Nara Alves, enviada a Salvador Um dia depois de chorar em sua última visita a Pernambuco antes de deixar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva despede-se hoje das viagens oficiais em uma última visita a Salvador. A convite do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), Lula irá entregar nesta quarta-feira residências populares na capital bahiana e fará um balanço do programa Minha Casa Minha Vida, carro-chefe da campanha de Dilma Rousseff.
A passagem por Salvador encerra o roteiro de viagens de despedida e agradecimento para encerrar o mandato. Hoje pela manhã, passa ainda por Fortaleza, capital cearense. Do dia 10 de dezembro até hoje, Lula visitou 16 cidades de 11 Estados brasileiros.
No evento desta quarta, marcado para as 15h, o presidente Lula irá inaugurar obras, sortear unidades habitacionais e assinar novos contratos com transmissão ao vivo por videoconferência para eventos simultâneos em Canoas, no Rio Grande do Sul, Campinas, em São Paulo, e Manaus, no Amazonas.
De acordo com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, até o início da primeira quinzena de dezembro, o programa habitacional direcionado à população de baixa renda acusava 852.881 contratos fechados desde o início do programa, em 2008.
O número está aquém do total efetivamente contratado, até mesmo para um quadro preliminar do mês pois, segundo o ministro, os dados do ministério apontam para cerca 66,9 mil unidades contratadas. Isso, somente nos primeiros dias deste mês. Mas sem incluir operações da Caixa Econômica Federal para o período.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, acha que "ficará perto", mas não chegará a um milhão de contratos. De qualquer modo, Simão diz que a meta para o Minha Casa Minha Vida 2 é adicionar mais 2 milhões de unidades, em todo o País, ao longo da gestão de Dilma até 2014.
*Com Valor Online
29/12/2010 08:05 AM
The New York Times Foto: The New York Times Com panfletos prometendo "ação em vez de promessas", Yegor Vasilievsky fazia sua campanha diante de um centro comercial movimentado na sexta-feira, angariando apoio para um concorrente do presidente da Bielorrússia, Aleksandr G.Lukashenko. Ele já estava lá há quatro horas e tinha conseguido, extraordinariamente, não ser preso. "Entregar panfletos costumava ser proibido", disse Vasilievsky, 20 anos. "Agora, é permitido". Este é o ponto alto do progresso político na Bielorrússia, uma antiga república soviética onde até poucos anos atrás a propaganda eleitoral realizada por Vasilievsky poderia ter feito com que ele fosse preso, espancado ou algo pior. Lukashenko tem governado o que seus opositores chamam de uma ditadura. Mas, antes das eleições de domingo, ele parecia ter decidido permitir algo parecido com uma campanha presidencial. Seria difícil descrever Lukashenko como um novo democrata. Nenhum dos nove candidatos que concorreram com ele pareciam ter muita chance de acabar com seu reinado de 16 anos. Mas esta aparência de pluralismo, evidenciada na capital e em outros lugares por alguns cartazes de campanha e comícios da oposição, parecia ser parte de um esforço de Lukashenko em cortejar o Ocidente em meio a relações cada vez mais imprevisíveis com o seu patrono de longa data, o Kremlin. "Em geral, Lukashenko precisa desesperadamente de dinheiro e sabe que o dinheiro virá do Ocidente", disse Andrei O. Sannikov, que concorreu nas eleições de domingo. "É por isso que ele tem de mostrar algum tipo de liberalização na superfície". Após uma reunião com Lukashenko no mês passado, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Polônia e da Alemanha disseram que a União Europeia estaria disposta a dar a Bielorrússia US$ 3,5 bilhões em ajuda. O que eles queriam em troca? Que as próximas eleições fossem consideradas livres e justas. E assim, com o seu país sofrendo com as tensões da crise financeira, Lukashenko, muitas vezes chamado de o último ditador da Europa, tem aprendido ? ou pelo menos fingindo aprender ? a jogar de acordo com regras diferentes. "Nós nos tornamos um país tão democrático nestas eleições presidenciais que eu tenho medo de outros chefes de Estado se afastarem de mim, o democrata forte", Lukashenko disse a repórteres este mês. Campanha Durante a campanha eleitoral, os candidatos da oposição receberam tempo livre na televisão nacional e puderam fazer campanha em todo o país, embora não sem o assédio ocasional da polícia local. Pela primeira vez, os candidatos foram autorizados a realizar um debate televisionado. Lukashenko não participou, embora os outros candidatos tenham sido capazes de criticar o presidente livre de censura e ao vivo na televisão controlada pelo governo. "Em comparação com as eleições de 2006, estas eleições aconteceram praticamente sem repressão", disse Aleksandr Milinkevich, cuja experiência como candidato nas últimas eleições presidenciais foi muito pior. "Parece uma celebração da democracia". Ele alertou, porém, que a maioria das reformas foram superficiais. Ele citou Stalin, dizendo: "Não é importante como as pessoas votam, é importante como os votos são contados". Na verdade, o governo de Lukashenko mantém controle completo sobre a contagem de votos, com a oposição constituindo menos de 1% das comissões locais encarregadas da contagem final. O presidente também recebeu cerca de 90% da cobertura da mídia durante a campanha, de acordo com os observadores das eleições, que também expressaram preocupação de que votos feitos durante um período de cinco dias de votação antecipada poderiam ser adulterados. "Tem havido uma série de melhorias em diversas áreas", disse Jens Eschenbaecher, porta-voz da ala de observação eleitoral da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. "Se isso é suficiente para criar uma situação de igualdade para todos os candidatos ainda é, penso eu, questionável". Para aqueles que faziam campanha para a oposição nas ruas cobertas de neve de Minsk recentemente, havia pouca dúvida de quem tinha a vantagem. Sergei Pradzed, 23 anos, que estava distribuindo panfletos na estação ferroviária local, disse que passou 14 horas em uma cela fria em outubro e foi multado em US$ 400, o mesmo que ganhou em um mês para segurar um cartaz na praça central da capital que dizia: "Onde estão os meus direitos?". Seu protesto não se enquadra na definição de campanha do governo. "A nossa campanha não importa para eles", disse Pradzed. "Eles podem obter os resultados que quiserem, sem esforço". Apesar dos compromissos duvidosos de Lukashenko com sua nova experiência democrática, a União Europeia e, em menor medida, os Estados Unidos, com cautela começaram a aceitá-lo. Antes um pária no Ocidente, ele foi recentemente convidado a visitar capitais europeias e recebeu ofertas de investimento em troca de, pelo menos, um mínimo de abertura política em casa. Em outubro, a União Europeia ampliou uma revogação das restrições de viagens para Lukashenko, "a fim de incentivar o progresso", segundo uma declaração do Conselho da União Europeia. Em seu lugar estabeleceram sanções que visam à participação financeira dos oficiais da Bielorrússia. Ao mesmo tempo, os governos ocidentais e organizações não-governamentais cortaram drasticamente o financiamento aos movimentos de oposição e candidatos empenhados em derrubar Lukashenko, sucumbindo ao que um membro de uma ONG ocidental chamou de "cansaço da luta". Críticas de Moscou Por outro lado, é a Rússia, um país com as suas próprias deficiências democráticas, que se tornou um dos maiores críticos de Lukashenko. Neste verão, a mídia estatal russa deu início a ataques retratando-o como um tirano fã de Hitler em uma série de documentários. A crítica se tornou tão intensa que muitos observadores, incluindo Lukashenko, passaram a acreditar que o Kremlin estava preparando o terreno para a sua queda. Em determinado momento, Lukashenko acusou o Kremlin diretamente de financiar forças da oposição na Bielorrússia. Em resposta, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse Lukashenko não tinha uma decência humana básica. O Kremlin havia apoiado Lukashenko durante anos, injetando crescimento econômico na Bielorrússia de estilo soviético, com gás natural barato e isenções nos impostos sobre o petróleo. Os líderes da Rússia também elogiaram as eleições que observadores independentes condenaram como uma farsa e ignoraram pedidos persistentes de ativistas de direitos humanos e das liberdades civis no país de 10 milhões de habitantes. Mas o Kremlin parece ter cansado de Lukashenko, que brevemente cortou o fluxo de gás natural russo que passa através da Bielorrússia para abastecer a Europa Ocidental neste verão em meio a uma disputa de preços com Moscou, e se recusou a seguir a Rússia em reconhecer a independência de dois enclaves separatistas na Geórgia, entre outras infrações. Gás e petróleo A Rússia mudou um pouco de atitude ultimamente, decidindo este mês contra a imposição de impostos sobre o petróleo e o aumento no preço do gás natural para a Bielorrússia, em uma medida que observadores disseram indicar vontade de Moscou em reconhecer a vitória de Lukashenko. Ainda assim, conforme as eleições se aproximavam, a televisão russa continuava seu ataque, fazendo uma cobertura bajuladora dos candidatos da oposição e alertando para o perigo de possíveis fraudes. "Eleições bielorrussas são como teatro antigo", disse o correspondente da emissora estatal russa First Channel. "A única diferença entre os gregos antigos e os bielorrussos modernos é que os primeiros se reuniam para a alegria do processo, enquanto os bielorussos só esperam algum tipo de encerramento". *Por Michael Schwirtz
29/12/2010 08:02 AM
Gabriel Costa, iG Brasília O ano turbulento para o governo do Distrito Federal - com direito a cassação e prisão do ex-governador José Roberto Arruda e um mandato-tampão que deixa para a próxima administração um orçamento comprometido por pendências e dívidas - não impediu que a Secretaria de Cultura programasse uma semana de apresentações com entrada franca na Esplanada dos Ministérios para comemorar o réveillon. Mais de 30 artistas já se apresentaram no palco montado. Os cachês de alguns dos principais nomes - anunciados em 21 de dezembro, apenas cinco dias antes do início do evento - superam os R$ 150 mil e, no caso das duplas sertanejas Fernando e Sorocaba e Bruno e Marrone, o dobro disso. O custo total para o GDF deve chegar a R$ 6,8 milhões, em meio a um contexto no qual o governo tem pendências com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, e com o governo federal. A festa do ano passado, na administração de Arruda, custou cerca de R$ 700 mil. Lanches e 874 garrafas de água mineral de 300 ml previstos para serem servidos aos artistas e suas equipes foram suspensos após o jornal Correio Braziliense ter publicado matéria na sexta-feira, dia 24, que mostrava que custariam R$ 4,89 e R$ 21,48 a unidade, respectivamente. Os shows têm recebido uma média de 15 mil pessoas por dia. Já se apresentaram nomes como Jorge Aragão, Roupa Nova, Brunno e Marrone e Natiruts. No dia da virada, é esperado um público maior - no ano passado, cerca de 90 mil pessoas assistiram às apresentações de Zezé di Camargo e Luciano, Aviões do Forró e da bateria da Beija-Flor. Os shows do dia do réveillon ficam por conta das bandas Carnavália, Clima de Montanha, Coisa Nossa, Nilson Freire, Zezito e Zé Paulo, Brunno e Matheus. Próximo à meia-noite, a bateria da Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) conduz a contagem regressiva. Fernando e Sorocaba fazem o show de encerramento. 29/12 (quarta) ? a partir das 19hs 30/12 (quinta) ? a partir das 19hs Programação Especial Rock Brasília 31/12 (sexta) ? a partir das 18hs *Com informações do Correio Braziliense
Programação
A programação diária tem início às 19h até sexta, quando as apresentações terão início às 19h. No dia do réveillon, o metrô vai circular até 1h30. Pela duração da semana, o Detran do Distrito Federal alterou a circulação de veículos na Esplanada. Até amanhã, as duas faixas da esquerda da via estão sendo fechadas para circulação de veículos nos dois sentidos a partir das 19h. No dia 31, a organização do trânsito no local fica a cargo da Polícia Militar.
Disco Praise, Tribo de Funk, Banda Louva Deus, Jesus da Capital, Davi Sacer.
Na Lata, Galinha Preta, Elffus, Ligação Direta, Plebe Rude, Biquini Cavadão e Cidade Negra.
Banda Carnavália, Clima de Montanha, Banda Coisa Nossa, Nilson Freire, Zezito e Zé Paulo, Bruno e Matheus. E a grande virada, com a contagem regressiva e a tradicional queima de fogos, será conduzida pela bateria da ARUC e show de encerramento com a dupla Fernando e Sorocaba.
29/12/2010 07:30 AM
Priscilla Borges, iG Brasília Foto: Fellipe Bryan Sampaio Desde a infância, a matemática é vista como o bicho-papão da sala de aula. Contas, fórmulas e figuras geométricas tiram o sono de milhares de crianças e jovens ao longo do ensino fundamental e médio. Depois do vestibular, muitos se libertam da disciplina, mas outros criam traumas que não possuíam. Todos os estudantes dos cursos de exatas ? que normalmente escolhem as carreiras justamente por se saírem bem em matemática, física, química ? precisam passar pelas disciplinas de cálculo. Mas, segundo os docentes universitários, poucos estão preparados para elas. As reprovações nas primeiras matérias que envolvem matemática são comuns e criam enormes problemas não só para os estudantes, como também para as instituições. Na Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, em média, cerca de 30% dos estudantes de cálculo, física e química não conseguem passar de primeira por essas disciplinas. Os conteúdos muito distintos dos que são ensinados na educação básica e a quantidade de matérias a cada semestre complicam a vida dos calouros, que ainda precisam se adaptar à falta de cobrança diária dos professores universitários. Essas disciplinas costumam ser preparatórias para os outros semestres e, uma vez reprovado em uma delas, dificilmente o estudante consegue seguir o currículo dos cursos. Com isso, as universidades se obrigam a oferecer a mesma disciplina inicial a novos e antigos alunos. O problema tem exigido das instituições de ensino soluções alternativas, como tutorias, monitorias, disciplinas intermediárias para nivelamento. E tem provocado também preocupação em algumas escolas do ensino médio, que já começam a trabalhar para facilitar a vida dos próprios alunos no futuro. Em uma escola particular de Brasília, os estudantes do ensino médio têm a chance de começar a aprender os conteúdos que, em geral, fazem parte dos programas curriculares das disciplinas de cálculo 1. Há quase 10 anos, o professor de matemática Luiz Antônio Rosa Braz decidiu ajudar os seus alunos mais interessados a passar com mais facilidade por essa fase. No horário contrário ao das aulas, sem cobrar nada, ensina parte do que eles terão de aprender nos cursos de exatas. ?Já dei aulas em universidade e sei que os meninos sofrem por falta de base em matemática. Não tenho o mesmo tempo que teria na faculdade aqui para ensiná-los, mas sei que já ajuda bastante?, afirma. Os encontros com o professor Luiz Antônio ocorrem sempre às sextas-feiras, no fim do dia. A proposta é não atrapalhar os estudos dos alunos para o vestibular, as provas da escola ou as atividades extracurriculares, mas, sim, colaborar. ?No fim, as aulas são interessantes também para que os alunos vejam se escolheram a área certa.? Tiago Vidigal, Rodrigo Cardoso, Fellipe Lopes, Gabriela Duarte, Gisele Oliveira e Rodrigo Nunes, todos com 17 anos, participam das aulas com satisfação. Para eles, a oportunidade dada pela escola é imperdível. Todos escolheram cursos de exatas no vestibular e acreditam que as aulas prévias de cálculo serão um diferencial na formação deles. ?A gente não vai se surpreender com o que está por vir?, analisa Fellipe. Para Nunes, as aulas funcionam como um passatempo. Ninguém é obrigado a assisti-las. Os alunos contam que, de agosto (quando as aulas começaram) até o fim do ano, a desistência foi grande. Dos 80 alunos da turma inicial, sobraram perto de 40. ?É muito diferente do que a gente aprende em sala de aula, mais aprofundado. Acho que até ajuda no vestibular. Mas muita gente não aguentou?, comenta Fernanda Pimentel, 18 anos, que pretende conquistar uma vaga para engenharia genética. Ali Faraj, 15 anos, ainda está no 1º ano do ensino médio e já frequenta as aulas de cálculo. Apaixonado por matemática, ele não quis perder a oportunidade de aprender mais, se aperfeiçoar e, quem sabe, se tornar um profissional melhor. ?Acho que vou sair do ensino médio mais preparado, com uma visão melhor do assunto?, avalia. ?Se outras escolas pudessem fazer o mesmo, ajudaria muito as universidades e os alunos?, diz o professor. Na academia Ao contrário do que acontece com as monitorias, em que um aluno veterano fica à disposição da turma inteira durante determinado período de tempo, no programa de tutoria, professores e estudantes da pós-graduação acompanham, cada um, o desenvolvimento e o rendimento de um pequeno grupo de estudantes. Eles fazem atendimentos individuais, o que dá mais trabalho. Angelo Machado, professor do Instituto de Química, e Carlos Eduardo Salvador, aluno do mestrado, contam que os universitários chegam sem capacidade de conectar conhecimentos, fazer análises lógicas e não estão preparados para o ambiente de liberdade que encontram na universidade. Mesmo com todo o esforço que fazem para ser tutores dos alunos, ainda não conseguem atendê-los como gostariam. O Decanato de Graduação está estudando também uma nova estratégia, ainda projeto para o futuro. A partir da análise do desempenho dos aprovados nos processos seletivos da instituição, identificar quem precisa de ajuda e já abordá-los no início do semestre. ?Estamos analisando com cuidado, não queremos constranger os alunos. Mas pode ser uma boa medida para ajudá-los?, ressalta Márcia Abrahão. Outra iniciativa que a UnB está tomando é a reformulação da disciplina de cálculo. Além de reduzir a quantidade de conteúdos ministrados, eles estão atualizando os programas de algumas outras matérias dadas para calouros de diferentes cursos de graduação. O sub-chefe do Departamento de Matemática, Mauro Patrão, que cuida das reformas, acredita que as modificações vão ser úteis também para uniformizar o ensino. ?Há estudantes que fogem de certos professores porque eles são exigentes, enquanto outros não avaliam direito?, critica. Para ele, padronizar o que se ensina não significará interferir na metodologia de trabalho de cada docente. O que o departamento quer, por exemplo, é que diferentes professores apliquem a mesma quantidade de provas, e ensinem os mesmos conteúdos. E admite que a parceria com o ensino médio precisa ser mais estreita. ?Existe um lapso entre a formação dada aos estudantes e o que se espera deles nos cursos de exatas?, afirma. Inviabilidade A Unicamp instituiu há mais de uma década uma disciplina chamada geometria analítica que, na opinião dele, tem conteúdo que deveria ser do ensino médio. ?Isso não existia antigamente, quando cada um já deveria ter essa base, mas hoje os alunos não conseguiriam acompanhar cálculo 1 sem isso?, diz. No caso do curso de estatística, a medida foi mais recente. Há seis anos, percebeu-se que muitos alunos, embora interessados na área, não tinham a formação básica matemática necessária e instituíram a disciplina ?Fundamentos da Matemática?. ?É difícil recuperar um aluno que vem com deficiência do ensino médio. Essas medidas tem resultado parcial, mas sem isso os cursos se tornariam inviáveis?, conclui. 
As universidades, por sua vez, também estão preocupadas em resolver esse problema. A UnB, por exemplo, criou programas de tutoria para os estudantes com mais dificuldade nas disciplinas iniciais de cálculo, química e física. O número, de acordo com a decana de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão, ainda é inferior ao que a universidade gostaria. ?É difícil estabelecer uma cultura de atendimento individualizado do estudante?, afirma.
?Estamos aplicando um questionário para ajudar a identificar as deficiências que eles trazem de formação e podermos focar mais tempo nas dificuldades. Mas é difícil fazer com que eles entendam a importância disso?, comenta Angelo, que coordena um grupo de tutoria na química.
Para o professor e coordenador de Ensino do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Emanuel Pimentel Barbosa, a má formação na área de exatas é um problema ?crônico e antigo?.
29/12/2010 07:00 AM
EFE Doze pessoas morreram após a queda, na noite de terça-feira, de um avião de militar de carga pesada An-22 a 370 quilômetros ao sul de Moscou, segundo dados preliminares divulgados pelas autoridades russas nesta quarta-feira. O avião, que decolou de um aeroporto de Voronezh rumo a Tver, cidade a 200 quilômetros ao norte da capital russa, desapareceu dos radares por volta das 21h30 do horário de Moscou (16h de Brasília), informou um porta-voz do Ministério da Defesa russo citado pela agência "Interfax". Os destroços da aeronave foram encontrados na madrugada desta quarta-feira perto da aldeia Krasny Oktiabr, a cerca de 100 quilômetros ao sul da cidade de Tula. O An-22, com 68 unidades fabricadas pelos soviéticos entre 1965 e 1975, foi o maior avião militar de carga do mundo até a aparição do americano C-5 Galaxy.
29/12/2010 04:58 AM
EFE Praticamente todo o nordeste da Austrália vem sofrendo os efeitos das piores inundações na região em décadas, que deixaram vários povoados alagados pelas enchentes e obrigaram a evacuação de mais de mil pessoas. O Escritório de Meteorologia prevê a piora da situação nas próximas horas, com a água inundando centenas de lares, e por isso recomendou que os habitantes da região evitem as zonas baixas. Nove helicópteros Black Hawk do Exército que evacuaram 300 habitantes de Theodore nesta terça-feira continuaram hoje o trabalho em Emerald, no interior, e em Bundaberg, no litoral do estado de Queensland. Algumas comunidades sofreram as piores inundações em 50 anos, e Chinchilla e Dalby, que nesta terça-feira foram declaradas zonas de catástrofe, têm água potável apenas para os próximos dois dias. A mesma advertência vale para vários povoados da região, como Wowan, Warwick, Mundubbera, Gayndah, Alpha, Jericho, Pittsworth, Grantham, Killarney e Allora. As inundações também provocaram o fechamento de partes de diversas estradas na zona. Segundo as autoridades australianas, as enchentes levarão a prejuízo de mais de US$ 1 bilhão, sendo mais de US$ 600 milhões com infraestrutura. Os meteorologistas acreditam as chuvas seguirão nos próximos dias, mas de forma mais moderada. Ainda assim, muitas regiões deverão seguir inundadas por pelo menos duas semanas.
29/12/2010 04:06 AM
BBC Brasil Chefes de Estado da África Ocidental encerraram nesta terça-feira sua viagem à Costa do Marfim e deram um ultimado ao presidente Laurent Gbagbo a deixar o poder. No cargo desde 2000, Gbagbo tem se recusado a ceder o posto para Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o vencedor da última eleição, em 28 de novembro. A delegação disse que, caso não deixe o cargo, a Costa do Marfim poderá ser alvo de uma intervenção militar. Uma emissora de TV leal a Gbagbo atacou os críticos à permanência do presidente e indicou que migrantes de países vizinhos que vivem na Costa do Marfim poderão correr riscos caso a ameaça de uma ação militar se concretize. Mais cedo, um soldado da missão de paz da ONU foi ferido no braço com uma machadada quando seu comboio foi atacado por uma multidão num reduto de Gbagbo. A ONU diz que um dos três veículos do comboio foi incendiado no incidente, numa região ao oeste da capital Abidjã. A organização, que mantém cerca de 9.500 soldados no país, foi acusada por Gbagbo de interferir em assuntos marfinenses e convidada a se retirar do país. Mas a ONU se recusa a sair e defende que o poder seja transferido a Ouattara. Líderes Um comunicado divulgado pelo presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, um dos três líderes da África Ocidental que foram a Abidjã negociar uma saída para o impasse, diz que a visita se encerrara e que o grupo viajaria à Nigéria para se encontrar com o presidente da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao), Goodluck Jonathan. Os três presidentes - Pires, Boni Yayi (Benin) e Ernest Bai Koroma (Serra Leoa) - chegaram à Costa do Marfim pela manhã, no que era visto como uma última tentativa da comunidade internacional de negociar a crise antes de uma intervenção militar. Após o encontro, o presidente do Benin disse que "tudo correu bem". Mas Abdon Bayeto, conselheiro de Gbagbo, disse à BBC que "a mensagem que (Gbagbo) tinha para eles era dizer-lhes que ele fora democraticamente eleito, reconhecido por nossa constituição". Os líderes então foram se reunir com Ouattara, que está num hotel protegido por cerca de 800 soldados da ONU. "Outtara venceu e insistimos que Outtara se torne o presidente deste país, e esta é a posição tomada pelos líderes da África Ocidental", disse à BBC o ministro da Informação de Serra Leoa, Ibrahim Ben Kargbo. O hotel também está cercado por tropas leais a Gbagbo, que diz não estar preocupado com as ameaças de intervenção militar e ser vítima de um complô que envolve a França e os Estados Unidos. Violência A vitória de Ouattara na eleição de novembro foi derrubada pelo Conselho Constitucional, órgão chefiado por um aliado de Gbagbo, que alegou ter havido uma fraude nos resultados no norte do país. Desde a eleição, ao menos 173 pessoas morreram em confrontos, segundo a ONU. A ameaça de uma onda ainda maior de violência fez com que 20 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugissem para a vizinha Libéria. Segundo o correspondente da BBC em Abidjã, John James, a atmosfera na cidade é tensa e muitos temem uma intervenção militar nas próximas semanas. Ele diz que os marfinenses esperavam que as eleições pusessem fim à década mais difícil da história do país, mas, em vez disso, ela criou um novo período de instabilidade.
29/12/2010 01:32 AM
AFP O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rejeitou nesta terça-feira o que chamou de ameaça dos Estados Unidos por negar o 'agreement' ao embaixador americano designado para Caracas, Larry Palmer, e desafiou Washington a "cortar relações diplomáticas". "Se o governo (dos Estados Unidos) vai expulsar nosso embaixador, que faça. Se vão cortar relações diplomáticas, que façam" - disse Chávez durante ato oficial transmitido pela TV estatal venezuelana. "Negamos o agreement a este senhor (Palmer) e agora somos ameaçados pelo governo dos Estados Unidos com represálias. Que façam o que querem, mas verão". Na semana passada, o porta-voz do departamento americano de Estado, Philip Crowley, advertiu que a decisão da Venezuela de rejeitar Larry Palmer traria "consequências" nas relações bilaterais."Deixamos claro à Venezuela que este tipo de ação teria consequências. Discutimos este tema com as autoridades venezuelanas por meses e avisamos que a negativa teria um impacto nas relações". Chávez reafirmou hoje que Palmer ofendeu "as Forças Armadas venezuelanas" em sua audiência no Senado americano, quando disse que na Venezuela há guerrilheiros colombianos e que os militares são influenciados por Cuba. "Para ser embaixador aqui precisa respeitar esta pátria (...) Indigno seria permitir a vinda deste senhor à Venezuela".O governo americano não tem a intenção de nomear um substituto para Palmer, que deve ser confirmado pelo Senado nos próximos dias, informou o departamento de Estado.
29/12/2010 01:22 AM
AE O Ministério das Relações Exteriores estabeleceu cotas para negros na prova de admissão ao curso de preparação de diplomatas do Instituto Rio Branco. A partir do ano que vem, serão aprovados, na fase inicial da prova, 10% a mais de candidatos. Esses precisarão ser afrodescendentes e alcançar o mínimo necessário de acertos, que é de 40% da prova. A seleção de candidatos a diplomatas é considerada a mais difícil do serviço público devido ao alto nível de exigência para aprovação e também pelo grande preparo dos candidatos. A prova tem três fases. Na primeira delas, chamada de Teste de Pré-Seleção (TPS), normalmente são selecionados os 300 melhores classificados. A partir de agora, serão incluídos outros 30, exclusivamente negros. A medida pretende ampliar o acesso de afrodescendentes à carreira diplomática fazendo com que mais candidatos negros passem da pré-seleção. No entanto, a vantagem acaba nessa primeira fase. Depois, as notas dos candidatos são zeradas. A seleção começa novamente com uma prova eliminatória e classificatória de português, em que é preciso acertar 60% das questões, e segue com as provas de geografia, história, política internacional, direito, economia, inglês e uma segunda língua, em que a média de acertos também precisa alcançar 60%.
28/12/2010 11:14 PM
Ricardo Galhardo, enviado a Recife Foto: Agência Estado ?Não quero chorar mais do que já chorei. O povo chora para fora, cafunga, lacrimeja, enquanto político chora para dentro, fica engolindo as lágrimas?, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira à noite em seu último ato como chefe de Estado em Pernambuco, seu Estado natal.
O ato, programado para ser uma grande festa de despedida ao som de forró, acabou em uma choradeira generalizada. O próprio Lula chorou pelo menos três vezes e levou às lágrimas o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e parte das 20 mil pessoas que foram ao Marco Zero para se despedir do presidente.
No camarote VIP, ao lado do escritor Ariano Suassuna, um homem soluçava enquanto Lula rememorava sua trajetória desde a fuga da seca em 1952 passando pelas greves no ABC, as derrotas em 1989, 1994 e 1998, a vitória em 2002 e a reeleição em 2006. ?Isso só pode ter o dedo de Deus. Quem não acredita em Deus pode acreditar porque ele existe?, disse Lula.
Oficialmente o ato deveria ser o lançamento do projeto Cais da Cultura ? Memorial Luiz Gonzaga, mas se transformou em uma louvação a Lula. O poeta Antonio Marinho foi o primeiro a arrancar lágrimas do presidente ao falar, em ritmo de poesia, de obras como a transposição do rio São Francisco e o Pro-Uni.
Depois foi a vez dos repentistas Valter Teles e João Paraibano fazerem Lula cair na gargalhada com um verso no qual diziam que, se houvesse exportação de presidentes, os estrangeiros já teriam levado Lula embora.
Eduardo Campos foi o segundo a fazer Lula chorar quando agradeceu em nome do povo de Pernambuco pelas obras que o governo fez no estado.
Agraciado com a comenda da Ordem do Mérito dos Guararapes, a mais importante do Estado, Lula foi às lágrimas pela terceira vez ao falar das derrotas eleitorais e cafungou até o final do discurso.
O presidente aproveitou para pedir apoio à presidenta eleita Dilma Rousseff. ?Gente, a palavra de ordem é apoiar a Dilma?. E terminou reafirmando que não deixará a política. ?Deixo apenas a presidência mas não pensem que vocês vão se livrar de mim. Porque estarei pelas ruas?.
28/12/2010 10:58 PM
Reuters Foto: AP LOS ANGELES - A atriz Reese Witherspoon se casou com o agente de Hollywood que conheceu no início do ano, disse sua porta-voz na terça-feira. Witherspoon, de 34 anos, e Jim Toth "estão casados e extremamente felizes", confirmou a porta-voz por e-mail. A notícia foi publicada inicialmente pela revista US Weekly. O casal começou a namorar em janeiro, pouco depois que Witherspoon acabou seu relacionamento de três anos com o ator Jake Gyllenhaal. Ela já foi casada com outro colega, Ryan Phillippe, com quem tem dois filhos. Witherspoon é uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood, apesar de não ter grandes sucessos de bilheteria. Em 2005, ela ganhou um Oscar por interpretar June Carter Cash no filme "Johnny e June" (2005) sobre o cantor Johnny Cash. (Reportagem de Dean Goodman) 
28/12/2010 10:28 PM
Agência Estado O futuro secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, deputado estadual Edson Giriboni (PV-SP), disse hoje que a eventual permanência do presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Gesner Oliveira, será uma decisão do governador eleito, Geraldo Alckmin (PSDB). "Não chegamos a discutir esse assunto com o governo, é um assunto de governo, posteriormente estaremos discutindo com o governador." De acordo com ele, embora a diretoria da empresa seja uma questão técnica, é importante que a Sabesp se adapte às prioridades da secretaria. "A Sabesp tem suas regras próprias, é uma empresa de economia mista, tem ações na Bolsa e é uma empresa aberta que atua não só em São Paulo. Ela será uma parceira importante para nós avançarmos na política de saneamento e recursos hídricos", afirmou. "Vamos caminhar juntos, o corpo diretivo é uma questão técnica, temos que respeitar isso. O importante é a Sabesp se adequar às prioridades da secretaria." Giriboni negou que a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos tenha sido uma compensação ao PV, que não ficou com a de Meio Ambiente, ocupada pelo deputado estadual Bruno Covas (PSDB). O partido tem a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa e recebeu uma secretaria recém-criada - no governo de José Serra (PSDB), havia a Secretaria de Energia e Saneamento. "O governador queria ter o PV junto no governo. Ficamos muito satisfeitos com a decisão do governador de incorporar as propostas do PV no governo", disse. "Saneamento também tem um grande apelo ambiental. É uma questão de montagem de governo, que não é fácil. Mas haverá um entrosamento com entre o PV e as secretarias de meio ambiente e energia." Presidência da Assembleia Já o futuro secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, negou que sua indicação para o cargo seja uma forma de apaziguar os interesses do partido na Assembleia. Deputado mais votado do Estado, com 239 mil votos, ele pretendia disputar a presidência da Casa, hoje nas mãos de Barros Munhoz (PSDB). "Eu coloquei para a bancada a minha intenção de disputar a presidência da Assembleia e a bancada deixou para resolver isso em janeiro ou fevereiro. Nesse momento recebi o convite para a Secretaria de Meio Ambiente e eu achava que não podia recusar um convite como esse", afirmou. "Em nenhum momento, seja com o governador eleito, Geraldo Alckmin, seja com o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, a questão da Assembleia foi envolvida. Em nenhum momento foi negociado apoio a esse ou aquele candidato. A decisão agora cabe à bancada, da qual eu não faço mais parte." A meta do futuro secretário é dar celeridade à pasta, criticada pela demora em conceder licenças ambientais. "Eu entendo que o licenciamento ambiental tem que ser ágil para que governo e iniciativa privada possam saber se pode fazer, a compensação ambiental que deve ser feita e, se não pode, por que não pode e o que deve ser mudado no projeto. A legislação já diz o que pode e que não pode. Cabe à secretaria dar o licenciamento quando deve ser dado."
28/12/2010 09:37 PM


