Pesquisador foi pioneiro nas áreas de mecânica e matemática aplicada na China
O cientista Weichang Qian, um pioneiro da mecânica e da matemática aplicada na China moderna, morreu na manhã de ontem, segundo a agência de imprensa estatal chinesa. Ele tinha 97 anos.
Qian, ex-presidente da Universidade de Xangai e de outras faculdades, era conhecido por seu trabalho em física, mecânica e matemática aplicada e também era membro da Academia Chinesa de Ciências.
Ele foi um dos três famosos ?Qians? na China, juntamente com Qian Xuesen, pai do programa espacial da China, e Sanqiang Qian, um físico nuclear que supervisionou o desenvolvimento do programa de armas nucleares na China.
Qian nasceu em Wuxi, se graduou em física na Universidade de Tsinghua em 1935 e obteve seu doutorado em matemática aplicada na Universidade de Toronto, no Canadá, em 1942. Ele retornou à China em 1946 e se tornou professor de mecânica e, mais tarde, vice-presidente da Universidade de Tsinghua.
Câmara dos Deputados dos EUA aprovou projeto de lei que aumenta regras para perfuração, mas Senado só o analisará em setembro
Foto: AFP
A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou neste sexta-feira um projeto de lei que aumenta os padrões de segurança para perfuração de poços de exploração de petróleo no oceano e também a responsabilidade das empresas no caso de um vazamento de óleo, mas uma luta partidária no Senado pode atrasar a ação de resposta ao vazamento de óleo no Golfo do México até setembro.
Líderes democratas elogiaram o projeto de lei da Câmara, o qual classificaram como uma resposta global para América sobre o pior vazamento de petróleo da história. O projeto, segundo eles, aumentará a segurança durante a perfuração e reprimirá empresas como a BP.
De acordo com o projeto, empresas que não asseguram o ambiente de trabalho ou que tem infrações ambientais significativas durante os últimos sete anos não conseguirão novas autorizações para perfurar poços em águas profundas e as proteções serão estendidas aos trabalhadores do setor de petróleo e gás que relatarem condições perigosas ou outros problemas.
Mesmo com a medida aprovada, republicanos e alguns democratas se opõem, alegando que ela elevará os preços da energia e que acabará com milhares de empregos na América do Norte, por causa de novas taxas que serão aplicadas ao setor de óleo e gás.
Apesar da ação da Câmara, a legislação para energia e vazamento de óleo ainda não conseguiu aprovação final. Após a aprovação do projeto, a Câmara entra em recesso e, por isso, o Congresso só deve analisar o projeto de lei no final de setembro.
O deputado democrata Nick Rahall, o principal patrocinador do projeto de lei, disse que o projeto é uma homenagem aos 11 trabalhadores mortos no desastre que envolveu a BP no Golfo do México.
O projeto de lei inclui mudanças numa moratória de seis meses para perfuração em águas profundas, de modo que o governo autorize o procedimento de acordo com cada plataforma. Ele também autorizaria os US$ 75 milhões para serem pagos pelas empresas após vazamentos de óleo e aumenta para US$ 300 milhões a responsabilidade financeira das empresas e criaria uma nova taxa de conservação sobre o petróleo e gás extraídos de regiões de terra ou água controladas pelo governo federal.
Achado pode ser mina de ouro de informações sobre o dia-a-dia dessa civilização
Foto: Arturo Godoy
Uma tumba bem preservada de um rei maia foi descoberta em El Zotz, pequena cidade a oeste de Tikal, uma das mais poderosas cidades do império Maia, na Guatemala. A tumba, que data de 350 ? 400 A.C., está recheada de cerâmicas, tecidos e esculturas ? e restos humanos.
Localizada no meio da floresta, embaixo da pirâmide El Diablo, a tumba foi achada pelo arqueólogo Stephen Houston, da Universidade Brown, Estados Unidos, no final de maio quando ele e sua equipe faziam escavações no local. ?Quando abrimos a tumba e coloquei minha cabeça dentro ainda havia, para minha surpresa, um cheiro putrefato....que entraram nos meus ossos...a tumba ficou tão bem fechada durante 1600 anos que nada de ar e pouca água entraram nela?,? disse ele.
O rei ao que parece é o fundador de uma dinastia de El Zotz e morreu quando tinha entre 50 e 60 anos. Na tumba também foram encontrados ossos de seis crianças de 1 a 5 anos que, ao que tudo indica, foram sacrificadas em honra do rei ? uma raridade já que este tipo de oferenda não era feito usualmente nos rituais maias de enterro de reis.
A novidade foi apresentada à imprensa em 15 de julho pelo ministro da cultura e esportes da Guatemala e é, segundo Houston, a primeira evidência concreta da vida deste rei conhecido apenas por textos de hieróglifos que faziam referencia à ele. De acordo com os hieróglifos parcialmente decifrados das paredes da tumba, o nome do rei seria algo como Tartaruga Vermelha ou Grande Tartaruga. O estudo mais a fundo dos hieróglifos, uma das áreas de especialidade de Houston, deverão, em breve, dar mais detalhes sobre a vida do rei que governou El Zotz.
O que se sabe, de momento, é que a descoberta da tumba pode ser uma mina de ouro para o estudo da civilização maia. As esculturas, tecidos e outros materiais orgânicos podem contar bastante sobre a vida do governante da pequena cidade de El Zotz e de seus súditos. Os próximos passos da equipe de Houston será analisar os resíduos encontrados no local e continuar a análise e reconstrução dos materiais encontrados dentro da tumba.
Um cálice de ouro, uma ânfora e uma taça de duas alças foram encontrados por mergulhadores explorando o naufrágio de um antigo navio mercante no Mediterrâneo. A embarcação de 15 metros de comprimento estava repleta de produtos caros e alimentos quando afundou na costa da Turquia, há 3.400 anos.
Agência norte-americana permite que grupo que descobriu as células estude seu potencial terapêutico em pacientes
Doze anos após o "nascimento" da primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas, na Universidade de Wisconsin, a Administração de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA) autorizou hoje, pela primeira vez, que essas células sejam injetadas experimentalmente em seres humanos. O estudo será conduzido pela empresa de biotecnologia Geron, que financiou a pesquisa pioneira de Wisconsin, em 1998, e agora, após uma década de experimentos in vitro e com animais, poderá finalmente testar o potencial terapêutico de suas células no organismo humano. Trata-se do primeiro e único ensaio clínico com células-tronco embrionárias humanas aprovado no mundo até agora.
A empresa, com sede na Califórnia, vai recrutar até dez pacientes com lesões medulares para receber injeções de células nervosas progenitoras, produzidas pela diferenciação de células-tronco embrionárias humanas in vitro. A intenção é que essas células progenitoras, uma vez dentro da medula, se diferenciem em um tipo específico de célula do sistema nervoso central, chamada oligodendrócito, que reveste os nervos e permite a transmissão dos sinais elétricos enviados do cérebro para o restante do organismo.
Em experimentos com ratos lesionados, a técnica se mostrou eficaz, devolvendo parte dos movimentos e do controle motor e sensorial aos animais. O início dos testes em humanos já havia sido autorizado em janeiro de 2009, mas o aparecimento de cistos na medula de alguns dos animais tratados fez com que a FDA colocasse a autorização "em espera", até que a empresa pudesse investigar a questão. A Geron anunciou hoje que aperfeiçoou os protocolos de segurança relacionados à diferenciação das células, fez novos experimentos com animais e conseguiu, novamente, luz verde da FDA para seguir em frente com o ensaios clínicos em seres humanos.
Mais de cem dias após o início do derramamento de petróleo, cientistas avaliam o futuro do ecossistema do Golfo do México
O pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos já completou mais de 100 dias, com a situação finalmente controlada pela BP, pelo menos nas aparências. O óleo já não vaza mais desde 15 de julho e em mais alguns dias deve terminar a perfuração do poço auxiliar que irá desviar o fluxo de petróleo e encerrar o derrame em definitivo.
O mar do Golfo do México não será o mesmo após os mais de 350 a 700 milhões litros de petróleo que se misturaram às suas águas. As conseqüências ambientais do desastre ainda não são mensuráveis, embora os esforços para sua avaliação já começaram. Monitoramento de vida selvagem, avaliação do impacto de acidentes parecidos no passado e novas medidas de segurança vão todas fazer parte deste futuro pós-Deepwater Ocean.
Baleias e pássaros: os efeitos no ar e no mar
A Universidade de Cornell e o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) nos EUA estão colaborando em um projeto para descobrir os efeitos potenciais sobre as baleias da nuvem de óleo que se formou abaixo da superfície do mar no Golfo do México. Eles irão colocar no fundo do mar 22 gravadores submarinos que irão captar durante três meses os sons das baleias. Após esse período as unidades receberão um sinal para emergir com os dados que serão então analisados.
Os gravadores serão distribuídos por uma região que vai do Texas à Florida. O objetivo do trabalho é captar os sons do ecossistema e compará-los com de áreas aparentemente não afetadas onde serão colocados alguns dos sensores. A escolha da baleias é por elas ?refletirem a saúde do ambiente em que vivem? segundo Christopher Clark, chefe do Programa de Pesquisa em Bioacústica de Cornell.
Um projeto semelhante, só pelo ar, está sendo feito pelo mesmo laboratório: o monitoramento de aves que passam pela região. O objetivo é saber se há alguma conseqüência, por exemplo, em sua reprodução. Os pesquisadores contam neste trabalho com a ajuda de voluntários que podem observar características de ninhos de pássaros e cadastrar as informações no site NestWatch.
A ideia é que os colaboradores visitem os ninhos duas vezes por semana durante alguns minutos e tomem dados como número de ovos, de filhotes e quantos deles deixam o ninho ao longo das semanas. ?Muitos dos pássaros que fazem ninhos nos quintais de toda a América do Norte, como tordos-sargentos [também conhecidos como pássaros-pretos-de-asa-vermelha] e andorinhas, passam parte do ano no Golfo do México onde podem ter sido afetados pelo vazamento?, explica Laura Burkholder que também trabalha no laboratório.
O racional por trás de buscar monitorar o maior numero de ninhos possível agora é ver como está a saúde deles antes dos pássaros encontrarem o vazamento. Com o passar dos anos será então possível verificar os possíveis efeitos de longo prazo sobre eles.
Lições do passado
O caso histórico mais semelhante ao do vazamento da BP ocorreu em 1979-1980 no vazamento do poço Ixtoc, da empresa Pemex, que durou 10 meses e derramou cerca de 350 milhões de litros de óleo no Golfo do México. O derramamento não foi em água tão profundas, mas a partir dele pode-se deduzir alguns efeitos de curto, médio e longo prazo do vazamento.
No curto prazo, segundo disse ao iG o diretor associado do Instituto de Pesquisa Harte para Estudos do Golfo do México Wes Tunnell, o vazamento do Ixtoc criou um caos ambiental. ?Ele impactou as praias do sul da Texas reduzindo a população animal em 80% na zona de formação de ondas e 50% na zona de arrebentação?, conta.
Mas no médio, como afirma Tunnell, os efeitos podem não ser tão devastadores à primeira vista como se imagina. ?Após dois anos e meio, três anos, a praia estava biologicamente recuperada. Algo semelhante ocorreu com a pesca de camarão em Campeche [cidade mexicana] no sul do Golfo. Dois anos após o vazamento da Ixtoc, a pesca voltou a ser o que era um ano antes dele?, relembra Tunnell.
Mas o diabo mora nos detalhes. O que parece estar absolutamente normal muda de figura quando se examina locais específicos mais de perto, como explica Tunnell. ?Há pouca evidência hoje do derramamento do Ixtoc, mas há alguns locais que ainda possuem pequenos resíduos, como a lagoa de coral em Veracruz [cidade do México], o mangue e praias de pedra ao sul de Campeche?.
O motivo da boa recuperação do Golfo do México mesmo em um desastre tão grande como o do Ixtoc está ligado à uma característica da região, a existência de bactérias que literalmente comem petróleo. Obviamente elas não estão ali por acaso. Ele fazem parte de um ecossistema que tem pequenos vazamentos naturais de óleo devido a fissuras no fundo do mar . Ou seja: é provável que o Golfo se recupere novamente. ?O Golfo é um grande e resiliente corpo d?água?, afirma Tunnell.
O que não sabemos é quanto tempo irá demorar para isso acontecer e quais serão as conseqüências de um vazamento em águas tão profundas, com a profundidade de 1500 metros. ?Os impactos e efeitos do vazamento da BP serão semelhantes aos que vimos no caso do Ixtoc. Os pântanos do Delta do Mississipi serão os mais impactados e que demorarão mais a se recuperar. Agora, o impacto dessas nuvens de petróleo no fundo do mar e desses dispersantes é difícil de dizer; eles nunca foram vistos ou estudados antes?, diz Tunnell.
Mudanças na exploração
O que já é possível ter certeza é que a exploração de petróleo no mar nunca mais será a mesma do ponto de vista ambiental. ?O acidente do Golfo é um marco no mercado do petróleo no que se refere a política ambiental?, afirmou ao iG Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
Atualmente a exploração no mar é responsável por apenas 20% do petróleo produzido, mas o ritmo de produção dentro d?água cresce a taxas maiores do que a produção em terra. ?Antes do acidente a maior parte dos especialistas achavam que explorar petróleo no mar tinha baixo risco ambiental. Com o aumento da produção no mar e com a exploração sendo feita cada vez mais em maiores profundidades e mais distantes da costa, há necessidade de uma legislação mais rígida para que se evitem acidentes iguais ou maiores do que ocorreu no Golfo?, complementa.
Ou seja: o custo vai subir e não será apenas por questões ambientais. O custo global de perfuração também vai para o alto. ?Os seguros serão maiores, as licenças ambientais exigiram normas de segurança maiores, as novas tecnologias serão mais caras e as políticas fiscais poderão gravar mais a exploração de petróleo no mar, com objetivo de se criar fundos que seriam utilizados no caso de acidente?, afirma Pires.
Governo resolveu reabrir para pesca após fazer análise dos camarões e moluscos e verificar que estavam próprios para consumo
O estado americano da Louisiana voltou a abrir extensas zonas de pesca fechadas por causa do vazamento de petróleo no Golfo do México depois de realizar uma análise dos mariscos e concluir que eram comestíveis, informou o governo do estado.
Em colaboração com a Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, o departamento da fauna, a flora e pesca da Louisiana anunciou que "a pesca comercial voltará a abrir para peixes e camarões em porções das águas estatais a leste do rio Mississipi".
Outras zonas permanecem fechadas à comunidade de pescadores da Louisiana, que foi muito atingida pelo fechamento das águas estatais e federais poluídas pelo óleo que vazou de um poço submarino avariado perto da costa.
O fechamento foi ordenado para impedir que os mariscos potencialmente contaminados por petróleo fosse pescados e consumidos, mas o Estado e a FDA afirmaram que "extensas análises e resultados químicos demonstram que as amostras de pescado proveniente das zonas previamente fechadas analisadas são saudáveis para o consumo".
Mais de um terço das águas federais de pesca do Golfo do México foram fechadas por causa da maré negra. Uma parte deles foi reaberta em 22 de julho, deixando 149.026 km2 de águas de pesca federais com acesso proibido.
Pesquisadores espanhóis alteraram rigidez da membrana dos glóbulos brancos
Pesquisadores espanhóis afirmam que a modificação da rigidez da membrana celular dos linfócitos T, glóbulos brancos que atuam na imunidade a doenças, pode reduzir o grau de infecção pelo HIV e até impedir sua entrada nas células.
O trabalho, publicado na revista Chemistry and Biology por cientistas de várias instituições do país, como a Universidade do País Basco, foi feito em culturas de células em laboratório.
Energia solar poderia satisfazer demanda global se fosse melhor aproveitada
Foto: National Geographic
A cada hora o sol envia à Terra energia mais que suficiente para suprir a demanda mundial de eletricidade por um ano. Painéis solares são usados para capturar luz e transformá-la em eletricidade. Hoje, a tecnologia produz menos de um 0,10% da demanda global de energia.
Segundo a ONG, vazamento no porto de Dalian chegou a 650 mil barris de petróleo
Foto: EFE
O Greenpeace denunciou hoje que o vazamento de petróleo ocorrido na cidade de Dalian, no nordeste da China, chegou às 90 mil toneladas de petróleo, equivalentes a 650 mil barris, 60 vezes mais que o número de 1,5 mil toneladas reconhecido oficialmente pelo governo chinês.
Segundo a ONG, os dados são estimativos, baseados em testemunhos pessoais e na quantidade de petróleo recolhido e na superfície afetada que o Greenpeace calcula que seja de mil quilômetros quadrados.
No último dia 16, a explosão e o posterior incêndio de dois oleodutos no porto Xingang de Dalian, causados pelo mal uso de um sulfureto como catalisador para a descarga de petróleo desde navios petroleiros, desencadearam o pior vazamento de petróleo registrado no litoral da China.
O Greenpeace lamentou o segredo tanto das autoridades como da Petrochina, a empresa proprietária dos oleodutos que transbordaram e que só conseguiu fechar as válvulas de escape seis dias depois do acidente. "A quantidade de petróleo derramado é muito maior que 1,5 mil toneladas", sentenciou Yang Ailun, uma das responsáveis do Greenpeace na China.
No domingo, nove dias depois da tragédia, o Governo de Dalian confirmou oficialmente o fim dos trabalhos de limpeza, embora navios de vigilância marítima sigam na região para "consolidar" os trabalhos de retirada e "remediar os efeitos da mancha de óleo no litoral".
"De acordo com nossas estimativas, foram recuperadas ao redor de 60 mil toneladas de petróleo do golfo de Dalian", disse Richard Steiner, professor da universidade americana do Alasca e especialista em vazamentos de petróleo.
De fato, tanto o Greenpeace como o especialista assumiram que a quantidade retirada do mar em Dalian é muito maior que a do Golfo do México pelo incidente de British Petroleum (BP). "O grau de efetividade (dos trabalhos de limpeza) é assombroso, um milagre criado pelas mãos e as malhas absorventes de 20 mil pescadores", acrescentou Steiner, em referência a "pobre tecnologia" usada nos trabalhos de Dalian.
Calcula-se que mais de mil de navios e 45 mil pessoas - das quais só 8 mil eram profissionais - participaram da limpeza da maré negra. Na maior parte dos casos, os materiais empregados eram pás, sacolas de lixo, barris de plástico e aparelhos de pesca, e inclusive aconteceram situações de recolhida de petróleo com a ajuda de palitos chineses.
"Só na indústria pesqueira as perdas oscilarão entre os US$ 50 milhões e US$ 100 milhões", apontou o especialista americano, que vaticinou que deverão passar pelo menos dez anos para que o ecossistema afetado se recupere "razoavelmente".
O impacto no litoral também é considerável, com dezenas de quilômetros de praia contaminados, além do petróleo superficial que as correntes e marés deslocaram "e que ninguém sabe onde está", nas palavras de Steiner.
Por este motivo, o Greenpeace também reivindicou a Pequim - segundo consumidor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA - o estabelecimento de planos nacionais e regionais de contingência para vazamentos, assim como uma avaliação global de riscos das infraestruturas petrolíferas do país para que este tipo de situação não se repita.
Representantes de três importantes coleções nacionais apontam principais problemas na segurança dos museus em reunião da SBPC
Foto: AE
Muitos perigos ainda rondam os museus brasileiros. O incêndio no Instituto Butantan, que destruiu 80% da maior coleção de serpentes do mundo, serviu de alarme para todos os museus do Brasil. Mesmo assim, poucos problemas começaram a ser resolvidos. Foi o que afirmaram na quinta-feira (29) em uma mesa redonda da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os representantes de três importantes coleções do País: Instituto Butantan, Museu Nacional e Museu Paraense Emílio Goeldi.
?Ainda não tivemos aumento de verba?, disse a diretora do Museu Nacional, Claudia Carvalho. Ela afirmou que é necessário pensar em uma origem interministerial ou rubrica própria para a liberação de recursos para as coleções nacionais.
De acordo com Claudia, embora o antigo problema com cupins do Museu Nacional ter sido sanado, ainda falta investimento na segurança do museu, em contratação - são apenas nove funcionários que acompanham a visitação interna -, além da questão de muitos funcionários serem terceirizados e sem treinamento específico.
?Os extintores são trocados periodicamente e estão todos dentro da validade, mas falta treinamento contra incêndios. Muitas pessoas não sabem usar o extintor, eu sou uma delas?, disse. Para a diretora, a principal questão, é que muitos problemas são resolvidos com adaptações. Outro problema é que apesar da reformulação recente do sistema elétrico, ?ainda se encontra muita gambiarra nas salas?.
No Pará, os problemas são parecidos, mas pelo menos o incêndio no Butantan serviu para a correção de um erro. ?Semana passada, fizemos uma reunião e nos demos conta que a compra de álcool por licitação era anual. Os pesquisadores estavam armazenando o álcool nas suas salas e nos corredores.?, disse Nilson Gabas Junior, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.
O ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, enviou um aviso à ministra de Meio Ambiente, Izabela Teixeira, no dia 2 de junho, onde se fazia necessário no curto prazo o lançamento de um edital específico do CNpq para resolver os problemas imediatos de segurança das coleções científicas e biológicas. A verba sairia do MCT e do MMA em associação com as Fundações de Amparo à Pesquisa regionais. Para o longo prazo a proposta é a criação de um Plano Nacional.
Butantan busca arquivos antigos
O Instituto está tentando repatriar as informações perdidas com o incêndio. Para isto, está pedindo àqueles que fizeram pesquisas no Butantan que enviem as informações guardadas em planilhas pessoais. ?Eventualmente, tem até fotografias que dão condição de credibilidade à pesquisa?, disse Francisco Luis Franco, curador da coleção herpetológica.
A recuperação é lenta e nunca será completa. O Instituto continua a contabilizar o que sobrou do incêndio. Franco afirma que entre 15% e 20% da coleção de serpentes foi resguardada, 50% dos tipos (exemplares utilizados de espécies novas). ?Tem mais galões que não foram abertos ainda?, disse.
O que foi perdido com o incêndio do Butantan:
- Cerca de 80% da coleção de serpentes e 50% da coleção de artrópodos
- Cerca de 50% dos tipos de serpentes e 80% dos tipos de artrópodos
- Cerca de 70% da coleção de tecidos
- Documentação sobre a curadoria da coleção
- Cerca de 60% do material emprestado de outras coleções
- Muitas teses, trabalhos e publicações foram prejudicadas ou mesmo inviabilizadas
- Biblioteca científica e histórica, inclusive com obras raras
- Equipamentos de laboratório
- Computadores com parte administrativa da coleção e vários manuscritos
O que se salvou no incêndio do Butantan
- Livros tombos originais
- Planilha eletrônica
- Escritório de recepção e cadastro de recebimento de animais peçonhentos
- Bastante material ainda não tombado de projetos recentes
- Boa parte das coleções referência de outros répteis e anfíbios
- Coleção osteológica
- Parte administrativa e laboratorial do Laboratório de Artrópodos
- Parte das separatas e poucos livros e revistas
- Talvez os dados dos HDs dos computadores
- Dois ultra-freezers
Dados de Francisco Luis Franco, curador da coleção herpetológica do Instituto Butantan.
Ainda não se se sabe quem executará a Lei Arouca, que pune quem não utiliza animais de forma ética em pesquisas científicas
Um ano depois de a Lei Arouca ter sido regulamentada, ainda não está definido quem punirá cientistas e instituições que não utilizarem animais de forma ética em suas pesquisas. A lei, criada em 2008 para regrar a experimentação animal, teve sua regulamentação publicada em julho de 2009. O texto prevê, por exemplo, que cada experimento usará o mínimo indispensável de animais, e que se deve poupá-los de sofrimento. Os testes que possam causar dor devem ser feitos com sedação.
A legislação inclui penalidades duras. A instituição pode receber multa de R$ 5 mil a R$ 20 mil, ser interditada temporariamente ou em definitivo e sofrer com a suspensão de financiamento de fontes oficiais. Já o pesquisador pode levar multa entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, sofrer suspensão temporária e até ser proibido de pesquisar com animais.
Porém, até agora não está claro quem vai controlar a questão. "Neste momento, não sabemos quem vai punir", admite o médico Marcelo Marcos Morales, que integra o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). O Concea, criado para controlar a experimentação animal do País, passou a existir oficialmente em dezembro do ano passado e faz parte do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).
Morales, que é pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu uma conferência sobre a Lei Arouca ontem durante a 62.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Ele explicou que a lei apenas "indica" os responsáveis pelo trabalho, citando os "órgãos dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Saúde, da Educação, da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, nas respectivas áreas de competência". Segundo ele, o assunto terá de ser discutido no Concea. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
30/07/2010 12:29 PM
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