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Leia as colunas de Lúcio Ribeiro, Sérgio Rodrigues, Ricardo Kotscho, Mona Dorf, Daniel Soler, Ricardo Calil e Bruno Carvalho no Último Segundo - iG.




A coluna se despede com uma homenagem à Astronomia

Transcender. Esta é pra mim a palavra que talvez melhor represente o significado de Astronomia.

Por meio dela, é possível transcender o nosso dia-a-dia. Por meio dela, é possível compreender que existe algo maior, maior do que todos os pequenos problemas que nos afligem todos os dias em nossas rotinas, em nossos cotidianos. Que estamos totalmente imersos em algo muito maior.

Que estamos num minúsculo e belo planeta azulado, que chamamos de lar, que chamamos de Terra. Lar este, a partir do qual temos uma imensa janela, aberta para o Cosmos: o nosso céu, céu azul, céu noturno, salpicado de estrelas, o nosso céu. No qual somos capazes de enxergar verdadeiras maravilhas, que a Natureza se encarregou de construir durante bilhões e bilhões de anos de evolução e de história.

No céu, podemos todos os dias presenciar o belo espetáculo do crepúsculo, que se forma próximo ao horizonte, logo antes, ou logo depois do Sol - a fonte de toda a energia existente em nosso planeta - pura e simplesmente, cruzá-lo.

Podemos ver, semana após semana, mês após mês, a nossa Lua, o satélite natural de nosso planeta, aparentemente a realizar uma belíssima dança ao redor do Sol - na verdade uma dança ao redor de nós, da Terra -, mudando sua aparência - suas fases - tal qual um dançarina que tenta seduzir seu parceiro de dança, incessantemente. Num ciclo que se repetirá sempre, para sempre.

Podemos ver também, a olho nu, outros cinco dançarinos, estes mais discretos, mas nem por isso menos talentosos, movimentando-se, mês após mês, ao redor do Sol. São os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, alguns dos muitos companheiros da nossa Terra, no eterno baile que ocorre em nosso sistema solar, com planetas, planetas anões, luas, asteróides, cometas, meteoróides e poeira, dançando, milênios após milênios, ao redor de nossa estrela mãe. Certamente não foi à toa que Johannes Kepler ?ouviu? a música das esferas.

Mas é claro que todo baile precisa de uma bela decoração. E neste baile, que ocorre acima de nossas cabeças, noite após noite, não poderia existir decoração mais apropriada do que as milhares de estrelas existentes no céu noturno. E quão magnífico não é o pensamento e o entendimento de que cada um desses cintilantes pontos luminosos, nada mais é do que um outro baile, ocorrendo num lugar tão distante daqui, tão distante, que os raios de luz vindo de lá estavam há muitos e muitos anos viajando pelo espaço existente entre nós. Só para nos mostrar o que estava acontecendo por lá, naquele baile!

Mas, talvez, seja ainda mais magnífico saber, que tudo isso que somos capazes de ver com nossos olhos desarmados - a olho nu -, não corresponde se quer a uma ínfima parte de tudo o que existe no Universo. Seja porque o todo mais que existe está muito distante de nós, seja porque a maior parte desse todo nos é realmente invisível - pelo menos invisível aos nossos olhos.

Graças à imprescindível ajuda dos profissionais-irmãos - físicos, engenheiros, matemáticos, químicos e biólogos, principalmente -, os astrônomos, ao longo dos últimos séculos, desvendaram o véu que escondia dos seres humanos a existência de tantas e tantas e tantas coisas, que sabemos hoje existirem fora do nosso Pálido Ponto Azul.

Com os avanços tecnológicos, provindos do incansável trabalho, em parceria com todos esses profissionais-irmãos, foi possível aos astrônomos construir telescópios e equipamentos, e elaborar teorias e novos conhecimentos, capazes de mostrar aos nossos limitados olhos, e de fazer nossos sub-utilizados cérebros compreenderem, um pouco da incomensurável complexidade e diversidade existentes Universo a fora.

Estrelas binárias, sistemas triplos de estrelas, sêxtuplos até! Aglomerados de estrelas, com centenas de milhares de estrelas-irmãs, nascidas da mesma nuvem de gás e poeira primordial! Imensas nebulosas dos mais variados tipos, cores e tamanhos! Algumas verdadeiros berçários estelares, outras verdadeiros cemitérios! Muitos destes últimos contendo os restos - remanescentes - de explosões magníficas e espetaculares de estrelas que ocorreram no momento de suas mortes, e que fizeram com que todo o material contido dentro delas se espalhasse para o meio interestelar!

Buracos negros, estrelas de nêutrons, magnetars, anãs brancas, anãs marrons e anãs negras, uma verdadeira família de objetos exóticos e misteriosos! Ainda sobre os quais existem as mais diversas questões, sedentas por respostas, as quais certamente virão por meio de mais e mais descobertas que ocorrerão nos próximos anos e décadas.

E pensar que existem exemplares de todos esses objetos, até aqui citados, bem ?perto? de nós, dentro da nossa própria Galáxia! Ah, sim, como poderíamos deixar de falar desse inigualável véu esbranquiçado, que se estende de horizonte a horizonte no nosso céu noturno? Nossa Galáxia, a Viá Láctea, nosso Universo-Ilha. Endereço de todos os objetos que somos capazes de observar a olho nu. Excetuando-se apenas três, três pálidas manchinhas no céu: a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães, e a Galáxia de Andrômeda, galáxias literalmente vizinhas da nossa.

Há cerca de 100 anos apenas, fomos capazes de compreender que nossa Galáxia é só mais uma dentre - hoje acreditamos - cerca de 1 trilhão de galáxias! 1 trilhão! Das mais variadas formas, com os mais diversos tamanhos, espalhadas por todo o Universo! Organizadas em aglomerados, e até em superaglomerados de galáxias. Muitas delas distantes de nós o suficiente, para que a luz, vinda delas, tenha viajado bilhões de anos até chegar ao nosso planeta! Bilhões! Praticamente a idade que se supõe ter o nosso próprio Universo!

E mais recentemente, há pouquíssimos anos, novas descobertas ainda, tem deixado a comunidade científica verdadeiramente perplexa e atônita, dadas a importância e a imprevisibilidade delas, dado o impacto que elas tem causado sobre todo o conhecimento acumulado, em todos esses séculos de trabalho.

Só para citar duas: constatou-se, primeiro, que cerca de 96% (!) de tudo o que existe no Universo, simplesmente não parece ser feito nem de matéria nem de radiação. Dá pra acreditar? Simplesmente quase tudo que existe, é feito de coisas - matéria e energia ?escuras? - que não têm a forma daquilo que conhecemos, que não são nem essa matéria de que somos feitos, nem essa radiação que somos capazes de enxergar, ou pelo menos capazes de construir aparelhos que conseguem detectar.

E segundo: já são hoje quase 500 (!) planetas efetivamente catalogados fora de nosso sistema solar. 500! Ou seja, se supormos, por um momento, que seja comum então, a existência de planetas ?bailando? ao redor de outras estrelas, e tomando-se ainda uma média, baixíssima, de 1 planeta por estrela... só em nossa Galáxia devem existir da ordem de 100 bilhões de planetas! E no nosso Universo, talvez 100 bilhões de trilhões...!

Some isso, ainda, ao fato de que os astroquímicos e astrobiólogos já foram capazes de detectar a existência de moléculas orgânicas, de grande complexidade, em diversos pontos de nossa Galáxia. Não lhe parece então ser só uma questão de tempo (talvez muito tempo concordo, mas talvez até que não...), que venhamos a realizar a maior de todas as descobertas da história da raça humana: a existência de vida fora de nosso humilde e singelo planeta azul, nosso lar, a Terra?

Será possível então que, durante todos esses anos, esses milhares de anos, em que a raça-humana ficou a observar o céu, a se questionar sobre ele, e a ir em busca de respostas às mais variadas perguntas, que surgiram por causa desse céu... será que em todos esses anos estivemos sendo observados? Será que há seres vivos e inteligentes lá fora? Olhando ainda para seus céus, e se perguntado se há seres vivos e inteligentes lá fora???

Será que um dia conseguiremos nos comunicar com eles, caso existam?

Não há como tomar conhecimento de todas essas coisas, de todos esses fatos, de todas essas descobertas, e não perceber que fazemos parte de algo muito maior - maior em todos os sentidos da palavra -. Maior e mais complexo até, talvez, do que sempre seremos capazes de assimilar, e mesmo até capazes de aceitar. Um todo que talvez nunca nos seja possível conhecer plena e completamente. Mas que talvez, por isso mesmo, nos instigue, eternamente, a buscar mais, a querer mais, a desejar conhecer mais. A ir além.

Por meio da Astronomia, acredito assim que pode-se ir além. Além do que se é capaz de imaginar, além do que se é capaz de fazer. Por meio dela, podemos transcender.

Somos parte de tudo isso, estamos no meio disso, somos parte do todo, do Cosmos, do Universo. É maravilhoso pensar nisso, pensar que fazemos parte dessa imensa complexidade, presente ao mesmo tempo em cada átomo, em cada molécula, em cada célula, em cada órgão, em cada parte de nosso corpo, de nossa mente, de nosso pensamento, de nós, simplesmente de nós. E, ao mesmo tempo, presente em cada grão de poeira, em cada meteoróide, em cada asteróide, em cada cometa, em cada planeta, em cada estrela, e em cada galáxia existente nesse imenso Universo.

Voltemos então, agora, ao começo, voltemos ao início. Voltemos às palavras de Henry Poincaré, que serviram de inspiração para a confecção desta singela homenagem. E que servirá ainda de inspiração, certamente, para muitos que, como eu, pretendem e pretenderão dedicar suas vidas - ou pelo menos parte delas - à divulgação, à difusão, ao ensino e à popularização da ciência dos astros, a ciência dos céus, a Astronomia:

"A Astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes."

Um até breve para você!

Primeira parte de uma homenagem do autor aos leitores da coluna

Uma vez um homem chamado Henri Poincaré disse o seguinte:

"A Astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes."

Será que algo mais precisaria ser dito a respeito da Astronomia?

Muitos certamente diriam que sim.

Talvez diriam que a Astronomia, assim como todas as demais ciências, contribuiu e contribuiu para as diversas frentes de desenvolvimento da raça humana, possibilitando uma melhor compreensão a respeito da Natureza, e dos meios pelos quais podemos interferir nela a nosso favor e em nosso benefício.

Ou diriam que a Astronomia é uma excelente ferramenta, um excelente meio, para o ensino e a divulgação de outras ciências. Ela seria uma facilitadora na aproximação das pessoas para questões relativas às ciências, portanto, dado o interesse que naturalmente a Astronomia parecesse despertar em boa parte das pessoas em geral. Ao contrário, muitas vezes, de outras ciências naturais, por exemplo, como a Física, a Matemática, a Química e a Biologia.

Ou ainda diriam que ela é uma excelente ferramenta para se estudar o funcionamento da própria mente humana, pois o grau de abstração necessário, para a compreensão de certas questões relativas à Astronomia, é um campo fértil para estudos sobre como compreendemos e assimilamos determinados fenômenos que nossos sentidos nos permitem (ou não) captar.

Ou então diriam que é ela é a ciência do futuro. Que todos os conhecimentos que têm se acumulado ao longo dos séculos, principalmente nos cinco últimos, a respeito das coisas relativas ao cosmos, dos assuntos que tratem de corpos/objetos extraterrenos e/ou de suas possíveis relações/interações com o planeta Terra, serão essenciais quando as viagens interplanetárias se tornarem plena realidade. Quando a raça humana começar, por exemplo, a colonizar outros corpos celestes - a Lua e Marte em primeiro lugar, provavelmente.

Também diriam, ao contrário, que é a ciência do passado. Que foi a primeira ciência natural, mesmo quando ainda não havia se quer a clara distinção que existe hoje entre as ciências e as demais áreas de conhecimento humano. Que o vislumbre do céu, e o questionamento sobre os fenômenos que lá ocorriam e ocorrem, fizeram parte dos primeiros lampejos científicos ocorridos em membros da raça humana, desde o início da nossa História.

Ou que a Astronomia é só mais uma área do conhecimento humano, como outra qualquer. Que tem suas peculiaridades, sua própria histórias, seus próprios ?grandes nomes? históricos, sua própria epistemologia, seus métodos, seus objetivos, seus jargões, seu vocabulário, seus domínios, suas bases, seus alicerces, suas fronteiras, seu destino. Mas os tem assim como qualquer outra área do conhecimento, em especial as ciências, como Física, Matemática, Química, Biologia, Línguas, História, Geografia, Filosofia, Psicologia, etc, etc, e etc. Não tem, portanto, nada de especial, é só mais uma.

Ou então, talvez, que a Astronomia não é de fato útil. Que não há aplicabilidade direta, em benefícios para a sociedade global, para os conhecimentos desenvolvidos ao longo dos séculos pelos Astrônomos. Que não passam de meras curiosidades, coisas talvez até interessantes de se saber e ouvir falar, que talvez algum dia tenham sido úteis, mas que não servem verdadeiramente para nada realmente útil para as pessoas, principalmente no seus dia-a-dias.

Com absoluta certeza, todas essas coisas - e muitas e muitas outras - precisam ser ditas sobre a Astronomia. Precisam ser ?colocadas em pauta?, questionadas, discutidas, comentadas. É saudável, é necessário, é fértil para o desenvolvimento de qualquer área de conhecimento humano, esse olhar para si mesmo, esse questionamento a respeito da própria existência e dos seus porquês. É assim que se ganha força, se ganham novos adeptos, se tomam novos rumos, aspectos se cristalizam, outros são abandonados, ocorrem rupturas, tudo em prol de uma melhoria acolhida coletivamente (desejando-se isso ou não). É algo inexorável.

Na semana que vem, iremos encerrar a Coluna Enquanto Isso no Universo, terminando esta breve Ode à Astronomia, uma humilde homenagem que eu gostaria de deixar aqui registrada para todos os leitores da coluna.

Aguardo vocês, e até lá!
 

Veja a segunda parte das explicações sobre as constelações do céu de outono

Foto: Reprodução

Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.

Antes de seguir na leitura, acesse o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

OUTONO 2ª PARTE

VIRGEM ? Virgo ? Vir




A maior constelação do zodíaco e a segunda maior de todas, Virgem tem a forma de um Y inclinado com sua estrela mais brilhante, Spica, na ponta sul. Na sua borda norte está o mais próximo grande aglomerado de galáxias, a cerca de 50 milhões de anos-luz. O Sol fica nos limites de Virgem todo ano, no equinócio de setembro.

Galáxia de Sombreiro
A mais conhecida galáxia de Virgem não é parte de seu aglomerado, e está a apenas dois terços da distância entre a Terra e o tal aglomerado. A faixa escura que corta o núcleo central é criada por poeira nos braços espirais.

 Galáxia M87
Galáxia elíptica gigante próxima do cerne do aglomerado de galáxias de Virgem, M87 tem um núcleo ativo que expele um jato de gás. M87 é uma forte fonte de rádio.

 

 

 Traços de Interesse:

ALFA VIRGINIS (SPICA): O membro mais brilhante da constelação; magnitude 1,0. É uma azul-branca a 260 anos-luz de distância.

GAMA VIRGINIS: Estrela binária cujas componentes se orbitam a cada 169 anos. Estão se afastando e em 2010 serão divisíveis com telescópios de abertura de 100mm.

AGLOMERADO DE VIRGEM: No bojo do Y há muitos membros deste aglomerado de galáxias. As mais brilhantes são elípticas gigantes, notavelmente M49, M60, M86 e M87.




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 CORVO ? Corvus ? Crv

Corvo é uma pequena constelação ao sul de Virgem, cujas quatro estrelas mais brilhantes ? Beta, Gama, Delta e Épsilon Corvi ? traçam a forma nítida de uma cruz torta. Estranhamente, Alfa Corvi, de magnitude 4,0, é a mais fraca. Corvo, uma das 48 constelações originais, representa um corvo, a ave sagrada de Apolo. Está ligada à lenda da constelação vizinha, Taça.

As Antenas
À medida que as galáxias NGC4038 e NGC4039 delizam uma pela outra, a gravidade puxa longas torrentes de estrelas e gás que parecem se estender como as antenas de um inseto, daí o nome popular.

Traços de Interesse:

DELTA CORVI: Estrela dupla com componentes de 3ª e 5ª magnitudes, separável com telescópio pequeno.

NGC4038 e NGC4039 (AS ANTENAS): Notável par de galáxias em interação. Um grande ?acidente de tráfego? ocorre a 65 milhões de anos-luz: a colisão das galáxias NGC4038 e NGC4039. De 10ª magnitude, elas são fracas demais para serem vistas com telescópio pequeno, mas fotografias revelam sua verdadeira estrutura. Estendendo-se a partir delas, dos dois lados, vêm-se arcos semelhantes a antenas feitos de colunas de gás e milhões de estrelas arremessadas no espaço intergaláctico em conseqüência da colisão.

URSA MAIOR ? Ursa Major ? UMa


 A Ursa Maior, a Grande Ursa, é uma grande e destacada constelação. Sete de suas estrelas traçam a conhecida forma da Grande Concha (Panela ou Caçarola), mas isso é apenas parte dela. Duas estrelas no bojo da concha, do lado oposto ao do cabo, Alfa e Beta Ursae Majoris, apontam para a estrela do pólo norte, Polaris. No mito grego, a Grande Ursa é identificada com dois personagens: Calisto, amante de Zeus transformada em urso por Hera, mulher do deus, num ataque de ciúme; e Adrastéia, uma das duas ninfas que cuidaram do bebê Zeus, escondendo-o do seu pai assassino, Cronos. A segunda ninfa, Ida, é representada por Ursa Menor, a Pequena Ursa.

Nebulosa da Coruja
A pálida nebulosa planetária sob o bojo da Concha tem esse nome em razão de seus ?olhos? escuros, como os da coruja, visíveis somente com grandes telescópios ou em fotografias e imagens de CCD como esta.


M81 e M82
Galáxias espirais contrastantes no norte da Ursa Maior. A maior, M81, é visível em noites limpas e escuras como uma mancha de luz ligeiramente alongada. Está a um diâmetro da Lua cheia ao norte da menor e menos brilhante M82, só visível com telescópio.

Ursa Maior no céu noturno
A conhecida forma de concha/panela/caçarola, um dos padrões mais facilmente reconhecíveis no céu, é apenas parte da Ursa Maior. Pode-se ver a olho nu que a segunda estrela no cabo é dupla.

Traços de Interesse:

O ARADO: Um dos padrões mais conhecidos no céu, traçado pelas estrelas Alfa, Beta, Gama, Delta, Épsilon, Zeta e Eta Ursae Majoris Com exceção de Alfa e Eta, essas estrelas estão a distâncias similares de nós (cerca de 80 anos-luz) e se movem na mesma direção, formando o que é chamado de aglomerado móvel.

ZETA URSAE MAJORIS (MIZAR E ALCOR): Mizar, a segunda maior estrela no cabo, tem uma companheira menos brilhante, Alcor, perceptível a olho nu e facilmente vista com binóculo. Um telescópio pequeno mostra que Mizar também tem uma companheira de 4ª magnitude.

XI URSAE MAJORIS: Estrela dupla no sul da constelação, separável com telescópio de 75mm de abertura. Suas componentes, de 4ª e 5ª magnitudes, formam uma binária verdadeira orbitando a cada 60 anos, período curto para uma estrela binária visual.

M81: Galáxia espiral no norte da Ursa Maior, inclinada para nós em ângulo.

M82: Galáxia espiral de lado para nós. Parece ter passado por uma explosão de formação de estrelas após um encontro próximo com a maior M81, há cerca de 300 milhões de anos.

M97 (NEBULOSA DA CORUJA): Nebulosa planetária sob o bojo da Grande Concha, um dos objetos menos brilhantes do catálogo de Messier.

M101: Galáxia espiral de face para nós, perto da ponta do cabo da Grande Concha.

 
MOSCA ? Musca ? Mus

Está na Via Láctea ao sul de Cruzeiro do Sul e Centauro. É uma das constelações introduzidas no fim do século XVI pelos navegadores-astrônomos holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Drederick de Houtman, e representa uma mosca. A ponta sul da escura nebulosa Saco de Carvão a penetra a partir da vizinha Cruzeiro do Sul, mas afora isso ela pouco tem de notável.

AGLOMERADO NGC4833

Este aglomerado globular a 18 mil anos-luz de distância pode ser visto com binóculo, mas só um telescópio de 100mm de abertura permite distinguir suas estrelas mais brilhantes.

Traços de Interesse:

THETA MUSCAE: Estrela dupla com componentes de 6ª e 8ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. A mais brilhante é uma supergigante azul e a outra é um exemplo de estrela Wolf-Rayet ? estrela quente que perdeu suas camadas externas.

NGC4833: Aglomerado globular visível com binóculo e telescópio pequeno.

* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

Daniel Soler

Veja a primeira parte das explicações sobre as constelações do céu de outono

Foto: Reprodução

Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.

Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

OUTONO 1ª PARTE

LEÃO ? Leo ? Leo

Grande constelação do zodíaco e uma das mais fáceis de reconhecer, porque seu contorno realmente lembra um leão (apesar de aparecer de ponta-cabeça para os habitantes do hemisfério sul da Terra). O padrão de seis estrelas que marca a cabeça e o peito do animal, na forma de um ponto de interrogação invertido, é conhecido como a Foice. Na mitologia grega, Leão representa o leão de couro impenetrável morto por Hércules no primeiro de seus 12 trabalhos. Os meteoros Leonídeos irradiam da região da Foice a cada mês de novembro.

Foice de Leão
As seis estrelas ? Épsilon, Mu, Zeta, Gama, Eta e Alfa Leonis (Regulus) ? que formam a Foice de Leão são claramente visíveis. A mais brilhante, Alfa Leonis, marca a ponta do cabo da foice.

Traços de Interesse:

ALFA LEONIS (REGULUS): A mais brilhante estrela da constelação, de magnitude 1,4. Telescópio pequeno ou binóculo mostram uma companheira de 8ª magnitude.

GAMA LEONIS (ALBIEBA): Par dourado de magnitude 2,2 e 3,5, separável com telescópio pequeno de grande ampliação. As duas estrelas são gigantes laranja que orbitam uma à outra a cada 600 anos.

ZETA LEONIS: Tripla bem separada de 3ª magnitude na Foice de Leão. Estrelas não relacionadas, de 6ª magnitude, ao norte e ao sul dela, são visíveis com binóculo.

M65, M66 e NGC3628: O chamado Tripleto de Leão, trio de galáxias espirais próximo à parte traseira de Leão, visível com telescópio pequeno. M65 e M66 (duas mais embaixo na foto), por se inclinarem para nós em ângulos abruptos, parecem alongadas. NGC 3628 (no alto da foto) é uma das poucas galáxias que aparecem para nós totalmente de perfil.

M95 e M96: Par de galáxias espirais fracas, visíveis com telescópio de médio porte.


CRUZEIRO DO SUL ? Crux ? Cru

O Cruzeiro do Sul é a menor constelação, porém é instantaneamente reconhecível, graças à famosa estrela Crucis, mais conhecida entre os brasileiros por Intrometida, pois vem meio que ?atrapalhar? o formato perfeito de cruz. Os gregos antigos a viam como parte de Centauro, mas foi transformada em constelação à parte e chamada Cruzeiro do Sul por navegantes europeus no séc. XVI. Eles estabeleciam sua rota com base no fato de que o eixo mais longo da cruz aponta para o pólo sul celeste. Está numa área rica da Via Láctea, interrompida pela escura nebulosa do Saco de Carvão.

Nebulosa Saco de Carvão
Nebulosa que aparece com uma mancha escura na brilhante Via Láctea perto do Cruzeiro do Sul, aqui à esquerda do centro. Alfa e Beta Centauri estão na extrema esquerda da figura.

Traços de Interesse:

ALFA CRUCIS: A estrela de 1ª magnitude mais ao sul. A olho nu parece ter magnitude 0,8, mas telescópios pequenos a dividem numa cintilante dupla azul-branca de magnitudes 1,3 e 1,8.

GAMA CRUCIS: Gigante vermelha de 2ª magnitude com companheira não relacionada de 6ª magnitude visível com binóculo.

MU CRUCIS: Vasto par de estrelas de 4ª e 5ª magnitudes, facilmente separável com telescópio pequeno e até bom binóculo.

NGC 4755 (NEBULOSA DA CAIXA DE JOIAS): Aglomerado aberto que é uma das jóias do céu austral, visível a olho nu como uma mancha mais brilhante na Via Láctea. Binóculo e telescópio pequeno mostram suas estrelas individuais cobrindo cerca de um terço do tamanho aparente da Lua cheia. Uma supergigante cor de rubi perto do centro contrasta com as demais estrelas, em sua maioria supergigantes azul-brancas, dando a impressão de jóias coloridas, origem de seu nome popular.

NEBULOSA SACO DE CARVÃO: Nuvem de poeira escura que bloqueia a luz das estrelas da Via Láctea atrás. Proeminente a olho nu e com binóculo, abrange a área de 12 Luas cheias e penetra nas constelações de Centauro e de Mosca.

CENTAURO ? Centaurus ? Cen

Centauro, uma das constelações dominantes do céu austral, contém uma variedade de objetos notáveis. Entre eles estão a estrela mais próxima do Sol, o aglomerado globular mais brilhante e uma galáxia peculiar. A constelação representa um centauro, criatura mítica com torso de homem e patas de cavalo. Suas duas estrelas mais brilhantes, Alfa (?) e Beta (?) Centauri apontam para o Cruzeiro do Sul.

Ômega Centauri
Com binóculo, o aglomerado parece maior que a Lua cheia e telescópios pequenos distinguem os membros individuais mais brilhantes. Está a 17 mil anos-luz de distância.

Traços de Interesse:

ALFA CENTAURI (RIGEL KENTE): Célebre estrela múltipla. A olho nu, parece de magnitude -0,3, o que faz dela a terceira estrela mais brilhante do céu, mas um telescópio pequeno mostra que é uma dupla de estrelas amarelas que orbitam uma à outra a cada 80 anos. Parecem tão brilhantes porque estão a apenas 4,4 anos-luz. Só há uma estrela mais próxima ? o terceiro membro do sistema, Proxima Centauri, uma fraca anã vermelha de 11ª magnitude.

ÔMEGA CENTAURI (NGC 5139): O maior e mais brilhante aglomerado globular. A olho nu, parece uma estrela grande, imprecisa. Talvez no passado, Ômega Centauri possa ter sido o núcleo de uma pequena galáxia ?engolida? pela nossa Galáxia.

NGC 3918 (PLANETÁRIA AZUL): Nebulosa planetária bem visível com telescópio pequeno; parece uma versão aumentada do disco de Urano.

NGC 5128 (CENTAURUS A): Galáxia peculiar e forte fonte de rádio, provavelmente a colisão de uma elíptica gigante e uma galáxia espiral.

QUILHA ? Carina ? Car

Grande constelação austral, antes parte da figura de Navio, que representava a nau dos argonautas e foi dividida em três no séc. XVIII. No mito grego, Argo era uma potente galé de 50 remos em que Jasão e 50 dos maiores heróis gregos, os argonautas, navegaram para Cólquida, na margem leste do mar Negro, para buscar o velocino de ouro de um carneiro. A viagem é uma das epopéias do mito grego. Quilha, que representa a quilha do barco, herdou muitos objetos do Navio, entre eles sua estrela mais brilhante, Canopus.

Grande Nebulosa da Carina
Em uma das partes mais brilhantes da Via Láctea, reside uma nebulosa onde ocorrem algumas das coisas mais únicas existentes no nosso céu. NGC 3372, conhecida como a Grande Nebulosa da Carina, é a casa de estrelas massivas e nebulosas em mutação. Eta Carinae, a estrelas mais energética da nebulosa, foi uma das estrelas mais brilhantes no céu nos anos de 1830, mas então decaiu de brilho dramaticamente. A Nebulosa Keyhole ? Buraco de Fechadura, visível próximo ao centro, mais à equerda, abriga várias das estrelas mais massivas conhecidas, e tem mudado rapidamente de aparência. A Nebulosa da Carina se estende por mais de de 300 anos-luz, e fica a cerca de 7.500 anos-luz de nós. A figura abaixo é a imagem mais detalhada já obtida da Nebulosa de Carina, conseguida por meio do Telescópio Espacial Hubble.


Traços de Interesse:

ALFA CARINAE (CANOPUS): Supergigante branca de magnitude -0,6, a segunda estrela mais brilhante em todo o céu. Localiza-se a 310 anos-luz de nós.

NGC 2516: Grande aglomerado aberto visível a olho nu. Com binóculo, tem forma de cruz.

NGC 3372 (NEBULOSA DE ETA CARINAE): Macha de gás fulgurante, com quatro vezes o tamanho aparente da Lua, visível a olho nu e mais visível ainda com binóculo. A parte mais brilhante fica em torno da peculiar estrela variável Eta Carinae, que no séc. XIX inflamou-se temporariamente, tornando-se mais brilhante que Canopus, mas hoje retornou à 5ª magnitude.

NGC 3532: Aglomerado alongado perfeitamente visível com binóculo.

IC 2602 (PLÊIADES DO SUL): Aglomerado aberto com várias estrelas visíveis a olho nu; a mais brilhante é Theta Carinae, de 3ª magnitude.

*Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

Daniel Soler

Veja a primeira parte das explicações sobre as estrelas que aparecem no céu de verão

Foto: Reprodução

Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.

Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

VERÃO 1ª PARTE

ÓRION ? Orion ? Ori

Órion, uma das mais gloriosas constelações, representa um caçador ou guerreiro gigante seguido por seus cães (as constelações Cão Maior e Cão Menor). Seu traço mais peculiar são as Três Marias, uma linha de três estrelas de 2ª magnitude. Na mitologia grega, Órion foi mortalmente picado por um escorpião. Como está situado no céu em oposição a Escorpião (Scorpius), põe-se quando este se levanta, e vice-versa. Todo ano, no final de outubro, os meteoros Orionídeos parecem irradiar de um ponto perto do limite com Gêmeos.

Nebulosa de Órion
Em fotografias e imagens de CCD, a nebulosa aparece multicolorida. Visualmente, parece cinza-esverdeada, porque o olho não é sensível a cores em objetos fracos. Em noites claras, é visível a olho nu como vaga mancha de luz.

 O caçador armado
A área mais interessante e compensadora de Órion circunda a espada que pende do seu nítido cinturão.

Nebulosa da cabeça do cavalo
Assemelha-se ao cavalo do xadrez contra uma faixa de nebulosidade, IC434. Fotografias a mostram bem. É possível visualizá-la com telescópio grande num local escuro.

Traços de Interesse:

ALFA ORIONIS (BETELGEUSE): Supergigante vermelha, centenas de vezes maior que o Sol. Varia em brilho entre magnitudes 0 e 1,3 com valor médio em torno de magnitude 0,5. A cerca de 430 anos-luz de distância, é mais próxima que as outras estrelas brilhantes de Órion.

BETA ORIONIS (RIGEL): Luminosa supergigante azul de magnitude 0,2. Exceto nas raras ocasiões em que Betelgeuse está no seu máximo, Rigel é a estrela mais brilhante da constelação. Com telescópio pequeno vislumbra-se uma companheira de 7ª magnitude no clarão que cerca Rigel.

DELTA ORIONIS (MINTAKA): Estrela na extremidade norte do cinturão, tem uma companheira de 7ª magnitude visível com telescópio pequeno ou até binóculo.

ZETA ORIONIS (ALNITAK): A estrela no extremo sul do cinturão. Telescópio com abertura mínima de 75mm revela sua companheira próxima de 4ª magnitude.

THETA1 ORIONIS (TRAPÉZIO): Estrela múltipla no centro da nebulosa de Órion. Com telescópio pequeno, aparece como um grupo de quatro estrelas de 5ª e 8ª magnitudes. De um lado da nebulosa esta Theta2 Orionis, dupla binocular com componentes de 5ª e 6ª magnitudes.

IOTA ORIONIS: Dupla com estrelas de 3ª e 7ª magnitudes, na ponta da espada de Órion, separável com telescópio pequeno. Uma dupla mais separada próxima, de 5ª e 6ª magnitudes, é chamada Struve747.

SIGMA ORIONIS: Magnífica estrela múltipla. Com telescópio pequeno vê-se que a estrela principal, de 4ª magnitude, tem duas companheiras de 7ª magnitude de um lado e uma mais próxima, de 9ª, de outro. No mesmo campo de visão telescópico vê-se uma estrela tripla mais fraca, Struve76.

M42 (NEBULOSA DE ÓRION): Enorme nuvem de gás formadora de estrelas a 1.500 anos-luz de distância, cobrindo o diâmetro de duas Luas no céu. Uma extensão ao seu norte tem outro número, M43, mas são ambas partes da mesma nuvem.

NGC1977: Mancha alongada de nebulosidade em torno das estrelas 42 e 45 Orionis.

NGC1981: Aglomerado estrelar grande e espalhado ao sul das Três Marias. Seus membros mais brilhantes são de 6ª magnitude.

NEBULOSA DA CABEÇA DO CAVALO: Talvez a nebulosa escura mais conhecida. Aparece em silhueta contra a IC434, área de nebulosidade mais clara que se estende para o sul a partir de Zeta (?) Orionis..


TOURO ? Taurus ? Tau

Touro é uma grande e proeminente constelação do zodíaco, com uma profusão de objetos para instrumentos de todos os tamanhos, em especial os aglomerados estelares Plêiades e Híades e a nebulosa do Caranguejo. As Híades representam o focinho do touro e a estrela mais brilhante da constelação, Aldebaran, marca o seu olho cintilante. A cada início de novembro, os meteoros Taurídeso parecem irradiar de um ponto ao sul das Plêiades. Na mitologia grega, o touro representava o disfarce adotado por Zeus para levar a princesa Europa da Fenícia para Creta, cruzando o Mediterrâneo a nada com ela nas costas.



As sete irmãs

Fotografias e imagens de CCD mostram que as Plêiades estão imersas numa névoa azul de poeira que reflete a luz das estrelas mais brilhantes.

Aglomerado das Híades
Este aglomerado em forma de ?V? delinea a cara do touro. Suas estrelas mais brilhantes são facilmente visíveis a olho nu. Aldebaran (à esquerda) está em primeiro plano, não pertencendo ao aglomerado.

Nebulosa do Caranguejo
Belos restos de uma estrela que explodiu como supernova, este objeto foi batizado em 1844 por lorde Rosse, para quem os filamentos de gás pareciam as patas de um caranguejo (e não porque a nebulosa estaria dentro da constelação de Caranguejo, como alguns pensam).

Traços de Interesse:

ALFA TAURI (ALDEBARAN): Estrela mais brilhante da constelação, magnitude 0,9. É uma gigante vermelha de cor muito visível. Parece fazer parte do aglomerado Híades, mas está a apenas 65 anos-luz, menos da metade da distância do aglomerado a que se superpõe por acaso.

KAPPA TAURI: Dupla separada com componentes de 4ª e 5ª magnitudes, nos arredores das Híades.

LAMBDA TAURI: Binária eclipsante do mesmo tipo que Algol. Varia entre magnitude 3,4 e 3,9, num ciclo de pouco menos de quatro dias.

SIGMA TAURI: Estrela dupla separada nas Híades, separável com binóculo. Ambas as componentes são de 5ª magnitude.

M1 (NEBULOSA DO CARANGUEJO): Restos de uma estrela que explodiu como supernova; deve ter sido vista da Terra em 1054 d.C. Com telescópio pequeno, aparece como um pálido fulgor elíptico sete vezes maior que o disco de Júpiter. Só com aberturas grandes se vêem os detalhes que levaram o astrônomo irlandês lorde Rosse a batizar a nebulosa, em 1844.

M45 (PLÊIADES): Grande e nítido aglomerado popularmente chamado de Sete Irmãs. O seu membro mais brilhante é Alcione, de magnitude 2,9, e localiza-se perto do centro. Seis ? e não sete ? membros das Plêiades podem ser vistos a olho nu; com binóculo, o aglomerado é uma visão deslumbrante, com muitos membros aparecendo. Em fotografias e imagens de CCD, as estrelas aparecem numa luminosa névoa azul de poeira. Cobre uma área do céu três vezes maior que a da Lua cheia. Está a 400 anos-luz da Terra.

HÍADES: Grande aglomerado cujas principais estrelas formam um ?V? com dez vezes a largura aparente da Lua. Localizado a 150 anos-luz de distância, é o grande aglomerado mais próximo de nós. Mais de uma dúzia de membros são visíveis a olho nu, e o binóculo revela outras dúzias. No braço sul do ?V? há uma vasta dupla, Theta (q) Tauri. A estrela mais brilhante desse par, com magnitude 3,4, é o membro mais brilhante das Híades. 

CÃO MAIOR ? Canis Major ? CMa

Esta destacada constelação contém a estrela mais brilhante de todo o céu noturno, Sirius, que form um triângulo cintilante com duas outras estrelas de 1ª magnitude, Procyon (em Cão Menor) e Betelgeuse (em Órion). Para os gregos antigos, Cão Maior representava um dos dois cães que seguiam Órion, o caçador.

Traços de Interesse:

ALFA CANIS MAJORIS (SIRIUS): A estrela mais brilhante no céu, de magnitude -1,4, Sirius é uma das mais próximas de nós, a 8,6 anos-luz. Uma anã branca fraca, Sirius B, que a orbita a cada 50 anos, só pode ser vista com telescópio grande.

M41: Grande aglomerado aberto, visível a olho nu como mancha imprecisa. Com binóculo vêem-se suas estrelas espalhadas numa área de cerca do tamanho da Lua cheia. Com telescópio vêem-se cadeias de estrelas irradiando de seu centro.

NGC2362: Aglomerado estelar compacto em torno da supergigante azul Tau (?) Canis Majoris, de 4ª magnitude. Mais bem visto com telescópio.
 
GÊMEOS ? Gemini ? Gem

Esta nítida constelação do zodíaco é facilmente identificável por suas estrelas mais brilhantes, Castor e Pollux, que têm os nomes dos gêmeos da mitologia grega que ela representa. Castor e Pollux marcam as cabeças dos gêmeos, embora sejam muito diferentes. Pollux, a estrela mais brilhante do par, de magnitude 1,2, é uma gigante laranja a 34 anos-luz de distância; Castor é uma azul-branca, magnitude 1,6, a 52 anos-luz. Em meados de dezembro, os meteoros Geminídeos irradiam de um ponto perto de Castor.

Aglomerado aberto M35
Sob um céu limpo, o aglomerado estelar M35 pode ser avistado a olho nu. Com binóculo, aparece como uma mancha alongada de luz estelar do tamanho aparente da Lua cheia. Visto com um pequeno telescópio, suas estrelas individuais parecem formar correntes.

Traços de Interesse:

ALFA GEMINORUM (CASTOR): Notável estrela múltipla. A olho nu parece uma estrela única de magnitude 1,6, mas com um pequeno telescópio de grande ampliação separa-se num cintilante par azul-branco de 2ª e 3ª magnitudes. Estas formam uma binária genuína com um período orbital de 470 anos. Há também uma companheira anã vermelha de 9ª magnitude. As 3 estrelas são binárias espectroscópicas, num total de 6 estrelas no sistema.

ZETA GEMINORUM: Variável cefeída que oscila entre as magnitudes 3,6 e 4,2 num ciclo de 10,2 dias.

ETA GEMINORUM: Variável gigante vermelha cuja magnitude oscila entre 3,1 e 3,9.

M35: Aglomerado estelar aberto aos pés dos gêmeos, facilmente encontrável com binóculo.



NGC2392 (NEBULOSA DO ESQUIMÓ)
: Nebulosa planetária visível com pequeno telescópio com o disco azulado similar em tamanho ao globo de Saturno. Aberturas maiores e imagens de CCD mostram uma fímbria circundante de gás como a pele na parca de um esquimó. 

* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

Daniel Soler

Veja a segunda parte das explicações sobre o céu de primavera

Foto: Reprodução

Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.

Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

LIRA ? Lyra ? Lyr

Constelação compacta mas destacada, contém Vega, a quinta estrela mais brilhante do céu. Azul-branca, Vega é parte de um triângulo de estrelas no céu de verão setentrional (do hemisfério norte), o Triângulo do norte (os outros membros são Deneb, em Cisne, e Altair, em Águia). Lira, o instrumento tocado por Orfeu, fica na borda da Via Láctea, perto de Cisne. Os meteoros Lirídeos irradiam de um ponto próximo de Veja todos os anos, por volta de 21 ou 22 de abril.

Nebulosa do anel
Com um telescópio pequeno, o anel parece um disco mais largo que o do planeta Júpiter. Só com aberturas maiores se pode ver o buraco central. Fotografias e imagens de CCD como esta enfatizam cores não aparentes visualmente.

Traços de Interesse:
BETA LYRAE
: Estrela dupla facilmente separável em componentes creme e azul com telescópio pequeno. A estrela mais brilhante (a creme) é também uma binária eclipsante que varia entre as magnitudes 3,3 e 4,4 a cada 12,9 dias. As duas estrelas nessa binária são tão próximas que o gás da maior cai sobre a menor e parte dele espirala no espaço.

DELTA LYRAE: Dupla separável com binóculo ou boa visão a olho nu. Consiste numa gigante vermelha de 4ª magnitude e uma azul-branca não-relacionada de 6ª magnitude.

ÉPSILON LYRAE: A mais bela estrela quádrupla do céu. Com binóculo aparece como nítido par de estrelas de 5ª magnitude. Cada uma tem uma companheira mais próxima, revelada por telescópio de 60 ou 75mm de abertura com grande ampliação. As quatro estrelas estão ligadas por gravidade e em órbitas de longo prazo uma em redor da outra.

ZETA LYRAE: Estrela dupla com componentes de 4ª e 6ª magnitudes, facilmente separável com binóculo ou telescópio pequeno.

M57 (NEBULOSA DO ANEL): Nebulosa planetária que parece um anel de fumaça. O telescópio espacial Hubble revelou que o ?anel? é um cilindro de gás lançado pela estrela central.

CAPRICÓRNIO ? Capricornus ? Cap

Capricórnio, a menor constelação do zodíaco e nada proeminente, situa-se entre Sagitário e Aquário. No mito grego, representa o deus Pã, semelhante a um bode. Consta que ele saltou num rio e tornou-se em parte peixe para escapar do monstro marinho Tífon. Por isso a constelação é descrita como um bode com rabo de peixe.

Traços de Interesse:

ALFA CAPRICORNI: Vasto par de estrelas de 4ª magnitude não relacionadas, separável com binóculo ou com vista aguçada. Alfa-1 é uma supergigante amarela a quase 700 anos-luz de distância e Alfa-1 é uma gigante amarela menos de um sexto dessa distância.

BETA CAPRICORNI: Vasta estrela dupla, reúne uma gigante amarela de 3ª magnitude e uma companheira azul-branca de 6ª magnitude, visível com telescópio pequeno ou um bom binóculo.

M30: Modesto aglomerado globular visível com telescópio pequeno como mancha enevoada. Aberturas maiores mostram cadeias de estrelas projetando-se dele como dedos.

 

 

 

CASSIOPÉIA ? Cassiopeia ? Cas

Esta notável constelação do céu setentrional (do hemisfério norte celeste) situa-se na Via Láctea entre Perseu e Cefeu. Suas cinco principais estrelas formam um grande W facilmente reconhecível. É uma antiga constelação grega que representa uma rainha mítica da Etiópia, punida por sua vaidade por Posêidon. Seu marido Cefeu e sua filha Andrômeda são representados por constelações vizinhas.

Aglomerado alongado
O principal traço do aglomerado aberto M103 é uma cadeia de três estrelas semelhante a um minicinturão de Órion.

Traços de Interesse:

GAMA CASSIOPEIAE: Estrela quente, de rápida rotação no meio do W de Cassiopéia. Ás vezes expele anéis de gás de seu equador, causando mudanças imprevisíveis no seu brilho. Hoje tem magnitude 2,2, mas no passado variou entre 3,0 e 1,6.

ETA CASSIOPEIAE: Atraente par binário de estrelas amarela e vermelha, magnitudes 3,5 e 7,5, facilmente resolvível com telescópio pequeno. A companheira mais fraca orbita a mais brilhante a cada 480 anos.

RHO CASSIOPEIAE: Supergigante amarelo-branca que varia entre 4ª e 6ª magnitudes a cada 10 ou 11 meses.

M52: Aglomerado aberto visível com binóculo; notavelmente alongado, tem cerca de 1/3 da largura da Lua cheia.

M103: Aglomerado estelar pequeno e alongado, mais visível com telescópios pequenos.

GROU ? Grus ? Gru

Situada entre Peixe Austral e Tucano, foi introduzida no fim do séc. XVII pelos navegadores-astrônomos holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman. Representa uma ave de pernas e pescoço longos, o grou. As principais estrelas da constelação formam um perfeito ?número 1? no céu.

Traços de Interesse:

BETA GRUIS: Gigante vermelha variável cujo brilho varia irregularmente entre as magnitudes 2,0 e 2,3.

DELTA GRUIS: Uma de duas grandes e notáveis duplas na constelação, separáveis a olho nu. Consiste num par de gigantes de 4ª magnitude, amarela e vermelha.

MU GRUIS: Par de gigantes amarelas de 5ª magnitude separável a olho nu. Como Delta Gruis, é um alinhamento casual, não uma binária verdadeira.

* Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

Daniel Soler

Depois de conhecer o céu de inverno, veja as principais constelações do céu de primavera

Foto: Reprodução

Nestas últimas semanas, a coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional.

Antes de seguir na leitura, acesse aqui a 1ª Parte das Constelações de Inverno, publicada dia 23 de junho de 2010] o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

PRIMAVERA

PÉGASO ? Pegasus ? Peg

Pégaso limita-se com Andrômeda, ao norte das constelações do zodíaco Aquário e Peixes. Seu traço mais notável é o Quadrado, formado por quatro estrelas, embora uma delas pertença a Andrômeda. Só o quarto dianteiro do cavalo aparece no céu, embora seja a sétima maior constelação. Uma das 48 constelações gregas originais, Pégaso era o cavalo voador do herói Belerofonte. Pégaso nasceu do corpo de Medusa, a Górgone, quando ela foi decapitada por Perseu. Por vezes, Pégaso é erroneamente identificado como o corcel de Perseu.

Aglomerado Globular M15

Sob boas condições, M15 está no limite da visibilidade a olho nu. Embora o aglomerado esteja a cerca de 30 mil anos-luz da Terra, é fácil localizá-lo com binóculo ou telescópio pequeno, aparecendo como uma estrela imprecisa.

Traços de Interesse:

QUADRADO DE PÉGASO: A caixa formada por Alfa, Beta, Gama Pegasi, mas Alfa Andromedae. A vasta área dentro da caixa é surpreendentemente vazia de estrelas. A mais brilhante é Upsilon Pegasi, magnitude 4,4.

BETA PEGASI (SCHEAT): Gigante vermelha que varia irregularmente entre as magnitudes 2,3 e 2,7.

ÉPSILON PEGASI: Conjuntamente a estrela mais brilhante da constelação. Esta estrela amarela de magnitude 2,4 tem companheira separada de 8ª magnitude.

51 PEGASI: Estrela de 5ª magnitude, ao lado do Quadrado de Pégaso. A primeira estrela além do Sol em cuja órbita há um planeta. Descoberto em 1995, tem cerca da metade da massa de Júpiter.

M15: Um dos mais belos aglomerados globulares no céu setentrional, facilmente encontrado com binóculo.

ANDRÔMEDA ? Andromeda ? And

Andrômeda é vizinha de Pégaso. Uma das constelações gregas originais, figura a filha da rainha mítica Cassiopéia, representada pela constelação ao seu norte. A cabeça de Andrômeda é assinalada por Alfa Andrômeda, que também forma um ângulo do Quadrado de Pégaso ? outrora essa estrela era considerada partilhada com Pégaso.

Galáxia de Andrômeda
O mais distante objeto normalmente visível a olho nu, esta galáxia aparece como mancha tênue e enevoada, alongada por estar inclinada num ângulo para nós. Binóculos revelam mais de sua extensão e com telescópio se divisam seus braços espirais.

Traços de Interesse:

GAMA ANDROMEDAE: Espetacular estrela dupla composta de uma estrela gigante laranja de magnitude 2,3 em contrate com companheira azul de magnitude 4,8; facilmente separável com telescópio pequeno.

M31 (GALÁXIA DE ANDRÔMEDA): Enorme galáxia espiral a cerca de 2,5 milhões de anos-luz, similar em tamanho e natureza à Via Láctea.

NGC 752: Aglomerado de estrelas aberto visível com binóculo e espalhado por uma área maior que a da Lua cheia. Um telescópio pequeno é necessário para revelar suas estrelas individuais, que são de 9ª magnitude e menos brilhantes.

NGC 7662: Uma das nebulosas planetárias mais fáceis de se ver. Com telescópio pequeno de baixa ampliação, parece uma brilhante estrela azul; potências maiores mostram sua forma de disco.

CISNE ? Cygnus ? Cyg

Uma das mais destacadas constelações do céu setentrional (do hemisfério norte celeste), com muitos objetos de interesse. Situa-se numa área rica da Via Láctea e representa um cisne, o disfarce adotado pelo deus grego Zeus para uma de suas seduções ilícitas. Suas principais estrelas delineiam uma cruz gigantesca, por isso é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte. Deneb, sua estrela mais brilhante, está na cauda do cisne (ou no topo da cruz, dependendo do seu grau de visualização). Deneb forma um vértice do Triângulo do Norte de estrelas do norte, completado por Vega e Altair.

 

Nebulosa da América do Norte
NGC 7000 é também chamada de nebulosa da América do Norte, em razão de sua forma. Sua plena majestade só aparece em fotografias de longa exposição.

Cisne no céu noturno
Como as principais estrelas de Cisne formam uma cruz, a constelação é popularmente chamada de Cruzeiro do Norte.

Nebulosa do Véu
Os restos de uma estrela explodida formam um tênue laço de gás fulgurante sob a asa sul de Cisne. Com a largura de seis diâmetros da Lua, a nebulosa é mais visível em fotografias, mas em condições ideais a parte mais luminosa, NGC 6992, pode ser avistada com binóculo e telescópio pequeno.

Traços de Interesse:

ALFA CYGNI (DENEB): Supergigante muito luminosa. De magnitude 1,3, é a mais distante estrela de primeira magnitude, a mais de 3 mil anos-luz da Terra.

BETA CYGNI (ALBÍREO): Bela estrela dupla colorida no bico do cisne. As duas estrelas podem ser distinguidas com binóculo, se firmemente montado, e são um alvo fácil para um telescópio pequeno. A estrela mais brilhante, de magnitude 3,1, é laranja, em vivo contraste coma mais pálida, de magnitude 5,1 e azul-esverdeada.

OMICRON-1 CYGNI: Dupla separada para binóculo reunindo uma estrela laranja de 4ª magnitude e uma companheira azulada de 5ª magnitude.

CHI CYGNI: Gigante vermelha pulsante do mesmo tipo que Mira. Quando atinge seu auge, a intervalos de cerca de 13 meses, pode parecer de 3ª magnitude e é facilmente visível a olho nu, mas como empalidece até a 14ª magnitude, sua variação total só pode ser acompanhada com telescópio.

61 CYGNI: Dupla facilmente separável com telescópio pequeno. Composta de duas anãs laranja de 5ª e 6ª magnitudes que orbitam uma à outra a cada 650 anos.

M39: Grande aglomerado aberto no norte de Cisne. Com área similar à da Lua Cheia, é facilmente visível com binóculo. Tem forma triangular e uma estrela dupla no centro.

NGC 6826 (THE BLINKING PLANETARY): Nebulosa planetária com disco azul-esverdeado de tamanho similar ao contorno de Júpiter. É popularmente chamada nebulosa Pisca-Pisca porque parece piscar à medida que o observador olha alternadamente para ela e para um lado.

NGC 6992 (NEBULOSA DO VÉU): Enorme laço de gás fulgurante, o resto de uma estrela que explodiu como supernova há milhares de anos.

NGC 7000: Grande nuvem de gás fulgurante perto de Deneb. Pode ser vista com binóculo em noites limpas e escuras.

CYGNUS RIFT (SACO DE CARVÃO DO NORTE): Nuvem de poeira que divide a Via Láctea em duas.

CISNE A E CISNE X-1: Dois objetos além do alcance do astrônomo amador, mas de considerável interesse astrofísico. Cisne A, forte fonte de rádio, resulta da colisão de duas galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Cisne X-1, intensa fonte de raios X perto de Eta (?) Cygni, talvez seja um buraco negro na órbita de uma supergigante azul de 9ª magnitude a cerca de 8 mil anos-luz em nossa própria galáxia.

ÁGUIA ? Aquila ? Aql

Situa-se sobre o Equador Celeste numa área rica da Via Láctea, com Cisne ao norte e Escudo e Sagitário ao sul. Representa uma águia voando. Sua estrela mais brilhante, Altair, magnitude 0,8, fica no pescoço da águia e forma um vértice do Triângulo do norte, completado por Veja e Deneb. Altair é flanqueada por Beta (?) Aquilae, Tarazed, de 3ª magnitude, formando um nítido trio. Na mitologia grega, a águia carregava os raios que Zeus lançava sobre seus inimigos. Segundo a lenda, Zeus enviou uma águia, ou transformou-se em águia, e carregou o menino pastor Ganimedes até o Olimpo para servir aos deuses. Ganimedes é representado pela constelação vizinha Aquário.

Altair, Tarazed e Alshain
Altair, a estrela mais brilhante em Águia, é flanqueada por Tarazed (Gama Aquilae) ao norte e Alshain (Beta Aquilae) ao sul. Tarazed, de 3ª magnitude, é uma gigante laranja de notável colorido.

Traços de Interesse:

ETA AQUILAE: Uma das mais brilhantes variáveis cefeidas. Oscila entre magnitudes 3,5 e 4,4 a cada 7,2 dias. Sua distância é estimada em 1200 anos-luz.

15 E 57 AQUILAE: Duas estrelas duplas fáceis para telescópio pequeno; 15 Aquilae tem componentes de 5ª e 7ª magnitudes. Em 57 Aquilae, ambas as componentes são de 6ª magnitude.

FF AQUILAE: Variável cefeida que varia entre magnitude 5,2 e 5,7 a cada 4,5 dias. Pode ser facilmente seguida com binóculo.

R AQUILAE: Gigante vermelha variável do mesmo tipo que Mira. A cada nove meses atinge seu brilho máximo e é visível com binóculo.

NGC 6709: Modesto aglomerado aberto; de forma irregular, contém estrelas de magnitude 9 e mais fracas.

* Fonte: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

A coluna Enquanto Isso no Universo está trazendo uma série de informações sobre as principais constelações oficiais do céu

Foto: Divulgação

Antes de seguir na leitura, acesse aqui o primeiro texto da série, pois lá temos algumas informações e explicações importantes, que devem ser lidas antes de ler a respeito de cada uma das constelações.

Boas observações e até a próxima!

INVERNO - 2ª PARTE

HÉRCULES ? Hercules ? Her

 

Constelação grande, mas não muito destacada, Hércules representa o forte homem da mitologia grega que empreendeu 12 trabalhos vestindo uma pele de leão e brandinho uma clava. Um dos trabalhos foi matar um dragão, e no céu Hércules ajoelha-se com um pé sobre a cabeça de Dragão, ao norte.

Aglomerado globular M13

Em condições ideais, este magnífico aglomerado pode ser visto a olho nu. Com binóculo é facilmente localizável e aparece como uma estrela enevoada com metade da largura aparente da Lua cheia. Fica ao lado do Trapézio de Hércules, a cerca de um terço da distância de Eta a Zeta Herculis. Está a 25 mil anos-luz da Terra.

Traços de Interesse:

O TRAPÉZIO: Quadrilátero de estrelas característico que faz parte do corpo de Hércules.

ALFA HERCULIS (RASALGETHI): Gigante vermelha que pulsa irregularmente, flutuando entre 3ª e 4ª magnitudes. Um telescópio pequeno revela uma companheira azul-esverdeada de 5ª magnitude.

RHO HERCULIS: Dupla estrela de 5ª e 6ª magnitudes, separável com telescópio pequeno de grande ampliação.

M13: Espetacular aglomerado globular, o mais belo no céu do norte, com centenas de milhares de estrelas.

M92: Aglomerado globular de 7ª magnitude. Menor e menos brilhante que M13, pode ser confundido com estrela comum se visto com binóculo, mas um telescópio pequeno revela sua natureza.

TRIÂNGULO AUSTRAL ? Triangulum Australe ? TrA


 

Introduzida no final do sec. XVI pelos navegadores holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman, situa-se na Via Láctea, não muito longe de Alfa Centauri. É menor que Triângulo do Norte, mas tem estrelas mais brilhantes e se destaca mais. Alfa Trianguli Australis tem magnitude 1,9 Beta tem 2,8 e Delta tem 2,9. A constelação possui poucos atrativos para usuários de telescópios pequenos.

Traços de Interesse:

NGC 6025: Aglomerado aberto visível com binóculo. Notavelmente alongada, tem cerca de um terço do diâmetro aparente da Lua cheia.

 

DRAGÃO ? Draco ? DRA

Dragão é uma grande constelação que serpenteia em torno de quase metade do pólo norte celeste. Embora de tamanho considerável, não é muito fácil de identificar, exceto pelo diamante distorcido que marca a cabeça do dragão. A cabeça contém o membro mais brilhante o Dragão, Gama (?) Draconis, magnitude 2,2. Na mitologia grega, Dragão representa o dragão que Hércules matou num de seus 12 trabalhos. É uma constelação praticamente impossível de ser observada a partir da maioria do território brasileiro.

Nebolosa Olho de Gato

Com um telescópio pequeno, a nebulosa parece azul-esverdeada, mas imagens de CCD como esta revelam uma cor vermelha nas regiões externas.

Traços de Interesse:

NU DRACONIS: A menos brilhante das quatro estrelas na cabeça do dragão. Dupla bem separada, suas componentes são brancas idênticas de 5ª magnitude; é considerada uma das melhores duplas para binóculo.

PSI ??DRACONIS: Par mais próximo de estrelas de 5ª e 6ª magnitudes, separável com telescópio pequeno.

16 e 17 DRACONIS: Par bem separado de estrelas visível apenas com binóculo. A mais brilhante, 17 Draconis, pode ser mais separada com um telescópio pequeno com grande ampliação.

39 DRACONIS: Estrela vista como dupla com telescópio pequeno de baixa ampliação. Altas potências dividem a componente mais brilhante num par mais próximo de magnitudes 5,0 e 8,0.

NGC 6543 (NEBULOSA OLHO DE GATO): Nebulosa planetária famosa por causa de uma imagem do telescópio espacial Hubble.

URSA MENOR ? Ursa Minor ? UMi

Esta antiga constelação grega representa uma pequena ursa. Suas principais estrelas traçam uma forma conhecida como a Pequena Concha, similar à maior e mais brilhante Grande Concha (Ursa Maior), mas com o cabo curado na direção oposta. Ursa Menor contém o pólo celeste norte. A menos de 1º do pólo está Polaris, a estrela polar, usada para a navegação desde os tempos mais remotos. Beta e Gama  Ursae Minoris são chamadas as Guardiâs do Pólo. Constelação impossível de ser vista de boa parte do território brasileiro, visível apenas parcialmente nas regiões próximas ao Equador Celeste, e completamente nas regiões ao norte dele.

Ursa Menor no céu noturno

As principais estrelas da Ursa Menor formam a Pequena Concha, que traça uma curva a partir da estrela do pólo norte, Polaris. Duas das principais estrelas da Ursa Maior (embaixo na figura), que forma a Grande Concha, alinham-se na direção de Polaris (estrela mais no alto à direita na figura).

Traços de Interesse:

ALFA URSAE MINORIS (POLARIS): Supergigante de um branco cremoso de magnitude 2,0 a cerca de 430 anos-luz. Variável cefeída, mas as mudanças de brilho não são perceptíveis. Um telescópio pequeno mostra uma estrela de 8ª magnitude perto dela, não relacionada.

GAMA URSAE MINORIS: Vasta estrela dupla no bojo da Pequena Concha. De magnitude 3,0, tem uma companheira não relacionada de 5ª magnitude que pode ser percebida com vista boa ou binóculo.

ETA URSAE MINORIS: Outra vasta estrela dupla no bojo da Pequena Concha. Eta, de magnitude 5,0, tem uma companheira de magnitude 5,5 facilmente visível com binóculo. Como a companheira de Gama Ursae Minoris, a companheira de Gama Ursae Minoris, a companheira de Eta é uma estrela não relacionada, na mesma linha de visão.

Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

A coluna fará uma série sobre as principais constelações oficiais do céu, reconhecidas pela União Astronômica Internacional

Foto: Divulgação

Certamente que outras constelações ? existem 88 constelações oficiais! - poderiam entrar nessa lista de 32 que levantamos. Mas essas 32 foram escolhidas, principalmente, pela sua maior facilidade de observação direta a olho nu.

Se você quiser saber mais informações sobre as 88 constelações, não deixe de acessar então o site oficial da IAU. Mas antes uma pequena explicação...

Graças ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol, dia após dia as constelações visíveis ao longo da noite vão se alternando. Se você observar o céu noturno hoje e daqui a 6 meses, num mesmo horário, verá que o céu é outro, as constelações são outras.

Se uma constelação nasce hoje no horizonte leste num determinado horário, amanhã ela nascerá cerca de 4 minutos mais cedo. Em uma semana, cerca de 30 minutos mais cedo. Em um mês, 2 horas mais cedo. Em 6 meses, 12 horas mais cedo. Em 12 meses, 24 horas mais cedo! Ou seja, volta a nascer exatamente no mesmo horário que 1 ano antes!

Como a translação da Terra dura sempre (aproximadamente...) o mesmo tempo, o qual nós denominamos de ano, e como dividimos o ano em 4 partes principais:

Outono no hemisfério sul e Primavera no hemisfério norte [20 de Março até 21 de junho]
Inverno no hemisfério sul e Inverno no hemisfério norte [21 de junho até 23 de setembro]
Primavera no hemisfério sul e Outono no hemisfério norte [23 de setembro até 21 de dezembro]
Verão no hemisfério sul e Inverno no hemisfério norte [21 de dezembro até 20 de março]

Naturalmente se percebeu que há constelações que são bem visíveis no céu noturno, ano após ano, sempre no mesmo período do ano, sempre na mesma estação do ano.

Assim, temos as constelações de Outono, as de Inverno, as de Primavera e as de Verão. Lembre-se, claro, que as constelações de Outono, para os moradores do hemisfério sul da Terra, são as constelações de Primavera dos moradores do hemisfério norte. E vice-versa. E que o mesmo vale para as constelações do Verão e do Inverno em cada hemisfério.

A cada estação do ano temos uma constelação símbolo, a mais importante, por ter estrelas bem brilhantes, forma facilmente reconhecida, e pelo seu horário de nascer e se pôr durante a estação do ano. Leão é a constelação símbolo do Outono do hemisfério sul. Escorpião a do inverno. Pégasus a da primavera. E Órion a do Verão.

Vamos então agora conhecer as 8 principais constelações de cada estação do ano!

Se você quiser saber que constelações estão no céu de sua cidade neste instante, ou hoje à noite, acesse por exemplo este site: http://www.neave.com/planetarium.

Basta entrar com o horário e as coordenadas do seu local de observação, e pronto: todas as constelações, planetas, e alguns dos principais astros do céu estarão à sua disposição, na tela de seu computador!

Boas observações!

INVERNO - 1ª PARTE

ESCORPIÃO ? Scorpius ? Sco

Bela e facilmente reconhecível constelação do zodíaco, situada entre a Balança e o Sagitário. Na mitologia grega, Escorpião representa o animal que matou Órion com sua picada. No céu, o coração do escorpião (escorpiões de verdade não têm coração...) é marcado pela estrela vermelha Antares, e uma nítida curva de estrelas marca sua cauda levantada. A cauda estende-se por uma rica área da Via Láctea rumo ao centro da Galáxia.

Aglomerado aberto M7

O mais destacado dos três aglomerados abertos perto do ferrão da cauda do Escorpião. Com binóculo vêem-se dúzias de estrelas de 6ª magnitude e menos brilhantes.

Aglomerado da Borboleta

Aglomerado aberto próximo da cauda de Escorpião, M6 ganhou seu nome popular por sua forma de borboleta se visto com binóculo ou telescópio. Numa asa está sua estrela mais brilhante, a gigante laranja BM Scorpii.

Traços de Interesse

ALFA SCORPII (ANTARES): A mais brilhante estrela da constelação, uma supergigante vermelha centenas de vezes maior que o Sol. Seu brilho flutua entre as magnitudes 0,9 e 1,2 a cada 4 a 5 anos.

DELTA SCORPII: Estrela que passou a brilhar mais, inesperadamente, no ano 2000. Antes de magnitude 2,3, ficou 50% mais brilhante ao ejetar um envoltório de gás; depois enfraqueceu.

XI SCORPII: Estrela múltipla complexa. Com telescópio pequeno, vê-se um par branco e laranja de 4ª e 7ª magnitudes. No mesmo campo de visão, um par menos brilhante e mais afastado pode também ser visto. Gravitacionalmente ligadas, elas formam uma quádrupla genuína.

M4: Aglomerado globular grande e ligeiramente espalhado perto de Antares, a 7 mil anos-luz de nós.

M6 (AGLOMERADO DA BORBOLETA): Aglomerado aberto cerca de duas vezes mais distante de nós que M7 e por isso parecendo um pouco menor.

M7: Aglomerado aberto visível a olho nu como mancha enevoada contra a Via Láctea.

SAGITÁRIO ? Sagittarius ? Sgr

Grande e nítida constelação do zodíaco entre Escorpião e Capricórnio, Sagitário tem como característica um padrão de estrelas que lembra um bule. A alça do bule é por vezes chamada Concha de Leite, imaginando-se mergulhada na Via Láctea. Considera-se que o centro exato dela coincide com uma fonte de rádio chamada Sagittarius A*, perto do ponto em que os limites de Sagitário, Ofiúco e Escorpião se encontram. Na mitologia grega, Sagitário representava Croto, filho de Pã, que inventou o arco e a flecha e foi caçar a cavalo.

Nebulosa Trífida

A emissão rosada do gás da nebulosa Trífida contrasta com a nebulosa de reflexão azul a seu norte (à direita na imagem), como revelam fotografias e imagens de CCD.

O Bule

As principais estrelas de Sagitário traçam a forma de um bule, com ricos campos de estrelas da Via Láctea emanando como ondas de fumaça do bico.

Nebulosa da Lagoa

Uma das maiores do céu, ela é vista como uma nuvem comprida e leitosa. Bom objeto para ser visto com binóculo. Como em toda nebulosa, a cor vermelha revelada pelas fotografias não é percebida visualmente.

Traços de Interesse

BETA SAGITTARII: Par de estrelas de 4ª magnitude distinguível a olho nu. Com pequeno telescópio vê-se que mais ao norte (e pouco mais brilhante) das duas há uma companheira de 7ª magnitude. As três estrelas não são relacionadas.

W SAGITTARII: Variável cefeída que flutua entre magnitudes 4,3 e 5,1 a cada 7,6 dias.

X SAGITTARII: Variável cefeída que flutua entre magnitudes 4,2 e 4,9 a cada 7 dias.

M8 (NEBULOSA DA LAGOA): Mancha de gás fulgurante com três vezes o tamanho aparente da Lua cheia, brilhante o bastante para ser visível a olho nu e bem vista com binóculo. Uma metade da nebulosa contém o aglomerado aberto NGC 6530, com estrelas de 7ª magnitude e mais fracas, e a outra abriga 9 Sagittarii, a supergigante azul de 9ª magnitude.

M17 (NEBULOSA ÔMEGA): Nebulosa gasosa supostamente semelhante à letra grega ômega. É também chamada nebulosa do Cisne, a partir de uma interpretação alternativa de sua forma. Ela e o aglomerado frouxo de estrelas que contém podem ser vistos com binóculo.

M20 (NEBULOSA TRÍFIDA): Espetacular nebulosa de emissão, assim denominada por suas sendas escuras tripartidas de poeira.

M22: É um dos mais belos aglomerados globulares. Visível a olho nu em boas condições e objeto fácil para binóculo, aparecendo como uma bola felpuda com cerca de dois terços do diâmetro aparente da Lua. Aberturas de 75mm distinguem suas estrelas mais brilhantes.

M23: Grande aglomerado aberto visível com binóculo perto do limite com Ofíuco. Só um telescópio distingue suas estrelas individuais.

M24: Não propriamente um aglomerado estelar, mas um campo de estrelas da Via Láctea. Com 4 diâmetros aparentes da Lua de comprimento, é mais bem visto com binóculo.
 

BALANÇA ? Libra ? Lib

Constelação do zodíaco entre Virgem e Escorpião, representa a balança da justiça segurada por Virgem, embora os gregos antigos vissem nela as garras do vizinho escorpião. Por isso, suas duas estrelas mais brilhantes têm nomes que significam garra do norte e do sul.

Traços de Interesse

ALFA LIBRAE (ZUBENELGENUBI, A GARRA DO SUL): Estrela dupla separada com componentes de 3ª e 5ª magnitudes, facilmente separada com binóculo ou visão aguçada.

BETA LIBRAE (ZUBENESCHAMALI, A GARRA DO NORTE): Rara estrela a exibir um colorido verde, perceptível com binóculo e telescópio.

IOTA ???LIBRAE: Dupla binocular com componentes de 5ª e 6ª magnitudes. Com telescópio pequeno vê-se que a estrela mais brilhante tem uma companheira mais próxima de 9ª magnitude.

BOIEIRO (ou BOIADEIRO) ? Boötes - Boo

Esta grande e nítida constelação estende-se de Dragão e do rabo da Ursa maior no norte a Virgem no sul. Contém a estrela mais brilhante ao norte do equador celeste, Arcturus (Alpha Boötis), também a quarta estrela mais brilhante entre todas. Boieiro representa um homem tangendo um urso (Ursa Maior). O nome ?Arcturus? significa ?guarda do urso? em grego. Os dois cães do Boieiro são representados na constelação vizinha, Cães de Caça. Antes, algumas estrelas fracas no norte de Boeiro formavam um constelação chamada Quadrans Muralis. O nome sobrevive na chuva de meteoros Quadrantídeos, que se origina nessa parte do céu em janeiro.

Épsilon Boötis

A estrela mais laranja e sua companheira azul-esverdeada fazem um dos mais belos contrastes de todas as duplas. Para melhor vê-las, além de grande ampliação, precisa-se de uma noite de atmosfera estável.

Traços de Interesse

ALFA BOÖTIS (ARCTURUS): Gigante vermelha de magnitude -0,1, a quarta estrela mais brilhante do céu noturno, 100 vezes mais luminosa que o Sol. A olho nu, ela tem uma matiz laranja quente.

ÉPSILON ?BOÖTIS: Célebre estrela dupla, difícil de separar em razão da proximidade das estrelas. Tem magnitude aparente de 2,4. Grande ampliação num telescópio de pelo menos 75mm de abertura revela uma estrela laranja acompanhada por outra azul-esverdeada de 5ª magnitude.

KAPPA BOÖTIS: A dupla estrela com componentes de 5ª e 7ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. As estrelas não são relacionadas.

MU BOÖTIS: Estrela dupla de 4ª e 6ª magnitudes, resolvível com binóculo.

XI BOÖTIS: Estrela dupla de 5ª e 7ª magnitudes, separável com telescópio pequeno. De cor laranja-amarela quente, as estrelas formam um binária verdadeira com período orbital de 150 anos.

 

*Fonte principal de informações: Guia Ilustrado Zahar ? Astronomia ? Ian Ridpath

Leia a segunda parte do especial sobre o grande personagem da história da ciência

Foto: Divulgação

Semana passada, começamos esta nossa conversa sobre o astrônomo Edwin Hubble, para o qual foi prestada a grande homenagem de ter o próprio nome dado ao hoje mais famoso Telescópio Espacial já construído. Se você não viu, acesse aqui antes de continuar na leitura. Leia agora a 2ª e última parte desta conversa sobre Edwin Hubble:

E então quais foram as demais descobertas que ele fez?

Apesar de não poder ser considerada propriamente uma descoberta - talvez seria mais adequado chamar de invenção -, Hubble obteve, a partir de observações das suas ?nebulosas extragaláticas?, um sistema de classificação de galáxias que até hoje tem seu nome em sua homenagem.

O Sistema de Classificação de Hubble divide as galáxias basicamente em 5 tipos: galáxias elípticas, lenticulares, espirais, espirais barradas e irregulares. Tal divisão está associada pura e simplesmente às formas que as galáxias apresentam, vistas a partir do planeta Terra (isto quer dizer que há algumas galáxias que poderiam receber outra classificação, caso estivéssemos as observando a partir de outro ponto do espaço. Isto seria particularmente fácil de acontecer com as galáxias elípticas).

Hubble notou que há galáxias em formatos de discos, que apresentam ainda estrutura espiral. Todas possuem uma região central, chamada de bojo, em torno do qual encontra-se propriamente o disco. É no disco onde ficam os braços espirais, os quais ?partem? do bojo.

O que as diferencia entre si é, basicamente, a relação de tamanho entre bojo e disco. Por isso, Hubble definiu a existência das espirais Sa, Sb e Sc: as Sa possuem bojo relativamente grande, comparado com o disco; as Sc possuem bojo relativamente pequeno; e as Sb ficam no meio desses dois extremos.

Há ainda galáxias espirais nas quais o bojo é transpassado por uma estrutura em forma de barra, a partir da qual, em geral, os braços tendem a ?partir?. Em suas nomenclaturas, além da mesma diferenciação quanto à relação de tamanho entre bojo e disco (a, b e c), as espirais barradas recebem ainda um B maiúsculo: existem assim as SBa, SBb e SBc.

Os astrônomos acreditam, atualmente, baseados nos dados do Telescópio Espacial Spitzer, que a nossa própria Galáxia, é uma galáxia do tipo barrada!

As galáxias lenticulares são galáxias a princípio do mesmo tipo das espirais, ou seja, discoidas, só que com a propriedade peculiar de não possuírem braços espirais. Lembram, por isso, a forma que as lentes têm, e recebem assim a nomenclatura de galáxias S0 (diz-se S zero).

Hubble também verificou a existência de galáxias com formatos de elipsóides, ou seja, de esferas - algumas mais e outras menos - achatadas. Aquelas com formato mais propriamente esférico, ele atribuiu o nome de E0 (diz-se E zero). A partir das E0, as galáxias elípticas vão sendo divididas de acordo com o seu ?grau de achatamento?: galáxias E1 são um pouco achatadas, E2 um pouco mais, até as mais achatadas já observadas que são as E7.

Vale notar que uma galáxia elíptica, por exemplo uma E2, dependendo do ponto do espaço que fosse observada, poderia vir a receber uma nomenclatura diferente, por exemplo de E5, ou E1, já que essa classificação só leva em conta a forma observada, a qual não necessariamente é a mesma em todas as direções.

Finalmente, Hubble constatou que também existem galáxias sem nenhuma forma bem definida - às quais dá-se o nome de Irregulares -, que poderíamos considerar como imensos aglomerados de estrelas e gás, espalhadas de forma aleatória mas mais ou menos agrupadas numa região do espaço.

Os dois maiores exemplos de representantes desse tipo de galáxia são as famosas Nuvens de Magalhães, duas pequenas galáxias satélites da nossa. Ambas são visíveis no céu a olho nu, apenas para os observadores do hemisfério sul da Terra, suficientemente afastados de grandes centros urbanos.

Em lugares assim, com um ?bom céu?, é possível ver duas manchas parecendo nuvens fracas esbranquiçadas no céu, aparentemente estáticas em relação às verdadeiras nuvens do céu, mas que se movimentam junto com todas as estrelas do céu, devido à rotação da Terra.

Na época em que Hubble construiu tal classificação, alguns astrônomos acreditavam que talvez pudesse haver alguma relação evolutiva entre esses diferentes tipos de galáxias: talvez elas inicialmente fossem irregulares, e daí se transformariam em elípticas, e finalmente em espirais.

Essa relação evolutiva parece até mesmo estar mostrada na imagem clássica que se tem da classificação de Hubble, uma sequência em forma de Y que ilustra a grande maioria de textos sobre morfologia de galáxias. Todavia, hoje se sabe que não há relação evolutiva entre as diferentes formas de galáxias: galáxias não mudam seu tipo morfológico por si sós, podem apenas fazê-lo caso colidam com outras galáxias.

Outra grande contribuição dada por Edwin Hubble para a Astronomia, esta sim uma verdadeira descoberta, foi a de que existe uma relação entre a distância das galáxias, em relação à nossa, e a velocidade com que elas se movimentam em relação a nós.

Na mesma época em que Hubble fez sua descoberta sobre a natureza das nebulosas, verificando que algumas delas são objetos extragaláticos, havia diversos outros pesquisadores estudando tais nebulosas. Nesses estudos, um dado que era de interesse era sobre o movimento desses objetos: se aproximavam-se, se afastavam-se, se giravam etc.

Analisando-se a luz desses objetos, é possível obter essas informações sobre seus movimentos. Por exemplo, quando um astro está se aproximando de nós, sua luz tende a ficar mais azulada. E se está se afastando, ela tende a ficar mais avermelhada.

É o chamado Efeito Doppler, responsável pela variação da frequência das ondas sonoras emitidas por objetos em movimento, e também pela variação da cor da luz provinda de corpos se movimentando.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitos astrônomos na época verificavam que grande parte das nebulosas encontravam-se se afastando de nós, apesar de que não todas. A galáxia de Andrômeda, por exemplo, tem sua luz mais azulada do que teria se estivesse parada: a galáxia de Andrômeda está em rota de colisão com a nossa! (mas fique tranquilo, a colisão só ocorrerá daqui a bilhões de anos...)

Não foi difícil para Hubble, que estava imerso nesse mundo de estudos das nebulosas extragaláticas, pensar na ideia de verificar se havia alguma correspondência entre esse fenômeno do afastamento e suas distâncias. Ninguém melhor do que ele, na época, para fazer esse estudo!

Hubble então pôde verificar que havia uma relação direta e linear: quanto mais distante uma galáxia está de nós, tanto mais rápido ela tende a se afastar de nós. Uma galáxia duas vezes mais distante que outra, tende a ter velocidade de afastamento duas vezes maior.

Esta é a famosa Lei de Hubble:

Edwin Hubble não quis se meter a especular razões para tal comportamento das galáxias. Deixou isso a encargo dos astrônomos e físicos teóricos. Sua contribuição já estava dada, era mais do que suficiente. Muitos anos depois sua lei seria ainda verificada para objetos muitíssimo mais distantes: a lei de Hubble é válida até os confins do Universo!

Como Edwin Hubble encerrou a sua carreira?

Edwin Hubble teve participação direta em ambas as Guerras Mundiais, já sendo um homem conhecido por todo o mundo na 2ª delas. Sua saúde começou a se debilitar fortemente depois disso, e poucos anos depois ele viria a falecer, de trombose celebral, no dia 28 de setembro de 1953.

Nos seus últimos anos de vida, trabalhou para a construção do maior telescópio do mundo na época, o que viria a se tornar um dos mais famosos da história, o telescópio de 5 metros do Monte Palomar.

Trabalhar no Monte Wilson já não era satisfatório não só pelas próprias limitações do equipamento, que não dava condições para Hubble observar mais e mais longe, o que era o seu objetivo, verificar até onde erra válida sua Lei, mas também porque os arredores do Monte haviam se urbanizado demais, e o céu já passava a ser um céu poluído de luz.

Algumas citações de Edwin Hubble para finalizar:

"A história da Astronomia é uma história de ampliação de horizontes."

"O Universo se desenvolve como ele deveria."

?Equipado com seus cinco sentidos, o ser-humano explora o Universo ao seu redor,
e chama essa aventura de Ciência.?


Até o nosso próximo encontro na Coluna Enquanto Isso no Universo!
 

Leia a primeira parte do especial sobre o grande personagem da história da ciência

Foto: Divulgação

No último mês, a coluna Enquanto Isso no Universo prestou uma merecida homenagem aos 20 anos de atividades do Telescópio Espacial Hubble. Se você não viu, comece aqui a conhecer mais informações a respeito desse telescópio que marcou era na história da Astronomia.

Mas de onde veio o nome Hubble? O Telescópio Espacial recebeu este nome em homenagem a um grande astrônomo, que deu importantíssimas contribuições para a Astronomia no início do século 20. Iremos contar agora um pouco sobre a história desse grande personagem da história da Ciência, e principalmente discutir um pouco a respeito das descobertas que o farão ser lembrado para sempre.

Quando e onde nasceu Edwin Hubble?

Edwin Powell Hubble nasceu na pequena cidade de Marshfield, no estado de Missouri, dos EUA, no dia 20 de novembro de 1889, o terceiro de uma família de 8 filhos.

Como foi sua vida antes de se tornar um astrônomo famoso?

Hubble teve uma infância pacata de garoto do interior. Teve acesso a vários livros que estimularam sua imaginação, como Alice no País das Maravilhas, O Livro das Selvas, As Minas do Rei Salomão, Viagem ao Centro da Terra, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre outros. Já desde cedo foi estimulado a apreciar a Astronomia por causa dos avôs, que ficavam discutindo longamente com ele sobre os planetas, como Marte, e que lhe construíram uma luneta, com a qual teve a oportunidade de observar o maravilhoso espetáculo do eclipse lunar ocorrido em 23 de junho de 1899.

Ele e sua família se mudaram para próximo de Chicago quando ele tinha 9 anos. Além de bom aluno, se destacava, sobretudo, nos esportes (basquete, boxe, salto, futebol americano), não só durante a adolescência, como também no período da faculdade. Fora obrigado pelos pais a se dedicar à Advocacia, mas sempre conseguiu estar envolvido com ciências e Astronomia, seja cursando disciplinas extras ou fazendo estágios. Conseguiu uma bolsa para estudar Advocacia em Oxford, completando seus estudos e regressando aos EUA quando tinha cerca de 23 anos.

Graças a antigos contatos na Universidade de Chigaco, Hubble conseguiu uma indicação para realizar pós-graduação e trabalhar no Observatório de Yerkes, da própria Universidade, tornando-se assim oficialmente um astrônomo e dando início à sua carreira de muito sucesso.

Qual foi a principal descoberta de sua vida?

Não é simples definir uma hierarquia no que se refere às descobertas feitas por um cientista, particularmente um como Edwin Hubble. Todas as grandes descobertas dele foram e são importantes para a Astronomia.

Mas talvez, pelo impacto que causou na comunidade científica da época, por conseguir resolver ?O Grande Debate? que já havia se estabelecido há décadas, a descoberta de que a nossa Galáxia (Galáxia com G maiúsculo é o nome da galáxia dentro da qual estamos) é só mais uma dentre outras que existem no Universo, que ela não é o próprio Universo, que existem assim objetos extragaláticos, talvez seja a maior descoberta que Edwin Hubble tenha feito.

Mas que ?Grande Debate? é esse a que estou me referindo? Já no século 18, vários astrônomos tinham observado, através de telescópios, que havia objetos diferentes daqueles que comumente observamos no céu. Eram extensos e difusos, parecendo nuvens, que passaram a receber por isso o nome de nebulosas.

Hoje sabemos que, pela limitação dos equipamentos da época, objetos de natureza muito diferente foram agrupados dentro dessa mesma classificação, e que a maioria deles acaba pertencendo mesmo à nossa própria Galáxia: nuvens de gás iluminadas por estrelas dentro delas, nuvens de gás em forma esférica que foram ejetadas por estrelas depois de morrerem, aglomerados de estrelas etc. Mas também sabemos hoje que algumas das nebulosas são na verdade outras galáxias, tão grandes e até maiores do que a nossa.

Um grande filósofo alemão, chamado Immanuel Kant, foi o primeiro a propor, por volta de 1755, que algumas das nebulosas poderiam ser sistemas estelares como a nossa Galáxia, os quais ele atribuiu o nome de ?universos-ilha". O grande problema é que as distâncias até tais objetos não era possível de ser determinado ainda, de maneira que não havia como se saber se elas pertenciam à nossa Galáxia ou não.

No início do século 20, havia tanto astrônomos que defendiam que algumas das nebulosas eram objetos extragaláticos, quanto os que defendiam que tudo o que havia no Universo estaria dentro dela. Dois dos maiores protagonistas nessa controvérsia foram Harlow Shapley, do Observatório de Monte Wilson, e Heber Doust Curtis, do Observatório Lick. Ambos foram convidados, inclusive, a realizar um famoso debate sobre o assunto, em abril de 1920, frente à Academia Nacional de Ciências. Mas o debate não resolveu a questão, nenhuma das argumentações de cada um conseguia se sobrepujar completamente à do ?adversário?.

Coube então a Edwin Hubble, em 1923, resolver a grande questão.

De posse de um dos melhores telescópios do seu tempo, o principal telescópio do famoso Monte Wilson, Hubble conseguiu identificar a existência de uma representante de um tipo especial de estrelas, as chamadas estrelas Cefeidas, localizada na nebulosa hoje conhecida como galáxia de Andrômeda.

As estrelas Cefeidas já eram bem conhecidas pelos astrônomos na época, várias delas já haviam sido observadas na nossa Galáxia. Elas são especiais porque variam de brilho (não são as únicas a fazer isso), devido a oscilações que ocorrem nelas mesmas, modificando seus tamanhos.

Dependendo de seus brilhos, essas estrelas acabam oscilando de maneira mais rápida ou mais lenta. Assim, pode-se achar uma relação direta entre o brilho intrínseco das estrelas Cefeidas e seus períodos de oscilação. Uma estrela Cefeida 33 mil vezes mais luminosa que o Sol pulsa com período de 100 dias, enquanto uma mil vezes mais luminosa que o Sol tem período de 3 dias.

Sabendo o brilho intrínseco, pode-se obter facilmente a distância da estrela, medindo-se o seu brilho aparente. A ideia por trás disso é bem simples: se você começa a se distanciar de uma lâmpada, por exemplo de 100 Watts, o brilho dela começa a incomodar menos os seus olhos, não é mesmo? Isto porque o brilho aparente dela, o brilho que você sente a uma certa distância, é menor do que o brilho intrínseco, aquele que você sentiria se estivesse com os olhos pertinhos dela. E essa diferença de brilho é relacionada diretamente à distância entre você e a lâmpada, dá para se calculá-la então facilmente.

Foi assim então que Hubble conseguiu determinar a distância da galáxia de Andrômeda até nós. Ele mediu o tempo que levava para a estrela Cefeida em Andrômeda completar uma oscilação completa do seu brilho, e com isso conseguiu determinar qual era o brilho intrínseco dela.

Medindo o seu brilho aparente, obteve a distância dessa galáxia à nossa, um valor de cerca de 2,2 milhões de anos-luz. Isso ?colocava? Andrômeda bem além dos limites da nossa Galáxia, que tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro. Era uma prova irrefutável de que ela não poderia estar dentro da nossa Galáxia. Era, portanto, um outro ?universo-ilha?!

Muito interessante esta descoberta do Edwin Hubble, não é mesmo? Quer saber mais a respeito de outras descobertas que ele realizou? Então não perca na próxima semana a continuação de Edwin Hubble: o homem por trás do nome!

Até lá!

Completamos nossa homenagem a essa obra-prima chamada Telescópio Espacial Hubble!

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Que muitos ainda sejam os anos em que o tenhamos à nossa disposição, para que novas descobertas sejam feitas, e para que a nossa compreensão sobre os astros do Cosmos continue a crescer, em ritmo acelerado!

Quais as principais descobertas científicas realizadas graças às observações do TEH?

Entre os primeiros objetivos que se esperava alcançar com o TEH, estava se obter uma medida mais acurada da distância de estrelas que variam de brilho e de tamanho, chamadas Cefeídas, para assim se obter um valor para a constante de Hubble, que é a medida da taxa com a qual o Universo se expande, e que também está diretamente relacionada com a sua idade. Assim, dentre as muitas descobertas realizadas, com os dados do TEH foi constatado que a idade do Universo deve estar entre 13 e 14 bilhões de anos, um intervalo de possibilidades muito menor do que o que existia antigamente, que era de 10 a 20 bilhões de anos.

Astrônomos do High-z Supernova Search Team e do Supernova Cosmology Project usaram o TEH para observar explosões de supernova distantes, e descobriram evidências de que, longe de estar desacelerando devido à influência da força da gravidade, a expansão do Universo pode estar de fato acelerando. Esta aceleração foi depois medida de forma mais acurada por outros telescópios, tanto fixos em solo, como espaciais, confirmando a descoberta do TEH. A causa para esta aceleração continua até hoje pouco compreendida, sendo por enquanto a teoria explicativa mais popular a da chamada Energia Escura, uma força misteriosa que causaria então essa expansão do Universo de forma acelerada.

Um legado único do TEH são as imagens chamadas Hubble Deep Field e Hubble Ultra Deep Field, nas quais foi utilizada a sensibilidade imbatível para luz visível, para criar essas imagens de pequeníssimas regiões do céu, nas quais aparentemente não havia qualquer objeto luminoso presente, permitindo-se assim a visualização de galáxias extremamente longínquas, a bilhões de anos-luz de nós, antes jamais detectadas. Até o momento, elas são as imagens à luz visível mais detalhadas já feitas dos objetos mais distantes do Universo.

Galáxias em todos os estágios de evolução foram descobertas, incluindo ?galáxias bebê? que já existiam quando o Universo era ainda jovem, o que ajudou no entendimento de como as galáxias se formam.

Descobriu-se a partir dos dados do TEH, que as chamados explosões de raios gama ? estranhas e incrivelmente poderosas explosões de energia ? ocorrem em galáxias muito distantes, quando estrelas colapsam.

O legado do TEH, no que se refere à busca pela confirmação da existência de buracos negros, é ter demonstrado uma profunda conexão entre as galáxias e os seus muito prováveis buracos negros gigantes, que devem residir bem no centro delas.

As imagens de Júpiter, obtidas pelo Hubble, foram mais nítidas do que qualquer uma das obtidas pela sonda Voyager 2, que passou próximo ao gigante gasoso no ano de 1979. Isso contribuiu de forma crucial no estudo posteriormente feito sobre a dinâmica da colisão de um cometa ? o chamado Shoemaker-Levy 9 - com Júpiter, ocorrida no ano de 1994, um tipo de evento que se acredita que ocorra uma vez a cada centenas de anos.

 

 

O TEH também encontrou discos proto-planetários, aglomerações de gás e poeira em torno de estrelas jovens que funcionam como berçários de novos planetas. Particularmente obteve imagens de discos proto-planetários na Nebulosa de Orion.

Também foram encontradas evidências da presença de planetas extrasolares em torno de estrelas parecidas com o Sol, graças a dados do TEH.

O Hubble ainda tem sido usado em estudos de objetos existentes nas regiões mais externas do nosso próprio Sistema Solar, incluindo os planetas anões Plutão e Eris.

 

Quantos artigos científicos foram publicados baseados em dados do TEH?

A produção de conhecimento em Astronomia, baseada em observações do TEH, tem também ajudado a fazê-lo como um dos mais importantes observatórios da história. Mais de 8.000 artigos científicos, baseados em dados do Hubble, já foram publicados em jornais do tipo Revisão por Pares, e incontáveis outros já apareceram em atos de conferências. Analisando as citações de artigos de Astronomia, em outros artigos produzidos muitos anos mais tarde, verifica-se que em torno de um terço de todos os artigos sobre Astronomia não são nunca citados por outros, enquanto que apenas 2% de todos os baseados em dados do Hubble não são nunca citados posteriormente. Em média, um artigo, baseado em dados do TEH, recebe em torno de duas vezes mais citações do que em outro que não se utiliza desses dados. Dos 200 artigos publicados em cada ano, que mais receberam citações posteriores, em torno de 10% são baseados em dados do TEH.

Quem pode usar os dados do TEH em suas pesquisas?

Qualquer astrônomo no mundo pode submeter uma proposta e requerer assim tempo de observação do TEH para sua pesquisa, não há restrições quanto à nacionalidade ou a afiliação acadêmica, mas a competição por tempo no TEH é intensa. Equipes de especialistas ficam encarregadas de selecionar quais as observações deverão ser feitas. Uma vez que as observações requeridas são concluídas, os astrônomos que as solicitaram têm um ano de posse exclusiva, antes então deles serem disponibilizados para toda a comunidade científica.

Todos os dados do TEH estão disponíveis nos arquivos do STScI. Se você quiser acessá-los, pode fazê-lo visitando os seguintes sites: http://archive.eso.org/archive/hst/ e http://www.stsci.edu/institute/.

Já existem sucessores para o TEH?

Sim. Apesar de se falar muito no já famoso Telescópio Espacial James-Webb (mais informações nestes sites 1 2 3), ele não fará observações de luz visível aos olhos humanos, será especializado em observar radiação infravermelha.

Assim, um sucessor de fato para o TEH será o ainda em proposta de construção Telescópio Espacial de Larga Abertura com Tecnologia Avançada (AT-LAST - Advanced Technology Large-Aperture Space Telescope, mais informações nestes sites 1, 2), que viria a ter de 8 a 16 metros de diâmetro, e que teria condições de fazer exatamente o mesmo que o TEH, ou seja, obter imagens tanto em luz visível, quanto em ultravioleta e infravermelha, mas com resoluções certamente muitíssimo superiores ao do TEH

Onde posso conseguir imagens e vídeos sobre o TEH?

São 5 os sites oficiais a respeito do Telescópio Espacial Hubble. Neles você pode encontrar simplesmente tudo o que quiser a respeito do Telescópio Espacial Hubble! Acesse abaixo!

http://www.spacetelescope.org/
http://heritage.stsci.edu/
http://hubblesite.org/
http://hubble.nasa.gov/
http://www.nasa.gov/mission_pages/hubble/main/index.html

Para finalizar, convidamos você a assistir ao vídeo ao lado, feito por um grupo de alunos da escola E. B. Mário de Sá Carneir, de Portugal. Aproveite!
 


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