Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Eduardo Knapp Flávio Gikovate é psiquiatra há mais de 40 anos. Acompanhou nesse período a consolidação do consumo das pílulas anticoncepcionais e os movimentos em torno da emancipação sexual. Mas não é um entusiasta. Para ele, o movimento de libertação não tornou as pessoas necessariamente mais felizes e competentes para amar: mulheres e homens ainda escolhem mal os parceiros e não separam bem o amor do sexo. Em entrevista exclusiva ao iG, Flávio Gikovate fala sobre a tendência que temos em escolher parceiros errados ? com potencial erótico alto e afinidades emocionais mínimas ?, e avisa: ?Chega de namorar ou casar com inimigo!? iG: No livro você fala sobre a inversão de valores na hora de procurar um parceiro. No caso das mulheres, a escolha é geralmente feita pelo aspecto erótico ou sentimental? As mulheres são confusas a respeito do homem ideal para elas. Até poucas décadas atrás, ele deveria ser o protetor e o provedor. Hoje deve ser companheiro, participar das atividades familiares, ser mais carinhoso e moralmente confiável. iG: Você reforça a importância da escolha de parceiros por afinidade. Mas ao mesmo tempo pessoas são menos atraídas sexualmente por esse tipo de parceiro mais amigo. Isso leva a relacionamentos frustrados? iG: E o que faz uma união estável e feliz? iG: Talvez parte das insatisfações são por conta da idealização da vida sexual? Ficamos frustrados com a vida comum, sem desempenhos incríveis? É preciso entender que o sexo e o amor não fazem parte do mesmo instinto. O sexo compete com a ternura e tem que ser tratado como um instinto mais vulgar e grosseiro. Assim, na hora do sexo é importante abandonar o contexto mais sentimental e buscar outro clima, mais voltado para a baixaria. iG: Amor é amor e sexo é sexo. Mas será que as mulheres já conseguem expor e assumir isso claramente nas suas relações? iG: E o que as mulheres mais gostam na cama? Em síntese, a maior parte das mulheres aproveita plenamente o sexo quando conhece o próprio corpo e tem um parceiro estável, que não precisa ser objeto de grande envolvimento emocional, mas alguém conhecido e com quem ela goste de estar também fora da situação erótica. Procuram um homem que saiba como agradá-la, e que seja uma pessoa que não use o sexo apenas como instrumento de sedução e poder, mas também como fonte de curtição e prazer. Não é obrigatório que se pense em termos de doença e de cura. O mais importante é poder ajudar a pessoa a avançar emocionalmente e, se possível, superar suas dificuldades. Ou seja, o sexo virtual é um intermediário entre a masturbação e o sexo casual, que ocupará o espaço do sexo como fenômeno essencialmente pessoal, individual. 
No papel do psicoterapeuta de Gerson Gouveia (Marcello Anthony) na novela Passione, trama veiculada no horário nobre pela Rede Globo, Gikovate trata de sexo analisando as fantasias sexuais do personagem e as marcas de um abuso sofrido na infância. Fora das telas, o psiquiatra lança seu trigésimo livro, ?Sexo? (MG Editores), no qual reflete a respeito da sexualidade humana e a satisfação (ou não) nos relacionamentos amorosos.
Flávio Gikovate: Temos evoluído pouco no aspecto sentimental. As pessoas continuam buscando parceiros com os quais não têm afinidades intelectuais, de caráter, projetos e estilo de vida. E escolher um parceiro tomando por base o encantamento erótico inicial é perigoso porque quase sempre o fascínio erótico te direciona para cafajestes.
Flávio Gikovate: O erotismo costuma direcionar para a busca de parceiros mais egoístas, pouco confiáveis e difíceis de provocar envolvimentos de qualidade. Assim, a maioria dos casais ainda é formado por uma criatura mais generosa e outra mais egoísta. Isso resulta em uma relação incompleta que, com os anos, acaba levando à separação. Os casais se separam pela mesma razão que se casam: as diferenças de temperamento e de caráter. O que funciona bem é o encontro de criaturas afins.
Flávio Gikovate: Defendo que a união tem de acontecer entre pessoas semelhantes, com os mesmos planos e projetos, e não entre opostos. É o que eu chamo de ?+amor?. É uma relação mais parecida com a amizade, a aproximação de duas pessoas inteiras e não de duas metades. Para isso é preciso poder ficar bem sozinho e superar extremos de egoísmo e a generosidade. O relacionamento é baseado em respeito mútuo e confiança recíproca. Chega de namorar ou casar com inimigo!
Flávio Gikovate: Homens e mulheres têm sido muito exigentes em todos os setores da vida e com o sexo não é diferente. O sexo se abastece mais facilmente do jogo de sedução e conquista, e acaba sendo mais difícil desejar alguém em quem confiamos e que é leal ? mas não é impossível, contudo os casais que atestam isso são minoria.
Flávio Gikovate: As mulheres têm uma fisiologia sexual diferente da masculina. Após o orgasmo, a regra é que sobre uma excitação. Isso faz com que o sexo casual não pareça tão interessante para elas, assim como a masturbação. Aliás, cerca de 50% das mulheres não se interessam pela masturbação porque podem terminar a prática mais excitadas. Elas preferem o sexo com um parceiro fixo e conhecido, com quem possam negociar aquilo que mais gostam.
Flávio Gikovate: Em geral, preferem a estimulação do clitóris com o objetivo orgástico. A penetração tem mais significado simbólico, relacionado com se sentir possuída.
iG: O seu papel de psiquiatra na televisão faz algumas discussões ganharem notoriedade. A exemplo da abordagem do ?problema? do Gerson na novela, como essa sessão "pública" de terapia pode deixar as pessoas mais seguras ou à vontade com sua sexualidade e fantasias?
Flávio Gikovate: É um dever compartilhar o conhecimento, sempre me insurgi contra qualquer modelo de elitismo intelectual. Tudo o que faço no rádio, em livros e na TV pode ajudar as pessoas a pensar um pouco mais nelas mesmas e fazerem uma autocrítica, que pode ser criativa e útil.
iG: Como o sexo pelo computador afeta as relações entre pessoas e o comportamento sexual delas?
Flávio Gikovate: Cresce o número de pessoas enjoadas com o sexo casual e ao mesmo tempo é grande o número de pessoas que não estão vivenciando relacionamentos afetivos interessantes. E o sexo virtual é uma atividade em expansão e que apresenta vantagens: não se dá entre pessoas que beberam demais, no fim das madrugadas, depois de gastos significativos e com risco de doenças ou gestações.
18/12/2010 08:00 AM
Verônica Mambrini, iG São Paulo Foto: Mauro Kury Para viver Alice, protagonista do filme ?De Pernas pro Ar?, que estreia em 1º de janeiro nos cinemas brasileiros, Ingrid Guimarães, 38 anos, não precisou elaborar muito a personagem. O momento das duas é parecido: a mulher apaixonada pela carreira, que tenta dar conta de mil coisas ao mesmo tempo e se atrapalha com as cobranças da família. iG: Como foi a pesquisa e como você construiu essa mulher que não tem orgasmos? iG: O que os sex shops trouxeram de novidade para você? iG: O filme foi rodado como ?SexDelícia?, mas depois de pesquisas com o público acabou mudando de nome e passou a se chamar ?De Pernas para o Ar?. Qual sua opinião isso? iG: O elenco teve que lidar com algum outro tipo de restrição? iG: Mas o filme mostra bastante coisa no interior do sex shop: vibradores, dildos e strap-ons iG: Você disse que o Brasil ainda é muito careta, mas falamos muito de sexo. Do ponto de vista feminino, qual é a sua visão sobre isso? Leia também:
O longa-metragem aborda ainda a vida sexual de Alice, que tem seu primeiro orgasmo após anos de casamento. Ao perder o emprego na área de marketing em uma fábrica de brinquedos, ela decide usar a experiência adquirida para ajudar a vizinha a recuperar seu sex shop decadente. A partir disso, conhece um novo mundo, cheio de possibilidades interessantes.
Para viver o papel, a atriz investiu na pesquisa de brinquedos eróticos e acessórios sexuais, que foram incorporados até na sua vida real. Ao Delas, Ingrid fala com exclusividade sobre sexo e afirma: ?As mulheres não conhecem o próprio corpo?.
Ingrid Guimarães: Conversei principalmente com a Tatiana Presser, psicóloga e educadora sexual. As mulheres não conhecem o próprio corpo, e o legal dos brinquedos sexuais é que eles ajudam nisso. A Alice só goza com o marido depois de gozar com o vibrador. Acho que levar os brinquedos sexuais para o casamento também é legal para quebrar o tédio.
Ingrid Guimarães: Vibrador eu já conhecia. Aliás, o rabbit todo mundo já conhece, ele foi consagrado na série ?Sex and The City?. Mas existe um mundo além do vibrador, como os géis ? anestésicos e estimuladores, que esquentam, gelam ou incham ?, canetas que você usa no corpo e lambe depois, velas aromáticas que viram creme, as bolinhas tailandesas para fazer ginástica com os músculos da vagina.
iG: Algum desses produtos entrou para o seu cardápio sexual?
Ingrid Guimarães: Entrou! Estou com tantas coisas que, num amigo oculto, montei um kit para uma amiga que enlouqueceu! Essa disse: ?Não sabia que isso existia...?
Ingrid Guimarães: Eu gostava muito de ?Sexdelícia?. Eu vivi o filme com esse título na cabeça e tenho até dificuldade em falar ?De Pernas pro Ar?. O Brasil está cada vez mais careta, a sociedade está ficando muito careta. Você vê pelas novelas, as pessoas estão mais conservadoras. Talvez pelo momento de violência, porque é uma forma de proteção. Pode ser que o nome ?Sexdelícia? limite um pouco o alcance do filme, que é para a família, não é pesado. Entendo que a mudança de título ajuda a passar essa ideia.
Ingrid Guimarães: Só de alguns dos objetos eróticos, que são esdrúxulos. Tem cada coisa...
Ingrid Guimarães: Mas mostra só uma vez. O vibrador não dá para não mostrar. Tinha um monte de coisas que eram feias, e então não mostramos.
Ingrid Guimarães: Tenho amigas que vivem na Europa e contam que o sexo é importante, mas não é tudo na relação. O homem brasileiro é muito sexual. Nós mulheres também somos, mas a mulher fica sobrecarregada e essa cobrança pesa. O assunto vende, mas às vezes se fala mais do que se faz.
iG: É difícil ser mulher e comediante no Brasil? Você sente uma cobrança por um corpo bonito?
Ingrid Guimarães: Eu acho comédia libertadora. Quem consegue envelhecer fazendo comédia se deu bem ? seu cartão de visita não é a beleza. Eu procuro estar sempre bem porque odeio o estereótipo da comediante feia, ou a mulher de biquíni, a Monique Evans de sutiã e calcinha. A Zezé Macedo, por exemplo, que fazia a personagem da feia. Sempre lutei contra esse estereótipo, porque a mulher comediante hoje faz seu trabalho em cima do dia a dia. É uma mulher possível. Eu acho libertador fazer comédia e poder envelhecer assim.
Orgasmocracia: você tem que gozar, muito!
"O amor está mudando", diz psicanalista sobre os relacionamentos
Somos tão felizes no sexo quanto dizemos que somos?
15/12/2010 07:07 PM
Redação, iG São Paulo Teste elaborado com consultoria do psicólogo especializado em relacionamentos Thiago de Almeida Faça outros testes do Delas:
Ele é um príncipe, sapo ou cinderela?
Qual é o perfil do seu príncipe?
Seu estilo de sedução é eficiente?
Como você escolhe seu par?
11/12/2010 08:19 AM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Divulgação Madeleine Lowe beijou muitos sapos. Assim como várias mulheres bonitas e inteligentes pelo mundo, ela se envolveu em uma série de relacionamentos fracassados durante a vida até conhecer seu atual marido ? o jardineiro que contratou para cortar a grama em sua casa. Com base na experiência, Lowe escreveu o livro ?Pare de beijas sapos?, recém chegado ao Brasil, no qual dá conselhos para quem deseja encontrar o cara certo e viver um relacionamento bem-sucedido. Em entrevista para o iG por e-mail, a americana Madeleine Lowe dá alguns conselhos para quem deseja um final feliz. iG: Em seu livro, você diz para as mulheres pararem de procurar homens em lagoas, onde só há sapos. Quais são essas lagoas no nosso dia a dia? iG: Onde ir e como agir para encontrar um príncipe?
Madeleine Lowe questiona por que mulheres ainda se prendem a homens ?asquerosos? e quais são os erros cometidos na escolha desses parceiros. Ela lista os tipos de sapos e as personalidades de príncipes, além das armadilhas que impedem as mulheres de enxergá-los.
Madeleine Lowe: Acredito que bares e boates não são os melhores lugares para encontrar parceiros em potencial. Como você pode conhecer alguém de verdade quando mal consegue ouvi-lo em função da música alta ou está muito bêbada para fazer um bom julgamento?
Madeleine Lowe: Você precisa de uma abordagem como se estivesse conhecendo um amigo. Ir a lugares onde existam pessoas com algo em comum com você, de assuntos políticos à arte.
Também é bom interagir com alguém sem a pressão de estar em um encontro. Tente ir a clubes, cursos, cafés. E, claro, não se esqueça do seu ambiente de trabalho. Nós passamos mais tempo com colegas de profissão do que com nossa família. Não há ninguém na sua vida profissional que você gostaria de conhecer melhor?
iG: Paixão é muito importante para manter a relação. O que acontece com quem só sente isso pelos homens no estilo sapo?
Madeleine Lowe: Paixão é importante em uma boa relação, mas não sustenta uma ruim. Muitas mulheres dizem que só sentem essa excitação com homens que as tratam mal. Até aí tudo bem, mas não esperem um final feliz. As pessoas têm que assumir responsabilidade pelas decisões que tomam. Se você continuar a sair com sapos, deve estar preparada para que as coisas não caminhem exatamente como você gostaria.
E se você gosta dos altos e baixos emocionais talvez seja hora de se perguntar por que mantém essa montanha russa na sua vida. Está entediada? Está repedindo padrões que você já viu em outros momentos da vida?
iG: Ficar procurando o príncipe encantado para sempre, por outro lado, pode ser irreal. Idealizar demais a relação ou o parceiro não parece garantir a felicidade.
Madeleine Lowe: Exato. Espero que as mulheres levem a mensagem que não existe perfeição. Humanos erram, relacionamentos são falíveis. Mas isso não significa que devemos desistir da busca. A gente se alimenta de tantos mitos sobre relacionamentos, desde histórias de criança até filmes de Hollywood, que pode ser difícil aceitar a realidade da vida normal.
Relacionamentos reais podem ser difíceis, chatos e frustrantes, mas também podem ser enriquecedores e divertidos, cheios de amor e apoio. Somente estando preparado para olhar com clareza e honestidade para relações com altos e baixos, podemos viver felizes para sempre.
iG: Mas parar de beijar sapos não significa se conformar com qualquer companhia, certo?
Madeleine Lowe: Isso nunca é uma opção. O mundo está cheio de homens maravilhosos e meu livro é um apelo para mulheres pararem de ir atrás das maças podres.
iG: Qual a coisa mais importante para um relacionamento dar certo?
Madeleine Lowe: Não há uma única resposta para isso. Outro dia li uma frase que adorei, falando que a risada e o sexo são o coração e o pulmão de um relacionamento. Eles que o mantém vivo.
Mais testes:
Qual o perfil do seu príncipe?
Seu estilo de sedução é eficiente?
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Homens revelam atitudes que esfriam o sexo
Como identificar que o relacionamento acabou
09/12/2010 06:41 PM
Redação, iG São Paulo Com consultoria do psicólogo Thiago de Almeida e baseado no livro ?Cuidado! Seu príncipe pode ser uma Cinderela? (leia a matéria) Veja também:
Pare de beijar sapos
Qual o perfil do seu príncipe?
09/12/2010 05:25 PM
Júnior Milério, iG São Paulo Foto: Divulgação As 37 edições do calendário Pirelli são facilmente encontradas em ambientes masculinos, e não é difícil entender o motivo: as mulheres mais bonitas do mundo costumam estampar suas páginas, de janeiro a dezembro. Para 2011, uma grata surpresa: pela primeira vez homens protagonizam fotos do ensaio - antes eles faziam poucas figurações. Entre os 21 modelos clicados pelo estilista e fotógrafo alemão Karl Lagerfeld, cinco são masculinos, com destaque para o francês Baptiste Giabiconi, o Apolo, deus da beleza. Sobre o tema ?Mythology?, Lagerfeld justificou em entrevista concedida à Frédéric Beigbeder: ?porque é a minha religião favorita: um deus para cada ocasião?. O ensaio, que foi realizado em seu estúdio, em Paris, teve joias e acessórios criados pelo estilista exclusivamente para a ocasião. São 36 fotografias com representação de deuses, deusas, herois e heroínas da mitologia greco-romana. Todas as imagens são apresentadas em preto e branco e quatro destacam somente homens. Na edição de 1998, celebridades masculinas também ilustraram as folhas do calendário, os cantores BB King e Bono Vox e o ator John Malkovich estão entre as estrelas.
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08/12/2010 05:55 PM
The New York Times Talvez a genética possa explicar porque algumas pessoas são mais propensas à infidelidade e promiscuidade, pelo menos é isso que aponta um novo estudo. Pesquisadores analisaram o DNA de 181 adultos jovens, que forneceram um histórico completo de suas atividades sexuais e parceiros íntimos. A conclusão da equipe foi que o receptor D4 (DRD4, na sigla em inglês) de dopamina desempenha papel importante no comportamento sexual do indivíduo. Pesquisas anteriores ligam o gene, que exerce influências na química cerebral, às atividades de buscas de sensações. ?Indivíduos com determinada variante do gene DRD4 mostraram maior probabilidade de históricos de sexo descomprometido, incluindo encontros casuais de uma única noite e atos de infidelidade?, disse o líder do estudo Justin Garcia, do laboratório de antropologia e saúde evolucionária da Universidade de Binghamton, por meio de um comunicado.
?A motivação parece partir de um sistema de prazer e recompensa, que é onde ocorre a liberação de dopamina. No caso de sexo descomprometido, os riscos são altos, as recompensas substanciais e a motivação variável ? elementos que garantem uma descarga de dopamina?, explicou Garcia.
As descobertas, publicadas na última edição online da revista especializada PLoS One, não devem ser vistas como uma desculpa para a traição e a promiscuidade, ressaltou o especialista. ?Essas relações entre o comportamento e os genes são associativas, ou seja, nem todo mundo que tenha este genótipo terá sexo casual ou será infiel. Na verdade, muitas pessoas sem este genótipo têm tais comportamentos. O estudo meramente sugere haver uma proporção muito maior de pessoas com este tipo genético que são mais propensas a tais comportamentos?, disse ele.
06/12/2010 02:50 PM
Júlia Reis e Verônica Mambrini, iG São Paulo Foto: Getty Images Os carinhos diminuíram, assim como as risadas. O sexo esfriou e as brigas são constantes. Sintomas de uma relação em crise são facilmente identificáveis. A parte difícil é perceber se tudo isso significa mais que uma fase ruim: será o fim de uma história de amor?
Para a psicóloga e terapeuta sexual Margareth dos Reis, os sinais da mudança no clima do relacionamento podem ser sutis no início, mas a distância entre o casal aparece inevitavelmente. ?Fica claro quando os dois têm mais frustrações e decepções que alegrias. Eles deixam de cumprir o que imaginavam fazer quando começaram a vida juntos?, aponta.
?A gente não transava mais, não se beijava. Perdemos o pique dos passeios legais?, conta Laura Sobenes, fotógrafa, 23 anos. Ela terminou seu namoro de dois anos quando percebeu que as expectativas e a convivência não eram as mesmas do começo. Ela gostava de balada, ele era caseiro. Ela queria sair com os amigos, ele passava bastante tempo na casa da avó. As tentativas de equilíbrio deram certo por algum tempo. ?Ele tentou se doar um pouco, me acompanhar, eu tentei maneirar na bebida e no cigarro?, conta ela. Mas as diferenças começaram a machucar: ?Relacionamento é construir coisas juntos, mas isso ia matar nossa vida?, diz.
Em tempos de crise profunda é comum que um dos lados perceba primeiro que não há mais jeito. No caso de Laura, foi o namorado que quebrou o silêncio e questionou o futuro dos dois. Ela concordou. Para Thiago de Almeida, psicólogo especialista em relacionamentos amorosos, quando uma relação chega ao fim, as expectativas e planejamentos se esgotam. ?Acaba o que dava vontade de estar ao lado daquela pessoa?, diz.
Termômetros da relação
Segundo Thiago, quando o sentimento e o amor estão no fim, há sinais específicos do distanciamento emocional. ?Fui percebendo que ele virou meu amigo?, conta Laura. Na fase final do namoro, o casal se encontrava apenas uma vez por semana e a rotina tomou conta do dia a dia. A diminuição dos beijos na boca, demonstração constante de casais apaixonados, serve de alerta. ?O afastamento começa nessa parte e se estende ao restante do contato físico?, aponta Thiago.
As questões cotidianas também ganham um peso maior quando há conflitos emocionais. Os pequenos defeitos do outro parecem enormes, por exemplo. ?Para os homens, o que era visto como bondade passa a ser visto como falta de assertividade na companheira?, aponta Thiago. Nesse clima se percebe a perda da admiração pelo outro. Assim, queixas objetivas, como as financeiras, viram motivo da discórdia e as reclamações específicas se transformam em críticas à pessoa.
Um sintoma claro de crise é questionar a exclusividade sexual. Quando o desejo de sair com outras pessoas é forte e constante, a crise provavelmente está batendo na porta.
Separar ou dar uma chance?
Se um relacionamento caminha para o fim, não quer dizer que já está enterrado. Por um lado o término é a resposta para todas as frustrações, mas há o receio da precipitação. ?Às vezes as pessoas só enxergam o caminho do fim e não testam outras possibilidades?, diz Margareth. Segundo ela, o que determina se a relação tem condições de continuar é a disposição do casal em tomar atitudes e dialogar sobre as insatisfações. Sem essa renovação, a tendência é que a união ?empobreça e morra?, como define a psicóloga.
Thiago concorda. Para ele, o que diferencia os casais bem sucedidos dos interrompidos é a capacidade de enfrentar e solucionar problemas.
Para dar uma chance ao amor, é preciso renovar a relação e rever projetos a dois. Segundo Lilian Gattaz, psicanalista, o fim do relacionando, em geral, não é equivalente ao fim do sentimento. Mas se o esforço para salvar um casamento ou namoro é grande demais, é possível que mesmo amando uma das partes desista de tentar. ?Vale resgatar até o último segundo, mas às vezes você põe todas as suas forças e não tem salvação?, diz. E com o esgotamento, a relação não tem volta.
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Eu te amo, mas...
04/12/2010 08:00 AM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Getty Images De uma lingerie mais sensual até o uso de um chicotinho, há várias formas de explorar os desejos mais íntimos e fetiches na cama. Pesquisas e dados ajudam a desvendar o imaginário ? e a prática ? das fantasias sexuais pelo mundo. Confira algumas curiosidades sobre o assunto: De mãos atadas É só amizade? Brincando de médico Podolatria Amor pode doer
As algemas são as campeãs de vendas entre os acessórios de fetiches no Brasil, seguidas de chicotes e fantasias. A categoria, aliás, representa 6% dos produtos eróticos comercializados no Brasil, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).
Durante o sexo, 37,7% das pessoas fantasiam com... Um amigo! É o que aponta uma pesquisa da empresa de produtos eróticos Adam & Eve.
Na hora de escolher um personagem para apimentar o sexo, as fantasias de profissionais de saúde, como enfermeiras, doutores e salva-vidas, são as preferidas por homens e mulheres ? no total de 18% das roupas eróticas vendidas. Segundo a Abeme, faxineiras, policiais e soldados também são populares.
O fetiche pelos pés está entre os mais comuns. Um estudo da Universidade de Bolonha mostrou que dedões e o pé são os preferidos por 47% das pessoas que têm fetiche por alguma parte do corpo. Já entre os objetos associados ao corpo, sapatos e botas também fazem sucesso e são a primeira opção de 64% dos entrevistados.
E é inevitável que algumas atividades mais ousadas na cama acabem mal ou em contusões. Um levantamento da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, calculou que entre 1995 e 2006 mais de 6.500 adultos foram tratados no pronto-socorro com machucados em função do uso de brinquedos eróticos. Números de outra pesquisa mostram que um terço das pessoas já sofreu algum tipo de lesão durante sexo - e que cinco por cento da população adulta já teve que faltar ao trabalho em função disso.
02/12/2010 11:45 AM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Celso Pupo/Fotoarena Um dilema entre os desejos de estar sempre junto e de liberdade. É o que vivemos nos relacionamentos amorosos atuais, segundo a psicanalista Regina Navarro Lins. Para ela, as pessoas enfrentam cada vez mais conflitos entre as exigências de um namoro ou casamento ? como monogamia e controle - e seus os desejos individuais. Ainda de acordo com a especialista em relacionamentos com quase 40 anos de experiência, a tendência é de que os envolvimentos fiquem diferentes no futuro próximo, com cada vez menos fusão do casal, exclusividade sexual e ciúmes. Esse cenário do comportamento amoroso e sexual dos brasileiros é apresentado no livro ?Cama na Rede - o que os brasileiros pensam sobre amor e sexo? (Editora BestSeller), que chega às livrarias em dezembro. Nele, Regina comenta o resultado de 50 enquetes sobre o tema feitas com leitores de seu site entre 2000 e 2009. Colunista do Delas, Regina Navarro Lins fala ao site sobre a nova forma de amar: iG: A pesquisa apresentada no livro aponta quais grandes alterações no comportamento sexual e de relacionamento dos brasileiros? iG: Em uma das perguntas apresentadas no livro, mais de 70% das pessoas dizem que sexo sem amor pode ser ótimo. A limitação para fazer sexo sem estar em um relacionamento parece ser mais moral, portanto, já que o desejo existe para a maioria? Regina Navarro Lins: A sociedade não estava preparada para o divorcio na década de 50 e olha como está agora. Os casais caretas sempre existiram e fazem parte de uma minoria.
Regina Navarro Lins: O amor romântico começa a sair de cena, felizmente. Ele é calcado na idealização do outro, na ideia de que os parceiros se completam, de que quem ama não sente desejo por mais ninguém. Hoje vivemos um momento de busca da individualidade, que não é egoísmo, e sim poder realizar desejos e projetos sem depender do outro. Antes a ordem do amor era fazer sacrifícios - e era a mulher quem fazia. Hoje a pessoa pode não estar a fim de permanecer na relação se ela não trouxer um crescimento individual. Claro que cada um escolher como viver, mas acho que a maioria não vai mais querer se fechar na relação a dois. O amor romântico de ficar grudado parece bom, mas a maioria vive mal e o sexo no casamento é uma tragédia, né?
iG: Então o amor sem a ideia de complementaridade muda o casamento como conhecemos?
Regina Navarro Lins: O casamento pode ser ótimo, mas para isso é necessário que as pessoas reformulem as suas expectativas a respeito da vida a dois. Se vocês acham que se completam, que nada mais no mundo interessa e só o outro te satisfaz, o casamento não vai funcionar bem porque não é real.
iG: Então ficar muito junto ou muito seguro é o que esfria o sexo no casamento? E há como resgatar a química na relação?
Regina Navarro Lins: É a excessiva intimidade, familiaridade. Mas o grande vilão do tesão no casamento é a exigência de exclusividade. O casamento vira uma dependência emocional entre pessoas. Se você sabe que seu marido não sai do seu pé, não larga de você, ele vira um irmão e não tem mais estímulo para desejar. O mínimo de insegurança é necessário para que o tesão continue. Tenho consultório há 37 anos e nunca vi um casamento com controle no qual as pessoas realmente estejam bem.
iG: Muita gente afirma que o ciúme faz parte do amor, 44% das pessoas na pesquisa concordam com isso. Essa é uma insegurança positiva ou negativa na relação?
Regina Navarro Lins: É maléfico. Desde que nascemos aprendemos que quem ama tem ciúme. Já cansei de ver gente que se preocupa quando o parceiro não sente ciúmes. É um cacoete, um hábito que as pessoas precisam largar, porque é muito limitador pra quem é alvo e pra quem sente.
iG: Então as relações extraconjugais podem ser aceitas em um relacionamento? Mas as pessoas não se sentem desrespeitadas ou magoadas quando isso acontece?
Regina Navarro Lins: A exigência de transar só com uma pessoa é difícil de cumprir. Temos muitos estímulos. Só que não transam com outros para não magoar, dentro de uma mentalidade moralista. É óbvio é que as relações extraconjugais acontecem em maioria porque variar é bom, todo mundo gosta.
Mas as pessoas dizem que isso acontece porque a pessoa não ama a outra. E daí vem o sofrimento atroz. Se você é amada ou desejada, o que o outro faz quando não está com você não interessa. Acho importante refletir sobre essa questão. As mentalidades têm que mudar e as pessoas precisam entender que fidelidade não é importante para ser amado, para a relação dar certo. Quem ama pode transar com outras pessoas. É uma ficção achar que as pessoas vão estar muito satisfeitas transando com a mesma pessoa por 30 anos. Quem quer comer a mesma comida, usar a mesma roupa todo dia?
Regina Navarro Lins: Criou-se uma ideia para as mulheres que sexo tem que estar ligado ao amor. Para homens nunca disseram isso. Podemos ter sexo ótimo amando ou com alguém que acabamos de conhecer.
iG: Mas a mulher com essa postura mais aberta de relacionamento não afasta os homens? Porque segundo o seu levantamento, 68% das pessoas dizem que eles se assustam quando elas são experientes.
Regina Navarro Lins: Sim, eles ficam temerosos. Homem não se assusta com a mulher independente financeiramente, com sucesso profissional. Ele se assusta com a mulher autônoma, liberta dos padrões de comportamento. É a mulher experiente, que não está mais presa naqueles estereótipos definidos de ser frágil, não fazer sexo no primeiro encontro.
iG: E de maneira geral a sociedade está preparada para essas mudanças, para abrir mão da exclusividade sexual com o parceiro e investir na individualidade?
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Somos tão felizes no sexo quanto dizemos que somos?
Teste: como você escolhe seu par?
27/11/2010 08:00 AM
Natália Garcia, especial para o iG São Paulo Foto: Eduardo Cesar - Fotoarena ?Seja do jeito que for A composição de Arlindo Cruz interpretada pela cantora Maria Rita conta a história de alguém que foi abandonado por seu amor e está disposto a fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. ?E se voltar te dou café // Preliminar com cafuné // Pra deixar teu dia mais gostoso?, diz a letra, em um clamor quase desesperado para que o ser amado volte. Essa canção apenas reforça aquela sensação comum depois de um fim de namoro ou casamento. ?Principalmente porque, depois de algum tempo separados, os casais se esquecem de todos os pequenos problemas do cotidiano que culminaram no término?, diz a psicóloga especialista em terapia de casais Suzy Mosna. ?E muitos dos casais que insistem em voltar acabam se machucando e se afastando ainda mais?, completa. ?Mas existem casos em que a separação funciona como um período de amadurecimento?, contemporiza. Conheça algumas das histórias de casais que se amaram em dois tempos ? e continuam vivendo felizes para sempre. Se equilibrando em cordas bambas Ele, ?um moleque frangote de 19 anos?, nas palavras de Vanessa, ela ?uma mulher linda de 21 anos que mexeu comigo de cara?, na lembrança dele. Acontece que o moleque de 19 anos deixava qualquer um de boca aberta quando fazia solos de guitarra, e não demorou para Vanessa se encantar com o talento de Filipe, hoje produtor musical da Panela Produtora. Os dois se apaixonaram e namoraram por quatro anos. Vanessa foi vocalista de várias bandas que tiveram Filipe como guitarrista solo, como ?Vanessa e o resto? e ?Classe?. Mas no último dos quatro anos desse namoro as coisas começaram a esfriar. ?Ele já não me dava atenção, não me surpreendia, comecei a me cansar daquele namoro morno?, diz ela. Ele não nega ?sou um cara meio desligado mesmo, para mim estava tudo bem?. Mas não estava. E Vanessa, decidida que é, tomou as rédeas da situação e terminou o namoro. O período de separação foi de sofrimento para ele e busca para ela. Vanessa buscava não necessariamente outras relações ? apesar de ter tido duas paixões relâmpago ? mas certo equilíbrio interno, queria amadurecer, conhecer coisas novas. Filipe não. Sem pressa de viver, ele sabia que Vanessa era o amor de sua vida. Ele insistiu durante os seis meses em que estiveram separados para que voltassem, mas Vanessa só dizia não. Até que, inspirado pelo seu chefe na época, Filipe tentou uma estratégia diferente. ?Olha, eu cansei de esperar por você. Conheci outra mulher e decidi seguir minha vida ao lado dela?. Uma semana depois, Vanessa estava de volta ? e demoraram anos para que Filipe admitisse a mentira ? uma jogada de sorte para tê-la novamente. Logo que voltaram, em 2002, já decidiram morar juntos e, em 2003, se casaram. Hoje têm um filho de quase dois anos, João Pedro, e estão felizes da vida ? ele continua tocando sua guitarra e ela se divide entre o microfone e as aulas de ioga, sua principal atividade. ?Éramos dois adolescentes com sentimentos de gente grande?, diz Vanessa. Ambos moravam com os pais na época da separação e não estavam prontos para se comprometer com uma relação mais séria. Mas esse período de separação serviu para que Vanessa percebesse que era aquele guitarrista charmoso que ela queria ao seu lado pelo resto da vida. E Filipe aprendeu a prestar mais atenção para, de vez em quando, surpreender sua mulher. Tinha que ser Mas a paixão entre o casal era tanta que, de vez em quando, escapavam de suas relações para se encontrarem. Até que, depois de um ano de término, o sentimento falou mais alto. Foram juntos ao casamento da prima de Marcela e, ali, decidiram voltar. Marcela já estava trabalhando em uma loja e muito mais madura ? e o namoro foi diferente. Oito anos depois, em 1994, eles se casaram e permanecem juntos até hoje. Para Marcela foi importante se separar por um ano de Ricardo, pois ?a falta de quem você ama de verdade te faz mais forte?, diz ela, que passou três meses ?na fossa?. O envolvimento com outro homem também teve um papel importante: aumentou ainda mais o amor que sentia por Ricardo. Ele, por outro lado, diz ?farreei bastante, mas voltei para buscar o amor da minha vida?. Hoje os dois trabalham juntos na confecção de uniformes, e se policiam para não conversar sobre trabalho nos fins de semana. Depois de três anos Depois de três anos, a irmã de Wilson contou a Graça que ele também estava solteiro e sugeriu que se reencontrassem. A baiana, então, se encheu de ternura para procurar o querido Wilson, pediu-o em namoro e recebeu um sim emocionado. Três meses de namoro e outro pedido, dessa vez, de casamento, também feito por ela. Casaram-se em 1983 e estão juntos até hoje. Têm uma filha, Ana Carolina Soares, de 24 anos. ?Aprendi a dar valor à pessoa que ele é?, conta Graça. ?O Wilson é um lago azul no meio das montanhas?, diz. 
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar
Tá Perdoado!...?
Filipe e Vanessa Trielli se conheceram na Vila Mariana, bairro paulistano, em 1998. Ele estudava publicidade na faculdade ESPM e, do outro lado da rua, ela cursava desenho industrial. Os dois provavelmente já tinham se esbarrado rumo ao curso, mas foi o coral da ESPM que fez com que eles se aproximassem.
Quando viu Ricardo Cipriano de Sá pela primeira vez, Marcela Coffers disse à amiga Claudia Donega que namoraria com ele. ?Não só vou namorar, mas me casar?, profetizou. De fato, naquela noite, os dois dançaram juntos e, logo em seguida, começaram a namorar. Marcela tinha 17 anos, Ricardo, 18. Mas, se a idade dos dois diferia em apenas um ano, a distância entre eles, com o tempo, se mostrou maior do que isso. Ela morava com os pais, que não permitiam que os dois fizessem viagens ou que ela voltasse muito tarde para casa. Ele, alistado no exército, era mais independente e se mostrou cada vez menos disposto a ter um namoro adolescente. Foi inevitável: um ano depois terminaram o namoro, mesmo que ainda se gostassem muito. Terminaram e, como em boa parte dos casos, se envolveram com outras pessoas.
Ainda muito jovem, a baiana Maria das Graças Soares de Souza Ferreira partiu rumo a São Paulo para tentar a vida com a família. O ônibus passou por Minas Gerais e foi lá que apanhou Wilson Ferreira. Os dois eram novinhos e foram morar na mesma rua, na Zona Leste de São Paulo. Cresceram juntos, suas famílias tornaram-se amigas e o destino dos dois seguiu a sina quase que obrigatória em casos como esse: começaram a namorar.
Ficaram juntos por um ano e meio. Na época, Graça recebeu uma oferta para trabalhar na região de Moema, zona sul da cidade e bem distante de Wilson, e aí a relação começou a ficar complicada. Mas o ponto final se deu quando Graça se envolveu com outro homem, cortando de vez os laços com Wilson. Nesse meio tempo, Wilson também teve um envolvimento com outra mulher, mas nunca conseguiu esquecer Graça.
Ela afirma que, ao lado dele, sempre sentiu paz e segurança, nesses quase 30 anos de casamento. O fato de serem muito amigos e terem crescido juntos fez com que a relação desse certo quando voltaram. Eles têm total liberdade para serem verdadeiros um com o outro, e é com esse amor que continuam a enfrentar todos os percalços da vida ? juntos.
25/11/2010 01:18 PM
Júlia Reis, iG São Paulo Foto: Guilherme Campos / Fotoarena Ele faz piadas sem graça, escuta músicas horríveis ou dá nome para o próprio carro? O amor supera muita coisa e no relacionamento é preciso conviver com o jeito do outro. O que acontece em alguns casos é que as manias do parceiro, que antes eram tão charmosas ou engraçadinhas, começam a irritar ou incomodar no dia a dia. Reunir essas críticas tão pequenas e tão grandes ao mesmo tempo é o objetivo do site I Love You But, idealizado pelos artistas ingleses Alex Holder e Ross Neil. Os dois perguntaram aos amigos quais eram os hábitos ou características de seus pares que os irritavam e postaram caricaturas de cada um com o depoimento. Entre o material coletado estão frases como ?Eu te amo, mas você usa roupas muito pequenas para você?, ?Eu te amo, mas você compra todos os presentes de Natal em outubro? ou ainda ?Eu te amo, mas você coloca catchup em tudo?. Revelar que algo incomoda é importante, segundo Ailton Amélio, psicólogo especialista em relacionamentos. Mas isso deve acontecer em uma conversa sem acusações, questionamento de caráter ou intenção de estar sempre certa. A ideia é chegar a consensos para que uma mania não tire mais vocês do sério. ?Eu te amo, mas queria que você gostasse menos de videogame?, diz a publicitária Rachel Juraski, de 27 anos, sobre o marido José Granado. Ele recentemente vendeu os aparelhos em função das brigas, mas revida: ?Eu te amo, mas você gosta mais do cachorro?. ?Eu sou assim? ou ?Você me conheceu desse jeito? são respostas comuns para as reclamações sobre hábitos ou manias. Para o psicólogo, essa é uma reação defensiva. ?O que era bom aos 18 anos não é agradável aos 40. É preciso renegociar. O relacionamento é vivo?, diz Ailton. Mesmo que seja preciso fazer um ajuste fino para garantir a harmonia do casal, vale ter cuidado com a intolerância. Afinal, no namoro ou casamento sempre haverá diferenças. Outros casais e leitores contaram quais os ?mas? de seu amor pelo parceiro. "Eu te amo, mas você dirige muito rápido" - Alessandra Ferreira, 22 anos. ?Eu te amo, mas você anda de meia preta social com shorts? - Kelly Giacon, 29 anos. ?Eu te amo, mas você tem manias irritantes como achar que está sempre certo e não dispor de nenhuma paciência? - Bruna Burk, 24 anos. ?Eu te amo, mas você podia beber menos!? Milena Sangali, 20 anos. ?Eu te amo, mas esse seu ciúme obsessivo precisa de um tratamento!? - Zélia Torrezan, 22 anos. ?Eu te amo, mas namoro à distância não dá? - Queli Alves Santos, 25 anos. ?Eu te amo, mas você poderia me poupar de assistir jogos de futebol nas quartas à noite? - Patricia Santana de Oliveira, 23 anos. O Delas convida vocês a fazer uma declaração de amor com um recado para seu parceiro. Deixe aqui um comentário dizendo por que ?eu te amo, mas...?. 
Qual o limite
É preciso avaliar o quanto o problema em questão aparece no dia a dia. ?O que faz o relacionamento dar certo depende do setor onde está a incompatibilidade. Gostar de Carnaval é um problema que só aparece uma vez ao ano. Já onde sair no sábado a noite é recorrente?, explica Ailton.
?Eu te amo, mas você tem um paladar infantil. Só come arroz, feijão, bife e macarrão? - Camila Olivo, 27 anos.
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21/11/2010 08:00 AM


