A senadora Fátima Cleide (PT-RO) homenageou a médica pediatra e sanitarista, fundadora das pastorais da Criança e da Pessoa Idosa, Zilda Arns. Seus conhecimentos médicos em saúde pública, disse a senadora, permitiram que "salvasse crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição, da violência em seu contexto familiar e da marginalidade", por meio do combate às raízes da injustiça social.
A médica morreu no dia 12 de janeiro, na capital do Haiti, Porto Príncipe, onde ministrava uma palestra em uma igreja quando ocorreu o terremoto que devastou o país.
- Eu própria fui testemunha de diversos milagres da missão humanitária da pastoral e da médica Zilda Arns. Com uma metodologia simples, de utilização da farinha de multimistura, crianças que estavam à beira da morte foram salvas e hoje tem 15, 18 anos, em função do trabalho brilhante, do qual Zilda Arns foi a grande propulsora e incentivadora - elogiou.
Fátima Cleide destacou os diversos cursos de especialização em saúde pública feitos por Zilda Arns e o convite do Ministério da Saúde para que coordenasse campanha contra a mortalidade infantil. Dessa experiência derivou, a seguir, seu trabalho à frente da pastoral, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Iniciado no município de Florestópolis (PR), cujo índice de mortalidade infantil à época de sua implantação era de 127 crianças mortas para cada mil nascidas vivas. Após um ano de presença da pastoral no município, disse a senadora, este índice caiu para 28 crianças mortas para cada mil nascidas vivas.
Fátima Cleide lamentou que Zilda Arns, indicada duas vezes para receber o Prêmio Nobel da Paz, não tenha sido agraciada com "tão importante prêmio". Para a senadora, ela merece, por seu trabalho em prol dos mais pobres, o título de "heroína das causas nobres" e um lugar na galeria "das pessoas mais dignas deste país".