BBC Brasil Pela primeira vez em três semanas, os 33 mineiros soterrados em uma mina no norte do Chile mostraram seus rostos e sua moradia temporária, em um vídeo gravado por eles mesmos e enviado às suas famílias. São 45 minutos de imagens reveladoras, que foram mostradas aos parentes no acampamento Esperanza, nas imediações da mina. As imagens arrancaram aplausos e soluços. O material foi rapidamente difundido pela TV pública chilena. Sem camisa, devido ao calor, os mineiros saudaram suas famílias e mostraram como fazem para sobreviver. "Aqui fazemos reunião todos os dias, aqui planejamos, rezamos...e nos reunimos na assembleia para que todas as decisões tomadas sejam baseadas na determinação dos 33 que estão aqui", diz o mineiro encarregado da gravação, cujo rosto não aparece no vídeo. Os mineiros mostram um estado de ânimo notável: aparecem fazendo piadas entre eles, mostrando como jogam cartas para passar o tempo e cantando o hino nacional do Chile. A fraqueza e as olheiras dos trabalhadores mostram a deterioração de seu estado físico, entretanto. O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, disse à BBC Mundo que se estima que os homens tenham perdido 10 quilos em média ao longo dos 21 dias em que estão presos. Se espera que o resgate leve até quatro meses. A narração e as imagens mostram que os trabalhadores montaram um esquema rígido para organizar sua rotina sob a terra. Eles disseram que montaram um dormitório e que têm um espaço sanitário. "Aqui tudo está bem organizado: álcool, remédios, desodorantes, pasta de dentes", diz um deles. O vídeo mostra que os trabalhadores também organizaram "uma espécie de cassino", onde um dos mineiros brincava com um dominó. Os mineiros parecem ter seguido uma das orientações dadas pelos especialsitas: separar espaços, dividir grupos de trabalho e diferenciar dias e noites, ainda que estejam em um espaço sem luz. Um deles, Víctor Segovia, se transformou em um cronista das profundezas: está escrevendo um relato detalhados do que acontece com eles desde o acidente. Entre saudações às famílias e pedidos de "tirem-nos daqui logo, por favor", os mineiros fizeram também uma leve reclamação contra os donos da mina, quando mostraram a área que deveria estar preparada para emergências: "Aqui deveria haver condições para nos abrigar, mas quando aconteceu isso a energia foi cortada, tudo foi cortado", diz um dos mineiros
O vídeo é uma espécie de passeio virtual pelo refúgio onde os homens estão presos, um espaço de cerca de 25 metros quadrados a 700 metros de profundidade. O vídeo foi feito com uma minicâmera enviada pelo governo através de um duto de oito centímetros de largura, que é a única forma de comunicação da mina com o exterior. O vídeo foi enviado por esse canal, ao ser finalizado.
27/08/2010 08:18 AM
The New York Times Foto: AFP Dezenas de membros de uma associação que busca abolir a monarquia se sentaram em torno de uma mesa em um espaçoso apartamento no extremo norte de Estocolmo, capital da Suécia, quando alguém no fundo da sala murmurou: ?Duzentos anos após a Revolução Francesa e nós ainda temos um rei?. Em outros tempos e em outros lugares, essas pessoas teriam sido perseguidas por agentes do rei. Mas na Suécia liberal de hoje, elas estão ganhando espaço. Na verdade, a Associação Republicana Sueca cresceu tão rápido - seu número de sócios passou de 2.500 para 7.300 em um ano -, que essa reunião foi convocada para discutir uma série de propostas ambiciosas, incluindo a abertura de um escritório permanente, a criação de um jornal anti-monarquista e a formação de um movimento europeu conttrário à monarquia. O grupo prevê filiais em sete países onde reis ou rainhas continuam a reinar, incluindo Grã-Bretanha, Holanda, Espanha e os países escandinavos vizinhos, Dinamarca e Noruega. ?O apoio à monarquia está caindo em toda a Europa?, disse Mona Abou-Jeib Broshammar, secretária-geral da associação. Certamente uma adesão de 7.300 pessoas não é muito em um país de 9 milhões, mas o crescimento da associação é notável, dado que a Suécia vive um período de alta da monarquia por causa do casamento de conto de fadas da princesa Victoria, 33 anos, com seu ex-personal trainer. Milhares de pessoas se reuniram na capital para o desfile do casamento, enquanto outros milhões acompanharam tudo pela televisão. Dúvidas Em meio à euforia, no entanto, as dúvidas permaneceram. Apesar de o principal jornal da Suécia, o Aftonbladet, ter estabelecido uma equipe em fevereiro para cobrir o casamento, a publicação complementou fotos da cerimônia com editoriais e artigos de opinião que criticavam a monarquia. Na primavera passada, o Instituto SOM publicou os resultados de uma pesquisa mostrando que o apoio à monarquia havia caído de 58% para 56% em seis anos. ?É importante que também haja crítica?, disse Susanne Nylen, que liderou a equipe de cobertura do casamento. ?Todo esse dinheiro foi gasto?. As reclamações aumentaram depois que a companheira do príncipe Carl Philip, 31 anos, irmão da princesa Victoria, deixou-o por causa de sua fama de mulherengo. ?Nós achávamos que poderíamos ter dois casamentos este ano?, disse Susanne. ?Esta notícia foi uma bomba. Sabíamos que ele tinha casos há muito tempo?. Democracia A atitude de Susanne, que foi correspondente em Londres antes de assumir a cobertura real, é como a de muitos suecos. ?Eu posso ver que a monarquia não está em consonância com a democracia, e entendo por que as pessoas estão contra ela?, disse. ?Mas eles são bons em representar a Suécia, e é difícil obter publicidade dessa maneira com um presidente?. Além disso, conforme a data do casamento se aproximava, menos críticas eram ouvidas. O Aftonbladet descobriu que 74% dos entrevistados em uma pesquisa apoiavam a monarquia. Anders Janeborn é um dos apoiadores. ?Eu acho que é bom, é uma coisa histórica?, disse Janeborn, cuja empresa vende equipamentos de ginástica. O rei Carl Gustaf XVI era esperado neste fim de semana na aldeia Janeborn para comemorar seu aniversário em ?uma grande festa?, disse Janeborn. Para aqueles que se opõem à manutenção das despesas da família real, de cerca de US$ 16 milhões por ano, segundo ele, membros da família real ?trazem muito mais, pois estão vendendo a Suécia de um jeito bom?. Lennart Nilsson, do Instituto SOM, no entanto, lembrou que a confiança na família real caiu ano a ano desde que o instituto começou a medi-la em 1995. ?Ela continua caindo?, disse. No entanto, ele não vê urgência da sociedade para fazer uma mudança. Em setembro, os suecos vão votar nas eleições nacionais, mas a monarquia não é um problema. ?Outras questões? ? como empregos, educação e saúde ? ?são muito mais urgentes?, disse Nilsson. A Associação Republicana Sueca quer mudar isso a longo prazo, disse Mona Abou-Jeib Broshammar, sua secretária-geral. Nascida no Líbano, filha de pai sírio e mãe sueca, Mona, 32 anos, é emblemática quando fala das mudanças enfrentadas pela Suécia. Ela se mudou para a Suécia, quando sua família fugiu do Líbano por causa da guerra. ?Tenho visto como um país pode desmoronar por falta de democracia e direitos humanos?, disse ela, acrescentando que tem recebido mensagens de ódio por sua herança cultural ? o pai é muçulmano e a mãe cristã. ?Por causa da minha formação multiétnica, eles dizem que eu deveria deixar o país. Eles são racistas, não monarquistas?. Ainda assim, ela não sugere que a Suécia vai acabar como o Líbano. Alto escalão A associação tem atraído algumas figuras de alto escalão, incluindo o ministro de Assuntos Europeus e dirigentes de vários partidos políticos. A maioria dos partidos de esquerda inclui em sua plataforma o estabelecimento de uma república, mas nenhum persegue-a ativamente. Os líderes de todos os partidos representados no Parlamento foram convidados para o casamento de Victoria, apenas Lars Ohly, 53 anos, do Partido de Esquerda - antigo Comunista da Suécia - não participou. Os membros discutiram uma mudança de nome para a Associação Republicana, de modo a não ser confundido com o partido dos americanos John McCain e Sarah Palin, disse Mona. E se um dia conseguirem depor a monarquia, ressaltou Magnus Simonsson, membro do Partido Liberal e da associação, eles prometem clemência ao rei. ?Ele seria mais livre do que é hoje?, disse Simonsson, sorrindo. ?E é claro que pode permanecer na Suécia?.
*Por John Tagliabue
27/08/2010 08:05 AM
The New York Times Foto: The New York Times Evidência médica direta? Nenhuma. Autópsia? Não foi realizada. Registros médicos? Longe de serem encontrados. Corpo? Desaparecido. Apesar de tantas incertezas, pesquisadores têm postulado pelo menos 118 causas para a morte de Wolfgang Amadeus Mozart, de acordo com um artigo publicado recentemente em uma revista acadêmica. Em consequência, uma indústria de especulação médica cresceu em torno do assunto - prova da fascinação humana por aquilo que derruba os grandes criadores da história. No caso de Mozart, a especulação começou um mês após sua morte, em 1791, e musicólogos, médicos e acadêmicos têm regularmente entrado para o debate desde então. E o doutor William J. Dawson, um cirurgião ortopédico aposentado que é o bibliógrafo da Associação Médica de Artes Performáticas, decidiu organizar as teorias. Ele examinou a maioria das 136 propostas inscritas no banco de dados da associação sobre a morte de Mozart, uma lista que não chega a ser completa. ?Revisando as publicações sobre esse tema nós percebemos que muitas delas são confusas, complicadas, conjecturais e contenciosas?, Dawson, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, escreveu na última edição da revista da associação Problemas Médicos de Artistas Performáticos. Controvérsia Sua conclusão não é surpreendente: a controvérsia deve continuar. Com a falta de evidências diretas, os pesquisadores tiveram de confiar principalmente nos relatos da viúva de Mozart, Constanze Mozart, e de sua irmã, Sophie Haibel, contados apenas décadas mais tarde. Mesmo essas provas indiretas se baseiam em textos cheios de alterações médicas, por vezes mal traduzidos, a partir dos testemunhos originais. Dawson não é o primeiro a pesquisar as teorias sobre a morte de Mozart. Um grande estudioso da área é L.R. Karhausen, médico na França que em 1998 compilou 118 causas de morte citadas por Dawson em seu artigo. Mas as causas da morte são divididas por Dawson em cinco grupos: envenenamento, infecção, doença cardiovascular, doença renal e diversas. ?Se eu tivesse de apostar dois centavos em alguma dessas opção, provavelmente seria a falha renal?, disse Dawson. ?Era o diagnóstico mais comum. Pessoas que sabem mais sobre essas coisas do que eu consideram essa como a provável causa?. No início do ano ainda um pesquisador na Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova York, depois de fazer testes no que acredita ser fragmentos do crânio de Beethoven, questionou a teoria de que ele teria morrido por envenenamento de chumbo. Interesse Apesar disso, tudo suscita uma pergunta: por que o assunto desperta interesse tão intenso? Parte da razão pode estar na estreita relação entre a música e a medicina. Uma elevada proporção de médicos parece tocar instrumentos ? como Dawson, que é um fagotista de talento. A ideia de que indivíduos notáveis, que deram à vida tanta beleza, podem ser derrubados por simples doenças físicas, particularmente doenças que hoje são facilmente tratáveis, é intrinsecamente fascinante. Essa percepção, talvez, faça com que pessoas geniais se pareçam mais conosco. *Por Daniel J. Wakin
27/08/2010 08:04 AM
The New York Times Foto: The New York Times A estrada a oeste do Cairo costumava oferecer alívio ao caos da cidade. Passadas as grandes pirâmides de Gizé e um último resquício de tráfego, havia apenas o deserto e o caminho de cerca de 160 quilômetros até o Mediterrâneo. Mas isso mudou. Agora motoristas de microônibus e passageiros do Cairo atravessam 32 quilômetros de deserto para encontrar uma cidade nova, que brotou repentinamente na areia. Um engarrafamento dolorosamente familiar e um grupo de arranha-céus anunciam a metrópole que se destina a aliviar a pressão do centro histórico do Cairo, que muitos urbanistas consideraram sobrecarregado demais. Bem-vindo ao novo Cairo, que não é totalmente diferente do antigo. O Cairo se tornou uma cidade tão lotada, congestionada e poluída que o governo egípcio apostou em um projeto de construção de fazer inveja a faraós: a criação de duas grandes cidades satélites. 20 milhões Até 2020, os planejadores esperam que as novas cidades satélites abriguem pelo menos um quarto dos 20 milhões de habitantes do Cairo e muitas das agências governamentais que agora têm sede na cidade. Só um país com uma oferta aparentemente infinita de deserto aberto ? e um governo autoritário e livre para ignorar a opinião pública ? poderia contemplar um empreendimento tão gigantesco. O governo já passou alguns milhares de habitantes mais pobres da cidade, contra a sua vontade, de favelas ilegais no centro do Cairo para projetos habitacionais nessa periferia. Em um ponto quase todos parecem concordar: é tarde demais para mudar de rumo. Subdivisões enormes surgiram nas dunas fora do Cairo, em uma escala quase incompreensível. Mais de 1 milhão de pessoas se mudaram para a Cidade 6 de outubro, a oeste do Cairo, batizada em homenagem à guerra de 1973 entre Egito e Israel, ainda celebrada como uma vitória árabe. Um número parecido passou a viver na segunda cidade satélite, batizada de Novo Cairo. Planos ambiciosos Os planos originais do governo ? que são amplamente considerados mais ambiciosos do que realistas ? conceberam a Cidade 6 de Outubro para receber uma população de 3 milhões de habitantes até 2020 enquanto o Novo Cairo receberia 4 milhões, principalmente como refúgio para pessoas da classe trabalhadora. Até agora, porém, a esmagadora maioria dos novos moradores são provenientes da mais alta classe econômica do país. O governo egípcio já gastou milhões de dólares na construção de novas estradas e linhas de energia e saneamento para as zonas desérticas que designou para as novas cidades. Parcelas enormes de terra foram vendidas a construtoras pequenas, em acordos obscuros, e algumas habitações de baixa renda construídas. Mas o governo tem dependido principalmente de grandes construtoras privadas para criar moradias de luxo e condomínios, bem como shoppings e escritórios.
*Por Thanassis Cambanis
27/08/2010 08:02 AM
BBC Brasil O governo do Equador anunciou na quinta-feira que adotou medidas para proteger os familiares do equatoriano que sobreviveu ao massacre de 72 imigrantes descoberto esta semana no Estado de Tamaulipas, no México. Os familiares do sobrevivente - identificado apenas como Freddy, pelas autoridades - moram em Ger, uma vila rural no sul do Equador. Eles disseram à BBC que receberam ameaças de morte do traficante de pessoas que tentou levar Freddy aos Estados Unidos, via México. Policiais foram enviados à comunidade e o ministério de Imigração (Senami, na sigla em espanhol) entrou em contato com os pais de Freddy, que estão nos Estados Unidos. A ministra Lorena Escudero disse que Freddy, que está hospitalizado no México, "precisa de proteção absoluta", pois "se trata de uma pessoa que denunciou o crime organizado". "É uma vítima que tem que ser protegida em sua saúde física e mental, e de possíveis retaliações dos criminosos", disse ela. Emprego nos EUA A ministra afirmou também que o governo do Equador vai investigar o tráfico de pessoas no país. Em Ger, o ambiente é de angústia e temor. O México não revelou oficialmente o nome do equatoriano, mas na comunidade, todos sabem de quem se trata. A esposa de um primo de Freddy, María Ignacia, disse à BBC que o equatoriano trabalhava como agricultor em Ger e deixou o Equador em julho para tentar visitar seus pais nos Estados Unidos. O pai de Freddy havia se mudado para os Estados Unidos há quatro anos. A mãe mudou-se dois anos depois. O casal deixou os oito filhos em Ger. Freddy queria juntar-se aos pais nos Estados Unidos e arranjar um emprego lá, para enviar dinheiro a sua esposa, Angelita, de 17 anos. Ela está grávida de quatro meses. O primeiro filho do casal morreu com seis meses de idade. O equatoriano pagou US$ 11 mil ao "coyotero" - como são chamados os traficantes de pessoas no Equador - para ser levado aos Estados Unidos. Na semana passada, Freddy telefonou para sua esposa da Guatemala para dizer que tudo estava bem e que ele havia conhecido outros equatorianos do sul do país. Uma das tias de Freddy em Ger disse à BBC que "a pobreza fez meu sobrinho seguir os seus pais, que também não têm empregos nos Estados Unidos". "O pai de Freddy me ligou [na quinta-feira] chorando, e dizendo que não pode fazer nada para ajudar", disse ela. Os familiares de Freddy lamentam não ter recursos econômicos para ir ao hospital no México e pedem ajuda ao governo do Equador. "Não sabemos quando ele vai se recuperar. Só sabemos que ele está em estado grave", disse.
27/08/2010 06:49 AM
AFP Quinze dos 72 imigrantes ilegais assassinados em Tamaulipas, no nordeste de México, já foram identificados, incluindo um dos quatro brasileiros mortos no massacre, revelou à AFP um funcionário da procuradoria estadual. "São 15 corpos identificados até agora, após 32 necropsias", disse em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, o funcionário da procuradoria. O governador de Tamaulipas, Eugenio Fernández, viajou hoje à Cidade do México para se reunir com o ministro do Interior, Francisco Blake, e ambos concordaram que é preciso "fortalecer o combate ao crime organizado (...) e proteger os grupos vulneráveis, como os imigrantes", impedindo que os delinquentes aproveitem sua situação para sequestrá-los ou recrutá-los para o crime.
27/08/2010 04:04 AM
Reuters Foto: AP Autoridades mexicanas iniciaram nesta quinta-feira o processo de autópsia nos 72 corpos dos imigrantes latino-americanos que foram vítimas de uma chacina no Estado de Tamaulipas, na região nordeste do México. Autoridades atribuem o crime ao grupo de narcotraficantes Los Zetas. Também nesta quinta-feira, soldados mexicanos vasculharam a zona rural na fronteira com o Estado americano do Texas em busca dos autores do massacre, o pior da guerra entre traficantes no país. As vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas e foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros. Os investigadores trabalham com a hipótese de que eles foram assassinados por se negar a entrar no crime organizado. A cônsul-adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss, disse à BBC Brasil que, por enquanto, ainda não foi possível identificar se havia brasileiros entre as vítimas. "Até o momento não há confirmação de brasileiros. Estamos aguardando o final da perícia", disse Weiss. O governo mexicano informou preliminarmente na quarta-feira que pelo menos quatro imigrantes seriam provenientes do Brasil. No entanto, as autoridades encontram dificuldade em identificar as vítimas porque muitas não possuem passaportes ou documentos de identidade. Até o momento, os médicos forenses estariam terminando a autopsia em 28 vítimas. Segundo a cônsul-adjunta do Brasil, as autoridades mexicanas pediram o envio de reforços para auxiliar os peritos nos trabalhos de identificação dos corpos. Busca pelos culpados Patrulheiros fortemente armados em caminhões, tanques e jipes percorreram cidades e vilarejos na região de fronteira, enquanto helicópteros sobrevoavam a área um dia depois de encontrados os corpos das 72 pessoas em um prédio vazio de uma fazenda. Fotografias mostram os corpos sujos de sangue amontoados no chão da fazenda no Estado de Tamaulipas, que se tornou palco dos mais graves episódios da violência relacionada às drogas no México, enquanto o cartel do Golfo e o grupo rival, os Zetas, disputam rotas de tráfico. O governo tem como testemunha do crime um equatoriano que fazia parte do grupo de imigrantes e sobreviveu ao massacre, embora tenha sofrido ferimentos de bala na garganta e esteja internado em um hospital sob proteção. Foi ele quem orientou a Marinha a chegar até o rancho perto da cidade de San Fernando, onde foram descobertos corpos de 58 homens e 14 mulheres. Segundo o sobrevivente, as vítimas eram imigrantes do Brasil, Equador, El Salvador e Honduras que pretendiam atravessar a fronteira com os EUA e foram interceptados pelos Zetas, um cartel fundado em 1999 por desertores de um grupo de elite do Exército mexicano. Delegação de diplomatas Em Tamaulipas estão oito diplomatas de El Salvador, Honduras, Equador e Brasil para ajudar na identificação das vítimas do massacre, informou nesta quinta-feira o governo mexicano. O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batista Zaidan Fernandes, estão na cidade mexicana de Reynosa, segundo o Itamaraty, de onde acompanham as investigações. Do Equador, foram enviados um cônsul e dois policiais; de El Salvador, dois cônsules; e, de Honduras, uma cônsul. Os corpos das vítimas estão nas instalações do Serviço Médico Legista (Semefo) da capital estadual, Ciudad Victoria. A procuradoria-geral da República e a Promotoria de Tamaulipas abriram investigações pelo crime de homicídio e outras possíveis acusações. As autoridades mexicanas mantêm silêncio sobre o curso da investigação e os trabalhos de identificação, mas surgiram algumas informações dos países de onde se acredita que procediam as vítimas. Do Equador, a Secretária Nacional do Migrante (Senami), Lorena Escudero, além de identificar o sobrevivente, disse que "pelo menos" um equatoriano está entre os assassinados. De Honduras, fontes oficiais confirmaram que alguns dos assassinados tinham nacionalidade do país e anunciaram que o vice-chanceler, Alden Rivera, viajará nesta quinta-feira ou na sexta-feira ao México. Representantes pastorais mexicanos afirmaram nesta quinta-feira que há mais de quatro anos denunciam que o cartel do tráfico Los Zetas está sequestrando e assassinando imigrantes no nordeste, afirmando que não foram atendidos pelas autoridades. O padre Pedro Pantoja, representante da Associação de Casas del Migrante do México, explicou que "as ações de sequestro de imigrantes buscam não só pedir resgate, mas submetê-los a condições de exploração trabalhista e sexual e outros fins ilícitos". Migrantes que tentam entrar nos EUA estão cada vez mais sob risco por causa das quadrilhas de traficantes que operam praticamente impunes em áreas do norte do México. A cada ano, calcula-se que cerca de 300 mil imigrantes ilegais cruzem a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos Estados Unidos, e muitos deles são vítimas de extorsões, roubos, violações e sequestro. Guerra ao narcotráfico Mais de 28 mil pessoas morreram na violência relacionada ao narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón lançou sua guerra contra os cartéis, quando assumiu o poder no fim de 2006. Calderón prometeu avançar com a repressão e advertiu que é provável que ocorram mais episódios de violência. Embora a maior parte do conflito esteja restrito aos traficantes e às forças de segurança, a violência se espalha por regiões do país antes consideradas pacíficas. *Com BBC, Reuters e AFP
26/08/2010 08:58 PM
AFP Foto: Arte/iG "Los Zetas", apontados pela matança de 72 imigrantes latinoamericanos no México, é um grupo poderoso com tentáculos estendendo-se por vários países. O grupo foi criado por ex-militares que nos anos 90 se uniram ao cartel do Golfo, com o qual disputam hoje. "Os 'zetas' controlam várias rotas que os permitem mover-se da Guatemala à fronteira com os Estados Unidos, atravessando o território mexicano muitas vezes em cumplicidade com a polícia local", explica Raúl Benítez, pesquisador de assuntos ligados à segurança nacional da Universidade Nacional Autônoma do México. Guzmán, que havia desertado do Exército em 1997 convenceu vários de seus companheiros a trabalhar para Cárdenas, que lhes pagava mais de US$ 50 mil dólares anuais, acima do que recebiam do Estado, segundo depoimento de um ex-membro para um informe judicial mexicano. Atualmente, Cárdenas está detido nos Estados Unidos, para onde foi extraditado em 2007. Depois de sua captura, os "zetas" entraram na disputa pelo controle do cartel do Golfo. "Por sua experiência e formação militar, ganharam terreno até se converter em adversários de seus antigos chefões que disputam rotas nos Estados de Tamaulipas e Nuevo León", explicou Benítez. Autoridades locais atribuem a tal disputa mais de 1.000 assassinatos ocorridos nestes estados durante o ano. Além do narcotráfico, os "zetas", que costumam se vestir de preto e utilizam patentes de tipo militar para se diferenciar - como "comandantes", "veteranos", "falcões" e "cobras", além de realizar outras atividades como o tráfico de combustível roubado no México para os Estados Unidos e o sequestro de imigrantes. "Capturam os imigrantes para pedir resgate às famílias nos Estados Unidos ou, no caso dos mais pobres, para utilizá-los como 'mulas' para levar cocaína", assinalou Benítez. O sobrevivente, que fugiu depois de se fingir de morto com um ferimento no rosto, disse às autoridades que os "zetas" executaram os imigrantes depois de ter oferecido US$ 1 mil por quinzena para que se unissem à organização. Na Guatemala, um tribunal iniciou no dia 29 de julho um julgamento contra 14 supostos integrantes dos "zetas, em uma audiência cercada de medidas extremas de segurança, incluindo o uso de alta tecnologia para proteger os testemunhos. No começo de junho, a polícia de Nicarágua deteve no leste de Manágua três supostos integrantes do grupo e apreendeu com eles armamento. Nesse mesmo mês, o ministro do interior da Venezuela, Tareck El Aissami informou à imprensa sobre a detenção de um colombiano, Luis Tello Candelo, a quem identificou como membro dos "zetas".
O grupo foi formado a partir da união de 40 antigos membros das forças especiais do Exército mexicano, recrutados pelo então tenente Arturo Guzmán (ou Z-1, por seu código militar) para criar os anéis de segurança do chefão do cartel do Golfo, Osiel Cárdenas.
Sobrevivente
Segundo o equatoriano de 18 anos que sobreviveu ao massacre em um rancho próximo à aldeia de San Fernando, a 180 km da fronteira com Texas, os homens que mataram 72, identificaram-se como membros do grupo.
Além da fronteira
Em julho, supostas incursões de grupos ligados aos "zetas" a ranchos do sul dos Estados Unidos foram desmentidas por autoridades do Texas, onde no começo do ano várias empresas foram condenadas por comprar combustível roubado pelo grupo no México.
26/08/2010 08:38 PM
iG São Paulo Foto: AFP A justiça chilena ordenou, nesta quinta-feira, a retenção de bens no valor de US$ 1,8 milhão de dólares da mineradora San Esteban, proprietária da jazida San José, onde estão presos há três semanas 33 mineiros. Segundo fontes judiciais, os donos deveriam receber essa quantia do Estado pela venda de cobre. A decisão foi tomada pelo Juzgado de Letras de Copiapó, tribunal da cidade localizada a 800 km ao norte de Santiago. O dinheiro, 900 milhões de pesos (US$ 1,8 milhão), deveria ser transferido pela Empresa Nacional de Mineração (Enami) à proprietária, San Esteban. O tribunal acolheu a petição do advogado Edgardo Reinoso, que representa 26 das 33 famílias, como parte de uma demanda indenizatória contra os donos da mina. Reinoso acrescentou ainda que foi "solicitada a nomeação de um interventor de modo a que seja um terceiro a administrar os recursos e os bens da 'Minera San Esteban', que ainda está sendo analisado". Operação Na mina San José, região do Atacama, 830 km ao norte de Santiago, engenheiros trabalham para colocar em funcionamento a Raise Borer Strata 950, uma máquina perfuradora de 30 toneladas cedida pela estatal Corporação do Cobre (Codelco) que permitirá tirar os mineiros das profundezas. A perfuradora chegou pedaço por pedaço ao longo desta semana. No sábado deve estar pronta para começar a escavar o túnel que será usado para resgatar as vítimas. Inicialmente o túnel terá 38 centímetros de diâmetro, para depois ser ampliado para cerca de 66 centímetros. Um dos operários que manejará a enorme máquina assegurou que as tarefas de perfuração serão lentas, mas que é "impossível" não darem resultado. "Fazer o duto é um trâmite fácil, mas demora devido à quantidade de metros que temos de avançar. É impossível falhar, porque já fizemos este trabalho várias vezes", contou o trabalhador. Alimento Enquanto se preparam para dar início à escavação, equipes de resgate coordenadas pelo governo fornecem aos mineradores água engarrafada e alimentos através das sondas com as quais conseguiram se conectar com eles. O envio é feito através de cápsulas metálicas de 12 centímetros de diâmetro chamadas de "pombas", que descem até a mina através de uma corda e de um sistema de polia. Nesta quarta-feira os mineradores comeram uma barra de cereal, seu primeiro alimento sólido, já que desde segunda-feira eles vinham se alimentando apenas de um mingau de alto valor nutritivo. Jorge Sanhueza, gerente de sustentabilidade da Codelco, explicou que desde sábado os mineiros recebem "uma dieta de 2 mil calorias diárias e quatro litros de líquido para cada um", mas que pouco a pouco serão enviadas quantidades maiores de calorias. Além disso, os operários receberam oxigênio e remédios. Famílias dos mineiros acompanham as operações com atenção no acampamento Esperanza, localizado próximo ao local do acidente. Nesta quinta-feira, parentes aceitaram a recomendação das autoridades e organizaram turnos com seus familiares para deixar os arredores da mina e voltar a seus lares e a seus trabalhos. 
*Com AFP e EFE
26/08/2010 07:58 PM
iG São Paulo Os 33 sobreviventes da mina San José, que foram localizados vivos após 17 dias presos a 700 metros de profundidade, vivem em maioria perto da jazida. O mais velho tem 63 anos e o mais novo, acaba de completar 19. No grupo há um mineiro boliviano. 1. Alex Vega Salazar, 31 anos, casado. Mecânico de maquinaria pesada. 2. Ariel Ticona Yáñez, 29 anos, casado. 3. Carlos Andres Bugueño Alfaro, 27 anos, solteiro. 4. Carlos Barrios Contreras, 27 anos, solteiro. Possui um táxi para os tempos livres. 5. Carlos Mamani Solis, 24 anos, solteiro. De nacionalidade boliviana, trabalhava há apenas cinco dias na mina. 6. Claudio Antonio Acuãa Cortes, 44 anos, solteiro. É ajudante de perfuração. 7. Claudio David Yáñez Lagos, 34 anos, solteiro. Gosta de rock e futebol. 8 .Daniel Esteban Herrera Campos, 27 anos, solteiro. É motorista de caminhão. 9. Darío Antonio Segovia Rojas, 48 anos, casado. É perfurador. 10. Edison Fernando Peña Villarroel, 34 anos, solteiro. Tem problemas auditivos e sofre de hipertensão e diabetes. 11. Esteban Alfonso Rojas Carrizo, 44 anos, casado. Seis meses de trabalho na mina como encarregado da manutenção. 12. Florencio Antonio Avalos Silva, 31 anos, casado. É também motorista da mina. 13. Franklin Lobos Ramírez, 53 anos, solteiro. Ex-jogador da liga local com uma rápida passagem pela seleção nacional de futebol. Trabalha como motorista. 14. Jimmy Sánchez Lagues, 19 anos, solteiro. É o mais novo do grupo e ainda não concluiu o colegial. 15. Jorge Hernan Galleguillos, 56 anos, casado. Trabalha na mina há um ano. 16. Jorge Ricardo Ojeda Vidal, 45 anos, viúvo. É mestre-perfurador. 17. José Samuel Henríquez González, 54 anos, casado. 18. Juan Andrés Illanes Palma, 51 anos, casado. Vive no sul do Chile. 19. Juan Carlos Aguilar Gaete, 49 anos, casado. É supervisor da mina. 20. Luis Alberto Urzúa, 54 anos, casado. É chefe de turno. 21. Mario Nicolas Gómez Heredia 22. Mario Sepúlveda Espina, 40 anos, casado. É pai de dois filhos. 23. Omar Orlando Reygada Rojas, 56 anos, viúvo. Começou a trabalhar na mina recentemente. 24. Osman Isidro Araya Acuna, 30 anos, casado, com apenas quatro meses na mina. Antes se dedicava à agricultura. 25. Pablo Amadeos Rojas Villacorta, 45 anos, casado. Começou a trabalhar há alguns meses na mina. 26. Pedro Cortez, 24 anos, solteiro. 27. Raúl Enriquez Bustos Ibáñez, 40 anos, casado. 28. Renán Anselmo Avalos Silva, 29 anos, solteiro. Trabalha há cinco anos na mina. 29. Richard Reinaldo Villarroel Godoy, 27 anos, solteiro. Já havia trabalhado em outras minas. 30. Samuel Dionisio Avalos Acuña, 43 anos, casado. Trabalha no local há cinco meses. 31. Víctor Antonio Segovia Rojas, 48 anos, casado. 32. Víctor Hermogenes Zamora Bugueño, 33 anos, casado. Dedicava-se, antes, à agricultura e adora futebol. 33. Johny Barrios Rojas, 50 anos, casado. Trabalha há 25 anos em mineração. *Com AFP
26/08/2010 07:33 PM
EFE Foto: AP Luis Freddy Lala Pomavilla, o equatoriano de 18 anos que supostamente se salvou da chacina de imigrantes no México, estava a caminho dos EUA para se encontrar com seus pais e ajudá-los a pagar o que deviam aos "coiotes" (pessoas contratadas para fazer os ilegais atravessar a fronteira), disse à Agência Efe sua tia María Udulia Lala. Apelidado de "Freddy", o jovem relatou ter conseguido escapar do rancho onde foram assassinados 72 companheiros de viagem, incluindo pelo menos quatro brasileiros. Os corpos foram encontrados no rancho perto de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, após ele ter avisado as autoridades sobre a ação dos criminosos. Segundo relatos, o jovem conseguiu fugir de seus sequestradores e percorrer vários quilômetros ferido até ser socorrido por policiais. Apesar de o governo do México tratá-lo como testemunha protegida, e oficialmente não ter revelado sua identidade, "Freddy" foi identificado como Luis Freddy Lala Pomavilla e teve sua foto, sedado em um hospital, divulgada pela mídia. O presidente do México, Felipe Calderón, lamentou nesta quinta-feira o vazamento da identidade e da imagem do equatoriano. "Ordenei que cuidassem da identidade da testemunha e será preciso investigar o que ocorreu", afirmou Calderón. O sobrevivente afirma que o grupo, que seria composto por brasileiros, salvadorenhos, hondurenhos e equatorianos, seguia rumo à fronteira do México com os EUA com a intenção de atravessá-la quando foi interceptado por um grupo armado, que ele vinculou aos "Zetas", uma das organizações criminosas mais violentas do México. Origem humilde No Equador, Pomavilla era agricultor e, quando tinha sorte, operário de construção. Vivia em Zer, uma cidade de 400 pessoas na região andina do sul do Equador, numa casa de barro com um só quarto, de 2 metros de largura por 3 metros de comprimento. Ele morava com sua esposa, Angelita Lala, grávida de quatro meses, a única pessoa a quem revelou o perigoso plano de cruzar a fronteira. "Ele foi sem dizer nada à família. É o sobrinho mais querido", disse a tia María, que continua em Zer, uma pequena comunidade da Província de Cañar. Na sua cidade natal, todos os parentes de "Freddy", como lhe chamam em casa, estão apreensivos. "Estamos tristes, preocupados. Dizem que algo aconteceu e não sabemos o quê", afirmou María. A última vez que os parentes tiveram notícias dele foi há uma semana, quando ele ligou do México para a mulher, por meio de seu coiote, para dizer que seguiria rumo aos EUA. Do outro lado da fronteira estavam seus pais, Alejandro e María Oliva Lala, que precisavam dele. "Praticamente lhe obrigaram a ir", disse María. Ambos estão desempregados e, nos últimos tempos, só podiam enviar US$ 50 por semana à família em Zer, segundo ela. No entanto, disse María, não podem voltar ao Equador porque ainda não pagaram as dívidas que contraíram com os coiotes que os levaram aos EUA, apesar de Alejandro já estar há sete anos no país e sua esposa há dois. Freddy ia aos EUA para ajudá-los a pagar o que deviam. No entanto, ele mesmo contraiu uma dívida de US$ 11 mil com um coiote para fazer a travessia da fronteira. Seus planos minguaram na terça-feira, quando homens armados o sequestraram juntamente com um grupo de imigrantes no Estado de Tamaulipas e os levaram a um rancho perto da cidade de San Fernando. O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, prometeu na quarta-feira mobilizar a embaixada de seu país no México para ajudá-lo e prestar assistência a qualquer outro equatoriano afetado pela tragédia.
26/08/2010 05:32 PM
iG São Paulo Foto: AFP Carolina Narváez, esposa de Raúl Bustos, um dos 33 mineiros presos há três semanas em mina no norte do Chile, entrou nesta quinta-feira com uma ação penal contra os donos da jazida e o organismo público que fiscaliza a segurança que permitiu a exploração no local. "Não estou pensando na recompensa monetária, estou pensando nos responsáveis, não apenas os donos da mina, mas as pessoas que não fizeram o trabalho de fiscalizar", disse Carolina sobre as motivações do processo. De acordo com o advogado Remberto Valdés, a demanda será apresentada contra Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, donos da empresa San Esteban, proprietária da jazida San José, onde um desabamento prendeu os trabalhadores no dia 5 de agosto. Os empresários serão acusados de lesões, informou o advogado. A ação judicial também inclui o Serviço Nacional de Mineração e Minas (Sernageomin), que autorizou a reabertura da mina um ano depois de um acidente com um trabalhador em 2007. O serviço será acusado de prevaricação (crime quando um funcionário público deixa de fazer o que obriga a lei) por "ter divulgado, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina San José", que havia sido fechada no ano anterior, disse Valdés. Congresso Uma comissão do Congresso chileno também investiga as responsabilidades no desabamento da mina. Segundo o presidente do Chile, Sebastián Piñera, serão punidos "todos os que tenham responsabilidades no acidente, tanto civis como penais". Segundo especialistas ouvidos pelo iG, além da falta de ânimo e provável período de depressão, os mineiros presos podem enfrentar doenças como pneumonia, viroses respiratórias, tuberculose, infecção orgânica generalizada e diarreia. *Com AFP
26/08/2010 04:35 PM




