EFE Foto: Getty Images Los Angeles - A ex-mulher do ator australiano Heath Ledger, Michelle Williams, falou pela primeira vez sobre a morte do ex-marido, ocorrida há quase três anos, e afirmou que ainda é difícil assimilar a ideia de que o pai de sua filha já não está com elas. Em uma entrevista ao programa "Nightline", do canal de televisão americano "ABC", cujo conteúdo foi antecipado à imprensa local nesta quinta-feira, Michelle se mostrou "compreensiva" com a curiosidade das pessoas sobre o ocorrido e revelou que ainda não entendeu o que aconteceu em relação à morte de Ledger. "Entendo as circunstâncias, mas o fato em si para mim não tem compreensão. Não entendo nem posso entender", disse a atriz, de 30 anos, que começou a se relacionar com o australiano durante a rodagem do filme "O Segredo de Brokeback Mountain", trabalho pelo qual foi indicada ao Oscar, assim como seu ex-marido, com quem teve a filha Matilda, atualmente com cinco anos. Michelle disse que espera não esquecer nunca as lembranças que tem das gravações. "De maneira estranha, sinto saudades daquele ano, porque todas aquelas possibilidades que existiam desapareceram", afirmou a atriz, que revelou que durante os meses posteriores à morte de Ledger, acreditava na possibilidade de o ator aparecer repentinamente. "Não me parecia improvável que aparecesse pela porta ou atrás de uma árvore. Foi um ano de pensamentos mágicos, e em certa forma me entristece pensar que me afasto cada vez mais e mais disso. Fiquei obcecada com isso por um tempo. Muitas coisas morreram", declarou a atriz. Ledger morreu aos 28 anos, em 22 de janeiro de 2008, em Nova York, por uma overdose acidental de remédios. O casal havia posto fim à relação em setembro de 2007.
24/12/2010 01:14 AM
Reuters Foto: Divulgação Depois da festa visual de "Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar", de Hayao Myazaki, chega aos cinemas brasileiros um outro longa de animação japonês, "O Mundo Encantado de Gigi". Dirigido por Rintaro ("Metropolis"), o filme abusa do colorido e da criatividade, com uma história maluca, mas, por isso mesmo, tocante e engraçada. A animação circula apenas em cópias dubladas. Combinando elementos orientais e ocidentais, "O Mundo Encantado de Gigi" conta uma história sobre superação e o poder da imaginação, tendo ao centro a personagem-título, uma menina órfã de pai que sonha em ser uma pinguim - e não bastasse isso, também quer voar. Ela não se importa em brincar sozinha - as crianças do bairro sempre a perseguem porque ela veste uma fantasia de pinguim. Seu pai era especialista nesse tipo de ave e contava histórias fantasiosas para a menina - numa delas, jurava ter voado com um bando de pinguins, e isso despertou a imaginação da menina. Uma série de acontecimentos mágicos, no entanto, tiram-na de sua rotina. Primeiro, um boneco estranho ganha vida e a leva para algo que ele chama de "loja de pingüins" - onde há milhões de brinquedos, guloseimas e móveis no formato da ave. O novo amigo ganha vida e um nome, Charles. Uma mistura de gato com boneco, ele é na verdade um goblim, e leva Gigi para sua aldeia. Lá, ela descobre que estão sendo perseguidos por um ser maligno, Boukkha-Boo, que sempre manda uma criatura gorducha em seu lugar para destruir a cidade dos goblins, enquanto ele se fortalece. Gigi pode ser a salvação deles. Eles acreditam que ela seja uma ave que não sabe voar e a decepção é enorme quando descobrem que ela é uma garota. Ainda assim, ela se esforça para ajudar seus únicos amigos de verdade. "O Mundo Encantado de Gigi" é um desenho voltado especialmente para o público infantil - que deverá se identificar com a protagonista. Mas seu visual colorido e a sagacidade da história - ao mesmo tempo acessível e complexa - garante uma hora e meia de entretenimento também para adultos, que podem vê-lo como uma espécie de "Alice no País das Maravilhas" japonês. 
23/12/2010 07:02 PM
iG São Paulo Foto: Divulgação Seja pela aposta de uma bilheteria arrasadora ou pela expectativa em tornar-se um clássico moderno, a agenda de estreias de 2011 promete agradar a todos os gostos com uma série de refilmagens, adaptações, sequências e produções originais. Conheça 15 filmes badalados que devem cravar suas marcas nas salas de exibição do país e fazer do próximo ano um período especial para o cinema. "Bravura Indômita" (21 de janeiro) Refilmagem do clássico homônimo estrelado por John Wayne em 1969, o novo trabalho dos irmãos Ethan e Joel Coen, vencedores do Oscar por "Onde Os Fracos Não Têm Vez", vem sendo tratado como um retorno às raízes do western. Seu roteiro conta a história de um velho xerife (Jeff Bridges) que auxilia uma órfã (Hailee Steinfeld) a capturar o assassino de seu pai (Josh Brolin). Saiba mais sobre "Bravura Indômita" no CinemaKi. "Um Lugar Qualquer" (28 de janeiro) Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2010, "Um Lugar Qualquer" é o quarto filme dirigido pela cineasta Sofia Coppola, que tem no currículo os elogiados "Encontros e Desencontros" e "Maria Antonieta". Na trama um ator encrenqueiro (Stephen Dorff) que vive no hotel Chateau Marmont, em Hollywood, é forçado a rever suas escolhas ao receber a visita da filha de onze anos (Elle Fanning). Saiba mais sobre "Um Lugar Qualquer" no CinemaKi. "Cisne Negro" (4 de fevereiro) Novo filme do diretor de "O Lutador", Darren Aronofsky, "Cisne Negro" acompanha a conturbada relação de uma dançarina de balé veterana (Natalie Portman) e sua possível rival (Mila Kunis) durante o período que antecede a estreia de um espetáculo. Com clima pesado e atuações elogiadíssimas, o longa-metragem deve estar na lista do Oscar de 2011. Saiba mais sobre "Cisne Negro" no CinemaKi. "O Discurso do Rei" (4 de fevereiro) Baseado na história real do monarca inglês Jorge VI (Colin Firth), "O Discurso do Rei" aborda o momento decisivo na vida do governante, que durante a Segunda Guerra Mundial precisa vencer a gagueira nervosa e levar o país à vitória. Forte concorrente ao Oscar, o filme ainda conta com Helena Bonham Carter no papel da esposa do rei e Geoffrey Rush como seu mentor. Saiba mais sobre "O Discurso do Rei" no CinemaKi. "Sucker Punch ? Mundo Surreal" (25 de março) Zack Snyder, diretor das adaptações dos quadrinhos "300" e "Watchmen", resolveu apostar em um roteiro original de sua autoria e produziu "Sucker Punch ? Mundo Surreal", história da garota (Emily Browning) que é internada em uma instituição mental por seu padrasto e acaba refugiando-se em sua imaginação, um mundo que mistura dragões, militares, samurais e diversas referências do universo nerd. Saiba mais sobre "Sucker Punch - Mundo Surreal" no CinemaKi. "Rio" (8 de abril) Depois de emplacar os últimos sucessos da saga "A Era do Gelo", o diretor brasileiro Carlos Saldanha se prepara para lançar "Rio", animação que mostra a aventura um pássaro caseiro norte-americano que é levado ao Rio de Janeiro para acasalar com a última fêmea de sua espécie - e acaba sequestrado por criminosos. Saiba mais sobre "Rio" no CinemaKi. "Thor" (29 de abril) Depois do sucesso de "Homem de Ferro", a Marvel resolveu produzir filmes dos heróis que integram uma de suas principais equipes, os Vingadores. "Thor", que conta a história de como o Deus do Trovão (Chris Hemsworth) foi banido por seu pai e exilado na Terra, promete fazer tanto barulho como as aventuras do playboy Tony Stark (Robert Downey Jr). Saiba mais sobre "Thor" no CinemaKi. "Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas" (20 de maio) Apesar de ser o quarto filme da franquia "Piratas do Caribe", "Navegando em Águas Misteriosas" inaugura uma nova etapa na vida do capitão pirata Jack Sparrow (Johnny Depp), sendo a primeira parte de uma trilogia que deve fazer tanto sucesso quanto a original. Dessa vez Jack promove uma busca pela mítica fonte da juventude acompanhado de uma misteriosa mulher (Penélope Cruz) e do temido Barba Negra (Ian McShane). Saiba mais sobre "Piratas do caribe 4" no CinemaKi. "Se Beber, Não Case! 2" (27 de maio) A comédia ""Se Beber, Não Case!" fez tanto sucesso em 2009 que seus produtores encomendaram uma segunda aventura para os amigos Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms), Doug (Justin Bartha) e Alan (Zach Galifianakis). Dessa vez, ao invés de passar por uma despedida de solteiro em Las Vegas, o quarteto protagoniza um inocente café da manhã na Tailândia - em que obviamente as coisas não acontecem como esperado. Saiba mais sobre "Se Beber, Não Case! 2" no CinemaKi. "Lanterna Verde" (17 de junho) Grande aposta da DC Comics para 2011, a versão cinematográfica de "Lanterna Verde" apresentará ao grande público a história de como o piloto de testes Hal Jordan (Ryan Reynolds) foi escolhido pelo anel para tornar-se um guardião do universo. A Tropa dos Lanternas Verdes, assim como outros personagens dos quadrinhos, serão introduzidos nessa primeira aventura. Saiba mais sobre "Lanterna Verde" no CinemaKi. "Carros 2" (24 de junho) Após comprovar o talento para sequências com a trilogia "Toy Story", a Pixar retoma a história de Relâmpago McQueen (Owen Wilson) e seu amigo Mate (Larry the Cable Guy) em "Carros 2", que deixa de ser uma animação exclusiva sobre corridas para ganhar ares de espionagem, com direito a participação de Michael Caine como o agente secreto britânico Finn McMissile. Saiba mais sobre "Carros 2" no CinemaKi. "A Árvore da Vida" (1º de julho) O espaço entre os filmes do diretor Terrence Malick, um dos mais conceituados cineastas em atividade, faz com que "A Árvore da Vida" seja considerado algo muito maior que um simples lançamento. O longa-metragem, que começa no Big Bang e avança até o futuro, é centrado na perda da inocência de Jack O'Brien (Sean Penn) nos anos 1950, com participação diretas de seu pai (Brad Pitt) e sua mãe (Jessica Chastain). Saiba mais sobre "A Árvore da Vida" no CinemaKi. "Harry Potter e as Relíquias da Morte ? Parte 2" (15 de julho) Último filme da saga do bruxo, "Harry Potter e as Relíquias da Morte ? Parte 2" tem tudo para tornar-se uma das maiores bilheterias do ano, mostrando aos fãs o tão esperado combate final entre o adolescente Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seu inimigo mortal, o vilão Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Saiba mais sobre "Harry Potter e as Relíquias da Morte ? Parte 2" no CinemaKi. "Captain America: The First Avenger" (29 de julho) Ainda sem nome oficial em português, o longa-metragem do Capitão América promete revelar ao público a origem do herói, ainda na Segunda Guerra Mundial, período em que o franzino Steve Rogers (Chris Evans) submete-se a um experimento militar e acaba tornando-se o soldado perfeito do exército norte-americano - fazendo frente ao vilão nazista Caveira Vermelha (Hugo Weaving). Saiba mais sobre "Captain America: The First Avenger" no CinemaKi. "A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1" (18 de novembro) Assim como ocorreu com "Harry Potter", o último filme de "A Saga Crepúsculo" foi dividido em duas partes, o que permite que a trama seja melhor adaptada às telas e garante mais tempo das fãs diante do triângulo amoroso formado pela humana Bella (Kristen Stewart), o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner). Saiba mais sobre "A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1" no CinemaKi.
23/12/2010 03:53 PM
Reuters Foto: Divulgação Pensou numa família perfeita? Os Jones, é claro. Gente bonita, elegante, educada, sempre vestida impecavelmente, dirigindo os melhores carros, morando numa mansão decorada com tudo do bom e melhor. Ninguém consegue ser melhor do que eles. Essa é mesmo a ideia por trás dos protagonistas da comédia dramática "Amor por Contrato", que tem como destaques do elenco Demi Moore e David Duchovny. Tudo é tão perfeito só por um motivo - os Jones não são uma família de verdade. Foram escolhidos a dedo para compor uma unidade familiar, que se instala numa vizinhança bem de vida (neste caso, um rendimento anual de pelo menos 100 mil dólares). O objetivo é um só - os Jones são vendedores profissionais, que alavancam a venda dos produtos mais caros e chiques entre os vizinhos. A boa vida deles vem daí, porque eles ganham para isso. A atual composição da falsa família é Kate (Demi Moore), que é a chefe da unidade; Steve (David Duchovny), ex-vendedor de carros recém-contratado; e os "filhos", Jenn (Amber Head) e Mick (Ben Hollingsworth). Eles são o sonho de consumo de qualquer um - não só pela aparência impecável como pela gentileza com que se tratam 24 horas por dia. Alguém devia desconfiar de alguma coisa. Mas não desconfia. A vida dos Jones é o objeto do desejo de nove entre dez de todas as pessoas que os rodeiam. Todo mundo quer ser como eles e ter o que eles têm. Ninguém vê que, entre quatro paredes, eles discutem suas metas e se evitam nos dias de folga. Muito menos que um casal aparentemente tão apaixonado quanto Kate e Steve mora em quartos separados. Com todo conforto, é claro, porque eles são os primeiros a testar os artigos que vendem. E, como prêmio de desempenho, até ganham coisas fora do alcance dos comuns mortais, como um carro esporte último tipo. Como tudo que parece perfeito não é, este modo de vida tem alguns senões. Quem faz parte da empreitada não tem direito à expressão dos próprios sentimentos. Assim, a vida amorosa fica prejudicada. Steve, por exemplo, tem uma queda por Kate - mas ela dá chance? Os dois mais jovens, Jenn e Mick, se arriscam mais, porque procuram satisfação fora de "casa" - o que traz o risco de a máscara cair. Até onde um teatro desses pode ir? Há também o problema ético - um casal de vizinhos, Larry (Gary Cole) e Summer (Glenne Headly), é o mais entusiasta da competição para ter tudo o que os Jones têm. Mas eles vivem no mundo real, em que a crise econômica bate à porta e o endividamento tem limites e consequências não raro desastrosas. Se explorasse melhor estas contradições, o filme de Derrick Borte, que tem um passado na publicidade, poderia render muito mais. Até do ponto de vista do humor. Se não vai muito longe, a culpa é particularmente do roteiro (do próprio Borte, a partir de um argumento de Randy T. Dinzler) e da direção, pouco inspirada, e que se contenta com colocar o bom elenco em pouco mais do que no piloto automático. A competitividade insana e a ilusão de uma vida familiar perfeita dentro do consumismo já renderam, aliás, retratos bem mais aguçados - como o inesquecível "Edward Mãos de Tesoura" (1990), de Tim Burton, e até o recente "Mulheres Perfeitas" (2004), de Frank Oz, para ficar em poucos exemplos. Assista abaixo ao trailer de "Amor por Contrato":
23/12/2010 03:47 PM
Reuters Foto: Divulgação Conhecido especialmente pelo premiado "Trem da Vida" (1998), o diretor e roteirista romeno Radu Mihaileanu compõe um melodrama com toques cômicos em "O Concerto" - que concorre ao Globo de Ouro na categoria filme em língua estrangeira e estreia em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Andrei Filipov (Aleksey Guskov) é um ex-maestro da orquestra Bolshoi que há 30 anos caiu em desgraça por negar-se a demitir os músicos judeus, como exigiam seus superiores no governo Leonid Brezhnev. Como punição, foi rebaixado ao posto de faxineiro, no mesmo prédio em que conduzia seus instrumentistas. Apesar dos 30 anos de privações e humilhações, nada liquidou o ânimo de Andrei, que vive à espera de uma oportunidade de redenção. Ela chega sob a forma de um convite para uma apresentação em Paris da orquestra Bolshoi, que é subtraído pelo ex-regente. Como um garoto travesso, ele entusiasma-se pela ideia de remontar, clandestinamente, seu grupo de músicos (eles também relegados a empregos como chofer de táxi ou sonoplastas de filmes pornôs) e ressuscitar, artisticamente, em grande estilo. Impossível não simpatizar com um projeto de revanche tão justo e tão louco. E com meandros tão complicados, exigindo que Andrei lidere negociações com patrocinadores nada convencionais, como mafiosos russos, e também desarme um amalucado imbróglio para obter, em escassas duas semanas, passaportes e vistos necessários de entrada para a França. Todos devidamente falsos, é claro. Mihaileanu mostra-se fiel ao seu estilo de priorizar a empatia com o público, procurando diverti-lo e comovê-lo às vezes na mesma cena. Assim, não teme o ridículo ao retratar os músicos russos como um bando barulhento e cafona, sem demonstrar a menor preocupação com o politicamente correto. Assim, será balbúrdia em cima de balbúrdia essa viagem a Paris, onde o sóbrio e sensível Andrei delineia aos poucos sua obsessão, que compreende não só comandar uma turnê com a antiga e destreinada orquestra, como insistir em ter como solista uma jovem e prestigiada violinista, Anne-Marie (Mélanie Laurent, de "Bastardos Inglórios"). Os motivos desta insistência só serão conhecidos, com todos os detalhes, na esperada sequência final. Se há uma coisa que se pode creditar a Mihaileanu é uma poderosa imaginação. Ele recheia de detalhes toda a composição da trama - por vezes rocambolesca, é verdade -, cujo roteiro ele assina, ao lado dos colaboradores Matthew Robbins e Alain-Michel Blanc, a partir do argumento original de Hector Cabello Reyes e Thierry Degrandi. Mihaileanu, certamente, não procura a perfeição e aí estão seu fraco, pois às vezes fragiliza uma sequência, e seu forte, porque não compromete sua ousadia e liberdade. Quem duvida da capacidade de extrair emoções, como humor, a partir do desastroso sotaque com que seus russos falam francês - um detalhe, aliás, bastante realista, diante do perfil dos envolvidos. Ao mesmo tempo, o cineasta não perde de vista o foco de seu clímax - o concerto -, semeando dúvidas sobre a sua realização e a participação de Anne-Marie. Também obtém a cumplicidade do público ao compor, na figura do maestro Andrei e na de seu melhor amigo, o violoncelista Sacha (Dmitry Nazarov), um centro de dignidade que permite que a história não desande pela via cômica. Nem por isso "O Concerto" deixará de ser o tipo do filme destinado a ser mais favorito do público do que dos críticos. Se o resultado for esse, nada poderá deixar o diretor mais feliz. Assista abaixo ao trailer de "O Concerto":
23/12/2010 03:30 PM
Reuters Foto: Divulgação Um ator não é capaz de salvar - nem de afundar - um filme sozinho. Nem dois atores. Por isso, não se deve jogar pedras em Brian Cox ("RED - Aposentados e Perigosos") e Paul Dano ("Sangue Negro") por serem incapazes de fugir do maneirismo, da ingenuidade e do final absurdamente tolo de "O Bom Coração", drama escrito e dirigido pelo francês Dagur Kári. No longa, que estreia em São Paulo, Cox é Jacques, dono de um bar em Nova York que sofre seu enésimo ataque do coração. No hospital, conhece o suicida sem-teto Lucas (Dano). Os dois ficam amigos, mas tão, tão, tão amigos, que duas cenas depois, ele começa a preparar o garoto para herdar o seu estabelecimento, um lugar que sobrevive da meia dúzia de fregueses fiéis, não serve estranhos, não aceita mulheres em suas dependências e importa café da América Central. Lucas é um sujeito estranho que literalmente se deixa levar pelo fluxo dos acontecimentos e é incapaz de agir e pensar por conta própria. É a ingenuidade em pessoa. Ele conhece a comissária de bordo April (Isild Le Besco), que entra no bar depois de ser mandada embora por ter medo de voar. Dias depois, os dois se casam. Os personagens que são os fregueses costumeiros do estabelecimento formam uma galeria de tipos. Mas o diretor não parece interessado em se aprofundar em seus dramas humanos e cria apenas caricaturas, como o beberrão, o solitário... Há também um pato, que terá um papel decisivo na história. Kári combina em "O Bom Coração" uma visão ingênua com cafonice, numa fotografia em cores pálidas e tons de cinza e verde. O resultado é um filme em que bons atores são desperdiçados com personagens mal resolvidos e pouco reais. O diretor busca um humanismo no interior de cada um deles, mas o que encontra é apenas a caricatura de seres humanos - assim como este é uma caricatura do que poderia ter sido um bom filme. Assista abaixo ao trailer de "O Bom Coração":
23/12/2010 02:59 PM
Reuters Foto: Divulgação Russell Crowe desperta o gladiador que mora dentro do professor John Brennan, seu protagonista no drama de suspense "72 horas", em que, mais uma vez, o premiado diretor e roteirista Paul Haggis desenvolve uma estrutura dramática em espiral - e inspirada no filme francês "Tudo por Ela" (2008). Desta vez, ao contrário de "Crash - No Limite" (o filme de Haggis que ganhou o Oscar em 2006), o foco está centrado numa única pessoa - o professor de literatura, honesto e pacato pai de família, obcecado por tirar da cadeia a mulher, Lara (Elizabeth Banks), com um plano mirabolante, de dar inveja a qualquer criminoso ousado e experiente. Crowe é um ator talentoso o bastante para dar credibilidade a este marido e pai fragilizado, que não consegue mais concentrar-se no emprego, nem no cuidado do pequeno filho único, Luke (Ty Simpkins), por conta do problema da mulher - que foi condenada pelo assassinato da chefe sem esperança de apelação, tamanhas as evidências que se acumularam contra ela. Por conta desse beco sem saída, que levará sua esposa à bem-guardada penitenciária do estado em três dias (as tais 72 horas), John corre contra o relógio para pesquisar um plano de fuga à prova de erros. Como é novato no ramo, recorre aos serviços de um especialista (Liam Neeson), um presidiário e fugitivo contumaz que até já escreveu um livro a respeito. Contando com a assessoria do especialista e algumas arriscadas incursões pelo submundo de Pittsburgh, onde mora, o professor arma um plano complexo para tirar sua mulher da prisão e fugir com ela e o filho. Nada simples, porque a logística exige documentos falsos, roupas, passaportes, passagens e a rapidez da escapada, permitindo fugir ao cerco que rapidamente se armará em divisas estaduais, fronteiras, rodoviárias e aeroportos. Haggis conta com a empatia que o protagonista deve despertar, embora esteja envolvido claramente numa empreitada, em última instância, criminosa. Um problema é que, num determinado momento, põe-se em dúvida a inocência de Lara, de uma forma mal-conduzida - o que pode suspender a simpatia, tanto por ela, quanto por John, levando a pensar se ele não deveria atentar mais ao seu papel de pai. Há inúmeros buracos no roteiro que levam à quebra de confiança que toda história de ficção precisa contar para sustentar-se, por mais que os atores visivelmente se esforcem em superar estas falhas. Também é preciso uma dose extra de fé para acreditar que John supere tão facilmente não só sua inexperiência no mundo do crime como tome as atitudes ousadas que assume - melhor deixar de fora os detalhes aqui, para não entregar todo o filme. Não seria nada mau que Haggis confiasse também algumas linhas de diálogo a mais ao veterano Brian Dennehy, que faz pouco mais do que caras e bocas - e ainda assim captura a atenção - no papel do pai de John. O que é muito pouco para o intérprete de "Silverado" e "A Barriga do Arquiteto". Assista abaixo ao trailer de "72 Horas":
23/12/2010 02:47 PM
Reuters O musical "Homem-Aranha" cancelou sua apresentação prévia de quarta-feira à noite para instituir medidas adicionais de segurança para as complicadas manobras no palco, informaram os organizadores do show. O espetáculo foi cancelado depois que inspetores de segurança do Estado de Nova York e a produtora e diretora Julie Taymor concordaram com a adoção de mais medidas de segurança depois que um dublê precisou ser levado às pressas ao hospital após cair de uma plataforma durante uma apresentação nesta semana. Foi o quarto caso de ferimento de atores no musical de 65 milhões de dólares. Agora os fiscais de segurança impuseram novas regras à produção, exigindo um segundo auxiliar de palco e diretor de cena para apoiar todos os 38 dublês do espetáculo envolvendo equipamentos e cabos. Boa parte do custo da produção se deve aos efeitos hi-tech sem precedentes na Broadway, com os atores voando pelos ares, em alguns momentos sobre a platéia. "Todos esses acidentes são resultado de falhas nos sistemas de segurança e saúde", disse Maureen Cox, diretora de Segurança e Saúde do Departamento de Trabalho de Nova York, a jornalistas. Um porta-voz do espetáculo, cujo título completo é "Spider-Man: Turn Off the Dark" e tem músicas escritas por Bono e The Edge, da banda U2, disse que os atores e demais integrantes da equipe já estavam praticando as medidas novas. As apresentações deverão ser retomadas na quinta-feira e todos que tiverem ingressos da apresentação cancelada serão reembolsados. O cancelamento do espetáculo de quarta-feira foi o mais recente revés do musical, cuja data de estreia foi adiada diversas vezes. No começo do projeto, o espetáculo sofreu com questões técnicas e financeiras antes de conseguir entrar em cartaz. Até agora, porém, as vendas de ingresso estão indo bem. O incidente envolvendo o dublê Christopher Tierney ocorreu enquanto ele interpretava uma parte do personagem do homem-aranha. Ele caiu da plataforma numa das cenas finais sete minutos antes do fim do espetáculo da noite de segunda-feira.
23/12/2010 02:37 PM
iG São Paulo Foto: David von Becker / Divulgação Uma exposição - ou experiência, chame como quiser - bem inusitada está acontecendo em Berlin, na Alemanha. A instalação do artista belga Carsten Höller's consiste em passar uma noite com 12 renas, oito camundongos, 24 canários, duas moscas e cogumelos alucionógenos. A proposta é um exercício de observação, sem que o uso das drogas seja obrigatório. Os cogumelos em questão fazem parte da alimentação natural das renas na Sibéria. Com o consumo, a urina dos animais vira alucionógena - algumas pessoas acreditam que esta seja a origem da lenda de que o trenó do Papai Noel é puxado por renas voadoras. Na instalação de Höller's, metade das renas é alimentada com os cogumelos e a urina de todas é coletada e deixada em um refrigerador à disposição dos visitantes que passarem a noite no local, junto com os cogumelos. Mas, como nem todas as renas comeram o cogumelos, é impossível saber quais garrafas tem a urina alucinógena. A experiência custa mil euros por noite. Além de ficar disponível para o consumo, a urina coletada também é jogada na comida dos outros animais presentes na instalação. Os visitantes então passam a noite observado as reações dos bichos ao líquido. "O experimento é completado na mente das pessoas, não é nada científico", teoriza o artista, em entrevista ao jornal inglês The Guardian. Como estão sugestionados a crer que os animais ingeriram os cogumelos, os visitantes mudam seu ponto de vista. O artista confessa que não bebeu a urina, mas que comeu os cogumelos. "Não é uma experiência agradável. Quando você acorda, vomita e não tem a mínima noção de onde está e quanto tempo ficou fora de si." Um dos objetivos da exposição é testar se a arte pode mudar a percepção mais do que o uso de drogas. Parece ter funcionado. Florian Wojnar, um amigo de Höller's que passou a noite no local com seu filho de 11 anos, relatou que um estranho fato aconteceu. Durante a noite, havia sete renas em um lado e cinco do outro. Pela manhã, eram seis renas em cada. "Não vi nenhuma se mover", garantiu. O nome da exposição, Soma, vem de uma bebida sagrada da religião Vedic, que tem 5 mil anos. O livro sagrado da religião, Rigveda, possui 114 hinos a um suco que concede a imortalidade. Apesar de a receita ter sido perdida, o pesquisador Robert Wasson criou, nos anos 60, a teoria de que a bebida milagrosa seria baseada nos mesmos cogumelos que as renas comem.
23/12/2010 11:49 AM
Reuters Foto: Divulgação A banda punk americana Ramones, a atriz britânica Julie Andrews, a estrela country Dolly Parton e o baterista de jazz Roy Haynes receberão em 2011 Grammys honorários pelo conjunto de suas obras, disseram os organizadores do prêmio na quarta-feira. Serão homenageados também o Juilliard String Quartet, o Kingston Trio e George Beverly Shea, 101 anos, lenda da música gospel. As estatuetas serão entregues num evento em Los Angeles em 12 de fevereiro, na véspera da 53a cerimônia anual do Grammy. À exceção dos Ramones, os outros homenageados ganharam Grammys "competitivos". Os prêmios serão póstumos no caso de alguns fundadores do Ramones e do Kingston Trio. Do quinteto de cordas Juilliard, formado em 1946, dois integrantes ainda estão vivos. Andrews, 75 anos, se tornou uma estrela de Hollywood em musicais como "Mary Poppins" e "A Noviça Rebelde". Parton, 64 anos, é conhecida por hits dos anos 70, como "Jolene" e "9 to 5", mas nos últimos anos tem recebido boas críticas pelas fusões que faz com o folk e o bluegrass. Hynes, 85, tocou com gigantes do jazz, como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e John Coltrane, numa carreira que já dura mais de 60 anos. 
23/12/2010 09:29 AM
iG São Paulo Morreu na noite de terça-feira, 21, em sua casa em São Paulo, o artista plástico Hércules Barsotti. O enterro aconteceu na tarde de quarta, 22, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, zona Oeste da cidade. Barsotti ganhou notoriedade nos anos 60 ao integrar o movimento neoconcretista liderado pelo poeta Ferreira Gullar. Em 1954, junto com o escultor Willys de Castro, fundou o Estúdio de Projetos Gráficos, renovando a linguagem gráfica. Pintor, desenhista e programador visual, Barsotti procurava explorar cores e formatos de quadros poucos comuns. Participou de diversas edições da Bienal em São Paulo e foi homenageado com mostras especiais nas edições de 1987 e 1989. Em 2004, ao completar 90 anos, recebeu como homenagem do Museu de Arte Moderna de São Paulo uma retrospectiva com as obras de sua carreira.
23/12/2010 09:02 AM
AFP Foto: Reprodução O cineasta francês de origem grega Nico Papatakis, que foi marido da atriz Anouk Aimée, faleceu no dia 17 de dezembro em Paris, aos 92 anos, mas sua morte só foi anunciada no obituário da imprensa nesta quarta-feira. Nascido no dia 19 de julho de 1918 em Addis-Abeba (Etiópia), onde combateu Mussolini, Nico Papatakis foi obrigado a se exilar e encontrou refúgio primeiramente no Líbano e, depois, na Grécia. Em 1939, mudou-se para Paris. Lá, frequentou a "intelligentsia" parisiense da época, junto dos escritores Jean-Paul Sartre e Jean Genet ou ainda dos poetas André Breton, Jacques Prévert e Robert Desnos. Em 1947, criou o cabaré "La Rose Rouge", trampolim para inúmeros artistas. Depois, se casou com a atriz Anouk Aimée, com quem teve uma filha, Manuela. Em 1950, ele produziu e financiou o filme "Un Chant d'Amour", de Jean Genet, com fotografia assinada por Jean Cocteau, mas a única obra cinematográfica do cáustico escritor foi censurada e estreou apenas em 1975. Em 1957, deixou a França e partiu para os Estados Unidos. Em Nova York, conheceu a modelo alemã Christa Päffgen, que pegou emprestado seu nome - ela tornou-se a lendária Nico, musa de Andy Warhol e do Velvet Underground. De volta a Paris, Papatakis realizou em 1962 seu primeiro filme, "Les Abysses", sobre "Les Bonnes", peça de Genet inspirada na história real das irmãs Papin. O filme foi apresentado no festival de Cannes no mesmo ano e causou escândalo. Em 1967, ele rodou "Os Pastores da Desordem", que denunciou o regime dos coronéis gregos. Mas o filme, que estreou em 1968, foi um fracasso. Papatakis, nesta época marido da atriz grega Olga Karlatos, estreou na política, ao se opor à ditadura dos coronéis na Grécia. Em 1975, seu filme explosivo "Gloria Mundi", que falava da tortura na Argélia, foi retirado de cartaz após um atentado a bomba ao cinema Marbeuf. Com , em 1991, um retrato amargo de Jean Genet, encarnado por Michel Piccoli, ele enfureceu os admiradores do autor. "Papatakis era um homem universal. Ele construiu sem cessar pontes entre a África e a Europa, entre a Grécia e a França, entre a França e os Estados Unidos", declarou o ex-ministro francês da Cultura Jack Lang. "Homem de coragem, ele era um criador refinado e audacioso", acrescentou.
22/12/2010 07:21 PM


