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Cíntia Acayaba, iG São Paulo

Ex-governador de São Paulo morreu nesta manhã de sexta-feira, no hospital Sírio-Libanês

Foto: Agência Estado

O corpo do ex-governador de São Paulo e presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, chegou ao Palácio dos Bandeirantes por volta das 13h50 e foi recebido pelo atual chefe da Casa Civil, Luiz Antônio Marrey, com honras militares. Quércia morreu na manhã de hoje vítima de câncer na próstata, de acordo com o hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

Um dos primeiros políticos a chegar ao velório foi o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). ?Ele foi muito importante na redemocratização. Sempre foi um líder municipalista e defendeu a descentralização. Nos apoiou muito na última eleição. Viajávamos muito pelo Estado, conversávamos bastante. Deixo nosso carinho, sentimentos e nossas orações?, disse Alckmin, um dos primeiros a falar com a imprensa, já na saída do Palácio dos Bandeirantes.

A vice-prefeita da capital paulista, Alda Marco Antonio (PMDB); o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB); o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB) e o governador de São Paulo, Alberto Goldman, também visitaram o local.

Para o peemedebista Wagner Rossi, Quércia se tornou uma das figuras mais importantes do país ao derrotar o militar Carvalho Pinto, da Arena, na disputa ao Senado, em 1974. ?Foi a primeira vez que sentimos que a ditadura não era imbatível?, lembrou. Questionado se o Quercismo permanece no PMDB-SP, Rossi declarou que é ?um movimento importante, mas é de outra época". "O que existe é um peemedebismo e o PMDB é um partido muito forte?, afirmou o integrante do governo federal - o PMDB paulista contrariou a orientação nacional do partido e não apoiou a candidatura da presidenta eleita Dilma Rousseff à Presidência da República.

Aloysio Nunes, que conquistou uma vaga no Senado depois que Quércia saiu da disputa, afirmou que o ex-governador foi um grande organizador do MDB, foi um senador corajoso e um político de palavra. ?Ele foi o primeiro governante do Estado a colocar o tema da criança e da juventude na agenda, criando para isso uma secretaria?, declarou sobre a trajetória do ex-governador. Aloysio comentou ainda a aliança entre tucanos e peemedebistas no Estado. ?Houve uma aliança inédita entre PMDB e PSDB no Estado. Quércia ajudou muito na vitória de Alckmin e na minha vitória.?

O governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) também lamentou a morte de Quércia. "Sentimos imensamente a perda do Quércia, figura que marcou a política de São Paulo. Estivemos juntos durante a ditadura e (lutamos) pela redemocratização. Depois, participei imensamente da campanha dele em São Paulo. Convivi com ele até 1997 no PMDB, depois nos separamos, tínhamos visões diferentes." Sobre a trajetória do ex-governador, Goldman afirmou que Quércia é um ?político do passado?, mas de uma ?parte saudável do passado?.

O deputado Barros Munhoz também lembrou o embate pelo Senado entre Quércia e Carvalho Pinto e qualificou o ex-governador como "um grande empreendedor". Na opinião de Munhoz, Quércia "organizou o PMDB em São Paulo".

A senadora eleita do PT Marta Suplicy, única representante do partido no velório até o momento, chegou ao local por volta das 17h e destacou características de Quércia. ?Ele foi um político que fez muita diferença para São Paulo, foi um desenvolvimentista que teve um papel importante na redemocratização".

Em razão da morte de Quércia, o governo do Estado de São Paulo decretou luto oficial. Goldman assinou nesta sexta-feira o decreto de luto de sete dias, que será publicado amanhã (dia 25) no Diário Oficial.

Orestes Quércia morreu na manhã desta sexta-feira, aos 72 anos, vítima de câncer na próstata. Ele havia tratado da doença há 10 anos, mas o tumor reincidiu, o que o levou a desistir da candidatura ao Senado neste ano.

A mulher de Quércia, Alyde, o filhos e familiares recebem neste momento os cumprimentos de amigos e políticos que foram velar o corpo do ex-governador. O deputado federal eleito por São Paulo, Paulo Maluf (PP), o empresário Silvio Santos, o governador do Estado, Alberto Goldman, e o governo de São Paulo enviaram coroas de flores ao velório.

*Com informações da Agência Estado

iG Brasília e iG São Paulo

Presidenta eleita divulga nota de pesar por morte do ex-governador de São Paulo

A presidenta eleita Dilma Rousseff divulgou nesta sexta-feira à tarde uma nota na qual lamenta a morte do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Dilma, que não recebeu o apoio do então presidente do PMDB-SP durante sua campanha à Presidência da República, qualifica Quércia como "um expoente da resistência democrática" e "um defensor do desenvolvimento do país". O PMDB é o principal partido aliado do PT no âmbito nacional para o próximo mandato. A presidenta eleita termina a mensagem, ainda, se referindo a Quércia como "um lutador".

Leia abaixo o comunicado na íntegra.

NOTA À IMPRENSA

 

É com pesar que recebo a notícia da morte de Orestes Quércia. São Paulo e o Brasil vão se lembrar dele como um expoente da resistência democrática, um governador de muitas realizações e um defensor do desenvolvimento do país. Em todas as circunstâncias, foi um lutador.

ASSESSORIA DE IMPRENSA DA PRESIDENTA ELEITA DILMA ROUSSEFF


 

Agência Estado

Boletim divulgado por hospital afirma que, apesar de a hemorragia ser considerada moderada, estado de saúde do vice é estável

Comunicado à imprensa divulgado na tarde desta sexta-feira pelo hospital Sírio-Libanês informa que o vice-presidente da República, José Alencar, voltou a apresentar sangramento intestinal nas últimas 12 horas. A hemorragia, segundo o boletim médico, foi "em moderada quantidade" e Alencar mantem-se "clinicamente estável ". Como o sangramento não pode ser estancado com o uso de remédios, o vice receberá transfusões de sangue e passará ainda por tratamento dialítico (hemodiálise).

O médico Raul Cutait, um dos coordenadores da equipe que trata Alencar, disse nesta sexta-feira que o estado de saúde dele é "razoavelmente estável" e que está aguardando a evolução do quadro nos próximos dias para decidir se libera ou não o vice-presidente para participar da cerimônia de posse da presidente eleita Dilma Rousseff (PT), no dia 1º de janeiro, em Brasília. "No geral, ele está razoavelmente bem."

Estamos aguardando a evolução para ver se ele para mesmo de sangrar, pois dá a impressão de que pode estar sangrando um pouquinho", disse Cutait, médico do Hospital Sírio-Libanês, na capital, onde Alencar está internado desde quarta-feira.

Cutait afirmou também que Alencar está acompanhado da família, mas não revelou se o vice-presidente está liberado para comer a ceia tradicional de Natal. "(Está liberado) o que dá para alguém comer nesta fase". Questionado sobre a possibilidade do vice-presidente comemorar o Natal com vinho, o médico brincou: "Ele vai querer beber a cachaça que ele faz, aí é outra história."

De acordo com o médico, está descartada a possibilidade de uma nova cirurgia no vice-presidente, porque existem outras alternativas de tratamento. "Ainda estamos discutindo entre nós (equipe médica)", comentou.


Agência Estado

Enterro ocorre amanhã, por volta das 9 horas, na capital paulista

O velório do ex-governador e presidente estadual do PMDB Orestes Quércia, falecido na manhã desta sexta-feira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, será realizado no hall principal do Palácio dos Bandeirantes, a partir das 14 horas, informa nota oficial do governo paulista. A cerimônia será aberta ao público até as 18 horas.

Depois deste horário, será restrita a familiares e amigos do peemedebista. O enterro ocorrerá amanhã, por volta das 9 horas, no Cemitério do Morumbi, na capital paulista.

Agência Estado

Contrariando a orientação nacional do partido, que se aliou ao PT de Lula, Quércia optou pelo apoio ao PSDB no Estado

O câncer de próstata que levou o presidente estadual do PMDB de São Paulo e ex-governador Orestes Quércia, 72 anos, ao hospital, no início de setembro, havia se manifestado já em 1997. Ele optou então por um tratamento de radioterapia, descartando a cirurgia para retirada do tumor. Os resultados não foram satisfatórios, mas Quércia retomou a vida normal.

Continuou se dedicando à política, na direção estadual do PMDB, cujo controle assegurou com o apoio dos diretórios regionais de São Paulo. Divergindo da orientação nacional do partido, que lançou o deputado Michel Temer para vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, do PT, ele se aliou ao PSDB de José Serra e Geraldo Alckmin. Candidato ao Senado, renunciou à candidatura, no hospital, para se tratar da doença.

Vereador, deputado estadual, prefeito, senador, vice-governador e governador. Sempre concorrendo pelo voto direto, Orestes Quércia nunca perdeu uma eleição até 1986, quando saiu do terceiro lugar nas pesquisas para vencer Antônio Ermírio de Morais e Paulo Maluf na disputa do pelo Palácio dos Bandeirantes. Fez o seu sucessor, Luiz Antônio Fleury Filho, em 1990, mas daí para a frente só amargurou derrotas - ao se candidatar a presidente da República em 1994, a senador em 2002 e, mais duas vezes, a governador, em 1998 e em 2006. Podia perder, mas não desistia.

Paulista de Igaçaba, então distrito de Pedregulho, na região de Franca, era um caipira do interior, como gostava de se definir, orgulhoso de suas raízes, mesmo quando já era um empresário rico e político de prestígio. Dividia o tempo entre seus apartamentos de Campinas e da capital paulista, mas não esquecia a roça, suas lavouras de café e suas cabeças de gado. Os investimentos imobiliários e a aposta nos meios de comunicação - jornais, rádios e TVs - vieram com o tempo, no ritmo da ascensão na vida pública. Daí as suspeitas de irregularidades, as acusações de desvios de recursos, as denúncias de enriquecimento ilícito. Enfrentou a onda de processos judiciais como se fosse campanha dos adversários.

Descendente de imigrantes italianos, Quércia nasceu em 18 de agosto de 1938, filho de Otávio e Isaura, pequenos comerciantes em Igaçaba, de onde se mudaram sucessivamente Pedregulho, Franca e Campinas. Começou a trabalhar cedo, aos sete anos de idade, como atendente no armazém da família. Depois foi fazer arreios na selaria do pai. Improvisou uma oficina para recuperar e revender bicicletas quebradas, início de sua trajetória empresarial. Trabalhou como escriturário, locutor de rádio e repórter de jornal, juntando economias para iniciar seus próprios negócios. Fundou a firma Irmãos Quércia para exploração de dois armazéns em Campinas e, em seguida, se lançou no ramo de imóveis, que se tornaria sua principal atividade.

Vereador aos 25 anos pelo Partido Libertador (PL), cargo então não remunerado, mergulhou de vez na política. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica, foi eleito deputado estadual já pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que ajudou a fundar em Campinas. Fez dobradinha com Ulysses Guimarães e obteve 14.800 votos. Em 1968, foi eleito prefeito de Campinas (43.500 votos). Investiu na construção de casas populares, asfaltamento de ruas em bairros e obras sociais.

Foi nessa época que sua família, para a qual havia transferido a administração dos negócios, comprou a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Pedregulho, para cultivo de café e criação de bois nelore. Nos últimos anos, apostou na qualidade dos de cafés especiais, apesar da descrença geral de amigos. Plantou seis milhões de pés de café especial no norte do Estado e lançou um plano para instalação de 11cafeterias - as lojas Otavio's , nome dado em homenagem ao pai - começando por São Paulo e Nova York. No ramo das comunicações, Quércia foi dono de emissoras coligadas do SBT em Campinas e em Santos. Foi sócio de emissoras de rádio e proprietário de jornais em Campinas e na capital.

Suspeitas e indícios de corrupção administrativa, tanto na Prefeitura de Campinas como no governo de São Paulo, atribularam sua carreira ao longo dos anos. Foi acusado de desviar mourões do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para construir cercas em sua fazenda de Pedregulho, de importar sem licitação equipamentos eletrônicos de Israel para a polícia, de superfaturar obras do metrô e de ter cometido irregularidades na privatização da Vasp.

Quércia abriu estradas, investiu no saneamento básico, inaugurou linhas de metrô, mas endividou o Estado e saiu do governo sob acusação de ter quebrado o Banespa (Banco do Estado de São Paulo). Seu nome virou sinônimo de corrupção, mas ele não se abalou. "Foi perseguição política, como ficou provado na Justiça", defendeu-se. Seus bens chegaram a ser bloqueados, mas ele conseguiu se livrar. Era presidente do PMDB em 1991, quando o então governador do Paraná, Roberto Requião, seu companheiro de partido, lançou o serviço telefônico Disque Quércia (depois Disque Corrupção), para receber denúncias contra ele.

Quércia teria um patrimônio estimado em mais de US$ 50 milhões. Ao se candidatar a senador em 2010, ele declarou à Justiça Eleitoral que seus bens somavam R$ 117 milhões. Apesar de sua riqueza, Orestes Quércia sempre teve um estilo simples de vida. Homem caseiro, gostava de passar os fins de semana com a família - a mulher Alaíde, médica, e quatro filhos. Fiel aos amigos e assessores, aos quais ajudava em casos de doença e de aperto financeiro, tentava reaproximar-se dos adversários, esquecendo divergências do passado. "O Requião hoje é meu amigo", disse ele em 1994, depois de explicar como um equívoco a campanha "Disque Corrupção", que o então governador do Paraná fez contra ele.

iG Brasília

Presidente disse em nota que ex-governador sempre foi da ala dos que "que pensam o país para além de seu tempo"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou  nota sobre a morte do ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia. Na mensagem, Lula diz que, apesar de nem sempre ter estado do mesmo lado que Quércia na política, o ex-governador "sempre foi da ala dos desenvolvimentistas", e sua eleição ao Senado em 1974 foi "um marco na luta pelo restabelecimento da democracia".

Leia abaixo a íntegra da nota do presidente.

Mensagem de pesar do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo falecimento do ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia

Recebo a notícia da morte do ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, com pesar. Nem sempre estivemos do mesmo lado na política, mas Quércia sempre foi da ala dos desenvolvimentistas, que pensam o país para além de seu tempo. Sua eleição para o Senado em 1974 foi um marco na luta pelo restabelecimento da democracia. Nesse momento triste, presto minha solidariedade a sua família, seus amigos e correligionários.

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil

Agência Estado e iG São Paulo

Segundo Josué Gomes da Silva, o vice-presidente está consciente e conversa com os familiares

O vice-presidente da República, José Alencar, internado desde a última quarta-feira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, passou a noite bem, segundo informações de seu filho Josué Gomes da Silva. "Está tudo bem", disse o empresário e presidente da Coteminas, em rápida conversa com a Agência Estado.

Alencar foi internado na manhã de quarta-feira com hemorragia abdominal e foi submetido a uma cirurgia de emergência. De acordo com o último boletim médico, divulgado ontem, por volta das 12 horas, o vice-presidente tinha apresentado uma melhora em seu estado geral "com redução importante do sangramento". Segundo o filho, Alencar está consciente e conversa com os familiares. Ontem, recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente eleita, Dilma Rousseff.

O médico Raul Cutait, um dos coordenadores da equipe médica que acompanha o vice-presidente, afirmou que Alencar está bem e que se alimenta sem sonda. Para Cutait, a participação de Alencar na posse de Dilma, em 1º de janeiro, só depende da evolução de seu quadro clínico nos próximos dias.

Questionado se o vice poderá beber e comer a ceia de Natal, Cuitait respondeu que o vice terá de se alimentar de acordo com a dieta de pós-operatório. "Ele vai querer beber da cachaça que ele faz. Mas isso é outra história."

Alencar, que tem 79 anos, luta contra um câncer na região do abdome há mais de 13 anos. Na quarta-feira, passou pela 17.ª cirurgia. Seu quadro de saúde tem se agravado nos últimos meses. Ele ficou internado por 24 dias, entre outubro e novembro.

iG São Paulo e iG Brasília

Personalidades do cenário político nacional dão depoimento sobre a morte do ex-governador de São Paulo

Figura de relevância no cenário paulista e nacional, o ex-governador de São Paulo falecido hoje Orestes Quércia teve longa trajetória política. Desde o início como líder estudantil, foi vereador e prefeito em Campinas, deputado estadual pelo Estado e senador até ocupar a chefia do executivo paulista. Envolvido em uma série de denúncias de sonegação e enriquecimento ilícito, Quércia nunca chegou a ser condenado.

Participante ativo do movimento pela redemocratização do País, Diretas Já, Quércia militou ao lado de grandes nomes como o ex-governador de São Paulo Mário Covas, o ex-presidente Tancredo Neves e de Ulysses Guimarães. Companheiros de trabalho deste e de outras épocas e políticos de renome federal e estadual comentam a morte do ex-governador.

"Nem sempre estivemos do mesmo lado na política, mas Quércia sempre foi da ala dos desenvolvimentistas, que pensam o País para além de seu tempo. Sua eleição para o Senado em 1974 foi um marco na luta pelo restabelecimento da democracia. Nesse momento triste, presto minha solidariedade a sua família, seus amigos e correligionários."
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT)

"É com pesar que recebo a notícia da morte de Orestes Quércia. São Paulo e o Brasil vão se lembrar dele como um expoente da resistência democrática, um governador de muitas realizações e um defensor do desenvolvimento do país. Em todas as circunstâncias, foi um lutador."
(Presidenta eleita Dilma Rousseff, PT)

?Quércia foi uma pessoa muito importante na história política do país e teve papel importante na redemocratização do Estado na época do bipartidarismo. É um momento em que eu tenho que prestar carinho à família e temos que pedir orações a eles. Estive com ele dois dias atrás e ele já não reconhecia as pessoas, estava bem debilitado.?
(Governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, PSDB)

"Orestes Quércia teve atuação marcante na política nacional. Como vereador, prefeito, deputado estadual, senador, governador e dirigente partidário, carregou as bandeiras do municipalismo e do desenvolvimento. Desejo paz para sua família neste momento difícil."
(Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, DEM)

?Orestes Quercia deixa seu nome gravado na história do movimento pela democracia que uniu os brasileiros a partir da memorável campanha eleitoral de 1974. Senador combativo, vice no governo transformador de Franco Montoro, eleito governador no pleito que levou Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso ao Senado, manteve-se sempre fiel aos seus princípios e coerente na ação em defesa dos municípios e do povo paulista.?
(Deputado Vaz de Lima, PSDB-SP, Líder do Governo na Assembleia Legislativa de São Paulo e deputado federal eleito)

?Para São Paulo, ele foi simplesmente um dos grandes governadores do Estado. Foi um excelente administrador, um construtor de estradas. No PMDB, ele não conquistou o lugar que teve à toa. Entre 82 e 86, quando vice-governador na administração Montoro, ele foi o grande responsável pela montagem do partido no Estado. Percorreu praticamente todos os municípios. Fez do PMDB de São Paulo um grande diretório, decisivo nas questões nacinais do partido.?
(Presidente nacional do PMDB e vice-presidente eleito da República, Michel Temer, SP)

?Quércia foi um grande amigo e é um momento muito difícil para todos nós. Vou guardar na lembrança todos os momentos bons que estive com ele. Não tenho absolutamente nada de ruim para falar dele. Era uma pessoa muito especial que perdemos.?
(Alda Marco Antonio, PMDB, vice-prefeita de São Paulo)

"Independentemente de divergências e críticas, São Paulo perde uma grande figura política, que deu enorme contribuição para a redemocratização do país e para a consolidação do velho MDB (atual PMDB), controlado por ele durante todo esse período aqui em São Paulo. O maior embate dele com o Lula foi apoiar José Serra a presidente, mas, ainda assim, o Quércia em nenhum momento participou das ações truculentas que houve na campanha.?
(Cândido Vaccarezza, PT-SP, deputado e líder do governo na Câmara)

?Ele teve a coragem de se manter dissidente no PMDB por convicção e ideologia. Sempre tivemos articulação próxima. Na época da ditadura, ele combateu com ousadia e lealdade aos companheiros em relação aos compromissos que assumia. Pode ter certeza que, se tivesse tido saúde, teria grande protagonismo na política paulista e nacional nos próximos anos.?
(João Almeida, BA, deputado que integrou o antigo MDB ao lado de Quércia e atual líder do PSDB na Câmara)

"Lamento muito a morte do ex-governador Orestes Quercia e desejo expressar aqui minha solidariedade a sua esposa Alaíde e seus três filhos, que o acompanharam de forma tão carinhosa nestes meses de sofrimento. Quércia foi um militante de peso na redemocratização do Brasil, um governador de muitas realizações e, na última grande batalha que participou conosco, um aliado correto e empenhado na luta pela vitória, em São Paulo e no Brasil".
(José Serra, PSDB, ex-governador de São Paulo)


 

iG São Paulo

Um dos nomes mais influentes da política paulista e nacional, ex-governador de São Paulo tinha câncer na próstata

Foto: AE

Morreu na manhã desta sexta-feira, aos 72 anos, o ex-governador Orestes Quércia, vítima de câncer na próstata, de acordo com o hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Ele havia tratado da doença há 10 anos, mas o tumor reincidiu, o que o levou a desistir da candidatura ao Senado. 

O velório é realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo e o enterro está marcado para este sábado, às 9h, no Cemitério do Morumbi.

A morte do ex-governador de São Paulo ocorreu por causa de uma falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer. A doença teve início no intestino. De acordo com o médico Raul Cutait, Quércia respondeu bem ao tratamento com quimioterapia, mas depois de alguns meses o câncer voltou. "Esse câncer foi de manifestação rara e agressiva. Não havia mais nada a fazer", afirmou.

Por meio de uma nota de pesar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Quércia. "Nem sempre estivemos do mesmo lado na política, mas Quércia sempre foi da ala dos desenvolvimentistas, que pensam o País para além de seu tempo. Sua eleição para o Senado em 1974 foi um marco na luta pelo restabelecimento da democracia. Nesse momento triste, presto minha solidariedade a sua família, seus amigos e correligionários"

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi nesta manhã ao Sírio-Libanês prestar solidariedade à família do ex-governador do Estado. ?Quércia foi uma pessoa muito importante na história política do País e teve papel importante na redemocratização do Estado na época do bipartidarismo. É um momento em que eu tenho de prestar carinho à família e temos de pedir orações a eles.? Alckmin comentou ainda a última vez em que visitou Quércia. ?Estive com ele dois dias atrás e ele já não reconhecia as pessoas, estava bem debilitado.?

Alda Marco Antonio (PMDB), vice-prefeita de São Paulo, também esteve no hospital pela manhã. "Quércia foi um grande amigo e é um momento muito difícil para todos nós. Vou guardar na lembrança todos os momentos bons que estive com ele. Não tenho absolutamente nada de ruim para falar dele. Era uma pessoa muito especial que perdemos."

Carreira política

Presidente estadual do PMDB, Quércia deixa a mulher, Alaíde, e quatro filhos, além de R$ 117 milhões em patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral, muitas suspeitas de corrupção e nenhuma condenação em última instância na Justiça.

Natural de Pedregulho, pequeno município no interior paulista, Quércia foi para Campinas estudar jornalismo, direito e administração de empresas. Na cidade, iniciou sua carreia política como líder estudantil e vereador pelo então Partido Libertador. Com 28 anos, já no MDB, foi eleito deputado estadual e, dois anos depois, prefeito de Campinas. Neste período, surgiram as primeiras denúncias de corrupção, nunca comprovadas.

Elegeu-se senador em 1974, ano em que o MDB teve uma vitória expressiva ? a legenda elegeu 16 senadores e aumentou a bancada na Câmara de 87 para 160 deputados. Era o primeiro sinal de descontentamento da população com a ditadura. Em Brasília, Quércia teve uma postura crítica ao governo de Ernesto Geisel. Em depoimento dado à Justiça em 1994, Geisel disse ter informações de que Quércia negociou com o governo militar para não ser cassado sob a acusação de sonegação e enriquecimento ilícito. Ele negou o fato ao jornal Folha de S.Paulo em 2002.

Na década de 80, com o retorno do pluripartidarismo, ajudou a fundar o PMDB e, pelo partido, foi eleito vice-governador de São Paulo na chapa de Franco Montoro. Apoiou as Diretas Já e a condução de Tancredo Neves à Presidência no processo de redemocratização. Em 1986, sucedeu Montoro impulsionado pelo movimento apelidado de ?quercismo?, onda de apoio por parte de eleitores fiéis a Quércia, principalmente no interior de São Paulo.

À frente do governo paulista, enfrentou uma série de acusações de enriquecimento ilícito, estelionato e importação superfaturada de equipamentos de Israel para universidades, fraude em licitação e contratação sem concurso público pelo extinto Banespa e pela Cetesb. Foi responsabilizado, ainda, pela quebra financeira do Estado por diversos setores da sociedade. Quércia, cujo mandato terminou em 1991, nunca foi condenado em última instância em nenhum processo.

As frequentes denúncias de corrupção que recaíam sobre Quércia motivaram a ruptura com lideranças do partido. Foi assim que Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, entre outros, fundaram em 1988 o PSDB, legenda que anos mais tarde voltaria a ser apoiada por Quércia. A exceção foi Ulysses Guimarães, que permaneceu fiel ao PMDB até sua morte, em 1992. A disputa interna na legenda, então, passou a ser contra Michel Temer, presidente nacional da sigla e vice-presidente eleito na chapa de Dilma Rousseff.

Depois de deixar o governo de São Paulo, Quércia tentou, mas nunca mais conseguiu se eleger a um cargo público. Mesmo assim, viu seu patrimônio crescer 562% entre 1998 e 2002 com suas empresas no ramo imobiliário (shoppings e fazendas) e das comunicações (rádios, jornal e emissoras de TV. Na declaração de bens publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2010, o então candidato ao Senado disse possuir R$ 117.479.196,24.

Em 2002, o então pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva ganhou o apoio de Quércia e, com isso, do PMDB paulista, ao dizer que desconhecia qualquer condenação por corrupção do ex-governador. Depois de muitas brigas ? perdidas ? por mais espaço no governo, Quércia rompeu com o presidente Lula e passou a chefiar a ala oposicionista do PMDB em São Paulo.

Em um acordo com o PSDB nas eleições de 2008, Quércia apoiou o candidato de José Serra à prefeitura de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. Com isso, pôde se candidatar ao Senado na chapa tucana nas últimas eleições, em outubro. Seus planos, porém, foram interrompidos e ele retirou sua candidatura para se dedicar ao tratamento contra o câncer.

AE

Ele é suspeito de participar do assassinato do ex-prefeito da cidade paulista; ex-secretário municipal também foi preso

A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quinta-feira (23) mais um suspeito pela morte do ex-prefeito de Jandira, Braz Paschoalin. O detido é ex-policial e seu nome não foi divulgado.

Até agora, sete suspeitos de envolvimento com a morte de Paschoalin já foram detidos.

O secretário da Segurança Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto, se reuniu na tarde desta quinta-feira (23) com a prefeita da cidade, Anabel Sabatine, na sede do município, e anunciou que o policiamento em Jandira será reforçado nos próximos dias. Ferreira Pinto declarou estar otimista com a atuação da polícia e espera que seja possível esclarecer não só este, como outros crimes políticos ocorridos na cidade.

iG São Paulo

Em tom emocional, presidente disse em seu último discurso que governou bem porque "conseguimos nos livrar da maldição elitista"

Em seu último e mais longo discurso como presidente, veiculado na TV na noite desta quinta-feira (23), Luiz Inácio Lula da Silva, pediu aos brasileiros que não perguntem sobre seu futuro, usem sua trajetória como exemplo e ainda solicitou apoio a sua sucessora, Dilma Rousseff.

?Não me perguntem sobre o meu futuro, porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil. E acreditem nele. Porque temos motivos de sobra para isso?, disse Lula.

Apenas Dilma foi citada nominalmente pelo presidente, ao dizer que a presidenta eleita tem "competência" para governar o Brasil e é a pessoa "que mais do que ninguém conhece o que foi feito no Brasil".

"É profundamente simbólico que a faixa presidencial passe das mãos do primeiro operário presidente para as mãos da primeira mulher presidenta. Será um marco no belo caminho que o nosso povo vem construindo para fazer do Brasil, se Deus quiser, um dos países mais igualitários do mundo", discursou.

Lula afirmou que sua trajetória de vida - um operário pobre, com pouco estudo, que chegou à Presidência da República - serve para que todos possam alimentar seus sonhos e se superar.

"Meu sonho e minha esperança vêm das profundezas da alma popular, do berço pobre que tive e da certeza que, com luta, coragem e trabalho a gente supera qualquer dificuldade. Quando uma pessoa do povo consegue vencer as dificuldades gigantescas que a vida lhe impõe, nada mais consegue aniquilar o seu sonho nem sua capacidade de superar desafios", disse. 

O presidente apresentou tabelas e estatísticas para falar dos avanços do governo, listou obras como a transposição do Rio São Francisco, as futuras hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas no leito do Rio Madeira, e voltou a dizer que o Brasil conquistou seu "passaporte para o futuro" com a descoberta do pré-sal.

Para Lula, o governo obteve sucesso porque "conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande país governassem apenas para um terço da população e se esquecessem da maioria do seu povo, que parecia condenada à miséria e ao abandono eternos".

Lula finaliza o pronunciamento dizendo que "saio do governo para viver a vida das ruas".

O pronunciamento foi gravado na segunda-feira, pouco antes de ele se reunir com a comissão executiva do PT. A fala foi escrita pelo publicitário João Santana, responsável pela campanha de Dilma. Lula se emocionou e chegou a chorar durante as gravações, que tiveram que ser interrompidas por algum momento.

Veja a íntegra do discurso:

"Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Dentro de poucos dias deixo a Presidência da República. Foram oito anos de luta, desafios e muitas conquistas, mas, acima de tudo, de amor e de esperança no Brasil e no povo brasileiro. Com muita alegria, vou transmitir o cargo à companheira Dilma Rousseff, consagrada nas urnas em uma eleição livre, transparente e democrática, um rito rotineiro neste país que já se firmou como uma das maiores democracias do mundo.

É profundamente simbólico que a faixa presidencial passe das mãos do primeiro operário presidente para as mãos da primeira mulher presidenta. Será um marco no belo caminho que o nosso povo vem construindo para fazer do Brasil, se Deus quiser, um dos países mais igualitários do mundo. País que já realizou parte dos sonhos dos seus filhos, mas que pode e fará muito mais para que este sonho tenha a grandeza que o brasileiro quer e merece.

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje cada brasileiro e brasileira acredita mais no seu país e em si mesmo. Trata-se de uma conquista coletiva de todos nós. Se algum mérito tive, foi o de haver semeado sonho e esperança. Meu sonho e minha esperança vêm das profundezas da alma popular, do berço pobre que tive e da certeza que, com luta, coragem e trabalho a gente supera qualquer dificuldade. Quando uma pessoa do povo consegue vencer as dificuldades gigantescas que a vida lhe impõe, nada mais consegue aniquilar o seu sonho nem sua capacidade de superar desafios. E quando um país como o Brasil, cuja maior força está na alma e na energia popular, passa a acreditar em si mesmo, nada, absolutamente nada detém sua marcha inexorável para a vitória.

Foi com essa energia no peito que nós, brasileiros e brasileiras, afugentamos a onda de fracasso que pairava sobre o país quando assumimos o governo. Agora estamos provando ao mundo e a nós mesmos que o Brasil tem um encontro marcado com o sucesso.

Se governei bem foi porque, antes de me sentir presidente, me senti sempre um brasileiro comum que tinha que superar suas dores, vencer os preconceitos e não fracassar. Se governei bem foi porque, antes de me sentir um chefe de Estado, me senti sempre um chefe de família, que sabia das dificuldades dos seus irmãos para colocar comida na mesa, para dar escola para seus filhos, para chegar em casa todas as noites a salvo dos perigos e da violência. Se governamos bem foi, principalmente, porque conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande país governassem apenas para um terço da população e se esquecessem da maioria do seu povo, que parecia condenada à miséria e ao abandono eternos.

Mostramos que é possível e necessário governar para todos, e quando isso se realiza, o grande ganhador é o país.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil venceu o desafio de crescer econômica e socialmente, e provou que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Construímos, juntos, um projeto de nação baseado no desenvolvimento com inclusão social, na democracia com liberdade plena e na inserção soberana do Brasil no mundo. Fortalecemos a economia sem enfraquecer o social, ampliamos a participação popular sem ferir as instituições, diminuímos a desigualdade sem gerar conflitos de classes, e imprimimos uma nova dinâmica política, econômica e social ao país sem comprometer uma sequer das liberdades democráticas.

Ao receber ajuda e apoio, o nosso povo deu uma resposta dinâmica e produtiva, trabalhando com entusiasmo e consumindo com responsabilidade, ajudando a formar uma das economias mais sólidas e um dos mercados internos mais vigorosos do mundo. Em suma: governo e sociedade trabalharam sempre juntos com união, equilíbrio, participação e espírito democrático.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil demonstra, hoje, sua pujança em obras e projetos que estão entre os maiores do mundo e vão mudar o curso da nossa história. Me refiro às obras das hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte; às refinarias de Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão e Ceará; às estradas que vão abrir rotas inéditas e estratégicas, como as ligações com o Pacífico e o Caribe; e às ferrovias Norte-Sul, Transnordestina e Oeste-Leste; além do projeto em licitação do trem de alta velocidade, que vai ligar São Paulo e Rio.

Também estamos fazendo os maiores investimentos mundiais no setor de petróleo, principalmente a partir da descoberta do pré-sal, que é o nosso passaporte para o futuro. Ele vai gerar milhões de empregos e uma riqueza que será, obrigatoriamente, aplicada no combate à pobreza, na saúde, na educação, na cultura, na ciência e tecnologia, e na defesa do meio ambiente. Estamos, ainda, realizando um dos maiores projetos de combate à seca do mundo: a transposição das águas do São Francisco, que irá matar a sede e diminuir a pobreza de milhões e milhões de nordestinos.

Ao mesmo tempo em que realiza grande obras, o Brasil, acima de tudo, cuida das pessoas, em especial das pessoas mais pobres. Temos, hoje, os maiores e mais modernos programas de transferência de renda, segurança alimentar e assistência social do mundo. Entre eles, o Bolsa Família, que beneficia quase 13 milhões de famílias pobres e é aplaudido e imitado mundo afora.

Nosso modelo de governo também permitiu que o salário-mínimo tivesse ganho real de 67% e a oferta de crédito alcançasse 48% do PIB em 2010, um recorde histórico. O investimento em agricultura familiar cresceu oito vezes e assentamos 600 mil famílias, metade de todos os assentamentos realizados no Brasil até hoje.

Com o Luz para Todos, levamos energia elétrica a 2 milhões e 600 mil pequenas propriedades, e, através do Minha Casa Minha Vida, estamos construindo 1 milhão de moradias, e as famílias que recebem até 3 salários-mínimos serão as mais beneficiadas. Na área da saúde, tivemos vários avanços como o Samu, o Brasil Sorridente e as Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, que estão sendo construídas Brasil afora. Triplicamos o investimento em educação, elevando a qualidade de ensino em todos os níveis. Inauguramos 214 escolas técnicas federais, mais do que foi feito em cem anos, e implantamos 14 novas universidades e 126 novas extensões universitárias em todas as regiões do país. O ProUni beneficiou 750 mil jovens de baixa renda com bolsas universitárias.

Meus amigos e minhas amigas,

Há muitos outros motivos que reforçam nossa confiança no futuro do Brasil. Temos quase US$ 300 bilhões de reservas internacionais próprias, dez vezes mais do que tínhamos no início do nosso governo. Nossa taxa média anual de crescimento dobrou. Agora, em 2010, por exemplo, vamos ter um crescimento recorde de quase oito por cento, um dos maiores do mundo. E outras quatro grandes conquistas provam, com força simbólica e concreta, que nosso país mudou de patamar e também mudou de atitude. Geramos 15 milhões de empregos, um recorde histórico, e hoje começamos a viver um ciclo de pleno emprego. Promovemos a maior ascensão social de todos os tempos, retirando 28 milhões de pessoas da linha da pobreza e fazendo com que 36 milhões entrassem na classe média. Zeramos nossa dívida com o Fundo Monetário Internacional, e agora é o Brasil que empresta dinheiro ao FMI. Ao mesmo tempo, reduzimos, como nunca, o desmatamento na Amazônia.

A minha maior felicidade é saber que vamos ampliar todas essas conquistas. Minha fé se alicerça em três fundamentos: as riquezas do Brasil, a força do seu povo e a competência da presidenta Dilma. Ela conhece, como ninguém, o que foi feito e como fazer mais e melhor. Tenho certeza de que Dilma será uma presidenta à altura deste novo Brasil, que respeita seu povo e é respeitado pelo mundo. Este país que, depois de produzir seguidos espetáculos de crescimento e inclusão, vai sediar os dois maiores eventos do Planeta: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Este país, que reduziu a desigualdade entre as pessoas e entre as regiões, e vai seguir reduzindo-a muito mais. Este país, que descobriu que não há maior conquista do que recuperar a autoestima do seu povo.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Quero encerrar com um pedido enfático e um agradecimento profundo. Peço a todos que apoiem a nova presidenta, assim como me apoiaram em todos os momentos. Isso também significa cobrar, na hora certa, como vocês souberam me cobrar. A cobrança foi um estímulo para que a gente quisesse fazer sempre mais, e o amor de vocês foi a minha grande energia e o meu principal elemento.

Agradeço a vocês por terem me ensinado muitas lições e por terem me fortalecido nas horas difíceis, e ampliado a minha alegria nas horas alegres. Saio do governo para viver a vida das ruas. Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar o meu destino e jamais fugir à luta.
Não me perguntem sobre o meu futuro porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil e acreditem nele porque temos motivo de sobra para isso. Minha felicidade estará sempre ligada à felicidade do meu povo. Onde houver um brasileiro sofrendo, quero estar espiritualmente ao seu lado; onde houver uma mãe ou um pai com desesperança, quero que minha lembrança lhes traga um pouco de conforto; onde houver um jovem que queira sonhar grande, peço-lhe que olhe a minha história e veja que na vida nada é impossível. Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias. Mais que nunca, sou um homem de uma só causa e essa causa chama-se Brasil. Um feliz Natal e um próspero Ano Novo, e muito obrigado por tudo."


 

AE

Alckmin havia sido internado na noite desta quarta-feira em razão, segundo o médico David Uip, de uma crise de soluço

O governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu alta e deixou o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por volta das 18h30 desta quinta-feira (23), informou a assessoria de imprensa do hospital. Alckmin havia sido internado ontem à noite em razão, segundo o médico David Uip, de uma crise de soluço.

O governador foi submetido a exames clínicos - endoscopia e colonoscopia - e o diagnóstico indicou "esofagite e gastrite leves e sinais de refluxo gastroesofagiano". Alckmin deixou o Sírio-Libanês de carro e não falou com jornalistas.

O vice-governador eleito, Guilherme Afif Domingos (DEM), também não chegou a se encontrar com Alckmin. Afif foi ao hospital para um check-up de rotina e esperava conversar com o governador eleito, mas quando chegou Alckmin já havia recebido alta.


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