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Banco Mundial cobra avanço no debate climático

Reuters

Diretora da instituição afirma que financiamento para formas alternativas de energia será ampliado

As negociações climáticas globais previstas para novembro no México podem garantir progressos na forma como os países mais pobres lidam com o aquecimento global, mas o processo como um todo ainda precisa avançar mais, alertou uma diretora do Banco Mundial.

"Acho que precisamos é de algum sucesso. E alguns sucessos em algumas das coisas que estão maduras e algumas que são um pouco mais duras para que haja confiança de ambos os lados", disse a vice-presidente de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial, Kathy Sierra.

Ela se disse otimista, por exemplo, com a possibilidade de avanços a respeito de como ajudar financeiramente os países pobres a enfrentarem a mudança climática, com medidas como o financiamento de mais projetos de preservação florestal e desenvolvimento de combustíveis limpos.

"A maioria dos observadores sente que há margem para dar um par de saltos à frente", disse Sierra. "Pode não ser a negociação total de um tratado, mas há peças que as pessoas esperam juntar."

No fim do ano passado, as discussões terminaram de forma frustrante na reunião climática de Copenhague, onde não houve consenso sobre um novo tratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. As principais divergências são a respeito dos limites de emissões para os países ricos e a ajuda climática às nações pobres.

Para Sierra, o processo está voltando a ganhar impulso após o evento de Copenhague, do qual saiu apenas um compromisso para a liberação de 30 bilhões de dólares anuais até 2012 para ajudar os países pobres a enfrentarem a mudança climática.

"As coisas ficaram mais quietas depois de Copenhague ... houve uma grande pausa no sistema ... mas minha sensação pelos meus contatos agora é de que as pessoas se reagruparam e que, embora, sim, tenha havido um ambiente fiscal muito difícil (nos países desenvolvidos), isso não significa que devamos parar", acrescentou Sierra.

Confiança
Segundo ela, os países ricos estão focados em ganhar a confiança das nações em desenvolvimento por meio do cumprimento da promessa de 30 bilhões de dólares feita em Copenhague.

Elevar essa cifra até os já definidos 100 bilhões de dólares por ano até 2020, no entanto, será um grande desafio devido às restrições orçamentárias nos países avançados, acrescentou ela. "Se e como a soma maior de dinheiro será mobilizada neste ambiente é difícil (de saber)", afirmou.

Preparando-se para deixar o Banco Mundial após 32 anos de carreira, Sierra disse que os países em desenvolvimento estão cada vez mais empenhados em reduzir suas emissões de carbono, e recorrem ao organismo para financiar essa transição.

Em breve, segundo Sierra, o Banco Mundial deve nomear um especialista renomado para ajudar o banco a disponibilizar as melhores tecnologias de energia renovável ao mercado.

A executiva disse que o Banco Mundial está ampliando a quantia disponível para o financiamento de projetos de energia limpa, como pequenas e médias hidrelétricas e energia solar, e que nos próximos anos esse montante pode facilmente superar 3,8 bilhões de dólares por ano.

O Banco Mundial foi encarregado por governos doadores de supervisionar o Fundo de Tecnologia Limpa, mas a instituição tem sido criticada por ambientalistas por também apoiar usinas de carvão que emitem dezenas de milhões de toneladas de gases do efeito estufa.

Em abril, o Banco Mundial aprovou um empréstimo de 3,75 bilhões de dólares para uma enorme usina na África do Sul, país que sofre uma crônica escassez energética.

Acionistas importantes do Banco Mundial, inclusive os EUA, haviam sido contra.

Sierra disse que, sendo uma instituição de combate à pobreza, o Banco Mundial nunca pode descartar completamente projetos com carvão, mas que também não pode aumentar o financiamento para eles.

"Como uma organização que tem no desenvolvimento o seu mandato central, é provavelmente inapropriado para nós termos um limite para qualquer tecnologia. Mas deveríamos estar aumentando essa carteira? Não, acho que deveríamos estar procurando onde podemos agregar mais valor, que é nas tecnologias de transformação."

22/06/2010 08:43 PM

Mais acusações de corrupção japonesa em reunião sobre baleias

AP

Japão paga propina a países africanos e do Pacífico para votar a favor de seus interesses na Comissão Baleeira Internacional

Foto: © AP

Acusações que o Japão usa ajuda humanitária e favores pessoais para comprar votos têm circulado quietamente durante anos na Comissão Baleeira Internacional (CBI), entidade internacional que supervisiona a conservação das baleias, tradicionalmente objeto de caça dos japoneses.

Agora, as acusações estão às claras na reunião anual da instituição, depois que um jornal londrino filmou secretamente oficiais de seis países pobres enquanto negociavam por propinas. O jornal Sunday Times gravou os representantes conversando com repórteres que se diziam enviados de um bilionário suíço, com a missão de comprar votos contra a caça de baleias na reunião que acontece essa semana no Marrocos.

Os oficiais indicaram que qualquer oferta do suíço fictício teria que ser superior ao que o Japão já lhes dá. O enviado da Tanzânia, por exemplo, afirmou ter aceitado viagens ao Japão, onde ?massagens? gratuitas lhe foram oferecidas ? às quais ele teria se recusado.

Para os inimigos do Japão, esse fato é prova inegável da influência japonesa na comissão de 88 nações, que na reunião mais importante em décadas está considerando uma proposta de suspensão de dez anos na proibição de caça comercial de baleias.

?A compra de votos é o pequeno segredo sujo do Japão na CBI,? disse o ambientalista Patrick Ramage, que freqüenta as reuniões há 15 anos. Ele a classificou como ?uma tomada lenta e hostil de um fórum internacional?. E enquanto países mais poderosos tentam usar de sua influência, o ?esforço japonês é sem paralelo,? afirmou.

O Japão nega qualquer delito, e os representantes japoneses afirmam que a alegação de compra de votos tem o objetivo de desvalorizar a posição do país na CBI. ?Faz parte da nossa política apoiar países em desenvolvimento, ? afirmou Hideki Moronuki, do ministério de Agricultura, Floresta e Pesca. ?Você acha que esse tipo de apoio financeiro ao desenvolvimento é algum tipo de propina? Eu acho que não.?

O país insiste que sua caça tem a finalidade de pesquisa científica, para entender melhor a biologia e organização social das baleias. Mas a maior parte dos animais caçados acaba em mesas de jantar e não em bancadas de laboratórios, e os japoneses dizem que a caça é uma questão de orgulho nacional.

O Sunday Times também afirmou que o chefe da conferência em Marrocos, Anthony Liverpool, teve sua conta de hotel paga com um cartão de crédito pertencente a uma empresa japonesa de Houston, Texas. Liverpool é um diplomata de Antígua e Barbuda e seu embaixador no Japão. Quando questionado pelo jornal sobre ter aceitado o dinheiro japonês, Liverpool teria dito: ?Sim, mas não há nada de estranho nisso.?

A CBI foi criada após a II Guerra Mundial para conservar e manejar a população mundial de baleias. Dezenas de milhares de animais foram caçados todos os anos até que a BCI adotou a proibição, e agora cerca de 1500 animais são mortos todos os anos pelo Japão, Noruega e Islândia.

O tráfico de influência vem de décadas atrás. Birgit Sloth, uma antiga enviada do governo da Dinamarca, lembra-se de ver o negociador chefe de uma nação caribenha pagar com um cheque em iens japoneses as taxas da associação em uma reunião da CBI na Inglaterra, no início dos anos 80. ?Naquela época ninguém prestava muita atenção. Hoje, tudo é muito mais camulado,? afirmou.

Leslie Busby, na época junto à ONG italiana Third Millenium Foundation, compilou um relatório de 95 páginas em 2007 sobre a ?operação de consolidação de votos? japonesa. Ela afirmou que 28 países tinham sido recrutados para a CBI por conta do auxílio japonês ? incluindo países sem saída para o mar como Mali ? dando à agência regulatória uma proporção de meio a meio entre nações a favor e contra a caça de baleias.

Segundo Busby, os países que recebem verba japonesa sempre votam de acordo com seus interesses. ?Isso torna a discussão sem sentido. Não vale a pena debater a questões nas reuniões porque as posições já estão determinadas,? ela disse em uma entrevista.

Toma lá, dá cá
Alguns dos apoiadores dos países baleeiros têm tradições na caça e pesca. Mas o Japão também tem o apoio regular de países que nunca tiveram interesse na pesca de baleias, como as nações africanas. ?O Japão está ajudando bastante a África Ocidental. Em troca, ele pede a esses países que votem a seu favor nas reuniões da CBI,? diz Mamadou Diallo, um ex-pesquisador do governo senegalês que hoje trabalha para o WWF. ?É um ?toma lá, dá cá?. Sim, pode-se dizer que é propina, porque os países africanos não seriam normalmente a favor de caça de baleias.?

Para países pobres, um voto na CBI pode não ser um preço tão grande a pagar. Tiare Turang Holm, enviada do Palau, no Pacifico Sul, diz que a caça é um tema periférico para seu país. Então, o voto acaba sendo mais ?um apoio a nossos amigos, nossos parceiros de desenvolvimento.?

E o Japão não é o único a fazer pressão. ?Mas é o mais descarado, e exige votos em troca de seu apoio financeiro,? diz Sue Miller Taei, de Samoa. ?Eu já vi o Japão intimidar diretamente países do Pacífico Sul,? disse lembrando de uma ocasião em que um delegado japonês levou enviados do Pacífico relutantes para votar numa reunião da CBI. ?Por muito tempo aqueles diplomatas não conseguiam me encarar nos olhos.?

22/06/2010 08:24 PM

EUA e BP buscam mais formas de conter vazamento de óleo no Golfo

Reuters

Governo americano está preocupado com o início da temporada de furacões no Atlântico

Foto: © AP

O governo dos Estados Unidos e a British Petroleum estão avaliando novas formas de recolher o óleo que jorra de um poço no fundo do Golfo do México, caso um furacão impeça a coleta desse material na superfície, disse a principal autoridade encarregada do assunto nesta terça-feira.

Veja a evolução do vazamento do Golfo do México no infográfico do iG

Uma possibilidade seria direcionar o petróleo para um duto submarino, que o entregaria em uma ou mais plataformas marítimas ociosas na região, disse o almirante Thad Allen a jornalistas em Washington. Outra possibilidade seria levar o petróleo para um reservatório natural submarino.

As ideias, segundo Allen, surgiram na semana passada numa reunião de Allen com os secretários de Energia, Steven Chu, e Interior, Ken Salazar, e com representantes da BP e de outras empresas.

"Pedimos ao setor que basicamente não restrinja seu pensamento e (veja) o que eles podem fazer por nós", disse ele.

A temporada de furacões no Atlântico vai de 1o de junho a 30 de novembro, e meteorologistas preveem que este ano será bastante ativo, o que complica os esforços para conter o pior vazamento de petróleo na história do país.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos disse na segunda-feira que uma onda tropical que está causando tempestades no leste do Mar do Caribe tem 30 por cento de chance de se transformar em ciclone tropical até a metade da semana.

Allen revelou o encontro e as ideias discutidas quando pressionado sobre o que a BP e a Guarda Costeira farão se os poços auxiliares que estão sendo escavados no local afinal não servirem, como se espera, para controlar o vazamento. A expectativa é que os novos poços sejam concluídos em agosto.

A BP atualmente recolhe parte do petróleo que jorra no mar e o armazena em um navio de perfuração e uma plataforma flutuante que, em caso de tempestade, levariam três a sete dias para deixar a região com segurança.

A empresa deve acionar na semana que vem uma terceira operação, com uma embarcação mais apta a enfrentar furacões. Isso elevaria a capacidade de coleta do óleo de 28 mil para 53 mil barris diários.

Até meados de julho, o sistema deve ser ainda mais ampliado, chegando a 80 mil barris por dia.

22/06/2010 08:04 PM

Arqueólogos acham pinturas mais antigas dos apóstolos de Jesus

Reuters

Afrescos foram encontrados em catacumba de igreja nos arredores de Roma; acredita-se que retratos posteriores foram baseados neles

Arqueólogos e restauradores de arte usando nova tecnologia a laser descobriram o que acreditam ser as pinturas mais antigas dos rostos dos apóstolos de Jesus Cristo. As imagens encontradas em um ramal das catacumbas de Santa Tecla, perto da Basílica de São Pedro, do lado de fora das muralhas da Roma antiga, foram pintadas no fim do século 4 ou início do século 5. Veja na galeria.

Arqueólogos acreditam que essas imagens podem estar entre as que mais influenciaram os retratos feitos por artistas posteriores dos mais importantes entre os primeiros seguidores de Cristo.

"São as primeiras imagens que conhecemos dos rostos desses quatro apóstolos", disse o professor Fabrizio Bisconti, diretor de arqueologia das catacumbas de Roma, que pertencem ao Vaticano e são administradas por ele.

Os afrescos eram conhecidos, mas seus detalhes vieram à tona durante um projeto de restauração iniciado dois anos atrás e cujos resultados foram anunciados nesta terça-feira (22) em coletiva de imprensa.

Os ícones de rosto inteiro incluem as faces de São Pedro, Santo André e São João, que fizeram parte dos 12 apóstolos originais de Jesus, e São Paulo, que se tornou apóstolo após a morte de Cristo.

As pinturas possuem as mesmas características de imagens posteriores, como a testa enrugada e alongada, a cabeça calva e a barbicha pontuda de São Paulo, o que indica que podem ter sido as imagens nas quais os retratos posteriores se basearam.

Os quatro círculos, com cerca de 50 centímetros de diâmetro, estão no teto do local do sepultamento subterrâneo de uma mulher nobre que se acredita que tenha se convertido ao cristianismo no fim do mesmo século em que o imperador Constantino legalizou a religião.

Bisconti explicou que as pinturas mais antigas dos apóstolos os mostram em grupo, com rostos menores cujos detalhes são difíceis de distinguir.

"Trata-se de uma descoberta muito importante na história das comunidades cristãs primitivas de Roma", disse Bisconti.

"Cirurgia" a laser
Os afrescos dentro do túmulo, medindo cerca de 2 metros por 2 metros, estavam recobertos de uma pátina espessa de carbonato de cálcio pulverizado, provocada pela umidade extrema e a ausência de circulação de ar.

"Fizemos análises extensas e demoradas antes de decidir qual técnica empregar", disse Barbara Mazzei, que chefiou o projeto. Ela explicou como usou um laser como "bisturi ótico" para fazer o carbonato de cálcio cair sem prejudicar a tinta.

"O laser criou uma espécie de miniexplosão de vapor quando interagiu com o carbonato de cálcio, levando este a se destacar da superfície." O resultado foi a clareza espantosa das imagens, antes opacas e sem nitidez.

As rugas na testa de São Paulo, por exemplo, estão nítidas, e a brancura da barba de São Pedro ressurgiu.

"Foi uma descoberta de forte impacto emocional", disse Mazzei.

Outras cenas da Bíblia, como a de Jesus convocando Lázaro a levantar-se dos mortos ou Abraão preparando-se para sacrificar seu filho, Isaac, também ficaram muito mais claras e nítidas.

"No que diz respeito a pinturas no interior de catacumbas, estamos acostumados a ver pinturas muito pálidas, geralmente brancas, com poucas cores. No caso das catacumbas de Santa Tecla, a grande surpresa foram as cores extraordinárias. Quanto mais avançamos, mais surpresas encontramos", disse Mazzei.

Situado num labirinto de catacumbas sob um prédio moderno, o túmulo ainda não está aberto ao público devido às obras que continuam, à dificuldade de acesso e ao espaço limitado. Bisconti disse que as novas descobertas serão abertas apenas à visitação de especialistas, por enquanto. 

22/06/2010 05:05 PM

Juiz americano anula proibição de prospecção de petróleo no Golfo

AFP

A Casa Branca anunciou que vai recorrer da decisão

Foto: NASA

O juiz americano Martin Feldman anulou nesta terça-feira a proibição de seis meses para a prospecção de petróleo no Golfo do México, ao mesmo tempo em que a Casa Branca anunciou que irá apelar da decisão.

Veja a evolução do vazamento do Golfo do México no infográfico do iG

O juiz Martin Feldman foi favorável a 32 petroleiras que se opõem à moratória sobre exploração em águas profundas imposta pelo governo do presidente Barack Obama, depois da explosão de uma plataforma da companhia britânica British Petroleum, que provocou uma extensa maré negra em frente à costa do estado da Louisiana.

Feldman resolveu que a "demanda preliminar está garantida" contra a moratória, declarando que está convencido de que o levantamento da suspensão da prospecção e perfuração, decretada pelos serviços de administração de minerais, reflete o interesse público.

"A corte concluiu que os demandantes provavelmente conseguirão demonstrar que a decisão (do organismo governamental) foi arbitrária e caprichosa", destacou Feldman em seu veredicto.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, respondeu em seu encontro diário com os jornalistas, que a administração "entrará imediatamente com uma apelação".

"O presidente está totalmente convencido como enunciaram ontem (segunda-feira, 21) o Departamento do Interior e o Departamento de Justiça, que continuar perfurando a estas profundidades sem saber o que aconteceu (na explosão da plataforma DeepWater Horizon, dois meses atrás) não faz nenhum sentido", afirmou Gibbs.

Perfurar a estas profundidades "ameaça a segurança dos trabalhadores nas plataformas e o meio ambiente no Golfo a níveis que não podemos permitir na atualidade; é o que pensa o presidente", concluiu Gibbs.

Por sua vez, a novidade foi recebida com frieza por vários legisladores encarregados de temas de energia no Congresso.

"É outra má decisão em meio a um desastre marcado por más decisões da indústria petroleira", disse, em um comunicado, o representante Ed Markey, que preside a comissão sobre Independência Energética e Mudanças Climáticas. Markey aprovou a decisão da administração de apelar.

"Estou extremamente decepcionada de que esta moratória que exprime o senso comum tenha sido bloqueada quando milhões de litros de óleo bruto continuam vazando no Golfo (do México)", disse, por sua vez, a senadora do estado de Washington, Patty Murray, que recentemente pediu a proibição da prospecção na costa oeste americana.

Ao contrário, a senadora da Louisiana, Mary Landrieu, cujo estado é muito dependente da indústria petroleira, saudou a decisão do juiz. Landrieu pediu várias vezes ao governo que retificasse sua decisão de impor uma moratória.

22/06/2010 04:17 PM

Foto do dia: festa do sol

National Geographic

Em Stonehenge, o solstício de verão é recebido com comemoração

Foto: National Geographic

Pessoas celebram o nascer do sol no solstício de verão em Stonehenge, Inglaterra. Alinhado com os primeiros raios de sol do dia mais longo do ano no Hemisfério norte, o monumento de 5.000 anos provavelmente foi construído para ser um local de celebração da data -- o que é até hoje. O festival anual de Stonehenge foi proibido em 1985 e reiniciado em 2000, e atrai 25.000 pessoas todos os anos que procuram a rara chance de tocar as pedras pré-históricas.

22/06/2010 03:08 PM

Izabella Teixeira critica novo Código Ambiental

Agência Estado

Ministra do Meio Ambiente alerta para a possibilidade do nova lei criar uma guerra entre Estados

A possibilidade de uma guerra ambiental entre Estados, que poderiam disputar investimentos em troca de mais liberdade a desmatadores, é uma das consequências do projeto de mudança no Código Florestal, proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e em debate na Câmara. A advertência é da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Há chance de o Código Florestal ser mantido do jeito que está?
Acho que a lei atual tem problemas. E defendo o aperfeiçoamento do código, sim, mas com uma visão de natureza estratégica, e não só trabalhando passivos ambientais associados à agricultura.

A sra. crê ser possível recuperar a vegetação nativa do que foi desmatado de reserva legal e áreas de proteção permanente?
A primeira versão do código é de 1965. O que havia antes deve ser entendido como situação consolidada. Claro que, num debate como esse, vou ter perdas. Há déficit de reserva legal pela lei atual, e terei de aceitar esse déficit, porque não é viável economicamente nem ambientalmente eu remover de topo de morro áreas consolidadas, por exemplo. É um fato, vamos lidar com isso. Senão eu também teria de remover as 350 mil pessoas que moram na favela da Rocinha e plantar vegetação nativa. É tão simples quanto isso.

Quanto desse passivo deve ser tratado não mais como passivo?
Há plantações de café de mais de cem anos, claro que isso tem de ser considerado como situação consolidada. É diferente de uma pessoa que desmatou em dezembro de 2007 de forma ilegal. A proposta em debate coloca todos no mesmo patamar. Mas, se vamos ter um corte, então por que não adotar 2001, que foi a última mudança do código? Por que 2008, como propõe o deputado? Quem desmatou com a autorização do Estado não pode ser comparado com aquele que podia desmatar 20% e desmatou 100%. Esse, intencionalmente, feriu a lei.

O projeto como foi apresentado anistiará desmatadores?
Ele sugere anistia. A estratégia do ministério é tentar romper essa polarização entre ambientalistas e ruralistas radicais.

Qual a consequência de desobrigar propriedades de até 4 módulos fiscais de preservar uma parcela dos imóveis, uma das principais propostas de Rebelo?
Vejo insuficiências técnicas na proposta do relator. O dano pode ser muito maior no médio prazo. Temos de dar tratamento diferenciado a propriedades menores e reconhecer que o que acontece na Amazônia é diferente da situação do Sul e do Sudeste, onde a grande concentração fundiária faz com que a área de imóveis abaixo de 4 módulos seja pequena, mas geograficamente concentrada no norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, sul de Minas Gerais, agreste e sertão nordestinos. Se o projeto extinguir reserva legal nessas áreas, vão se formar grandes polígonos sem proteção, exatamente nas áreas que foram expostas a sucessivos desmatamentos, comprometendo as reservas de recursos hídricos.

A moratória de cinco anos no desmatamento prevista pelo projeto é suficiente para o País cumprir as metas de redução das emissões de gases do aquecimento global?
Temos milhões de hectares de áreas degradadas. É possível continuar trabalhando com desenvolvimento tecnológico e aumento de produtividade. Mas quem paga essa conta? Ela tem de ser discutida. E não é só com mercado de carbono que se equaciona isso. Na transição para o baixo carbono, o governo tem papel importante. A agricultura brasileira não pode ficar refém de barreiras que serão tratadas no futuro como barreiras não tarifárias. Temos muita gente boa, competente, produzindo de maneira sustentável e de acordo com a lei. E devemos fazer com que aqueles que estão fora da lei sejam colocados dentro da lei. A regularização ambiental é estratégica.

O relatório do deputado aponta as ONGs como peças de um movimento protecionista contra a agropecuária brasileira. O que a sra. diz sobre a atuação delas?
Eu trabalho com ONGs sérias, quer do movimento ambiental quer do movimento social, e não opino sobre questões ideológicas. Acho importante que o deputado possa levantar questões ideológicas. Mas nós temos parcerias sólidas, acho que é preciso separar o joio do trigo. Eu converso com todos, ambientalistas e ruralistas, é minha obrigação. Isso não é briga de dois grupos. Eu não admito a simplificação, eu não admito simplificar o Código Florestal à questão das pererecas e minhocas. Isso é inaceitável.

O que significa transferir para os Estados o poder de dizer o que é área consolidada do agronegócio e qual deve ser a área de proteção às margens dos rios, podendo ser reduzida a 7,5 m?
O projeto veio sem estudos técnicos; é como se os rios nascessem todos com 30, 40, 50 m. Todo rio nasce pequeno e daí a importância de você preservar e proteger as matas ciliares onde você tem as nascentes. Não digo que não pode mexer, mas que não dá para fazer arbitrariamente. Os Estados têm competência de averbar reserva legal desde 98. E não chegam a 20% as propriedades averbadas no País. É competência dos Estados fazer zoneamento econômico ecológico. Outro aspecto: qual é a escala que trabalhamos, qual o custo disso, qual a tecnologia a ser usada, qual a base de informação comum? É um debate que não fica em menos de cinco anos.

Pode significar um "liberou geral"?
Depende. Acho que a descentralização é importante, mas tem de ser acompanhada de condições para que isso aconteça, para evitar que se transforme em critério de competição entre os Estados. "Vem pra cá com seu investimento que sou menos rígido na legislação ambiental, vem pra cá que vou flexibilizar tal coisa." Isso está na mesa.

A ideia é caminhar para um substitutivo?
O caminho mais razoável não é empurrar com a barriga. O ministério é o primeiro a desejar uma lei de Código Florestal que possa ser cumprida. Mas não é no grito que você faz acordos dentro do Congresso.

22/06/2010 02:46 PM

Estudo mostra que chimpanzés matam para ampliar território

AFP

Pesquisadores da Universidade de Michigan acompanharam brigas territoriais em Uganda durante dez anos

Foto: Getty Images

Há tempos sabe-se que os chimpanzés matam uns aos outros, mas agora os cientistas conhecem as razões: um estudo em Current Biology mostrou que esses primatas, os parentes mais próximos dos humanos, matam seus companheiros de espécie para expandir seu território.

"Os chimpanzés matam uns aos outros. Matam seus vizinhos", afirma John Mitani, principal autor do estudo publicado na segunda-feira (21), que recolheu observações de 10 anos de chimpanzés em Ngogo, no Parque Nacional Kibale em Uganda. "Nossas observações indicam que o fazem para ampliar seus territórios a custa de suas vítimas".

Mitani, professor de antropologia na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e seus colegas observaram e documentaram 18 ataques mortais de chimpanzés e encontraram provas conclusivas de três assassinatos entre estes primatas.

Os ataques ocorreram principalmente quando grupos menores de chimpanzés foram "patrulhar" o território das comunidades vizinhas destes animais.

Após as mortes, os cientistas observaram que os chimpanzés aumentaram seu território em 22%. Os animais desfrutam assim de maior acesso aos alimentos e, possivelmente, a mais fêmeas.

"Já que o território recém adquirido corresponde à zona antes ocupada por muitas das vítimas, sugerimos que existe um elo entre os atos anteriores de agressão intergrupal letal e a expansão territorial posterior", disse Mitani.

Nem filhotes foram poupados
Sylvia Amsler, professora de antropologia na Universidade de Arkansas, que realizou a pesquisa de campo para este projeto, foi uma das cientistas que observou uma violenta incursão no noroeste do território dos chimpanzés em Ngogo.

Amsler disse que 27 machos adultos e jovens e uma fêmea adulta surpreenderam um grupo menor de chimpanzés fêmeas que pertenciam à comunidade vizinha. Duas das fêmeas tinham também filhotes.

Os atacantes machos mataram alguns filhotes e feriram gravemente outro, ao tentarem - sem sucesso - retirá-lo dos braços da mãe.

Os chimpanzés são os animais mais próximos dos seres humanos, razão pela qual os pesquisadores costumam estudar seu comportamento em busca de pistas sobre a origem e a evolução humana.

As conclusões básicas do estudo não jogam muita luz sobre as complexas razões pelas quais os humanos vão à guerra, mas podem revelar pistas sobre a cooperação humana, indicaram os pesquisadores, que mencionaram a colaboração e o trabalho em equipe, assim como a redistribuição de recursos extraordinários para os membros do grupo.

22/06/2010 02:29 PM

Microscópio revela arte oculta de bebidas alcoólicas

BBC Brasil

Empresa vende fotos de moléculas de drinques como uísque e daiquiri

A empresa americana BevShots fotografa moléculas de bebidas alcoólicas vistas através de microscópios e as transforma em arte.

Os especialistas coletam gotas das bebidas, colocam-nas em lâminas, esperam que elas sequem e aí as fotografam. Somente a secagem pode demorar até quatro semanas, e o processo completo pode durar até três meses.

As fotos são tiradas com uma câmera 35 mm comum. A empresa vende as fotos em seu site, e estima já ter vendido cerca de 20 mil imagens.

O presidente da BevShots, Lester Hutt, é graduado em química e as fotos são tiradas no Departamento de Química da Universidade da Flórida.

Veja algumas delas na galeria:

22/06/2010 12:06 PM

Vídeo: China tem Olimpíadas de robôs

BBC Brasil

Os "atletas" concorrem em 17 modalidades, que incluem corrida, luta e dança de hip-hop

Nos Jogos Olímpicos Internacionais de Huro, no norte da China, os atletas que disputam as 17 modalidades esportivas são todos robôs de até 60 centímetros de altura com cabeça, dois braços e duas pernas.

Nos cinco metros sem barreiras, venceu a criação de Mieyong Baek, da Coreia do Sul, com o tempo de 20 segundos.

Uma das atrações do evento foi o robô do estudante Song Chao, que lançava golpes de kung fu coreografados ao som da canção Guys Have to be Self-Reliant. No boxe, a luta arrancou risos da plateia, enquanto os robôs tentavam nocautear o adversário.

No concurso de dança, um dos robôs até falou com a audiência: o ciborgue disse estar envergonhado e agradeceu a todos. O evento foi organizado pela Base de Inovação Robótica, pelo Instituto de Tecnologia Harbin e pela Associação chinesa de Inteligência Artificial.

A competição termina na quarta-feira, dia 23 de junho.

Veja o vídeo:

  

 

22/06/2010 10:17 AM

BP vai reforçar sistema de coleta de óleo em poço acidentado

Reuters

O dispositivo ficará mais preparado para a temporada de furacões nos EUA

Foto: NASA

A British Petroleum se prepara para trocar dentro de sete a dez dias a "tampa" que recolhe petróleo num poço acidentado no Golfo do México, tornando o sistema mais preparado para furacões, disse uma autoridade dos Estados Unidos nesta segunda-feira.

Veja a evolução do vazamento do Golfo do México no infográfico do iG

A empresa britânica, dona do poço que há mais de dois meses provoca o pior vazamento de petróleo na história do país, terá de retirar a tampa atualmente instalada na boca do poço, para no lugar colocar uma tampa maior, com seu respectivo lacre, para conseguir recolher mais petróleo. Um sistema de dutos leva o material capturado para navios na superfície.

Com o novo sistema, esses navios poderão se desconectar e partir com mais rapidez, em caso de tempestade, disse o almirante Thad Allen, responsável por supervisionar a operação por parte do governo.

Além disso, segundo Allen, a nova tampa será equipada com um sensor que permitirá uma avaliação mais precisa do fluxo do petróleo. A estimativa mais recente dos cientistas do governo é que haja um vazamento de 4,17 a 7,15 milhões de litros por dia, e eles estão tentando "afinar" esse número. "Não acho que iremos conhecer o fluxo até que consigamos contê-lo completamente", disse Allen.

Durante a troca das tampas, o petróleo deve jorrar livremente. Mas o objetivo da empresa é que a captura de óleo passe dos atuais 23,3 mil barris (3,7 milhões de litros) para 80 mil barris até meados de julho, com quatro navios na operação. Atualmente há dois barcos, com capacidade para 53 mil barris.

Pressionado a citar uma data para a operação, Allen disse: "Acho que vamos resolver isso nos próximos sete ou dez dias".

A temporada de furacões começou em 1o de junho, e a BP prevê que o vazamento irá continuar pelo menos até meados de agosto, quando dois poços auxiliares devem terminar de ser escavados, até atingir a boca do poço acidentado.

O vazamento começou em 20 de abril, quando uma plataforma que estava no local explodiu e afundou, deixando 11 mortos.

21/06/2010 07:59 PM

Equipe internacional decifra genoma do piolho

iG São Paulo

Estudo vai ajudar a entender a evolução do inseto e desenvolver novos métodos de extermínio

Foto: © AP

Uma equipe internacional de cientistas decifrou o genoma de um dos companheiros mais inseparáveis do homem: o Pediculus humanus também conhecido como piolho.

O estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Atcademy of Sciences (PNAS) traz novas informações sobre a biologia humana e a deste inseto e pode trazer novos meios de eliminar o parasita. Os autores do estudo decifraram, ainda, o genoma de uma bactéria que vive  em simbiose com ele.

O genoma do piolho é o menor já decifrado de um inseto, destacam os cientistas com estudos publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) de 21 de junho.

O parasita, medindo de 2 a 3 milímetros de comprimento, é totalmente dependente dos humanos para sua sobrevivência e desapareceria da Terra se estivesse separado deles por muito tempo.

O corpo do piolho conta, ainda, com "o menor número de enzimas de desintoxicação observadas em qualquer outro inseto", disse John Clarck, pesquisador da Universidade de Massachusetts e um dos autores do estudo. Este número reduzido de enzimas de desintoxicação faz com que o organismo do piolho seja potencialmente promissor para o estudo da resistência aos inseticidas e outros mecanismos de defesa, acrescentou Pittendrigh.

Os pesquisadores dizem que aparentemente o piolho humano e o de chimpanzés evoluíram de um ancestral comum entre 5 a 7 milhões de anos atrás.

"Além da sua importância na saúde pública, o genoma do piolho vai ajudar consideravelmente a entender melhor a evolução dos insetos," disse May R. Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois, em comunicado. 

(Com informações da AFP e AP)
 

21/06/2010 07:28 PM
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