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Notícias, matérias e especiais sobre Cultura: Cinema, Livros e Música no Último Segundo - iG


Angelina Jolie: dona do coração... das mulheres

Marco Tomazzoni, iG São Paulo

A transformação da garota-problema na mãe de família que todos querem assistir

Foto: Reprodução

Um filme de ação com público majoritariamente feminino? Culpa de Angelina Jolie. Quando Salt entrou em cartaz nos Estados Unidos no último final de semana, 53% dos espectadores que correram às salas eram mulheres, e maiores de 25 anos, de acordo com informações da Sony. Que magia a senhora Brad Pitt exerce sobre universitárias, jovens profissionais e donas-de-casa para que elas se interessem em ver pancadaria, tiros e explosões? Só acompanhar o namorado não é motivo suficiente: Angelina serve como exemplo de beleza, redenção, sucesso e família.

Nem sempre foi assim. Adolescente rebelde, cresceu longe do pai, o ator John Voigt, com quem até hoje mantém uma relação conturbada. Fez tatuagens desde cedo e drogas nunca lhe faltaram ? "cocaína, heroína, ecstasy, LSD, experimentei de tudo", já disse. De beleza sobrenatural ? grandes olhos verdes, magra, lábios siliconados sem silicone ?, começou a trabalhar como modelo aos 14 anos, teve aulas de teatro e aos 18 fez seu primeiro filme como atriz profissional, Cyborg 2, ficção científica de baixo orçamento. A estreia em Hollywood aconteceu com Hackers (1995), onde ela conheceu seu primeiro marido, o ator inglês Jonny Lee Miller (Trainspotting). A cerimônia do casamento demonstrou a excentricidade do casal: ele de couro, ela com calças pretas de borracha e uma camiseta branca, na qual escreveu o nome do noivo com seu próprio sangue (Angelina gostava de se cortar, veja só).

Quatro anos e um divórcio depois, interpretou a mulher de Billy Bob Thorton no filme Alto Controle (1999) e os dois levaram a história para fora dos sets. História, aliás, estranhíssima: tatuaram seus nomes como prova de amor, além de andarem por aí com um frasco do sangue do outro pendurado no pescoço. Nessa época, a carreira de Jolie estava em disparada. Ganhou três Globos de Ouro consecutivos, pelos telefilmes George Wallace - O Homem que Vendeu sua Alma (1997), Gia - Fama & Destruição (1998) e, finalmente, pelo longa Garota, Interrompida (1999), que lhe valeu também o Oscar de atriz coadjuvante. Ao subir ao palco para pegar o prêmio, sem embarcar na guerra dos estilistas, mostrou um visual a la Morticia Adams, com vestido e longos cabelos negros, e fez um discurso ambíguo com relação ao irmão, com quem depois trocou beijos na boca.

A atriz dramática, então, começou a apostar também nos filmes de ação e se converteu na maior estrela do gênero atualmente. Até hoje, são oito produções, de 60 Segundos, passando pela Lara Croft dos filmes Tom Raider, até, enfim, Sr. & Sra. Smith (2005), quando conheceu Brad Pitt. Ali, ela conseguiu a façanha de roubar o marido da namoradinha da América, Jennifer Anniston, da série Friends. Um currículo desses não é, nem de longe, uma garantia de sucesso com o público, apesar de manter espaço cativo na imprensa de celebridades (com a qual a atriz sabe lidar muito bem). Nesse quesito, a tal fascinação com sangue e suas supostas relações homossexuais só ajudavam. A questão é que, desde que conheceu Pitt, Jolie sofreu uma transformação. Ao lado do homem mais bonito de Hollywood, passou a dar maior visibilidade para seu trabalho humanitário e aos filhos adotados em países subdesenvolvidos. Virou uma mulher de família, uma inversão de expectativas que fez sua popularidade subir ainda mais.

Embaixadora da boa vontade das Nações Unidas, Jolie volta e meia está voando para nações em risco. Haiti, Líbano, Bósnia, Iraque, Afeganistão... A lista de carimbos no passaporte da estrela é extensa. Foi nessas viagens que ela adotou três de seus filhos: Maddox, do Camboja, Zahara, da Etiópia, e Pax, do Vietnã. Completam a prole a menina Shiloh e os gêmeos Knox e Vivienne, da relação com Pitt. Tantas crianças fizeram com que ela ficasse mais tempo em casa e escolhesse melhor seus projetos ? nos últimos dois anos, foram apenas três filmes, uma animação (Kung Fu Panda), um drama aclamado pela crítica (A Troca) e dois filmes de ação, Procurado e, agora, Salt.

A ligação com o projeto começou com o telefonema de uma executiva da Sony Pictures, interessada em saber se Angelina queria ser uma Bond Girl, os famosos pares femininos do espião 007. A atriz disse não, mas que gostaria de interpretar Bond. Uma ano e meio depois, a oportunidade apareceu com Salt, escrito anteriormente para Tom Cruise. O personagem mudou de nome, de Edwin para Edwina, e de repente ganhou conotação feminista, uma espiã que bate, atira e mata como um homem. "O engraçado de ter crianças é que agora me sinto ainda mais motivada a fazer cenas de ação porque sei que elas adoram", declarou Jolie à Entertainment Weekly.

A família, portanto, move sua carreira, mas, ao mesmo tempo, será responsável por abreviá-la. Angelina não quer mais continuar apostando na roleta de Hollywood. Uma aposentadoria está nos planos para que ela possa construir um lar grande e feliz, coisa que não teve na infância. "Não amo tanto atuar a ponto de ficar com o coração partido se não pudesse mais fazer isso amanhã", afirmou a atriz à revista Vanity Fair. "[Brad e eu] faremos isso por mais alguns poucos anos e depois vamos fazer outra coisa. Isso não significa que nunca mais tentaremos fazer outro filme, mas será uma coisa diferente."

No tempo livre, estão previstas viagens a lugares distantes, inclusive aos países dos filhos, para aprender e mergulhar na cultura local. "Em qualquer momento que me sinto perdida, pego um mapa e olho, olho até me lembrar que a vida é uma aventura gigantesca, com muito a fazer, a ver", diz ela. Em Veneza, onde a família mora atualmente para Jolie filmar The Tourist ao lado de Johnny Depp, com direção do alemão Florian Henckel von Donnersmarck (A Vida dos Outros), a rotina, apesar dos paparazzi, é pacata. As crianças têm aulas com professores particulares, que viajam com o casal, e Pitt fica à vontade para construir móveis, esculpir e desenhar (ele é um entusiasta da arquitetura). Aos 35 anos, a maluca tatuada, ícone dos filmes de ação, está perto de concluir sua metamorfose. A simpatia do público, e das mulheres, isso ela já conquistou.

Assista ao trailer de Salt:

29/07/2010 05:42 PM

Banda alemã Rammstein volta ao Brasil em novembro

iG São Paulo

Apresentação acontece no dia 30/11 no Via Funchal, em São Paulo

Foto: Divulgação

A banda alemã Rammstein vai se apresentar no Brasil este ano. O grupo tem show agendado em São Paulo no dia 30 de novembro. Será o primeiro show da banda no país desde 1999, quando eles abriram as apresentações do Kiss em São Paulo e Porto Alegre. Em 2005, eles marcaram uma nova turnê no Brasil, mas ela foi cancelada porque o tecladista Christian Flake ficou doente.

O show faz parte da turnê internacional de lançamento do álbum Liebe ist für alle da, lançado no ano passado. A performance acontecerá no Via Funchal, na zona sul da capital paulista, com ingressos custando R$ 200 (pista), R$ 220 (mezanino) e R$ 300 (camarote). A venda começa no dia 07 de agosto, através do site www.viafunchal.com.br ou pelo telefone (11) 2144 5444.

29/07/2010 03:59 PM

Curta de Spike Jonze é atração de festival no MIS

Augusto Gomes, iG São Paulo

I'm Here, história de dois robôs apaixonados, será exibido nesta sexta; evento ainda tem shows da banda Tunng

Foto: Divulgação

Um dos destaques do último Festival de Sundance, em janeiro, o curta I'm Here tem estreia oficial no Brasil nesta sexta-feira. Dirigido por Spike Jonze (De Quero Ser John Malkovich e Onde Vivem os Monstros), o filme de pouco mais de 20 minutos conta a história de dois robôs apaixonados numa Los Angeles com cara de anos 70, e será exibido dentro da programação do festival Rojo Nova, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.

Dar mais detalhes sobre I'm Here seria estragar suas surpresas. Mas é possível adiantar que o curta tem aquele tom absurdo de outros trabalhos de Jonze, especialmente videoclipes como "Da Funk" (Daft Punk) e "Triumph of a Heart" (Björk). No papel principal, está Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha (seu rosto, no entanto, fica coberto por uma máscara de robô o tempo todo). A ótima trilha tem Of Montreal, Animal Collective e o brasileiro Gui Boratto.

O curta I'm Here será exibido nesta sexta-feira, às 19h30 e às 20h30, com ingressos a R$ 10 (estudantes pagam R$ 5). As sessões, segundo a organização do evento, serão "vitaminadas". Em outras palavras, haverá efeitos de luz na sala, relacionados com o que acontece na tela. Além disso, a dupla Mulheres Barbadas fará um mural no hall de entrada da sala, inspirado em cenas do filme.

Além da exibição do filme de Jonze, o festival Rojo Nova tem outro destaque nesta semana. É a banda inglesa Tunng, que toca no MIS nesta quinta (29) e no sábado (31). O grupo faz uma inusitada mistura de folk com elementos eletrônicos, e em março deste ano lançou seu quarto álbum, And Then We Saw Land. As apresentações serão acompanhadas de projeções do espanhol Cesar Pesquera. Os ingressos custam R$ 80 (estudantes pagam R$ 40).

O festival vai até o dia 15 de agosto. Nos próximos finais de semana, ainda haverá shows dos islandeses Sing Fang Bous e Sóley, e também da dupla britânica Fuck Buttons. Veja abaixo a programação dessa semana:

29 de julho, quinta-feira
19h: Dreaming with Open Eyes #1: Sessões audiovisuais (Ingressos gratuitos com retirada a partir das 18h)
20h: Tunng (Reino Unido) + Cesar Pesquera (Espanha): Música +Visuais
* (ingressos live cinema + música + visuais: R$ 80,00 e R$ 40 para estudantes)

30 de julho, sexta-feira
19h30 & 20h30: Spike Jonze's I'M HERE (EUA): Sessão vitaminada de cinema
* (ingressos R$ 10,00 e R$ 5 para estudantes para cada sessão)

31 de julho, sábado
18h30: Outside de James Roper (Reino Unido) Circle One de Cesar Pesquera (Espanha): Sessão de cinema (Ingressos gratuitos com retirada a partir das 17h30)
19h30: M.Takara3 (Brasil): Música
20h30: Tunng (Reino Unido) + Cesar Pesquera (Espanha): Música +Visuais
* (ingressos live cinema + música + visuais: R$ 80,00 e R$ 40 para estudantes)

Museu da Imagem e do Som
Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Telefone: 11 2117 4777

29/07/2010 02:58 PM

Projeto traz painel de Portinari na ONU de volta ao país

AE

Obra "Guerra e Paz" será restaurada e terá uma série de exposições públicas em várias cidades do Brasil

Foto: Reprodução

Um projeto ambicioso vai trazer ao Brasil, pela primeira vez, uma das obras mais imponentes do pintor Candido Portinari. Os dois gigantescos painéis que compõem a obra "Guerra e Paz", instalada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, serão desmontados a partir de agosto e transportados para uma restauração completa e uma série de exposições públicas em várias cidades.

Os murais de 140 m² cada, que retratam o sofrimento da guerra e o conforto da paz, foram encomendados a Portinari para exibição no acesso ao plenário da Assembleia-Geral da ONU. Antes de serem levados para os EUA, em 1956, foram expostos no Brasil por uma semana.

A primeira exibição pública da obra no retorno ao Brasil deve ocorrer em novembro, no Theatro Municipal do Rio, mas os responsáveis pelo projeto já negociam exposições em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Paris e Alexandria (Egito) até 2013, quando os painéis serão devolvidos às Nações Unidas. "Será uma grande oportunidade de ver de perto uma das últimas grandes obras de Portinari", avalia o filho do artista, João Candido Portinari. "Os painéis são um grande grito brasileiro pela paz, mas ficaram por mais de 50 anos restritos a um prédio a que o grande público não tem acesso."

A viagem e a recuperação dos dois murais fazem parte de uma operação complexa viabilizada por um financiamento do governo. Os recursos serão usados para pagar a desmontagem dos painéis (28 grandes placas de madeira), o transporte, o armazenamento, a restauração e o seguro das peças por três anos.

A vontade de tornar pública a estada da obra no País é tanta que até o trabalho de recuperação dos painéis será aberto a visitações, no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio. Durante quatro meses, uma equipe vai corrigir os efeitos da umidade na superfície da pintura e as falhas nas junções entre as placas.

29/07/2010 01:52 PM

Britânica lança biografia sem entrevista com Lady Gaga

AE

Livro sobre a carreira da cantora foi escrito apenas com informações tiradas da internet

Foto: Getty Images

Aos 24 anos, Stefani Joanne Angelina Germanotta - mais conhecida como Lady Gaga -, é uma das 100 artistas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. O mais incrível dessa história é que há três anos, ninguém sabia quem era essa moça. Em 2007, Stefani Germanotta já tocava e cantava em casas noturnas de Nova York, onde nasceu, numa família rica. Mas sua música não conseguia chamar a atenção de ninguém: público, crítica e produtores. Até que um dia, quando se apresentava num bar, ela ficou indignada ao perceber que as pessoas não estavam dando a mínima para o seu show. Para conquistar a atenção da plateia, a jovem tirou a roupa, ficando no palco só de calcinha e sutiã, e continuou cantando, agora, sim, sob os olhares atentos do público - especialmente os homens.

Foi assim que ela percebeu que investir em apresentações espalhafatosas e declarações polêmicas - como a de que seria bissexual - poderia ser uma ótima maneira de compensar sua música de qualidade duvidosa. A verdade é que, desde então, Stefani virou Lady Gaga, conquistando fama e sucesso em todo o mundo. Mesmo tendo lançado apenas um disco, The Fame, em 2008, ela já vendeu mais de 15 milhões de unidades e tem shows com ingressos esgotados em qualquer lugar do planeta. Com uma carreira tão meteórica, a vida de uma garota como essa mereceria uma biografia, mesmo ela tendo apenas 24 anos?

A resposta, segundo a jornalista britânica Helia Phoenix, 29 anos, é sim. Escrita por Helia, chega este mês ao Brasil a biografia não-autorizada Lady Gaga. E, neste caso, o "não-autorizada" não significa que a obra traz episódios polêmicos e inéditos da vida da cantora. Nem se quisesse, Lady Gaga poderia ter autorizado a biografia. É que Helia nunca conversou com a cantora americana. Nunca. Nem uma entrevista, sequer. Em entrevista ao Jornal da Tarde, a própria autora admite essa falha gravíssima para quem quer escrever a biografia de alguém. "Tentei contato, mas os empresários dela nunca me responderam", diz Helia.

Por isso, o livro da jornalista foi escrito baseado apenas em entrevistas dadas por Lady Gaga a vários jornais e revistas e declarações postadas no YouTube. Se você fizer uma pesquisa na internet sobre a vida da cantora, vai encontrar tudo lá. O livro não traz nada sobre a vida de Gaga que já não tenha sido publicado. Faltam dados sobre a infância da cantora, detalhes sobre o namoro conturbado com seu único amor (até agora) - o ex-namorado Luc Carl -, além, claro, de entrevistas com a própria artista. Helia Phoenix confessa só ter assistido a um show da cantora. A jornalista justifica a decisão de escrever o livro mesmo sem ter acesso à biografada. "Lady Gaga inspira os jovens. A vida que ela já viveu vale por cinco. Há um interesse das pessoas em conhecer a história dela", diz. A

29/07/2010 01:33 PM

Pavement tem show confirmado no Brasil

iG São Paulo

Banda toca com Smashing Pumpkins, Girl Talk e outros em festival de São Paulo

Foto: Getty Images

A organização do festival Planeta Terra anunciou hoje mais atrações para o evento, marcado para 20 de novembro no Playcenter, em São Paulo. Além de confirmar a participação do Smashing Pumpkins, divulgada ontem, também entram na escalação nomes importantes do cenário internacional: o Pavement, em sua turnê de retorno, os canadenses do Of Montreal, o DJ Girl Talk, em sua segunda passagem pelo Brasil, e os nova-iorquinos do Yeasayer.

Assim como no ano passado, dois palcos vão dividir as 10 horas da programação, o Main Stage e o Indie Stage. Também estão confirmados os grupos Hot Chip e Phoenix. O primeiro lote de ingressos, custando R$ 160, estará à venda a partir de 1º de agosto, pela Internet, telefone (4003-6464) e postos autorizados.

29/07/2010 10:41 AM

Salman Rushdie lança novo livro na Flip

AE

Luka e o Fogo da Vida tem apelo para público adolescente e deve, inclusive, ser adaptado para os cinemas

Foto: Getty Images

Com lançamento mundial na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), dia 6, Luka e o Fogo da Vida, do escritor indiano Salman Rushdie, tem algo de Harry Potter ? e todos os ingredientes para conquistar seus leitores. Em entrevista por telefone, de Londres, Rushdie revela, inclusive, que já trabalha numa adaptação desse seu novo livro para o cinema, assistido pelo cineasta inglês Alan Parker (Evita). Inicialmente, pensou em Terry Gilliam para dirigir Haroun e o Mar de Histórias, mas ele estava envolvido com outros projetos. Publicado em 1990, Haroun é o livro do qual saíram os protagonistas de Luka, outra fábula no melhor estilo de Italo Calvino.

Luka e o Fogo da Vida narra a história de um garoto de 12 anos, filho de um contador de histórias, Rashid Khalifa. Certo dia, por amaldiçoar um circo que maltrata animais, provocando involuntariamente um incêndio, Luka vê seu pai enfeitiçado pelo perverso treinador que usa o chicote contra os indefesos bichos do circo. Recolhido a um sono profundo que pode levar Rashid à morte, ele só será resgatado se o filho roubar o fogo da vida na Montanha do Conhecimento. Parece um videogame. E é quase um. Rushdie dedica o livro ao filho Milan, que tem quase a mesma idade de Luka.

Se você pensou numa parábola sobre o irracionalismo do mundo contemporâneo, em busca de um novo Prometeu que lhe devolva a luz, pensou certo. Rushdie anda desencantado. Há 20 anos seu pescoço está por um fio por causa de fanáticos que insistem em ler seu Versos Satânicos como uma obra blasfema contra o Islã. Ele ainda corre riscos, a despeito do acordo firmado entre Irã e Inglaterra para suspender a fatwa ? condenação à morte ? contra Rushdie, acusado de apostasia em 1988 por causa do livro.

Rushdie, que todo dia 14 de fevereiro recebe uma carta de radicais, avisando que o país não esqueceu a fatwa decretada pelo aiatolá Khomeini (1900-1989), não parece tão paranoico como há duas décadas, embora não ignore a advertência. Tem, inclusive, um livro pronto para ser publicado sobre essa experiência de viver perseguido. Ele alega que o escreveu para contestar a história "falsa" que seu guarda-costas Ron Evans tentou publicar e foi interditada judicialmente há dois anos pela Corte Suprema de Londres. Evans teria argumentado em seu livro proibido que Rushdie tem instinto suicida e tirou dividendos financeiros da ameaça de morte.

Mas o escritor deixou de mexer com religião e, hoje, só fala por metáforas ? à maneira do português José Saramago (1922-2010). Ou melhor, do cubano de origem italiana Italo Calvino (1923-1985), modelo confesso tanto de Haroun e o Mar de Histórias (1990) como de Luka e o Fogo da Vida, que vem lançar na Flip. Ele já esteve na festa há cinco anos. Sua mesa, nesta oitava edição, foi uma das primeiras a ter lotação esgotada.

29/07/2010 10:25 AM

Caixa revê carreira de Woody Allen

iG São Paulo com AE

Fox reúne em 20 DVDs boa parte da filmografia do diretor, sem obras recentes

Foto: Divulgação

Dois dos três filmes de Woody Allen que o diretor norte-americano mais gosta estão na caixa que a Fox Home Entertainment lança esta semana com duas dezenas de suas melhores obras, do ultrajante Bananas (1971), crítica mordaz ao radicalismo de guerrilheiros latinos, ao intelectual Melinda e Melinda (2004), passando por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), Zelig (1983), Setembro (1987) e Neblina e Sombras (1991). Os dois filmes anteriormente citados como os favoritos de Allen são Memórias (1980) e A Rosa Púrpura do Cairo (1985). O terceiro da lista não está na caixa: é o recente Match Point (2005).

A seleção da Fox contempla grandes momentos da carreira do diretor e os títulos podem ser adquiridos separadamente. Todos tiveram seus preços reduzidos para venda individual, de R$ 24,90 para R$ 19,90. O box completo com os 20 títulos custa R$ 249,90. Embora não tragam extras adicionais às cópias que circulavam anteriormente (Allen jamais grava extras ou revê seus filmes), os títulos justificam o investimento. De alguma forma, eles sintetizam uma carreira de mais de 40 anos no cinema, marcada sobretudo pela experimentação ? há tanto a screwball comedy, em que vale tudo (O Dorminhoco, 1973), como o intimista exercício bergmaniano de Interiores (1978), incluindo incursões nostálgicas na biografia do realizador e no passado histórico americano ? A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e A Era de Rádio (1986).

Em todos esses filmes, as mudanças de registro são exercícios de um intelectual que fez do cinema uma espécie de laboratório de gêneros ? da comédia escrachada (Bananas) ao melodrama (Simplesmente Alice, 1990), esbarrando no horror moderno (o do serial killers em Neblina e Sombras). Esse fio tênue que separa os gêneros, aliás, é discutido em Melinda e Melinda, em que Allen conta uma mesma história em duas diferentes versões, uma cômica e outra séria. Essa mudança de perspectiva é orientada pelas duas maiores fixações de Allen, o soturno Ingmar Bergman e o festivo Federico Fellini.

Memórias inaugura outra fase de Woody Allen nos anos 1980, a dos filmes com reminiscências da infância e da adolescência. Esse filão rendeu filmes engraçadíssimos como A Era do Rádio (1987) e Broadway Danny Rose (1984). Muitos defendem que foi a época de ouro de Allen, mas, a considerar seu último filme, Tudo Pode Dar Certo, ele ainda está em plena forma.

Veja a lista de filmes incluídos no box:

Bananas (1971)
Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (1972)
O Dorminhoco (1973)
A Última Noite de Boris Grushenko (1975)
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
Interiores (1978)
Manhattan (1979)
Memórias (1980)
Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982)
Zelig (1983)
Broadway Danny Rose (1984)
A Rosa Púrpura do Cairo (1985)
Hannah e suas Irmãs (1986)
A Era do Rádio (1987)
Setembro (1987)
A Outra (1988)
Crimes e Pecados (1989)
Simplesmente Alice (1990)
Neblina e Sombras (1991)
Melinda e Melinda (2004)

29/07/2010 10:02 AM

Roberto Carlos atrai recorde de sambas para o carnaval de R$ 8 milhões da Beija-Flor

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro

Cantor será enredo da escola em 2011 e a disputa pelo samba-enredo deve passar de 120 músicas inscritas até esta segunda-feira, 2 de agosto

Foto: Divulgação

Roberto Carlos sempre foi a trilha sonora preferida de casais apaixonados. E agora está dando samba. Desde que a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis comunicou, no dia 5 de maio, que o cantor seria o enredo do próximo carnaval, viu-se um fenômeno único na ala de compositores da agremiação. Até o momento são exatos 91 sambas-enredos inscritos para o concurso que escolherá a letra oficial do ano que vem. Número que deverá chegar a pelo menos 120, segundo o vice-presidente da ala dos compositores da escola, Jorge Veloso. Todo mundo quer cantar a vida e obra de Roberto no enredo ?A simplicidade de um Rei?, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada, Fran Sérgio, Victor Santos e Ubiratan Silva, sob a batuta do diretor de carnaval Laíla.

Para efeito de comparação, em 2010, quando a escola levou para a Marquês de Sapucaí enredo sobre os 50 anos de Brasília, 49 letras competiram no período de agosto a outubro, quando acontecem as eliminatórias do samba na quadra da agremiação. Em outra escola, a tradicional estação Primeira de Mangueira, a ala de compositores só recebeu, até o momento, 35 inscrições para o desfile de 2011. O enredo por lá, também com temática musical, é uma homenagem ao poeta Nelson Cavaquinho.

Segundo cálculos da escola de Nilópolis, cada samba tem uma média de cinco compositores. Não se pode inscrever mais de uma letra por ano. Isso dá quase 500 pessoas compondo em torno de um só tema: o Rei. Intérprete oficial da azul e branca há 33 anos, Neguinho da Beija-Flor chegou a pensar na possibilidade de voltar a compor para a escola e se inscrever na disputa, que promete ser a mais acirrada na história da agremiação. Mas voltou atrás. Uma das mais marcantes vozes da Sapucaí, caberá a Neguinho cantar a homenagem ao Rei. ?Tenho um acordo com a diretoria de não disputar, e isso já dura 15 anos. Deixo para os mais jovens?, diz o intérprete, que conta sobre o clima da comunidade.

 

?A expectativa é grande, todo mundo está vibrando. Roberto Carlos é unanimidade. Vai ser muita emoção. A comunidade está feliz com isso, temos excelentes sambas na disputa. Já andei ouvindo algumas letras e posso garantir que pelo menos quatro são excelentes. Vai ser uma das mais difíceis disputas dos últimos tempos?, avisa Neguinho.

O desfile, mesmo sem patrocínios confirmados, está orçado em valores apoteóticos. ?Vamos gastar pelo menos uns R$ 8 milhões, ninguém gasta isso. Vamos fazer um carnaval com todo o luxo que o Rei merece?, afirma o diretor de carnaval Laíla. A Beija-Flor terá 17 alas comerciais, de um total de 49. O preço médio das fantasias será de R$ 800, o mesmo desse ano. ?As roupas estarão mais leves. Mas não haverá mulheres nuas no enredo?, garante o dirigente.

?Quero que vá tudo para o inferno? vetado

Apesar de nenhum dirigente da escola confirmar a informação, especula-se que Roberto tenha pedido que a homenagem seja restrita à sua carreira musical, sem citar qualquer apelo pessoal. Na sinopse entregue aos compositores, escrita em primeira pessoa pelos carnavalescos, há várias menções a canções famosas do cantor. ?Me leva meu sonho em viagem, por uma estrada colorida, onde o tempo pede passagem e carrega, em sua bagagem, as lembranças que eu trago da vida. E lá vou eu, bem longe, além do horizonte, vivendo esse momento lindo, a reconstruir meu castelo de sonhos entre emoções, como quem chora sorrindo?. Não estão incluídos na sinopse versos como ?quero que vá tudo para o inferno?, ou ?o bem e o mal existem?, que Roberto excluiu de seu repertório

Jorge Veloso analisa esta fase da escola como uma mudança radical do que se esperava da azul e branca. ?A direção pediu um samba mais alegre, mais leve, diferente do que vínhamos apresentando. Queremos uma maior comunicação com as arquibancadas. É uma mudança significativa no jeito Beija-Flor de fazer carnaval?, diz Veloso.

Um dos autores do samba do carnaval 2010 e famoso compositor da escola, Picolé está animado com a repercussão em torno dos preparativos do desfile. ?A Beija-Flor está dando uma grande guinada em relação aos anos anteriores. Vínhamos fazendo sambas como antigamente, mas agora vamos tentar conquistar a todos, como tão bem faz o nosso homenageado?, conta o sambista.

Capricho em respeito ao Rei

Um dos compositores sempre favoritos na escola de Nilópolis, Claudio Russo venceu nos anos de 2004, 2007 e 2008, exatamente quando a Beija-Flor faturou campeonatos. Para este ano, ele afirma que a dedicação à letra está tirando o seu sono. ?Está difícil fazer a letra. Roberto Carlos é a figura mais popular da nossa cultura, não podemos fazer qualquer coisa para ele. Tem que ter dedicação e capricho. Por isso mesmo adiamos a entrega da letra para o último dia, até lá vamos dar os retoques finais?, diz Claudio, que prevê uma disputa acirrada em torno do enredo. ?O assunto acaba atraindo muita gente. Não só porque a escola permite que qualquer brasileiro participe da seleção, mas também porque um samba sobre Roberto vai ser bastante executado na mídia?, prevê o compositor que assina a letra com outros cinco parceiros.

Para a ?candidatura? de um samba, se gasta em média R$ 20 mil. Neste valor estão incluídos o aluguel de estúdio, compra de bandeirinhas e gorjeta para torcida, confecção de camisas e contratação de um intérprete para defender o samba nas eliminatórias da quadra. Caso vençam, os compositores dividem entre si os lucros pela comercialização da letra. ?Tira o prejuízo e coloca algum no bolso. Não é investimento, não é algo rentável. Com o enredo sobre Roberto Carlos, é provável que seja mais lucrativo. Mas depois que inventaram a pirataria, não dá para se esperar muita grana?, diz Claudio Russo.

Caberá a uma comissão formada por integrantes da escola decidir o vencedor. Representantes da ala das baianas, da velha guarda, da bateria, da presidência e os próprios carnavalescos irão opinar sobre cada uma das letras.

?Homenagem justa e necessária?

O interesse criado em torno do enredo só comprova que o rico acervo musical rende tema para o carnaval. É o que defende o historiador e produtor musical Ricardo Cravo Albim. ?As escolas cantam, às vezes, assuntos que não têm nada a ver com nossa vivência. Quando personagens populares, como é o caso do Roberto, são bem-vindos, o interesse é realçado pelo público e pela ala de compositores?, explica.

Ainda segundo Ricardo, mesmo que Roberto Carlos não tenha um repertório voltado ao samba, sua trajetória musical lhe confere a homenagem. ?Eu não diria que Roberto tenha ligação com o samba, mas com os produtos paralelos gerados por ele. A Jovem Guarda não tem conexão com este universo, é claro. Mas a canção romântica brasileira sim, como, por exemplo, o samba canção. Além disso, Roberto abrigou pessoas de samba nos seus programas de TV. Ele é um elo da música popular. A homenagem é justa e necessária. Roberto é, acima de tudo, um cantor brasileiro fundamental. Seria até ótimo se ele fosse mais do samba?, diz o historiador.

Cantor vai à quadra da escola

A paixão do cantor pela escola já é de longa data. No último especial de final de ano da TV Globo, Roberto convidou a bateria, passistas, mestre-sala e porta-bandeira e o intérprete para se apresentarem junto a ele. No carnaval de 2009, aceitou o convite de Neguinho para ir à Sapucaí presenciar seu casamento em pleno desfile. Ovacionado pelas arquibancadas, Roberto Carlos assistiu a tudo com um sorriso no rosto. Mas esta não será a primeira vez que ele pisará na Sapucaí como o personagem principal da festa. Em 1987, o cantor foi enredo da Unidos do Cabuçu, escola do grupo de acesso.

A primeira fase das eliminatórias do samba de 2011 começa no dia 2 de agosto, a partir das 21h, na quadra. Até o dia 9 todos os sambas inscritos irão se apresentar, já havendo cortes diários. Ainda não foi definida a data da final. ?Tem gente que gosta de manter o fator surpresa e só vai entregar a letra no último dia. Ou seja, este número de inscritos tende a aumentar ainda mais. Vai passar dos 120 sambas, com certeza?, prevê o vice-presidente da ala de compositores.

Ainda na fase de negociações, após o carnaval deste ano, ficou acertado que haveria um show de Roberto na quadra da escola, para que ele possa ter contato com a comunidade. Procurada pela reportagem, a assessoria do cantor informa que não sabe ainda a data que ele deve comparecer à Baixada Fluminense. Como forma de comprometimento com o desfile, o cantor prometeu visitar a quadra no dia de uma das eliminatórias do concurso de samba-enredo. Mais um motivo para que os fãs de Roberto vistam a fantasia de compositores da Beija-Flor.

 

29/07/2010 06:00 AM

Chega ao País livro sobre menina que entra nos sonhos

AE

Trilogia Wake, sucesso nos Estados Unidos, é publicada no Brasil

"Sonhei que estava dentro do sonho do meu marido, assistindo exatamente ao que ele via. Acordei no meio da noite e escrevi sobre aquilo", conta a escritora americana Lisa McMann, 42 anos. Ali era plantada uma semente que logo daria frutos. Era 2006 e, ainda naquele ano, os primeiros rascunhos da trilogia Wake - que pode ser traduzido como "despertar" - começavam a tomar a forma do seu primeiro romance homônimo. Lançado em 2008 nos EUA, o livro acaba chegar ao Brasil.

Era o início da história da colegial Janie Hannagan, 17 anos, que tem o estranho poder (ou seria maldição?) de conseguir entrar nos sonhos de outras pessoas. Assim como Lisa fez naquela noite de 2006, ao "entrar" no sonho do marido. Maldição, sim, porque a garota faz isso contra a própria vontade. Pior: ela não só assiste, como interage e é afetada pelos sonhos. Numa das passagens mais agonizantes do livro, Janie é sugada para os sonhos de sua melhor amiga: Carie. Nele, ela vê a moça se afogando e sente seus pulmões se encherem d'água.

Outra ideia que ocorreu à Lisa McMann enquanto dormia: na infância, ela sonhava em ver seu irmão se afogando. "Era um pesadelo assustador", disse a autora ao Jornal da Tarde. Outros sonhos, ela queria que se tornassem reais. "Quando tinha 8 anos, vivia sonhando que a garagem da nossa casa era uma loja de doces. Acordava e ia até lá correndo, mas nunca encontrava nada (risos)", lembra.

Um sonho, porém, se tornou realidade. Em 2008 - ano de seu lançamento nos EUA -, Wake entrou na lista dos livros infantis mais vendidos do jornal americano New York Times. O mesmo aconteceu com seus sucessores - Fade e Gone - lançados em 2009 e 2010, nos EUA. "Foi uma surpresa incrível. O melhor momento da minha vida", ela diz. "Fade" tem previsão de ser lançado no Brasil em setembro deste ano.

Tal foi o sucesso dos livros que logo Hollywood já prepara uma adaptação. Paramount e MTV Films compraram os direitos autorais de Wake para transportar o filme para as telonas. Ainda em fase inicial de pré-produção, o longa tem Miley Cyrus - menina da vez, depois do sucesso do seriado Hannah Montana e com carreira de cantora pop rentável - como provável protagonista, no papel de Janie.

Lançamento: Wake. Lisa McMann. Novo Século. Preço: R$ 24,90

28/07/2010 05:13 PM

Roberta Sá de A a Z

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro

Cantora lança CD com mistura de ritmos brasileiros e conversa com o iG sobre suas preferências, críticas e a imagem que passa como artista

Foto: Léo Ramos

Uma das vozes mais elogiadas da nova geração da MPB, Roberta Sá acaba de lançar o CD ?Quando o canto é reza?. O trabalho é uma parceria com o trio de percussão Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim. São treze canções de autoria do compositor baiano Roque Ferreira, que já foi gravado por Clara Nunes, Maria Bethania, Alcione e Zeca Pagodinho.

?É um disco de misturas. É a minha mistura com o ?Trio?, a música baiana com todo o resto, a religiosidade afro-brasileira com o catolicismo, o amor com o trabalho, o estudioso com o espontâneo. Estar no palco é um momento divino, e isso remete ao nome do disco?, explica Roberta, sempre sorridente. ?Nossa única relação é com as divindades da música. Sigo a fé na música?, continua.

O disco permeia por diferentes ritmos genuinamente brasileiros, como coco, maxixe, samba carioca, afoxé e samba de roda. ?Aí está a delicadeza do trabalho e o que faz a simplicidade ser um detalhe bastante trabalhado nas letras?, afirma Zé Paulo Becker, um dos que acompanham Roberta no novo show, que estreia no dia 27 de agosto, no teatro Castro Alves, em Salvador.

Casada com o músico Pedro Luis, do Monobloco, a cantora, que nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, fala o que pensa, discorrendo a pedido do iG sobre vários assuntos de sua carreira. De A a Z, detalhes de Roberta Sá.

Alma de Artista. ?Percebi que tinha esta alma quando comecei a gostar de estar no palco. Tudo que o artista faz é para chegar naquele momento de dividir seus prazeres com o público?.

Braseiro. ?Foi meu primeiro CD. Dele trago até hoje meu entusiasmo com a criação. Acho que montar repertório é dos trabalhos mais criativos que existe. Tenho fome de novidade, gosto de me encher de inspiração?.

Coral. ?Morei nos Estados Unidos para um intercâmbio cultural, aos 18 anos. Nesta fase, cantei num coral de escola. Minha primeira percepção foi de tristeza, por perceber que o Brasil perde ao não ter educação musical como lá?.

Democracia. ?Não gosto de discutir política. Minha geração precisa se envolver mais com isso, sem esquecer o que temos vivido de bom e de ruim nos últimos anos. Não vejo programa eleitoral, prefiro me informar na internet?.

Erudição. ?Não tenho muita erudição, porque não tive formação acadêmica em música, é uma formação mais intuitiva. É importante estudar e buscar ouvir novas coisas?.

. ?Tenho fé de que as coisas vão melhorar no mundo, mas não tenho religião. Tenho fé em Deus e, por incrível que pareça, ainda tenho fé no ser humano?.

Gostos. ?Tenho muito disco. Quando chego em casa coloco logo um CD. Ouço Frank Sinatra, Elza Soares, Gil... No meu gosto pessoal cabe de tudo?.

Homenagens. ?Já homenageei Ataulfo Alves, João Donato, Tom Jobim. Mas o novo CD, sobre o Roque Ferreira, é a primeira homenagem que faço por vontade própria, e não um convite de outros?.

Imagem. ?Minha preocupação é não expor minha imagem pessoal. O que eu passo é verdadeiro, sou 100% o que você vê profissionalmente. Não sei mentir?.

Jovem Guarda. ?Meu pai adora tudo daquela época. Ouvia muito Roberto Carlos em casa, além de ver os filmes dele. Cantei com Erasmo Carlos num programa de TV recentemente, foi incrível?.

Liberdade. ?Eu só consigo trabalhar se for com liberdade. Não sei fazer o que dizem que é para fazer. Minha carreira não é pautada pelos outros. A palavra inicial tem que ser minha?.

Madeira Brasil. ?Minha vida é cheia de encontros e este está sendo ainda mais especial. Aprendo muito sobre a visão de música deste trio maravilhoso. Dividir este trabalho com eles está sendo bacana, o peso não é só meu?.

Natal. ?Estou no Rio há 21 anos, mas Natal é aquela coisa de comida de avó, casa em fazenda... Minha família ficou lá, assim como os amigos. Saudades de lá. Vou voltar pra Natal em outubro, preciso voltar?.

Orkut. ?Comecei a carreira e recebia cartas de fãs. Depois, passei a trocar mensagens com fãs pelo Orkut. Mas saí. Agora voltei com as redes sociais, via twitter. Por sugestão da Luiza Possi, há dois meses, que insistiu para que eu entrasse?.

Pedro Luis. ?É meu principal compositor. Quando o conheci, primeiro me veio a imagem social dele. Sou superfã. Ele interfere no meu trabalho e vice-versa. Ele tem delicadeza nas colocações, sabe interferir em mim?.

Qualidade. ?É impossível cantar o que não se sente, ao menos para mim. Qualidade passa por aí, pelo meu gosto. Preciso me convencer de que vale a pena gravar uma determinada canção?.

Roque Ferreira. ?É um elo perdido, não um elo achado. Um compositor incrível que prefere se manter meio recluso, na dele, lá na Bahia. Pedi para ele uma música para gravar e me mandou seis. Depois, chegamos a este CD todo com canções dele?.

Samba. ?É a grande majestade da música brasileira. Bossa Nova, como diz João Gilberto, é um samba devagar. É minha referência musical. Samba da Bahia é samba de coco... É um gênero tão rico que, se você quiser passar uma vida só gravando samba, não vai se repetir?.

Trilha de novela. ?Minha música ?Fogo e Gasolina? está em ?Passione?. Adoro novela, melhor ainda ver minha música numa das cenas. Ainda farei um CD inteiro sobre trilhas de novelas. Se eu não fosse cantora, trabalharia com trilhas. Novela é popular, entra na casa das pessoas e leva junto sua música?.

Utilidades. ?É bastante egoísta o que vou dizer, mas a maior utilidade da música é o meu prazer. É meu prazer chegar até o público com o que canto. Sem demagogia, por eu ter feito o programa ?Fama?, que era muito popular, percebi a responsabilidade do artista junto ao público?.

Vaias. ?Não gosto de agressividade. Crítica não me incomoda, apesar de ter acontecido muito pouco até hoje. Tive a sorte de ser bem recebida pela crítica. Fazer um disco, como um livro, é um ato de coragem, é a verdade de alguém. Fico chateada quando a crítica é para ferir?.

Xirê. ?É um samba de roda, que inclui neste disco. Tem um verso que diz ?Seu namorado serei, serei, serei, sereia??. Tem coisa mais linda? Fala da alegria da mulher dançando, tem a ver com a brasilidade popular. É uma música que fala de paixão?.

Zeca Pagodinho. ?Zeca já gravou ?Água da minha sede? e ?Samba pras moças?, dois grandes sucessos de Roque Ferreira. Quando o encontrei pela primeira vez, já tinha tomado umas cervejas, batemos um papo e só depois alguém me chamou pelo nome. Aí ele: ?Você é a Roberta Sá??. Respondi que sim. E ele: ?Por que você não me disse que você era você? (risos). Achei o máximo?.
 

28/07/2010 04:54 PM

Rhaissa Bittar lança álbum de estreia, Voilà

AE

Show de lançamento do primeiro trabalho da cantora de 21 anos acontece nesta quarta

Foto: Divulgação

A cantora Rhaissa Bittar, de 21 anos, combina duas características aparentemente distantes. É até difícil acreditar que por trás de tanta doçura - em seu canto e fora dos palcos - resista uma personalidade forte para seguir uma carreira com seus próprios passos, sem manipulações. Mas o discurso seguro para uma menina de tão pouca idade pega qualquer um de surpresa, sem pieguices. Prova disso é que ela lança hoje seu primeiro disco, Voilà, ciente de que a maturidade musical ainda está por vir.

"Para uma menina sem um grande nome por trás, como eu, tudo tem um tempo diferente para acontecer. Não quero me impor pra ninguém. Quero ouvir esse disco daqui uns anos e achar um monte de defeitos, isso vai dizer que eu terei crescido", diz Rhaissa.

Essa consciência aliada à despretensão de "se descobrir cantora", como ela define (embora tenha começado a estudar música aos 13 anos), fez com que ela concebesse um belo álbum de estreia. Contando com a participação de nomes como Nailor Proveta (clarinete), Ricardo Herz (violino), Maurício Pereira (voz e composição em Piquenique no Horto), Lula Alencar (sanfona) e Lucas Espósito (baixo), Voilà tem 13 temas beneficamente variados.

Um disco leve, que consegue combinar um lado pop com muito refinamento. Muito se deve ao cuidado do instrumental e da produção do violonista Daniel Galli, que assina a maioria das composições, com destaque para "Pa Ri", "Pif-Paf", "Chilique Chique", "Boneca de Palha", "Relógio", "Pombo Correto" e "Entre Outras Coisas".

"O Daniel, com olhar de produtor, percebeu em mim um gosto por cantar personagens. A partir daí, ele começou a compor músicas que contassem histórias, independentemente do gênero. Isso me deu liberdade para viver uma madame na manicure ou uma nega da gafieira que cuida do seu malandro", diz.

Rhaissa Bittar - Café Paon (Av. Pavão, 950, Moema). Tel. (011) 5531-5633. Hoje, às 22h. R$ 25.

28/07/2010 03:47 PM
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