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New York Times

 
Obama fez seu primeiro discurso sober Estado da União na quarta-feira / AFP

Nos Estados Unidos, Obama conquistou um projeto de lei de recuperação econômica que foi pequeno demais mas evitou uma recessão ainda maior. Ele elevou os padrões de combustíveis para carros e indicou Sonia Sotomayor ao um Tribunal Supremo que se inclinava para a direita. Isso é bom, mas não o bastante.

O desemprego ainda é de 10%. Os banqueiros e seus lobistas (e grande parte do Capitólio) estão resistindo a reformas financeiras essenciais. O clima político em Washington é venenoso. O Partido Democrata está assustado com sua própria sombra. O único plano legislativo dos republicanos é censurar e obstruir.

Nós respeitamos a natureza deliberativa de Obama e também gostaríamos de ver cooperação bipartidária. Em 2009, Obama subestimou a determinação dos republicanos em bloquear qualquer coisa que ele propôs. Quando a economia estava implodindo, apenas três senadores republicanos votaram pelo projeto de estímulo absolutamente essencial; nenhum aceitou defender a reforma do sistema de saúde ou mesmo votar para encerrar a obstrução.

Enquanto deliberava e negociava, Obama deixou seus críticos definirem e distorcerem suas políticas. O público não esqueceu do verão de painéis da morte.

Obama precisa ser mais duro, mais rápido e mais claro. Se os republicanos querem continuar bloqueando projetos de lei que o país quer e precisa, ele deveria deixá-los obstruírem para que o público tome conhecimento. (Em dezembro passado, os republicanos no Senado tentaram bloquear os gastos anuais com Defesa porque uma extensão de benefícios de desemprego foi anexada a ela. Depois que isso fracassou, eles votaram no projeto em grande número.)

Ao invés de retroceder na reforma do sistema de saúde para cortejar os republicanos, ele pode tentar desafiá-los a propor um plano sério - que ofereça segurança real para todos os americanos e tenha chance real de controlar os gastos.

Ainda que Obama precise ser mais duro e mais vocal, seria um engano para ele concluir que o necessário agora é uma espécie de populismo ou uma guinada para a esquerda.

Depois do financiamento do resgate com o dinheiro dos contribuintes, ele tem razão em pedir impostos maiores para os bancos (e deveria  apoiar o projeto da Câmara que busca tributar as obscenas gratificações dos banqueiros). Mas ele tem que lidar com os assuntos centrais que quase arruinaram a economia e insistir em reformas rigorosas do sistema financeiro.

Obama teve razão em propor um painel bipartidário para a redução deficitária e foi uma hipocrisia dos republicanos do Senado se recusarem a votar. Nós estamos tão preocupados quanto a maioria dos americanos a respeito do déficit, mas agora o país não precisa que Obama seja um falcão do déficit.

A lição de 2009 foi que os americanos precisam de empregos e ajuda com suas hipotecas. O setor privado parece incapaz de impulsionar uma recuperação independente em breve. Isso significa mais gastos com estímulo, não menos, certamente muito mais do que os US$ 154 bilhões do projeto de lei aprovado pela Câmara.

Em um ano como presidente, Obama frequentemente nos lembrou que ele é um orador talentoso, capaz inspirar com sua ampla visão de mundo e com a forma franca como diz a verdade. O Estado da União foi uma boa oportunidade para lidar com os grandes debates e deixar claro que ele continuaria adiante com os cuidados médicos e desafiaria os republicanos a trabalhar com ele ou sair do caminho. Ele era necessário.

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Editorial: Sarkozy incita preconceito anti-muçulmano

É fácil ver que os direitos de uma mulher são violados quando um governo exige que ela cubra seu corpo e rosto com um véu, como fazia o Taleban quando comandava o Afeganistão.

 

Deveria ser tão fácil ver violação quando um painel parlamentário francês recomenda, como fez esta semana, a proibição de mulheres que adotam tais véus, a burqa e o niqab, de usarem serviços públicos, inclusive escolas, hospitais e transporte público. (Os lenços sobre a cabeça já são proibidos nas salas de aula de escolas públicas desde 2004.)

AFP
Mulher veste o niqab em Lyon, leste da França

Mulher veste o niqab em Lyon

As pessoas devem ter a liberdade de tomar estas decisões por si mesmas e não obrigadas por governos com a ajuda da polícia.

Em vez de condenar a recomendação, o presidente Nicolas Sarkozy parece determinado a excedê-la. Ele já declarou que véus que cobrem todo o corpo "não são bem-vindos" na França.

O líder de seu partido no Parlamento quer aprovar uma lei que proíbe que mulheres usem burqas e niqabs nas ruas. O Taleban ficaria feliz. O resto do mundo deveria declarar sua revolta.

Infelizmente, os políticos franceses parecem voluntariosamente cegos à violação das liberdades individuais. Com eleições regionais programadas para março, Sarkozy e seus aliados estão procurando desesperadamente formas de desviar a raiva pública a respeito do alto desemprego. É difícil gerar empregos e muito fácil incitar preconceitos anti-muçulmanos.

A França tem mais de 5 milhões de muçulmanos, o maior grupo de qualquer país europeu ocidental. Menos de 2.000 usam véus de corpo inteiro, não representando ameaça óbvia à identidade francesa ou sua segurança. Mas por serem poucos, eles se tornam uma tentadora arma eleitoral.

O ataque aos muçulmanos se tornou uma forma poderosa de conseguir votos para políticos de  extrema direita franceses, notavelmente Jean-Marie Le Pen.

Em uma clara tentativa de retomar alguns desses votos, o governo de centro direita de Sarkozy passou meses promovendo um "debate nacional" às vezes tolo, às vezes ameaçador, sobre a identidade francesa.

Nenhum ganho político pode justificar a incitação ao ódio.

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28/01/2010 10:38 AM

Cortes judiciais são o novo campo de batalha da mudança climática

A minúscula aldeia de Kivalina, Alasca, não tem um hotel, um restaurante ou um cinema. Mas tem um processo judicial enorme que pode afetar a maneira como os Estados Unidos lidam com a mudança climática.

Kivalina, uma comunidade esquimó Inupiat de 400 habitantes empoleirada em uma ilha ao norte do Circulo Ártico, está acusando dezenas de produtores de combustível e energia de ajudarem a causar a mudança climática que, segundo eles, tem acelerado a erosão de sua terra.

Blocos de gelo de água marítima protegiam a frágil costa da cidade a partir do começo do inverno, em outubro, mas "nós não temos mais essa formação e estamos em janeiro", disse Janet Mitchell, administradora de Kivalina. "Nós vivemos tensos durante a estação de ventos fortes."

A aldeia quer que as companhias, incluindo ExxonMobil, Shell Oil e muitas outras, paguem pelas despesas da transferência da vila para o continente, que poderia chegar a até US$400 milhões.

O caso é um dos três grandes processos judiciais movidos por grupos ambientais, advogados particulares e funcionários do governo de toda a América contra grandes empresas geradoras de gases causadores do efeito estufa. E ainda que a vila enfrente uma difícil disputa à frente, casos como esse estão ganhando força.

Nos últimos meses, duas cortes de apelação inverteram decisões de tribunais distritais para que casos sobre o aquecimento global fossem abandonados, permitindo que as ações tivessem continuidade.

Advogados ambientalistas juntaram forças com procuradores gerais de oito estados e da cidade de Nova York, em busca de uma ordem judicial que obrigue a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa em Connecticut.

Em Mississippi, proprietários de imóveis na Costa do Golfo alegam que as emissões das indústrias que contribuem para a mudança do clima aumentaram a potência do Furacão Katrina.

E ainda que um juiz federal em Oakland, Califórnia, tenha abandonado o processo de Kivalina em outubro, a aldeia está apelando da decisão.

Os casos geralmente fazem uso da lei de perturbação comum, a mesma que permite que vizinhos processem uns aos outros por causa de barulhos, odores e qualquer coisa que interfira com o uso ou prazer de sua propriedade.

No contexto da mudança climática, tais ações judiciais eram tratadas como frívolos exageros que seriam derrubados rapidamente.

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28/01/2010 10:35 AM

Chapéu de líder afegão perde seu apelo

Ele já atraiu a admiração de pessoas que ditam a moda no Ocidente, os gracejos de comediantes em casa e no exterior, a raiva impotente de defensores dos direitos dos animais. Mas o chapéu de Hamid Karzai, ainda que firmemente posicionado sobre a cabeça do presidente afegão sempre que ele aparece em público, já não é o símbolo que um dia foi.

Conhecido como chapéu de caracul e feito da pele de cordeiros fetais ou recém-nascidos da espécie caracul, o chapéu é tradicionalmente usado por Tajiks e Uzbeks do norte do Afeganistão. Quando Karzai, um Pashtun do sul, tribo que prefere turbantes, assumiu o cargo público em 2002, o chapéu de caracul fazia parte da sua tentativa de inventar um guarda-roupa que fosse afegão ao invés de étnico ou regional.


Chapéu de Karzai passou a ser criticado no país / NYT

A medida foi amplamente elogiada na ocasião, no Afeganistão e no exterior. O estilista britânico Tom Ford disse que o presidente afegão era "o homem mais chique do planeta". Afegãos em busca de um símbolo nacional, depois de décadas de discussões étnicas, inspiraram um amplo comércio de chapéus, feitos de pele de cordeiro da região de Mazar-i-Sharif , no norte do país, e criados por chapeleiros de Cabul, cujas lojas tomavam ambos os lados da rua Shah-e-do Shamshera Wali.

Agora, depois de uma eleição presidencial manchada, e com os esforços para se fazer um governo verdadeiramente multiétnico afundando, o chapéu perdeu seu brilho.

Os jovens já não o usam. O oponente de Karzai na disputa final da eleição, Abdullah Abdullah, do norte, prefere uma cabeça solta, terno e gravata. Apenas 12 das lojas de chapeleiros permanecem abertas na Shamshera e dizem ter sorte quando vendem um chapéu por dia.

"Eu voltei para minha aldeia em Logar vestindo meu chapéu de caracul", disse Ahmed, um afegão de 50 anos, que comprava um novo chapéu, "e as pessoas riram: 'Lá vai o velho que pensa ser presidente'".  Não ficou claro o que mais o ofendeu, "velho" ou "presidente".

"Hamid pode ser o único sujeito no Afeganistão que usa aquele tipo particular de chapéu", diz um artigo em um website satírico local, ridiculopathy.com, "mas mesmo assim o pontudo chapeau de lã veio a simbolizar o país para o resto do mundo".

Da mesma maneira que o chapéu de Karzai é mais do que apenas um chapéu, a reação contra ele é mais do que apenas um capricho de moda. "Teria sido melhor se ele tivesse adotado um turbante. Teria sido mais honesto", disse Rahnaward Zariab, novelista e comentarista cultural da TV Tolo, de Cabul. "Ao invés disso, ele enganou a nação. A fantasia de Karzai não significa nada. O chapéu já não é um símbolo. Agora nós vemos suas ações e está claro que ele é um Pashtun".

Zariab reclamou que há relativamente poucos não-Pashtuns no novo gabinete de Karzai, que ainda precisa ser aprovado completamente pelo parlamento.

Esforços para solicitar um comentário do presidente sobre seu adorno de cabeça foram recebidos com relutância e um certo aborrecimento. "Tudo acabou", disse seu porta-voz, Waheed Omer, "agora você quer escrever sobre o chapéu?"

O próprio Karzai uma vez, em uma cerimônia militar em Cabul, explicou seu afeto pelo chapéu de caracul. "Eu os uso porque eles são muito, muito afegãos", ele disse, de acordo com uma reportagem da Associated Press. "E se fica bem, melhor ainda".

Entre os chapeleiros, pelo menos, o presidente ainda recebe análises positivas por seu bom gosto. Ele também é um de seus melhores clientes.

O afeto de Karzai pelo chapéu de caracul é tão forte que, se os relatos dos chapeleiros forem reais, ele comprou dezenas deles desde que assumiu o cargo. Sayed Habib Sadat, dono de uma das lojas de chapéu restantes, diz ter vendido 15 chapéus de caracul  de diversas cores a  Karzai, principalmente os cinza escuros, mas também pretos e mesclados de marrom e branco.

"O presidente está retomando velhas tradições e mostrando às pessoas: 'Eu sou afegão. Eu uso minha própria tradição'", disse Sadat. "Isto tem sido bom para ele e para nós".

Os chapéus de caracul não são baratos. Os de boa qualidade custam centenas de dólares e alguns podem chegar a até US$ 3 mil.

Os mais caros são particularmente macios e lisos, com a textura de seda lustrosa e aveludada, organizados em tramas padronizadas. Às vezes essas tramas parecem soletrar o nome de Alá em árabe, o que os torna particularmente valiosos. Em ocasiões raras elas parecem soletrar até mesmo o Kalimah, ou declaração muçulmana de fé - "Não há outro Deus senão Deus e Maomé é o seu profeta" - o que os torna ainda mais queridos.

Porém, isso não os valoriza diante das autoridades religiosas. Porque a ovelha não é executada da maneira prescrita pelo Islã, o chapéu e mesmo a carne da ovelha da qual é feito são haram, ou proibido.

Quando Karzai solicita um chapéu, os chapeleiros são chamados ao Palácio Presidencial para medir a cabeça dele pessoalmente. "Quando eu fiz seu primeiro chapéu, sua cabeça media 22 1/2 polegadas", disse Sadat. "Agora ela mede 23 1/2 polegadas". Outros chapeleiros informaram dimensões semelhantes, com diferenças de meia polegada.

"Presidentes ficam com a cabeça inchada", brincou Sadat.

- Rod Nordland

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28/01/2010 10:30 AM

Editorial: O primeiro ano de governo de Barack Obama

Os Estados Unidos se encontram em um estado de profunda e justificável ansiedade por causa das vagas de emprego, hipotecas e duas longas e sangrentas guerras. O presidente Barack Obama não criou estes problemas e nenhum deles poderia ser resolvido em um ano. Mas 2009 ofereceu lições fortes e, às vezes, dolorosas a um novo presidente que luta para cumprir a grande promessa que foi sua eleição.

 

O primeiro discurso de Estado da União de Obama, feito depois que esse editorial foi publicado, serviu de oportunidade para mostrar o que ele aprendeu e dizer aos americanos como ele pretende governar nos próximos três anos.

Não há dúvida de que o mundo esteja aliviado com o fato de Obama não ser George W. Bush. Ele está gerenciando a necessária retirada Iraque. A decisão dele de enviar tropas adicionais ao Afeganistão (a guerra necessária que o presidente Bush negligenciou desastrosamente) foi corajosa e estrategicamente correta. Ele conduz negociações a respeito do clima global ao invés de zombar delas.

Obama chega ao Congresso para discurso crucial
28/01/2010 10:23 AM

Terremoto do Haiti deixa crianças à deriva em um mundo de caos

Pouco depois que Daphne Joseph, de 14 anos, escapou dos escombros de sua casa no dia do terremoto, ela embarcou em um ônibus abarrotado ao lado de seu tio e se arrastou em trânsito lento para a capital, onde sua mãe solteira vendia produtos de beleza na feira Tete Boeuf.

"Mamãe", ela repetia. "Mamãe, eu estou chegando."

Ao sair do coletivo, Daphne se perdeu de seu tio e pegou um moto-táxi. Ela chegou sozinha na feira em ruínas e correu para uma pilha de escombros cheia de "pessoas quebradas", ela disse.

Ao se aproximar, ela viu sua mãe, sem vida. Ela gelou, ela disse, eventualmente vendo o corpo de sua mãe ser colocado em um carrinho de mão e desaparecer no caos.

"Quis me matar", Daphne disse em um sussurro.


Daphne Joseph, de 14 anos / NYT

As crianças do Haiti, que representam 45% da população, estão entre os mais desorientados e vulneráveis sobreviventes do terremoto. Milhares perderam seus pais, suas casas, suas escolas e seu propósito.

Elas sofreram ferimentos e passaram por amputações. Elas dormiram nas ruas, mendigaram por comida e tiveram pesadelos.

Duas semanas depois do terremoto, com o cheiro de morte ainda impregnado no ar, crianças podem ser vistas em cada canto devastado de forma resistente jogando futebol, empinando pipas, entoando músicas populares e coletando livros de ensino de escolas desmoronadas.

Mas conforme grupos haitianos e internacionais começam a cuidar dos mais necessitados entre elas, muitas crianças se mostram claramente traumatizadas.

"Há preocupações de saúde, preocupações de desnutrição, questões psicossociais e, claro, nós tememos que crianças desacompanhadas sejam exploradas por pessoas sem escrúpulos que podem querer traficá-las para adoção, para o comércio sexual ou para a servidão doméstica", disse Kent Page, porta-voz da Unicef.

Organizações de bem-estar da criança têm concentrado seus esforços iniciais nos órfãos e naqueles que estão separados de suas famílias. Na terça-feira, eles começaram a compilar um registro, enviando voluntários às ruas em busca de informação para um banco de dados no qual cada criança terá uma arquivo numerado para ajudar a localizar o seu caso, disse Victor Nyland da Unicef.

Tal registro foi usado na província indonésia de Aceh após o tsunami de 2004 pra ajudar a reunir famílias separadas.

Algumas crianças que não têm ninguém disposto a cuidar delas serão levadas a um dos três orfanatos da capital onde a Unicef está estabelecendo centros de cuidados interinos ou para espaços seguros estabelecidos através de outras organizações.

27/01/2010 09:46 AM

Recuperação na camada de ozônio pode aumentar aquecimento global

A recuperação do buraco da camada de ozônio é considerada uma grande vitória para os ambientalistas. Mas um novo estudo científico afirma que existe pode existir um lado negativo: seu reparo pode contribuir para o aquecimento global.

Acontece que o buraco causava a formação de nuvens úmidas e claras que protegiam a região antártica do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa nas últimas duas décadas, pesquisadores afirmaram na última edição da revista Geophysical Research Letters.

“A recuperação do buraco vai reverter esse fenômeno,” diz Ken Carslaw, professor de ciência atmosférica na Universidade de Leeds e coautor do estudo. “Em resumo, ela vai acelerar o aquecimento em determinadas partes do hemisfério sul.”

O buraco na camada de ozônio, descoberto na Antártida em meados da década de 80, causou preocupação porque a camada desempenha um papel crucial na proteger os seres vivos do planeta contra a radiação ultravioleta.

Sua causa foi, em grande parte, pelo uso humano de clorofluorcarbonetos, compostos químicos usados em refrigeradores e latas aerossol que dissipam ozônio. A adoção de um protocolo internacional em 1987 fez com que muitos países abandonassem gradualmente essas substâncias, o que ajudou a camada a se reconstituir em cima da Antártida.

Para essa pesquisa, os autores do novo estudo se debruçaram sobre dados meteorológicos documentados entre 1980 e 2000, incluindo as velocidades mundiais de ventos,  registradas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Os dados mostram que o buraco gerava ventos de alta velocidade que faziam com que sal marinho entrasse na atmosfera, formando nuvens mais úmidas. Essas nuvens refletem mais luz solar, o que ajudava a evitar o aquecimento na atmosfera antártica, dizem os cientistas. A dispersão de água do mar, causada por estes ventos, resultava num aumento nas gotículas de nuvens de cerca de 46% em algumas regiões do hemisfério sul, disse o Dr. Carslaw.

Mas Judith Perlwitz, professora da Universidade do Colorado e pesquisadora da NOAA (Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA) diz questionar os resultados do estudo, embora os dados empregados pareçam sólidos.

Mesmo com a recuperação da camada de ozônio, espera-se que as emissões de gases de efeito estufa aumentem, ela disse. Assim, a professora prevê que o aumento na temperatura deva causar os ventos a aumentar sua velocidade e ter o mesmo efeito formador de nuvens que o buraco hoje tem. “A questão é ver se o vento está mais lento, o que eu duvido,” disse.

“O futuro não é determinado apenas pela recuperação da camada de ozônio,” afirma. “Nós também estamos aumentando nosso uso de gases de efeito estufa, o que aumenta a velocidade do vento ao longo do ano.” 

A professora também ressaltou que o buraco na camada de ozônio não deve se recuperar completamente antes de 2060, segundo o relatório mais recente da Organização Metereológica Mundial.

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26/01/2010 06:22 PM

Na sala de parto, o fim do jejum

Há muito tempo as maternidades proíbem que mulheres em trabalho de parto comam ou bebam. Mesmo quando o parto se prolonga por horas e horas, a mulheres podem consumir apenas alguns cubos de gelo para aliviar o estresse.

Agora, uma revisão sistemática de estudos existentes não encontrou evidência de que as restrições tenham qualquer benefício para a maioria das mulheres saudáveis e seus bebês.

As restrições buscam minimizar os riscos da síndrome de Mendelson (batizada em homenagem a Dr. Curtis L. Mendelson, obstetra de Nova York que descreveu o problema pela primeira vez nos anos 1940), que pode acontecer se os conteúdos do estômago forem sugados para os pulmões enquanto um paciente está sob o efeito da anestesia geral.

Ainda que rara, a síndrome pode ser fatal. Mas hoje em dia o uso da anestesia geral durante o parto é algo raro. Cesarianas geralmente usam anestesia local.

"Na minha opinião, se esse fosse o caso teríamos que proibir as pessoas de comer ou beber antes de entrar em um carro, caso haja um acidente e a anestesia geral seja necessária," disse Dr. Marcie Richardson, obstetra e ginecologista do grupo Médicos Associados da Harvard Vanguard, de Boston, que esteve envolvida no novo estudo.

Joan Tranmer, professora da Universidade Queens em Kingston, Ontário, e autora da revisão, disse ter visto inúmeras mulheres em trabalho de parto reclamarem de sede e boca seca. "Nós achamos que chegou a hora de questionar isso," ela disse.

Os estudos analisados para a revisão, publicada no ano passado pela Cochrane Collaboration, observaram mulheres em trabalho de parto que tinham pouco risco de precisar de anestesia geral.

Um deles comparou a restrição completa de alimentos líquidos e sólidos com a liberdade completa de se comer e beber; outros dois compararam a água com líquidos e alimentos; e dois compararam água com bebidas gaseificadas. Não houve diferença estatística significativas nos resultados de todas as revisões.

"Com a melhoria das técnicas de anestesia, nós já não usamos anestesia geral", disse Tranmer. "E mesmo quando ela é necessária, as técnicas melhoraram e os riscos são muito, muito pequenos. Então perguntamos: Há algum benefício no jejum? E descobrimos que não há benefícios ou danos."

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26/01/2010 02:44 PM

Crescimento de energia eólica americana impulsiona mercado interno

Apesar da recessão e da situação ruim do mercado de crédito, a indústria da energia eólica americana cresceu rapidamente em 2009, acrescentando 39% a sua capacidade. O país está perto de obter 2% de sua eletricidade através de turbinas de vento.

NYT
Turbinas são vistas em Sweetwater, no Texas

Turbinas são vistas em Sweetwater, no Texas

Ainda que esse seja um número pequeno, ele representa um aumento em relação a sua representação quase nula há alguns anos. O crescimento contínuo nesse ritmo pode ajudar a nação a diminuir suas emissões de gases causadores do efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global.

A Associação Americana de Energia Eólica, em seu relatório anual que será divulgado nessa terça-feira, afirmou que o aumento da sua capacidade em 9.900 megawatts, foi a maior a ser registrada, e esteve 18% acima da capacidade acrescentada em 2008, outro ano de crescimento.

Mas o grupo alertou que o crescimento pode desacelerar. Grande parte do crescimento de 2009 veio de 2008, conforme turbinas compradas naquele ano foram entregues e concluídas. Em 2009, a recessão deixou muitos fabricantes parados, o que pode causar uma desaceleração das instalações daqui para frente.

A mesma quantidade de capacidade de geração de energia veio do vento e do gás natural no ano passado, disse Denise Bode, chefe executiva da associação.

Juntos, a energia eólica e os projetos envolvendo gás natural representaram cerca de 80% de toda a capacidade de geração de energia do país.

Mesmo assim, a indústria americana está atrás da europeia, que obtém cerca de 5% de sua eletricidade do vento. A Comissão Europeia determinou que 20% de sua produção de energia elétrica virão de fonte eólica até 2020.

Preocupações com o aquecimento global aumentaram o interesse em fontes de energia renováveis nos Estados Unidos e provocaram a criação de uma indústria doméstica que emprega 85 mil pessoas.

Hoje, cerca de metade dos componentes usados nas fazendas eólicas é feita nos Estados Unidos, em comparação com 25% em 2004, afirmou o grupo comercial.

As turbinas de vento do país geram eletricidade suficiente para alimentar o equivalente a 9.7 milhões de lares, de acordo com o relatório.

No ano passado, o estado do Texas consolidou sua liderança como o principal produtor de vento do país, com uma capacidade total de 9.410 megawatts, cerca de três vezes mais do que o segundo maior produtor, o estado de Iowa. Atrás estão Califórnia, Washington e Minnesota.

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26/01/2010 02:41 PM

Para combater a fome, haitianos compartilham porções minúsculas

Maxi Extralien, um magérrimo menino de 10 anos vestindo uma camisa de pijama do Bob Esponja, comeu um único feijão do prato de comida que recebeu recentemente de um grupo cívico haitiano. Aquele prato tinha que durar.

 

"Minha mãe tem outros 12 filhos, mas muitos deles morreram," ele disse, cobrindo o prato para que pudesse levá-lo à sua família. "Agora nós somos seis crianças e a minha mãe".

Para Maxi e inúmeros outros na devastada capital do Haiti, novas regras de etiqueta da fome estão emergindo.

Roubar comida, todos sabem, pode levar à morte. Crianças são mais propensas a voltar com comida, mas não importa o que encontrem, tudo deve ser compartilhado.


Crianças fazem fila por comida em Porto Príncipe / NYT

A divisão comunal, juntamente com placas por toda a cidade que leem "SOS" e "precisamos de comida," sugere que a crise de alimentos aqui está crescendo.

Em um país no qual a má-nutrição já era algo comum antes do terremoto, as Nações Unidas agora estimam que 2 milhões de haitianos precisam de assistência alimentar imediata.

E apesar de grandes esforços de grupos de auxílio, a distribuição tem sido limitada. Até o último sábado, o Programa Mundial de Alimentação havia ajudado 207.392 pessoas em Porto-Príncipe e 113.313 em outras áreas.

Para piorar o problema, o fornecimento comercial de alimentos ao Haiti tem sido limitado pelos danos do terremoto. Frutas e vegetais do interior do país ainda estão disponíveis, mas em quantidades limitadas e a preços inflacionados.

E a importação de alimentos (tipicamente 48% do consumo total do país, de acordo com as Nações Unidas) diminuíram e chegam a quase nada.

"Toda a cadeia de fornecimento de alimentos foi destruída pelo terremoto," disse David Orr, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação. "O porto, as estradas, os caminhões, toda a vida comercial do país foi interrompida".

Não foram, afinal, apenas as casas que desabaram quando o tremor de terra sacudiu o Haiti no dia 12 de janeiro. Supermercados foram destruídos. Açougueiros e padeiros morreram.

A casa de um andar de Elsie Perdriel sobreviveu ao terremoto, fazendo dela uma das sobreviventes. Mas agora ela tem 20 bocas para alimentar ao invés de quatro: sete crianças, incluindo seu neto, alguns parentes próximos e vizinhos que perderam suas casas.

Perdriel, uma cozinheira simples, exibiu uma panela com metade um frango cortado em pedaços. "Isso deveria alimentar duas pessoas", ela disse. "Agora terá que dar para 20".

 

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26/01/2010 11:04 AM

Editorial: Democratas, não desistam agora!

Seria um erro terrível se os democratas abandonassem uma reforma completa do sistema de saúde apenas porque eleitores de Massachusetts decidiram na semana passada que gostam mais do republicano Scott Brown do que da democrata Martha Coakley.

Não há dúvida de que sem uma maioria à prova de obstruções será muito mais difícil aprovar um projeto de lei. Mas não deve ser impossível, caso os democratas e a Casa Branca mostrem coragem e criatividade. A reforma do sistema de saúde é importante demais para ser jogada fora e é tarde demais para se convencer os eleitores de que ela representa seu interesse.

O Congresso está muito perto de aprovar leis que irão dar cobertura à maioria dos americanos e oferecer mais segurança a todos – garantindo que se eles perderem seus empregos, poderão manter planos de saúde baratos e sua cobertura não poderá ser negada por causa de condições pré-existentes.

Se os democratas desistirem agora, perto da reta final, a oportunidade de uma reforma de larga escala pode ser perdida por muitos anos. Enquanto isso, o número de pessoas sem planos de saúde, atualmente mais de 46 milhões, continuará a aumentar e as condições do sistema de saúde a piorar.

Muitos democratas, em pânico, veem a vitória de Brown como prova de que eleitores irritados irão puni-los em novembro caso pressionem pela aprovação da reforma. Nós acreditamos que isso é uma interpretação incorreta do que aconteceu e do que é possível.

Coakley realizou uma campanha inadequada - ainda que a Casa Branca não tenha feito o suficiente para lidar com os profundos e legítimos temores dos eleitores que têm perdido seus empregos e suas casas. Mas o presidente Barack Obama e democratas do Congresso também fracassaram claramente em explicar porque a reforma irá tornar a vida dos americanos mais segura - e não menos.

O que torna a situação ainda mais frustrante é que Massachusetts, que adotou sua própria reforma do sistema de saúde em 2006, é um dos melhores exemplos tanto dos benefícios quanto da popularidade de tal mudança.

Uma pesquisa realizada em Massachusetts pelo The Washington Post, a Fundação Família Henry J. Kaiser e a Escola de Saúde Pública de Harvard após a eleição revelou que surpreendentes 68% dos que votaram disseram apoiar o plano em seu próprio Estado, incluindo pouco mais da metade daqueles que votaram em Brown.

Brown, que prometeu bloquear a reforma em Washington, votou pelo programa de seu Estado em 2006 e não fez campanha contra as mudanças nesse ano. Ao invés disso, ele argumentou que uma vez que os cidadãos de Massachusetts já tem plano de saúde, eles não deveriam pagar para ampliar a cobertura em outros Estados.

Esse argumento cínico não faz muito sentido - mesmo em Massachusetts. O projeto de lei diante do Senado contribuiria com verba para o programa de Massachusetts e esforços federais para controlar os gastos ultimamente beneficiariam todos os Estados.

Os democratas devem reavaliar o que realmente aconteceu em Massachusetts e então reunir a coragem necessária para agir e colocar em prática uma ampla reforma. Eles precisam deixar claro aos eleitores que têm pouco medo. Mesmo se a obrigatoriedade de se ter um plano de saúde não entrar em vigor até 2014. E eles precisam deixar claro que reforma oferece benefícios imediatos, especialmente para os americanos da classe média.

Quando o projeto for votado em lei, muitas crianças poderão permanecer nas apólices de seus pais até que completem 26 anos. Seguradoras não serão mais capazes de limitar os pagamentos por cuidados de saúde. Não será possível negar a cobertura a crianças por causa de doenças pré-existentes. A falta de cobertura para remédios a beneficiários do Medicare começaria a ser abolida. E pequenos negócios receberiam créditos fiscais imediatamente para oferecer cobertura a seus funcionários.

Pesquisas recentes mostram que o público está dividido, com mais pessoas se posicionando contra do que a favor do projeto de lei. As negativas têm sido impulsionadas pelas distorções dos críticos sobre uma suposta tomada da medicina pelo governo e da necessidade de acordos para se conquistar os 60 votos necessários para sobrepujar a obstrução republicana no Senado.

Ainda assim, uma pesquisa nacional recente realizada pela Fundação Família Henry J. Kaiser revelou que grandes camadas da população passaram a apoiar mais a reforma quando souberam dos créditos fiscais para pequenos negócios que oferecem cobertura, trocas entre apólices concorrentes e novas regras a respeito da rejeição de planos de saúde.

Nós ouvimos muita conversa em Washington, inclusive de Obama, sobre a possibilidade de equiparar os projetos atuais - para que cubram muito menos americanos sem plano de saúde e se concentrem em lidar com os principais abusos do setor. Isso pode ser tecnicamente difícil; muitos dos trechos do projeto não podem ser separados sem que isso prejudique sua eficiência. E a política praticada no Capitólio - onde os republicanos estão determinados a se opor a qualquer coisa que Obama apóie - deve ficar cada vez mais difícil.

O caminho mais promissor seria a Câmara democrata aprovar o projeto de lei do Senado como está e passar ao presidente para que o assine em lei. Isso permitiria que a gestão e o Congresso armassem imediatamente a criação de empregos e outras questões econômicas. O projeto de lei do Senado não é perfeito, mas ampliaria a cobertura para 94% de todos os cidadãos e moradores legais até 2019, reduzindo o déficit por muitas décadas e criando programas piloto para melhorar o sistema de saúde a preços menores.

Democratas na Câmara aparentemente não aceitarão o projeto de lei do Senado sem uma modificação. Por isso, líderes congressistas buscam novas formas de comprometer tanto a Câmara quanto o Senado a mudanças – como subsídios melhores para tornar os planos de saúde mais baratos – que podem ser aprovadas através de uma "reconciliação orçamentária" paralela que pode ser aprovada por uma maioria simples tanto no Senado quanto na Câmara.

Essa é uma chance que só acontece uma vez em cada geração. Obama precisa explicar ao povo americano porque a reforma é essencial para sua saúde e segurança e para o futuro da nação. E ele deve insistir que o Congresso termine seu trabalho.

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26/01/2010 10:59 AM

Mulheres alemãs buscam espaço com a queda de um tabu

NEUOTTING, Alemanha - Manuela Maier foi chamada de péssima mãe. Uma Rabenmutter, ou mãe corvo, por causa da ave negra que empurra seu filhote para fora do ninho. Ela foi proscrita por outras mães, repreendida pelos vizinhos e por sua família e até mesmo ofendida em uma loja local.

Seu crime? Matricular seu filho de nove anos na escola primária que ofereceu classes após o almoço no outono...e voltar ao trabalho.

“Me disseram: ‘Por que você teve filhos se não pode cuidar deles?”’, disse Maier, 47. Em comparação, ter um filho sem ser casada não foi um problema há 21 anos nessa tradicional cidade da Bavária, ela conta.

Dez anos de século 21 e a maioria  das escolas primárias e secundárias da maior economia europeia, a Alemanha, ainda encerram as aulas antes do almoço, tipicamente por volta das 13h.

Agora, diante da economia de necessidade, esse conceito começa a cair por terra: com um dos menores índices de natalidade do mundo, a expectativa de falta de mão de obra e a queda do padrão de escolaridade obrigam uma reconsideração.

Desde 2003, quase um quinto das 40,000 escolas da Alemanha introduziram programas vespertinos e outras planejam seguir o exemplo.

"Este é um tabu que já não podemos nos dar ao luxo de ter," disse Ursula von der Leyen, médica que virou ministra do trabalho da Alemanha e mãe de sete. "O país precisa de mulheres capazes de trabalhar e ter filhos".

Para ela, o aumento do currículo escolar alemão é "irreversível", conforme as mulheres entram para a força de trabalho, seja em busca de satisfação pessoal, por que são mães solteiras ou têm parceiros cuja renda não tem como manter uma família. Na Alemanha, um quinto dos lares depende da renda das mulheres.

Essa tendência faz dos cuidados com as crianças uma questão de competitividade, disse Karen Hagemann, professora de história de divisões sexuais europeia da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

Em 1763, a Prússia foi o primeiro país a tornar a educação obrigatória para as classes baixas. O sistema de meio dia de ensino evoluiu em uma era que dependia do trabalho infantil.

A classe média alemã há muito acredita que os pais, e não o Estado, devem moldar a cultura das crianças. Nenhuma escola, eles acreditam, pode substituir uma mãe.

Mas esse sistema desencora que mulheres mais altamente educadas tenham filhos. Aos 40 anos, uma em cada três alemãs vive em um lar sem filhos, o que dá à Alemanha, juntamente com a Áustria, a maior proporção de lares deste tipo na Europa.

Esse pensamento antigo também não se adaptou a uma Alemanha na qual um número cada vez maior de estudantes são imigrantes, muitos dos quais precisam de ajuda em capacidades básicas.

Em 2001, um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um grupo das democracias mais desenvolvidas com economias de mercado, sobre a alfabetização de jovens de 15 anos alarmou a Alemanha por sua posição em 21 de 27 países, e quase em último em termos de mobilidade social.

Dois anos depois, o governo disponibilizou US$5.7 bilhões para a criação de programas educacionais em esquema semi-internato para 10,000 das 40,000 escolas do país até 2009; 7,200 escolas adotaram o esquema.

25/01/2010 07:57 PM

Editorial: Insurgência ainda representa maior desafio de governo afegão

Matar combatentes do Taleban não será suficiente. Se há qualquer esperança de se derrotar a insurgência, o governo do Afeganistão terá que persuadir um número maior de militantes a abandonar as armas.

Em uma conferência internacional em Londres a respeito do Afeganistão, nessa semana, o presidente Hamid Karzai deve anunciar um plano para tentar diminuir o número de combatentes Taleban de médio e baixo escalão.

Qualquer plano precisará de apoio financeiro. O custo deve girar em torno de US$1 bilhão para oferecer empregos, segurança e outros benefícios aos desertores Talebans. Os aliados que se recusam a enviar mais tropas ao Afeganistão devem comprometer mais dinheiro.

Mas dinheiro apenas não irá resolver o problema. O governo precisa convencer os desertores de que eles serão protegidos e receberão espaço político. A iniciativa certamente irá fracassar se o primeiro Taleban que abandonar as armas for assassinado por antigos camaradas ou atuais vizinhos.

O plano também precisará determinar claramente alguns princípios. A reabilitação deve ser oferecida aos membros do Taleban - geralmente soldados rasos - que entraram para a insurgência porque precisavam de emprego ou foram pressionados.

Os fieis terão que provar que renunciaram não apenas à violência, mas também à brutalidade do Taleban e a seus valores medievais. O governo precisa deixar claro que não irá ceder nenhum centímetro, especialmente quando se trata da educação para meninas e mulheres.

Achamos preocupante que Karzai e seus assistentes tenham falado em reconciliação com o líder do Taleban, o mulá Omar, e da remoção de seu nome da lista negra de terroristas das Nações Unidas. (Ele não mostrou interesse em uma reconciliação.)


Líderes brutos como o mulá Omar, que deu proteção à Al Qaeda antes do 11/9, devem ser levados à justiça, e não receber um passe livre ou uma cadeira à mesa.

Karzai facilitou demais a vida do Taleban. A corrupção e a incompetência de seu governo levaram milhares de afegãos aos braços da insurgência. Para impedir que outros milhares façam o mesmo, o governo de Karzai terá que agir rapidamente para melhorar sua performance.

Muitos combatentes não irão mudar de lado até que vejam uma transformação no equilíbrio militar. Isso deve acontecer na primavera ou verão, quando a maioria das 30,000 tropas americanas adicionais chega ao país.

O presidente Karzai, os Estados Unidos e outros parceiros precisam de um amplo plano de reconciliação antes disso. Eles também precisam ser mais claros a respeito do que está em oferta - e do que não está.

25/01/2010 07:41 PM
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