Meta do governo é conectar todas as escolas urbanas até o final do ano
O Ministério das Comunicações divulgou nesta sexta-feira que 72,75% das escolas públicas urbanas do País já tem acesso à internet de alta velocidade. No total, são 47.204 estabelecimentos municipais, estaduais e federais localizados em zona urbana no país. A meta do programa Banda Larga nas Escolas, lançado em 2008, é conectar todas as 64.879 escolas urbanas até o fim deste ano.
O levantamento de dados, feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostra que no primeiro semestre de 2010 foram incluídas 4.206 escolas no programa. São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Bahia são os estados que receberam o maior número de conexões e os estados da Região Norte foram os menos beneficiados. Segundo a Anatel, isso ocorre por causa das dificuldades de acesso das operadoras à região.
O Programa Banda Larga nas Escolas estabelece que as concessionárias de telefonia fixa devem levar aos municípios infraestrutura de rede para a conexão das escolas públicas urbanas em banda larga. De acordo com o compromisso assumido pelas empresas, mesmo as novas escolas que surgirem durante a execução do programa serão conectadas até o fim de 2010.
Estudantes de outras universidade que tentam uma vaga na instituição farão a prova da primeira fase do processo seletivo
A Fundação para o Vestibular da Universidade de São Paulo (Fuvest) realizará, no próximo domingo, 25, a primeira fase do exame de transferência para estudantes de outras universidades ingressarem em 2011 na USP. Estão inscritos 1955 candidatos para as 792 vagas disponíveis nesse processo de seleção. A relação candidato/vaga está disponível no site.
A prova, com oitenta questões de múltipla escolha, tem a duração de quatro horas e começa às 13h. Para fazer o exame é necessário apresentar o documento de identidade.
Segunda fase
O gabarito será divulgado às 18h do dia 25 de julho no site da Fuvest. A lista de convocados para a segunda etapa de provas será publicada no dia 7 de agosto (sábado) e ela será realizada pelas unidades em que estão os cursos pretendidos pelos alunos aprovados.
Eles pedem reajuste de 38,7% nas bolsas pagas pelo governo, que estão em R$ 1.916,45 ao mês. Eles pedem ainda outros benefícios
Os mais de 17 mil futuros médicos do País podem cruzar os braços caso o reajuste de 38,7% no valor da bolsa, repassada pelo governo, não seja atendido. Os médicos-residentes, que recebem R$ 1.916,45 mensais, também reivindicam auxílio-moradia, auxílio-alimentação e a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses.
Segundo o presidente da Associação dos Médicos-Residentes, Nivio Lemos Moreira Junior, os profissionais pedem o aumento no valor da bolsa desde 2007. O documento com as reivindicações será entregue nesta sexta-feira aos ministérios da Educação e da Saúde. Nele, a entidade dá o prazo de 15 dias para o governo negociar com a categoria, caso não haja resposta os residentes de todo o país entrarão em greve.
?Quem tem mais tempo de residência se torna um profissional mais preparado. Ele também necessita de tempo livre para estudar. Isso melhora a qualidade de atendimento nas unidades de saúde?, disse.
O presidente da Associação Brasiliense de Médicos-Residentes do Distrito Federal, Cassio Rodrigues Borges, afirma que as condições de trabalho são precárias e isso reflete diretamente na saúde pública. ?Essa estrutura ruim atrapalha a profissão desses residentes e isso causa um impacto negativo.?
O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação ainda não têm informações sobre o documento, por isso não se pronunciaram sobre o assunto.
No campus da UFV estão as escolas de número 3 e 5.755 do ranking nacional. Conheça suas diferenças e semelhanças
Foto: Divulgação
Duas realidades distintas compartilham um mesmo espaço na cidade de Viçosa, que fica na Zona da Mata de Minas Gerais, a 230 km da capital Belo Horizonte. A instituição Coluni (Colégio Universitário), 3ª colocada no ranking nacional pela nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e a Escola Estadual Effie Rolfs, 5.755ª colocada na mesma lista, estão instaladas no campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), mas ficam muito distantes no que diz respeito aos recursos.(Veja no fim da reportagem o ranking completo das escolas)
O iG Educação conversou com as diretoras dos dois colégios - Eunice Bitencourt Bohnenberger, do Coluni, e Judite Araújo Borges, da Effie Rolfs - para mostrar por que duas escolas vizinhas estão tão distantes nas notas do Enem.
Origem
Ambas foram inauguradas em 1965 e são gratuitas. A Escola Estadual Effie Rolfs foi criada para atender filhos de funcionários da instituição federal e dar curso supletivo aos trabalhadores da UFV que não tinham formação. É administrada pelo governo estadual e atualmente recebe estudantes de vários bairros de Viçosa, especialmente dos mais periféricos.
O Coluni é o lugar em que a Faculdade de Ensino da UFV aplica seus conhecimentos e pesquisas - o chamado Colégio de Aplicação. Surgiu oferecendo apenas o último ano do ensino médio, com o intuito de preparar os estudantes locais para conquistar uma vaga na universidade. Com o tempo, passou a oferecer os três anos do segundo grau e atende atualmente alunos que vêm de todas as partes do País - em 2010, 80% dos 400 estudantes da escola são de fora de Viçosa.
Somente em Viçosa, existem quatro cursos preparatórios para os candidatos interessados em concorrer a uma vaga no Coluni, que faz vestibular para preencher por volta de 10 vagas em cada série. Todos os anos, são cerca de 10 a 15 candidatos inscritos para concorrer a cada vaga oferecida.
No Effie Rolfs não há concurso para seleção de novos alunos. Os candidatos concorrem por ordem de inscrição às vagas disponíveis a cada ano.
Expertise
Com 1.365 alunos estudando do 1º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio, o Effie Rolfs se especializou em atender alunos carentes. Tem 17 professores capacitados para lidar com alunos com transtornos globais de desenvolvimento, como síndrome de down, autismo, problemas de visão, entre outras limitações. Seu laboratório de informática, que possui 20 computadores, tem um deles especialmente preparado para que estes alunos o utilizem. O Coluni não tem este atendimento.
Vestibular
Quando o assunto é aprovação em vestibular, o Coluni sai à frente do Effie Rolfs. No último ano, dos 159 alunos matriculados na última série do Coluni, 92% conquistaram vaga em uma universidade pública. Apenas na UFV, pelo menos 10 alunos ficaram em 1º lugar no vestibular dos cursos a que concorreram. No Effie Rolfs, dos 244 alunos do ensino médio no ano passado, 133 fizeram a prova do Enem. Destes, 80 se inscreveram para concorrer a uma vaga na UFV e 48 foram aprovados na instituição.
Professores
No Coluni, o vínculo dos docentes com a universidade é empregatício. Os 26 professores do colégio são efetivos e funcionários concursados para a UFV, mas que aplicam seus conhecimentos na escola de ensino médio. Todos trabalham em regime de dedicação exclusiva. Entre eles, dez têm título de doutor, 13 de mestre, dos quais três estão em treinamento pré-doutorado, um é pós-doutor e outro está em vias de adquirir o mesmo título.
No Effie Rolfs, a UFV atua de forma indireta. Os estudantes que fazem cursos de licenciatura na universidade de Viçosa praticam o que aprendem ministrando aulas de reforço aos alunos no período livre ? os alunos da manhã recebem reforço à tarde e vice-versa. No quadro de docentes da escola, não faltam professores para nenhuma disciplina. Todos são efetivos, mas não têm regime de exclusividade. Dos mais de 80 profissionais, apenas um tem mestrado e dois estão concluindo esta titulação. Os demais contam com diversos cursos de especialização e todos participam das capacitações a distância oferecidas pelos governos estadual e federal.
Recursos pedagógicos
O Effie Rolfs conta com um armário em que guarda seus três datashows, dois notebooks, uma tela de projeção, três TVs e a mesma quantidade de aparelhos de DVD, que são utilizados por todos os professores, nos três períodos de aula (manhã, tarde e noite). Os recursos multimídia são levados para algumas das 16 salas do colégio mediante ao agendamento prévio que o professor deve fazer para utilizá-los.
O Coluni, apesar de contar com duas salas de projeção de vídeos, prefere manter em todas as oito salas de aula pelo menos um datashow, TV e aparelho de DVD. Os laboratórios de ciências (específicos para química, física e informática) são equipados recursos modernos. No laboratório de informática, por exemplo, os alunos têm acesso livre aos computadores conectados à internet a qualquer momento, desde que não estejam sendo utilizados por algum professor.
No Effie Rolfs o laboratório pode ser usado, desde que sob a supervisão das duas bibliotecárias e para fins de pesquisa escolar.
As duas escolas adotam o material fornecido pelo Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação (MEC), e complementam com materiais que os professores elaboram para suas aulas, como os conteúdos multimídia, por exemplo. Nenhuma das duas usa apostilas próprias ou as adquirem de sistemas de ensino particular.
Apoio ao aluno
Orientação educacional é o lema de das duas escolas. No Coluni, além de o estudante receber orientações sobre as matérias diretamente com seus professores, seu comportamento é avaliado de perto. As notas e as faltas são acompanhadas pelos coordenadores pedagógicos, que alertam os pais assim que o rendimento do aluno diminui. Outra preocupação é quanto ao lado emocional dos alunos. Como muitos deles moram longe da casa dos pais, ao primeiro sinal de tristeza eles são chamados para conversar com os orientadores.
No Effie Rolfs o desempenho dos alunos é comunicado aos pais em reuniões ao fim de cada bimestre, nas quais são apresentados os boletins.
Infraestrutura
O campus da universidade que abriga as duas escolas é fundamental para o desenvolvimento de ambas. Os alunos do Coluni, que são considerados membros da UFV, contam com o refeitório universitário para fazer suas refeições. Os esportes são praticados no centro poliesportivo da Faculdade de Educação Física. A biblioteca deles é a central da universidade, que tem uma seção com títulos para o ensino médio.
As festas, reuniões, entre outros eventos do Effie Rolfs são feitos nos anfiteatros da universidade e a escola pode ainda usar as quadras poliesportivas, desde que agende com antecedência. Os pavilhões de aula da UFV também são usados pelos alunos da escola para receber o reforço escolar dado pelos licenciandos da universidade, já que o colégio tem suas salas ocupadas nos três períodos.
Diferenciais
Além dos recursos materiais, o apoio pedagógico da universidade, o processo seletivo concorrido e o foco da escola apenas no ensino médio, o Coluni tem ainda outras características que o coloca entre as melhores escolas do País.
?Os alunos do Coluni são muito responsáveis. A relação deles com a escola é muito boa. Eles não têm inspetor disciplinar em cima, não impomos uniformes, eles circulam livremente pelo campus da universidade e essa convivência, além de muitos morarem longe dos pais, reflete diretamente no amadurecimento deles?, ressalta Eunice.
Mesmo estando em situação oposta, a diretora do Effie Rolfs vê a escola como uma privilegiada. ?Nos últimos anos a escola recebeu duas ampliações, temos o apoio da UFV, os espaços que ela nos oferece. Para ficar perfeito precisaríamos ainda construir uma quadra poliesportiva aqui na escola e um anfiteatro, pois usamos o pátio da escola, onde cabem umas 400 cadeiras, mas comparado à situação de outras escolas da região nós temos uma infraestrutura muito boa e fico até meio sem jeito de pedir mais reformas?, diz Judite.
Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.
Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação ? relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem ? foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.
Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total ? um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem ?, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.
As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.
ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).
Aulas devem ser retomadas apenas em 2 de agosto devido a onda de frio polar que atinge o país, que já matou 12 pessoas
O Ministério da Educação e Cultura do Paraguai resolveu nesta quinta-feira estender a duração das férias de inverno nas instituições públicas por mais três semanas, devido à onda de frio polar que castiga o país. A vice-ministra de Educação, Diana Serafini, disse que o recesso inicial de duas semanas, que começou no último dia 12 e deveria acabar nesta sexta-feira, será estendido até o próximo dia 30 para que os centros de ensino público retomem as aulas em 2 de agosto.
A medida foi anunciada depois da reunião de ontem entre o ministro da Educação, Luis Alberto Riart, e a ministra da Saúde, Esperanza Martínez, que recomendou a ampliação do recesso devido ao aumento de doenças respiratórias.
As autoridades da área de Educação assumiram uma postura semelhante no ano passado, quando houve o surto de gripe A que, na época, causou 51 mortes entre 1.026 casos de contágio. As baixas temperaturas que castigam o país desde a semana passada já causaram 12 mortes por hipotermia e inalação de monóxido de carbono.
Mudar essa realidade, na opinião da secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, exige posturas diferentes não só dos alunos. Os professores precisam ser os grandes alvos das políticas de incentivo à leitura. ?O problema é que as pessoas lêem pouco. As famílias da maioria dos brasileiros não são letradas e escolarizadas. Por isso, o hábito de leitura tem de ser desenvolvido pela escola. Inclusive o professor deve ser incentivado?, ressalta.
Pilar conta que, em reunião com 1,5 mil professores da cidade de Florianópolis nesta semana, ela fez um teste para checar a escolaridade deles e das famílias. Perguntou a todos, durante a palestra, quantos tinham curso superior. Ela diz que 98% levantaram a mão em resposta afirmativa. Depois, ela perguntou quantos tinham pais e mães com diploma de ensino médio. Dez por cento responderam afirmativamente. Por fim, perguntou a mesma coisa sobre os avós. Nenhum deles levantou a mão.
?O curso superior representa um salto gigantesco para essas pessoas. Mas elas também não foram criadas com hábitos de leitura. Por isso, investimos esse ano em um programa para criar bibliotecas para os professores. Queremos que cada biblioteca escolar tenha uma estante dedicada ao professor. O sucesso dos estudantes depende de um projeto consistente, que envolva toda a escola e induza até o professor a ler?, destaca.
Para a secretária, a Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa também pode contribuir muito para o aprendizado dos alunos na área. Além de estimular os jovens a ler, o evento faz com que os participantes aprimorem a escrita. ?No ensino médio, os estudantes precisam saber argumentar para escrever. Elaboramos um jogo em que os professores e os alunos trabalham essa argumentação. Os professores recebem formação para ajudá-los?, diz.
Segundo Pilar, a leitura de estudantes e professores deve mesclar títulos clássicos da literatura com obras contemporâneas, quadrinhos, revistas, jornais e internet. O professor precisa ser o mediador entre os estudantes e as milhares de informações disponíveis atualmente.
?O papel do professor é mostrar para o aluno que os códigos que ele usa para conversar com amigos em ambientes virtuais, por exemplo, não pode ser usado em uma prova. Ele não pode ignorar essa parte da vida do aluno. Ele deve usar essas ferramentas de maneira transformadora. Por isso temos de qualificar o professor?, sentencia.
O melhor colégio de São Paulo, Vértice, está 1987 posições à frente da escola com desempenho mais alto de Roraima
O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação, não revela apenas a grande diferença de desempenho das escolas públicas e privadas. Mostra também a discrepância de resultados em âmbito regional.
A melhor escola de Roraima, por exemplo, está 135 pontos atrás da primeira colocada de São Paulo e do País, o Colégio Vértice. Mesmo sendo a melhor do Estado, o Centro de Educação Integrada Colmeia, localizado em Boa Vista, ocupa apenas o 1.988º lugar no ranking. A escola obteve 614 pontos no Enem 2009. O Vértice alcançou 749 pontos.
Em outros estados da região Norte, a diferença de desempenho em relação às primeiras colocadas no Sudeste também é grande. No Amapá, o colégio com melhor nota alcançou a 860ª colocação com 644 pontos (pouco mais de 100 pontos a menos que a melhor escola do País); no Acre, a escola com mais destaque ocupa o 1277º lugar no ranking nacional, 117 pontos atrás da primeira.
Amazonas, Estado que melhor representou a região Norte, teve sua melhor escola qualificada em 85º lugar, com 57 pontos a menos que a primeira colocada. A melhor escola do Nordeste ficou na vice-liderança do ranking nacional. O Instituto Dom Barreto, da capital piauiense, Teresina, obteve 741 pontos.
Na região Centro-Oeste, a escola com mais destaque é de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O Colégio Alexander Fleming está na 5ª colocação geral, com 737 pontos. Já no Sul, o melhor colégio é do Paraná, em 22º lugar, embora os 71 alunos que participaram da prova sejam do ensino profissionalizante e não do ensino médio regular.
Para a coordenadora associada do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Norma Sandra de Almeida Ferreira, não é simples resolver a questão do desequilíbrio regional. Ela explica que as diferenças entre os desempenhos têm várias origens, como dificuldade de acesso à cultura em determinadas regiões, falta de investimento na formação continuada dos docentes, remuneração desigual dos profissionais e escassez de bibliotecas.
O acesso a meios culturais como teatro, cinema, museus e bibliotecas coloca as escolas dos grandes centros em vantagem, na maioria dos casos. Entre as 20 escolas com melhor desempenho no Enem, 12 estão na região Sudeste. ?São realidades diferentes. Se já há diferenças de ensino em uma mesma região, imagine, em lugares diferentes: há desigualdade de currículo, de formação do professor, de valor pago por aula?, afirma.
A remuneração, segundo ela, influencia direta e indiretamente o desenvolvimento profissional dos docentes. ?Professores bem pagos podem assinar um jornal, ter computador em casa?, afirma. Ela ressalta ainda que, nas metrópoles, a oferta de cursos de formação continuada é maior e mais freqüente, o que coloca professores e escolas dessas áreas em vantagem mais uma vez.
Condições de trabalho
Para Nilson José Machado, professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a oferta de boas condições de trabalho para os professores e incentivo à integração das escolas com as universidades locais são ações que podem contribuir para melhorar o desempenho das escolas no exame, em qualquer região.
Ele critica, no entanto, a representatividade do Enem. Para ele, os resultados da avaliação não demonstram a realidade das escolas. Nilson ressalta que a diferença entre as 50 melhores escolas no ranking é de apenas 48 pontos, o que colocaria todas em uma mesma categoria. ?O correto seria uma classificação como a dos hotéis, por estrelas, por exemplo. Essa prova não é suficiente para avaliar isso. É só um parâmetro?, opina.
O professor lembra que, como a participação no exame é voluntária, a quantidade de estudantes de cada escola que fez os exames no ano passado pode ter grande influência nas médias. Nilson comenta, por exemplo, que apenas 37 alunos do Colégio Vértice participaram da prova, enquanto 370 alunos do Bandeirantes, também da capital paulista, realizaram os testes.
Na avaliação de Norma Sandra, o tempo necessário para resolver as discrepâncias regionais do País depende da vontade e do envolvimento político de todos os responsáveis pela educação no Brasil. ?É preciso que um projeto educacional tenha continuidade e não mude porque outro partido ou político está no poder?, diz.
Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.
Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cujas taxas de participação ? relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem ? foram inferiores a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.
Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação foram liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total ? um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem ?, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.
As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação.
ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).
Candidatos poderão pagar o valor cobrado pela inscrição até sexta-feira. Primeiro prazo expirou nesta terça
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aumentou o prazo para pagamento da taxa de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010. Até sexta-feira, os candidatos podem quitar a taxa de R$ 35. O primeiro prazo terminava nesta terça-feira.
Apenas estudantes da rede pública que estejam concluindo o ensino médio em 2010, em qualquer modalidade de ensino, estão automaticamente classificados como isentos e liberados do pagamento desse valor. Os inscritos que pediram isenção devem conferir no sistema de acompanhamento do Inep se tiveram o pedido deferido. Em caso de indeferimento, precisam pagar a taxa até sexta-feira. Só assim terão garantida a participação no exame.
O candidato inscrito sujeito ao pagamento da taxa deve procurar o boleto, com a nova data de vencimento, na página eletrônica do Inep, informar CPF e senha, imprimi-lo e fazer o pagamento, de R$ 35, até sexta-feira, em qualquer agência do Banco do Brasil.
Projeto unificaria ações comuns das instituições de Alfenas, Itajubá, Juiz de Fora, Lavras, São João del-Rei, Ouro Preto e Viçosa
Reitores de universidades federais mineiras discutiram com o ministro da Educação, Fernando Haddad, a possibilidade de criar um consórcio entre as instituições. Dirigentes da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também participaram da reunião.
A proposta seria manter a autonomia das universidades, mas criar um plano único de desenvolvimento institucional e integrar atividades acadêmicas, como projetos de pesquisa e extensão. Com isso, os reitores acreditam que poderiam utilizar recursos de forma mais racional, trocar tecnologias e atuar em projetos conjuntos para solucionar problemas sociais da região.
O encontro reuniu reitores e representantes das federais de Alfenas, Itajubá, Juiz de Fora, Lavras, São João del-Rei, Ouro Preto e Viçosa. No conjunto, essas instituições têm campi em 17 municípios do sudeste de Minas Gerais e atendem polos de educação a distância em 55 cidades. Elas reúnem 3,5 mil professores, 4 mil técnicos administrativos, 41 mil alunos de graduação e 5,3 mil de pós-graduação.
Em 260 cursos presenciais, essas instituições oferecem 15,6 mil vagas anualmente, além de 111 cursos de mestrado e 59 de doutorado. Na graduação, todas contam com índice geral de cursos (IGC) entre 4 e 5. Na pós-graduação, 15 programas têm nível 5; cinco têm nível 6 e dois nível 7, o mais alto.
Consulte a relação dos convocados e a de candidatos que devem aguardar na lista de espera para as próximas chamadas
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou nesta quarta-feira a lista de aprovados em seu vestibular de meio de ano. Foram convocados 550 candidatos, além de 1.240 nomes da lista de espera.
Os aprovados na primeira chamada deverão fazer a matrícula no dia 26 de julho, próxima segunda-feira, na unidade em que funciona o curso para o qual se candidataram.
Para fazer a matrícula, os aprovados devem apresentar duas cópias autenticadas em cartório, além da apresentação dos originais dos seguintes documentos:
- certificado de conclusão do ensino médio ou equivalente;
- histórico escolar do curso do ensino médio;
- certidão de nascimento ou casamento;
- cédula de identidade ou Registro Nacional de Estrangeiro (RNE);
- título de eleitor, para brasileiros maiores de 18 anos;
- CPF ou protocolo de solicitação;
- certificado que comprove estar em dia com o serviço militar, para maiores de 18 anos.
- duas fotos recentes 3X4.
Os candidatos que constam na lista de espera devem, entre segunda e terça, declarar interesse pelas vagas remanescentes no site da Vunesp. A lista de convocados em segunda chamada será feita no dia 28, também no site da universidade e da fundação que organiza o vestibular.
Estudantes selecionados precisam comparecer às instituições de ensino para se matricular e comprovar documentos até segunda-feira
Os estudantes que se candidataram às bolsas oferecidas pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) podem conferir no site do Ministério da Educação os resultados da pré-seleção em terceira chamada. Os convocados têm de comparecer às instituições para as quais foram selecionados com a documentação necessária para garantir a vaga entre esta quinta-feira e a próxima segunda, dia 26.
O programa distribui bolsas parciais e integrais em instituições privadas a estudantes de baixa renda. Ainda serão feitas mais três chamadas. A próxima acontecerá no dia 29 de julho.
Foram oferecidas 60.488 bolsas de estudo em instituições particulares de ensino superior. Desse total, 39.113 eram integrais e 21.375 parciais, que custeiam 50% da mensalidade. As bolsas integrais são destinadas aos alunos com renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 765). Já as parciais são para os candidatos cuja renda familiar mensal per capita não seja superior a três salários mínimos (R$ 1.530).
Para participar, é preciso ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou em colégio particular como bolsista. Também é necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009 e alcançado, no mínimo, 400 pontos na média das cinco provas.
Também podem se inscrever professores da rede pública de ensino básico interessados em cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia, desde que estejam em exercício. Nesse caso, não é necessário cumprir o critério de renda.
Entre os dez colégios com pior desempenho no exame em 2009, nove ficaram com nota mais baixa na redação
Refletir sobre um tema, elencar argumentos e colocar as próprias ideias no papel é um dos maiores desafios dos brasileiros. Perceptível para quem está na sala de aula e confirmado por avaliações. Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) comprovam a constatação de professores e especialistas: a redação ainda é um bicho-papão para muitos.
Entre as 50 escolas com pior desempenho no Enem em 2009, de acordo com ranking que considerou apenas os colégios que obtiveram médias globais (que considera médias das provas objetivas e da redação), 96% (48) ficaram com médias mais baixas quando a redação foi considerada. Entre as dez piores, a nota da redação foi a mais baixa entre todos os testes.
As provas do Enem mudaram no ano passado. Em lugar da prova única com questões objetivas de diferentes disciplinas e atualidades, os estudantes fazem quatro testes distintos: matemática, ciências da natureza, língua portuguesa e ciências humanas. A redação, exigida no modelo anterior, foi mantida.
Com isso Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela elaboração e aplicação das provas, divulgou médias globais e médias em separado para cada área e redação. O iG elaborou o ranking com base nas médias totais de cada escola do ensino médio regular (consulte lista completa das escolas ao final da reportagem).
Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não estão no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxa de participação ? relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem ? foi inferior a 2% e nos estabelecimentos em menos de dez alunos foram avaliados.
A Escola Estadual Indígena Dom Pedro I, que ficou na lanterninha do ranking, não obteve nem 150 pontos na média da redação. Conseguiu apenas 141,88 pontos, apesar de 40 de seus 58 estudantes matriculados terem feito a avaliação. No restante das provas, o colégio ficou com médias acima de 300. Mesmo em língua portuguesa, que foi a segunda menor nota: 319,26. Com isso, a média global da escola despencou.
Nas outras oito escolas em que a redação foi a nota mais baixa, as médias ficaram acima de 200 pontos. Mas, na maioria, bem abaixo das demais notas. Nelas, os resultados das redações diminuíram as médias totais. O Colégio Estadual Professora Juvenília Soares Sousa, localizado no município de Buriticupu no Maranhão, segundo pior no ranking, ficou com média 281,25 na redação. A segunda menor média foi em ciências da natureza: 392,48 pontos.
A terceira escola na lanterninha é do município de Argirita, em Minas Gerais. A Escola Estadual Luiz Antonio Pires de Souza teve uma diferença ainda mais gritante entre as médias da redação e da segunda pior nota, em matemática: 219,44 pontos. Na primeira avaliação, os 10 dos 23 estudantes matriculados na escola que fizeram o Enem tiraram 235 pontos de média. Em matemática, 454,44 pontos.
O Maranhão foi o Estado que mais teve escolas nessa lista das dez piores: o Juvenília Sousa, o Colégio Estadual Cristino Pimenta ? Anexo II e o Colégio Estadual Livino de Sousa Resende ? Anexo Creolizinho. Em todos, os alunos apresentam dificuldade para se expressar. Vera Lúcia Gonçalves, supervisora de avaliação educacional da Secretaria de Educação do Estado, admite as deficiências. ?O maior problema da educação, não só maranhense, é a dificuldade dos alunos em ler e escrever?, afirma.
Para tentar mudar essa realidade, algumas políticas foram adotadas. A primeira é o investimento na formação dos professores. ?Como vamos ensinar um aluno a ter hábito de ler, se o próprio professor não tiver? Nossa formação ainda é falha?, admite Vera Lúcia. Ela ressalta que a realidade das piores escolas é peculiar: são escolas pequenas, em área rural, e os meninos, na maioria, estão atrasados nos estudos. ?Os resultados não são bons, não nos deixam dormir direito. Eles estão aí e servem para orientar nossas políticas?, garante.
Língua portuguesa Os resultados de outros exames, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a Prova Brasil, também demonstram as deficiências de aprendizado dos alunos em língua portuguesa. As proficiências obtidas pelas escolas públicas e privadas nessa área na Prova Brasil em 2009 foram menores que em matemática. Os alunos do ensino médio das privadas obtiveram 329 pontos em matemática e 310 em português. Na rede pública, 266 e 262, respectivamente.