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Severino Motta, iG Brasília

Presidente do STF, Cezar Peluso, quer relatório de Gilmar Mendes sobre o caso Battisti. Tema deve ser retomado em fevereiro

Cesare Battisti deve permanecer no presídio da Papuda, em Brasília, pelo menos até fevereiro. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, pedirá ao ministro Gilmar Mendes, relator do processo na Corte, que dê um parecer sobre a decisão presidencial, avaliando se a mesma está de acordo com o tratado de extradição entre Brasil e Itália.

Ao iG, Gilmar Mendes disse que somente após o recesso do judiciário, em fevereiro, irá iniciar a análise do caso. O material deve ser apreciado, posteriormente, pelo plenário da Corte, que vai decidir sobre a liberdade de Battisti.

Divisão no STF

A permanência de Battisti na prisão não agradou o ministro Marco Aurélio Mello ? um dos vencidos no julgamento do STF que acabou em cinco a quatro pela extradição de Battisti. Para ele, a soltura deveria ser imediata.

?É hora de colocar o homem na rua. Como a prisão partiu do STF para viabilizar a extradição, não tem mais como ficar preso uma vez que o presidente decidiu que não haverá extradição?, disse.

Ao comentar a decisão de Lula no caso Battisti, Marco Aurélio disse estar se sentindo de ?alma lavada?, visto que ele havia defendido a permanência do italiano no Brasil por entender que os crimes por ele cometidos forma políticos, e não comuns.

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

Governador reeleito do Rio ficou 184 dias em viagens internacionais. Sua média de tempo fora do país supera a de Fernando Henrique

Foto: DIVULGACAO

Em seu primeiro mandato, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, passou no exterior mais de seis meses dos quatro anos, entre missões oficiais e férias. O chefe do Executivo estadual esteve 184 dias em viagens internacionais, quase a mesma marca do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em sua gestão inicial, 193 dias. Lula foi o presidente que mais viajou ao exterior: 477 dias, em oito anos.

Cabral, que será reimpossado neste sábado, estabeleceu seu recorde de dias fora do Estado e do país logo ao chegar ao Palácio Guanabara, em 2007: 62 dias ? um a mais que o aliado Lula no mesmo ano. Durante as ausências, assumiu o vice-governador, Luiz Fernando Pezão.

Em 2008, Cabral ficou 48 dias fora do Brasil; em 2009, 49. Parte das viagens foi em passeios particulares.

Após a escolha do Rio como cidade-sede das Olimpíadas de 2016 (em outubro de 2009) e com a campanha eleitoral, as viagens diminuíram em 2010. Cabral passou ?apenas? 26 dias no exterior, bem menos que nos anos anteriores. Ainda assim, neste ano ele esteve nos Estados Unidos, duas vezes, no Reino Unido, Espanha, China e Argentina. Os 184 dias correspondem a um dia a cada oito no exterior, ou 12,6% do tempo.

A média anual de dias do governador do Rio fora do Brasil ? 46 ? supera a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ? 43 ?, que chegou a ser apelidado de ?Viajando Henrique Cardoso? por humoristas do Casseta&Planeta. FHC ficou fora do Brasil 347 dias de seus oito anos de gestão e sofreu muitas criticas por isso.

Como símbolo da importância que dá a suas viagens no exterior, Cabral elevou ao status de Subsecretaria de Relações Internacionais a antes Coordenadoria de Assuntos Internacionais e a transferiu da Secretaria de Planejamento para a Casa Civil.

Em seu primeiro mandato, Sérgio Cabral viajou a pelo menos três continentes. Além dos lugares que visitou este ano, já foi à França, Dinamarca, Portugal, Itália, Suíça, Alemanha, Grécia, Dinamarca e Turquia; na Ásia visitou Japão, Coreia do Sul e Cingapura; nas Américas, foi à Colômbia e Estados Unidos.

Viagens trazem investimentos, diz governo

De acordo com o governo, as viagens internacionais de Cabral promoveram novos negócios para o Estado e têm resultados econômicos evidentes, como investimentos privados e parcerias públicas. São citados como exemplos de sucesso, fruto das idas de Cabral ao exterior, a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e de partidas da Copa do Mundo de 2014, além da atração de grandes indústrias.

Cabral admite viajar bastante, mas diz que suas idas ao exterior são positivas para o Estado e que não pretende deixar de fazê-las, em benefício do Rio. "Viajo muito e vou continuar a viajar. Cada viagem é uma Copa [do Mundo], uma Olimpíada, é um projeto que a gente traz. A gente trabalha muito quando viaja", afirmou, no início do ano.

Um exemplo que costuma dar é o da viagem à Colômbia, no início do mandato, que inspirou a política de intervenções de favelas no Rio, como o uso de teleférico, como o implantado no Complexo do Alemão, em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Agência Estado

Orlando Pessuti assina decreto determinando a exoneração das servidoras acusadas de desviar mais de R$ 1 milhão

O decreto assinado ontem pelo governador do Paraná, Orlando Pessuti, determinou a demissão das servidoras acusadas de desviar mais de R$ 1 milhão da administração estadual.

Segundo a Agência Estadual de Notícias, Ana Lucia de Albuquerque Schulhan, Sabrina Albuquerque Schulhan e Emília de Fátima Larocca Caslavski são acusadas de cometerem condutas irregulares enquanto exerciam função na Superintendência de Desenvolvimento Educacional da Secretaria de Estado da Educação (Sude/Seed).

O processo administrativo disciplinar e da auditoria constatou o desvio de R$ 1.124.070,30 em diárias realizadas por 96 servidores entre 2007 e 2008. Foram feitas análises relacionadas a 2.648 viagens - 977 no ano de 2007 e 1.671 em 2008.

AFP

País africano é residência de 14 mil franceses; Nações Unidas denunciam violações dos direitos humanos depois das eleições

A França recomendou nesta sexta-feira a saída das famílias francesas com filhos residentes na Costa do Marfim, até que a situação esteja normalizada naquele país.

Também anunciou o adiamento da volta às aulas nas escolas francesas do país, que começariam no dia 5 de janeiro, por causa da crise política vivida por Abidjan, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

No total, 14 mil cidadãos franceses, entre eles a metade com dupla nacionalidade, vivem na Costa do Marfim, país imerso na violência pós-eleitoral, que fez 179 mortos desde meados de dezembro.

Várias pessoas já deixaram o país depois dos confrontos entre partidários do presidente em final de mandato Laurent Gbagbo e seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Alassane Ouattara.

Violação

Também nesta sexta-feira, especialistas da ONU denunciaram violações dos direitos humanos, após as eleições presidenciais do final de novembro, e advertiram que a violência pode resultar em "crimes contra a humanidade".

Segundo os especialistas, os desaparecimentos forçados de pessoas, as detenções arbitrárias e execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias, assim como atos de violência sexual podem ter acontecido ou ainda se produzir na Costa do Marfim", denunciam.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU já havia adotado na quinta-feira passada, ao final de uma sessão especial sobre a Costa do Marfim, uma resolução denunciando as "atrocidades" cometidas após as eleições de novembro.

Agência Estado

Ministro das Relações Exteriores afirmou que não há razão para o Brasil se preocupar com as relações com o governo intaliano

Foto: Agência Estado

O disse hoje que não há razão para o Brasil se preocupar com as relações com o governo italiano, depois da decisão de não conceder extradição ao ex-ativista Cesare Battisti. "O Brasil tomou uma decisão soberana, dentro dos termos previstos do tratado e as razões estão explicitadas no parecer da AGU (Advocacia Geral da União)", disse Amorim.

Em nota, o governo brasileiro afirma que "considerou atentamente" todas as cláusulas do Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália e manifesta "estranheza" com as declarações da presidência do Conselho de Ministros da Itália, de que negar a extradição seria "incompreensível e inaceitável" e que o presidente brasileiro teria que explicar a decisão às famílias das vítimas de Battisti.

"O governo brasileiro manifesta sua profunda estranheza com os termos da nota da Presidência do Conselho dos Ministros da Itália, de 30 de dezembro de 2010, em particular com a impertinente referência pessoal ao Presidente da República", afirma o texto.

Reuters

Nível de água no nordeste australiano prejudicou minas de carvão e produção de açúcar do país

Foto: AFP

O nível das águas que cobrem uma área imensa do nordeste da Austrália subiu na sexta-feira, inundando 22 cidades e obrigando 200 mil moradores a abandonar suas casas, além de fechar um importante porto de exportação de açúcar.

As enchentes já fecharam minas de carvão no Estado de Queensland e o maior porto de exportação de carvão do Estado, obrigando mineradoras como Anglo American e Rio Tinto a suspender ou reduzir suas operações. As piores inundações em 50 anos foram provocadas pelo fenômeno climático La Niña, que esfria as águas do Pacífico leste e, nos últimos 15 dias, vem gerando chuvas torrenciais sobre o nordeste da Austrália.

Incêndio

Enquanto isso, nos Estados de Victoria e Austrália do Sul, a temperatura alta e a seca extrema vêm causando incêndios florestais.

As autoridades avisaram sobre a possibilidade de incêndios "catastróficos" se as condições se agravarem, e foi recomendado às pessoas que passam férias na região que preparem planos para deixar a área. "Pedimos que as pessoas tenham um plano, que saibam como vão chegar aos lugares onde vão - um plano para deixar a região se houver ameaça de incêndio", disse Andrew Lawson, chefe do corpo de bombeiros rurais da Austrália do Sul.

Beneficiados por uma leve queda na temperatura, os bombeiros contiveram incêndios pequenos na noite de sexta-feira, mas meteorologistas disseram que nos próximos dias a temperatura pode voltar a ultrapassar os 40 graus Celsius.

Em Queensland, as autoridades avisaram sobre riscos crescentes à saúde em função das águas das enchentes, além do perigo de crocodilos e cobras invadirem casas inundadas. "O desastre está longe de acabar," disse a jornalistas a premiê estadual de Queensland, Anna Bligh. "Temos 22 cidades menores e maiores que estão substancialmente inundadas ou isoladas. Isso representa 200 mil pessoas em uma área maior que a França e a Alemanha juntas.

A primeira-ministra Julia Gillard visitou a cidade açucareira de Bundaberg, que na sexta-feira fechou seu porto depois de destroços de inundações terem invadido canais de navegação e danificado bóias de aviso. "É um desastre natural que atinge todo Queensland", disse Gillard, anunciando uma contribuição de 1 milhão de dólares australianos (US$ 1 milhão) ao montante obtido com uma campanha de ajuda aos flagelados pelas enchentes, que já arrecadou 6 milhões de dólares australianos.

O fechamento de Bundaberg prejudicou as exportações de açúcar da Austrália, um dos maiores exportadores mundiais do produto. Quatrocentos mil toneladas de açúcar saem do porto todos os anos, e três embarcações de 30 mil toneladas estão previstas para chegar nos próximos dias.

EFE

Ainda sem título, longa também terá no elenco Christian Bale e Rachel McAdams

O oscarizado Javier Bardem manifestou entusiasmo com a gravação do próximo filme do cineasta Terrence Malick, ainda sem título, em entrevista publicada na edição russa da revista "GQ".

"Logo começo a rodar com Terrence Malick. Não é só um diretor, mas um poeta do cinema. As palavras de seu roteiro são extremamente belas. É um humanista. Não posso contar como será o filme porque nem eu mesmo sei", disse o ator.

Malick, responsável por "Além da Linha Vermelha" (1998) e "Terra de Ninguém" (1973), chegou a ser considerado por alguns críticos um dos mestres do cinema contemporâneo. Este será seu sexto longa e terá, além de Bardem, Christian Bale, Rachel McAdams e Olga Kurylenko no elenco.

"Malick segue normas pouco ortodoxas. Nos dá um resumo da história e a ação começa com a gravação. Isto é o que me fascina, já que é uma verdadeira aventura", acrescenta Bardem, aos 41 anos.

O filme será um drama romântico produzido e financiado pela River Road Entertainment, a mesma empresa que investiu em "A Árvore da Vida", projeto do cineasta que chegará aos cinemas em 2011.

AE

Espécies de peixes e de crustáceos estão ameaçadas pela sobrepesca

Camarão-rosa, cação, surubim. A preocupação com a sobrevivência dessas espécies e com o consumidor atento às questões ambientais já leva empresas a buscarem selos de pesca sustentável. O primeiro selo que chega ao Brasil é o Friend of the Sea, certificação italiana conferida a empresas que obedecem a critérios de pesca e aquicultura com menor impacto ambiental. A entidade já certificou 135 espécies e 120 empresas em 35 países.

Outra certificação que está chegando ao País é a MSC - sigla em inglês para Conselho de Manejo Marinho -, selo criado pela organização não-governamental (ONG) WWF em 1997. De acordo com Laurent Viguié, vice-presidente da Trace Register, empresa que desenvolveu um sistema de rastreabilidade para pescado, a MSC abrirá um escritório no País em janeiro de 2011. "Com 8,5 mil quilômetros de costa, é um bom negócio para o Brasil investir em certificações, até para garantir a pesca no futuro", diz.

Várias das espécies de peixes e de crustáceos consumidas pelos brasileiros estão ameaçadas pela sobrepesca. Segundo o Censo da Vida Marinha do Ministério do Meio Ambiente, das 1.209 espécies de peixes catalogadas na costa e nos rios, 32 estão sendo exploradas além de sua capacidade de regeneração. No caso dos crustáceos, a sobrepesca ameaça 10 de 27 espécies.

Varejo
As redes de varejo já começaram a enxergar os benefícios do pescado sustentável. O Walmart elaborou uma política específica para a compra de pescado, que inclui um acordo de cooperação com o Ministério da Pesca. "Parar de vender peixe por causa da sobrepesca não é solução, e sim o manejo do pescado e o investimento em sistemas de rastreabilidade", diz Cristiane Urioste, diretora de sustentabilidade da rede. Hoje a rede tem controle de 40% dos crustáceos que comercializa.

No Pão de Açúcar, a aposta será no desenvolvimento da cadeia de fornecedores da Amazônia. "Queremos construir uma cadeia constante, baseada no trabalho com os ribeirinhos", afirma Paulo Pompilio, diretor de relações institucionais da rede. Um dos desafios será fazer com que os preços não se tornem proibitivos. "Não pode ser um produto 'gourmet?. Se o pirarucu custar R$ 35 o quilo, as pessoas vão preferir o bacalhau", analisa. 

AE

Parede digital importada da Holanda permite a criação de imagens virtuais acionadas por controle

A tradicional festa de réveillon na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, terá um grafite hi-tech como atração na noite desta sexta-feira. Importada da Holanda, a "parede digital" possibilita que um artista crie imagens virtuais com um spray acionado por sensores, como um controle de videogame sem fio, que não solta tinta. Trata-se de uma atração internacional para um evento paulistano que atrai cada vez mais turistas.

 "É a primeira vez, no Brasil, que teremos algo assim", diz Marcelo Flores, diretor da empresa que organiza a festa na Paulista. "As pinturas serão transmitidas em telões no palco e o público poderá acompanhar ao vivo."

 A imagem é virtual: ao longo da noite, o artista escolhido poderá apagar e refazer as obras diversas vezes. A primeira checagem do equipamento, prevista para a tarde de ontem, não aconteceu - segundo a produção do evento, houve um atraso na montagem do equipamento.

Trazer a street art para a festa do réveillon paulistano, mais do que uma iniciativa de marketing, tem seus simbolismos. Nos últimos anos, São Paulo tem se tornado a capital brasileira - em alguns discursos mais ousados, a capital mundial - do grafite. Ainda que, contraditoriamente, sejam frequentes as vezes em que funcionários da própria Prefeitura apaguem obras de grafiteiros da cidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

iG São Paulo

Berlusconi afirma que Itália vai insistir na extradição de Battisti. Para Ministro da Defesa, decisão do Brasil é ofensiva

O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, anunciou nesta sexta-feira que vai retirar temporariamente seu embaixador no Brasil, Gherardo La Francesca, informou o jornal italiano "La Repubblica", um dos mais importantes do País.

A decisão ocorre após o Brasil anunciar que não extraditará o ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado em seu País por assassinato. O nome desta retirada, tecnicamente, é chamar o embaixador para consultas. Na escala diplomática, é uma das medidas mais drásticas que um País pode tomar em relação a outro. Embora os funcionários da embaixada continuem no Brasil, na prática as relações estão congeladas. A medida mais grave, que acaba com as relações entre dois países, é fechar a embaixada.

O primeiro-ministro italiano, Silivio Berlusconi, criticou o governo do presidente Lula por, segundo ele, dar asilo a um assassino: "Expresso minha profunda tristeza e pesar pela decisão tomada pelo presidente Lula ao negar a extradição deste assassino de tantas pessoas, Cesare Battisti, apesar dos repetidos apelos e pressões em todos os níveis do lado italiano. É uma opção contrária ao mais elementar sentido de justiça". Em mensagem às famílias das pessoas mortas por Battisti, Berlusconi disse que não vai desistir da extradição: "Expresso às famílias das vítimas a minha solidariedade, minha proximidade e o compromisso de continuar a batalha, para que Battisti seja entregue à Justiça italiana. Consideramos a questão longe de estar fechado. A Itália não vai desistir e vai fazer valer os seus direitos em todos os locais ".

Mais específico que Berlusconi, o ministro das Relações Exteriores da Itália disse que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal brasileiro. "Vamos usar, imediatamente, todas as medidas possíveis oferecidas pelo sistema jurídico no Brasil para obter o quanto antes uma nova decisão sobre Battisti", informou Frattini, para quem a decisão do governo brasileiro contradiz princípios fundamentais do direito e ofende os familiares e a memória das vítimas de Battisti. O governo italiano informou, inclusive, que vai procurar a presidenta eleita, Dilma Rousseff.

O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, por sua vez, foi bem menos diplomático que seus colegas de governo. Ele classificou a decisão brasileira como ?gravemente ofensiva? e ?injusta? e disse que o Brasil confirmou as piores previsões da Itália. Para o filho de uma das vítimas do grupo de Battisti, Alberto Torregiani, chegou a hora de a Itália abandonar uma atitude que ele classifica como branda demais em relação ao Brasil. ?A partir de agora vamos usar mão de ferro?, pediu Torregiani.

AE

Ambientalistas estão preocupados com a queima de fogos, que pode prejudicar a fauna da região

Uma festa de réveillon gratuita, com shows de bandas famosas, barraquinhas de bebida e uma grande queima de fogos em um dos cartões-postais de São Paulo. Um evento para ninguém botar defeito, certo? Bem, quando o ponto turístico é a Represa do Guarapiranga - um dos mananciais mais importantes da Região Metropolitana e um dos poucos refúgios de vida silvestre na capital -, não é bem assim.

Moradores e ambientalistas estão preocupados com o primeiro réveillon organizado pela Prefeitura de São Paulo na orla da represa. O argumento é que o grande número de pessoas e a poluição sonora e visual nas festas em geral - que começaram a ser realizadas no local há 3 anos - poluem a represa e perturbam a fauna nativa.

A maior preocupação são os fogos de artifício: a Prefeitura promete um grande espetáculo, mas ambientalistas temem os efeitos nos animais silvestres, principalmente nas 270 espécies de pássaros.

"A Guarapiranga tem a maior concentração de aves e animais silvestres da cidade, sem contar os pássaros migratórios que chegam no verão. Você pode imaginar o dano ambiental que essa enorme queima de fogos pode causar onde os bichos se reproduzem", diz a diretora da organização não-governamental (ONG) Fiscais da Natureza, Ângela Alves.

De acordo com a organização, no palco, montado próximo a uma árvore de Natal com 360 metros e dois telões nas laterais, vão se apresentar Roger e Robson, Calcinha Preta, Nanda Bel, Padre Marcelo Rossi e a escola de samba Mocidade Alegre.

Para o isolamento da área serão utilizados 2,5 km de grades e 250 barricadas. Além do apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, 200 seguranças privados foram contratados. Serão disponibilizados 90 banheiros químicos, sendo 10 deles adaptados para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, que ainda terão à sua disposição uma área reservada próxima ao palco.

Regras

Os moradores dizem ainda que houve uma tentativa de criar uma comissão com a Prefeitura e estabelecer regras para realizar eventos no local - que incluiriam a proibição de fogos de artifício. Mas a comissão nunca saiu do papel. Segundo a Prefeitura, a comunidade montaria a comissão para dar prosseguimento aos entendimentos sobre eventos na Guarapiranga, mas nunca definiu os integrantes do grupo.

A Prefeitura não respondeu às perguntas sobre os possíveis danos ambientais. Segundo nota da assessoria, grades impedem a aproximação de pessoas nas margens. No fim da festa, equipes de limpeza cuidam da área. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

iG São Paulo

Da prisão em Milão à decisão de Lula, com passagem por outros países

- Junho de 1979: prisão de Cesare Battisti em Milão como parte de uma investigação pelo assassinato de um joalheiro.

- Maio de 1981: Battisti é condenado a 12 anos e 10 meses de prisão por "participação em grupo armada" e "ocultamento de armas".

- Outubro de 1981: Battisti escapa da prisão de Frosinone, perto de Roma, e se refugia na França.

- 1982: fuga para o México.

- 1985: o presidente francês François Mitterrand se compromete a não extraditar os ex-ativistas de extrema-esquerda italianos que rompessem com o passado, embora tenha excluído os que cometeram "crimes de sangue".

- 1990: Battisti regressa à França e se converte em autor de romances policiais.

- 21 de maio de 1991: a corte de apelações de Paris nega uma demanda italiana de extradição.

- 31 de março de 1993: a corte de apelações de Milão condena Battisti à prisão perpétua por quatro "homicídios agravados" praticados entre 1978 e 1979 contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho dele ficou paraplégico, depois de também atingido).

- 20 de julho de 2001: demanda de naturalização francesa. Uma decisão favorável de julho de 2003 foi anulada em julho de 2004.

- 20 de dezembro de 2002: demanda italiana de extradição.

2004

- 10 de fevereiro: Battisti é detido em Paris a pedido da justiça italiana, em meio a protestos de intelectuais, artistas e personalidades políticas francesas de esquerda.

- 3 de março: é libertado, mas mantido sob vigilância.

- 30 de junho: a câmara de instrução da corte de apelações de Paris se declara favorável à extradição. Battisti recorre.

- 2 de julho: O presidente Jacques Chirac declara que "é nosso dever responder favoravelmente à extradição".

- 21 de agosto: Battisti não se apresenta ante a polícia como exige o sistema de vigilância judicial, e passa para a clandestinidade.

- 22 de agosto: a promotoria da corte de apelações de Paris expede uma ordem de detenção.

- 13 de outubro: rejeitado o recurso de Battisti, e a extradição para a Itália torna-se definitiva.

- 23 de outubro: O primeiro-ministro francês Jean Pierre Raffarin assina o decreto de extradição.

2005

18 de março: o Conselho de Estado da França confirma a extradição.- Início de agosto: os advogados de Battisti apresentam um recurso ante a Corte Européia de Direitos Humanos contra o decreto de extradição.

2007

18 de março: detenção de Battisti no Rio de Janeiro.

2009

14 de janeiro: O então ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, anunciou a decisão de conceder o refúgio político. Diante das pressões lançadas pelo governo italiano, o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

9 de setembro: A corte autorizou a extradição, mas determinou que a decisão final ficaria a cargo do presidente da República.
 

2010

30 de dezembro: Roma considera "totalmente incompreensível e inaceitável" uma recusa do Brasil a extraditar o ex-ativista de extrema-esquerda italiano Cesare Battisti, anunciou na noite desta quinta-feira, hora local, o governo da Itália.O Palácio Chigi (sede do governo) exprimiu esta posição antes mesmo da decisão do presidente Luiz Inacio Lula da Silva sobre o caso, que foi adiada para esta sexta-feira, segundo funcionários em Brasília.

- 31 de dezembro: O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva decidiu não extraditar para a Itália o ex-ativista, anunciou o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

* Com AFP


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