Veja a primeira parte das explicações sobre as estrelas que aparecem no céu de verão
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Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.
Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.
VERÃO 1ª PARTE
ÓRION ? Orion ? Ori
Órion, uma das mais gloriosas constelações, representa um caçador ou guerreiro gigante seguido por seus cães (as constelações Cão Maior e Cão Menor). Seu traço mais peculiar são as Três Marias, uma linha de três estrelas de 2ª magnitude. Na mitologia grega, Órion foi mortalmente picado por um escorpião. Como está situado no céu em oposição a Escorpião (Scorpius), põe-se quando este se levanta, e vice-versa. Todo ano, no final de outubro, os meteoros Orionídeos parecem irradiar de um ponto perto do limite com Gêmeos.
Nebulosa de Órion
Em fotografias e imagens de CCD, a nebulosa aparece multicolorida. Visualmente, parece cinza-esverdeada, porque o olho não é sensível a cores em objetos fracos. Em noites claras, é visível a olho nu como vaga mancha de luz.
O caçador armado A área mais interessante e compensadora de Órion circunda a espada que pende do seu nítido cinturão.
Nebulosa da cabeça do cavalo Assemelha-se ao cavalo do xadrez contra uma faixa de nebulosidade, IC434. Fotografias a mostram bem. É possível visualizá-la com telescópio grande num local escuro.
Traços de Interesse:
ALFA ORIONIS (BETELGEUSE): Supergigante vermelha, centenas de vezes maior que o Sol. Varia em brilho entre magnitudes 0 e 1,3 com valor médio em torno de magnitude 0,5. A cerca de 430 anos-luz de distância, é mais próxima que as outras estrelas brilhantes de Órion.
BETA ORIONIS (RIGEL): Luminosa supergigante azul de magnitude 0,2. Exceto nas raras ocasiões em que Betelgeuse está no seu máximo, Rigel é a estrela mais brilhante da constelação. Com telescópio pequeno vislumbra-se uma companheira de 7ª magnitude no clarão que cerca Rigel.
DELTA ORIONIS (MINTAKA): Estrela na extremidade norte do cinturão, tem uma companheira de 7ª magnitude visível com telescópio pequeno ou até binóculo.
ZETA ORIONIS (ALNITAK): A estrela no extremo sul do cinturão. Telescópio com abertura mínima de 75mm revela sua companheira próxima de 4ª magnitude.
THETA1 ORIONIS (TRAPÉZIO): Estrela múltipla no centro da nebulosa de Órion. Com telescópio pequeno, aparece como um grupo de quatro estrelas de 5ª e 8ª magnitudes. De um lado da nebulosa esta Theta2 Orionis, dupla binocular com componentes de 5ª e 6ª magnitudes.
IOTA ORIONIS: Dupla com estrelas de 3ª e 7ª magnitudes, na ponta da espada de Órion, separável com telescópio pequeno. Uma dupla mais separada próxima, de 5ª e 6ª magnitudes, é chamada Struve747.
SIGMA ORIONIS: Magnífica estrela múltipla. Com telescópio pequeno vê-se que a estrela principal, de 4ª magnitude, tem duas companheiras de 7ª magnitude de um lado e uma mais próxima, de 9ª, de outro. No mesmo campo de visão telescópico vê-se uma estrela tripla mais fraca, Struve76.
M42 (NEBULOSA DE ÓRION): Enorme nuvem de gás formadora de estrelas a 1.500 anos-luz de distância, cobrindo o diâmetro de duas Luas no céu. Uma extensão ao seu norte tem outro número, M43, mas são ambas partes da mesma nuvem.
NGC1977: Mancha alongada de nebulosidade em torno das estrelas 42 e 45 Orionis.
NGC1981: Aglomerado estrelar grande e espalhado ao sul das Três Marias. Seus membros mais brilhantes são de 6ª magnitude.
NEBULOSA DA CABEÇA DO CAVALO: Talvez a nebulosa escura mais conhecida. Aparece em silhueta contra a IC434, área de nebulosidade mais clara que se estende para o sul a partir de Zeta (?) Orionis..
TOURO ? Taurus ? Tau
Touro é uma grande e proeminente constelação do zodíaco, com uma profusão de objetos para instrumentos de todos os tamanhos, em especial os aglomerados estelares Plêiades e Híades e a nebulosa do Caranguejo. As Híades representam o focinho do touro e a estrela mais brilhante da constelação, Aldebaran, marca o seu olho cintilante. A cada início de novembro, os meteoros Taurídeso parecem irradiar de um ponto ao sul das Plêiades. Na mitologia grega, o touro representava o disfarce adotado por Zeus para levar a princesa Europa da Fenícia para Creta, cruzando o Mediterrâneo a nada com ela nas costas.
As sete irmãs
Fotografias e imagens de CCD mostram que as Plêiades estão imersas numa névoa azul de poeira que reflete a luz das estrelas mais brilhantes.
Aglomerado das Híades
Este aglomerado em forma de ?V? delinea a cara do touro. Suas estrelas mais brilhantes são facilmente visíveis a olho nu. Aldebaran (à esquerda) está em primeiro plano, não pertencendo ao aglomerado.
Nebulosa do Caranguejo Belos restos de uma estrela que explodiu como supernova, este objeto foi batizado em 1844 por lorde Rosse, para quem os filamentos de gás pareciam as patas de um caranguejo (e não porque a nebulosa estaria dentro da constelação de Caranguejo, como alguns pensam).
Traços de Interesse:
ALFA TAURI (ALDEBARAN): Estrela mais brilhante da constelação, magnitude 0,9. É uma gigante vermelha de cor muito visível. Parece fazer parte do aglomerado Híades, mas está a apenas 65 anos-luz, menos da metade da distância do aglomerado a que se superpõe por acaso.
KAPPA TAURI: Dupla separada com componentes de 4ª e 5ª magnitudes, nos arredores das Híades.
LAMBDA TAURI: Binária eclipsante do mesmo tipo que Algol. Varia entre magnitude 3,4 e 3,9, num ciclo de pouco menos de quatro dias.
SIGMA TAURI: Estrela dupla separada nas Híades, separável com binóculo. Ambas as componentes são de 5ª magnitude.
M1 (NEBULOSA DO CARANGUEJO): Restos de uma estrela que explodiu como supernova; deve ter sido vista da Terra em 1054 d.C. Com telescópio pequeno, aparece como um pálido fulgor elíptico sete vezes maior que o disco de Júpiter. Só com aberturas grandes se vêem os detalhes que levaram o astrônomo irlandês lorde Rosse a batizar a nebulosa, em 1844.
M45 (PLÊIADES): Grande e nítido aglomerado popularmente chamado de Sete Irmãs. O seu membro mais brilhante é Alcione, de magnitude 2,9, e localiza-se perto do centro. Seis ? e não sete ? membros das Plêiades podem ser vistos a olho nu; com binóculo, o aglomerado é uma visão deslumbrante, com muitos membros aparecendo. Em fotografias e imagens de CCD, as estrelas aparecem numa luminosa névoa azul de poeira. Cobre uma área do céu três vezes maior que a da Lua cheia. Está a 400 anos-luz da Terra.
HÍADES: Grande aglomerado cujas principais estrelas formam um ?V? com dez vezes a largura aparente da Lua. Localizado a 150 anos-luz de distância, é o grande aglomerado mais próximo de nós. Mais de uma dúzia de membros são visíveis a olho nu, e o binóculo revela outras dúzias. No braço sul do ?V? há uma vasta dupla, Theta (q) Tauri. A estrela mais brilhante desse par, com magnitude 3,4, é o membro mais brilhante das Híades.
CÃO MAIOR ? Canis Major ? CMa
Esta destacada constelação contém a estrela mais brilhante de todo o céu noturno, Sirius, que form um triângulo cintilante com duas outras estrelas de 1ª magnitude, Procyon (em Cão Menor) e Betelgeuse (em Órion). Para os gregos antigos, Cão Maior representava um dos dois cães que seguiam Órion, o caçador.
Traços de Interesse:
ALFA CANIS MAJORIS (SIRIUS): A estrela mais brilhante no céu, de magnitude -1,4, Sirius é uma das mais próximas de nós, a 8,6 anos-luz. Uma anã branca fraca, Sirius B, que a orbita a cada 50 anos, só pode ser vista com telescópio grande.
M41: Grande aglomerado aberto, visível a olho nu como mancha imprecisa. Com binóculo vêem-se suas estrelas espalhadas numa área de cerca do tamanho da Lua cheia. Com telescópio vêem-se cadeias de estrelas irradiando de seu centro.
NGC2362: Aglomerado estelar compacto em torno da supergigante azul Tau (?) Canis Majoris, de 4ª magnitude. Mais bem visto com telescópio.
GÊMEOS ? Gemini ? Gem
Esta nítida constelação do zodíaco é facilmente identificável por suas estrelas mais brilhantes, Castor e Pollux, que têm os nomes dos gêmeos da mitologia grega que ela representa. Castor e Pollux marcam as cabeças dos gêmeos, embora sejam muito diferentes. Pollux, a estrela mais brilhante do par, de magnitude 1,2, é uma gigante laranja a 34 anos-luz de distância; Castor é uma azul-branca, magnitude 1,6, a 52 anos-luz. Em meados de dezembro, os meteoros Geminídeos irradiam de um ponto perto de Castor.
Aglomerado aberto M35
Sob um céu limpo, o aglomerado estelar M35 pode ser avistado a olho nu. Com binóculo, aparece como uma mancha alongada de luz estelar do tamanho aparente da Lua cheia. Visto com um pequeno telescópio, suas estrelas individuais parecem formar correntes.
Traços de Interesse:
ALFA GEMINORUM (CASTOR): Notável estrela múltipla. A olho nu parece uma estrela única de magnitude 1,6, mas com um pequeno telescópio de grande ampliação separa-se num cintilante par azul-branco de 2ª e 3ª magnitudes. Estas formam uma binária genuína com um período orbital de 470 anos. Há também uma companheira anã vermelha de 9ª magnitude. As 3 estrelas são binárias espectroscópicas, num total de 6 estrelas no sistema.
ZETA GEMINORUM: Variável cefeída que oscila entre as magnitudes 3,6 e 4,2 num ciclo de 10,2 dias.
ETA GEMINORUM: Variável gigante vermelha cuja magnitude oscila entre 3,1 e 3,9.
M35: Aglomerado estelar aberto aos pés dos gêmeos, facilmente encontrável com binóculo.
NGC2392 (NEBULOSA DO ESQUIMÓ): Nebulosa planetária visível com pequeno telescópio com o disco azulado similar em tamanho ao globo de Saturno. Aberturas maiores e imagens de CCD mostram uma fímbria circundante de gás como a pele na parca de um esquimó.
* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
Veja a segunda parte das explicações sobre o céu de primavera
Foto: Reprodução
Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.
Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.
LIRA ? Lyra ? Lyr
Constelação compacta mas destacada, contém Vega, a quinta estrela mais brilhante do céu. Azul-branca, Vega é parte de um triângulo de estrelas no céu de verão setentrional (do hemisfério norte), o Triângulo do norte (os outros membros são Deneb, em Cisne, e Altair, em Águia). Lira, o instrumento tocado por Orfeu, fica na borda da Via Láctea, perto de Cisne. Os meteoros Lirídeos irradiam de um ponto próximo de Veja todos os anos, por volta de 21 ou 22 de abril.
Nebulosa do anel
Com um telescópio pequeno, o anel parece um disco mais largo que o do planeta Júpiter. Só com aberturas maiores se pode ver o buraco central. Fotografias e imagens de CCD como esta enfatizam cores não aparentes visualmente.
Traços de Interesse:
BETA LYRAE: Estrela dupla facilmente separável em componentes creme e azul com telescópio pequeno. A estrela mais brilhante (a creme) é também uma binária eclipsante que varia entre as magnitudes 3,3 e 4,4 a cada 12,9 dias. As duas estrelas nessa binária são tão próximas que o gás da maior cai sobre a menor e parte dele espirala no espaço.
DELTA LYRAE: Dupla separável com binóculo ou boa visão a olho nu. Consiste numa gigante vermelha de 4ª magnitude e uma azul-branca não-relacionada de 6ª magnitude.
ÉPSILON LYRAE: A mais bela estrela quádrupla do céu. Com binóculo aparece como nítido par de estrelas de 5ª magnitude. Cada uma tem uma companheira mais próxima, revelada por telescópio de 60 ou 75mm de abertura com grande ampliação. As quatro estrelas estão ligadas por gravidade e em órbitas de longo prazo uma em redor da outra.
ZETA LYRAE: Estrela dupla com componentes de 4ª e 6ª magnitudes, facilmente separável com binóculo ou telescópio pequeno.
M57 (NEBULOSA DO ANEL): Nebulosa planetária que parece um anel de fumaça. O telescópio espacial Hubble revelou que o ?anel? é um cilindro de gás lançado pela estrela central.
CAPRICÓRNIO ? Capricornus ? Cap
Capricórnio, a menor constelação do zodíaco e nada proeminente, situa-se entre Sagitário e Aquário. No mito grego, representa o deus Pã, semelhante a um bode. Consta que ele saltou num rio e tornou-se em parte peixe para escapar do monstro marinho Tífon. Por isso a constelação é descrita como um bode com rabo de peixe.
Traços de Interesse:
ALFA CAPRICORNI: Vasto par de estrelas de 4ª magnitude não relacionadas, separável com binóculo ou com vista aguçada. Alfa-1 é uma supergigante amarela a quase 700 anos-luz de distância e Alfa-1 é uma gigante amarela menos de um sexto dessa distância.
BETA CAPRICORNI: Vasta estrela dupla, reúne uma gigante amarela de 3ª magnitude e uma companheira azul-branca de 6ª magnitude, visível com telescópio pequeno ou um bom binóculo.
M30: Modesto aglomerado globular visível com telescópio pequeno como mancha enevoada. Aberturas maiores mostram cadeias de estrelas projetando-se dele como dedos.
CASSIOPÉIA ? Cassiopeia ? Cas
Esta notável constelação do céu setentrional (do hemisfério norte celeste) situa-se na Via Láctea entre Perseu e Cefeu. Suas cinco principais estrelas formam um grande W facilmente reconhecível. É uma antiga constelação grega que representa uma rainha mítica da Etiópia, punida por sua vaidade por Posêidon. Seu marido Cefeu e sua filha Andrômeda são representados por constelações vizinhas.
Aglomerado alongado
O principal traço do aglomerado aberto M103 é uma cadeia de três estrelas semelhante a um minicinturão de Órion.
Traços de Interesse:
GAMA CASSIOPEIAE: Estrela quente, de rápida rotação no meio do W de Cassiopéia. Ás vezes expele anéis de gás de seu equador, causando mudanças imprevisíveis no seu brilho. Hoje tem magnitude 2,2, mas no passado variou entre 3,0 e 1,6.
ETA CASSIOPEIAE: Atraente par binário de estrelas amarela e vermelha, magnitudes 3,5 e 7,5, facilmente resolvível com telescópio pequeno. A companheira mais fraca orbita a mais brilhante a cada 480 anos.
RHO CASSIOPEIAE: Supergigante amarelo-branca que varia entre 4ª e 6ª magnitudes a cada 10 ou 11 meses.
M52: Aglomerado aberto visível com binóculo; notavelmente alongado, tem cerca de 1/3 da largura da Lua cheia.
M103: Aglomerado estelar pequeno e alongado, mais visível com telescópios pequenos.
GROU ? Grus ? Gru
Situada entre Peixe Austral e Tucano, foi introduzida no fim do séc. XVII pelos navegadores-astrônomos holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman. Representa uma ave de pernas e pescoço longos, o grou. As principais estrelas da constelação formam um perfeito ?número 1? no céu.
Traços de Interesse:
BETA GRUIS: Gigante vermelha variável cujo brilho varia irregularmente entre as magnitudes 2,0 e 2,3.
DELTA GRUIS: Uma de duas grandes e notáveis duplas na constelação, separáveis a olho nu. Consiste num par de gigantes de 4ª magnitude, amarela e vermelha.
MU GRUIS: Par de gigantes amarelas de 5ª magnitude separável a olho nu. Como Delta Gruis, é um alinhamento casual, não uma binária verdadeira.
* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
Antes de seguir na leitura, acesse aqui a 1ª Parte das Constelações de Inverno, publicada dia 23 de junho de 2010] o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.
PRIMAVERA
PÉGASO ? Pegasus ? Peg
Pégaso limita-se com Andrômeda, ao norte das constelações do zodíaco Aquário e Peixes. Seu traço mais notável é o Quadrado, formado por quatro estrelas, embora uma delas pertença a Andrômeda. Só o quarto dianteiro do cavalo aparece no céu, embora seja a sétima maior constelação. Uma das 48 constelações gregas originais, Pégaso era o cavalo voador do herói Belerofonte. Pégaso nasceu do corpo de Medusa, a Górgone, quando ela foi decapitada por Perseu. Por vezes, Pégaso é erroneamente identificado como o corcel de Perseu.
Aglomerado Globular M15
Sob boas condições, M15 está no limite da visibilidade a olho nu. Embora o aglomerado esteja a cerca de 30 mil anos-luz da Terra, é fácil localizá-lo com binóculo ou telescópio pequeno, aparecendo como uma estrela imprecisa.
Traços de Interesse:
QUADRADO DE PÉGASO: A caixa formada por Alfa, Beta, Gama Pegasi, mas Alfa Andromedae. A vasta área dentro da caixa é surpreendentemente vazia de estrelas. A mais brilhante é Upsilon Pegasi, magnitude 4,4.
BETA PEGASI (SCHEAT): Gigante vermelha que varia irregularmente entre as magnitudes 2,3 e 2,7.
ÉPSILON PEGASI: Conjuntamente a estrela mais brilhante da constelação. Esta estrela amarela de magnitude 2,4 tem companheira separada de 8ª magnitude.
51 PEGASI: Estrela de 5ª magnitude, ao lado do Quadrado de Pégaso. A primeira estrela além do Sol em cuja órbita há um planeta. Descoberto em 1995, tem cerca da metade da massa de Júpiter.
M15: Um dos mais belos aglomerados globulares no céu setentrional, facilmente encontrado com binóculo.
ANDRÔMEDA ? Andromeda ? And
Andrômeda é vizinha de Pégaso. Uma das constelações gregas originais, figura a filha da rainha mítica Cassiopéia, representada pela constelação ao seu norte. A cabeça de Andrômeda é assinalada por Alfa Andrômeda, que também forma um ângulo do Quadrado de Pégaso ? outrora essa estrela era considerada partilhada com Pégaso.
Galáxia de Andrômeda O mais distante objeto normalmente visível a olho nu, esta galáxia aparece como mancha tênue e enevoada, alongada por estar inclinada num ângulo para nós. Binóculos revelam mais de sua extensão e com telescópio se divisam seus braços espirais.
Traços de Interesse:
GAMA ANDROMEDAE: Espetacular estrela dupla composta de uma estrela gigante laranja de magnitude 2,3 em contrate com companheira azul de magnitude 4,8; facilmente separável com telescópio pequeno.
M31 (GALÁXIA DE ANDRÔMEDA): Enorme galáxia espiral a cerca de 2,5 milhões de anos-luz, similar em tamanho e natureza à Via Láctea.
NGC 752: Aglomerado de estrelas aberto visível com binóculo e espalhado por uma área maior que a da Lua cheia. Um telescópio pequeno é necessário para revelar suas estrelas individuais, que são de 9ª magnitude e menos brilhantes.
NGC 7662: Uma das nebulosas planetárias mais fáceis de se ver. Com telescópio pequeno de baixa ampliação, parece uma brilhante estrela azul; potências maiores mostram sua forma de disco.
CISNE ? Cygnus ? Cyg
Uma das mais destacadas constelações do céu setentrional (do hemisfério norte celeste), com muitos objetos de interesse. Situa-se numa área rica da Via Láctea e representa um cisne, o disfarce adotado pelo deus grego Zeus para uma de suas seduções ilícitas. Suas principais estrelas delineiam uma cruz gigantesca, por isso é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte. Deneb, sua estrela mais brilhante, está na cauda do cisne (ou no topo da cruz, dependendo do seu grau de visualização). Deneb forma um vértice do Triângulo do Norte de estrelas do norte, completado por Vega e Altair.
Nebulosa da América do Norte NGC 7000 é também chamada de nebulosa da América do Norte, em razão de sua forma. Sua plena majestade só aparece em fotografias de longa exposição.
Cisne no céu noturno Como as principais estrelas de Cisne formam uma cruz, a constelação é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte.
Nebulosa do Véu Os restos de uma estrela explodida formam um tênue laço de gás fulgurante sob a asa sul de Cisne. Com a largura de seis diâmetros da Lua, a nebulosa é mais visível em fotografias, mas em condições ideais a parte mais luminosa, NGC 6992, pode ser avistada com binóculo e telescópio pequeno.
Traços de Interesse:
ALFA CYGNI (DENEB): Supergigante muito luminosa. De magnitude 1,3, é a mais distante estrela de primeira magnitude, a mais de 3 mil anos-luz da Terra.
BETA CYGNI (ALBÍREO): Bela estrela dupla colorida no bico do cisne. As duas estrelas podem ser distinguidas com binóculo, se firmemente montado, e são um alvo fácil para um telescópio pequeno. A estrela mais brilhante, de magnitude 3,1, é laranja, em vivo contraste coma mais pálida, de magnitude 5,1 e azul-esverdeada.
OMICRON-1 CYGNI: Dupla separada para binóculo reunindo uma estrela laranja de 4ª magnitude e uma companheira azulada de 5ª magnitude.
CHI CYGNI: Gigante vermelha pulsante do mesmo tipo que Mira. Quando atinge seu auge, a intervalos de cerca de 13 meses, pode parecer de 3ª magnitude e é facilmente visível a olho nu, mas como empalidece até a 14ª magnitude, sua variação total só pode ser acompanhada com telescópio.
61 CYGNI: Dupla facilmente separável com telescópio pequeno. Composta de duas anãs laranja de 5ª e 6ª magnitudes que orbitam uma à outra a cada 650 anos.
M39: Grande aglomerado aberto no norte de Cisne. Com área similar à da Lua Cheia, é facilmente visível com binóculo. Tem forma triangular e uma estrela dupla no centro.
NGC 6826 (THE BLINKING PLANETARY): Nebulosa planetária com disco azul-esverdeado de tamanho similar ao contorno de Júpiter. É popularmente chamada nebulosa Pisca-Pisca porque parece piscar à medida que o observador olha alternadamente para ela e para um lado.
NGC 6992 (NEBULOSA DO VÉU): Enorme laço de gás fulgurante, o resto de uma estrela que explodiu como supernova há milhares de anos.
NGC 7000: Grande nuvem de gás fulgurante perto de Deneb. Pode ser vista com binóculo em noites limpas e escuras.
CYGNUS RIFT (SACO DE CARVÃO DO NORTE): Nuvem de poeira que divide a Via Láctea em duas.
CISNE A E CISNE X-1: Dois objetos além do alcance do astrônomo amador, mas de considerável interesse astrofísico. Cisne A, forte fonte de rádio, resulta da colisão de duas galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Cisne X-1, intensa fonte de raios X perto de Eta (?) Cygni, talvez seja um buraco negro na órbita de uma supergigante azul de 9ª magnitude a cerca de 8 mil anos-luz em nossa própria galáxia.
ÁGUIA ? Aquila ? Aql
Situa-se sobre o Equador Celeste numa área rica da Via Láctea, com Cisne ao norte e Escudo e Sagitário ao sul. Representa uma águia voando. Sua estrela mais brilhante, Altair, magnitude 0,8, fica no pescoço da águia e forma um vértice do Triângulo do norte, completado por Veja e Deneb. Altair é flanqueada por Beta (?) Aquilae, Tarazed, de 3ª magnitude, formando um nítido trio. Na mitologia grega, a águia carregava os raios que Zeus lançava sobre seus inimigos. Segundo a lenda, Zeus enviou uma águia, ou transformou-se em águia, e carregou o menino pastor Ganimedes até o Olimpo para servir aos deuses. Ganimedes é representado pela constelação vizinha Aquário.
Altair, Tarazed e Alshain Altair, a estrela mais brilhante em Águia, é flanqueada por Tarazed (Gama Aquilae) ao norte e Alshain (Beta Aquilae) ao sul. Tarazed, de 3ª magnitude, é uma gigante laranja de notável colorido.
Traços de Interesse:
ETA AQUILAE: Uma das mais brilhantes variáveis cefeidas. Oscila entre magnitudes 3,5 e 4,4 a cada 7,2 dias. Sua distância é estimada em 1200 anos-luz.
15 E 57 AQUILAE: Duas estrelas duplas fáceis para telescópio pequeno; 15 Aquilae tem componentes de 5ª e 7ª magnitudes. Em 57 Aquilae, ambas as componentes são de 6ª magnitude.
FF AQUILAE: Variável cefeida que varia entre magnitude 5,2 e 5,7 a cada 4,5 dias. Pode ser facilmente seguida com binóculo.
R AQUILAE: Gigante vermelha variável do mesmo tipo que Mira. A cada nove meses atinge seu brilho máximo e é visível com binóculo.
NGC 6709: Modesto aglomerado aberto; de forma irregular, contém estrelas de magnitude 9 e mais fracas.
* Fonte: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
A coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu
Foto: Divulgação
Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.
Boas observações e até a próxima!
INVERNO - 2ª PARTE
HÉRCULES ? Hercules ? Her
Constelação grande, mas não muito destacada, Hércules representa o forte homem da mitologia grega que empreendeu 12 trabalhos vestindo uma pele de leão e brandinho uma clava. Um dos trabalhos foi matar um dragão, e no céu Hércules ajoelha-se com um pé sobre a cabeça de Dragão, ao norte.
Aglomerado globular M13
Em condições ideais, este magnífico aglomerado pode ser visto a olho nu. Com binóculo é facilmente localizável e aparece como uma estrela enevoada com metade da largura aparente da Lua cheia. Fica ao lado do Trapézio de Hércules, a cerca de um terço da distância de Eta a Zeta Herculis. Está a 25 mil anos-luz da Terra.
Traços de Interesse:
O TRAPÉZIO: Quadrilátero de estrelas característico que faz parte do corpo de Hércules.
ALFA HERCULIS (RASALGETHI): Gigante vermelha que pulsa irregularmente, flutuando entre 3ª e 4ª magnitudes. Um telescópio pequeno revela uma companheira azul-esverdeada de 5ª magnitude.
RHO HERCULIS: Dupla estrela de 5ª e 6ª magnitudes, separável com telescópio pequeno de grande ampliação.
M13: Espetacular aglomerado globular, o mais belo no céu do norte, com centenas de milhares de estrelas.
M92: Aglomerado globular de 7ª magnitude. Menor e menos brilhante que M13, pode ser confundido com estrela comum se visto com binóculo, mas um telescópio pequeno revela sua natureza.
TRIÂNGULO AUSTRAL ? Triangulum Australe ? TrA
Introduzida no final do sec. XVI pelos navegadores holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman, situa-se na Via Láctea, não muito longe de Alfa Centauri. É menor que Triângulo do Norte, mas tem estrelas mais brilhantes e se destaca mais. Alfa Trianguli Australis tem magnitude 1,9 Beta tem 2,8 e Delta tem 2,9. A constelação possui poucos atrativos para usuários de telescópios pequenos.
Traços de Interesse:
NGC 6025: Aglomerado aberto visível com binóculo. Notavelmente alongada, tem cerca de um terço do diâmetro aparente da Lua cheia.
DRAGÃO ? Draco ? DRA
Dragão é uma grande constelação que serpenteia em torno de quase metade do pólo norte celeste. Embora de tamanho considerável, não é muito fácil de identificar, exceto pelo diamante distorcido que marca a cabeça do dragão. A cabeça contém o membro mais brilhante o Dragão, Gama (?) Draconis, magnitude 2,2. Na mitologia grega, Dragão representa o dragão que Hércules matou num de seus 12 trabalhos. É uma constelação praticamente impossível de ser observada a partir da maioria do território brasileiro.
Nebolosa Olho de Gato
Com um telescópio pequeno, a nebulosa parece azul-esverdeada, mas imagens de CCD como esta revelam uma cor vermelha nas regiões externas.
Traços de Interesse:
NU DRACONIS: A menos brilhante das quatro estrelas na cabeça do dragão. Dupla bem separada, suas componentes são brancas idênticas de 5ª magnitude; é considerada uma das melhores duplas para binóculo.
PSI ??DRACONIS: Par mais próximo de estrelas de 5ª e 6ª magnitudes, separável com telescópio pequeno.
16 e 17 DRACONIS: Par bem separado de estrelas visível apenas com binóculo. A mais brilhante, 17 Draconis, pode ser mais separada com um telescópio pequeno com grande ampliação.
39 DRACONIS: Estrela vista como dupla com telescópio pequeno de baixa ampliação. Altas potências dividem a componente mais brilhante num par mais próximo de magnitudes 5,0 e 8,0.
NGC 6543 (NEBULOSA OLHO DE GATO): Nebulosa planetária famosa por causa de uma imagem do telescópio espacial Hubble.
URSA MENOR ? Ursa Minor ? UMi
Esta antiga constelação grega representa uma pequena ursa. Suas principais estrelas traçam uma forma conhecida como a Pequena Concha, similar à maior e mais brilhante Grande Concha (Ursa Maior), mas com o cabo curado na direção oposta. Ursa Menor contém o pólo celeste norte. A menos de 1º do pólo está Polaris, a estrela polar, usada para a navegação desde os tempos mais remotos. Beta e Gama Ursae Minoris são chamadas as Guardiâs do Pólo. Constelação impossível de ser vista de boa parte do território brasileiro, visível apenas parcialmente nas regiões próximas ao Equador Celeste, e completamente nas regiões ao norte dele.
Ursa Menor no céu noturno
As principais estrelas da Ursa Menor formam a Pequena Concha, que traça uma curva a partir da estrela do pólo norte, Polaris. Duas das principais estrelas da Ursa Maior (embaixo na figura), que forma a Grande Concha, alinham-se na direção de Polaris (estrela mais no alto à direita na figura).
Traços de Interesse:
ALFA URSAE MINORIS (POLARIS): Supergigante de um branco cremoso de magnitude 2,0 a cerca de 430 anos-luz. Variável cefeída, mas as mudanças de brilho não são perceptíveis. Um telescópio pequeno mostra uma estrela de 8ª magnitude perto dela, não relacionada.
GAMA URSAE MINORIS: Vasta estrela dupla no bojo da Pequena Concha. De magnitude 3,0, tem uma companheira não relacionada de 5ª magnitude que pode ser percebida com vista boa ou binóculo.
ETA URSAE MINORIS: Outra vasta estrela dupla no bojo da Pequena Concha. Eta, de magnitude 5,0, tem uma companheira de magnitude 5,5 facilmente visível com binóculo. Como a companheira de Gama Ursae Minoris, a companheira de Gama Ursae Minoris, a companheira de Eta é uma estrela não relacionada, na mesma linha de visão.
Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
A coluna fará uma série sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional
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Certamente que outras constelações ? existem 88 constelações oficiais! - poderiam entrar nessa lista de 32 que levantamos. Mas essas 32 foram escolhidas, principalmente, pela sua maior facilidade de observação direta a olho nu.
Se você quiser saber mais informações sobre as 88 constelações, não deixe de acessar então o site oficial da IAU. Mas antes uma pequena explicação...
Graças ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol, dia após dia as constelações visíveis ao longo da noite vão se alternando. Se você observar o céu noturno hoje e daqui a 6 meses, num mesmo horário, verá que o céu é outro, as constelações são outras.
Se uma constelação nasce hoje no horizonte leste num determinado horário, amanhã ela nascerá cerca de 4 minutos mais cedo. Em uma semana, cerca de 30 minutos mais cedo. Em um mês, 2 horas mais cedo. Em 6 meses, 12 horas mais cedo. Em 12 meses, 24 horas mais cedo! Ou seja, volta a nascer exatamente no mesmo horário que 1 ano antes!
Como a translação da Terra dura sempre (aproximadamente...) o mesmo tempo, o qual nós denominamos de ano, e como dividimos o ano em 4 partes principais:
Outono no hemisfério sul e Primavera no hemisfério norte [20 de Março até 21 de junho]
Inverno no hemisfério sul e Inverno no hemisfério norte [21 de junho até 23 de setembro]
Primavera no hemisfério sul e Outono no hemisfério norte [23 de setembro até 21 de dezembro]
Verão no hemisfério sul e Inverno no hemisfério norte [21 de dezembro até 20 de março]
Naturalmente se percebeu que há constelações que são bem visíveis no céu noturno, ano após ano, sempre no mesmo período do ano, sempre na mesma estação do ano.
Assim, temos as constelações de Outono, as de Inverno, as de Primavera e as de Verão. Lembre-se, claro, que as constelações de Outono, para os moradores do hemisfério sul da Terra, são as constelações de Primavera dos moradores do hemisfério norte. E vice-versa. E que o mesmo vale para as constelações do Verão e do Inverno em cada hemisfério.
A cada estação do ano temos uma constelação símbolo, a mais importante, por ter estrelas bem brilhantes, forma facilmente reconhecida, e pelo seu horário de nascer e se pôr durante a estação do ano. Leão é a constelação símbolo do Outono do hemisfério sul. Escorpião a do inverno. Pégasus a da primavera. E Órion a do Verão.
Vamos então agora conhecer as 8 principais constelações de cada estação do ano!
Se você quiser saber que constelações estão no céu de sua cidade neste instante, ou hoje à noite, acesse por exemplo este site: http://www.neave.com/planetarium.
Basta entrar com o horário e as coordenadas do seu local de observação, e pronto: todas as constelações, planetas, e alguns dos principais astros do céu estarão à sua disposição, na tela de seu computador!
Boas observações!
INVERNO - 1ª PARTE
ESCORPIÃO ? Scorpius ? Sco
Bela e facilmente reconhecível constelação do zodíaco, situada entre a Balança e o Sagitário. Na mitologia grega, Escorpião representa o animal que matou Órion com sua picada. No céu, o coração do escorpião (escorpiões de verdade não têm coração...) é marcado pela estrela vermelha Antares, e uma nítida curva de estrelas marca sua cauda levantada. A cauda estende-se por uma rica área da Via Láctea rumo ao centro da Galáxia.
Aglomerado aberto M7
O mais destacado dos três aglomerados abertos perto do ferrão da cauda do Escorpião. Com binóculo vêem-se dúzias de estrelas de 6ª magnitude e menos brilhantes.
Aglomerado da Borboleta
Aglomerado aberto próximo da cauda de Escorpião, M6 ganhou seu nome popular por sua forma de borboleta se visto com binóculo ou telescópio. Numa asa está sua estrela mais brilhante, a gigante laranja BM Scorpii.
Traços de Interesse
ALFA SCORPII (ANTARES): A mais brilhante estrela da constelação, uma supergigante vermelha centenas de vezes maior que o Sol. Seu brilho flutua entre as magnitudes 0,9 e 1,2 a cada 4 a 5 anos.
DELTA SCORPII: Estrela que passou a brilhar mais, inesperadamente, no ano 2000. Antes de magnitude 2,3, ficou 50% mais brilhante ao ejetar um envoltório de gás; depois enfraqueceu.
XI SCORPII: Estrela múltipla complexa. Com telescópio pequeno, vê-se um par branco e laranja de 4ª e 7ª magnitudes. No mesmo campo de visão, um par menos brilhante e mais afastado pode também ser visto. Gravitacionalmente ligadas, elas formam uma quádrupla genuína.
M4: Aglomerado globular grande e ligeiramente espalhado perto de Antares, a 7 mil anos-luz de nós.
M6 (AGLOMERADO DA BORBOLETA): Aglomerado aberto cerca de duas vezes mais distante de nós que M7 e por isso parecendo um pouco menor.
M7: Aglomerado aberto visível a olho nu como mancha enevoada contra a Via Láctea.
SAGITÁRIO ? Sagittarius ? Sgr
Grande e nítida constelação do zodíaco entre Escorpião e Capricórnio, Sagitário tem como característica um padrão de estrelas que lembra um bule. A alça do bule é por vezes chamada Concha de Leite, imaginando-se mergulhada na Via Láctea. Considera-se que o centro exato dela coincide com uma fonte de rádio chamada Sagittarius A*, perto do ponto em que os limites de Sagitário, Ofiúco e Escorpião se encontram. Na mitologia grega, Sagitário representava Croto, filho de Pã, que inventou o arco e a flecha e foi caçar a cavalo.
Nebulosa Trífida
A emissão rosada do gás da nebulosa Trífida contrasta com a nebulosa de reflexão azul a seu norte (à direita na imagem), como revelam fotografias e imagens de CCD.
O Bule
As principais estrelas de Sagitário traçam a forma de um bule, com ricos campos de estrelas da Via Láctea emanando como ondas de fumaça do bico.
Nebulosa da Lagoa
Uma das maiores do céu, ela é vista como uma nuvem comprida e leitosa. Bom objeto para ser visto com binóculo. Como em toda nebulosa, a cor vermelha revelada pelas fotografias não é percebida visualmente.
Traços de Interesse
BETA SAGITTARII: Par de estrelas de 4ª magnitude distinguível a olho nu. Com pequeno telescópio vê-se que mais ao norte (e pouco mais brilhante) das duas há uma companheira de 7ª magnitude. As três estrelas não são relacionadas.
W SAGITTARII: Variável cefeída que flutua entre magnitudes 4,3 e 5,1 a cada 7,6 dias.
X SAGITTARII: Variável cefeída que flutua entre magnitudes 4,2 e 4,9 a cada 7 dias.
M8 (NEBULOSA DA LAGOA): Mancha de gás fulgurante com três vezes o tamanho aparente da Lua cheia, brilhante o bastante para ser visível a olho nu e bem vista com binóculo. Uma metade da nebulosa contém o aglomerado aberto NGC 6530, com estrelas de 7ª magnitude e mais fracas, e a outra abriga 9 Sagittarii, a supergigante azul de 9ª magnitude.
M17 (NEBULOSA ÔMEGA): Nebulosa gasosa supostamente semelhante à letra grega ômega. É também chamada nebulosa do Cisne, a partir de uma interpretação alternativa de sua forma. Ela e o aglomerado frouxo de estrelas que contém podem ser vistos com binóculo.
M20 (NEBULOSA TRÍFIDA): Espetacular nebulosa de emissão, assim denominada por suas sendas escuras tripartidas de poeira.
M22: É um dos mais belos aglomerados globulares. Visível a olho nu em boas condições e objeto fácil para binóculo, aparecendo como uma bola felpuda com cerca de dois terços do diâmetro aparente da Lua. Aberturas de 75mm distinguem suas estrelas mais brilhantes.
M23: Grande aglomerado aberto visível com binóculo perto do limite com Ofíuco. Só um telescópio distingue suas estrelas individuais.
M24: Não propriamente um aglomerado estelar, mas um campo de estrelas da Via Láctea. Com 4 diâmetros aparentes da Lua de comprimento, é mais bem visto com binóculo.
BALANÇA ? Libra ? Lib
Constelação do zodíaco entre Virgem e Escorpião, representa a balança da justiça segurada por Virgem, embora os gregos antigos vissem nela as garras do vizinho escorpião. Por isso, suas duas estrelas mais brilhantes têm nomes que significam garra do norte e do sul.
Traços de Interesse
ALFA LIBRAE (ZUBENELGENUBI, A GARRA DO SUL): Estrela dupla separada com componentes de 3ª e 5ª magnitudes, facilmente separada com binóculo ou visão aguçada.
BETA LIBRAE (ZUBENESCHAMALI, A GARRA DO NORTE): Rara estrela a exibir um colorido verde, perceptível com binóculo e telescópio.
IOTA ???LIBRAE: Dupla binocular com componentes de 5ª e 6ª magnitudes. Com telescópio pequeno vê-se que a estrela mais brilhante tem uma companheira mais próxima de 9ª magnitude.
BOIEIRO (ou BOIADEIRO) ? Boötes - Boo
Esta grande e nítida constelação estende-se de Dragão e do rabo da Ursa maior no norte a Virgem no sul. Contém a estrela mais brilhante ao norte do equador celeste, Arcturus (Alpha Boötis), também a quarta estrela mais brilhante entre todas. Boieiro representa um homem tangendo um urso (Ursa Maior). O nome ?Arcturus? significa ?guarda do urso? em grego. Os dois cães do Boieiro são representados na constelação vizinha, Cães de Caça. Antes, algumas estrelas fracas no norte de Boeiro formavam um constelação chamada Quadrans Muralis. O nome sobrevive na chuva de meteoros Quadrantídeos, que se origina nessa parte do céu em janeiro.
Épsilon Boötis
A estrela mais laranja e sua companheira azul-esverdeada fazem um dos mais belos contrastes de todas as duplas. Para melhor vê-las, além de grande ampliação, precisa-se de uma noite de atmosfera estável.
Traços de Interesse
ALFA BOÖTIS (ARCTURUS): Gigante vermelha de magnitude -0,1, a quarta estrela mais brilhante do céu noturno, 100 vezes mais luminosa que o Sol. A olho nu, ela tem uma matiz laranja quente.
ÉPSILON ?BOÖTIS: Célebre estrela dupla, difícil de separar em razão da proximidade das estrelas. Tem magnitude aparente de 2,4. Grande ampliação num telescópio de pelo menos 75mm de abertura revela uma estrela laranja acompanhada por outra azul-esverdeada de 5ª magnitude.
KAPPA BOÖTIS: A dupla estrela com componentes de 5ª e 7ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. As estrelas não são relacionadas.
MU BOÖTIS: Estrela dupla de 4ª e 6ª magnitudes, resolvível com binóculo.
XI BOÖTIS: Estrela dupla de 5ª e 7ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. De cor laranja-amarela quente, as estrelas formam um binária verdadeira com período orbital de 150 anos.
*Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath
Leia a segunda parte do especial sobre o grande personagem da história da ciência
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Semana passada, começamos esta nossa conversa sobre o astrônomo Edwin Hubble, para o qual foi prestada a grande homenagem de ter o próprio nome dado ao hoje mais famoso Telescópio Espacial já construído. Se você não viu, acesse aqui antes de continuar na leitura. Leia agora a 2ª e última parte desta conversa sobre Edwin Hubble:
E então quais foram as demais descobertas que ele fez?
Apesar de não poder ser considerada propriamente uma descoberta - talvez seria mais adequado chamar de invenção -, Hubble obteve, a partir de observações das suas ?nebulosas extragaláticas?, um sistema de classificação de galáxias que até hoje tem seu nome em sua homenagem.
O Sistema de Classificação de Hubble divide as galáxias basicamente em 5 tipos: galáxias elípticas, lenticulares, espirais, espirais barradas e irregulares. Tal divisão está associada pura e simplesmente às formas que as galáxias apresentam, vistas a partir do planeta Terra (isto quer dizer que há algumas galáxias que poderiam receber outra classificação, caso estivéssemos as observando a partir de outro ponto do espaço. Isto seria particularmente fácil de acontecer com as galáxias elípticas).
Hubble notou que há galáxias em formatos de discos, que apresentam ainda estrutura espiral. Todas possuem uma região central, chamada de bojo, em torno do qual encontra-se propriamente o disco. É no disco onde ficam os braços espirais, os quais ?partem? do bojo.
O que as diferencia entre si é, basicamente, a relação de tamanho entre bojo e disco. Por isso, Hubble definiu a existência das espirais Sa, Sb e Sc: as Sa possuem bojo relativamente grande, comparado com o disco; as Sc possuem bojo relativamente pequeno; e as Sb ficam no meio desses dois extremos.
Há ainda galáxias espirais nas quais o bojo é transpassado por uma estrutura em forma de barra, a partir da qual, em geral, os braços tendem a ?partir?. Em suas nomenclaturas, além da mesma diferenciação quanto à relação de tamanho entre bojo e disco (a, b e c), as espirais barradas recebem ainda um B maiúsculo: existem assim as SBa, SBb e SBc.
Os astrônomos acreditam, atualmente, baseados nos dados do Telescópio Espacial Spitzer, que a nossa própria Galáxia, é uma galáxia do tipo barrada!
As galáxias lenticulares são galáxias a princípio do mesmo tipo das espirais, ou seja, discoidas, só que com a propriedade peculiar de não possuírem braços espirais. Lembram, por isso, a forma que as lentes têm, e recebem assim a nomenclatura de galáxias S0 (diz-se S zero).
Hubble também verificou a existência de galáxias com formatos de elipsóides, ou seja, de esferas - algumas mais e outras menos - achatadas. Aquelas com formato mais propriamente esférico, ele atribuiu o nome de E0 (diz-se E zero). A partir das E0, as galáxias elípticas vão sendo divididas de acordo com o seu ?grau de achatamento?: galáxias E1 são um pouco achatadas, E2 um pouco mais, até as mais achatadas já observadas que são as E7.
Vale notar que uma galáxia elíptica, por exemplo uma E2, dependendo do ponto do espaço que fosse observada, poderia vir a receber uma nomenclatura diferente, por exemplo de E5, ou E1, já que essa classificação só leva em conta a forma observada, a qual não necessariamente é a mesma em todas as direções.
Finalmente, Hubble constatou que também existem galáxias sem nenhuma forma bem definida - às quais dá-se o nome de Irregulares -, que poderíamos considerar como imensos aglomerados de estrelas e gás, espalhadas de forma aleatória mas mais ou menos agrupadas numa região do espaço.
Os dois maiores exemplos de representantes desse tipo de galáxia são as famosas Nuvens de Magalhães, duas pequenas galáxias satélites da nossa. Ambas são visíveis no céu a olho nu, apenas para os observadores do hemisfério sul da Terra, suficientemente afastados de grandes centros urbanos.
Em lugares assim, com um ?bom céu?, é possível ver duas manchas parecendo nuvens fracas esbranquiçadas no céu, aparentemente estáticas em relação às verdadeiras nuvens do céu, mas que se movimentam junto com todas as estrelas do céu, devido à rotação da Terra.
Na época em que Hubble construiu tal classificação, alguns astrônomos acreditavam que talvez pudesse haver alguma relação evolutiva entre esses diferentes tipos de galáxias: talvez elas inicialmente fossem irregulares, e daí se transformariam em elípticas, e finalmente em espirais.
Essa relação evolutiva parece até mesmo estar mostrada na imagem clássica que se tem da classificação de Hubble, uma sequência em forma de Y que ilustra a grande maioria de textos sobre morfologia de galáxias. Todavia, hoje se sabe que não há relação evolutiva entre as diferentes formas de galáxias: galáxias não mudam seu tipo morfológico por si sós, podem apenas fazê-lo caso colidam com outras galáxias.
Outra grande contribuição dada por Edwin Hubble para a Astronomia, esta sim uma verdadeira descoberta, foi a de que existe uma relação entre a distância das galáxias, em relação à nossa, e a velocidade com que elas se movimentam em relação a nós.
Na mesma época em que Hubble fez sua descoberta sobre a natureza das nebulosas, verificando que algumas delas são objetos extragaláticos, havia diversos outros pesquisadores estudando tais nebulosas. Nesses estudos, um dado que era de interesse era sobre o movimento desses objetos: se aproximavam-se, se afastavam-se, se giravam etc.
Analisando-se a luz desses objetos, é possível obter essas informações sobre seus movimentos. Por exemplo, quando um astro está se aproximando de nós, sua luz tende a ficar mais azulada. E se está se afastando, ela tende a ficar mais avermelhada.
É o chamado Efeito Doppler, responsável pela variação da frequência das ondas sonoras emitidas por objetos em movimento, e também pela variação da cor da luz provinda de corpos se movimentando.
Muitos astrônomos na época verificavam que grande parte das nebulosas encontravam-se se afastando de nós, apesar de que não todas. A galáxia de Andrômeda, por exemplo, tem sua luz mais azulada do que teria se estivesse parada: a galáxia de Andrômeda está em rota de colisão com a nossa! (mas fique tranquilo, a colisão só ocorrerá daqui a bilhões de anos...)
Não foi difícil para Hubble, que estava imerso nesse mundo de estudos das nebulosas extragaláticas, pensar na ideia de verificar se havia alguma correspondência entre esse fenômeno do afastamento e suas distâncias. Ninguém melhor do que ele, na época, para fazer esse estudo!
Hubble então pôde verificar que havia uma relação direta e linear: quanto mais distante uma galáxia está de nós, tanto mais rápido ela tende a se afastar de nós. Uma galáxia duas vezes mais distante que outra, tende a ter velocidade de afastamento duas vezes maior.
Esta é a famosa Lei de Hubble:
Edwin Hubble não quis se meter a especular razões para tal comportamento das galáxias. Deixou isso a encargo dos astrônomos e físicos teóricos. Sua contribuição já estava dada, era mais do que suficiente. Muitos anos depois sua lei seria ainda verificada para objetos muitíssimo mais distantes: a lei de Hubble é válida até os confins do Universo!
Como Edwin Hubble encerrou a sua carreira?
Edwin Hubble teve participação direta em ambas as Guerras Mundiais, já sendo um homem conhecido por todo o mundo na 2ª delas. Sua saúde começou a se debilitar fortemente depois disso, e poucos anos depois ele viria a falecer, de trombose celebral, no dia 28 de setembro de 1953.
Nos seus últimos anos de vida, trabalhou para a construção do maior telescópio do mundo na época, o que viria a se tornar um dos mais famosos da história, o telescópio de 5 metros do Monte Palomar.
Trabalhar no Monte Wilson já não era satisfatório não só pelas próprias limitações do equipamento, que não dava condições para Hubble observar mais e mais longe, o que era o seu objetivo, verificar até onde erra válida sua Lei, mas também porque os arredores do Monte haviam se urbanizado demais, e o céu já passava a ser um céu poluído de luz.
Algumas citações de Edwin Hubble para finalizar:
"A história da Astronomia é uma história de ampliação de horizontes."
"O Universo se desenvolve como ele deveria."
?Equipado com seus cinco sentidos, o ser-humano explora o Universo ao seu redor,
e chama essa aventura de Ciência.?
Leia a primeira parte do especial sobre o grande personagem da história da ciência
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No último mês, a coluna Enquanto Isso no Universo prestou uma merecida homenagem aos 20 anos de atividades do Telescópio Espacial Hubble. Se você não viu, comece aqui a conhecer mais informações a respeito desse telescópio que marcou era na história da Astronomia.
Mas de onde veio o nome Hubble? O Telescópio Espacial recebeu este nome em homenagem a um grande astrônomo, que deu importantíssimas contribuições para a Astronomia no início do século 20. Iremos contar agora um pouco sobre a história desse grande personagem da história da Ciência, e principalmente discutir um pouco a respeito das descobertas que o farão ser lembrado para sempre.
Quando e onde nasceu Edwin Hubble?
Edwin Powell Hubble nasceu na pequena cidade de Marshfield, no estado de Missouri, dos EUA, no dia 20 de novembro de 1889, o terceiro de uma família de 8 filhos.
Como foi sua vida antes de se tornar um astrônomo famoso?
Hubble teve uma infância pacata de garoto do interior. Teve acesso a vários livros que estimularam sua imaginação, como Alice no País das Maravilhas, O Livro das Selvas, As Minas do Rei Salomão, Viagem ao Centro da Terra, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre outros. Já desde cedo foi estimulado a apreciar a Astronomia por causa dos avôs, que ficavam discutindo longamente com ele sobre os planetas, como Marte, e que lhe construíram uma luneta, com a qual teve a oportunidade de observar o maravilhoso espetáculo do eclipse lunar ocorrido em 23 de junho de 1899.
Ele e sua família se mudaram para próximo de Chicago quando ele tinha 9 anos. Além de bom aluno, se destacava, sobretudo, nos esportes (basquete, boxe, salto, futebol americano), não só durante a adolescência, como também no período da faculdade. Fora obrigado pelos pais a se dedicar à Advocacia, mas sempre conseguiu estar envolvido com ciências e Astronomia, seja cursando disciplinas extras ou fazendo estágios. Conseguiu uma bolsa para estudar Advocacia em Oxford, completando seus estudos e regressando aos EUA quando tinha cerca de 23 anos.
Graças a antigos contatos na Universidade de Chigaco, Hubble conseguiu uma indicação para realizar pós-graduação e trabalhar no Observatório de Yerkes, da própria Universidade, tornando-se assim oficialmente um astrônomo e dando início à sua carreira de muito sucesso.
Qual foi a principal descoberta de sua vida?
Não é simples definir uma hierarquia no que se refere às descobertas feitas por um cientista, particularmente um como Edwin Hubble. Todas as grandes descobertas dele foram e são importantes para a Astronomia.
Mas talvez, pelo impacto que causou na comunidade científica da época, por conseguir resolver ?O Grande Debate? que já havia se estabelecido há décadas, a descoberta de que a nossa Galáxia (Galáxia com G maiúsculo é o nome da galáxia dentro da qual estamos) é só mais uma dentre outras que existem no Universo, que ela não é o próprio Universo, que existem assim objetos extragaláticos, talvez seja a maior descoberta que Edwin Hubble tenha feito.
Mas que ?Grande Debate? é esse a que estou me referindo? Já no século 18, vários astrônomos tinham observado, através de telescópios, que havia objetos diferentes daqueles que comumente observamos no céu. Eram extensos e difusos, parecendo nuvens, que passaram a receber por isso o nome de nebulosas.
Hoje sabemos que, pela limitação dos equipamentos da época, objetos de natureza muito diferente foram agrupados dentro dessa mesma classificação, e que a maioria deles acaba pertencendo mesmo à nossa própria Galáxia: nuvens de gás iluminadas por estrelas dentro delas, nuvens de gás em forma esférica que foram ejetadas por estrelas depois de morrerem, aglomerados de estrelas etc. Mas também sabemos hoje que algumas das nebulosas são na verdade outras galáxias, tão grandes e até maiores do que a nossa.
Um grande filósofo alemão, chamado Immanuel Kant, foi o primeiro a propor, por volta de 1755, que algumas das nebulosas poderiam ser sistemas estelares como a nossa Galáxia, os quais ele atribuiu o nome de ?universos-ilha". O grande problema é que as distâncias até tais objetos não era possível de ser determinado ainda, de maneira que não havia como se saber se elas pertenciam à nossa Galáxia ou não.
No início do século 20, havia tanto astrônomos que defendiam que algumas das nebulosas eram objetos extragaláticos, quanto os que defendiam que tudo o que havia no Universo estaria dentro dela. Dois dos maiores protagonistas nessa controvérsia foram Harlow Shapley, do Observatório de Monte Wilson, e Heber Doust Curtis, do Observatório Lick. Ambos foram convidados, inclusive, a realizar um famoso debate sobre o assunto, em abril de 1920, frente à Academia Nacional de Ciências. Mas o debate não resolveu a questão, nenhuma das argumentações de cada um conseguia se sobrepujar completamente à do ?adversário?.
Coube então a Edwin Hubble, em 1923, resolver a grande questão.
De posse de um dos melhores telescópios do seu tempo, o principal telescópio do famoso Monte Wilson, Hubble conseguiu identificar a existência de uma representante de um tipo especial de estrelas, as chamadas estrelas Cefeidas, localizada na nebulosa hoje conhecida como galáxia de Andrômeda.
As estrelas Cefeidas já eram bem conhecidas pelos astrônomos na época, várias delas já haviam sido observadas na nossa Galáxia. Elas são especiais porque variam de brilho (não são as únicas a fazer isso), devido a oscilações que ocorrem nelas mesmas, modificando seus tamanhos.
Dependendo de seus brilhos, essas estrelas acabam oscilando de maneira mais rápida ou mais lenta. Assim, pode-se achar uma relação direta entre o brilho intrínseco das estrelas Cefeidas e seus períodos de oscilação. Uma estrela Cefeida 33 mil vezes mais luminosa que o Sol pulsa com período de 100 dias, enquanto uma mil vezes mais luminosa que o Sol tem período de 3 dias.
Sabendo o brilho intrínseco, pode-se obter facilmente a distância da estrela, medindo-se o seu brilho aparente. A ideia por trás disso é bem simples: se você começa a se distanciar de uma lâmpada, por exemplo de 100 Watts, o brilho dela começa a incomodar menos os seus olhos, não é mesmo? Isto porque o brilho aparente dela, o brilho que você sente a uma certa distância, é menor do que o brilho intrínseco, aquele que você sentiria se estivesse com os olhos pertinhos dela. E essa diferença de brilho é relacionada diretamente à distância entre você e a lâmpada, dá para se calculá-la então facilmente.
Foi assim então que Hubble conseguiu determinar a distância da galáxia de Andrômeda até nós. Ele mediu o tempo que levava para a estrela Cefeida em Andrômeda completar uma oscilação completa do seu brilho, e com isso conseguiu determinar qual era o brilho intrínseco dela.
Medindo o seu brilho aparente, obteve a distância dessa galáxia à nossa, um valor de cerca de 2,2 milhões de anos-luz. Isso ?colocava? Andrômeda bem além dos limites da nossa Galáxia, que tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro. Era uma prova irrefutável de que ela não poderia estar dentro da nossa Galáxia. Era, portanto, um outro ?universo-ilha?!
Muito interessante esta descoberta do Edwin Hubble, não é mesmo? Quer saber mais a respeito de outras descobertas que ele realizou? Então não perca na próxima semana a continuação de Edwin Hubble: o homem por trás do nome!
Completamos nossa homenagem a essa obra-prima chamada Telescópio Espacial Hubble!
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Que muitos ainda sejam os anos em que o tenhamos à nossa disposição, para que novas descobertas sejam feitas, e para que a nossa compreensão sobre os astros do Cosmos continue a crescer, em ritmo acelerado!
Quais as principais descobertas científicas realizadas graças às observações do TEH?
Entre os primeiros objetivos que se esperava alcançar com o TEH, estava se obter uma medida mais acurada da distância de estrelas que variam de brilho e de tamanho, chamadas Cefeídas, para assim se obter um valor para a constante de Hubble, que é a medida da taxa com a qual o Universo se expande, e que também está diretamente relacionada com a sua idade. Assim, dentre as muitas descobertas realizadas, com os dados do TEH foi constatado que a idade do Universo deve estar entre 13 e 14 bilhões de anos, um intervalo de possibilidades muito menor do que o que existia antigamente, que era de 10 a 20 bilhões de anos.
Astrônomos do High-z Supernova Search Team e do Supernova Cosmology Project usaram o TEH para observar explosões de supernova distantes, e descobriram evidências de que, longe de estar desacelerando devido à influência da força da gravidade, a expansão do Universo pode estar de fato acelerando. Esta aceleração foi depois medida de forma mais acurada por outros telescópios, tanto fixos em solo, como espaciais, confirmando a descoberta do TEH. A causa para esta aceleração continua até hoje pouco compreendida, sendo por enquanto a teoria explicativa mais popular a da chamada Energia Escura, uma força misteriosa que causaria então essa expansão do Universo de forma acelerada.
Um legado único do TEH são as imagens chamadas Hubble Deep Field e Hubble Ultra Deep Field, nas quais foi utilizada a sensibilidade imbatível para luz visível, para criar essas imagens de pequeníssimas regiões do céu, nas quais aparentemente não havia qualquer objeto luminoso presente, permitindo-se assim a visualização de galáxias extremamente longínquas, a bilhões de anos-luz de nós, antes jamais detectadas. Até o momento, elas são as imagens à luz visível mais detalhadas já feitas dos objetos mais distantes do Universo.
Galáxias em todos os estágios de evolução foram descobertas, incluindo ?galáxias bebê? que já existiam quando o Universo era ainda jovem, o que ajudou no entendimento de como as galáxias se formam.
Descobriu-se a partir dos dados do TEH, que as chamados explosões de raios gama ? estranhas e incrivelmente poderosas explosões de energia ? ocorrem em galáxias muito distantes, quando estrelas colapsam.
O legado do TEH, no que se refere à busca pela confirmação da existência de buracos negros, é ter demonstrado uma profunda conexão entre as galáxias e os seus muito prováveis buracos negros gigantes, que devem residir bem no centro delas.
As imagens de Júpiter, obtidas pelo Hubble, foram mais nítidas do que qualquer uma das obtidas pela sonda Voyager 2, que passou próximo ao gigante gasoso no ano de 1979. Isso contribuiu de forma crucial no estudo posteriormente feito sobre a dinâmica da colisão de um cometa ? o chamado Shoemaker-Levy 9 - com Júpiter, ocorrida no ano de 1994, um tipo de evento que se acredita que ocorra uma vez a cada centenas de anos.
O TEH também encontrou discos proto-planetários, aglomerações de gás e poeira em torno de estrelas jovens que funcionam como berçários de novos planetas. Particularmente obteve imagens de discos proto-planetários na Nebulosa de Orion.
Também foram encontradas evidências da presença de planetas extrasolares em torno de estrelas parecidas com o Sol, graças a dados do TEH.
O Hubble ainda tem sido usado em estudos de objetos existentes nas regiões mais externas do nosso próprio Sistema Solar, incluindo os planetas anões Plutão e Eris.
Quantos artigos científicos foram publicados baseados em dados do TEH?
A produção de conhecimento em Astronomia, baseada em observações do TEH, tem também ajudado a fazê-lo como um dos mais importantes observatórios da história. Mais de 8.000 artigos científicos, baseados em dados do Hubble, já foram publicados em jornais do tipo Revisão por Pares, e incontáveis outros já apareceram em atos de conferências. Analisando as citações de artigos de Astronomia, em outros artigos produzidos muitos anos mais tarde, verifica-se que em torno de um terço de todos os artigos sobre Astronomia não são nunca citados por outros, enquanto que apenas 2% de todos os baseados em dados do Hubble não são nunca citados posteriormente. Em média, um artigo, baseado em dados do TEH, recebe em torno de duas vezes mais citações do que em outro que não se utiliza desses dados. Dos 200 artigos publicados em cada ano, que mais receberam citações posteriores, em torno de 10% são baseados em dados do TEH.
Quem pode usar os dados do TEH em suas pesquisas?
Qualquer astrônomo no mundo pode submeter uma proposta e requerer assim tempo de observação do TEH para sua pesquisa, não há restrições quanto à nacionalidade ou a afiliação acadêmica, mas a competição por tempo no TEH é intensa. Equipes de especialistas ficam encarregadas de selecionar quais as observações deverão ser feitas. Uma vez que as observações requeridas são concluídas, os astrônomos que as solicitaram têm um ano de posse exclusiva, antes então deles serem disponibilizados para toda a comunidade científica.
Todos os dados do TEH estão disponíveis nos arquivos do STScI. Se você quiser acessá-los, pode fazê-lo visitando os seguintes sites: http://archive.eso.org/archive/hst/ e http://www.stsci.edu/institute/.
Já existem sucessores para o TEH?
Sim. Apesar de se falar muito no já famoso Telescópio Espacial James-Webb (mais informações nestes sites 123), ele não fará observações de luz visível aos olhos humanos, será especializado em observar radiação infravermelha.
Assim, um sucessor de fato para o TEH será o ainda em proposta de construção Telescópio Espacial de Larga Abertura com Tecnologia Avançada (AT-LAST - Advanced Technology Large-Aperture Space Telescope, mais informações nestes sites 1, 2), que viria a ter de 8 a 16 metros de diâmetro, e que teria condições de fazer exatamente o mesmo que o TEH, ou seja, obter imagens tanto em luz visível, quanto em ultravioleta e infravermelha, mas com resoluções certamente muitíssimo superiores ao do TEH
Onde posso conseguir imagens e vídeos sobre o TEH?
São 5 os sites oficiais a respeito do Telescópio Espacial Hubble. Neles você pode encontrar simplesmente tudo o que quiser a respeito do Telescópio Espacial Hubble! Acesse abaixo!
Segue agora a 3ª e penúltima parte desta homenagem ao Telescópio Espacial Hubble
Foto: Reprodução
Quem detém o controle do TEH? Como isso é feito?
Basicamente as agências espaciais norte-americana (NASA) e europeia (ESA), que foram as responsáveis pela construção do TEH, com maiores contribuições financeiras da norte-americana.
O telescópio é controlado por comandos emitidos via ondas de rádio, enviados a partir Centro Goddard Space Flight da NASA, que fica na cidade de Greenbelt, no estado de Maryland dos EUA. Astrônomos indicam ao TEH para onde deve apontar, e computadores controlando os equipamentos acoplados a ele gravam então o resultado das observações.
O Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI - Space Telescope Science Institute) é o responsável pela operação científica do telescópio e pela distribuição dos dados produzidos para os astrônomos que os requisitaram. O STScl é operado pela Associação de Universidades para a Pesquisa em Astronomia (AURA - Association of Universities for Research in Astronomy) que fica localizada em Baltimore, também no estado de Maryland, EUA. A operação do TEH é monitorada 24 horas por dia por 4 equipes de controladores de vôo.
Quando o TEH foi lançado em órbita, os dados que ele colhia eram armazenados em hoje antiquados gravadores em fita magnética, os quais foram substituídos por chamados SSD, sigla do inglês solid-state drive, que significa unidades de estado sólido, durante as missões de manutenção 2 e 3A. Aproximadamente duas vezes por dia, o TEH envia seus dados para um satélite geoestacionário chamado TDRSS (Tracking and Data Relay Satellite System). O TDRSS envia os dados científicos para uma das duas antenas de microondas, de 18 metros de diâmetro, localizadas no White Sands Test Facility que fica na região de White Sands, no estado do Novo México, EUA. De lá, eles são enviados ao Goddard Space Flight Center e finalmente para o STScl para arquivamento. Esses dados são, finalmente, transmitidos ao Centro de Controle do Telescópio Espacial (STOCC - Space Telescope Operations Control Center) localizado na cidade de Greenbelt.
Ao longo desses 20 anos, como foi feita a manutenção do TEH?
O TEH é o único telescópio espacial já desenvolvido pensando-se na possibilidade de ser feita manutenção por astronautas. A última missão de manutenção realizada foi lançada no dia 11 de Maio de 2009. Nela foram incorporados novos equipamentos ao TEH, com o que de há de mais moderno em termos de produção de imagem e de análise de luz. O TEH passou a literalmente ter novos olhos para observar o Universo, tornando-se assim capaz de obter imagens ainda melhores do que conseguia anteriormente. No total houve 5 missões de serviço como essa, desde quando o TEH foi colocado em órbita em 1990, sendo que a de 2009 foi a última de reparos e atualizações. A próxima, caso houver, será para desativar o TEH. A princípio, espera-se que o TEH funcione bem até o ano de 2014, mas não será surpresa se, mesmo alguns anos depois, ele ainda continuar a fornecer dados úteis e importantes para a comunidade científica internacional.
Que tipo de telescópio é o TEH?
Óticamente, o TEH é uma refletor Cassegrain, com design Ritchey-Chrétien, da mesma forma que a maioria dos grandes telescópios. Tal design, com dois espelhos hiperbólicos, é conhecido pelo boa performance em produção de imagens que cubram largos campos de visão, com a desvantagem de que os espelhos têm formas que são difícies de se fabricar e se testar. Seu espelho principal precisou ser polido com uma acurácia de apenas 10 nanômetros (1 nanômetro = 1/1.000 micrômetros = 1/1.000.000 milímetros = 1/1.000.000.000 metros), o que corresponde a cerca de 1/65 do comprimento de onda da luz vermelha.
O Hubble será resgatado quando deixar de funcionar plenamente?
O ônibus espacial Atlantis deixou o TEH em 19 de Maio de 2009, depois de todos os reparos realizados com sucesso, e uma próxima missão de manutenção será somente para retirar o TEH de órbita quando ele já não estiver mais em condições de funcionar de forma plena.
O TEH foi originalmente desenhado para retornar à Terra a bordo de um ônibus espacial. Mas com o fim do Programa de Ônibus Espaciais, isso não será mais possível. Nessa última visita em 2009, os astronautas acoplaram ao TEH um sistema de recaptura e recondução à Terra (SCRS - Soft Capture and Rendezvous System), desenvolvido pelos engenheiros da NASA, que parece com um anel, e que foi acoplado à parte traseira do TEH. Tal sistema fará então ser possível trazê-lo de volta por, ou uma missão tripulada, ou uma missão robótica.
Assista a seguir um documentário, dividido em 5 partes, produzido pelo Discovery Channel, a respeito do Telescópio Espacial Hubble:
Damos agora sequência ao levantamento de informações a respeito do Hubble, iniciado na semana passada. Esperamos que aprecie!
Foto: Divulgação
Quando a história do Telescópio Espacial Hubble (TEH) realmente começou? Pode-se dizer que o início da história do TEH remonta ao ano de 1946, quando o astrônomo Lyman Spitzer (que hoje dá nome a outro telescópio espacial, o Spitzer, que produz imagens de radiação infravermelha) escreveu o artigo ?Vantagens astronômicas de um observatório extraterrestre?.
O início da construção propriamente dita do TEH, por sua vez, pode ser marcada pelo início do polimento de seu espelho principal, feito na Perkin-Elmer Corporation, na cidade de Danbury, no estado Connecticut dos EUA, em Maio de 1979.
Veja nestes sites imagens do espelho principal do TEH enquanto estava sendo polido:
Por que o TEH também pode ser chamado de Observatório?
Porque ele leva consigo vários instrumentos, que lhe permitem realizar diversas coisas além de simplesmente coletar luz (visível aos olhos humanos), em seu conjunto de espelhos. Ao longo desses 20 anos, o TEH carregou consigo vários instrumentos que já foram desativados. Em missões de manutenção em 1993, 1997, 1999, 2002 e 2009, foram acoplados novos aparelhos ao TEH. Atualmente ele conta com 6 instrumentos, que são basicamente câmeras, que obtém imagens, e espectrógrafos, que analisam a luz: NICMOS (Near Infrared Camera and Multi-Object Spectrometer, uma câmera infravermelha/espectrômetro); ACS (Advanced Camera for Surveys, câmera para mapeamento de luz visível); WFC3 (Wide Field Camera 3, uma câmera de luz visível com campo de visão largo); COS (Cosmic Origins Spectrograph, um espectrógrafo de luz ultravioleta); STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph, um espectrógrafo e câmera de luz visível); FGS (Fine Guidance Sensors, três sensores que servem para monitorar ?estrelas guias? e manter assim o TEH apontado para a direção correta).
Quais as vantagens e desvantagens de se colocar um telescópio no espaço?
A principal vantagem é que a luz que vem do espaço não precisa atravessar a atmosfera terrestre antes de chegar ao espelho do telescópio. A atmosfera causa ligeiros desvios no rumo da luz, o suficiente para impedir que objetos que tenham tamanho muito, muito pequeno no céu possam ser vistos claramente. Suas imagens acabam ficando ?borradas?. Estando fora da atmosfera, só objetos muito, muito, muito, muito pequenos ainda ficam borrados, os ?só? muito, muito pequenos já são visíveis claramente. Além disso, mesmo o Sol não estando no céu, a presença da atmosfera faz com que o céu do lado da Terra em que está noite seja ?ligeiríssimamente? não completamente escuro, olhando-se a partir da superfície terrestre. A luz que está iluminando o lado onde está dia acaba se espalhando por toda a atmosfera, e uma pequeníssima parte dessa luz consegue ?iluminar? o céu do lado em que está noite. Estando acima da atmosfera, o fundo ?preto? do céu é preto mesmo!
Por outro lado, pelo fato de sua órbita ficar numa região em que a atmosfera é rarefeita, mas não totalmente inexistente, a atmosfera fica constantemente mudando suas propriedades, de uma forma que não é possível prever perfeitamente. A sua densidade, na altitude onde o TEH fica, varia de acordo com muitos fatores, o que faz, por exemplo, com que a previsão da posição do TEH em 6 semanas já poderia conter um erro de até 4.000km (!), o que faz ser necessário um monitoramente constante de sua trajetória e das propriedades de seu movimento.
Tomar a decisão entre construir um telescópio fixo em solo, e um espacial como o TEH, atualmente e principalmente nos próximos anos e décadas, é algo bem complexo. Mesmo antes de o TEH ter sido lançado, técnicas especiais em telescópios fixos, tais como a Aperture Masking Interferometry, já obtinham resolução de imagem, em luz visível e luz infravermelha, melhores do que o TEH poderia atingir. Desde então, avanços em Ótica Adaptativa, tem melhorado ainda mais a capacidade de obter imagens de alta resolução, principalmente com luz infravermelha. Mas a escolha de se usar a óptica adaptativa de um telescópio fixo, e um telescópio como o Hubble, depende muito dos detalhes específicos que se esteja pesquisando. Na luz visível, a ótica adaptativa só serve na prática para se obter imagens em relativamente pequenos campos de visão, enquanto que o TEH consegue obter imagens em luz visível de alta resolução em campos de visão bem largos. Também apenas uma fração pequena de objetos astronômicos é acessível à produção de imagens de alta-resolução por telescópios fixos. Em contraste, o TEH pode produzir imagens de alta resolução de qualquer parte do céu noturno, e de objetos de luminosidade extremamente baixa.
O TEH já ?usou óculos??
Sim! Depois de algumas semanas do lançamento do telescópio, as imagens que eram obtidas mostravam que havia um sério problema com o sistema ótico. Embora as primeiras imagens pareciam ser mais nítidas do que as imagens obtidas por telescópios fixos em solo, o telescópio falhava em conseguir uma focalização perfeita, e a melhor qualidade de imagem que se obtinha era dramaticamente menor do que a esperada.
O espelho era achatado demais nas bordas, por uma questão de apenas 2,2 micrômetros (1 micrômetro = 1/1.000 milímetro). Apesar de aparentemente pequena, essa diferença foi catastrófica, pois introduziu grandes aberrações esféricas, um defeito no qual os raios de luz refletidos nas bordas do espelho focavam num ponto diferente do que os raios que refletiam no centro do espelho.
Como o TEH foi projetado para permitir missões de manutenção, os astrônomos começaram imediatamente a pensar possíveis soluções para o problema, que pudessem já ser implementadas na primeira missão de manutenção, agendada para 1993. Apesar de as empresas Kodak e Itek terem cada uma um espelho de reserva para o TEH, seria impossível trocar o espelho em órbita, e também seria muito caro e levaria muito tempo trazer o TEH de volta à Terra para o reparo.
Ao invés disso, pelo fato de o erro cometido na produção do espelho ser tão bem conhecido, foi implementada a idéia de produzir um novo componente ótico, uma lente, cujos parâmetros podiam ser perfeitamente calculados (teriam o mesmo ?erro? de formato do espelho, mas de forma oposta), de maneira a fazer com que todos os raios de luz que passassem por essa lente, convergissem para o mesmo ponto, depois de serem refletidas pelo espelho principal, produzindo assim imagens perfeitas. Os astronautas do ônibus espacial Endeavour instalaram o dispositivo em 1993, o qual funcionou perfeitamente, como planejado.
A coluna presta sua homenagem, trazendo diversas informações a respeito deste verdadeiro monumento da ciência moderna
Foto: Divulgação
Neste ano de 2010, o Telescópio Espacial Hubble completou 20 frutíferos e impactantes anos de funcionamento. Certamente ele foi um marco para a Astronomia: podemos dividir a história dessa ciência em antes e depois do Telescópio Hubble, tranquilamente. Não só pelas descobertas que graças a ele foram feitas, mas também pelo novo patamar de avanço tecnológico que seus idealizadores impuseram, principalmente para aqueles que desejarem construir novos telescópios, não só espaciais mas mesmo em chão firme.
A coluna Enquanto Isso no Universo presta a sua homenagem, trazendo para você diversas informações a respeito deste verdadeiro monumento da ciência moderna, cujo legado para sempre será lembrado: Hubble, O Telescópio Espacial!
Por que o Telescópio Espacial Hubble (TEH) tem esse nome?
O nome Hubble é uma homenagem ao astrônomo norte-americano Edwin Powell Hubble, que fez contribuições fundamentais para a Astronomia no início do século 20, dentre as quais: ter sido o primeiro a verificar que a galáxia de Andrômeda, e outras galáxias, são objetos que estão fora da nossa Galáxia (até aquela época, achava-se que nossa Galáxia continha tudo que existia no Universo - ela era o Universo -, pois não se conseguia medir com precisão as distâncias de objetos muito distantes. Tanto os muito distantes, como os muito, muito, muito distantes, pareciam estar à mesma distância, entende?); ter sido o primeiro a perceber e mensurar que o Universo está se expandindo (ele viu que todas as galáxias mais distantes estão se afastando da Terra, o que hoje interpretamos como uma expansão do próprio espaço entre as galáxias. Ou seja, elas não estão simplesmente se afastando, o espaço entre todas elas está aumentando de tamanho!); ter sido o primeiro a verificar que há galáxias de diferentes formas, que podem ser agrupadas em famílias (simploriamente podemos dividir as galáxias em lenticulares (S0), espirais (S), espirais barradas (SB), elípticas (E) e irregulares (IRR) ou peculiares (PEC).
Qual o dia e horário em que o TEH foi lançado ao espaço?
O ônibus espacial Discovery, que levou o TEH ao espaço, decolou no dia 24 de abril de 1990, às 09h33 da manhã, horário de Brasília. O Discovery voltou a aterrissar em chão firme no dia 29 de abril de 1990, às 10h50 da manhã, horário de Brasília.
A que distância o Telescópio Espacial Hubble (TEH) se encontra da superfície terrestre?
Sua distância à superfície terrestre varia, mas sempre fica entre 561km e 566km. Vale lembrar que o raio da Terra é de cerca de 6.300km, e que a distância do centro da Terra ao centro da Lua é de cerca de 384.000km.
Quantos pesa o TEH?
O TEH pesa cerca de 11 toneladas ou 11 mil quilos.
Quais as dimensões do TEH?
O comprimento do tubo principal do telescópio é de cerca de 13,1 metros (um gol de futebol de campo possui cerca de metade disso, 7m de largura). O espelho principal possui um diâmetro de 2,4 metros. Comparado com outros telescópios existentes em solo, o TEH pode ser considerado um telescópio de porte médio. Os famosos telescópios Gemini possuem cada um, por exemplo, espelhos com diâmetro de cerca de 8m.
Quantas voltas o TEH completa ao redor da Terra por dia? Ele completa em média cerca de 15 voltas por dia. Assim, demora cerca de 96 min, ou 01h36 min, para completar uma volta ao redor do planeta.
Qual a velocidade do TEH e a que intensidade de aceleração ele está submetido?
A velocidade orbital do TEH é de cerca de 7.500m/s, ou 27.000km/h. Na altitude em que se encontra, a aceleração (que é centrípeta) a que o TEH, devido à atração gravitacional do planeta, é de cerca de 8,2m/s².
Qual é a área coletora de luz que o TEH possui? A área coletaora de luz do TEH é de cerca de 4.5m², devido à forma do seu espelho principal, que não é um círculo completo (se o fosse, a área coletora seria de ?r² = 3,14159.(2,4)² = 18,09557m².
Qual a distância focal do espelho principal do TEH? A distâncial focal F do espelho principal do TEH é de cerca de 57,6m.
O TEH só consegue observar luz visível aos olhos humanos?
Não. Seu espelho e os aparelhos acoplados foram projetados de tal maneira a lhe permitir conseguir ?enxergar? luz infravermelha e ultravioleta também.
Quanto custou o TEH?
O custo inicialmente estimado para o projeto era de cerca de US$ 400 milhões. Só para concluir a construção do TEH, foram gastos em torno de US$ 2,5 bilhões. O gasto total dentro desses 20 anos de funcionamento estima-se que é da ordem de US$ 7 bilhões.
Para finalizar a discussão, falta falarmos a respeito dos movimentos de outros astros no céu
Foto: Reprodução
Caro(a) leitor(a), começamos a discutir essa questão na semana passada. Se você não viu, acesse aqui antes de seguir na leitura!
Para finalizar a discussão, falta falarmos a respeito dos movimentos de outros astros no céu. Se formos construir ampulhetas utilizando o nascer ou pôr de outros astros, será que elas vão ter a mesma quantidade de areia que as primeiras que construímos?
A resposta é não! Isto porque os astros se movem no céu, uns em relação aos outros! E de um dia para outro, alguns desses movimentos são suficientemente perceptíveis, de maneira que as ampulhetas construídas - cada uma usando um astro diferente de referência - teriam quantidade de areia notavelmente diferentes.
Os astros que se movimentam mais em relação aos demais existentes no céu, além do Sol, são a Lua e os planetas do sistema solar. Se você quisesse construir ampulhetas para medir a duração do dia, utilizando alguns desses astros, certamente teria um bocado de trabalho para conseguir construir uma ampulheta média, a periodicidade das quantidades de areia seriam bem irregulares.
Mas ainda nos restam as estrelas e os objetos muito distantes no céu! Todos estes se movimentam muitíssimo pouco de um dia para o outro. Na verdade leva-se milhares de anos para se notar a mudança da posição de uma estrela em relação às demais. E quanto mais distante está um astro de nós, mais tempo se leva para notar algum movimento próprio que ele tenha no céu.
Note que assim podemos afirmar que o movimento das estrelas no céu, dia após dia, é, com excelente aproximação, somente devido à rotação da Terra. E nada mais. Assim, se construirmos ampulhetas baseando-nos no movimento delas, estaremos indiretamente utilizando a rotação do nosso planeta como referência.
Certo, mas uma ampulheta construída usando o nascer ou pôr de uma estrela vai ter alguma diferença de uma construída usando o nascer ou pôr do Sol Médio? Sim, sempre haverá diferença de quantidade de areia, e ela será sempre a mesma! De 4 minutos solares médios! (4 minutos no seu relógio...).
Quer ver como é simples de entender o porquê dessa diferença? Veja então a figura ao lado. Nela temos uma representação, fora de escala, da Terra (em azul) transladando ao redor do Sol (em amarelo). As flechas curvadas indicam os movimentos de rotação e translação da Terra.
As flechas não curvadas indicam a posição do Sol, vista a partir da Terra, e a posição de uma estrela hipotética, usada como referência, que está muitíssimo distante (que é o caso de todas as que vemos no céu à noite!), do lado esquerdo da imagem.
Na posição 1, um observador na Terra, vendo o Sol nascer, nota que ele e a estrela hipotética estão exatamente na mesma direção. Isso significa que ambos estão nascendo exatamente ao mesmo tempo.
A Terra se movimenta, girando ao redor de si mesma, mas também transladando ao redor do Sol. No instante em que chega à posição 2, a Terra completa uma volta em torno de si mesma. Note que a estrela hipotética e o Sol não estão mais na mesma direção! A estrela hipotética nasce então antes do Sol neste novo dia!
Só depois que a Terra girar mais um pouquinho - e chegar então na posição 3 -, é que o Sol voltará a nascer para o observador. E o tempo que leva para a Terra girar mais este pouquinho é de aproximadamente 4 minutos (solares médios...).
Note que quando a Terra chega à posição 3, volta-se à condição da posição 1, a não ser pelo fato de existir outra(s) estrela(s) hipotética(s) na direção do Sol, de maneira que em todos os dias ocorre esse ?atraso? do Sol de 4 minutos em relação às estrelas.
Se você tomar então como referência o movimento do Sol na contagem da passagem do tempo - se você usar então o seu relógio de pulso! -, verá que todos os dias, todas as estrelas nascem 4 minutos mais cedo do que no dia anterior.
Chegamos então à conclusão que o tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor de si mesma é de menos do que 24 horas solares médias: é de 23h56min solares médios. A esse intervalo de tempo os astrônomos dão o nome de dia sideral.
Por ser um intervalo de tempo importante (é o tempo que leva pro nosso planeta dar uma volta em torno de si!), um dia sideral também é muito usado de referência, de maneira que também define-se que ele possui 24 horas, mas daí essas horas são chamadas de horas siderais (cada uma delas é um pouco mais curta do que a hora solar média).
Concluímos assim que, se você construir uma ampulheta para marcar a passagem do tempo, usando as estrelas como referência, a quantidade de areia será menor do que a existente dentro da ampulheta que marca duração de dias solares médios.
Uma conseqüência interessante dessa história toda é perceber que, durante um ano, a Terra dá 366 voltas em torno de si, e não 365! Nosso calendário é dividido em 365 dias, porque esse é o número de vezes que o Sol cruza o céu, durante o tempo em que a Terra dá uma volta ao redor dele.
Mas como vimos, cada vez que passa um dia solar, a Terra já deu uma volta em torno de si, e ainda girou um pouco mais. Esse um pouco mais, multiplicado por 365 vezes, dá exatamente uma volta completa a mais! Assim, se um dia lhe perguntarem quantas voltas a Terra dá em volta de si, em um ano, dê a resposta certa: 366!
É isso aí! Um abraço e até a próxima!
04/05/2010 05:02 PM
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