iG São Paulo Foto: AFP O governo argentino apresentou na noite desta terça-feira um relatório de cerca de 20 mil páginas no qual acusa donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes ligados à ditadura militar ? que vigorou no país de 1976 a 1983. No informe intitulado ?Papel Prensa, a Verdade?, o governo argentino acusa proprietários dos jornais La Nación, Clarín e o extinto La Razón, de terem apoiado ilegalmente o regime militar, mediante ameaças da Papel Prensa, maior fornecedor de papel jornal da Argentina na época. *Com Ansa e AFP
As acusações ocorrem em uma escalada de enfrentamento entre o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, e meios de comunicação, que denunciam ameaças à liberdade de expressão. Na noite de terça-feira ainda, a presidente anunciou uma investigação sobre supostas manobras de grupos jornalísticos para se apoderar da Papel Prensa, em ato com governadores, congressistas e empresários na Casa Rosada, sede do governo.
Segundo os jornais Clarín e La Nación, Cristina prometeu enviar ao Congresso um projeto de lei para impulsionar a "construção de uma Comissão Bicameral de Seguimento para que cada um dos legisladores dos partidos políticos opinem e votem como melhor lhes pareça" o marco regulatório sobre o uso do papel.
Reação
Em nota, os meios de comunicação opositores, liderados pelo Clarín e pelo La Nación, emitiram um comunicado no qual denunciam "uma história inventada para ficar" com a companhia papeleira, no novo capítulo de um enfrentamento em larga escala que mantém com o governo.
"Os acionistas privados (majoritários) da Papel Prensa - o Estado tem porção menor das ações - vimos denunciando há quase um ano um plano do governo para se apoderar da companhia e controlar o papel para jornais, insumo essencial da imprensa livre", disseram na declaração. ?O objetivo para a cúpula do poder é óbvio: uma nova maneira de ir contra a imprensa independente, neste caso através do controle do seu insumo básico e da tentativa da criminalizar os principais jornais do país", acrescentaram os veículos.
Na semana passada, o governo tirou a licença de operação da firma Fibertel, pertencente ao grupo Clarín e fornecedora de serviços de internet via cabo, com participação de 25% em um mercado de 4,2 milhões de usuários.
O testemunho que o governo utiliza para denunciar a irregularidade na Papel Prensa é o de Lidia Papaleo, viúva do banqueiro David Graiver e vítima do regime, sequestrada e torturada em 1976. Na ocasião, a ditadura acusou o então poderoso Grupo Graiver, com fortes investimentos em vários setores e controlador da Papel Prensa, de ter vínculos com o dissolvido grupo armado peronista Montoneros.
O advogado Rodolfo Yanzón, defensor de vítimas da ditadura nos julgamentos em andamento por terrorismo de Estado, disse que "uma vez que se possa determinar a responsabilidade penal (...), o Estado será obrigado a ficar com a totalidade do pacote acionário" da Papel Prensa.
24/08/2010 10:06 PM
iG São Paulo Um desabamento de um túnel em um garimpo clandestino matou seis pessoas na noite de segunda-feira no sul da Venezuela. O garimpo fica na selva próxima à localidade de El Callao, no Estado Bolívar. De acordo com o jornal venezuelano El Universal, o acidente deixou seis mortos e dois feridos. Segundo o governador do Estado Bolívar, Francisco Rangel Gómez, "o acidente ocorreu por volta de 20h da noite de segunda-feira (horário local)". O garimpo, conhecido como Tomi, está cheio de túneis escavados à mão, onde cerca de 300 homens trabalham em pequenos grupos, buscando filões subterrâneos de ouro no meio da selva. Apesar de mineiros terem dito que há pessoas soterradas no túnel, o chefe dos serviços de emergência do Estado de Bolívar, José García, disse não acreditar que haja garimpeiros soterrados. "Desabou quando os garimpeiros estavam cavando um túnel, há um ferido no hospital, e outra pessoa ferida que deixou o hospital", disse o funcionário, acrescentando que há máquinas no local procurando mais vítimas. Vários acidentes têm chamado a atenção para problemas de segurança em minas da América do Sul. Em junho, uma explosão numa mina de carvão colombiana matou 70 pessoas, e no começo do mês um deslizamento dentro de uma mina chilena deixou 33 mineiros presos no subsolo. *Com Reuters, atualizada com informações de El Universal
Os mineiros evitam contatos com as autoridades, pois sua atividade muitas vezes é clandestina. Neste ano, o Exército venezuelano tem patrulhado a região para tentar coibir uma "corrida do ouro," causada pela valorização do metal.
De acordo com cifras oficiais, mineradoras formais produzem cerca de seis toneladas de ouro por ano, e o Exército estima que os garimpeiros clandestinos extraiam o dobro dessa quantidade. Segundo avaliação do Banco Central, a Venezuela possui mais de 360 toneladas em reservas de ouro.
24/08/2010 09:08 PM
BBC Brasil Foto: AFP Um pedreiro polonês que mora na Alemanha passou cinco anos com uma bala alojada na parte de trás da cabeça depois de esquecer que tinha sido baleado em uma festa de Ano Novo na qual ficou bêbado. A polícia da cidade alemã de Bochum informou que médicos encontraram uma bala calibre 22 quando o polonês de 35 anos pediu no hospital da cidade de Herne, onde mora, a retirada do que ele pensava ser um cisto na parte de trás de sua cabeça. A bala não tinha penetrado no crânio, e a polícia afirma que o homem procurou os médicos apenas depois de sentir um caroço na cabeça. O exame de raio X então mostrou o objeto alojado debaixo da pele, que foi retirado com uma cirurgia. De acordo com a polícia, o polonês se lembra de ter recebido um golpe na cabeça por volta de meia-noite em uma festa de Ano Novo "em 2004 ou 2005", mas tinha esquecido sobre o incidente por estar "muito bêbado" durante a festa. A polícia alemã acredita que o caso seja de uma bala perdida, disparada durante a comemoração. "Pode ter sido um tiro disparado para o alto que entrou na cabeça dele quando estava voltando para baixo", disse um porta-voz da polícia. Segundo a polícia, o polonês se lembra que acordou com a cabeça dolorida, mas preferiu não ir ao médico na época. A cirurgia para a remoção da bala foi realizada na sexta-feira, e o polonês, que mora há anos na Alemanha, deve ser liberado do hospital até o fim da semana.
24/08/2010 08:16 PM
BBC Brasil O Ministério do Interior da Moldávia, no leste europeu, anunciou nesta terça-feira que a polícia do país apreendeu 1,8 kg de urânio-238 na capital do país, Chisinau. Segundo o porta-voz do Ministério, a substância teria sido contrabandeada para o país e os suspeitos pelo crime, que foram presos, pretendiam vender tudo por 9 milhões de euros (cerca de R$ 20 milhões). O urânio poderia ser usado "na indústria nuclear civil e para fins militares, na produção de armas de destruição em massa", disse a investigadora Oleg Putintica no canal de televisão da Moldávia ProTV Chisinau. A fonte e o destino do material ainda são desconhecidos, disse a investigadora. A polícia informou que três pessoas foram presas pelo crime e outros quatro suspeitos ainda estão sendo procurados. 'Bomba suja' Radioativo, o urânio-238 é o mais comum dos isótopos (variedades de um mesmo elemento químico, cada um com diferente número de nêutrons) de urânio. Um especialista nuclear ouvido pela BBC disse que 2 kg apreendidos não são úteis na produção de armas nucleares. O cientista disse que essa é uma quantidade pequena e que o material não seria útil nem na fabricação de uma "bomba suja" - um artefato explosivo convencional contendo com material radioativo. Segundo o especialista, o material que costuma ser usado na produção de energia ou armas nucleares é o urânio-235. Ainda assim, a aparente existência de uma rede de contrabando de urânio desperta preocupações, disse.
24/08/2010 03:50 PM
The New York Times Foto: The New York Times Na segunda-feira, trabalhadores estavam ocupados decorando o Centro de Convenções Phoenix, no Arizona, em homenagem ao senador John McCain, que está encerrando uma difícil disputa primária. Mas esta não será uma festa de aposentadoria. ?Seis anos mrais!? deverá ser o refrão de seus apoiadores. As pesquisas mostram McCain, 73 anos, com uma vantagem confortável ? entre 15 e 21 pontos, dependendo da pesquisa ? sobre o seu adversário republicano, JD Hayworth, 51 anos, um conservador ex-apresentador de programa de rádio e seis vezes congressista, que ofereceu um desafio, mas perdeu força ao longo da disputa. A posição confortável de McCain, enquanto o Arizona vai às urnas nesta terça-feira, foi uma mudança afortunada de sua posição no início do ano, quando foi considerado uma vítima em potencial do forte sentimento contrário à situação dominante. Mesmo alguns dos seus apoiadores haviam previsto que ele deixaria o posto, como seus colegas veteranos do Senado Robert F. Bennett, republicano de Utah, e Arlen Specter, democrata da Pensilvânia. McCain tinha vulnerabilidades perceptíveis nesta disputa: seus 27 anos em Washington, num momento em que o clima anti-situação era grande, e em que seus esforços em nome da reforma imigratória batiam de frente com a abordagem linha-dura adotada pelo Arizona. Mas por gastar livremente e agir como se pudesse perder, o senador conseguiu mudar as coisas. McCain usou dinheiro que sobrou de sua disputa pela presidência, gastando mais de US$ 20 milhões (em comparação com os cerca de US$ 3 milhões de Hayworth), tornando seu rosto e seus duros ataques a Hayworth onipresentes nas emissoras do Arizona. A questão agora é saber se mudança radical de McCain para a direita durante a campanha irá voltar para assombrá-lo e, talvez, manchar seu legado como um político pragmático e disposto a negociar com opositores. O ponto chave da recuperação de McCain foi como ele neutralizou a principal questão de Hayworth, e do Arizona: a imigração. O senador do Arizona aprovou a repressão da imigração. Ele mudou de ideia sobre a necessidade de uma cerca na fronteira, insistindo que ela foi eficaz. Ele também recuou ferozmente sobre haver um caminho à cidadania para aqueles que entraram no país ilegalmente, algo que apoiava no passado. Muitas das feridas de Hayworth foram autoinfligidas. Retratando a si mesmo como um estrangeiro em Washington, Hayworth foi prejudicado pela contribuição de campanha que recebeu de Jack Abramoff, o lobista enviado à prisão federal por fraude. Além disso, a campanha de McCain descobriu um antigo infomercial de Hayworth oferecendo aconselhamento sobre como os contribuintes poderiam obter mais dinheiro do governo federal de maneira fraudulenta. A campanha de McCain transmitiu trechos e questionou o caráter Hayworth. Por Marc Lacey
24/08/2010 03:43 PM
EFE Foto: Reuters O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e sua esposa Samantha anunciaram nesta terça-feira o nascimento de seu quarto filho, uma menina. O bebê nasceu no condado inglês da Cornualles (sudoeste do país), onde o líder e sua esposa passavam férias de verão, assinalou um porta-voz do governo britânico. A criança, cujo nome ainda não foi divulgado, nasceu dias antes da data prevista, no início de setembro. A fonte do governo indicou que o bebê nasceu com 2,7 quilos por cesariana. Tanto a mãe, de 38 anos, quanto a filha "estão muito bem". Cameron disse que o nascimento da filha foi "muito emocionante". Segundo ele, seu trabalho agora é "preparar as torradas e o chá". "Foi muito emocionante. Estávamos de férias, pensávamos que teríamos de esperar até que elas terminassem para depois ter o bebê e, de repente, tudo ocorreu muito rápido", comentou o chefe de governo britânico. O casal tem outros dois filhos: Nancy, de seis anos, e Arthur, de quatro. O primogênito, Ivan, sofria paralisia cerebral e epilepsia e morreu em fevereiro de 2009, quando tinha seis anos.
24/08/2010 02:25 PM
BBC Brasil Esta animação da BBC recria a mina de ouro e cobre San José, no norte do Chile, onde 33 mineiros estão presos, e deixa claras as dificuldades para tirá-los de lá. Atualmente, o único canal de comunicação com os trabalhadores é um duto de cerca de 15 centímetros de diâmetro. Desde a noite de domingo engenheiros tentam abrir mais linhas de comunicação, além de reforçar o duto já aberto, para evitar que a passagem seja obstruída pela queda de rochas. O duto está sendo usado para enviar suprimentos aos mineiros. Além de água, estão sendo enviadas cápsulas com comida - em forma de uma solução altamente calórica de glicose -, além de medicamentos para diminuir a acidez estomacal. O plano para resgatar os mineiros é aumentar o duto que já existe, de 15 para 66 centímetros, para permitir a retirada dos trabalhadores. A operação de resgate poderá levar até quatro meses.
Os mineiros estão desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade, em um abrigo de 50 metros quadrados, quando o principal acesso ao túnel ruiu.
24/08/2010 01:18 PM
iG Sâo Paulo Foto: AP As autoridades de saúde chilenas pediram a ajuda da Nasa para alimentar os 33 mineiros presos a 700 metros de profundidade em uma mina no norte do Chile, informou o ministro da Saúde chile, Jaime Mañalich. Segundo o ministro, a essa profundidade, às escuras, com pouca ventilação e sem acesso a alimentos, a situação dos 33 mineiros presos há 19 dias é muito parecida com a que os astronautas vivem quando estão no espaço. A ajuda pedida, explicou o ministro, diz respeito especialmente ao processo de alimentação a que devem ser submetidos os mineiros, com pequenas doses de alimentos condensados, mas ricos em proteínas. Segundo o jornal El Mercurio, a Nasa já está planejando a assessoria ao governo chileno. O grupo de mineiros sobreviveu até agora com duas colheres de atum e meio copo de leite a cada 48 horas, segundo revelou na véspera a senadora Isabel Allende. A senadora pela região de Atacama explicou à AFP que teve acesso à ficha médica de um dos mineiros, que revelou estar "comendo duas colheradas de atum e meio copo de leite a cada 48 horas". Equipes médicas entraram em contato com o grupo por um sistema de comunicação enviado por meio do duto aberto até o ponto sob a terra, com o qual se estabeleceu a primeira comunicação no domingo, e foi possível constatar "o perfeito estado de saúde de todos", segundo a médica Paula Newman. A médica informou que o grupo já recebeu um solução com glicose a 5% e comprimidos de omeprazol, um medicamento para revestir o estômago para evitar possíveis úlceras por causa da falta de alimentação. Os engenheiros estão concluindo um levantamento topográfico para poder abrir um novo acesso à mina, e vão coordenar as ações com o grupo soterrado quando as máquinas iniciarem o trabalho. O tempo para se chegar ao grupo, estimado em entre três e quatro meses, ainda não foi comunicado aos mineiros, que receberão tarefas diárias e serão monitorados por médicos e psicólogos. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, confirmou nesta terça-feira que o resgate dos 33 operários, que estão presos na mina desde 5 de agosto, demorará vários meses. "Provavelmente eles não vão estar conosco na superfície para o bicentenário (18 de setembro), mas vão estar conosco para o Natal e o Ano Novo", ressaltou o líder após participar de um ato religioso em homenagem aos trabalhadores. Segundo especialistas, a tarefa de trazer os mineradores à superfície desde os quase 700 metros de profundidade em que se encontram em San José pode levar 120 dias. Piñera reiterou que o governo seguirá fazendo "todo o humanamente possível" para ter os mineradores na superfície no final do ano. O governo, acrescentou, também fará parte nas ações judiciais empreendidas pelo Ministério Público por causa do acidente e fará todos seus esforços para que os proprietários da mina assumam suas responsabilidades. *Com AFP e EFE
24/08/2010 12:42 PM
AFP Foto: AP O governo da Espanha pagou sete milhões de euros (US$ 8,8 milhões) pela libertação dos reféns espanhóis da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), afirma o jornal espanhol El Mundo. Segundo a publicação, um primeiro pagamento de 3,8 milhões de euros foi feito em janeiro, mas grande parte da quantia ficou com os intermediários e apenas 1,5 milhão chegou aos sequestradores, que exigiam a soma total. Um novo pagamento de três milhões de euros (2,3 milhões para os sequestradores e 770 mil para os intermediários) foi feito entre abril e maio para que os sequestradores recebessem a quantia exigida e liberassem , informa o jornal El Mundo. O governo espanhol não mencionou nenhum resgate ao anunciar na segunda-feira a libertação dos dois voluntários da ONG Barcelona Acció Solidària, que eram reféns da AQMI desde novembro. O chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, limitou-se a agradecer o trabalho dos serviços do país e dos governos africanos onde aconteceram os sequestros. Madri negou em março o pagamento de um resgate pela libertação de Alicia Gámez, outra voluntária da Barcelona Acció Solidària, sequestrada juntamento com os colegas em novembro na Mauritânia. A Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) afirmou na segunda-feira em uma mensagem de áudio ter liberado os dois espanhóis porque algumas de suas exigências foram cumpridas, sem revelar quais, noticiou o jornal El País.
24/08/2010 12:12 PM
EFE O presidente das Filipinas, Benigno Aquino, defendeu nesta terça-feira a atuação da polícia na operação de resgate que terminou com a morte de pelo menos oito turistas chineses de Hong Kong e do sequestrador do ônibus em que estavam. "A fuga do motorista, somada às informações de que houve dano aos reféns, forçou a invasão" dos policiais ao ônibus, disse Aquino em comunicado emitido no dia seguinte à polêmica operação policial lançada para encerrar o sequestro das 25 pessoas originalmente no veículo tomado por um ex-oficial da polícia. A reação do chefe de Estado filipino ocorreu após os furiosos protestos dos governos de Hong Kong e China, consternados perante o modo de agir dos agentes da polícia para resolver o sequestro, que durou até que o sequestrador foi morto 12 horas após se apoderar do veículo. "É uma grande tragédia. Acho decepcionante o modo como foi conduzida a operação e principalmente o resultado", assinalou Donald Tsang, chefe-executivo de Hong Kong. Diante da indignação em Hong Kong, o executivo recomendou à população do território sob soberania chinesa que evite qualquer viagem às Filipinas nos próximos dias. Na outra frente diplomática, o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, ressaltou que há um clima negativo em seu governo e reivindicou à administração filipina uma minuciosa investigação, pedindo acesso a mesma. Em meio à enxurrada de críticas, Aquino anunciou em comunicado que explicará pessoalmente ao chefe do Executivo de Hong Kong todos os pormenores da operação e as instruções de priorizar os cuidados médicos às três vítimas que foram hospitalizadas, uma delas com um tiro na cabeça. O governo filipino, que declarou um dia de luto às vítimas da tragédia, comprometeu-se a investigar a atuação das forças de segurança, considerada pelo menos anormal pelo mais alto comando da polícia. "Vimos algumas deficiências óbvias em termos de capacidade e das táticas e procedimentos empregados, de modo que vamos investigar", disse o chefe superior de polícia, Leocadio Santiago. Vários representantes do governo de Hong Kong se deslocaram até a capital filipina para supervisionar a investigação. O sequestrador, Rolando Mendoza, morreu ao ser atingido por um tiro na cabeça feito por um atirador de elite da polícia com arma de mira a laser, pouco depois de disparar com um fuzil automático contra os policiais que fizeram uma primeira tentativa de entrar no ônibus. O chefe da polícia disse aos jornalistas que foi determinante a fuga do motorista e sua informação de que os reféns haviam sido executados pelo sequestrador. "Quando o motorista escapou e disse que Mendoza tinha começado a matar os reféns, o comandante ordenou a invasão", explicou. Mendoza, de 55 anos e ex-capitão condecorado em dez ocasiões, foi afastado da polícia em 2008 após ser envolvido em um obscuro assunto de roubo e extorsão relacionada a drogas. Com sua ação, o ex-policial queria ser absolvido das acusações que pesavam sobre ele e sua readmissão na polícia, na qual só lhe restava um ano para se aposentar e receber previdência social. Uma das sobreviventes, identificada como Leung e que perdeu o marido e duas filhas de 14 e 21 anos na tragédia, explicou nesta terça-feira que o sequestrador "só atirou quando fracassaram as negociações. "Não posso aceitar o que o governo filipino fez." Os comandantes policiais explicaram que o sequestrador mudou de atitude quando lhe entregaram uma carta da procuradoria em que, embora se comprometia a revisar seu caso, não mencionava que ele seria absolvido.
24/08/2010 11:25 AM
iG São Paulo
24/08/2010 11:24 AM
New York Times Quando os médicos erram, dizer ?me desculpe? e oferecer compensação pode diminuir as chances de processos por erro médico, mostra uma nova pesquisa. Em 2001, o Sistema de Saúde da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, introduziu um programa de incentivo aos trabalhadores da área de saúde para relatar erros médicos. O programa incluiu um processo para contar aos pacientes e suas famílias sobre os erros, explicando quem cometeu a falha, como isso aconteceu e quais medidas foram tomadas para evitar algo semelhante no futuro. Fazer um sincero pedido de desculpas ao paciente ou sua família e oferecer compensação pelos danos quando constatada a culpa também estavam inclusos no projeto. O resultado foi uma redução no número de ações judiciais e pedidos de indenização, resolução mais rápida dos conflitos e diminuição dos custos jurídicos em geral. Tradicionalmente, os médicos e os gestores de riscos têm receio que admitir a culpa motive processos judiciais, explicou o autor do estudo Allen Kachalia, diretor médico de qualidade e saúde no Hospital Brigham and Women?s, em Boston. "Muitos acreditam que se admitirmos os erros, os delitos e a má reputação irão se sobrepor às ações realizadas corretamente?, disse Kachalia. ?O que nossas descobertas mostram, no entanto, é que isso pode ser feito e, de fato, os custos diminuem e as reclamações são menores?. Pesquisadores do Sistema de Saúde da Universidade de Michigan e do Hospital Brigham and Women?s analisaram os registros de 1131 reclamações de erro médico ou pedidos de indenização por falha médica, entre 1995 e 2007, o que abrange muitos anos antes e depois de o programa ter sido implementado. Depois que os médicos começaram a admitir os erros, pedir desculpas e oferecer compensação, a média mensal de novas reclamações caiu de pouco mais de sete por 100 mil pacientes atendidos para 4,52 por 100 mil ? ou seja, 36%. A média mensal de processos judiciais movidos contra o hospital também caiu mais da metade: de 2,13 a cada 100 mil pacientes para 0,75. O tempo médio para resolução desses conflitos diminuiu por vários meses, enquanto os custos médios de processos por imputabilidade, inclusive a indenização devida ao paciente e o pagamento dos advogados, caiu até 60%. E o custo médio de processos que foram arquivados diminuiu de quase 406 mil dólares para 228 mil. O estudo, financiado pela Fundação Blue Cross Blue Shield de Michigan, foi publicado na edição de agosto do peri[odico Anais de Medicina Interna. Antes de iniciar o programa, o sistema de saúde atribuiu a causa a um advogado de defesa, de acordo com o estudo. Então, assumiu-se o risco ao se decidir mudar a política. Mas embora pesquisas anteriores sugiram a importância de transparência e desculpas, não há garantias que processos judiciais possam ser evitados, disse Kachalia. "O programa começou com a crença de que os médicos tinham a obrigação ética de revelar erros e sugeria-se que fazer uma oferta justa de compensação também seria a coisa certa a fazer", disse Kachalia. "Eles realmente não sabiam o que iria acontecer com os custos." Embora o programa pareça ser bem-sucedido, Kachalia observou que as alegações de negligência médica em geral caíram em todo o estado durante esse período. Os pesquisadores também não puderam precisar se a divulgação dos erros originados pela equipe médica aconteceu em resposta a uma queixa do paciente. Mesmo com essas ressalvas, faz sentido que os pacientes apreciem os profissionais de saúde que se responsabilizam por suas falhas, disse Kachalia. "Sinceridade, honestidade e transparência são três grandes diretrizes?. "Diversas pesquisas mostram que as pessoas ficam angustiadas quando sentem que falta honestidade. E com isso ficam mais propensas a processos. Nosso estudo não prova que o programa irá reduzir os processos. O que ele mostra é médicos e hospitais podem fazer isso sem falir". A. Russell Localio, professor adjunto da bioestatística na Universidade da Pensilvânia, chamou os resultados de "promissores". "A pesquisa sugere que o medo dos processos alerte aos médicos o fato de que podem ser necessários mais exames de diagnóstico", diz Localio, acrescentando que reduzir o medo de ser processado poderia ajudar a reduzir custos com cuidados de saúde em geral. Um obstáculo, ao contrário do que diz o Sistema de Saúde da Universidade de Michigan, é que grande parte do sistema de saúde é fragmentada. Os erros normalmente não são causados por uma pessoa, eles podem envolver problemas de comunicação entre médicos, cirurgiões, anestesistas, enfermeiros e técnicos. "Se o sistema é unificado, quando você se aproxima de um paciente, você pode fazê-lo em nome de todos os envolvidos", disse Localio. "Mas se todos trabalham de forma independente e têm seu próprio seguro e seus próprios advogados, isso pode ser muito mais difícil."
24/08/2010 11:00 AM




