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McChrystal passa de bem-visto a general encrenqueiro

BBC Brasil

General foi dispensado por Obama após comentários polêmicos em artigo da revista "Rolling Stone"

Foto: © AP

O general Stanley McChrystal ocupava o comando das forças dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão desde maio de 2009. Ele perdeu o cargo após ter criticado o embaixador americano em Kabul, Karl Eikenberry, e transformado em alvo de piadas o enviado especial americano ao Paquistão e Afeganistão, Richard Holbrooke.

Nem o próprio Obama teria escapado de suas críticas, segundo relato de um de seus assessores. Com a demissão, o militar pediu desculpas pelos comentários. "Foi um erro que reflete mau julgamento, que nunca poderia ter ocorrido", afirmou.

McChrystal havia sido escolhido para o cargo pelo secretário de defesa, Robert Gates, por "trazer um novo olhar ao problema afegão". Era também bem-visto pela imprensa americana por sua luta contra rebeldes do Talebã.

Ele cultivava a imagem de soldado espartano, com sua rotina diária de quatro horas de sono, onze quilômetros de corrida e apenas uma refeição.

Conflitos

Politicamente, porém, sua situação não era simples. Por duas vezes, viu-se em maus lençóis com Obama. No ano passado, o presidente o repreendeu por defender abertamente o envio de mais tropas ao Afeganistão.

McChrystal havia afirmado à Casa Branca que sua missão no país poderia fracassar em 12 meses sem o reforço de novos soldados e maior treinamento para as forças afegãs. Também não poupou críticas ao governo afegão.

No segundo - e derradeiro - episódio, o general foi chamado de volta a Washington, no começo de junho, depois de suas críticas à administração Obama na entrevista à revista Rolling Stone. Segundo a publicação, na ocasião, seus auxiliares fizeram piadas com o vice-presidente Joe Biden e o assessor de segurança da Casa Branca, James Jones.

A revista também sugeriu que o general teria afirmado que ficou decepcionado com o comportamento do próprio Obama em um dos seus primeiros encontros. "Foi uma sessão de foto de dez minutos", disse um assessor não identificado. "Obama não sabia nada sobre ele."

Após as críticas, o jornal The Washington Post afirmou que as declarações levantavam "novas questões sobre sua capacidade de julgamento e estilo de liderança do general".

Decepção

Quando apontado para o cargo, general McChrystal parecia representar o futuro do planejamento militar vislumbrado por Obama e Gates. A nova estratégia previa combates menos convencionais e mais assimétricos.

Logo de início, McChrystal deixou claro às suas forças que era preciso abandonar a visão de que lutavam contra o Talebã e seus aliados. Em vez disso, deveriam concentrar a atuação na proteção a civis afegãos.

Na prática, essa mudança de foco significava o fim dos ataques aéreos indiscriminados, responsáveis por muitas mortes de civis. Em contrapartida, era preciso aumentar o número de soldados para formação de mais patrulhas.

Depois de longas e complicadas negociações com Obama, o general conseguiu sinal verde parar levar mais 30 mil soldados ao país, ainda que sob a promessa de reduzir o tamanho da tropa a partir de junho de 2008.

Carreira

Nascido em 1954 em uma família militar, McChrystal graduou-se na academia militar de West Point em 1976. Nas três décadas seguinte, progrediu na carreira com posições de comando em operações convencionais e especiais, inclusive na Guerra do Golfo.

Em setembro de 2003, ele ingressou nas Operações Especiais Unidas (JSOC, em inglês), responsáveis pelo planejamento e execuções de operações sigilosas a cargo de forças especiais militares no exterior.

Pouco é divulgado sobre sua passagem pelas JSOC. Sabe-se, porém, que, sob seu comando, as JSOC capturaram o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e mataram o líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.

O general é também conhecido por ter se aproximado de outras organizações militares e de inteligência, como a CIA, da qual as JSOC tradicionalmente mantinham distância.

Em 2007, a reputação do militar sofreu alguns arranhões depois de o Pentágono revelar que um soldado, condecorado graças à recomendação de McCrhystal, havia matado acidentalmente um jogador de futebol no Afeganistão.

23/06/2010 08:44 PM

Por guerra ou paz, não há saída fácil do Afeganistão

The New York Times

Negociação real pela paz ainda não acontece no país onde uma guerra parece impossível de ser vencida

Foto: AP

"Não há como matarmos para abrir caminho para nossa saída do Afeganistão", afirmou o comandante norte-americano General Stanley A. McChrystal. Agora isso já se tornou um mantra.

"Uma coisa que todos nós temos escutado, e iremos ouvir especialmente entre agora e o próximo ano, é que não há solução militar para este conflito", disse Staffan de Mistura, o novo representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Afeganistão. "O Taleban não vai ganhar a guerra, mas por outro lado, os americanos também não".

Assim, todos falam sobre a paz, mas até agora ninguém está realmente falando de paz. Os obstáculos para isso são profundos e de muitas maneiras tão assustadores como a perspectiva de uma solução militar.

Externamente, parece haver movimento na frente da paz. O governo realizou o que chamou de uma jirga, ou conselho, de paz de três dias no início de junho e recomendou a formação de um alto conselho de paz como uma instância para negociação, retirando a liderança do Taleban de uma lista negra das Nações Unidas e libertando os insurgentes detidos sem julgamento. Agindo com rapidez incomum, uma delegação do Conselho de Segurança começou a rever a lista negra, e o Taleban respondeu com algumas conversas preliminares.

A jirga de paz, no entanto, não chegou a ser uma negociação para paz. Os insurgentes não foram convidados e muitos afegãos se queixaram que o presidente Hamid Karzai a lotou com seus próprios partidários. Remover o Taleban da lista negra e libertar os detidos são medidas comparativamente mais fáceis, que foram discutidas há um ano ou mais. O Taleban ressaltou isso em sua denúncia oficial da jirga, que foi acompanhada por um ataque com foguetes.

No entanto, mesmo essas medidas não serão realmente fáceis. Foram precisos meses de negociações antes que o Conselho de Segurança concordasse em retirar os nomes de 142 militantes Taleban da lista negra - qualquer um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança pode vetar esta medida, a Rússia e a China já ameaçaram fazê-lo. Os Estados Unidos não devem apoiar a eliminação de todos os principais nomes, especialmente quando confrontados por uma insurgência cada vez maior.

Opositores políticos do presidente Karzai também são susceptíveis de se opor fortemente a qualquer libertação de prisioneiros, como aqueles no próprio governo de Karzai, temendo que muitos dos libertados voltarão ao combate. Essa foi a posição de seu chefe de inteligência e ministro do Interior, que foram forçados a pedir demissão após a jirga - aparentemente por causa da falha de segurança que permitiu o ataque com foguetes, mas também porque, muitos acreditam, eles também se opuseram à libertação indiscriminada de presos.

Mesmo que estes obstáculos sejam superados, outros maiores se aproximam. Ambos os lados têm exigências que tornam as negociações aparentemente impossíveis. A posição oficial do Taleban é que todas as forças estrangeiras devem deixar o país antes que qualquer negociação possa começar, e deve haver abertura para a possibilidade de alterações constitucionais. O governo insiste que o Taleban Afegão deve primeiro renunciar a qualquer ligação com a Al Qaeda e concordar em aceitar a constituição. (Por "constituição" entende-se os direitos das mulheres - um anátema para o Taleban e um pré-requisito para os adeptos ocidentais do Afeganistão).

Adiante, há preocupações reais sobre quem vai representar o Taleban e quão influenciado o grupo será pelo Paquistão. A liderança política do Taleban Afegão é a sua face mais envelhecida, moderado e nacionalista. Não inclui muitos jovens comandantes militares, que muitas vezes parecem funcionar independentemente da liderança do Quetta Shura, batizado em homenagem à cidade paquistanesa onde se refugiam.

Por sua vez, não está claro quão independente é a liderança. Quando o Paquistão prendeu Mullah Baradur, o segundo na hierarquia de comando do Taleban, no início deste ano, o país removeu um importante canal para a retomada das negociações que supostamente aconteciam diretamente com o presidente Karzai. Seria justo questionar se o Paquistão realmente deseja a paz no Afeganistão.

Nenhum destes obstáculos são necessariamente intransponíveis, como pode ser visto pelo fato de que tanto o presidente afegão e as Nações Unidas têm engajado em negociações secretas com o Taleban.

A grande questão é saber se os problemas podem ser superados antes do prazo dado pelo presidente Obama para início da retirada das tropas de combate americanas do país em julho de 2011. Esse prazo será discutido na revisão formal do progresso militar em dezembro.

Até lá, segundo os planos, uma nova onda de tropas terá livrado o sul do Afeganistão do controle Taleban, tornando o grupo mais receptivo à negociação da paz. Marja, a primeira área a ser subjugada sob este plano, foi descrita pelo general McChrystal como uma "úlcera hemorrágica" - uma segunda fase, a tomada de Kandahar, pode não ser concluída até o inverno.

Autoridades militares enfatizam a natureza fungível do prazo do presidente Obama. Em uma reunião realizada no dia 11 de maio entre militares dos Estados Unidos e Afeganistão, o secretário de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell, disse que todos concordaram que "julho de 2011 será o início de um processo baseado em condições".

"Mas mesmo conforme o processo evolua", ele disse, "vamos desfrutar de uma parceria robusta entre militares no futuro".

Essa promessa pode muito bem entrar em conflito com as duras realidades da política, uma vez que a temporada de campanha presidencial americana começará pouco depois. Karzai, por exemplo, não parece convencido de que os americanos vão permanecer no curso.

O prazo de julho 2011 destina-se, entre outras coisas, a forçar Karzai a resolver problemas urgentes, como a corrupção e a ineficácia governamental, que as pesquisas mostram que são os principais motivos que levaram os afegãos a apoiar a insurgência. Mas o prazo pode ter o efeito contrário e convencer o presidente Karzai de que em um ano ele estará sozinho.

O Taleban, por sua vez, pode acreditar que só precisa esperar a inevitável partida da coalizão. "Eles lêem os jornais", disse um oficial da Otan em Kandahar. "Eles ouvem os discursos do presidente Obama, eles sabem qual é o calendário para os Estados Unidos e a coalizão".

A única coisa certa sobre as perspectivas para a paz é que, após 31 anos de guerra quase contínua, quase todos os afegãos são a favor dela. Isso dá ao menos alguma esperança de que os protagonistas do país poderão transcender seus problemas e encontrar uma solução política. Esperar que façam isso até julho de 2011, no entanto, pode vir a ser outro exemplo de confundir uma esperança com uma política.

Por Rod Nordland

23/06/2010 08:19 PM

Novas leis ajudam trabalhadores da China, mas tumulto continua

The New York Times

Políticas do governo incentivam chineses a defender direitos e exigir salários mais altos

Foto: © AP

Em uma manhã quente no final de maio, quando cerca de 2 mil trabalhadores de uma fábrica de peças da Honda faziam greve no sul da China, 100 trabalhadores contrariados em um hotel no centro da capital encenavam seu próprio protesto.

Os trabalhadores da Honda conseguiram muita publicidade. Os funcionários do hotel foram quase completamente ignorados. Mas a ideia era a mesma: os conflitos trabalhistas estão se tornando uma característica comum da paisagem econômica chinesa.

Trabalhadores chineses estão muito mais dispostos atualmente a defender seus direitos e exigir salários mais altos, incentivados por políticas recentes do governo central que visa protegê-los e diminuir a desigualdade salarial.

Os líderes chineses temem qualquer ideia de solidariedade no ativismo trabalhista, mas eles agiram para capacitar os trabalhadores ao aprovar leis trabalhistas que revelam que as autoridades centrais não irão mais tolerar condições de trabalho ruins, afirmaram juristas e especialistas em trabalho.

As leis, promulgadas em 2008, buscavam canalizar as frustrações dos trabalhadores através de um sistema de arbitragem e tribunais para que qualquer mobilização mais ampla não ameaçasse a estabilidade política.

Mas se as recentes greves e um aumento nos processos judiciais refletem uma maior consciência entre os trabalhadores, enraizada em parte no conhecimento de seus direitos legais, elas também ressaltam os novos desafios na China.

As leis trabalhistas aumentaram as expectativas, mas ainda deixam os trabalhadores relativamente impotentes pelos padrões ocidentais.

O sistema judicial coordenado pelo Partido Comunista não consegue lidar com o imenso volume de conflitos trabalhistas. E a aplicação da lei pelas autoridades locais foi enfraquecida quando a crise econômica global atingiu a China e resultou no fechamento de fábricas.

Se a aguardada reavaliação do renminbi, a moeda chinesa, tornar as exportações menos competitivas, as autoridades locais e empresas continentais podem conspirar para ignorar as leis e garantir que os custos salariais permaneçam baixos.

"Não basta apenas confiar em leis", disse Liu Kaiming, chefe do Instituto de Observação Contemporânea, uma organização de defesa de direitos trabalhistas em Shenzhen. "As leis só oferecem o mínimo necessário".

As deficiências incluem o fato de que os trabalhadores chineses ainda não têm o direito de formar sindicatos independentes daquele controlado pelo governo.

A Lei do Contrato de Trabalho promulgada em janeiro de 2008 tenta garantir contratos para todos os empregados de tempo integral, mas é vaga em muitos detalhes. Outra lei promulgada em maio de 2008 ajudou a agilizar o sistema de arbitragem e de processos, mas os tribunais e comissões, que são compostas por funcionários do governo, foram sobrecarregados por uma avalanche de casos.

Entretanto, devido à falta de fiscalização, as empresas evitam outras leis trabalhistas evitando os requisitos de salário mínimo e pagamento de horas extras.

O salto na consciência do trabalhador é melhor refletido no crescente número de disputas trabalhistas que passaram a arbitragem ou aos tribunais.

Em 2008, o ano em que o fechamento de fábricas cresceu, quase 700 mil disputas passaram a arbitragem, quase o dobro do número registrado em 2007, segundo o Ministério de Recursos Humanos e Previdência Social.

No ano passado os números foram aproximadamente os mesmos que aqueles de 2008.

Se a arbitragem não for satisfatória, os trabalhadores chineses ou empregadores podem recorrer aos tribunais civis. Em 2008, o número de casos de trabalho nos tribunais foi 280.000, um aumento de 94% em relação ao ano anterior, de acordo com o Supremo Tribunal Popular. No primeiro semestre de 2009, houve 170.000 casos.

Na Gloria Plaza Hotel, em Pequim, os trabalhadores levaram sua insatisfação com a administração para as ruas no dia 27 de maio. A empresa dona do hotel planeja derrubá-lo e despedir os trabalhadores.

Embora a empresa tenha dito que os trabalhadores receberiam a indenização mínima exigida por lei, os funcionários reclamam que o valor é muito baixo.

"Eles são uma empresa estatal, eles têm o dinheiro, mas eles não se importam nem um pouco com a gente", disse uma mulher que não quis ser identificado por medo de retaliação.

Por Edward Wong

23/06/2010 07:51 PM

CNN contrata ex-governador envolvido em escândalo sexual

EFE

Eliot Spitzer renunciou ao governo de Nova York após ser revaldo seu envolvimento com rede de prostituição de luxo

Foto: Getty Images

A emissora americana CNN anunciou nesta quarta-feira a contratação do ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, que deixou o cargo em 2008 após a descoberta de seu envolvimento com uma rede de prostituição de luxo. Spitzer vai apresentar uma mesa-redonda em horário nobre ao lado da jornalista Kathleen Parker.

O programa do democrata Spitzer, que foi procurador do Estado de Nova York e depois eleito governador, irá ao ar de segunda-feira a sexta-feira. Ele e Katherine, vencedora de um prêmio Pulitzer de jornalismo e conhecida colunista conservadora, "comentarão com seus convidados as histórias mais importantes, irresistíveis e divertidas do dia", diz um comunicado da CNN.

Segundo o canal, o programa - que ainda não tem nome - será "uma dinâmica troca de opiniões e análise" e oferecerá aos espectadores as notícias do dia por meio de "duas das figuras mais inteligentes e francas do país, que não têm interesses particulares e que lutam por causas importantes".

"Tenho muita vontade de trabalhar junto com Kathleen em um programa que vai informar, questionar e entreter. Agradeço a CNN pela oportunidade que me dá para apresentar um programa que estará a favor da definição dos assuntos de nosso tempo", declara Spitzer no mesmo comunicado.

O ex-governador, que nos últimos meses apareceu em diversos programas de televisão e atuou como colunista econômico em algumas publicações, também elogiou o "extraordinário intelecto e as agudas observações" de sua nova companheira de trabalho.

Spitzer renunciou ao governo de Nova York em março de 2008 e encerrou sua carreira política, construída em cima da perseguição à corrupção e a irregularidades financeiras, após investigação da receita federal americana que revelou seu envolvimento com a rede de prostituição.

23/06/2010 07:20 PM

Gaza aguarda flexibilização do bloqueio israelense com cautela

The New York Times

População de enclave palestino espera para ver na prática o fim do embargo imposto por Israel

Foto: © AP

A praia estava repleta de crianças e seus pais, e parecia que toda a vizinhança tinha saído para chutar uma bola, empinar pipas ou simplesmente sentar na areia, observando o pôr-do-sol sobre o mar Mediterrâneo.

Assim, Muhammad Ali decidiu que esse era o momento perfeito para abrir um negócio próprio e tentar vender milho na praia.

Desde que o bloqueio israelense à Faixa de Gaza começou há três anos ele não foi capaz de encontrar um trabalho estável, contou. Então, na segunda-feira ele empilhou espigas de milho recém-colhidas na parte traseira de uma carroça, pegou uma panela de metal e com seu filho de oito anos de idade, Mahmoud, seguiu para a praia.

Questionado se estava mais esperançoso depois que Israel anunciou no domingo que iria aliviar o bloqueio, Ali deu de ombros e sorriu. "Estamos esperando para ver se acontece", disse.

Essa foi a resposta obtida em comunidades ao longo da região sul e central da Faixa de Gaza na segunda-feira, um dia depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que Israel iria expandir significativamente o fluxo de mercadorias por via terrestre à Gaza, um pobre enclave costeiro palestino.

Depois de anos e anos de crise, ocupação, conflito interno palestino, a guerra com Israel e um bloqueio de três anos, as pessoas aqui expressaram satisfação a respeito de sua própria sabedoria e cansaço a respeito de tudo isso.

As prateleiras estavam cheias na segunda-feira em Rafah, Deir Al Balah e Cidade de Gaza, as lojas abastecidas com todos os tipos de suprimentos, fogões, geladeiras, ventiladores, geradores - a maioria contrabandeada através dos túneis escavados sob a fronteira com o Egito.

Se o bloqueio for flexibilizado, muitas pessoas disseram, e se mais mercadorias atravessarem a fronteira, sua vida ficará melhor, mas principalmente nas margens.

Já há pequenos sinais de que as coisas estão mudando.

Hommus, repolho e salada de beterraba foram importados pela fronteira e apareceram em mercearias locais. Frutas em conserva só recentemente começaram a chegar.

"Sim, sim, vai ser melhor, as mercadorias serão limpas, não como aquelas dos túneis", disse Muhammad Al Aidi, balconista de uma pequena loja de alimentos em Rafah, enquanto segurava uma lata de Coca-Cola Zero coberta de areia.

Toda lata de refrigerante e suco na sua loja estava coberta de areia.

Mas as pessoas não estão esperando pelas latas sem areia. O que elas querem, o que elas precisam e o que elas não sabem se irão receber de Israel caem em três categorias: materiais de construção para reconstruir casas destruídas durante a guerra causada pela invasão de Israel no final de 2008, em retaliação a disparos de foguetes do Hamas; liberdade de movimentação e a criação de empregos fora da Faixa de Gaza; e amplo acesso à matéria-prima, que permitiria a retomada da fabricação local e, com ela, empregos.

Por Michael Slackman

23/06/2010 04:44 PM

Legistas encontram 72 restos mortais entre escombros do WTC

EF

Desde a queda do World Trade Center, em Nova York, 1.626 vítimas foram identificadas

Foto: Getty Images

Quase nove anos depois dos ataques terroristas do dia 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center de Nova York, as autoridades da cidade encontraram 72 restos mortais entre os escombros deixados pelas Torres Gêmeas.

As tarefas de recuperação realizadas pelo Instituto Legista de Nova York no bairro de Staten Island, onde foram armazenados alguns dos escombros, serviram para localizar este novo número de restos que, com os encontrados desde 2006, chegam aos 1.845.

Graças ao tamanho e à boa conservação de alguns dos restos, como detalha a rede de televisão "ABC", vai ser possível realizar testes de DNA que possam identificar a quem correspondem e aumentar assim o número de vítimas identificadas do ataque terrorista da Al Qaeda.

Os restos foram encontrados nos quase 700 metros cúbicos de escombros da "zona zero" que a cidade guarda em Staten Island, como parte de uma operação que terminou na sexta-feira e na qual, segundo a "ABC", foram recuperados um bom número de ossos.

Nas tarefas de busca, os trabalhadores do Instituto Legista de Nova York passaram os escombros por diversas triagens nas quais as distintas peças foram classificadas por tamanho para facilitar a distinção dos restos humanos.

Até janeiro de 2010 e desde que aconteceu o atentado, o Instituto tinha recuperado um total de 21.744 restos humanos dos escombros, dos quais foi capaz de identificar 12.768. Desde o 11 de Setembro foram identificadas 1.626 vítimas dos atentados, o que supõe 59% do total de 2.752 que se estima que morreram nos ataques terroristas só no World Trade Center.

23/06/2010 04:02 PM

Diamantes do Zimbábue podem impulsionar líder autoritário

The New York Times

Críticos de Mugabe temem que nova campo de mineração seja usado para impedir tentativa de levar o país à democracia

Foto: The New York Times

Um novo campo de mineração no Zimbábue rapidamente rendeu milhões de quilates de diamantes e pode ajudar a catapultar o país a uma posição entre os maiores produtores mundiais do item, de acordo com o chefe de um grupo de especialistas de um esforço apoiado pela ONU para interromper o comércio de diamantes de conflito.

Mas a nova riqueza gerou temores de que será utilizada para subverter as tentativas de levar a democracia a um país que tem sofrido durante muito tempo sob um regime autoritário. "Este é um depósito de classe mundial, não há dúvida sobre isso", disse o especialista, Mark Van Bockstael.

Ele descreveu a concentração de diamantes nos campos Marange, no Zimbábue oriental, como entre as mais altas do mundo: "O depósito é uma aberração da natureza".

O acúmulo constante de pedras já encorajou o presidente Robert Mugabe, 86, a consolidar o controle sobre os campos Marange e prolongar sua permanência no poder, que já dura 30 anos, segundo integrantes de seu círculo íntimo.

Embora Mugabe agora governe oficialmente sob um tênue acordo de compartilhamento do poder com seus rivais de longa data, os campos de diamantes são vigiados por um exército que responde apenas a ele e são supervisionados por um ministério dirigido por seu partido, o ZANU-PF, dando a ele e seus aliados controle total sobre um benefício econômico desesperadamente necessário.

"Esta é a salvação do ZANU-PF", disse um dos confidentes mais próximos de Mugabe, sob condição de anonimato uma vez que suas conversas com o presidente deveriam ser confidenciais.

Os diamantes estão sendo vendidos no mercado negro para se obter ganhos partidários e pessoais, ele disse, com alguns líderes do partido lucrando com isso e outros não: "O saque foi intensificado nos últimos seis meses".

Se o Zimbábue será capaz de vender os diamantes Marange nos mercados internacionais como pedras controladas que não financiam conflitos é algo que será testado esta semana.

Em uma reunião que começou segunda-feira em Tel Aviv, o Processo Kimberley - um esforço por parte de governos, empresas do setor de diamantes e grupos de defesa que busca acabar com o comércio ilegal de diamantes que tem alimentado as guerras em Angola, Serra Leoa e Congo - irá analisar se os diamantes de Marange devem ser habilitados para exportação.

Mais de 70 países se comprometeram a não comprar diamantes de nações que não cumprem as normas do esforço.

Investigadores tanto para o Processo Kimberley quanto para grupos de direitos humanos relataram evidências de que os militares usaram extrema violência em sua operação de 2008 para aprender os campos Marange, utilizando cães, armas AK-47 e até metralhadoras de helicópteros para atacar os mineiros que faziam parte de uma corrida do diamante .

Em seguida, os oficiais criaram seus próprios sindicatos de contrabando, disse o grupo.

Por Celia W. Dugger

23/06/2010 03:48 PM

Controle de militantes impõe silêncio em zona de risco do Iraque

The New York Times

Militares tentam convencer moradores da cidade de Mosul, a mais violenta do país, a colaborarem com o exército iraquiano

O coronel Ismail Khalif Jasim, principal oficial de inteligência militar na província Niniveh, examinava os rostos pelos quais passava ao caminhar no bairro mais perigoso da cidade de Mosul, a mais violenta do Iraque, segundo a polícia. O lugar é tão arriscado que alguns de seus colegas se desculparam oferecendo inúmeros motivos pelos quais não seriam capazes de acompanhá-lo na incursão.

Um major admitiu estar simplesmente assustado demais. No entanto, ele foi forçado a ir ao bairro, conhecido como Amil, juntamente com outros 200 soldados e policiais. Forças de segurança iraquianas dizem controlar a região. Mas, na realidade Amil está no meio de outra onda de mortes, que acontece conforme os militares americanos trabalham para expulsar os militantes islâmicos da região antes da redução do número de suas tropas no Iraque de 90 mil para cerca de 50 mil até ao final de agosto.

A visita de Jasim tinha como objetivo persuadir grupos de moradores que se escondiam por trás de rostos sem expressão facial alguma a cooperar com o exército iraquiano - uma entidade quase universalmente odiada por causa da maneira rude como trata as pessoas da área. Mas, segundo ele sugeriu, as autoridades foram melhores do que os insurgentes escondidos na região.

"Eles não são apenas bandidos", disse o coronel, sugerindo que eles são muito mais perigosos e não têm nenhum do romance por vezes associado a criminosos. Os homens olhavam para ele impassíveis.

"Eles dizem que vocês têm que matar soldados e policiais", continuou. "Nós encontramos informação de que eles querem matar mais pessoas. Vocês querem que mais pessoas morram?"

Mas não teve sorte. Os homens não responderam. O coronel, com óculos escuros escondendo seus olhos, mas não o olhar de desprezo que curvou seus lábios, seguiu para o próximo grupo de homens.

Soldados caminhavam a seu lado, na frente e atrás. Veículos blindados da polícia e militares estavam estacionados em cada esquina do bairro, a sua entrada bloqueada ao trânsito. A rua havia sido fechada com arame farpado. Apenas algumas poucas pessoas se atreveram a sair de suas casas.

Amil é um reduto da Al-Qaeda na Mesopotâmia, um grupo formado principalmente por insurgentes sunitas, mas isso é algo que o bairro não quer discutir. Perguntas sobre o grupo obtêm apenas respostas nervosas e evasivas no enclave em grande parte sunita. Ninguém se atreve a mencionar o seu nome.

Durante as últimas semanas, as forças americanas começaram a tentar erradicar de forma agressiva os agentes da Al-Qaeda em Amil antes que a última das tropas de combate americanas deixe o país. Este mês, os militares americanos disseram em um comunicado que haviam detido um homem que cometeu "assassinatos contra policiais iraquianos, e que teria coordenado ataques com dispositivos explosivos improvisados" contra a polícia e o exército iraquianos. A identidade do homem não foi divulgada.

Quatro dias depois, tiros disparados num bairro adjacente mataram dois policiais iraquianos em patrulha. Nesse mesmo dia, na região central de Mosul, o vice-governador sobreviveu a uma explosão que destruiu seu carro blindado. No dia seguinte, uma bomba em um mercado público próximo a Amil matou duas pessoas e feriu 27.

Vários dias depois, as forças americanas anunciaram a prisão de outro membro do alto escalão da Al-Qaeda em Mosul, junto com vários outros homens.

A violência continua, no entanto, aparentemente inabalável. Carros bombas explodem todos os dias. Alguns são desarmados.

A patrulha de Jasim representava um problema específico para as pessoas de Amil: ser visto conversando com um soldado do exército iraquiano ou policial, alvos regulares da Al-Qaeda, significaria problemas. Conversar com um soldado americano, mesmo que seja apenas um cumprimento, poderia significar tortura e morte.

"Nós acreditamos que eles têm muitos defensores no bairro, por isso temos medo deles", Riyadh Majid Ahmed, 40, disse sobre um grupo de homens que em plena luz do dia executou um político em uma calçada recentemente. "É um ponto quente", disse ele, usando o termo que se tornou sinônimo de Amil.

Como muitos aqui, Ahmed diferencia entre os tipos de violência que acontecem.

"Existem algumas ações de terrorismo e algumas ações de jihad", disse. Ações de jihad são as que visam as forças americanas e seus aliados nas forças de segurança iraquianas. Ações de terrorismo são aquelas dirigidas ao moradores.

Questionado se ele se sentia seguro, Ahmed, pai de quatro filhos, não hesitou. "Estou com medo", disse.

Nesta manhã quente, Amil estava repleta de soldados e policiais. As pessoas olhavam pelas janelas e expressavam surpresa. Elas disseram que normalmente poucos membros das forças de segurança são vistos na cidade, fazendo com que os membros da Al-Qaeda possam vagar livremente, extorquindo comerciantes e intimidando moradores.

"Eu pergunto por que a polícia, que sabe que essa área é perigosa, não age sobre ela", disse um morador.

Mas Atheel Al-Nujaifi, o governador da província, disse que a questão é mais complicada.

"As forças de segurança estão alocadas em toda a Mosul, mas há áreas que nós qualificamos como inseguras, porque é fácil para a Al-Qaeda cometer ações e em seguida se esconder entre a população local", disse ele. "Um ponto quente não significa que não há qualquer exército ou polícia. O bairro está sob o controle da polícia federal".

Ele disse que a Al-Qaeda foi capaz de operar em Amil, porque "as pessoas ou são simpáticas [à causa] ou têm medo".

"Não há confiança entre as forças de segurança e as pessoas", disse um morador, Hazim Al-Mahmud Sahan, cujo filho foi morto recentemente em Amil, não muito longe de um posto de controle do Exército iraquiano.

Durante anos, porém, o desprezo foi direcionado principalmente contra os americanos. Mas em poucos meses eles vão embora, independentemente de lugares como Amil desenvolverem cenas de violência muito piores.

"Teremos problemas muito maiores, quando os americanos partirem", disse Didar Abdulla Al-Zibari, membro do conselho provinciano local. Ele fez uma pausa antes de dizer que a América "será responsabilizada" por partir.

Por Timothy Williams

23/06/2010 03:31 PM

Obama destitui general do comando das tropas no Afeganistão

iG São Paulo

Presidente diz que comandante dos EUA no Afeganistão cometeu "erro de julgamento" ao fazer declarações polêmicas a Rolling Stone

Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira a renúncia do general Stanley McChrystal do comando das tropas do país e da Otan no Afeganistão, após as críticas formuladas pelo militar contra altos cargos do governo. Obama nomeou o general David Petraeus para o lugar de McChrystal no comando das tropas americanas no Afeganistão, informou uma fonte oficial nesta quarta-feira.

"Aceitei a renúncia do general Stanley McChrystal. Faço-o com grande tristeza, mas sei que é o correto para a missão de nossas tropas, para o Afeganistão e para nosso país", declarou o presidente americano.

"Essa é uma mudança de comando, mas não é uma mudança de conduta", afirmou Obama ao anunciar a destituição de McChrystal. Segundo Obama, o general David Petraeus participou de todas as as negociações sobre a estratégia para o Afeganistão desde o começo de seu mandato.

Principal comandante dos EUA no Afeganistão, McChrystal fez críticas a Obama e outros integrantes do governo em uma reportagem publicada na revista "Rolling Stone". Obama disse que a saída de McChrystal é "a decisão certa para a segurança nacional". O presidente americano disse que aceita o debate sobre a guerra, mas "não vai tolerar divisões".

McChrystal, 55 anos, se formou na Academia militar americana em 1976. De 2003 a 2008 foi o chefe do Comando de Operações Especiais da guerra do Iraque. Em 2009, foi escolhido por Obama para comandar as operações da guerra do Afeganistão.

Críticas ao governo

Na reportagem da "Rolling Stone", McChrystal, comandante dos 142 mil soldados da coalizão no Afeganistão, ironiza abertamente o vice-presidente Joe Biden, conhecido por seu ceticismo ante a estratégia militar no país asiático.

No perfil, o autor Michael Hastings escreve que McChrystal e sua equipe imaginaram formas de subestimar Biden com uma única oração, enquanto se preparavam para um sessão de perguntas e respostas em abril em Paris. O general estava cheio de questões sobre Biden desde que previamente desconsiderou uma estratégia de contraterrorismo oferecida pelo vice americano. "'Você está perguntando sobre o vice-president Biden?' diz McChrystal com uma risada. 'Quem é ele?'"

McChrystal também diz se sentir "decepcionado" por uma reunião que manteve com Obama na qual não se entenderam e inclusive "traído" pelo embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, que se mostrou publicamente contra o envio adicional de 40 mil soldados ao Afeganistão solicitado pelo general no final do ano passado.

O general também fez comentários jocosos também sobre o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke. Além disso, um assessor não identificado de McChrystal comenta no artigo que o general ficou frustrado depois de se reunir com Obama há um ano. "Foi uma sessão fotográfica de 10 minutos", afirmou esse assesor. "Obama claramente não sabia nada sobre ele, quem era ele... Ele não parecia muito comprometido", acrescentou.

Desculpas

McChrystal pediu desculpas pelo artigo. Dois oficiais da Defesa disseram que o general também demitiu um assessor de imprensa por causa da matéria, que será publicada na edição de sexta-feira da "Rolling Stone".

"Ofereço minhas mais sinceras desculpas por esse perfil. Foi um erro que reflete equívocos de avaliação e nunca deveria ter acontecido", admitiu o general em comunicado divulgado à imprensa. "Ao longo da minha carreira, vivi sob os princípios da honra pessoal e da integridade profissional. O que se reflete nesse artigo está muito longe" dessas ideias, afirmou.

"Tenho um enorme respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, assim como pelos líderes civis e os soldados que lutam nessa guerra (afegã), e sigo comprometido em assegurar um resultado bem-sucedido", disse.

* Com EFE

23/06/2010 02:31 PM

Embalagens de heroína viram arte em Nova York

The New York Times

Exposição que será inaugurada nesta quarta-feira reúne pacotes da droga recolhidos pelos curadores em toda a cidade

Foto: The New York Times

As embalagens vazias podem ser encontradas em Manhattan, Brooklyn e em outros bairros de Nova York, espalhadas pelas ruas e calçadas exibindo apenas slogans obscuros ou imagens gráficas que sugerem sua função anterior. Elas continham heroína e os símbolos carimbados na parte externa foram criados para diferenciar diferentes purezas ou origens.

Para algumas pessoas elas são a prova de um crime. Os viciados podem vê-las principalmente como um veículo para saciar um desejo perigoso. Para um grupo de artistas que têm colecionado as embalagens, elas são artefatos culturais ao mesmo tempo inquietantes e atraentes.

Nesta quarta-feira será inaugurada na Galeria Box White a mostra "Heroin Stamp Project" (Projeto Carimbo Heroína, em tradução livre), organizada por sete membros do Coletivo Social Art. A exposição, que irá incluir 150 embalagens encontradas nas ruas de Nova York, assim como 12 impressões em formatos maiores feitas de imagens delas, busca analisar a combinação entre publicidade e dependência e provocar questionamentos sobre como a sociedade trata a dependência.

As origens da exposição remontam a 2001, quando Pedro Mateu-Gelabert, um sociólogo pesquisando a relação entre HIV e uso de drogas se deparou pela primeira vez com as embalagens em um prédio vazio no Brooklyn, onde viciados faziam uso livre da heroína. Ele ficou imediatamente impressionado com o fato de que as imagens nos envelopes serviam como uma espécie de publicidade, conta.

"Este é o marketing da heroína", disse ele em uma noite recente em uma esquina do bairro. "Mesmo algo tão proibido, tão demonizado, pode ter uma marca comercial".

Ele começou a recolher e colecionar as embalagens e há cerca de seis anos mostrou-as a sua amiga Liza Vadnai, que ficou mesmerizada com sua combinação de ameaça e beleza frágil. Formando um grupo de outros interessados na arte, eles continuaram a recolher as embalagens com o objetivo de organizar uma exposição.

Vadnai, que aconselhava usuários de drogas em São Francisco antes de se mudar para Nova York, queria equilibrar a apresentação das embalagens como objetos de arte com alguma conscientização da devastação causada pelo pó que antes continham.

"Eu sentia que a mensagem de saúde pública tinha de ser muito clara", ela disse, enquanto caminhava com Mateu-Gelabert ao longo de um trecho da Rua Troutman, onde os artistas regularmente procuram por sua matéria-prima. "Eu não sabia como exibir as embalagens sem que houvesse uma sensação de exploração".

Pouco mais de 1.800 embalagens sem carimbos - quantidade que um usuário pesado de heroína pode consumir em um ano - serão expostas em fileiras em uma parede, em um esforço para tornar a ideia do vício menos abstrata. As embalagens são vendidas por cerca de US$ 10, Vadnai disse, e contêm em média 30 miligramas de heroína.

Cartões contendo informações sobre os riscos do uso de drogas injetáveis também serão distribuídos na exposição.

Além disso, Vadnai, Mateu-Gelabert e seus colaboradores decidiram dar parte do lucro da exposição para o Centro de Redução de Danos do East Side, uma organização de consultoria e troca de seringas perto da galeria. Os membros do coletivo disseram que essa organização tem mais impacto do que os grupos que simplesmente pedem que os usuários abandonem a droga.

Usuários de heroína doaram algumas das embalagens da exposição. Membros do Coletivo Social Art encontraram outras perto de pontos de distribuição de drogas e nas áreas onde viciados se reúnem. Os artistas encontraram embalagens nas ruas de Bushwick e Mott Haven, no Bronx, e nas ruas mais valorizadas de Williamsburg, no Brooklyn. Eles pegaram as embalagens junto às moradias imponentes que cercam o Parque Gramercy, e dentro da Praça Tompkins, onde o comércio da heroína floresceu na década de 1980 e 1990 e ainda existe hoje.

Os selos que identificam a heroína dentro da embalagem recorrem a uma vasta gama de referências. Há nomes como White Fang (Canino Branco), Time Bomb (Bomba Relógio) e Monster Power (Monstro Poder), que é decorada com uma imagem do Anjo da Morte com uma foice. Há alusões à religião (Deadly Sin, ou Pecado Mortal, e Last Temptation, ou Última Tentação), crime (Notorious, ou Notório, e Outlaw, ou Fora-da-Lei) e jornalismo (Life, em letras maiúsculas brancas sobre um fundo vermelho em referência à revista, e Daily News, juntamente com o antigo logotipo usado pelo tablóide). Existe também um pacote carimbado com as palavras "Tango and Cash" (Tango e Dinheiro), nome ligado a uma marca de heroína com fentanil que causou 12 overdoses fatais em um fim de semana em 1991.

Várias marcas de heroína parecem residir no delicado equilíbrio de mortalidade que acompanha a sua utilização. Estas incluem Last Shot (Último Tiro), Game Over (Fim do Jogo), No Exit (Sem Saída) e No Pain (Sem Dor), que é ilustrada com um caixão e uma cruz.

"Muitos delas são metáforas", disse Vadnai. "Elas querem dizer que a heroína é tão forte, tão boa, que poderia matá-lo". Mateu-Gelabert concordou, dizendo que tais nomes e imagens "brincam com a ideia da tênue separação entre vida e morte".

Enquanto colecionavam as embalagens, os organizadores também realizavam uma forma de pesquisa etnográfica, falando com revendedores, usuários e corredores, que atuam como intermediários na venda da droga. Ashley Jordan, membro do coletivo, entrevistou um homem que projetou e fez carimbos de borracha que foram utilizados para colocar imagens nas embalagens.

Essas imagens podem não ter direitos autorais, mas os criadores ainda têm sentimentos de propriedade sobre elas. No início deste ano, disse Mateu-Gelabert, um negociante de heroína em Bushwick ficou perturbado ao ver que outro havia aparecido em seu território e copiado a sua marca, Too Strong (Forte Demais). O traficante começou a distribuir uma nova marca, chamada Shooters (Atiradores) - uma das que estão em exposição - com uma imagem de dois revólveres face a face.

"Na verdade se tratava de enviar uma mensagem ao outro traficante que chegou na vizinhança", Mateu-Gelabert afirmou. "Era para transmitir a mensagem de que se ele continuasse a brincar naquele território iria enfrentar as armas".

Por Colin Moynihan

23/06/2010 02:26 PM

Canadá prende homem com explosivos antes de reunião do G20

BBC Brasil

De acordo com a imprensa local, mais de 50 policiais foram envolvidos na operação

Um homem foi detido com explosivos nesta terça-feira em Toronto, no Canadá, em uma operação que a polícia diz ter relação com o encontro de cúpula do G20 marcado para esta semana na cidade canadense.

Em um comunicado, a polícia diz que Byron Sonne, de 37 anos, foi preso em uma casa distante alguns quilômetros do local da reunião do G20.

O encontro de cúpula das 20 maiores economias do mundo ocorre entre a sexta-feira e o sábado. "A investigação está acontecendo como parte dos esforços da polícia de Toronto para garantir um encontro do G20 seguro", disse o comunicado.

De acordo com a imprensa local, mais de 50 policiais foram envolvidos na operação. A polícia diz que executou uma ordem de prisão contra Sonne. Ele foi acusado ainda de intimidação, ameaças contra o sistema judicial e posse de armas perigosas.

A unidade da polícia canadense responsável pela segurança do encontro do G20 disse que "não há risco para a segurança pública", mas não deu mais detalhes sobre a operação.

23/06/2010 02:07 PM

Imagens da quarta-feira

iG São Paulo

Jogos da Copa, enchentes no Brasil e mais...

23/06/2010 12:09 PM
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