Poderíamos, a priori, deduzir a natureza da sociedade a partir da constituição da vida humana, que envolve, necessariamente, convivência, e exige organização. Mas, ainda no limiar do terceiro milênio, abrimo-nos aos sinais dos tempos e colhemos as crises das instituições do passado. Para onde levam? Vemos sinais, aparentemente contraditórios, como a globalização, de um lado, e a preponderância das minorias, do outro; o desafio da genética, de um lado, e a sede de Deus, do outro; a espiritualizaç...
O ser humano, dotado de inteligência, vontade e sentimentos, tem uma trajetória cheia de tropeços. Os maiores problemas, bem como os melhores momentos de sua vida, se encontram na convivência. Ninguém vive a sós. Necessariamente convive. Deve, por isso, não só construir sua própria vida, mas, acima de tudo, necessita desenvolver sua convivência. Conhece pessoas e forma amizades. Sua felicidade se encontra no relacionamento carinhoso com as pessoas queridas. Além das relações primárias, que podem...
O Decreto presidencial 7.037, do Programa Nacional de Direitos Humanos, suscitou muitas reações de todos os setores da sociedade, desde militares à Igreja, desde imprensa aos advogados... Que houve de errado? Alega-se, em defesa, que já sugiram duas edições anteriores de "Direitos Humanos", que não provocaram estranheza e que se consideram similares. Vem então a pergunta: se duas edições iguais não deram certo, porque reeditá-la numa terceira, fora de época?
Se o paradigma das...
O Decreto Presidencial 7.037, com o “Programa Nacional de Direitos Humanos”, foi lançado no dia 22 de dezembro de 2009, antevéspera do Natal. Pelo título, todos pensavam pacificamente tratar-se de um consistente programa de defesa dos direitos humanos, sempre tão vilipendiados. Mas quando os meios de comunicação começaram a apresentar seu conteúdo, surgiu uma onda de protestos da sociedade civil. As reações, aliás muito veementes e justas, vieram de todos os lados e de todos os setores da socied...
O ser humano não só constrói um mundo simbólico que, na verdade, só existe na mente. Atua também sobre o mundo real em que se encontra. É certo que sua atividade característica e mais sublime promana da mente. Tem capacidade de conhecer e de querer. Consequentemente, atinge e interioriza a verdade e o bem, respectivamente, pela inteligência e pela vontade. Neste plano, pode ser considerado verdadeiramente criador. O mundo das ideias é obra sua. Produz algo de próprio, que lhe proporciona d...
O ser humano, diversamente dos demais seres vivos, não só é capaz de conhecer o universo, abrindo-se ao “infinitamente grande, ao infinitamente pequeno e ao infinitamente complexo”, ou seja, adentrando os limites da dimensão cósmica, da composição atômica e do código genético, mas também se habilita a construir um mundo próprio, que é conhecido como simbólico. Já não se trata do mundo real ou físico. Prescinde totalmente da matéria. Este novo mundo é invisível, porque totalmente imaterial. É o m...
Hoje, tanto os cientistas, no plano da biologia e da física, como os teólogos nos levam a um mundo invisível aos olhos. Vivem, de fato, como se vissem o invisível. Os cientistas conseguiram decifrar o código genético, possibilitando-nos ler os pensamentos de Deus, mais ou menos como Champolion decifrou o significado dos hieróglifos egípcios. A alegria destas descobertas se manifestou em impressionantes celebrações de júbilo. Sinal que também os cientistas têm sentimentos. Rejubilam-se com os res...
Os sinais dos novos tempos nos apontam, com certa veemência, para Deus. E o fazem de dois modos: primeiro, pela explosão do sentimento religioso, por muito tempo abafado pela civilização urbana; e, segundo, por novos parâmetros que as pesquisas proporcionam. Em seu tempo Kepler, ardoroso adepto do heliocentrismo, que lhe valeu a exclusão dos quadros da Igreja Protestante, afiançava que contemplar o universo equivalia a ler os pensamentos de Deus. Ou seja, criando, Deus revelou-se, manifestando-n...
Diante dos sinais dos tempos, que apontam para algo novo e, mais radicalmente diante das crises do nosso tempo, que mostram a superação do velho, com perspectivas novas, que nos cabe fazer? Podemos, com Bento XVI, concretizar tudo numa tríplice atitude: recordar, com gratidão, o passado; viver, com paixão, o presente; e abrir-nos, com confiança, para o futuro. A pedagogia conheceu três potentes instrumentos para a educação do povo: inicialmente descobriu a bússola para indicar o caminho; d...
A família, conforme o Papa Bento XVI, constitui um patrimônio da humanidade. Vale, pois, a pena investir nela. Em primeiro lugar, no seu valor de unidade e de amor. Depois, na situação de sua precariedade atual. Encontram-se casais de segunda união, com enormes problemas pela frente. Toca-se ali numa chaga pastoral que deixa angustiadas muitas pessoas e se enfrentam crises capazes de sacudir a própria estrutura da família. Sabemos que o ser humano não é apenas indivíduo, ou seja, o indivíduo hum...
Conhecemos Jesus Cristo a partir de sua ressurreição, o que equivale a dizer que o acolhemos pela fé. Como se trata de um caso único e extraordinário, sentimo-nos impelidos a aprofundar o conhecimento de sua personalidade pré-pascal. É possível falar de um milagre de personalidade, certamente a mais estudada e admirada de todos os tempos. O século XIX iniciou o estudo sistemático da personalidade religiosa de Jesus, não no sentido constitutivo da pessoa, mas no sentido psicológico, enquanto retr...
Há dois métodos de educação: um tenta reprimir o mal e o outro incentiva o bem. O primeiro diz não a tudo o que aparece nocivo, ao passo que o segundo apresenta um sim à grande perspectiva da vida em abundância, trazida por Cristo. S. Paulo opta pelo sim: o Filho de Deus, Jesus Cristo, que ele anuncia, foi sempre “sim”. “Porque todas as promessas de Deus são ‘sim’ em Jesus”(2 Cor 1,20).Segundo o provérbio, uma árvore que cai faz mais barulho do que a floresta que cresce. Diante dos males somos i...
10/12/2009 12:00 AM
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