A medida começa a valer a partir da próxima safra de cana-de-açúcar
Uma sentença da Justiça Federal anulou todas as licenças ambientais e autorizações já concedidas para utilização de queimadas na cultura canavieira na região de Araraquara, no interior de São Paulo. A medida vale para as queimadas realizadas a partir da próxima safra.
Segundo a sentença dada pela juíza federal Adriana Galvão Starr, da 1ª Vara Federal em Araraquara, todas as licenças e autorizações dadas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e pelo Estado de São Paulo (por meio da Secretaria do Meio Ambiente e da Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e de Proteção de Recursos Naturais) referentes à queimadas estão suspensas.
A sentença também prevê que, para concessão de novos licenciamentos e autorizações de queimadas, será obrigatório a realização de Estudos de Impacto Ambiental (EIA/Rima) prévio que avalie as consequências para a saúde humana, para os remanescentes florestais, flora e fauna. Nas áreas cujos trabalhos podem ser mecanizados ficou proibido o uso de queimadas, cabendo ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) conceder ou fiscalizar tais licenciamentos com base na legislação federal para o meio ambiente.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deverá apelar da decisão da Justiça, de acordo com o diretor jurídico da entidade, Francesco Giannetti. Segundo ele, a sentença é fruto de uma longa discussão sobre qual é o órgão responsável pela emissão das autorizações de queimadas, se o Ibama ou as secretarias estaduais do Meio Ambiente. "Enquanto esta questão não for definida, ainda vamos ver várias sentenças desta natureza e vamos apelar", disse. A expectativa é de que a apelação seja feita num prazo de até 15 dias. Na sentença, a juíza afirma que o tema da proteção ambiental é tratado com certo descaso pelos réus. Pela legislação paulista, existe um cronograma para o fim das queimadas em todo o Estado e as indústrias estão se mecanizando gradualmente.
Musgos usam mecanismo de locomoção semelhante ao de lulas e medusas para cuspir seus esporos e disseminar genes
Foto: Science/AAAS
Eles cobrem cerca de 1% da superfície da Terra, muitas vezes em longos tapetes esverdeados, mas poucas vezes olhamos para eles. Afinal o musgo é uma planta tão comum que teoricamente não teríamos porque prestar atenção nela. Tão comum que nenhum outro gênero de planta tem potencial tão grande para armazenar carbono como ela. O detalhe é que para continuar a ajudar a humanidade ? consumindo o carbono gerada por ela ? as cerca de 235 espécies de musgo pertencentes ao gênero Sphagnum, como qualquer outro ser vivo, precisam se reproduzir para sobreviver.
O que pode parecer banal à primeira olhada (a sobrevivência) se revelou um mecanismo muito complexo: a geração de vórtices, descobriram os pesquisadores Dwight Whitaker, do Pomona College, e Joan Edwards, do Williams College, nos Estados Unidos. ?Ficamos muito surpresos com o fato de um musgo tão pequeno e com um corpo tão simples ter desenvolvido um mecanismo tão sofisticado e elegante para espalhar seus esporos?, disseram Dwight e Joan ao iG, que publicaram suas descobertas na edição desta semana da revista científica Science.
Usado por animais como a lula e a medusa para se locomover na água, a criação de vórtices pelos musgos segue o mesmo princípio em um meio diferente, o ar. Em vez de se locomover, eles atiram aos céus seus esporos para serem levados longe pelo vento ? uma característica fundamental para a sobrevivência deste gênero (os vórtices podem ser enxergados visualmente por formar uma figura similar à do cogumelo).
Para conseguir ser alçado à altura necessária ? de 10 a 20 centímetros acima do nível do solo ? os esporos precisam ser literalmente cuspidos pelo musgo para cima à velocidade estonteante de 20 metros/segundo (72 km/h). Basicamente uma pistola de ar. E tudo isso em no tempo de 0,2 segundos, uma velocidade ultra rápida capaz de ser observada apenas por câmeras de vídeos que gravam de 1000 a 10000 frames por segundo.
Segredo: um dia de sol
O segredo do musgo para alcançar a altura necessária à sua sobrevivência está na engenhoca criada por ele para fazer o lançamento à distância. É preciso que tudo esteja no seu devido lugar. Primeiro, uma cápsula (bulbo) com 20 a 250 mil esporos em sua parte superior e ar na parte media e inferior. Segundo: um dia ensolarado. ?Em dias de sol, a cápsula desidrata e as células da epiderme dela começam a se desmanchar, fazendo com que a cápsula mude de um formato esférico para cilíndrico e aumente a pressão interna, até que a cápsula estoure, jogando o ar e os esporos verticalmente?, explicam os pesquisadores no artigo. Veja como isso acontece no vídeo abaixo:
Mas isto não seria suficiente para levar os esporos às alturas. Aí, entra o vórtice que ajuda a empurrar os esporos para cima com seu movimento em espiral e dissemina os genes dos musgos pelo planeta. Agora os motivos que levaram os pesquisadores à escolher o gênero Sphagnum vão alem da importância na captura do carbono. ?De uma perspectiva mais prática também escolhemos o Sphagnum porque havia um brejo onde ele crescia naturalmente perto do nosso laboratório em Williamstown (EUA)?, completam os pesquisadores.
Cientistas do governo americano acreditam que o poço poderá ficar fechado com segurança por alguns dias
O almirante da Guarda Costeira americana Thad Allen disse hoje que o poço da BP, no Golfo do México, permanecerá selado embora haja a necessidade de evacuar a região diante da proximidade de uma tempestade.
O poço começou a despejar petróleo no mar após o acidente em uma plataforma operada pela companhia BP no dia 20 de abril. Por meio de uma estrutura de contenção, a empresa responsável pelo vazamento conseguiu tampar o poço na quinta-feira passada (15/07).
Segundo Allen, os testes realizados desde semana passada convenceram os cientistas do Governo que o poço pode ficar fechado com segurança por alguns dias.O responsável pela resposta do Governo americano ao acidente disse que decidirá ainda hoje se vai ordenar a evacuação dos navios que trabalham nas tarefas de contenção do vazamento.
O Centro Nacional de Furacões americano (NHC, na sigla em inglês) de Miami disse que a tempestade, que já causou inundações em Porto Rico, República Dominicana e Haiti, pode chegar ao Golfo do México neste sábado.
As equipes de trabalho planejavam passar a quarta-feira e a quinta-feira reforçando com cimento os últimos metros do túnel que injetará fluidos pesados no poço Macondo para selá-lo de forma definitiva, mas a BP se viu obrigada a paralisar as tarefas por causa das más condições do tempo.
Funcionários da petroleira britânica BP que trabalham na perfuração de um poço próximo ao poço danificado no Golfo do México estão se preparando para abandonar o local devido à aproximação de uma depressão tropical.
Existem chances entre 20% e 30% de ocorrência de ventos de 63 km/h ou mais na região onde está ocorrendo o vazamento, segundo o Centro Nacional para Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês), com sede em Miami.
Segundo o centro, a terceira depressão tropical registrada nesta época do ano poderá atingir a região do Golfo do México dentro dos próximos três dias.
Com isso, o trabalho de abertura de poços alternativos que permitiriam fechar o poço danificado permanentemente pode ser suspenso por até duas semanas.
Devido ao fato de os cargueiros estacionados no local do vazamento se movimentarem muito lentamente, o plano de evacuação da região já está sendo executado.
O funcionário do governo americano encarregado da limpeza do vazamento, o comandante da Guarda Costeira almirante Thad Allen, deve decidir junto com a BP se o poço deve permanecer fechado durante a tempestade ou abrir o poço e permitir que o petróleo volte a jorrar para o mar.
Alertas
A depressão tropical está na região das Bahamas, mas está se movendo a uma velocidade de mais de 24 km/h e pode se transformar em tempestade tropical. Os alertas de tempestade já foram implantados nas Bahamas e na maior parte da costa do Estado americano da Flórida.
Um voo de reconhecimento está sendo enviado para investigar a depressão. As chances de que os ventos que alcançarem o vazamento de petróleo possam atingir 93 km/h variam entre 5% e 10%.
No momento, o poço danificado está fechado por um dispositivo colocado na quinta-feira passada, que conteve o fluxo de petróleo para o mar pela primeira vez desde o início do vazamento, em abril.
A tampa no poço está passando por um teste de integridade para verificar se há pontos fracos no poço ou rupturas no chão, no fundo do mar.
O vazamento no Golfo do México começou em 20 de abril, quando a plataforma de petróleo Deepwater Horizon, operada pela BP, explodiu e afundou, matando 11 funcionários.
Desde então, a petroleira britânica tentou várias estratégias para conter o vazamento, localizado a uma profundidade de cerca de 1,5 mil metros, mas nenhuma conseguiu solucionar definitivamente o problema, considerado o pior desastre ambiental da história americana.
Os animais foram atingidos por manchas de petróleo provenientes da limpeza dos tanques de navios em alto-mar
Mais de 60 pinguins vindos do sul da Argentina foram resgatados nos últimos dias no litoral do leste do Uruguai, onde foram localizados com problemas de saúde por causa da contaminação das águas da região, informaram hoje à Agência Efe fontes da ONG que os atendeu.
Os pinguins, resgatados no litoral de Rocha e Maldonado, apresentavam sintomas de desidratação e hipotermia devido ao dano causado por manchas de petróleo, disse o porta-voz da sociedade para a conservação da biodiversidade de Maldonado (Socobioma), Daniel Donate.
As manchas de petróleo são geradas durante as tarefas de limpeza dos tanques e das salas de máquinas dos navios em alto-mar e afetam as aves quando estas cruzam a região em seu processo migratório do sul da Argentina em direção ao Brasil.
As aves, da espécie Magalhães, cruzam as águas todos os invernos austrais, mas há vários anos muitas delas são contaminadas pela poluição e morrem no litoral uruguaio. "Chegam muito frágeis e mortas de frio porque as manchas de petróleo em suas penas fazem com que percam a gordura que as protege das baixas temperaturas da água", explicou Donate.
Há oito anos, o Socobioma recupera entre 50 e 70 pinguins nesta época de ano, só um terço dos animais afetados pela poluição nas águas uruguaias, segundo denuncia a ONG. As aves resgatadas passam entre 20 e 30 dias nas instalações até serem reabilitadas e libertadas outra vez no oceano para que continuem a viagem em direção às águas brasileiras, mais quentes do que as argentinas.
Alta umidade no ar, topografia da região e chegada de frente fria foram os fatores responsáveis pelo vendaval na serra gaúcha
Foto: Divulgação
Ventos fortíssimos, de 124km/h, destruíram mais de 300 casas na Serra Gaúcha, na noite de quarta-feira (21/07). O vendaval foi causado por uma série de fatores. Ventos na parte mais alta da atmosfera transportaram umidade da Amazônia para a região. De acordo com medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na terça-feira (20/07) o nível de umidade em Canela (medido por um índice chamado temperatura do ponto de orvalho) era de 2º. No dia seguinte, dia ao vendaval, o índice era de 13°.
Ocorreu também um forte aquecimento no ar um dia antes da chegada da frente fria vinda do Sul. A temperatura em Gramado e Canela subiu muito, de 14ºC foi para 24ºC, de um dia para o outro. Existe ainda outro fator relacionado com a topografia da região. Por estar na parte alta do Estado, ocorre o que os meteorologistas chamam de ?levantamento do vento?, que vem do litoral e leva toda a umidade do mar para a Serra. ?O vento acaba condensando?, explica.
Embora o poder de destruição tenha sido muito forte, não se tratou de um tornado. Márcia Seabra, chefe da previsão do tempo do Inmet, explica que não houve sinais típicos do fenômeno, como árvores retorcidas e nem rastro de destruição pelo chão, embora os tornados se formem e se dissipem de maneira muito rápida, dificultando a análise do fenômeno.
A boa notícia é que está descartada a possibilidade de que um tornado ainda se forme, pois os ventos mais intensos já ocorreram. Um vendaval como o de ontem é atípico para esta época do ano, sendo mais comum no verão. ?O Rio Grande do Sul tem uma condição mais favorável para tempo severo?, diz Márcia.
A previsão do tempo indica chuva e vento forte mais ao sul do estado, na região que faz fronteira com o Uruguai, a partir de domingo.
Acompanhe no mapa abaixo a evolução do vazamento de petróleo no Golfo do México
Desde 22 de abril um poço de petróleo no Golfo do México está vazando sem controle a 1500 metros de profundidade. Veja abaixo como o óleo se espalhou pelo mar, em que pontos da praia ele chegou e o volume do vazamento:
Após 90 dias, investigações sobre o que ocasionou o maior desastre ambiental dos EUA continuam inconclusivas
Um acidente na plataforma de petróleo Deepwater Horizon no dia 20 de abril iniciou o maior desastre ambiental dos Estados Unidos. Três meses depois, pouca coisa está clara e quase nada ainda foi comprovado. Até agora a BP, empresa responsável pela plataforma, já gastou cerca de US$ 4 bilhões para tentar extinguir o vazamento, limpar a região e pagar indenizações. Onze funcionários da plataforma morreram e mais de cem tiveram que ser resgatados.
A maré negra atingiu todos os estados americanos banhados pelo Golfo do México. O óleo chegou ao delta do Rio Mississipi e as áreas de conservação dos pântanos da Lousiania foram atingidas, assim com as praias da Flórida, Alabama e Nova Orleans.
As vítimas
A dramática imagem de animais cobertos por petróleo se tornou comum nos noticiários. Milhares de animais foram encontrados mortos. Até agora, é impossível mensurar o que se perde em um desastre deste tamanho, entre perdas econômicas e ambientais. Veja, na galeria abaixo, alguns dos animais vítimas do vazamento e os esforços para salvá-los.
No dia 27 de maio, cientistas governamentais apresentaram um novo número: vazamento variava de 12 mil a 25 mil barris por dia. Logo depois, a estimativa cresceu de 25 mil para 30 mil barris ao dia. Em 15 de junho, o governo americano declarou que o desastre correspondia a mais de 60 mil barris por dia que jorravam pelo Golfo do México.
O que teria acontecido
Três meses depois do acidente, as autoridades americanas ainda investigam os reais motivos do desastre. Ainda não se chegou a uma conclusão sobre o que realmente causou a explosão e o vazamento.
Investigadores do Congresso Americano afirmaram que a BP teve três sinais de problemas na plataforma uma hora antes do acidente. Testemunhas afirmaram que o poço estava jorrando líquido e testes de pressão indicaram que uma ?anormalidade muito grande? estava acontecendo na plataforma.
O poço soltou fluido por três vezes nos 51 minutos antes do incêndio e a pressão no cano de perfuração ?cresceu inesperadamente? antes da explosão, de acordo com o memorando divulgado pela Comissão de Energia e Comércio do Congresso Americano. A investigação da BP também levantou suspeitas sobre as condições do blowout preventer, um equipamento de segurança que não conseguiu fechar a cabeça do poço.
Em entrevista à BBC, no dia 25 de maio, Tyrone Benton, funcionário da plataforma, afirmou que, apesar do aviso de vazamento dado pelo equipamento de segurança, os responsáveis pela plataforma decidiram simplesmente desligar o aparelho de segurança em vez de consertá-lo. Um segundo equipamento foi acionado.
Outro funcionário da BP, disse em depoimento, no dia 19 de julho que a empresa usou uma forma incomum de testar o dispositivo crítico de emergência que falhou no dia da explosão.
O especialista em perfuração líquida, Leo T. Lindner, disse em audiência governamental, que a BP deu a ele a permissão de usar um montante exagerado do fluido, chamado ?spacer?, durante procedimento dos testes do blowout preventer (equipamento de segurança usado para fechar o poço).
As semanas se arrastavam e a BP continuava a falhar repetitivamente em todas as operações que tentavam acabar com o desastre
Normalmente, vazamentos em poços de petróleo são bloqueados antes de causarem tragédias por equipamentos chamados blowout preventers. No poço da BP o blowout preventer pode não ter sido acionado a tempo de evitar a explosão e as tentativas de utilização de veículos submersíveis para ativá-lo também podem ter falhado.
Em maio, a empresa, construiu uma tampa de contenção de 90 toneladas, que poderia canalizar o petróleo para cima, por meio de uma tubulação. Porém a tampa ficou entupida de gelo. Outra tentativa com o mesmo método fracassou.
Um mês depois da explosão, no dia 17 de maio, funcionários da BP anunciaram ter conseguido desviar mais de mil barris por dia, ao inserir outra tubulação no vazamento. Pela primeira vez relatam sucesso em uma operação, ainda que parcial.
Em 26 de maio, os engenheiros iniciaram uma técnica chamada de ?top kill' que bombeou cimento a 1,5 mil metros de profundidade após injetar uma carga de fluidos pesados.
A técnica de bombear cimento não funcionou e o petróleo continuou a vazar. A empresa, então retornou a utilizar as tampas de contenção. Desta vez, adaptadas para evitar congelamento. Nenhuma delas obteve sucesso.
Pausa forçada
O Furacão Alex chega ao Golfo do México e faz com que o petróleo se espalhe ainda mais pela região.
No dia 4 de julho, BP instalou mais um funil de contenção. O resultado não foi satisfatório, o petróleo continuava a vazar. No dia 14, um novo funil foi instalado. Robôs submarinos operam a cerca de 1.500 metros de profundidade para retirar o antigo funil do ponto do vazamento, e instalar o novo, de 75 toneladas. O processo dura uma semana.
O antigo funil recuperava 25 mil barris de petróleo em média por dia, dos 35 a 60 mil que escapam do poço da plataforma. O novo sistema também pode ser conectado e desconectado, para o caso de furacão.
Até então, todas as medidas adotadas para resolver o problema eram temporárias. A BP informou que os poços paralelos que estavam sendo perfurados para deter definitivamente o vazamento poderão entrar em funcionamento no final de julho, apesar de o período mais provável ser meados de agosto.
No dia 15, pela primeira vez desde o desastre, o petróleo parou de vazar. Mais ainda havia uma preocupação, que a pressão danificasse os dutos.
No dia 19, os EUA exigiram um plano de urgência à companhia: acredita-se que a tampa de que conteve o derramamento estivesse causando infiltração. A falta de pressão nos dutos levou à desconfiança de que o poço tenha causado infiltrações no solo marinho. Um dia depois, a BP estuda a possibilidade de injetar lama pesada na boca do poço em nova tentativa de cessar o vazamento.
Causas do acidente ainda não foram comprovadas, mas acredita-se que houve uma combinação de falha técnica e erro humano
Três meses depois do acidente, as autoridades americanas ainda investigam os reais motivos do desastre. Ainda não se chegou a uma conclusão sobre o que realmente causou a explosão e o vazamento.
Investigadores do Congresso Americano afirmaram que a BP teve três sinais de problemas na plataforma uma hora antes do acidente. Testemunhas afirmaram que o poço estava jorrando líquido e testes de pressão indicaram que uma ?anormalidade muito grande? estava acontecendo na plataforma.
O poço soltou fluido por três vezes nos 51 minutos antes do incêndio e a pressão no cano de perfuração ?cresceu inesperadamente? antes da explosão, de acordo com o memorando divulgado pela Comissão de Energia e Comércio do Congresso Americano. A investigação da BP também levantou suspeitas sobre as condições do blowout preventer, um equipamento de segurança que não conseguiu fechar a cabeça do poço.
Em entrevista à BBC, no dia 25 de maio, Tyrone Benton, funcionário da plataforma, afirmou que, apesar do aviso de vazamento dado pelo equipamento de segurança, os responsáveis pela plataforma decidiram simplesmente desligar o aparelho de segurança em vez de consertá-lo. Um segundo equipamento foi acionado.
Outro funcionário da BP, disse em depoimento, no dia 19 de julho que a empresa usou uma forma incomum de testar o dispositivo crítico de emergência que falhou no dia da explosão.
O especialista em perfuração líquida, Leo T. Lindner, disse em audiência governamental, que a BP deu a ele a permissão de usar um montante exagerado do fluido, chamado ?spacer?, durante procedimento dos testes do blowout preventer (equipamento de segurança usado para fechar o poço).
A estimativas da quantidade de petróleo vazado aumentaram ao longo do tempo. Poço chegou a jorrar 60 mil barris por dia
O maior desastre ambiental americano surpreende em números. Primeiramente o vazamento foi estimado em mil barris de petróleo por dia. No dia 28 de abril, oficiais do governo falaram que o poço apresentava três vazamentos e que estava derramando mais de 5 mil barris por dia (um barril equivale a 42 litros). Mas logo cientistas e grupos ambientalistas começaram a questionar as estimativas.
No dia 27 de maio, cientistas governamentais apresentaram um novo número: vazamento variava de 12 mil a 25 mil barris por dia. Logo depois, a estimativa cresceu de 25 mil para 30 mil barris ao dia. Em 15 de junho, o governo americano declarou que o desastre correspondia a mais de 60 mil barris por dia que jorravam pelo Golfo do México.
Urnas que se desintegram são a solução para falta de espaço e desmatamento provocados por 10 milhões de mortes por ano no país
Mãos com luvas imaculadas levam as urnas biodegradáveis, criadas por uma empresa espanhola com base na China, que devolverão os corpos à sua origem para cumprir o que disse o sábio chinês Confúcio: "O homem vem da terra e descansa quando retorna à terra".
Com passo decidido, coordenado, olhar e gesto respeitoso, 13 duplas de operários fúnebres enterraram com suas próprias mãos em um cemitério da província nortista de Tianjin 251 urnas ovais e fizeram submergir em água outras 30 com forma de flor de lótus.
O segredo destes caixões, fabricados com areia e proteínas naturais, é que não ocupam espaço, não poluem e não é necessário cortar árvores para fabricá-los, já que são biodegradáveis: os que são enterrados se desintegram em um período de seis a nove meses, e os que submergem em 45 minutos ou uma hora.
A cerimônia em massa, ou "enterro coletivo", nome dado pelos criadores desta ideia, os espanhóis Xavier Miquel e Tutti de Cominges, organizada na última terça-feira em Tiajin, é a quarta realizada pelo cemitério Yongan desde que contratou os serviços da empresa Shengtai.
Miquel, o presidente da Shengtai, e Tutti, diretora geral para a Ásia, vendem urnas biodegradáveis há três anos na China, onde é proibido enterrar corpos inteiros desde 1991. Assim, o Governo chinês obriga os familiares a cremá-los, assumindo os custos do processo, para depois deixá-los descansar em columbários (câmaras para depósito de cinzas) por 20 anos ou enterrar por cerca dez mil iuanes (US$ 1.475).
A proibição nasce como medida para combater os problemas que surgem no país asiático, com 10 milhões de mortes anuais: a falta de espaço nos cemitérios e a poluição e o desmatamento provocados pela produção de caixões de madeira. O conceito que a Shengtai quer expandir na China é totalmente revolucionário, já que os chineses, como assinalou Tutti à agência Efe, se espantam com o conceito biodegradável, pois a tradição é venerar os corpos de pessoas mortas, e se eles se misturarem com a terra ou a água, deixarão de existir fisicamente.
Os familiares conservam as cinzas em urnas, pois não têm dinheiro para enterrá-los ou, no caso do falecimento do membro de um casal, por exemplo, o que fica vivo espera a morte para que sejam enterrados juntos.
O marido de Xhu Xian, de 76 anos, que faleceu no último dia 8, descansava nesta terça em uma urna biodegradável, a seu próprio pedido, segundo explicou à EFE. "Quando estava doente, vimos na televisão um anúncio destas urnas, e ele disse que queria ser enterrado assim", lembrou Xian, que afirma que parece uma "boa ideia" para economizar espaço.
As 281 cinzas desta terça procediam de diferentes urnas da localidade de Peicheng, cujos proprietários se decidiram a enterrar os restos de seus familiares, aproveitando que o cemitério de Yongan oferecia de graça a cerimônia e as urnas biodegradáveis como promoção.
"Mas no futuro será cobrado", disse Tutti, acrescentando: "os cemitérios com os quais trabalhamos promovem esta ideia convencendo o cliente que quem contratar este serviço será um bom cidadão, pois ajudará a combater os problemas de falta de espaço, poluição e desmatamento".
A Shengtai já trabalha em 15 províncias chinesas graças ao respaldo oferecido pelas autoridades locais, que estão entre as principais beneficiárias do projeto. A ideia da Shengtai, com fábrica na localidade de Yixing, uma cidade da província de Jiangsu (leste), surgiu há 13 anos, e desde 2008 a empresa trabalha na China, com uma venda de dez mil urnas neste período, e também na Europa, com um mínimo de 25 mil unidades por ano.
Os cemitérios e empresas funerárias dos Estados Unidos também são um público alvo, onde começaram a operar este ano com uma venda mínima de 20 mil unidades. O preço oscila entre 200 e 500 iuanes (US$ 29 e US$ 74) e há cemitérios como o de Nanjing, também cidade de Jiangsu, o primeiro que contratou os serviços de Shangti, que oferecem por 999 iuanes (US$ 148) a urna e a cerimônia de enterro.
As famílias das pessoas que são enterradas segundo esse processo poderiam pensar que nunca mais poderão homenagear seus entes queridos, mas não será assim. A tradição chinesa se modernizará, e poderá seguir havendo homenagens através das telas e muros de mensagens personalizados e fotos, entre outras ideias, que os cemitérios de Tianjin e Nanjing vão inaugurar para honrar os que retornaram definitivamente às suas origens.
22/07/2010 12:15 PM
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