BBC Brasil
O fotógrafo russo Fedor Telkov, que mantém um fotoblog na página da internet em russo do Serviço Mundial da BBC, viajou para a Sibéria para conhecer o povo indígena Khanty, cujo estilo de vida é ameaçado pela indústria de produção de petróleo.
Os Khanty vivem da caça, da pesca e da criação de renas. Os animais são usados como transporte, sua carne pele é usada na produção de agasalhos e sua carne consumida.
No entanto, os campos de extração de petróleo instalados na área ameaçam o equilíbrio natural, já que afugentam os ursos - predadores naturais das renas - aumentando a concentração destes animais em outras partes da região.
Telkov visitou a família Kazamkin, que, como muitas famílias Khanty, aderiram ao "turismo étnico" para aumentar os ganhos. Eles recebem turistas que querem conhecer o estilo de vida índigena.
23/12/2010 12:39 PM
Cristina Caldas, especial para o iG Foto: Divulgação/Nature Partindo do DNA extraído do osso de um dedo encontrado na caverna de Denisova, no sul da Sibéria, e seu código genético, cientistas descobriram um novo grupo de homínideos que tanto vagou pelo mundo que deixou partes de seu DNA em populações da Oceania. Leia também: Bence Viola, que trabalhou no estudo assinado pelos medalhões da arqueologia genômica Svante Paabo e David Reich, coordenou as interpretações arqueológicas e de datação e foi responsável pelo estudo morfológico. Ele disse ao iG que o resultado que mais o impressionou foi a conexão do hominídeo arcaico com os melanésios. ?Eu teria ficado menos surpreso se tivéssemos encontrado traços genéticos dos hominídeos de Denisova em populações chinesas ou da Ásia Central, mas tendo miscigenado apenas com pessoas que hoje vivem na outra ponta do mundo, a dez mil quilômetros de distância foi uma enorme surpresa?, diz Viola. Agora com o hominídeo de Denisova, há evidências da presença simultânea de cinco diferentes grupos de hominídeos no mundo: humanos modernos (ancestrais diretos do Homo sapiens) na África; neandertais na Europa e parte do Oriente Médio; hominídeos de Denisova na Sibéria; o Homo eretus na ilha de Java e a forma anã do Homo floresiensis em Flores, na Indonésia. Como a extração de DNA destrói parte das amostras ósseas, é necessário cuidado extra para garantir que seus resultados não são mascarados por contaminações ou outros artefatos da metodologia usada. ?Olhe o material suplementar do nosso artigo e você verá que quase metade dele descreve os cuidados que tomamos para evitar tais problemas?, diz Viola. Os pesquisadores pretendem agora descobrir mais sobre os hominídeos de Denisova. ?Estamos trabalhando também em comparações genéticas mais detalhadas, aumentando o tamanho da amostra dos humanos modernos?, completa Viola.
Pedaço de dedo descoberto na Sibéria rende um novo parente do ser humano
Os resultados das análises genéticas e morfológicas do estudo que envolveu 28 cientistas trabalhando em 14 instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo foram publicados hoje na revista especializada Nature e mostram que o hominídeo de Denisova tem um genoma diferente do humano moderno e do neandertal, e contribuiu com 4 a 6% do material genético dos genomas dos melanésios, população que vive atualmente na Oceania. Mais uma peça importante no complexo quebra-cabeça de reconstrução da história evolutiva da espécie humana.
O dente que também foi encontrado na caverna tem um genoma mitocondrial semelhante ao do osso do dedo e uma morfologia muito diferente dos dentes de neandertais e homens modernos. ?O dente tem uma morfologia muito interessante, arcaica?, destaca Viola.
22/12/2010 05:39 PM
Cristina Caldas, especial para o iG Foto: Getty Images A biologia do aleitamento materno é uma área que vem presenteando a ciência com resultados cada vez mais fascinantes. Se antes atribuía-se ao leite materno a função de apenas nutrir a prole, agora pesquisadores sabem que ele carrega moléculas que afetam amplamente o desenvolvimento de diferentes espécies, como mostra uma reportagem publicada hoje na revista especializada Nature: o leite produzido pela mãe modula o sistema imune, define as bactérias que vivem no intestino, controla a expressão de genes nas células do intestino e parece influenciar o desenvolvimento cognitivo. Segundo a jornalista Anna Petherick, o estudo da lactação em humanos vem mudando, saindo do campo da saúde pública e passando a ser avaliado sob a perspectiva da evolução humana. Uma mãe deve gastar mais energia alimentando um filho - uma vez que ele tem capacidade de produzir mais descendentes - do que uma filha. No apanhado que fez das pesquisas recentes na área, Anna destaca que há diferenças claras no leite materno consumido por meninos e meninas. ?Em humanos, por exemplo, bebês meninos se alimentam de leite que contém substancialmente mais gorduras e proteínas do que o leite oferecido às meninas", escreve a jornalista ao se referir a um trabalho publicado em 2010. Outra mudança importante tem sido a incorporação de novas ferramentas para responder perguntas antigas. ?A pesquisa sobre a biologia do leite materno humano está progredindo rapidamente graças a novos métodos analíticos, modelos animais adequados e à crescente disponibilidade de moléculas complexas encontradas no leite, como os oligossacarídeos [açúcares]?, diz ao iG Thierry Hennet, pesquisador do Instituto de Fisiologia da Universidade de Zurique. Hennet estuda, em camundongos, os componentes do leite materno que alteram a flora intestinal, que por sua vez influenciam a susceptibilidade a doenças como inflamações. Avanços tecnológicos têm permitido que cientistas estudem em detalhe os oligossacarídeos do leite materno. A reportagem menciona que alguns oligossacarídeos do leite não alimentam a criança, e sim as bactérias benéficas presentes no intestino do bebê, como é o caso da Bifidobacterium infantis. Outros estudos têm mostrado que certos oligossacarídeos impedem que bactérias e vírus se mantenham na mucosa intestinal, como a Campylobacter jejuni - causa mais comum de diarréia bacteriana -, inibindo a doença. Mistura do bem Segundo a reportagem, o leite materno carrega microrganismos da mãe diretamente para o intestino da prole. A maioria das bactérias do leite secretam substâncias que eliminam bactérias que possam causar doenças. Além disso, a lista de fatores imunológicos presentes no leite só tem crescido desde a última década. Há também evidências de que o leite materno influencia a expressão de genes nas células do intestino dos bebês. Artificial não é necessariamente pior O maior estudo de aleitamento materno conduzido até hoje em humanos, o PROBIT (Promotion of Breastfeeding Intervention Trial), citado na reportagem, não encontrou diferença de peso em dois grupos de crianças bielo-russas de 6 anos de idade, onde um grupo recebeu aleitamento materno por um tempo muito maior do que o outro antes de começar a se alimentar com leite artificial. Não houve diferença na prevalência de asma ou alergias entre os dois grupos.
O leite materno é uma mistura de diversas moléculas: proteínas, açúcares, lipídeos e muitos outros fatores. ?Pesquisando a contribuição de constituintes individuais do leite ajudará a entender melhor o desenvolvimento do rico ambiente intestinal onde nutrientes, bactérias e células do hospedeiro (humanos, nesse caso) interagem através de um complexo processo?, diz Hennet.
Em relação ao polarizado debate leite materno versus fórmulas infantis, Anna conta que diversos pesquisadores procurados para a matéria reclamaram que tanto grupos que advogam pelo aleitamento materno quanto empresas que produzem os substitutos ao leite exageraram seus achados no passado.
22/12/2010 04:01 PM
Alessandro Greco, especial para o iG Foto: Getty Images Há um velho ditado que diz: olhe antes de pular -- ou seja, pense antes de agir. Alguns levam isso mais a sério que outros, e cientistas descobriram que a genética pode ter um papel importante nisso. Em particular, entre os finlandeses, que têm uma mutação genética específica aumenta brutalmente a impulsividade. A mutação que pode levar a um comportamento altamente impulsivo está localizado no gene HTR2B de um receptor da serotonina e foi descrita na edição desta quarta da revista especializada Nature. A descoberta foi feita sequenciando-se o DNA de 96 homens finlandeses com ficha criminal devido à histórico de comportamento violento e de homens também finlandeses sem histórico policial (grupo de controle). Os pesquisadores contaram também com a sorte, além da capacidade científica e a moderna tecnologia de sequenciamento de DNA existente, para fazer a descoberta. ?Sequenciamos apenas 14 dos cerca de 25 mil genes humanos e eu não imaginei que seríamos tão espertos de escolher o gene certo?, afirmou ao iG David Goldman, um dos autores do estudo, do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, dos Estados Unidos. Para validar a relação entre o HTR2B e a impulsividade, os pesquisadores fizeram um teste: desligaram o gene em camundongos. O resultado foi que com ele inativo, os roedores também ficavam mais impulsivos. A identificação de mutações genéticas como a do HTR2B servem muito mais para entender a relação entre genética e comportamento humano do que para criar testes que possam prever se uma pessoa será ou não impulsiva. ?Ela pode deixar clara as origens genéticas e não-genéticas do comportamento impulsivo. Em particular os estudos de interação gene versus ambiente somente são poderosos se sabemos qual o papel dos genes?, explica Goldman. E completa: ?Na minha visão o maior benefício [?] é no entendimento de como as pessoas se tornam impulsivas e no estudo clínico de problemas relacionadas à impulsividade como, adicção e suicídio?.
O resultado mostrou que o primeiro grupo (das pessoas violentas) tinha três vezes mais a mutação no HTR2B do que o grupo de controle. Inclusive os 17 homens com ficha criminal que carregavam a mutação, chamada de HTR2B Q20*, haviam cometido uma média de cinco crimes violentos, 94% deles sob efeito de álcool. Os crimes foram basicamente reações desproporcionais a situações banais, sem premeditação nem ganho potencial. A mutação, segundo os pesquisadores é específica da população finlandesa.
22/12/2010 04:00 PM
BBC Brasil O calendário de 2011 da organização britânica de conservação marinha Bite-Back apresenta imagens de 12 dos mais premiados fotógrafos de vida submersa no mundo.
Cada fotógrafo ilustrou um mês, com comentários sobre a importância da preservação de animais marinhos como os tubarões, um dos principais temas do projeto.
Segundo a organização, mais de 70 milhões de tubarões são mortos todos os anos, e 12 espécies desaparecerão completamente até 2017.
A Bite-Back tenta alertar empresas e supermercados ingleses para o perigo da pesca excessiva de determinadas espécies típicas da região.
Dados da organização dizem que o mundo pode ficar sem peixes já no ano de 2048. O diretor da campanha do calendário, Graham Buckingham, diz que não podemos contar com o fato de que os oceanos nos alimentarão indefinidamente sem o receio de perder algumas espécies para sempre.
Ele diz que o trabalho da organização já fez com que supermercados ingleses mudassem os peixes que vendem e encorajou restaurantes orientais a suspender a venda de sopa de barbatanas, uma das principais causas da morte de tubarões.
O calendário 2011 da Bite-Back custa R$ 21 e pode ser comprado pela internet no site da organização.
22/12/2010 01:33 PM
AFP Foto: Reuters À primeira vista, o frio glacial que atinge a Europa parece pouco compatível com a alta média das temperaturas previstas para antes do fim do século, e que poderá alcançar um aumento de 5 ou 6 graus. Para os céticos que alegam que a mudança climática não existe porque os invernos são cada vez mais frios, vários cientistas respondem que estas ondas de frio são um esfriamento temporário, parte do aquecimento global. Um novo estudo, no entanto, vai mais longe e mostra que a alta dos termômetros é precisamente a origem destes invernos nevados e tão frios. A causa seria o degelo da calota glacial ártica. O aquecimento, duas ou três vezes superior à média global, provocou sua redução de 20% nestes últimos 30 anos. Esta calota pode, inclusive, desaparecer totalmente durante os meses de verão antes do fim do século. Isso permitiu que a força radioativa do Sol fosse mais absorvida pelo mar do que refletida para o espaço pelo gelo e neve, acelerando o processo de aquecimento. Tal fato afeta os sistemas de pressão, criando uma fonte maciça de calor durante os meses de inverno. "Digamos que o oceano esteja a zero grau", explica à AFP Stefan Rahmstorf, especialista em clima do prestigiado Instituto Potsdam (Alemanha), que pesquisa o impacto das mudanças climáticas. "O oceano está muito mais quente que o ar ambiente nesta zona polar no inverno. Há então um fluxo quente que sobe para a atmosfera, o que normalmente você não tem quando tudo está coberto de gelo. É uma mudança extraordinária", acrescenta. O resultado, segundo o estudo publicado no início do mês no Journal de Recherche Géophysique, é um sistema de altas pressões que empurra o ar polar no sentido anti-horário, na direção da Europa. "Estas anomalias podem triplicar a probabilidade de haver invernos extremos na Europa e no norte da Ásia", indica o físico Vladimir Petujov, que coordenou o estudo.Outras explicações para estes invernos atípicos, como uma baixa da atividade solar ou as mudanças na Corrente do Golfo, "tendem a exagerar os efeitos", acrescenta Petujov. Além disso, o especialista destaca que no inverno glacial de 2005-2006, quando as temperaturas caíram 10 graus em relação às habituais na Sibéria, não foi constatada nenhuma anomalia na oscilação norte-atlântica, um fenômeno meteorológico sugerido como possível explicação desses invernos inclementes. Os cientistas assinalam que estes invernos tão frios na Europa não refletem a tendência global constatada no planeta, já que 2010 deve ser um dos três anos mais quentes da história."Quando olho pela minha janela, vejo 30 cm de neve e o termômetro diz -14 graus", conta Rahmstorf, falando por telefone em Potsdam, e acrescenta: "Ao mesmo tempo, na Groenlândia, estamos acima de zero em dezembro".
22/12/2010 01:03 PM
National Geographic Foto: National Geographic Visitantes enfrentam a chuva no parque temático Window of the World (Janela do Mundo, em português) em Shenzhen, na China. Entre os destaques, o parque temático reproduz mais de cem monumentos famosos, como Taj Mahal, Torre Eiffel e, como aparece nesta foto, o Capitol, onde está o Congresso dos Estados Unidos, e o Monte Rushmore.
22/12/2010 12:41 PM
EFE Foto: AP Washington - A Nasa (agência espacial americana) decidiu retirar a nave Discovery da plataforma de lançamento 39A onde estava preparada desde novembro passado para seu lançamento, que teve de ser adiado sucessivamente por problemas técnicos. Os técnicos do Centro Espacial Kennedy da Flórida decidiram transferir a nave ao Edifício de Montagem de Veículos, anunciou nesta terça-feira a agência espacial americana. A Nasa tomou esta decisão para analisar melhor as fendas que descobriu no tanque de combustível externo (ET-137). Elas foram descobertas em 5 de novembro durante o processo de abastecimento, quando a nave estava pronta para iniciar a missão STS-133. O tanque tem sido submetido a várias revisões, mas, ao ser colocado na plataforma de lançamento, a Nasa teve dificuldades para explorar com raios-X as peças danificadas para determinar a causa das fendas.
22/12/2010 12:08 PM
BBC Brasil Foto: BBC Brasil Arqueólogos descobriram os restos de uma possível família de 12 neandertais que foram mortos há 49 mil anos numa caverna da região. Segundo os pesquisadores, marcas nos ossos mostram sinais de atividade canibal, indicando que os indivíduos encontrados foram comidos por outros neandertais. Detalhes da descoberta foram publicados na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences. Apesar de os fragmentos de ossos de seis adultos e seis crianças terem sido encontrados dentro da caverna, os arqueólogos acreditam que eles viviam e foram mortos na superfície, mas que teriam sido envolvidos pela caverna após um desabamento. "Todos eles mostram sinais de canibalismo. Eles têm marcas de cortes em vários ossos, incluindo os crânios e as mandíbulas", disse o arqueólogo Carles Lalueza-Fox, do Instituto de Biologia Evolucionária de Barcelona, que coordenou o estudo. "Os ossos longos foram fragmentados para tirar o tutano, então todos os sinais de canibalismo que foram descritos em outros locais de neandertais estão presentes nesses indivíduos", afirmou. Família A conclusão de que o grupo era uma família vem da análise do DNA mitocondrial, o material genético encontrado nas células animais passado pela linhagem feminina. Os dados genéticos sugerem que enquanto os três adultos do sexo masculino no grupo tinham a mesma linhagem materna, as três mulheres do grupo tinham origens maternas diferentes. Segundo os pesquisadores, isso mostraria que pelo menos nesta família de neandertais, as mulheres vieram de fora do grupo, enquanto que os homens permaneceram no grupo familiar ao chegar à idade adulta. Esse modelo do que é chamado "patrilocalidade" é comumente visto em algumas culturas modernas, observa Lalueza-Fox, com os homens permanecendo na casa da família após o casamento com uma mulher de outro grupo.
22/12/2010 11:59 AM
Reuters As aves das regiões costeiras da Grã-Bretanha são as mais recentes a estarem ameaçadas pelo frio congelante, disse esta semana a Real Sociedade para a Proteção de Aves (RSPB). A organização beneficente pediu que caminhantes, pescadores e observadores de pássaros evitem perturbar bandos de aves quando passearem pelo campo durante as festas de fim de ano, depois das nevascas e da temperatura gélida deste dezembro. "Em condições de neve e gelo, as aves são forçadas a desperdiçar suas preciosas reservas de energia, alçando vôo, quando precisariam passar o maior tempo possível alimentando-se ou descansando," disse Chris Cockburn, diretor da RSPB em Langstone Harbour, no condado de Hampshire, no sul da Inglaterra. "Esperamos que pessoas que saírem para andar no campo ouçam nosso conselho, proporcionando chances melhores de sobrevivência aos milhares de aves que visitam nosso litoral e nossas zonas úmidas durante o inverno." Aves migratórias, como gansos-de-faces-negras, algumas espécies de patos e pilritos-comuns, estão entre as espécies afetadas pelo frio. Durante o verão, as aves vivem nas regiões árticas e no norte e leste da Europa, mas no inverno elas migram para a Grã-Bretanha para escapar do tempo mais frio nessas regiões. Mas, segundo o comunidade da RSPB, as aves --especialmente as costeiras, que se alimentam apenas na maré baixa-- estão tendo dificuldade em encontrar alimentos. A temperatura gelada também provoca uma mudança no comportamento, na medida em que as aves relutam mais em voar para longe quando uma pessoa ou outro animal se aproxima delas, segundo o Comitê Conjunto de Conservação da Natureza.
21/12/2010 05:17 PM
AFP Foto: AFP Cientistas japoneses anunciaram nesta terça-feira a criação de um rato que pia como um pássaro, uma "evolução" produzida pela engenharia genética e com a qual esperam lançar novas luzes sobre as origens da linguagem humana.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Osaka, no oeste do Japão, criou o animal, como parte do "Projeto Rato Evoluído", no qual os cientistas usam cobaias geneticamente modificadas propensas a mutações.
"As mutações são a força motriz da evolução. Cruzamos ratos geneticamente modificados por gerações para ver o que acontecia," disse à AFP o coordenador do estudo, Arikuni Uchimura.
"Verificamos os recém-nascidos um por um... Um dia encontramos o que chilreava como um pássaro", disse, esclarecendo que o "rato cantador" nasceu por acaso, mas esse traço será transmitido a futuras gerações.
"Surpreendeu-me porque esperava ratos diferentes fisicamente", explicou por telefone, acrescentando que, de fato, com o projeto também foi criado um "rato com extremidades curtas e um rabo mais fino, como o de um cão dacshund".
O laboratório, dirigido pelo professor Takeshi Yagi, da Escola de Estudos Superiores de Biociências de Fronteira da Universidade de Osaka, conta atualmente com mais de 100 "ratos cantores" para futuras investigações.
A equipe espera que estes animais deem pistas sobre a evolução da linguagem humana. Os cientistas descobriram que as aves utilizam diferentes elementos sonoros, que emitem juntos, em partes, como as palavras da linguagem humana, e depois "encadeiam" esses pedaços em "canções" sujeitas a certas regras linguísticas.
"Os ratos são mais fáceis de se estudar do que as aves, uma vez que são mamíferos e estão muito mais perto dos seres humanos em termos de estrutura cerebral e outros aspectos biológicos", disse Uchimura. "Estamos vendo como um rato que emite novos sons afeta os do mesmo grupo... em outras palavras, se tem conotações sociais", disse, acrescentando que os comuns emitem guinchos, principalmente quando estão estressados.
Levando-se em conta que os ratos mutantes piam mais ou menos forte quando colocados em ambientes diferentes, ou quando os machos se acasalam com as fêmeas, seus gorjeios "podem ser uma espécie de expressão de suas emoções ou condições físicas", explicou Uchimura.
A equipe descobriu que os ratos normais que cresceram com os cantadores emitiam menos ultrassons que outros, podendo indicar que os métodos de comunicação podem ser propagados no mesmo grupo como um dialeto."Sei que é uma possibilidade remota e muitos dirão que é 'absurda'... mas tenho a esperança de, um dia, criar um Mickey Mouse", concluiu brincando.
21/12/2010 04:54 PM
National Geographic Foto: National Geographic O gelo castigado pelos ventos da Terra de Vitória, na Antártida, se estende por centenas de quilômetros quadrados. Esta região recebe menos precipitação por ano do que a maioria dos desertos mais quentes do planeta. 
21/12/2010 04:09 PM


