2 ou nos adultos. Cerca de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de diabetes, das quais 23 milhões são americanas.

Especialistas recomendam cautela

Os especialistas brasileiros contatatos pelo iG diminuíram o peso da pesquisa. Eles avaliaram que a associação entre risco cardiovascular e o medicamento Avandia é antiga e ?ainda sem evidência científica? que justifique qualquer restrição imediata ao uso do remédio.

?Este medicamento já é usado no Brasil há mais de 15 anos, é um dos mais eficientes para o tratamento do diabetes tipo 2 e ainda não existem informações sólidas sobre os riscos da medicação?, afirmou Augusto Pimazoni, coordenador dos Grupos de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo. ?Vamos esperar o posicionamento do FDA para saber se há fundamento na discussão, mas é importante saber que há uma guerra comercial por trás de algumas pesquisas que comprometem a qualidade da informação.?

Da mesma forma, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ruy Lyra da Silva Filho - que também é porta-voz da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - minimizou os resultados da análise. ?Não há nenhum fato novo e nada que indique a suspensão do uso do Avandia. Os pacientes não devem abandonar o tratamento e aqueles que acharem necessário podem conversar com os seus médicos?, orientou Silva que está no Congresso Americano de Diabetes e diz que na reunião, onde estão os principais nomes mundiais da área, não houve repercussão sobre a publicação.

Outro lado

Em nota, "a GlaxoSmithKline informa que estudos clínicos feitos diretamente com pacientes de forma randomizada (aleatórias) são padrões de referência para a avaliação de questões científicas e médicas. Seis estudos deste tipo - RECORD, APPROACH, VICTORY, VADT, ACCORD e BARI-2D - foram apresentados ao FDA durante a última revisão sobre a segurança cardiovascular de Avandia. Ao serem analisados conjuntamente, estes estudos mostram que Avandia não aumenta o risco de ataques do coração, derrames ou óbitos".

28/06/2010 07:37 PM

EUA acusam 11 de ser agentes secretos da Rússia

iG São Paulo

Departamento de Justiça diz que acusados viveram durante anos nos EUA em um programa secreto de espionagem

No que foi retratado por autoridades como uma extraordinária repressão a uma rede de espionagem russa, o Departamento de Justiça acusou nesta segunda-feira 11 pessoas de viver durante anos nos EUA como parte de um programa secreto de espionagem da SVR - a agência sucessora da soviética KGB, informou o The New York Times.

Dos 11 acusados, dez foram presos no domingo. O último suspeito, conhecido como Christopher R. Metsos, continua foragido.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, as prisões foram feitas em operações nos Estados de Nova York, Massachusetts, Nova Jersey e Virgínia. Os presos foram acusados de conspiração para agir como agentes de um governo estrangeiro, o que pode acarretar uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Dez pessoas foram detidas no domingo sob acusação de supostamente realizar "missões de longo prazo e infiltração profunda nos Estados Unidos em nome da Federação Russa", informou o Departamento de Justiça em uma declaração. Nove dos detidos também enfrentam acusações de conspiração para lavagem de dinheiro, cuja pena máxima de prisão chega a 20 anos.

Anos de investigação

Na declaração oficial, o Departamento de Justiça americano afirma que os suspeitos foram detidos depois de uma investigação que durou vários anos.

Dois dos detidos - um casal conhecido pelos pseudônimos de Richard Murphy e Cynthia Murphy - foram presos na cidade de Montclair, no Estado de Nova Jersey; Vicky Pelaez e um homem conhecido apenas como Juan Lazaro foram detidos em Yonkers, no Estado de Nova York; e Anna Chapman foi detida na cidade de Nova York.

Outras três pessoas, Michael Semenko e um casal conhecido como Michael Zottoli e Patricia Mills, foram presos em suas casas no condado de Arlington, no Estado da Virgínia. Mais duas pessoas, conhecidas como Donald Howard Heathfield e Tracey Lee Ann Foley, foram presas em Boston, Massachusetts.

*Com BBC e Nova York

28/06/2010 07:37 PM

Ex-líder panamenho Noriega vai a julgamento na França

BBC Brasil

Acusado de lavagem de dinheiro, Noriega pode ser sentenciado a dez anos; espera-se que julgamento dure três dias

Foto: AFP

A Justiça francesa deu início nesta segunda-feira a um novo julgamento do ex-líder militar do Panamá Manuel Noriega por acusações de lavagem de dinheiro. Noriega nega ter lavado, no final da década de 1980, cerca de US$ 2,8 milhões provenientes do cartel de Medellín, uma poderosa rede colombiana de tráfico de drogas.

O dinheiro teria sido usado por sua esposa, Felicidad, e por uma empresa para a compra em Paris de três apartamentos de luxo. Os imóveis foram confiscados pela Justiça francesa. As três filhas de Noriega acompanham o julgamento em Paris. A expectativa é de que o julgamento dure três dias e, se condenado, Noriega pode ser sentenciado a dez anos de prisão.

Extradição

Um tribunal francês havia condenado o ex-homem-forte do Panamá em 1999, época em que estava preso nos Estados Unidos por tráfico de drogas. A França concordou em realizar um novo julgamento se ele fosse extraditado do país. A extradição ocorreu em abril deste ano.

O ex-líder panamenho esteve detido em prisões americanas desde 1990. Com saúde frágil, Noriega se confundiu nesta segunda-feira ao dizer sua data de nascimento, afirmando primeiro ter nascido em 1936, corrigindo-se depois para 1934.

Desde a extradição, em abril, seus advogados tentam sua transferência da prisão parisiense de Santé, alegando que o ex-líder está sendo mantido em condições desumanas. A extradição foi criticada por muitos no Panamá que desejam julgar Noriega por acusações de tortura e assassinato de opositores. Então chefe das Forças Armadas, Noriega na prática comandou o Panamá de 1983 a 1989, embora nunca tenha sido presidente do país.

Primeiramente considerado um dos maiores aliados americanos na América Latina, Noriega foi apoiado pelo país até 1987, mas no ano seguinte foi acusado de trafico de drogas. Tropas americanas invadiram o Panamá em dezembro de 1989 após a morte de um fuzileiro dos Estados Unidos e prenderam Noriega no mês seguinte. Condenado, cumpriu 17 anos de prisão na Flórida.

28/06/2010 07:07 PM

EUA prendem 10 sob acusação de atuar como agentes da Rússia

EFE

Oito das dez prisões ocorreram no domingo, anuncia o Departamento de Justiça americano

Os Estados Unidos detiveram nesta segunda-feira dez pessoas sob a acusação de atuar ilegalmente como agentes do governo russo em território americano, informou o Departamento de Justiça.

Das detenções, oito ocorreram no domingo em consequência da realização, "por longo período", de missões encobertas para a Rússia. Os outros dois acusados estão reclusas por participação em um programa da inteligência de Moscou.

Duas causas criminais, apresentadas separadamente em Nova York e na Virgínia, acusam os detidos de "conspiração" por atuação "ilegal" como agentes russos e, em alguns casos, também por lavagem de dinheiro.

A lei americana proíbe o trabalho como agentes de um governo estrangeiro nos EUA sem a autorização prévia do procurador-geral, segundo informou o Departamento de Justiça em comunicado.

28/06/2010 06:43 PM

Indicada de Obama promete imparcialidade na Suprema Corte dos EUA

iG São Paulo

Começa nesta segunda-feira no Senado americano sabatina para confirmar Elena Kagan no cargo

A procuradora-geral Elena Kagan, de 50 anos, indicada por Barack Obama à Suprema Corte dos Estados Unidos, prometeu nesta segunda-feira que adotará uma posição "modesta" e "se diferenciará de forma apropriada" das decisões do Congresso e do presidente americano se for confirmada no cargo. As declarações foram feitas por Elena ao Senado, onde está sendo sabatinada.

Se confirmada pela Casa, Elena se tornará o membro mais jovem da mais alta jurisdição dos EUA e a quarta mulher a ser nomeada ao cargo depois de Sandra Day O'Connor, Ruth Bader Ginsburg e Sonia Sotomayor.

Como determinado pela Constituição, as audiências desta segunda-feira na Comissão de Justiça do Senado são transmitidas ao vivo pela televisão. Durante o processo, tudo é examinado pelos senadores: passado, experiência profissional, primeiros trabalhos escritos, equidade e moralidade.

Elena foi designada por Obama para para suceder ao juiz John Paul Stevens, de 90 anos, que anunciou sua aposentadoria em abril, em 10 de maio.

Desde então, a imprensa americana dissecou sua infância em Manhattan nos anos 60 e 70, seus estudos em Princeton, seus serviços na reitoria da Faculdade de Direito de Harvard e sua carreira jurídica. Sem nunca ter sido juíza, Elena nunca proferiu uma sentença. Sua candidatura à magistratura foi rejeitada pelo Senado em 1999.

Os republicanos do Senado, no entanto, estão mais interessados em obter informações da época em que ela era assessora na Casa Branca, durante a presidência de Bill Clinton.

"A candidata apresenta certo número de elementos controvertidos em seu passado", afirmou em 22 de junho o líder republicano da comissão jurídica do Senado, Jeff Sessions, lamentando as posições de "esquerda" da indicada.

Os republicanos relembram o fato de que ela, no passado, rejeitou a entrada no campus de Harvard de militares que vieram realizar atividades de recrutamento, prática tradicional da prestigiosa universidade. Mas, segundo seus defensores, o alistamento poderia ser realizado via organizações estudantis.

Na sexta-feira, o senador pelo Texas, John Cornyn, afirmou que no passado Kagan posicionou-se contra o direito de portar armas, inscrito na segunda emenda da Constituição.

Outros do espectro político mais à esquerda, como o Centro pelos Direitos Constitucionais que defendem os detentos de Guantánamo, criticam seu posicionamento muito favorável ao reforço dos poderes presidenciais, em particular sobre as questões de terrorismo.

O presidente Obama encorajou no domingo, em Toronto, onde participou da cúpula do G20, os senadores a fazerem "perguntas difíceis" a Elena.

Depois da sabatina, a comissão do Senado deverá se pronunciar sobre sua nomeação, que ainda deve ser aprovada no plenário, provavelmente antes do fim de julho ou início de agosto. Durante os últimos 40 anos, um quarto dos candidatos foi rejeitado.

*Com New York Times e AFP

28/06/2010 06:21 PM

Turquia restringe uso de espaço aéreo a voos militares de Israel

iG São Paulo

Medida é retaliação a ataque israelense à frota humanitária; premiê de Israel deporá em comissão que investiga ação militar

A Turquia restringiu o uso de seu espaço aéreo por Israel, de acordo com uma declaração do primeiro-ministro turco e com informações de uma autoridade do governo.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira que o espaço aéreo de seu país foi fechado depois do ataque israelense contra uma frota de ajuda humanitária à Faixa de Gaza em 31 de maio, em que morreram nove turcos. A ação militar estremeceu a relação entre os dois países.

Mas, segundo um diplomata turco, não é todo o espaço aéreo que foi fechado. De acordo com a fonte, um avião militar israelense foi proibido de usar o espaço aéreo do país após o ataque de 31 de maio, acrescentando que as permissões para voos similares serão estudadas caso a caso. Segundo ele, os voos civis continuam normalmente entre os dois países.

Investigação do ataque

O anúncio do governo turco foi feito no mesmo dia em que começou em Jerusalém a investigação interna israelense sobre o ataque à embarcação, com a informação de que o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu será um dos primeiros a depor.

O líder da comissão e juiz aposentado do tribunal supremo israelense, Jacob Turkel, disse que o ministro da Defesa Ehud Barak e o chefe do Estado-Maior Gaby Ashkenazi também serão convocados em breve.

Turkel apresentou os outros dois membros do comitê: Amos Horev, comandante-geral aposentado de 86 anos que participou de investigações internas anteriores de ações militares israelenses, e Shabtai Rozen, um analista em Direito Internacional de 93 anos.

O órgão tem como objetivo "esclarecer" os fatos (não atribuir responsabilidades aos políticos e militares que tomaram as decisões) e conta com dois observadores internacionais sem direito a voto: o norte-irlandês William David Trimble, prêmio Nobel da Paz, e o canadense Ken Watkin, ex-promotor general do Exército do Canadá.

Trimble manifestou nesta seguna-feira que os membros do comitê estão "decididos a fazer uma investigação rigorosa", o que representaria uma "contribuição positiva para a paz".

A comissão não vai interrogar os soldados que participaram da abordagem, efetuado em águas internacionais, e se limitará a receber o resumo das respostas dadas ao grupo de analistas do próprio Exército israelense.

O objetivo da comissão será determinar se as ações do Estado de Israel para impedir a chegada do comboio humanitário a Gaza ocorreram conforme o direito internacional. A comissão também deverá se pronunciar sobre a legalidade do bloqueio marítimo que mantém sobre o enclave palestino.

*Com EFE e AFP

28/06/2010 05:26 PM

Fechamento de Guantánamo deixa de ser prioridade do governo Obama

The New York Times

Aumenta no Congresso a resistência ao fechamento da prisão, e senadores veem poucos esforços do governo Obama para superá-la

Bloqueado por políticos da oposição e concentrado em outras prioridades, o governo Obama marginalizou seus esforços para fechar o centro de detenção localizado na Baía de Guantánamo, o que torna improvável que o presidente Barack Obama cumpra sua promessa de fechar a prisão antes do término de seu mandato, em 2013.

Quando a Casa Branca admitiu no ano passado que perderia o prazo inicial de janeiro de 2010 dado por Obama para o fechamento da prisão, também declarou que os prisioneiros acabariam sendo transferidos para uma penitenciária em Illinois. Mas os obstáculos para esse plano se acumularam no Congresso, e o governo está fazendo pouco para superá-los.

A Casa Branca insiste que ainda está determinada em fechar a prisão. O governo afirma que Guantánamo é um símbolo do antigo abuso de prisioneiros do mundo muçulmano, citando a opinião de militares de que seu funcionamento contínuo ajuda a impulsionar os terroristas.

Ainda assim, algumas autoridades de alto escalão dizem reservadamente que o governo tem feito sua parte, incluindo a identificação da prisão em Illinois - um centro de segurança máxima vazio localizado em Thomson, a 150 quilômetros a oeste de Chicago -, onde os presos poderiam ser detidos. Eles culpam o Congresso por não executar sua parte do plano. "O presidente não pode apenas acenar uma varinha mágica e dizer que Guantánamo será fechada", disse sob condição de anonimato um oficial graduado do governo.

A política de fechamento da prisão claramente piorou após a tentativa de atentado em um avião no dia 25 de dezembro e na Times Square em maio, bem como diante das críticas republicanas de que transferir os detidos para uma prisão nos Estados Unidos poria em perigo os americanos.

Quando Obama tomou posse, uma ligeira maioria apoiava o fechamento. De acordo com uma pesquisa realizada em março de 2010, 60% querem que ela permaneça aberta.

Várias autoridades do governo expressaram a esperança de que os ventos políticos mudem caso, por exemplo, líderes de alto escalão da Al-Qaeda sejam mortos ou se os legisladores se concentrarem no quão cara é a operação de uma prisão isolada.

Um estudo recente do Pentágono, obtido pelo The New York Times, mostra que os contribuintes gastaram mais de US$ 2 bilhões entre 2002 e 2009 com a prisão.

Autoridades do governo acreditam que os contribuintes poupariam cerca de US$ 180 milhões por ano em custos de operação se os prisioneiros de Guantánamo fossem transferidos para Thomson, que esperam que o Congresso permita que o Departamento de Justiça compre do Estado de Illinois, pelo menos para presos federais.

Em qualquer caso, disse um oficial graduado, mesmo se o governo concluir que nunca fechará a prisão, não poderá reconhecê-lo, pois ressuscitaria Guantánamo como a imagem dos EUA no mundo muçulmano. "Guantánamo é um símbolo negativo, mas isso é muito atenuado porque todos acreditam que estamos tentando fechar a prisão", disse. "Fechar Guantánamo é bom, mas lutar para fechar Guantánamo é OK. Admitir que não conseguimos seria pior."

* Por Charlie Savage

28/06/2010 04:17 PM

Campanha de islandês é uma piada, até ele ser eleito

The New York Times

Comediante aproveita a raiva dos eleitores com a economia do país, prometendo toalhas gratuitas e uma Disneylândia

A exibição de um urso polar no jardim zoológico. Toalhas gratuitas em piscinas públicas. "Um Parlamento Sem Drogas até 2012". O Melhor Partido da Islândia, fundado em dezembro por um comediante, Jon Gnarr, para satirizar o sistema político do país, lançou uma campanha que não passava de uma grande piada. Mas era só isso mesmo?

No mês passado, após o colapso financeiro do país, o Melhor Partido ascendeu como o grande vencedor das eleições da cidade de Reykjavik, com 34,7% dos votos, e Gnarr - que também prometeu a estudantes que construiria uma Disneylândia no aeroporto - agora é o quarto prefeito em quatro anos de uma cidade que abriga mais de um terço da população de 320 mil pessoas da Ilha.

Em seu discurso, ele tentou acalmar os temores dos outros 65,3%. "Ninguém deve ter medo do Melhor Partido", disse, "porque ele é o melhor. Se não fosse, seria chamado o Partido Ruim ou o Pior Partido. Nunca trabalharíamos com um partido assim".

Gnarr, um ruivo de 43 anos, é mais conhecido no país por representar na televisão e cinema o personagem Georg Bjarnfredarson, um marxista educado na Suécia, desagradável, calvo, de meia-idade, cuja infância foi arruinada por uma mãe militante feminista.

No entanto, embora sua carreira tenha lhe dado visibilidade, poucos questionam o que realmente o levou ao poder. "É um voto de protesto", disse Gunnar Helgi Kristinsson, professor de ciência política na Universidade da Islândia.

Em um dos primeiros sinais dos problemas financeiros da Europa, os bancos da Islândia ruíram em 2008, mergulhando o país em crise. Em abril, os eleitores ficaram ainda mais perturbados com a divulgação de um relatório que detalhava a extrema negligência, incompetência e tratamento preferencial existente nos níveis mais altos do governo.

Eles estavam prontos para qualquer candidato que não fossem os suspeitos de costume, Kristinsson disse. "As pessoas sabem que Jon Gnarr é um bom comediante, mas elas não sabem nada sobre a sua política", disse. "E, mesmo como um comediante, você nunca sabe se ele está sendo sério ou se está brincando."

Mas, enquanto Gnarr assume o gabinete da prefeitura, ele não parece estar brincando. Gnarr disse que sua ideia para o Melhor Partido nasceu de uma profunda angústia e confusão moral, após o colapso bancário, quando os islandeses debatiam ferozmente sua obrigação de reembolsar os investidores britânicos e holandeses arruinados.

Falando na prática, Gnarr disse que não tinha escrúpulos. "Por que eu deveria devolver um dinheiro que nunca gastei?" questionava, refletindo um sentimento comum no país.

Mas em um nível mais profundo, ele tinha dúvidas. "Me considero uma pessoa muito moral", disse. "De repente, sentia-me como um personagem de uma peça de Beckett, em que você tem obrigações morais para com algo que ainda não tem como entender. Era como 'Esperando Godot'- eu estava no limbo."

* Por Sally Mc Grane

28/06/2010 03:35 PM

Um ano após queda de Zelaya, crise política ainda perturba Honduras

BBC Brasil

Governo eleito ainda luta para conquistar legitimidade e solucionar as divergências internas

Foto: AP

Um ano depois da deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, o governo do país liderado por Porfírio Lobo ainda luta para conquistar legitimidade e solucionar a crise política interna que se arrasta desde 28 de junho do ano passado.

Lobo, eleito em novembro com a promessa de resolver o impasse, é alvo de críticas de grupos de defesa dos direitos humanos e enfrenta a pressão da oposição, que defende a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Pouco antes de viajar à Africa do Sul para acompanhar a Copa do Mundo, Porfírio Lobo disse ter conhecimento de uma conspiração para retirá-lo do poder, assim como ocorreu com seu antecessor. "Sabemos muito bem quem são eles e tenho todas as informações. Querem pegar o presidente da República", disse o líder hondurenho.

No âmbito internacional, o Brasil e os países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) - com exceção de Colômbia e Peru - resistem em aceitar a reincorporação de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA), de onde o país foi expulso após a queda de Zelaya.

O grupo exige, como precondição para que Honduras volte à ser membro da OEA, o fim do exílio de Zelaya e sua reincorporação à política, com garantias de que não haverá perseguição quando o ex-presidente retornar ao país.

Líderes sul-americanos também questionam a anistia concedida por Porfírio Lobo à cúpula militar, antes da conclusão dos trabalhos da chamada Comissão da Verdade, instalada há apenas um mês, para apurar as responsabilidades sobre os crimes ocorridos durante o governo de fato.

Um diplomata brasileiro disse à BBC Brasil que a maioria dos países da região não vê o "processo eleitoral viciado" que deu origem ao governo de Lobo como "uma solução para Honduras".

"O que preocupa é o precedente que este golpe de Estado marca na região. O problema é de princípios. Antes de reincorporar Honduras à OEA, temos que garantir que esses problemas de fundo serão resolvidos", afirmou.

Cerco militar

Zelaya deixou a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde foi acolhido durante quatro meses como "hóspede", em janeiro de 2010.

A embaixada brasileira foi alvo de um cerco militar enquanto Zelaya esteve ali. Comida, eletricidade e água chegaram a ser cortados como medida de pressão para que o governo brasileiro entregasse o ex-presidente às autoridades.

O impasse só foi resolvido quando Porfírio Lobo assumiu o governo e concedeu um salvo-conduto para que Zelaya pudesse deixar o país.

A embaixada do Brasil em Tegucigalpa continua sem embaixador. No seu lugar, está o conselheiro Antônio Carlos Sales Menezes, encarregado de negócios.

Desde então, o ex-presidente hondurenho está exilado na República Dominicana, de onde reivindica o direito de obter um retorno "incondicional" a Honduras. Os opositores de Zelaya querem levá-lo à Justiça pela acusação de violação da Constituição.

Críticos afirmam que, apesar de Porfírio Lobo ter declarado que poderia ir "pessoalmente" buscar Zelaya de volta a Honduras, a presença de funcionários vinculados ao governo de fato no Ministério Público e na Suprema Corte de Justiça impediria um julgamento "imparcial" do ex-presidente.

"Apesar da boa vontade de Pepe Lobo, não há mínimas condições para que Manuel Zelaya volte a Honduras enquanto não houver mudanças no interior dessas instituições", afirma Andrés Pavón, presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos (CODEH), à BBC Brasil.

Reconhecimento

O governo de Honduras conta com o reconhecimento dos Estados Unidos (seu principal aliado), da União Europeia, da Colômbia, do Peru e dos países centro-americanos - com exceção da Nicarágua.

A exclusão de Honduras do SICA (Sistema de Integração Centro-Americano) deverá ser o centro dos debates da reunião de cúpula do grupo convocada para terça e quarta-feira no Panamá.

O retorno de Honduras ao grupo só será possível caso haja uma flexibilização da posição nicaraguense, que tende a estar alinhada à posição dos países sul-americanos contrários ao reconhecimento do governo de Porfírio Lobo.

Outro fator que impede a reincorporação de Honduras ao sistema interamericano são as acusações de violações de direitos humanos sob o governo de Pepe Lobo.

Em maio, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apresentou um relatório em que afirma que "continuam as violações aos direitos humanos no contexto do golpe de Estado".

A CIDH afirma ter conhecimento do assassinato de ativistas de direitos humanos e jornalistas durante o governo de Porfírio Lobo e critica a "impunidade" com que as mortes teriam sido tratadas.

De acordo com a organização não-governamental de direitos humanos CODES, durante os cinco meses de governo de Lobo, nove jornalistas foram assassinados, além de sete ativistas vinculados à opositora Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP). Outros 700 casos de violação de direitos humanos foram denunciados também no período.

"Vemos o ressurgimento de grupos paramilitares, financiados por alguns setores empresariais, que perseguem e cometem crimes com o objetivo de amedrontar e coibir a oposição", afirma Pavón.

Constituinte

A Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) convocou uma série de protestos nesta segunda-feira para marcar o aniversário da deposição de Zelaya. Os protestos incluem bloqueio de rodovias e passeatas na capital Tegucigalpa e em San Pedro Sula.

Paralelamente, o grupo pretende coletar mais de 1 milhão de assinaturas para legitimar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Para Berta Cacéres, da direção da FNRP, a crise política e social no país só poderá ser resolvida a partir da realização de um processo constituinte "popular e democrático". "Continuamos lutando e acreditando que o processo constituinte é o caminho para a refundação de Honduras", afirma Cacéres.

Zelaya foi levado à força de sua casa na madrugada do domingo, 28 de junho de 2009, por militares, quando seria realizada uma consulta popular que poderia ou não promover mudanças na Constituição. O governo de fato argumentava que Zelaya pretendia modificar a Carta Magna para ser reeleito.

28/06/2010 03:20 PM

Candidato a governador é assassinado no México

iG São Paulo

Vítima era considerada favorita nas eleições que acontecem na próxima semana no país

O político Rodolfo Torre Cantù, candidato a governador de Tamaulipas (México) pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), foi assassinado nesta segunda-feira junto a outras quatro pessoas quando se dirigia ao aeroporto de Ciudad Victoria. "O assassinato do candidato está confirmado", disse Fernando Moreno Peña, coordenador do PRI.

O incidente ocorreu na estrada que une Cidade Victoria, no nordeste do país, com Soto la Marina, perto do aeroporto. Os dois carros em que viajava a comitiva do candidato foram atacados a tiros.

O candidato e vários colaboradores estavam a caminho do aeroporto Pedro J. Méndez, para viajar para a cidade de Matamoros, onde ele participaria de uma série de atos de fechamento de campanha frente às eleições estaduais que serão realizadas no próximo domingo.

Cantú, que era médico de profissão, casado e tinha 46 anos, liderava a candidatura da aliança Todos Tamaulipas, formada pelo PRI, pelo Partido Verde e pelo Partido Nova Aliança. O dirigente do Partido Revolucionário Institucional (PRI) morto era considerado favorito nas eleições ao governo de Tamaulipas.

Desde 1929, o PRI governa Tamaulipas, um Estado na fronteira com os Estados Unidos e com litoral sobre o Golfo do México, cenário nos últimos meses de violentas disputas entre narcotraficantes. Esses confrontos envolveram o cartel do Golfo e seus antigos aliados de 'Los Zetas', um grupo paramilitar que estendeu suas ações ao Centro e ao Sul da América.

No próximo domingo serão realizadas eleições em 14 Estados do México, e em 12 deles estará em jogo o cargo de governador.

* Com EFE e AFP

28/06/2010 03:11 PM
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