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Reuters

Segundo cônsul-adjunta do Brasil no México, ainda não foi possível identificar se havia brasileiros entre as 72 vítimas

Foto: AP

Autoridades mexicanas iniciaram nesta quinta-feira o processo de autopsia nos 72 corpos dos imigrantes latino-americanos que foram vítimas de uma chacina no Estado de Tamaulipas, na região nordeste do México. Autoridades atribuem o crime ao grupo de narcotraficantes Los Zetas. Também nesta quinta-feira, soldados mexicanos vasculharam a zona rural na fronteira com o Estado americano do Texas em busca dos autores do massacre, o pior da guerra entre traficantes no país.

As vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas e foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros. Os investigadores trabalham com a hipótese de que eles foram assassinados por se negar a entrar no crime organizado.

A cônsul-adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss, disse à BBC Brasil que, por enquanto, ainda não foi possível identificar se havia brasileiros entre as vítimas. "Até o momento não há confirmação de brasileiros. Estamos aguardando o final da perícia", disse Weiss. O governo mexicano informou preliminarmente na quarta-feira que pelo menos quatro imigrantes seriam provenientes do Brasil. No entanto, as autoridades encontram dificuldade em identificar as vítimas porque muitas não possuem passaportes ou documentos de identidade.

Até o momento, os médicos forenses estariam terminando a autopsia em 28 vítimas. Segundo a cônsul-adjunta do Brasil, as autoridades mexicanas pediram o envio de reforços para auxiliar os peritos nos trabalhos de identificação dos corpos.

Busca pelos culpados

Patrulheiros fortemente armados em caminhões, tanques e jipes percorreram cidades e vilarejos na região de fronteira, enquanto helicópteros sobrevoavam a área um dia depois de encontrados os corpos das 72 pessoas em um prédio vazio de uma fazenda.

Fotografias mostram os corpos sujos de sangue amontoados no chão da fazenda no Estado de Tamaulipas, que se tornou palco dos mais graves episódios da violência relacionada às drogas no México, enquanto o cartel do Golfo e o grupo rival, os Zetas, disputam rotas de tráfico.

O governo tem como testemunha do crime um equatoriano que fazia parte do grupo de imigrantes e sobreviveu ao massacre, embora tenha sofrido ferimentos de bala na garganta e esteja internado em um hospital sob proteção.

Foi ele quem orientou a Marinha a chegar até o rancho perto da cidade de San Fernando, onde foram descobertos corpos de 58 homens e 14 mulheres. Segundo o sobrevivente, as vítimas eram imigrantes do Brasil, Equador, El Salvador e Honduras que pretendiam atravessar a fronteira com os EUA e foram interceptados pelos Zetas, um cartel fundado em 1999 por desertores de um grupo de elite do Exército mexicano.

Delegação de diplomatas

Em Tamaulipas estão oito diplomatas de El Salvador, Honduras, Equador e Brasil para ajudar na identificação das vítimas do massacre, informou nesta quinta-feira o governo mexicano. O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batista Zaidan Fernandes, estão na cidade mexicana de Reynosa, segundo o Itamaraty, de onde acompanham as investigações. Do Equador, foram enviados um cônsul e dois policiais; de El Salvador, dois cônsules; e, de Honduras, uma cônsul. 

Os corpos das vítimas estão nas instalações do Serviço Médico Legista (Semefo) da capital estadual, Ciudad Victoria. A procuradoria-geral da República e a Promotoria de Tamaulipas abriram investigações pelo crime de homicídio e outras possíveis acusações. As autoridades mexicanas mantêm silêncio sobre o curso da investigação e os trabalhos de identificação, mas surgiram algumas informações dos países de onde se acredita que procediam as vítimas.

Do Equador, a Secretária Nacional do Migrante (Senami), Lorena Escudero, além de identificar o sobrevivente, disse que "pelo menos" um equatoriano está entre os assassinados. De Honduras, fontes oficiais confirmaram que alguns dos assassinados tinham nacionalidade do país e anunciaram que o vice-chanceler, Alden Rivera, viajará nesta quinta-feira ou na sexta-feira ao México.

Representantes pastorais mexicanos afirmaram nesta quinta-feira que há mais de quatro anos denunciam que o cartel do tráfico Los Zetas está sequestrando e assassinando imigrantes no nordeste, afirmando que não foram atendidos pelas autoridades. O padre Pedro Pantoja, representante da Associação de Casas del Migrante do México, explicou que "as ações de sequestro de imigrantes buscam não só pedir resgate, mas submetê-los a condições de exploração trabalhista e sexual e outros fins ilícitos".

A comissária do Instituto Nacional de Migração (INM) do México, Cecilia Romero, afirmou que militares e agentes migratórios recuperaram no ano passado 812 imigrantes de 16 "casas de segurança" controladas pelo crime organizado em Tamaulipas. "Lamento muito que não tenhamos conseguido encontrar as 72 pessoas assassinadas para que agora estivessem sãs e salvas em seus países", disse.

Migrantes que tentam entrar nos EUA estão cada vez mais sob risco por causa das quadrilhas de traficantes que operam praticamente impunes em áreas do norte do México. A cada ano, calcula-se que cerca de 300 mil imigrantes ilegais cruzem a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos Estados Unidos, e muitos deles são vítimas de extorsões, roubos, violações e sequestro.

Guerra ao narcotráfico

Mais de 28 mil pessoas morreram na violência relacionada ao narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón lançou sua guerra contra os cartéis, quando assumiu o poder no fim de 2006. Calderón prometeu avançar com a repressão e advertiu que é provável que ocorram mais episódios de violência.

Embora a maior parte do conflito esteja restrito aos traficantes e às forças de segurança, a violência se espalha por regiões do país antes consideradas pacíficas.

*Com BBC, Reuters e AFP

AFP

Criado nos anos 90 para ajudar o cartel do Golfo, o 'Los Zetas' tem ramificações em outros países da região

Foto: Arte/iG

"Los Zetas", apontados pela matança de 72 imigrantes latinoamericanos no México, é um grupo poderoso com tentáculos estendendo-se por vários países. O grupo foi criado por ex-militares que nos anos 90 se uniram ao cartel do Golfo, com o qual disputam hoje.

"Os 'zetas' controlam várias rotas que os permitem mover-se da Guatemala à fronteira com os Estados Unidos, atravessando o território mexicano muitas vezes em cumplicidade com a polícia local", explica Raúl Benítez, pesquisador de assuntos ligados à segurança nacional da Universidade Nacional Autônoma do México.

O grupo foi formado a partir da união de 40 antigos membros das forças especiais do Exército mexicano, recrutados pelo então tenente Arturo Guzmán (ou Z-1, por seu código militar) para criar os anéis de segurança do chefão do cartel do Golfo, Osiel Cárdenas.

Guzmán, que havia desertado do Exército em 1997 convenceu vários de seus companheiros a trabalhar para Cárdenas, que lhes pagava mais de US$ 50 mil dólares anuais, acima do que recebiam do Estado, segundo depoimento de um ex-membro para um informe judicial mexicano.

Atualmente, Cárdenas está detido nos Estados Unidos, para onde foi extraditado em 2007. Depois de sua captura, os "zetas" entraram na disputa pelo controle do cartel do Golfo. "Por sua experiência e formação militar, ganharam terreno até se converter em adversários de seus antigos chefões que disputam rotas nos Estados de Tamaulipas e Nuevo León", explicou Benítez. Autoridades locais atribuem a tal disputa mais de 1.000 assassinatos ocorridos nestes estados durante o ano.

Além do narcotráfico, os "zetas", que costumam se vestir de preto e utilizam patentes de tipo militar para se diferenciar - como "comandantes", "veteranos", "falcões" e "cobras", além de realizar outras atividades como o tráfico de combustível roubado no México para os Estados Unidos e o sequestro de imigrantes.

"Capturam os imigrantes para pedir resgate às famílias nos Estados Unidos ou, no caso dos mais pobres, para utilizá-los como 'mulas' para levar cocaína", assinalou Benítez.

Sobrevivente

Segundo o equatoriano de 18 anos que sobreviveu ao massacre em um rancho próximo à aldeia de San Fernando, a 180 km da fronteira com Texas, os homens que mataram 72,  identificaram-se como membros do grupo.

O sobrevivente, que fugiu depois de se fingir de morto com um ferimento no rosto, disse às autoridades que os "zetas" executaram os imigrantes depois de ter oferecido US$ 1 mil por quinzena para que se unissem à organização.

Além da fronteira

Em julho, supostas incursões de grupos ligados aos "zetas" a ranchos do sul dos Estados Unidos foram desmentidas por autoridades do Texas, onde no começo do ano várias empresas foram condenadas por comprar combustível roubado pelo grupo no México.

Na Guatemala, um tribunal iniciou no dia 29 de julho um julgamento contra 14 supostos integrantes dos "zetas, em uma audiência cercada de medidas extremas de segurança, incluindo o uso de alta tecnologia para proteger os testemunhos. No começo de junho, a polícia de Nicarágua deteve no leste de Manágua três supostos integrantes do grupo e apreendeu com eles armamento. Nesse mesmo mês, o ministro do interior da Venezuela, Tareck El Aissami informou à imprensa sobre a detenção de um colombiano, Luis Tello Candelo, a quem identificou como membro dos "zetas".

iG São Paulo

Requerimento sobre valor de US$ 1,8 milhão da mineradora San Esteban foi tomado em tribunal no Atacama

Foto: AFP

A justiça chilena ordenou, nesta quinta-feira, a retenção de bens no valor de US$ 1,8 milhão de dólares da mineradora San Esteban, proprietária da jazida San José, onde estão presos há três semanas 33 mineiros. Segundo fontes judiciais, os donos deveriam receber essa quantia do Estado pela venda de cobre.

A decisão foi tomada pelo Juzgado de Letras de Copiapó, tribunal da cidade localizada a 800 km ao norte de Santiago. O dinheiro, 900 milhões de pesos (US$ 1,8 milhão), deveria ser transferido pela Empresa Nacional de Mineração (Enami) à proprietária, San Esteban.

O tribunal acolheu a petição do advogado Edgardo Reinoso, que representa 26 das 33 famílias, como parte de uma demanda indenizatória contra os donos da mina.

Reinoso acrescentou ainda que foi "solicitada a nomeação de um interventor de modo a que seja um terceiro a administrar os recursos e os bens da 'Minera San Esteban', que ainda está sendo analisado".

Operação

Na mina San José, região do Atacama, 830 km ao norte de Santiago, engenheiros trabalham para colocar em funcionamento a Raise Borer Strata 950, uma máquina perfuradora de 30 toneladas cedida pela estatal Corporação do Cobre (Codelco) que permitirá tirar os mineiros das profundezas.

A perfuradora chegou pedaço por pedaço ao longo desta semana. No sábado deve estar pronta para começar a escavar o túnel que será usado para resgatar as vítimas. Inicialmente o túnel terá 38 centímetros de diâmetro, para depois ser ampliado para cerca de 66 centímetros.

Um dos operários que manejará a enorme máquina assegurou que as tarefas de perfuração serão lentas, mas que é "impossível" não darem resultado.

"Fazer o duto é um trâmite fácil, mas demora devido à quantidade de metros que temos de avançar. É impossível falhar, porque já fizemos este trabalho várias vezes", contou o trabalhador.

Alimento

Enquanto se preparam para dar início à escavação, equipes de resgate coordenadas pelo governo fornecem aos mineradores água engarrafada e alimentos através das sondas com as quais conseguiram se conectar com eles. O envio é feito através de cápsulas metálicas de 12 centímetros de diâmetro chamadas de "pombas", que descem até a mina através de uma corda e de um sistema de polia.

Nesta quarta-feira os mineradores comeram uma barra de cereal, seu primeiro alimento sólido, já que desde segunda-feira eles vinham se alimentando apenas de um mingau de alto valor nutritivo.

Jorge Sanhueza, gerente de sustentabilidade da Codelco, explicou que desde sábado os mineiros recebem "uma dieta de 2 mil calorias diárias e quatro litros de líquido para cada um", mas que pouco a pouco serão enviadas quantidades maiores de calorias. Além disso, os operários receberam oxigênio e remédios.

Famílias dos mineiros acompanham as operações com atenção no acampamento Esperanza, localizado próximo ao local do acidente. Nesta quinta-feira, parentes aceitaram a recomendação das autoridades e organizaram turnos com seus familiares para deixar os arredores da mina e voltar a seus lares e a seus trabalhos.

*Com AFP e EFE

iG São Paulo

A 700 metros de profundidade, 32 chilenos e 1 boliviano esperam ser resgatados até o Natal

Os 33 sobreviventes da mina San José, que foram localizados vivos após 17 dias presos a 700 metros de profundidade, vivem em maioria perto da jazida. O mais velho tem 63 anos e o mais novo, acaba de completar 19. No grupo há um mineiro boliviano.

1. Alex Vega Salazar, 31 anos, casado. Mecânico de maquinaria pesada.

2. Ariel Ticona Yáñez, 29 anos, casado.

3. Carlos Andres Bugueño Alfaro, 27 anos, solteiro.

4. Carlos Barrios Contreras, 27 anos, solteiro. Possui um táxi para os tempos livres.

5. Carlos Mamani Solis, 24 anos, solteiro. De nacionalidade boliviana, trabalhava há apenas cinco dias na mina.

6. Claudio Antonio Acuãa Cortes, 44 anos, solteiro. É ajudante de perfuração.

7. Claudio David Yáñez Lagos, 34 anos, solteiro. Gosta de rock e futebol.

8 .Daniel Esteban Herrera Campos, 27 anos, solteiro. É motorista de caminhão.

9. Darío Antonio Segovia Rojas, 48 anos, casado. É perfurador.

10. Edison Fernando Peña Villarroel, 34 anos, solteiro. Tem problemas auditivos e sofre de hipertensão e diabetes.

11. Esteban Alfonso Rojas Carrizo, 44 anos, casado. Seis meses de trabalho na mina como encarregado da manutenção.

12. Florencio Antonio Avalos Silva, 31 anos, casado. É também motorista da mina.

13. Franklin Lobos Ramírez, 53 anos, solteiro. Ex-jogador da liga local com uma rápida passagem pela seleção nacional de futebol. Trabalha como motorista.

14. Jimmy Sánchez Lagues, 19 anos, solteiro. É o mais novo do grupo e ainda não concluiu o colegial.

15. Jorge Hernan Galleguillos, 56 anos, casado. Trabalha na mina há um ano.

16. Jorge Ricardo Ojeda Vidal, 45 anos, viúvo. É mestre-perfurador.

17. José Samuel Henríquez González, 54 anos, casado.

18. Juan Andrés Illanes Palma, 51 anos, casado. Vive no sul do Chile.

19. Juan Carlos Aguilar Gaete, 49 anos, casado. É supervisor da mina.

20. Luis Alberto Urzúa, 54 anos, casado. É chefe de turno.

21. Mario Nicolas Gómez Heredia

22. Mario Sepúlveda Espina, 40 anos, casado. É pai de dois filhos.

23. Omar Orlando Reygada Rojas, 56 anos, viúvo. Começou a trabalhar na mina recentemente.

24. Osman Isidro Araya Acuna, 30 anos, casado, com apenas quatro meses na mina. Antes se dedicava à agricultura.

25. Pablo Amadeos Rojas Villacorta, 45 anos, casado. Começou a trabalhar há alguns meses na mina.

26. Pedro Cortez, 24 anos, solteiro.

27. Raúl Enriquez Bustos Ibáñez, 40 anos, casado.

28. Renán Anselmo Avalos Silva, 29 anos, solteiro. Trabalha há cinco anos na mina.

29. Richard Reinaldo Villarroel Godoy, 27 anos, solteiro. Já havia trabalhado em outras minas.

30. Samuel Dionisio Avalos Acuña, 43 anos, casado. Trabalha no local há cinco meses.

31. Víctor Antonio Segovia Rojas, 48 anos, casado.

32. Víctor Hermogenes Zamora Bugueño, 33 anos, casado. Dedicava-se, antes, à agricultura e adora futebol.

33. Johny Barrios Rojas, 50 anos, casado. Trabalha há 25 anos em mineração.

*Com AFP

EFE

Luis Freddy Lala Pomavilla, que escapou do ataque que deixou 72 mortos, ajudaria pais nos EUA a pagar dívida com "coiotes"

Foto: AP

Luis Freddy Lala Pomavilla, o equatoriano de 18 anos que supostamente se salvou da chacina de imigrantes no México, estava a caminho dos EUA para se encontrar com seus pais e ajudá-los a pagar o que deviam aos "coiotes" (pessoas contratadas para fazer os ilegais atravessar a fronteira), disse à Agência Efe sua tia María Udulia Lala.

Apelidado de "Freddy", o jovem relatou ter conseguido escapar do rancho onde foram assassinados 72 companheiros de viagem, incluindo pelo menos quatro brasileiros. Os corpos foram encontrados no rancho perto de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, após ele ter avisado as autoridades sobre a ação dos criminosos. Segundo relatos, o jovem conseguiu fugir de seus sequestradores e percorrer vários quilômetros ferido até ser socorrido por policiais.

Apesar de o governo do México tratá-lo como testemunha protegida, e oficialmente não ter revelado sua identidade, "Freddy" foi identificado como Luis Freddy Lala Pomavilla e teve sua foto, sedado em um hospital, divulgada pela mídia.

O presidente do México, Felipe Calderón, lamentou nesta quinta-feira o vazamento da identidade e da imagem do equatoriano. "Ordenei que cuidassem da identidade da testemunha e será preciso investigar o que ocorreu", afirmou Calderón.

O sobrevivente afirma que o grupo, que seria composto por brasileiros, salvadorenhos, hondurenhos e equatorianos, seguia rumo à fronteira do México com os EUA com a intenção de atravessá-la quando foi interceptado por um grupo armado, que ele vinculou aos "Zetas", uma das organizações criminosas mais violentas do México.

Origem humilde

No Equador, Pomavilla era agricultor e, quando tinha sorte, operário de construção. Vivia em Zer, uma cidade de 400 pessoas na região andina do sul do Equador, numa casa de barro com um só quarto, de 2 metros de largura por 3 metros de comprimento.

Ele morava com sua esposa, Angelita Lala, grávida de quatro meses, a única pessoa a quem revelou o perigoso plano de cruzar a fronteira. "Ele foi sem dizer nada à família. É o sobrinho mais querido", disse a tia María, que continua em Zer, uma pequena comunidade da Província de Cañar.

Na sua cidade natal, todos os parentes de "Freddy", como lhe chamam em casa, estão apreensivos. "Estamos tristes, preocupados. Dizem que algo aconteceu e não sabemos o quê", afirmou María.

A última vez que os parentes tiveram notícias dele foi há uma semana, quando ele ligou do México para a mulher, por meio de seu coiote, para dizer que seguiria rumo aos EUA. Do outro lado da fronteira estavam seus pais, Alejandro e María Oliva Lala, que precisavam dele. "Praticamente lhe obrigaram a ir", disse María.

Ambos estão desempregados e, nos últimos tempos, só podiam enviar US$ 50 por semana à família em Zer, segundo ela. No entanto, disse María, não podem voltar ao Equador porque ainda não pagaram as dívidas que contraíram com os coiotes que os levaram aos EUA, apesar de Alejandro já estar há sete anos no país e sua esposa há dois.

Freddy ia aos EUA para ajudá-los a pagar o que deviam. No entanto, ele mesmo contraiu uma dívida de US$ 11 mil com um coiote para fazer a travessia da fronteira. Seus planos minguaram na terça-feira, quando homens armados o sequestraram juntamente com um grupo de imigrantes no Estado de Tamaulipas e os levaram a um rancho perto da cidade de San Fernando.

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, prometeu na quarta-feira mobilizar a embaixada de seu país no México para ajudá-lo e prestar assistência a qualquer outro equatoriano afetado pela tragédia.

iG São Paulo

Ação contra donos da jazida e organismo que fiscaliza segurança é instaurada no momento em que Congresso investiga culpados

Foto: AFP

Carolina Narváez, esposa de Raúl Bustos, um dos 33 mineiros presos há três semanas em mina no norte do Chile, entrou nesta quinta-feira com uma ação penal contra os donos da jazida e o organismo público que fiscaliza a segurança que permitiu a exploração no local.

"Não estou pensando na recompensa monetária, estou pensando nos responsáveis, não apenas os donos da mina, mas as pessoas que não fizeram o trabalho de fiscalizar", disse Carolina sobre as motivações do processo.

De acordo com o advogado Remberto Valdés, a demanda será apresentada contra Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, donos da empresa San Esteban, proprietária da jazida San José, onde um desabamento prendeu os trabalhadores no dia 5 de agosto. Os empresários serão acusados de lesões, informou o advogado.

A ação judicial também inclui o Serviço Nacional de Mineração e Minas (Sernageomin), que autorizou a reabertura da mina um ano depois de um acidente com um trabalhador em 2007. O serviço será acusado de prevaricação (crime quando um funcionário público deixa de fazer o que obriga a lei) por "ter divulgado, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina San José", que havia sido fechada no ano anterior, disse Valdés.

Congresso

Uma comissão do Congresso chileno também investiga as responsabilidades no desabamento da mina. Segundo o presidente do Chile, Sebastián Piñera, serão punidos "todos os que tenham responsabilidades no acidente, tanto civis como penais".

Segundo especialistas ouvidos pelo iG, além da falta de ânimo e provável período de depressão, os mineiros presos podem enfrentar doenças como pneumonia, viroses respiratórias, tuberculose, infecção orgânica generalizada e diarreia.

*Com AFP

BBC Brasil

Parentes de mineiros presos em jazida no Chile aguardam no Acampamento Esperanza o resgate dos 33 trabalhadores

Na mina de ouro e cobre San José, a vida transcorre em dois níveis: um subterrâneo - a 700 metros de profundidade, onde 33 mineiros esperam ser resgatados - e um na superfície, onde os parentes deles aguardam com ansiedade o momento de revê-los.

Os familiares montaram um acampamento ao lado da mina, batizado de Acampamento Esperanza, e mantêm o otimismo quanto ao resgate, que pode levar quatro meses.

Para cada mineiro, existem pelo menos dois parentes esperando no acampamento, mas há grupos de até 15 familiares diretos de alguns deles que acompanham os trabalhos de resgate. O repórter Rodrigo Bustamante, da BBC Mundo, visitou o Acampamento Esperanza e conversou com alguns dos familiares.

iG São Paulo

Militar americano afirma que grupo planeja ataques contra estrangeiros que participam de esforços de ajuda humanitária

Foto: AP

A Organização das Nações Unidas afirmou nesta segunda-feira que reforçou as medidas de segurança no Paquistão e que não há motivo para temer ataques do Taleban contra grupos humanitários que estão no país, ajudando as pessoas afetadas por enchentes.

"Existem preocupações com segurança e há medidas em andamento para reforçá-las. Não temos razão para temer que isto (um ataque) ocorra durante as atividades de assistência", afirmou a ONU em comunicado. "Seria desumano que nos atacassem, e algo que prejudicaria a milhões de pessoas cujas vidas nos esforçamos em salvar".

Em entrevista à BBC, um militar de alto escalão dos Estados Unidos disse que o Taleban no Paquistão está planejando atacar estrangeiros que ajudarem os afetados pelas enchentes no país.  Ele também disse que "ministros do governo federal em Islamabad" estão sob ameaça.

Este é o primeiro alerta do governo americano sobre ameaça do Taleban no Paquistão desde o começo das enchentes. Na semana passada, o governo paquistanês havia alertado que a tragédia no país pode fortalecer grupos de insurgentes, como o Taleban.

Doações

Os Estados Unidos estão entre os países que enviaram doações ao Paquistão. A Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos afirma ter doado US$ 150 milhões para as vítimas das enchentes. A ONU afirma que mais de 17 milhões de pessoas já foram afetadas pelas enchentes provocadas pelas chuvas de monções deste mês, e cerca de 1,2 milhão de casas foram destruídas.

Cerca de cinco milhões de paquistaneses não têm abrigo e precisam urgentemente de barracas para se protegerem do sol. O Paquistão recebeu a promessa de mais de US$ 700 milhões em ajuda internacional.

No norte do Paquistão, o nível das águas já está diminuindo e a ONU solicitou mais helicópteros para ajudar 800 mil pessoas que estão sem conseguir receber comida e mantimentos.

Há temores de que as chuvas fortes que atingiram o norte do país se desloquem para o sul. Na região de Thatta, na província de Sindh, no sul do país, dezenas de vilas ficaram submersas e 200 mil pessoas tiveram que deixar a área.

Na terça-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse que o Paquistão está enfrentando "a pior calamidade pública da sua história". A ONU estima que 1,6 milhões de pessoas foram afetadas por doenças relacionadas à má qualidade da água, como cólera, diarréia e disenteria. "Só no último dia, mais de 100 mil pessoas ficaram doentes e precisaram de algum tipo de tratamento", disse à BBC o porta-voz da Organização Mundial da Saúde.

O governo paquistanês está negociando nesta semana em Washington com o FMI um pacote de empréstimo no valor de US$ 11 bilhões. O impacto das enchentes é grande no setor agrícola do Paquistão, já que 17 mil quilômetros quadrados de terra foram destruídos.

Com EFE e BBC

BBC Brasil

Presidente mexicano lançou campanha contra o narcotráfico em dezembro de 2006; desde então, mais de 28 mil morreram no país

Foto: Arte/iG

O presidente do México, Felipe Calderon, lançou sua campanha de combate ao tráfico de drogas em dezembro de 2006. De acordo com os últimos dados do governo, mais de 28 mil pessoas morreram em atos de violência relacionados ao narcotráfico desde então.

Qual a escala da violência?

O chefe da Inteligência Nacional, Guillermo Valdes, disse em 2 de agosto que mais de 28 mil pessoas morreram em episódios ligados à ação do tráfico de drogas desde 2006. O número representa um grande salto em relação às estimativas anteriores, de 25 mil, divulgadas pelo escritório do procurador-geral do México, em julho. Autoridades do governo disseram repetidas vezes que os dados precisam ser analisados dentro de um dado contexto e sugerem que a grande maioria das mortes envolve pessoas ligadas ao tráfico ou às forças de segurança.

Quais as áreas mais atingidas? A violência está se espalhando?

As cidades fronteiriças do norte do México são palco da maior onda de violência. Ciudad Juarez (que fica do outro lado da fronteira de El Paso, no Texas, EUA) é a cidade mais violenta. Há outros níveis de violência nos Estados de Michoacán e Guerrero. O México é, entretanto, um país grande, e ainda há muitas áreas onde índices altos de criminalidade são considerados uma exceção.

Por que a violência parece aumentar?

A posição do governo mexicano é de que a violência, não importa o quão lamentável, é resultado do sucesso e sua política de linha-dura contra o narcotráfico. Autoridades sugerem que o que está acontecendo é uma luta brutal entre cartéis sem líder, pelo controle dos poucos espólios que restam no país. Outros, entretanto, afirmam que os cartéis se tornaram tão poderosos que na verdade controlam algumas partes do país, e a violência é prova do vigor de seu poder paralelo. O presidente Felipe Calderón mobilizou soldados contra o tráfico.

A estratégia está funcionando?

Cerca de 50 mil soldados e policiais federais estão envolvidos ativamente com a guerra do México contra as drogas. O governo mexicano diz que um número recorde de drogas foi apreendido, e líderes importantes de cartéis foram presos ou mortos em operações. Mas outra consequencia foi a explosão da violência, à medida que os cartéis de droga brigam com o Exército e uns com os outros. Há também preocupação sobre a falta de capacidade das autoridades de responsabilizar militares por possíveis abusos.

O quão séria é a corrupção dentro da polícia?

Muito. Uma razão pela qual o governo mobilizou o Exército de forma tão intensiva é o fato de acreditar-se que a polícia não é confiável. Os cartéis de drogas têm enormes recursos à sua disposição e conseguiram infiltrar-se várias vezes nas forças policiais - que são normalmente mal remuneradas -, dos baixos aos altos escalões. Há esforços para reconstruir toda a estrutura da força policial do México, mas o processo pode levar anos.

Quem são os poderosos cartéis de drogas do México?

Os cartéis controlam o tráfico de drogas que vai da América do Sul para os EUA, um negócio que vale cerca de US$ 13 bilhões por ano. Seu poder aumentou à medida que os EUA aumentavam a intensidade de suas operações antidrogas no Caribe e na Flórida. Um relatório do Departamento de Estado americano afirma que cerca de 90% da cocaína dos EUA entra no país através do México. O gabinete do procurador-geral do México, em relatório divulgado em março de 2009, que identificou os 24 principais traficantes do país, listou sete principais cartéis, indicando que as gangues tinham se dissolvido e reagrupado. Os principais cartéis são: Organização Arellano Félix, Organização Beltrán Levya, Cartel Los Zetas, Cartel de Sinaloa, Organização Carillo Fuents, Cartel do Golfo-Nova Federação e Família Michoacana.

Até que ponto a violência está cruzando a fronteira com os EUA?

A maior parte da violência continua no lado mexicano da fronteira, mas há sinais de aumento do número de ataques violentos a agentes da polícia de fronteira americana perpetrados por traficantes de drogas. Há também relatos de aumento no número de tiroteios e sequestros ligados ao tráfico em algumas cidades dos EUA, especialmente no sudoeste. Um relatório de 2008 do Congresso dos EUA, feito com base em dados da inteligência, sugeria que cartéis mexicanos tinham forjado laços próximos com gangues criminosas dentro dos EUA.

Qual foi a resposta dos EUA ao tráfico de drogas e à violência?

Em março de 2009, o governo dos EUA anunciou que o número de agentes de imigração, alfândega e antidrogas, além de agentes que controlam a posse de armas, seria aumentado nos EUA. Um dos principais objetivos é coibir o fluxo ilegal de armas e drogas do México para os EUA - uma demanda-chave do governo mexicano. México e EUA, assim como países centro americanos e como Haiti e República Dominicana, fazem parte da chamada Iniciativa Mérida, ou Plano Mérida para o México. O plano de US$ 400 milhões tem como objetivo ajudar o México em seus esforços de combate ao narcotráfico, auxiliando no fornecimento de equipamento e treinamento a forças de segurança do país.

Lívia Machado, iG São Paulo

Grupo de homens presos em jazida ao norte do Chile tem grandes chances de contrair doenças respiratórias e digestivas graves

Foto: AP

O impacto psicológico, neste momento, tende a ser o menor dos riscos à saúde dos 33 mineiros presos em um abrigo de 50 metros quadrados, a quase 700 metros de profundidade, em uma mina ao norte do Chile. O acidente aconteceu em 5 de agosto na pequena mina de ouro e cobre de San José, em pleno deserto do Atacama, a cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

Longe das condições ideais de umidade, luz solar, ventilação e higiene, o risco de contaminação por vírus, bactérias e fungos no grupo de chilenos torna-se cada dia mais elevado.

Pneumonia, viroses respiratórias, tuberculose, infecção orgânica generalizada e diarreia encabeçam a lista das doenças mais prevalentes, afirma Gilberto Archero Amaral, presidente do Departamento de Medicina do Trabalho da Associação Paulista. ?Nessas condições, a proliferação e riscos de contaminação entre pessoas isoladas em um ambiente onde não há circulação de ar, tampouco condições mínimas de higiene, é muito elevada.?

Para caracterizar um quadro de desnutrição aguda, são necessários apenas quatro dias de desidratação intensa, calor e falta de alimentação, disse Amaral. Atum e água a cada 48 horas foi a combinação precária que sustentou os 33 homens até conseguirem estabelecer comunicação com as equipes de resgate do país, após 17 dias presos na jazida.

O especialista explica que a necessidade imediata é enviar compostos alimentícios ricos em proteínas e carboidratos para sustentar o organismo, além de medicamentos que possam, de alguma forma, proteger ou recuperar o estômago. Nessas situações de estresse elevado, o órgão é o alvo mais freqüente. Todo o processo de isolamento até o resgate pode desencadear úlceras ou gastrites.

Abrão Cury, clínico-geral do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), explica que a alimentação líquida não tem contraindicação e pode ser utilizada por tempo indeterminado. A intolerância a esse tipo de composto, porém, não raramente provoca diarreia.

?Nesse espaço muito reduzido, se um dos homens tiver qualquer problema digestivo, gástrico, o risco de contaminação nos demais é grande. Quatro meses é muito tempo para viver nessas condições. É preciso que haja um suporte médico e nutricional extremamente bem feito.?

A dieta desse grupo, acredita o especialista, deve ter como base uma ingestão de 1,8 mil a 2 mil calorias por dia. Sem noção e referência de tempo, é preciso que esses homens recebam instruções de como usar os medicamentos e os alimentos de forma correta. "Se for possível, seria ótimo que eles recebessem frutas e legumes para reforçar o complexo vitamínico."

Atualmente, o único canal de comunicação com os trabalhadores é um duto de cerca de 15 centímetros de diâmetro. É nesse espaço que os suprimentos estão sendo enviados.

Na lista de nomes dos mineiros, divulgada à imprensa na terça-feira, o governo relatou que um dos mineiros é diabético e hipertenso. Os médicos endossam a importância de redobrar os cuidados com esse profissional.

?Ele precisará receber medicação e material para fazer o controle da doença. A dieta, pobre em carboidratos, será voltada para os cuidados com o diabético, mas isso é relativamente fácil. Será preciso que enviem frascos preparados exclusivamente para ele.?

Apesar dos esforços do governo chileno em manter as mínimas condições de vida desse grupo, o tempo estimado de resgate em 120 dias faz com que o riscos de morte não sejam descartados.

Caso ocorra uma fatalidade e um dos homens do grupo morra, os médicos alertam que é extremamente necessário enterrar o corpo. ?Carne em putrefação está para o ambiente assim como a água contaminada com coliformes fecais. Vírus e bactérias se manifestam rapidamente e elevam as chances de infecções nos demais?, afirma Amaral.

iG São Paulo

Nascer do sol na Malásia, festa em Cingapura e mais...

BBC Brasil

Wolf Mankowitz escreveu "Casino Royale" e participou na elaboração de "O Satânico Dr. No"; ele foi espionado por mais de 1 década

Arquivos do MI5, o Serviço de Inteligência do governo britânico, divulgados nesta quinta-feira revelam que o roteirista dos filmes do espião James Bond era suspeito de ser agente comunista. O arquivo da agência MI5 afirma que Wolf Mankowitz era um "marxista convicto". Ele foi espionado por mais de uma década.

Mankowitz escreveu o roteiro do filme "Casino Royale", de 1967, e participou na produção e elaboração do roteiro de "O Satânico Dr. No", de 1962. O roteirista, que morreu em 1998, foi responsável por apresentar Cubby Broccoli a Harry Saltzman. Os dois lendários produtores estão entre os responsáveis por transformar o agente James Bond em um fenômeno cinematográfico internacional.

Partido Comunista

Nascido em Londres e formado na universidade de Cambrdige, Mankowitz fez parte da Sociedade Socialista da faculdade e era casado com uma integrante do Partido Comunista. O MI5 começou a suspeitar que Mankowitz era agente comunista em 1944, quando ele morava em Newcastle com sua mulher.

Uma carta de David Holbrook, um homem suspeito de ser comunista, foi interceptada pela agência de inteligência. No documento, Holbrook relatava que o casal Mankowitz estava ganhando dinheiro com palestras para uma associação esquerdista. Os arquivos mostram que a polícia dizia que Mankowitz "é notório por discutir com frequência as teorias do marxismo com seus amigos".

Apesar da vigilância, Mankowitz conseguiu se alistar na Territorial Army, um braço voluntário da reserva do Exército britânico. O superior de Mankowitz o descreveu como "um sujeito muito agitado e de temperamento nervoso", apesar de não o ver como uma "influência subversiva".

'Marxista convicto'

Em 1948, Mankowitz tentou conseguir um emprego em um escritório de Informação do governo, mas foi rejeitado. O serviço de inteligência da Grã-Bretanha mandou uma carta ao escritório dizendo que Mankowitz era "sabidamente casado com uma integrante do Partido Comunista e ele próprio um marxista convicto".

Em 1951, Mankowitz recebeu um contrato da BBC para traduzir a peça de teatro O Urso, do russo Anton Chekhov. O MI5 alertou a BBC sobre o passado comunista de Mankowitz, mas disse que não via problemas no seu trabalho como tradutor.

Em meados dos anos 50, Mankowitz ainda era monitorado pelo MI5, sobretudo depois de visitar Moscou, em 1956, como convidado da União Soviética. Ele passou dez dias em uma feira sobre juventude em Moscou e anunciou um plano para montar uma produtora de filmes com cooperação entre britânicos e soviéticos. A agência deixou de seguir Mankowitz depois que ele abandonou planos para retornar a Moscou e optou por viajar para o Caribe, para participar da produção de um filme.


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