Com seleções distintas, as transferências são uma oportunidade para entrar na universidade pública. USP abre inscrições na segunda
Foto: Fellipe Bryan Sampaio
A cada semestre, milhares de candidatos se frustram durante a divulgação dos resultados dos vestibulares das universidades públicas. A quantidade de vagas oferecidas pelas instituições é insuficiente para atender a demanda. Mas, ao contrário do que muitos jovens imaginam, o vestibular não é a única possibilidade de entrada em uma universidade pública.
Todos os anos, inúmeras instituições oferecem vagas ociosas dos cursos de graduação em processos seletivos distintos do vestibular. São vagas que vão surgindo ao longo do curso, por desistências dos alunos. Segundo o Censo da Educação Superior de 2008 ? dado mais recente fornecido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ? as universidades públicas (federais, estaduais e municipais) tinham 36.725 vagas ociosas.
Para concorrer a essas vagas, os candidatos precisam estar matriculados em cursos da área. A exigência de carga horária do curso já cumprida varia conforme a vaga que aparece. É possível que a universidade peça para os estudantes o cumprimento de 20% ou 30% do currículo, por exemplo. Em geral, a seleção é feita com base em análise de currículos e provas específicas.
Os nomes dados para esse tipo de processo seletivo variam de acordo com a instituição. Na Universidade de São Paulo (USP), é apenas transferência. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vagas remanescentes. Na Universidade de Brasília (UnB), transferência facultativa. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: preencher os espaços vazios.
?Naturalmente, como universidade pública, queremos minimizar o número de vagas ociosas. Se temos a capacidade de atender um número específico de estudantes, nosso objetivo é atendê-la completamente. O processo acontece todos os anos, de maneira muito cuidadosa?, afirma o pró-reitor de Graduação da Unicamp, Marcelo Knobel.
Ele reforça que o processo na instituição não é fácil e tem demonstrado resultados satisfatórios. ?Conseguimos preencher muitas vagas, mas essa possibilidade de entrada na universidade ainda é desconhecida pelos estudantes. É preciso divulgar mais?, defende.
Vagas abertas
A USP vai abrir inscrições para preencher 903 vagas de transferência a partir desta segunda-feira. Do total, 111 vagas são para o Instituto de Física de São Carlos. Os interessados terão até 5 de julho para preencher os formulários de inscrição. Há vagas em cursos como engenharia elétrica, ciência da computação, arquitetura e direito e são para o primeiro semestre de 2011. As informações sobre as provas e como concorrer podem ser conferidas no edital.
Alguns cursos terão editais próprios de seleção, como os da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Os candidatos aos outros cursos terão de passar por uma prova de pré-seleção de língua portuguesa e inglesa, cultura contemporânea (para a área de humanidades), genética e bioquímica (biológicas) e física e matemática (exatas). Os exames devem ser aplicados em 25 de julho. Depois, serão feitas provas específicas em cada curso.
A seleção da Unicamp também está próxima. O período de inscrições, organizado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), será de 12 a 23 de agosto, exclusivamente pela internet. A quantidade de vagas será divulgada no início das inscrições. O processo exige teste de conhecimentos gerais, análise de compatibilidade de currículo e prova específica. Ainda há provas de habilidades específicas para alguns cursos.
Em agosto, ainda sem data definida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também vai divulgar edital de transferência. A Universidade Estadual de Londrina abrirá inscrições de 2 a 27 de agosto. A Universidade Federal de Goiás (UFG) vai divulgar o edital no dia 11 de setembro. A dica é ficar de olho no site da instituição que você deseja estudar.
Vagas conquistadas
Rafael de Gois Netto, 24 anos, cursava publicidade em uma faculdade privada de Brasília quando soube da existência do processo de transferência facultativa da UnB. Ele havia desistido da universidade pública depois de quatro tentativas frustradas no vestibular. Quando soube da transferência, se animou novamente e arriscou.
?Vi que seria uma possibilidade de ampliar meus horizontes, para além da publicidade. Achei que seria muito difícil, então estudei muito. Mas não esperava o resultado e a minha colocação. Fiquei em primeiro lugar?, conta Rafael. Para ele, muita coisa mudou depois da aprovação na UnB. ?Minha postura acadêmica é outra, me encontrei aqui na UnB. Fora a economia da mensalidade, que estava em R$ 1 mil?, afirma.
Livrar-se da mensalidade cara era um dos objetivos de Juliana Cíntia Videira, 34 anos. Estudante do curso de história na PUC de Campinas e já casada, a prestação estava pesando no orçamento familiar. Além disso, ela queria participar de pesquisas, mais escassas na instituição privada.
Quando soube da possibilidade de vagas remanescentes da Unicamp, tratou de concorrer. Estava tranqüila e acha que a falta de expectativas a favoreceu. Ainda em adaptação na Unicamp, ela acredita que a divulgação do processo seletivo deveria ser mais intensa.
Por causa da pouca divulgação desse tipo de seleção, Julia Nunes Sardinha, 27 anos, aluna da Universidade do Estado de Santa Catarina, conta sua própria história a todos os estudantes que conhece. Julia, que mora em Florianópolis, tinha uma vontade imensa de estudar em federal. Durante anos, estudou e tentou, sem sucesso.
Quanto estava no 3º semestre do curso de desenho industrial em uma faculdade privada da cidade, ficou sabendo da transferência da Udesc. O prazo para inscrições já havia passado e precisou esperar o próximo. Ela não desanimou. Estudou bastante antes das provas e conseguiu uma das seis vagas oferecidas. Curioso é que três não foram preenchidas.
?Os estudantes precisam demonstrar um nível pré-determinado de conhecimento. Não adianta só ter a vaga. Fiquei muito feliz em ter passado, porque era um sonho antigo meu. Achei que tudo valeu a pena, mesmo tendo atrasado a formatura. O curso é mais puxado e sei que fez diferença na minha formação?, pondera.
A formação oferecida na universidade pública também foi o grande estímulo de Juliana Rodrigues Freitas para tentar uma vaga na transferência facultativa da UnB. A jovem de 22 anos estudava jornalismo em uma instituição privada de Brasília, mas sentia falta de poder aprender coisas diferentes. ?Queria ter liberdade de estudar outras áreas, queria algo que a universidade privada não me oferecia?, conta.
Além disso, Juliana, que é órfã, temia perder a pensão dos pais e não poder continuar pagando a faculdade. Aprovada na UnB, já fez disciplinas de economia e tem a certeza de que sua vida mudou. ?Senti alívio em relação ao dinheiro e hoje me sinto melhor por participar disso tudo?, reflete.
Andressa Mariosi, 28 anos, trabalhava durante o dia para bancar as mensalidades do curso de letras que fazia à noite, com o auxílio de financiamento estudantil. A graduação que queria fazer, letras-francês, só era oferecida pela UnB em Brasília. Em 2001, visitando o site da universidade, descobriu a transferência facultativa.
?Achava que seria difícil, porque não sabia como seria a prova. Não conhecia ninguém que tivesse feito para o curso que eu queria?, lembra. O apoio da família e do marido foi fundamental. ?Além de fazer o curso que eu queria, tive muitas oportunidades estudando em uma universidade pública. Participei de um programa de oito meses na França?, conta.
Para professor da UnB, expansão da cobertura da rede pública de ensino pode ter contribuído na queda de gasto observada pelo IBGE
Foto: Hélio Motta
A mais nova radiografia do orçamento das famílias, divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela um brasileiro mais disposto a gastar com salão de beleza, perfumes e sapatos (R$ 74,58) do que com educação. Despesas com mensalidades de colégio, universidade, material escolar e outros cursos somam R$ 64,81, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) iniciada em 2008 e concluída em 2009.
?Muitos pais têm tirado seus filhos da escola particular e colocado na rede pública de ensino. Nossa pesquisa mostra que está havendo uma mudança de prioridades?, afirmou ao iG o pesquisador do IBGE Edilson Nascimento, gerente da POF.
A compra de perfumes consome em média 0,8% do orçamento das famílias brasileiras, o mesmo percentual de desembolso com cursos superiores. Já a parcela do orçamento destinada a calçados e apetrechos (1,3%) é o dobro do dispêndio com mensalidades de nível médio e fundamental (0,6%). Os gastos com cabeleireiro e manicure (0,8%) também extrapolam as despesas com outros cursos (0,6%), entre ensino profissionalizante e de idiomas.
O dispêndio com educação recuou de maneira significativa nos últimos seis anos. A POF 2008/2009 mostra que o item responde por 2,5% das despesas das famílias. A pesquisa anterior, realizada entre 2002 e 2003, apontava participação média de 3,4% da educação no orçamento familiar. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília Remi Castioni observa que a expansão da cobertura da rede pública de ensino pode ter contribuído para explicar por que as famílias estão gastando bem menos com educação.
O aumento da oferta de escolas públicas, contudo, não significa que o ensino gratuito melhorou. Para o professor aposentado Erasto Fortes, porém, o processo de migração das escolas privadas para a rede gratuita vai resultar em avanços na rede pública. ?As políticas educacionais têm sido exitosas, mas a qualidade do ensino não muda de uma hora para outra, isso requer investimento. Mas é de se esperar que a ida da classe média para a escola pública force uma melhora no ensino?, avalia.
Os professores afirmam que houve redução de preço nas mensalidades das universidades ? um reflexo da maior oferta de ensino privado. Mas, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), serviços e produtos que compõem a inflação da educação, que abrange mensalidades não apenas de universidades mas também de cursos de nível fundamental e médio, ficaram 50% mais caros entre 2003 e 2009. No mesmo período, a inflação média foi de 39%. A redução dos gastos com educação mesmo diante do aumento de preços indica que houve menos consumo de serviços relativos ao aprendizado, uma transformação nas prioridades do brasileiro.
Se por um lado os gastos com estudo diminuem nas despesas domésticas, por outro os anos de escola ditam o tamanho do orçamento. O IBGE apurou que, nos lares onde ao menos uma pessoa chega ao nível superior (seja este completo ou não), o orçamento médio é de R$ 4.296, enquanto nas casas onde não há quem tenha tal escolaridade a cifra é de R$ 1.659. A diferença reflete o acesso à escolaridade por pessoas de maior renda.
Mais cheirosos
Quem compara os indicadores de 2002/2003 com os de 2008/2009 conclui que o dispêndio com perfume aumentou participação de 0,6% para 0,8% nas despesas totais dos brasileiros. A parcela destinada a cabeleireiro aumentou de 0,5% para 0,6%, ao mesmo tempo em que a de calçados subiu de 1,1% para 1,3%. E a participação dos eletrodomésticos passou de 1,8% para 2,3% em seis anos. A conseqüência disso, segundo o pesquisador do IBGE, foi aumento nos gastos com energia elétrica (2,1% para 2,3%).
Por outro lado, as famílias estão gastando menos com recreação, esportes e brinquedos. ?É o efeito da substituição, tem coisas que estão virando prioridade em detrimento de outras. Se eu compro um computador e uma televisão moderna com videogame, desloco o divertimento do meu filho e da família para esses novos bens?, explica o gerente da pesquisa.
?O brasileiro foi estimulado a comprar eletrodomésticos neste período, por causa do câmbio (o dólar recuou e propiciou importações), do crédito e da renda?, conclui. A POF mostra que a renda familiar cresceu 10,8% nos últimos seis anos, enquanto as despesas aumentaram 5,9%. O IBGE descontou a inflação para chegar a estes números. Uma família gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês.
A mesma pesquisa mostra que os gastos com comida encolheram no orçamento das famílias nos últimos seis anos, de 17,1% para 16,1% na média nacional. Por outro lado, os preços crescentes dos combustíveis e o maior acesso da população a compra de carros aumentou o peso do transporte no bolso dos brasileiros, de 15,2% para 16%. Resultado: os brasileiros estão gastando o mesmo com alimentação e transporte - algo inimaginável na década de 70, quando pesquisa semelhante do IBGE mostrava que a parcela de despesas com comida (30%) superava em três vezes o gasto com transporte (11%) no consumo das famílias.
Mônica Guimarães se prepara para vestir a camisa do Brasil em 2016
Até o ano passado, a aluna Mônica Guimarães, do 2º ano do ensino médio, queria ser jornalista ou psicóloga. Neste ano, os planos para o futuro são diferentes: ela quer fazer faculdade de educação física e se dedicar à carreira de atleta, com pretensões de competir em 2016 por uma medalha olímpica.
A mudança na opção ? e até mesmo a nova escolha ? não seriam nada surpreendentes se a aluna não tivesse uma deficiência motora que a obriga a andar de cadeira de rodas ou andador.
Competitiva, Mônica se viu estimulada a participar de esportes quando fazia suas aulas de fisioterapia na Associação de Assistência da Criança Deficiente (AACD). Desde os seis anos de idade, era envolvida em aulas de hidroterapia e aos nove passou a frequentar aulas de natação.
Estudou até a 4ª série na escola da associação e, quando passou para o ensino fundamental II, a mãe procurou por um lugar em que ela não deixasse de participar de nenhuma atividade. Desde 2005 estuda no Colégio Adventista de Interlagos, onde encontrou apoio da professora Maria Conceição Moreira Lopes, que a incluiu em atividades de educação física e despertou o interesse da aluna para este campo.
Hoje, joga vôlei, basquete, futebol, mas a natação é onde está se empenhando mais. ?Eu sempre achei que nadava tudo errado. Quando peguei a primeira medalha na mão, não acreditei. Eu me perguntava: ?fui eu mesma que ganhei isso???, confessa.
A medalha era de ouro e veio em abril deste ano, ganha no Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação. Chegou acompanhada de outras três: mais uma de ouro e duas de prata. Por pouco não conseguiu pontuação para a etapa de Fortaleza, mas pretende ainda disputar dois torneios de natação neste ano. ?Estou treinando em uma academia em Indaiatuba. Esse ano tem mais duas competições, uma estudantil e uma regional do interior e vou competir pela cidade?.
Os planos de futuro vão além e não são pequenos. Questionada se pretende estar entre os atletas da paraolimpíada de 2016, que será realizada no Brasil, Mônica diz imediatamente: ?estou treinando para isso?.
Alunos de escola da zona sul de São Paulo participam de todas as atividades na aula, mesmo com limitações físicas
Foto: Carolina Rocha, iG São Paulo
Atender às necessidades de todos os alunos e descobrir suas potencialidades são os grandes desafios do professor. ?Eu não gosto de ver ninguém parado. Se vejo alguém desanimado já coloco para fazer alguma atividade e vou observando para perceber o que ele gosta de fazer para estimular?, diz a professora de educação física do Colégio Adventista de Interlagos, na zona sul da capital paulista, Maria Conceição Moreira Lopes.
Dessa forma, descobriu que um de seus alunos, que detestava jogos coletivos com bola, era ótimo para provas de atletismo; viu que um estudante alto era péssimo em basquete, mas era tão bom em vôlei que agora, aos 17 anos, já ganha R$ 3 mil em um clube para jogar profissionalmente.
Mas em 2005, Maria da Conceição encontrou um desafio diferente: fazer toda a sua classe do 5º ano se adaptar às limitações da aluna Mônica Guimarães, portadora de deficiência motora, causada por hemorragia cerebral ocorrida no nascimento prematuro, aos seis meses de gestação da mãe.
Mônica, desde que chegou à escola, nunca deixou de participar das atividades em quadra. ?A professora sempre me incluiu em tudo. Quando era futebol, eu jogava com a muleta e ela me segurava por trás, para não cair. Ela e os meus amigos ajudavam a empurrar a cadeira para eu jogar basquete. Era eu quem sacava no vôlei, nunca fiquei de fora de nada?.
A adaptação da aula foi gradual. Para o basquete, no ínicio, foi usada a bola mirim, mas em pouco tempo a oficial foi adotada. Com o vôlei, a bola de EVA (material leve, semelhante a um emborrachado) facilitava o saque. No futebol, Mônica era a única que podia usar algo além do pé. ?Eu podia chutar com a muleta?, conta.
A aluna enfrentou apenas um obstáculo: o ciúme de alguns colegas que achavam que ela recebia mais atenção que o resto da classe. Para resolver esse problema, Maria da Conceição levou a todos para ver uma realidade mais impactante ainda que as limitações de Mônica. ?Eu levei a classe toda para conhecer a AACD (Associação de Assistência da Criança Deficiente). Eles viram casos mais difíceis, como um garotinho que precisava de um skate para se locomover, pois não tinha pernas. Eles ficaram bastante tocados e entenderam melhor a situação da Mônica?, lembra.
Adaptação precoce
Maria da Conceição, neste ano, tem mais dois alunos com limitações. Dudu, do 3º ano, tem atraso cognitivo, mas sem deficiências físicas. Recebe a ajuda dos amigos para fazer as atividades e eles, segundo a professora, ?nem percebem que estão fazendo algo adaptado?. ?Todo mundo participa, leva o Dudu para cá, para lá e nem percebe que a aula está diferente".
Outro caso é o de Márcio, do 2º ano, deficiente auditivo. Com ele, Maria da Conceição teve uma experiência diferente. ?Disseram que o aluno não ouvia nada, mas eu apitava durante a aula e ele virava para ver. Achei estranho e falei para a mãe, que o levou para fazer mais testes e descobriu que tem um pouquinho de audição. Hoje o Márcio usa aparelho nos dois ouvidos e consegue ouvir alguns sons?.
Como a deficiência do aluno não o impede de praticar qualquer exercício, Maria da Conceição precisa apenas passar as instruções das atividades com ele posicionado à sua frente e confirmar se ele entendeu tudo o que ela disse, sem necessidade de adaptação.
Exceção
Pesquisa realizada pela professora de educação física Marcia Greguol Gorgatti para sua tese de doutorado mostra que as escolas do sistema regular não estão preparadas para atender alunos com deficiência física.
A pesquisa mostra também que 48% dos professores não gostam de receber alunos com deficiência, pois se sentem despreparados para atender as necessidades especiais destes alunos.
Maria da Conceição se deparou com um problema deste tipo na escola. Em 2004, o colégio contava com a presença de um aluno cadeirante, Denis, que participava da aula apenas apitando as partidas em que os amigos atuavam.
?Um dia, estávamos fazendo uma atividade no pátio, a minha turma e a do professor que tinha este aluno com deficiência. O exercício envolvia uns colchões e começamos a brincar de colocar um aluno deitado neles para que dois carregassem. A gente pegou o Denis e carregou pelo pátio inteiro. Foi uma diversão enorme para ele, que nunca tinha participado de nada?, lembra.
Depois desse episódio, o professor de Denis passou a envolvê-lo nas atividades e, no ano seguinte, foi a vez de Maria da Conceição receber Mônica e aprender com ela. ?Eu fiz vários cursos, sempre que a coordenadora pedagógica descobre um relacionado a trabalho com crianças especiais eu vou, mas a gente aprende muito com eles também.?
Serão selecionados trabalhos de design de interiores, de produto, gráfico, de moda, produção joalheira e de multimídia
O Instituto Europeo di Design (IED) está oferecendo 10 bolsas de estudo para jovens de 17 a 26 anos que participarem de seu concurso "Todo Dia Criativo", que vai selecionar os melhores trabalhos em design de interiores, de produto, gráfico, de moda, produção joalheira e de multimídia relacionados ao tema ?A minha cidade?.
Os interessados deverão fazer um projeto que expresse o modelo de vida que espera que a sociedade tenha no futuro. Os candidatos deverão desenvolver o tema relativo à área de referência do curso de graduação escolhido - Moda, Design e Artes Visuais.
Os projetos selecionados são publicados no site do concurso e quem visita a página pode votar nos candidatos. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de julho.
O prêmio para os vencedores serão três bolsas integrais de um ano de curso, renováveis a cada semestre desde que o aluno obtenha média igual ou superior a 8 e frequência acima de 80% em cada disciplina. Serão dadas também sete bolsas de estudos parciais com 50%, renováveis a cada semestre, desde que o aluno também obtenha média 8 e frequência de 80%.
Candidatos farão prova de redação e de expressão e criatividade para preencher uma vaga
O Istituto Europeo di Design (IED) está com inscrições abertas para seu processo seletivo de meio de ano para os cursos de graduação em Moda, Design e Artes Visuais. Para se inscrever, o candidato deve preencher o formulário eletrônico no site da faculdade.
O processo seletivo é composto por duas provas realizadas no mesmo dia, sendo uma de redação e uma de expressão e criatividade. O tempo de realização das provas é de 3 horas, das 14h às 17h, e os resultados serão divulgados nos dias 11 e 30 de junho e 9 e 30 de julho. Os testes serão realizados na unidade do IED São Paulo, que fica na Rua Maranhão, 617, Higienópolis, na capital.
Os candidatos que fizerem a inscrição via internet e agendarem uma entrevista no Departamento de Informação e Orientação estarão isentos do pagamento da taxa de R$ 50,00.
Decisão vale a partir de 2011. Utilização das notas do exame serão feitas com sobra de vagas do vestibular e do PAS
A Universidade de Brasília (UnB) decidiu utilizar, pela primeira vez, as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em seus processos seletivos. A decisão foi tomada nesta quinta-feira em reunião do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe) da instituição. A partir de 2011, as vagas que não forem preenchidas após todas as chamadas tradicionalmente feitas pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) e pelo vestibular serão ocupadas por candidatos que apresentarem bons resultados no Enem.
Segundo o Decanato de Ensino de Graduação, cerca de 1% das vagas oferecidas todos os semestres deixam de ser preenchidas pelas chamadas convencionais. A maior parte delas em cursos que exigem provas de habilidades específicas, como música e artes. A opção por uma utilização "cautelosa" dos resultados do Enem é fruto de inúmeras polêmicas e discussões dentro da universidade. Para os conselheiros que participaram das discussões - grupo formado por estudantes e professores - o novo formato da avaliação precisa se consolidar para ser melhor aproveitado pela UnB.
Ao todo, 115 vagas sobraram no primeiro vestibular de 2010 da UnB. O número corresponde a cerca de 3% do total ofertado. Entre os cursos que tiveram vagas ociosas estão Artes Cênicas, Física, Letras e Ciências Naturais. A decana de graduação, Márcia Abrahão, explica que os candidatos do Enem que optarem por cursos com provas de habilidade específica poderão fazer os testes depois do resultado da avaliação escrita, a partir de 2011.
Reitoria propõe ao Conselho de Vestibular que 50% das vagas da universidade sejam oferecidas pelo sistema. Decisão sai em agosto
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou nesta quinta-feira as regras de seu vestibular 2011 e sinaliza em seu edital que este ano pode haver uma novidade em seu processo de ingresso. Para começar, todos os candidatos interessados em uma vaga na universidade deverão apresentar um número de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Além disso, no edital, a reitoria propõe ao Conselho de Vestibular que a UFRJ passe a oferecer 50% das vagas de cada curso no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), o qual concentra a oferta de oportunidades em diversas universidades federais de todo o País aos candidatos que fizeram a prova do Enem.
A UFRJ avisa no edital publicado nesta quinta que a decisão será tomada pelo conselho apenas no mês de agosto e que, em 1º de setembro, será publicado um edital complementar para o vestibular - que pode ou não conter esta mudança.
Até o ano passado, a UFRJ utilizava a prova do Enem como 50% da nota de seu processo seletivo, mas não disponibilizou vaga alguma no SiSU.
Ministro visita área afetada e promete enviar técnicos para avaliar a situação dos estabelecimentos
O Ministério da Educação (MEC) irá ajudar na reconstrução das escolas e creches que foram destruídas pelas chuvas em Pernambuco e Alagoas. O ministro da Educação, Fernando Haddad, visitou nesta quinta-feira, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas das cidades afetadas. Na próxima semana, uma missão formada por técnicos em educação infantil e ensino fundamental vai aos estados avaliar a situação.
Ontem, os secretários de Educação dos dois estados se reuniram com o secretário-executivo do MEC, Paulo Henrique Paim, para discutir as ações. Inicialmente, estão previstos R$ 51 milhões apenas para a reconstrução das unidades estaduais, mas esse valor deve aumentar quando houver um diagnóstico da situação das escolas municipais.
Uma equipe do MEC está reunida estudando qual é a forma mais adequada ? do ponto de vista jurídico e administrativo - para liberação desse dinheiro. As chuvas e enchentes já afetaram 59 municípios em Pernambuco, com 16 mortos, e 28 em Alagoas, com 29 mortos e mais de 600 desaparecidos.
Universidade de Brasília decide reintegrar estudante vetado pelo vice-reitor José Carlos de Almeida Azevedo, em 1972
Depois de 40 anos, Iraê Sassi voltará a ser calouro. A Câmara de Ensino e Graduação da Universidade de Brasília aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira, a reintegração dele ao curso de letras/tradução. A decisão devolve ao paulistano de 59 anos o direito de estudar na UnB, que havia sido confiscado pela ditadura militar (1964-1985). "Estou muito feliz, luto por isso há anos", desabafou Iraê à Agência UnB, ao receber a notícia sobre sua readmissão.
Iraê foi aprovado no vestibular para engenharia mecânica em 1970, mas não conseguiu efetivar sua matrícula. "Participei do movimento secundarista, fiquei com o nome marcado", diz. O rapaz de 19 anos então pediu à reitoria que reconsiderasse a decisão, garantindo que se subordinaria às normas da universidade. Mas, em despacho, o vice-reitor è época, José Carlos de Almeida Azevedo, capitão de mar e guerra da Marinha, indeferiu o pedido. "Ele me considerava uma ameaça à ordem". Iraê recorreu à Justiça para tentar frequentar a UnB.
A batalha judicial entre o aluno e os advogados da reitoria só terminou no final do ano seguinte no Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua argumentação, o então reitor, Caio Benjamin Dias, afirmou que a universidade não poderia "acolher em seu seio, numa posição cômoda, porém masoquista (...) estudantes hostis à ordem, à disciplina e à própria comunidade universitária."
Em 25 de novembro de 1971, o ministro do Tribunal Federal de Recursos (TFR), Armando Rollemberg, decidiu em favor do estudante. Iraê Sassi foi registrado com o número de matrícula 70/05695. Ainda assim, não terminou o curso. "Lembro que cursei as disciplinas de cálculo, mas logo a repressão aumentou e tive que sumir de circulação", conta o ex-militante do Partido Operário Revolucionário Trotskista Pousadista. Iraê não participou da luta armada, mas estava envolvido com atividades políticas de esquerda. Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo para tocar o jornal Frente Operária e começou a viver na clandestinidade.
Integração
Enquanto Iraê Sassi se escondia do regime, o retiraram do quadro de estudantes da UnB. Em agosto de 1974, ele foi jubilado por rendimento insuficiente. No histórico escolar que subsidiou o desligamento consta que ele vinha frequentando as aulas desde 1970 e que estava matriculado em apenas uma disciplina: "ciências humanas".
"O aluno só conseguiu cursar a UnB em 72, depois da decisão do STF. E, além disso, não há registros de uma disciplina chamada ciências humanas", aponta Elaine Maria de Oliveira Alves, professora da medicina, a quem coube relatar o processo na Câmara de Ensino e Graduação. As duas informações, mais a documentação do processo judicial, serviram como evidência de que a direção da universidade à época queria afastá-lo do campus. A professora Elaine Maria conta que o trabalho da Secretaria de Administração Acadêmica (SAA) foi fundamental para que ela apresentasse parecer favorável a Iraê. "Eles recuperaram documentos que reconstituíram a trajetória de perseguição sofrida pelo aluno".
A reintegração de Iraê Sassi foi aprovada por unanimidade pelos 15 integrantes que estiveram presentes à sessão da Câmara de Ensino e Graduação. "Fizemos justiça a ele", comemora a relatora Elaine Maria de Oliveira Alves. Em setembro, quando começa o próximo semestre, o calouro de 59 anos, casado, pai de três filhos adolescentes, retomará sua caminhada em busca de um diploma de ensino superior. Vai cursar letras/tradução com habilitação em inglês.
Foram chamados 2.851 candidatos. Provas serão aplicadas nos dias 4 e 5 de julho
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou nesta quinta-feira a lista de aprovados na primeira fase do vestibular de meio de ano. Foram convocados 2.851 candidatos para as provas da segunda fase. Eles concorrem a 550 vagas em 13 cursos.
As provas da segunda fase serão aplicadas nos dias 4 e 5 de julho. O teste do primeiro dia será composto por 12 questões de ciências humanas (história, geografia e filosofia) e 12 de ciências da natureza e matemática (biologia, física, química e matemática). No segundo dia, os candidatos fazem a prova de linguagens e códigos (língua portuguesa, língua inglesa, literatura, arte e educação física), também composta por 12 questões, além de uma redação.
Todas as questões das provas e a redação serão dissertativas. A duração dos exames é de quatro horas e meia e eles serão aplicados em Bauru, Campinas, Dracena, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Jaboticabal, Ourinhos, Registro, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba.
Para composição da nota final, cada questão da segunda fase valerá dois pontos, no máximo, e a redação será avaliada na escala de zero a 28 pontos. A nota final será a média da pontuação das duas fases.
Profissionais do ensino fundamental e médio ficam atrás apenas dos bombeiros e carteiros na confiança nacional
Pesquisa internacional, realizada em 19 países, incluindo o Brasil, mostra que os professores de ensino fundamental e médio estão entre os profissionais que têm maior credibilidade junto à população. Segundo o estudo da empresa alemã GfK, 87% dos brasileiros confiam nos docentes, que ficaram em terceiro lugar numa lista de 18 profissões e organizações, atrás apenas dos bombeiros (98%) e carteiros (92%).
Em comparação com o ano passado, os professores subiram uma posição no ranking de confiabilidade, empatando com os médicos. Pelo segundo ano consecutivo, o último lugar foi ocupado pelos políticos, que têm a confiança de apenas 11% da população ? no ano passado eles tinham 16% de credibilidade.
A pesquisa foi realizada no Brasil, 15 países da Europa, EUA, Colômbia e Índia com 18.800 pessoas - sendo mil brasileiros - com idades acima de 18 anos, entre os dias 1º e 29 de março de 2010. No âmbito internacional, os professores ultrapassam os carteiros e ficam em segundo lugar no ranking, mas os políticos continuam na última posição.
Foi investigada ainda a confiança nos advogados, diretores de grandes empresas, executivos de bancos, exército, funcionalismo público, instituições de caridade, instituições religiosas, jornalistas, juízes, organizações de proteção ao meio ambiente, pesquisadores de mercado, policiais, políticos, profissionais de marketing, publicitário e sindicatos.
24/06/2010 12:38 PM
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