Um forte terremoto de pelo menos 6,1 pontos foi registrado perto das Ilhas Molucas do Norte, território indonésio, neste sábado, disseram autoridades, mas não houve alerta de tsunami e não foram reportados até o momento estragos na área.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou a magnitude de 6,1 pontos e disse que o tremor localiza-se cerca de 200 quilômetros ao norte da ilha de Ambon, na Indonésia.
Não houve até o momento registros de vítimas ou de destruição, segundo Oktivar, um funcionário do Centro Geofísico e Meteorológico da Indonésia. Oktivar, que usa apenas um nome, como muitos indonésios, afirmou que autoridades do país classificaram o tremor como de 6,4 pontos com base na antiga escala Richter.
Serviços de emergência do país ainda estavam apurando eventuais consequências do terremoto.
O Banco Central brasileiro vai agir com vigor para buscar o centro de sua meta de inflação no tempo devido, afirmou o presidente do BC, Henrique Meirelles, neste sábado.
? O Banco Central está comprometido em assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no período apropriado, e isso certamente requer a ação vigorosa do BC durante todo o processo ? afirmou Meirelles a jornalistas durante pausa de um encontro do Fundo Monetário Internacional na capital norte-americana.
A meta de inflação fixada para 2010 no Brasil, pelo Banco Central, é de 4,5%, mas a projeção do mercado para a inflação neste ano no país (IPCA) é de 5,32%, segundo o último relatório Focus.
Consta que, antes que concluísse que Dilma era a candidata natural do seu governo, Lula abrigava a idéia de lançar a candidatura de Ciro Gomes. Fiel ministro do seu governo, com recall de outras campanhas, ainda tinha a vantagem de aparecer como candidato suprapartidário, sem passar pelos embates internos do PT. Daí o discurso de Lula, durante um certo tempo, de que o candidato poderia ser da base do governo, sem ser do PT.
Isso incentivava a aglutinação dos outros partidos de esquerda da base do governo, reunindo descontentamentos diversos sobre a hegemonia do PT e a possibilidade de disputar-lhe a predominância no campo do governo, por dispor de um candidato com circulação nacional.
Foi assim que se constituiu o bloquinho do PSB, do PC do B e do PDT, em que se apoiou Ciro para se lançar como pré-candidato.
Quando Lula se definiu por Dilma, criou-se um dilema para o bloquinho e para Ciro. Este foi se deslocando para um discurso de que sua candidatura ajudaria a ter segundo turno, frente ao favoritismo nas pesquisas de Serra, enquanto o bloquinho foi se desfazendo. O PC do B foi o primeiro a se distanciar, somando-se ao projeto do Lula, enquanto ao poucos o PDT foi acompanhando-o. O mesmo processo teria se dado no PSB ? sentindo já a inviabilização da candidatura de Ciro, tanto conforme Dilma subia nas pesquisas e Ciro ficava relegado a um espaço residual, como o partido ficada isolado, desfazendo-se o bloquinho. A dificuldade estava em que Ciro está filiado ao PSB e sua personalidade incontrolável gerava sempre temores dos efeitos da retirada da sua candidatura.
Ciro, com todos os méritos que passou a ter mais recentemente, tem características de político nordestino tradicional. Sua própria relação promiscua com Tasso Jereissati ? ele, tão drástico, com razão, em varias situações, na critica ao PMDB, poupa seu padrinho, renomado político direitista do tucanato ? e seu gênio, fazendo prevalecer sua idiossincrasia sobre construções políticas coletivas, confirmam isso.
No governo Lula, seu mérito, para Lula, foi sua fidelidade, especialmente nos momentos mais difíceis para o governo. Mas teve um desempenho fraco, sem projeção, sem ter protagonizado a polarização contra o controle férreo que Palocci tinha no governo. Saiu em baixo perfil e se dedicou à sua candidatura que, conforme definhava, foi aumentando seu isolamento e suas erráticas declarações.
Todos sabiam que sua candidatura estava morta ? inclusive ele -, mas todos tinham medo de ir comunicar-lhe, temendo suas reações intempestivas. O presidente do PSB queria que Lula o fizesse, mas não podia, diante do seu partido e do próprio Ciro, aparecer abrindo mão das suas responsabilidades.
O cenário eleitoral deste ano não encontra mais espaço para ele. Sua idiossincrasia pode levá-lo a um ultimo ato muito negativo ? como se prevê pelo seu elogio do seu inimigo mortal, aquele que o massacrou na campanha de 2002 e na critica da Dilma, demonstrando como o despeito, o rancor, por conduzi-lo por um péssimo final. Se parece em parte a Itamar, um ex-presidente com uma imagem simpática, mas que passará à história por ser que lançou FHC e o Plano Real e agora se associa aos tucanos, por rancor do governo Lula. Ciro pode terminar melancolicamente, ranzinza, prestando serviços à direita. Ou pode demonstrar altura de estadista, se sobrepor a este revés e escolher o que lhe parece melhor para o Brasil que, como ele sempre tinha afirmado, seria a continuidade do governo Lula. Com ele está sua imagem final. Os jornais da direita já comemoram sua conversão. Ele se disporá a esse triste papel?
O clérigo xiita anti-americano Moqtada al-Sadr ofereceu ajudar o governo iraquiano a manter a segurança depois que ataques com bombas contra xiitas mataram 56 pessoas no que parece ser uma resposta de insurgentes sunitas. A oferta de Sadr de utilizar seu exército paramilitar Mehdi foi feita num momento sensível para o Iraque, depois das eleições iraquianas que não produziram um vencedor claro e deixaram um vazio no poder que pode ser explorado por insurgentes.
Negociações difíceis sobre como formar um governo em 2006 deixaram o Iraque na iminência de uma guerra civil entre as seitas. O exército Mehdi xiita foi um dos principais responsáveis pela violência contra os sunitas durante o conflito. Sadr mandou que seus soldados deixassem as armas e voltassem seus esforços a trabalhos sociais. Mas se o exército Mehdi for reativado, ele poderia aumentar a tensão quando a segurança no Iraque ainda é frágil. Além disso, as tropas norte-americanas saem do país a partir de 2011.
"Eu ofereço minha disposição de ter centenas de crentes prontos .... a serem brigadas formais do exército iraquiano ou da polícia para proteger templos, mesquitas, mercados, casas e cidades," disse Sadr num comunicado.
É decisão do governo aceitar ou não. O porta-voz do governo iraquianoAli al-Dabbagh recusou-se a comentar o comunicado de Sadr. Os conflitos que se seguiram à invasão norte-americana em 2003 reduziram-se, mas a tensão aumentou desde a eleição do mês passado.
Pessoas com mais de 60 anos e que tenham doenças crônicas podem, a partir deste sábado, procurar os postos de saúde para se imunizar contra a influenza A (H1N1) ? gripe suína. A quarta etapa da campanha do Ministério da Saúde segue até o dia 7 de maio. Gestantes, crianças entre 6 meses e 2 anos, doentes crônicos com menos de 60 anos e jovens entre 20 e 29 anos que fazem parte de outras etapas da campanha e estavam sendo imunizados, até esta sexta-feira, ainda podem ir aos postos de saúde neste sábado, que abrirão excepcionalmente seguindo recomendação do Ministério da Saúde.
Confira a lista completa de doenças crônicas divulgadas pelo Ministério da Saúde:
? Pessoas com grande obesidade (grau 3) ? Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar) ? Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia) ? Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular) ? Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas ? Pessoas com diabetes ? Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses) ? Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral ? Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise ? Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias ? Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki) ? Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca ? Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica ? Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE] menor do que 0.40) ? Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE] menor do que 0.40 ? Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas ? Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea ? Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva) ? Pessoas com pericardiopatias.
A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro confirmou, neste sábado, que o técnico contábil Flávio Martins de Lima, de 29 anos, confessoui ter empurrado a mulher, Jaqueline Valadão Rios, de 44, do segundo andar do prédio onde moravam na Tijuca, Zona Norte do Rio. Na noite passada, a mulher caiu de uma altura de cerca de 30 metros e morreu devido aos ferimentos.
Segundo o delegado Pablo Ernersto, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio, os filhos de Jaqueline, um de 12 e outro de 15 anos, encontravam-se no apartamento no momento do crime. Os dois teriam entrado em choque com a morte da mãe e precisaram ser sedados. A polícia ainda aguarda o depoimento dos dois para confirmar a versão de Lima.
Ao depor, nesta manhã, à polícia, Lima relatou que ele e a mulher haviam bebido uma grande quantidade de álcool e começaram a discutir por um motivo fútil, que evoluiu para agressões físicas mútuas. Segundo o marido, durante a discussão ele acabou empurrando a mulher que, junto com uma cadeira que estava ao seu lado, quebrou o vidro da janela do apartamento e caiu do segundo andar.
Segundo a polícia, Lima apresenta escoriações nos braços e nas pernas, devido aos estilhaços do vidro da janela. Ele foi preso em flagrante e seguirá para uma unidade da Polinter.
O meia Kaká está totalmente comprometido com o Real Madrid e não está prolongando a sua recuperação de uma lesão, disse o técnico Manuel Pellegrini após o brasileiro retornar ao time depois de mais de um mês afastado.
O jogador, de 28 anos, lutou contra um problema na virilha no início da temporada e foi lesionado novamente por uma lesão na coxa após participar do empate em 1 x 1 do Real, em casa, com o Olympique Lyon na Liga dos Campeões em 10 de março, quando sua equipe foi eliminada do torneio.
A imprensa espanhola e torcedores têm sugerido que Kaká estaria se poupando para a Copa do Mundo e questionaram a gravidade de sua lesão.
? É injusto não acreditar que ele está sofrendo dores. O que tem sido dito sobre ele não corresponde com seu profissionalismo. Assim que ele não sentiu mais dores, retornou ao time ? disse Pellegrini a jornalistas, após incluir Kaká no time que enfrentará o Real Zaragoza neste sábado pelo Campeonato Espanhol.
Kaká ainda tem que conquistar os exigentes fãs do Real Madrid após não corresponder às expectativas decorrentes de sua transferência de 67 milhões de euros do Milan em junho.
Torcedores no Bernabeu gritaram o nome de Kaká durante os dois anos e meio do mandato do ex-presidente do clube Ramón Calderón, após ele ter prometido contratar o meia se eleito, o que não cumpriu.
Florentino Perez conseguiu finalizar a contratação após seu retorno à presidência mas Kaká foi ofuscado pela contratação de Cristiano Ronaldo.
O meia tem cinco jogos para recuperar os torcedores do Real Madrid e, talvez, ultrapassar os líderes Barcelona e conquistar o título espanhol, a última chance do Real de salvar a temporada, antes de defender o Brasil na África do Sul.
Responsável pela formação de várias gerações de economistas e analistas, desde os anos 60, a economista Maria da Conceição Tavares completou 80 anos, neste sábado, e comemorou com festa em sua residência, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, para cerca de 200 convidados. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, outro papel importante da economista foi sua contribuição analítica em diferentes momentos da economia brasileira.
Pochmann lembrou, em entrevista a jornalistas, que a trajetória de Maria da Conceição começou na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), no Chile.
? E, posteriormente, no Brasil, como uma mestra fundamental nas faculdades e institutos de economia do Rio de Janeiro e Campinas ? seguiu.
Sobre suas análises a respeito da economia do país, Pochmann lembrou que ?embora (Maria da Conceição) não tenha tido um cargo no governo, ela esteve muito presente no Plano Cruzado (anos 80), por exemplo, e na transição do regime militar da ditadura?.
O presidente do Ipea destacou a importância da economista também no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
? Então, como profissional, é alguém de referência do ponto de vista da condução de políticas, em diferentes momentos do período democrático ? afirmou.
Pochmann lembrou ainda a experiência da economista na área da política, como deputada federal pelo Estado do Rio de Janeiro.
? Ela teve uma participação importante no debate, no Legislativo, de tal forma que ela teve a possibilidade de ter uma ação direta na formulação de legislação brasileira. Vejo ela nessas três referências: como uma pesquisadora, docente, formadora de quadros; como profissional de atuação muito próxima em diferentes governos no período democrático; e como alguém de representação da população, no caso, o Rio de Janeiro, no legislativo federal ? concluiu.
Em uma atitude inédita para um governo conservador europeu, a Alemanha pediu à União Europeia que proíba algumas formas de negociações de derivativos financeiros, disse a chanceler Angela Merkel neste sábado.
Em um pronunciamento semanal feito pela Internet, Merkel afirmou que sentia que os mercados financeiros estavam realizando uma especulação excessiva, o que poderia ser visto especialmente na forma como o mercado vem apostando contra a Grécia, que enfrenta problemas com sua grande dívida.
? Assim, nós pedimos à Comissão Européia (órgão executivo da UE) para formular propostas para proibir essa especulação com derivativos específicos ? afirmou em um vídeo transmitido pela Internet, sem precisar quais eram os derivativos a que se referia.
A Comissão Européia deverá propor em junho controles sobre os movimentos no mercado financeiro. Depois que políticos culparam os especuladores pela piora da situação da Grécia, a questão da reforma da regulação dos serviços financeiros foi para o topo da agenda do bloco.
Merkel foi além e disse que mudanças apenas na Europa, no entanto, não serão suficientes para limitar esses tipos de negociações.
? Nós precisamos de um curso de ação internacional ? afirmou.
No dia 21 de abril, além de ser o aniversário de Brasília, agora cinquentona, é também o dia de Tiradentes - rebelde que poderia ter sido o nosso Bolívar - e também o dia em que morreu Tancredo Neves, sobre o qual ainda se está revelando muita informação importante, mas, especialmente porque sobre ele ainda são necessárias muitas releituras políticas úteis para hoje. Além de homenagens sinceras ao seu nacionalismo e antiimperialismo, quase sempre esquecidos por alguns que o querem homenagear, vale constatar a atualidade e a necessidade destas qualidades daquele mineiro. Se exercidas na presidência, teriam permitido a ele revelar-se por inteiro como grande estadista que foi. Mas, quando Dilma Roussef, em visita a São João Del Rei, leva flores para ao túmulo de Tancredo, faz florescer um debate ainda inconcluso sobre táticas e alianças, especialmente no interior do PT.
Na madrugada dramática de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas reúne seu ministério a poucas horas de dar um tiro no coração. O estampido ecoa até hoje na história brasileira. Principalmente, na luta por uma plena e verdadeira soberania nacional, pelo controle nacional de nossas riquezas, pela independência energética, pela superação da dependência tecnológica. Cada vez que se pronuncia a palavra Petrobras dever-se-ia escutar um tiro disparado contra o coração de um brasileiro.
Morrer por uma grande causa
Naquela reunião, antes do tiro, uma voz corajosa se ouviu em defesa dos interesses nacionais, da democracia, das conquistas daquele governo democrático e nacionalista, entre elas a Petrobrás. Era Tancredo Neves, jovem ministro da justiça de Vargas, propondo ao presidente a resistência, se necessário armada. Diante de generais claudicantes que rastejavam ante o golpe organizado pelo poder imperial estrangeiro, Tancredo levantava um novo brado de Tiradentes. ?Presidente, organizemos a resistência militar, prendamos os golpistas, convoquemos o povo!?, clamava. O ministro militar de Vargas já se comportava como um derrotado. Prostrou-se. Tancredo insistia: ?General, poucas vezes na vida a história nos oferece a oportunidade de viver ou morrer por uma grande causa. Não a desperdicemos!!?.(1)
Esse comportamento de um bravo foi considerado quando anos mais tarde os golpistas de sempre tentaram estimular alas militares a impedir que Tancredo vencesse a eleição presidencial no Colégio Eleitoral, pela via indireta. Isto foi revelado recentemente em assustadora entrevista do general Newton Cruz. Afirmou que houve até mesmo planos para assassinar Tancredo. Certamente, os golpistas que sempre atuam em nome dos interesses externos não perdoavam aquela convocação para unir militares e povo em defesa da democracia e dos interesses nacionais. Sejam quais fossem as conseqüências. Possivelmente se o chamado de Tancredo tivesse sido atendido, as massas furiosas que saíram às ruas após o anúncio da morte de Vargas teriam saído antes do tiro no coração.
E o curso da história poderia ter sido outro, não se sabe. Nas ruas, as massas identificaram imediatamente os responsáveis pelo golpe: cercaram e quebraram a representação diplomática dos EUA, e as sedes dos jornais O Globo, Tribuna da Imprensa. Até mesmo o jornal Tribuna Popular, dos comunistas, sofreu com a fúria popular, pois na edição daquele dia 24 de agosto Prestes pedia nada mais nada menos que a renúncia de Vargas. O jornal foi recolhido pelos próprios comunistas, temendo maiores prejuízos.....O significado disto tem muita importância para as releituras políticas que estão sendo feitas sobre a história do Brasil.
Tancredo ia reatar com Cuba
Tancredo comparou o golpe contra Vargas ao golpe sangrento desfechado contra Salvador Allende como descreve em seu excelente livro ?A Era Vargas?, o tarimbado jornalista José Augusto Ribeiro. Pelo mesmo jornalista, em depoimento ao programa ?Brasil Nação? da TVE do Paraná, soube-se de outras duas marcantes atitudes de Tancredo. A primeira quando, já presidente eleito, viaja para o mundo e nos EUA, após entrevista como o presidente Reagan, declara que o Brasil não aceitará uma intervenção militar norte-americana na Nicarágua Sandinista.
A repercussão foi tremenda. Até porque a declaração de Tancredo chegou aos ouvidos de Fidel Castro que naquele momento falava exatamente contra possíveis agressões a Nicarágua. Lendo Tancredo, o líder cubano emendou: ? Invadir a Nicarágua é fácil, quero ver invadir o Brasil?. A segunda atitude foi quando Tancredo, sem fazer estardalhaço de seus gestos, reclamou dos jornalistas perguntarem insistentemente se reataria relações com Cuba, mas nunca perguntarem porque determinou o fechamento da base militar dos EUA no arquipélago de Fernando de Noronha, quando era primeiro-ministro, no breve período do parlamentarismo no Brasil. Embora reatar com Cuba já estivesse definido, declarar isto antes de tomar posse e consolidar o governo era o que mais queria a direitona. Por isto a insistência dos jornalistas, especialmente de seus patrões... Pouco mais de um depois da morte de Tancredo, em julho de 86, Sarney reata relações com Cuba rompidas após o golpe de 64.
Há um conjunto de gestos de Tancredo ao longo de sua história que o levaram a ser odiado pelos golpistas. Desde a sua solidariedade radical e incondicional ao Vargas e as conquistas daquele governo - muitas delas ferramentas ainda hoje responsáveis por não termos pago um preço mais amargo pela crise capitalista atual, em razão dos bancos públicos, o BNDES e também a Petrobras - até o seu famoso alerta ? Não pagaremos a dívida externa com a fome do povo brasileiro!? em Tancredo encontramos ensinamentos sobre como atuar nas situações adversas, sobre como reunir o máximo de unidade forças possível para fazer avançar o processo possível para cada etapa da história. É exatamente por isso que tem importância tanto quando a pré-candidata Dilma leva flores para Tancredo, como também quando os partidários do pré-candidato José Serra, reagem alegando usurpação de memória história ou algo no gênero. São temas para um bom debate.
Lula também havia falado poucas e boas de Vargas. ?Pai dos pobres, mas mãe dos ricos? era uma delas. Mas isso foi antes de ser presidente. Hoje - quem sabe graças à pedagogia do exercício do cargo - Lula reconhece em Vargas o maior presidente que o Brasil já teve, dito por ele. E ainda lembra sempre que muitos dos órgãos de imprensa que o atacam agora e que atacam a Petrobras, atacaram Vargas e até chegaram veicular a desinformação patética de que no Brasil não haveria petróleo, portanto, que seria uma loucura criar uma Petrobras. Vale lembrar: Lula criou por decreto a Semana Vargas, para que o povo brasileiro conheça cada vez mais o presidente nacionalista, disse.
Jesus e Judas
Recentemente, Lula disse que até Jesus Cristo teria que conversar com Judas se quisesse governar o Brasil. Disse que levou muito tempo para fazer o PT compreender que precisava fazer alianças, até que conseguiu provar sua tese tendo como vice-presidente um empresário nacionalista do porte de José Alencar, que sensibiliza o país com sua determinação, seu amor ao país, à vida, mas também com sua cruzada contra os juros espoliadores da produção. Lula disse que sentia-se indo para o matadouro a cada eleição em que não podia fazer uma política de alianças, ampliando sua base de apoio. E agora diz curto e grosso para Mercadante: o PT tem que arrumar o seu ?José Alencar? em São Paulo se não quiser apenas marcar posição eleitoral, muito embora significativa.
O que tudo isto tem a ver com as flores de Dilma para Tancredo? Para o exercício do poder sem maioria parlamentar Lula e parte do PT foram compreendendo era preciso ter uma aliança ampla, muitas vezes com forças contraditórias, desde que permitissem levar adiante um projeto. Ora, não é um ensinamento cristalino de Tancredo?
Travessia no nevoeiro
No Colégio Eleitoral, em que o PT rejeitou a aliança com o Tancredo, em razão do voto indireto, havia sim a possibilidade de fazer avançar determinados pontos programáticos importantes para o povo brasileiro. Entre eles o reatamento com Cuba, o Mercosul, a legalização dos partidos de esquerda, o reconhecimento das centrais sindicais, o fim da censura, a criação do Ministério da Reforma Agrária. Não é tudo isto legado de Tancredo? Tendo sido a emenda das Diretas-Já derrotada, e sem forças próprias e sem maioria para impor uma saída própria, mesmo assim o PT rejeitou a tática de Tancredo que era a do ?velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar?. Havia até mesmo algo de purismo na argumentação petista de então. O senador Lauro Campos foi o mais votado para as eleições ao Senado no DF em 86. Mas, como o PT não aceitava o uso da sublegenda, o PMDB ficou com todas as vagas. ?A sublegenda é instrumento espúrio? dizia o PT. Mas, e o conjunto da lei eleitoral advinda da ditadura, não era? Só a sublegenda o era?
Não se recordava que o próprio Lênin não teve dúvidas de levar os bolcheviques a participar da Duma, Parlamento do Czar, para fazer avançar a revolução. E agora vemos o PT participar da eleição indireta no DF, inclusive lançando candidato ao Palácio Buriti. Naquele momento, quando a ditadura ainda não havia sido desorganizada, quando as forças progressistas ainda não possuíam força suficiente para ar uma saída própria, as relações de força ainda não eram tão favoráveis, Tancredo simbolizava uma Travessia no nevoeiro, sendo, portanto, muito justa e correta a tática de manter a unidade do campo democrático, garantindo avanços transitórios porém decisivos. Agora, com as forças progressistas com ampla representação, inclusive tendo logrado fazer um presidente como Lula, mesmo assim, ainda é necessária uma tática de acumular forças para conquistar as medidas mais urgentes e inadiáveis para as amplas massas mais penalizadas. Nota-se um processo de reajuste, de releitura, de reconsideração no interior do PT?
Não se sabe com que profundidade o gesto de Dilma de levar flores para Tancredo, em sintonia com tantas declarações de Lula questionando certos traços de sectarismo petista, estão sendo debatidos no interior do Partido. Pelo documento aprovado no mais recente congresso partidário - no qual José Alencar foi homenageado com cargo honorífico - percebe-se que algo do exclusivismo, da auto-suficiência ou sectarismo de tempos atrás já teria sido superado. O teste sobre a profundidade desta mudança de orientação política será realizado na composição das alianças nacionais e regionais para o próximo pleito.
Qual Tancredo?
De outro lado, o protesto dos seguidores da pré-candidatura José Serra contra a oferenda floral de Dilma cheia de recados para dentro e para fora do PT, carece de melhor compreensão. Quando homenageiam Tancredo estariam excluindo da lista de qualidades do mineiro sua lealdade à Era Vargas que Fernando Henrique Cardoso buscou destruir? Seria possível homenagear Tancredo e ao mesmo tempo recusar ou esconder suas posturas fortemente antiimperialistas seja fechando uma base militar norte-americana no Brasil, seja rebelando-se na frente de Reagan contra a ameaça de uma possível agressão militar dos EUA à Nicarágua naquele momento. Será possível homenagear Tancredo sem ressaltar que o mineiro era defensor da CLT - sempre alvo de ataques da patronal - e das demais conquistas que a Era Vargas legou ao nosso povo, como a Petrobrás, o início do Programa Nuclear Brasileiro, a Eletrobrás, mais tarde confirmada no governo Jango, o salário mínimo hoje re-valorizado?
Talvez a campanha eleitoral seja pródiga em respostas para tantas questões que as flores a Tancredo levantam neste 25 aniversário da morte do mineiro. A superação de sectarismo do passado e a capacidade de construir alianças permitiram levar Lula e Alencar ao governo, não se cansa de lembrar o presidente.. Mas, haverá continuidade nesta tática de ampliar as bases de apoio, com as concessões feitas onde necessário para avançar nos centros mais decisivos, especialmente mantendo o PT no Planalto? Haverá a tática necessária para fazer com que os empresários que se dizem felizes com Lula mas anunciam voto em Serra revejam esta posição?
E do outro lado, haverá a possibilidade de ter Tancredo como símbolo exclusivo da uma determinada campanha política hoje, mesmo tendo sido o mineiro portador de tantas mensagens fundamentais para a nossa história, sempre contra as sombrias forças golpistas das décadas de 50, de 60, e também de 80?
A saída do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da corrida presidencial já começou a reorganizar o tabuleiro da política nacional. Enquanto parcela do eleitorado conservador acredita que a retirada de peça importante no xadrez eleitoral tende a beneficiar o pré-candidato José Serra (PSDB), setores da esquerda vêem de forma positiva o caráter plebiscitário que a sucessão presidencial adquire com a polarização entre a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, e o representante tucano, José Serra.
Para o diretor do instituto Datafolha, o sociólogo oMauro Paulino, o comportamento do eleitor, a ser medido na próxima pesquisa, em maio, vai depender das atitudes de Ciro no período, principalmente de sua provável declaração de apoio a Serra ou a Dilma Rousseff (PT).
? Há uma predisposição dos eleitores de Ciro de votar em Serra, pela análise dos dados de segundo turno ? disse Paulino à agência inglesa de notícias Reuters.
Ele explica que, na pesquisa mais recente, divulgada em 19 de abril, dos eleitores que citaram Ciro no primeiro turno (9%), 57% indicaram Serra no segundo turno e 33%, Dilma. Mas Paulino rechaça o conceito de que, sem Ciro, nas pesquisas de primeiro turno, seus votos migrariam para Serra. Ao contrário. Ele disse que os votos do deputado se distribuem proporcionalmente entre os demais candidatos, levando em conta ainda que a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Sem o deputado, Serra cresce 4 pontos (de 38% para 42%), Dilma aumenta 2 pontos (de 28% para 30%), enquanto Marina Silva (PV) também sobe 2 pontos (de 10% para 12%). Os opositores devem procurar atrair também os 14% de Ciro na região Nordeste, onde Dilma ganha de Serra. Segundo o diretor do Datafolha, o eleitor acumula informações e se Ciro oscilar em apoiar Serra ou Dilma, suas opiniões podem ser vistas como contraditórias e devem servir mais para confundir o eleitor.
? Não dá para prever ? disse.
Polarização
Defensor de uma escolha plebiscitária, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aposta no crescimento da candidata de sua escolha, Dilma, e trabalhou vigorosamente para tirar o pré-candidato socialista, Ciro, do páreo. Mas não pretende parar por aí na tentativa de levar o primeiro turno das eleições a uma disputa franca entre o PT e o PSDB.
? Com o Ciro afastado, após um acordo de cooperação política fechado entre Lula e os governadores do PSB, na quinta-feira, não pensem que ele (Lula) não está trabalhando agora para convencer Marina Silva, sua amiga pessoal de longa data, a juntar-se à aliança, nem que seja no segundo turno ? disse um parlamentar peemedebista ao Correio do Brasil, na manhã deste sábado.
A decisão de polarizar a campanha foi tomada ainda no início do ano, quando os institutos de pesquisa precisaram admitir que a popularidade do presidente, em torno de 86%, começava a se transferir para Dilma, o que elevou seus índices de aprovação junto ao eleitorado a menos de seis pontos percentuais do adversário tucano, Serra.
Pesquisa CNI/Ibope, divulgada em março, já indicava um cenário cada vez maior de polarização entre os prováveis candidatos às eleições presidenciais de outubro. De acordo com o levantamento, Serra permanecia na liderança da disputa, mas a vantagem em relação a Dilma havia caído para cinco pontos percentuais, em um cenário no qual ainda apareciam Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV).
Os números apontavam um avanço de 13 pontos percentuais da candidata do PT em relação à última pesquisa CNI/Ibope, divulgada em dezembro do ano passado, quando Serra aparecia isolado na liderança, com 38% das intenções contra apenas 17% de Dilma Rousseff.
No cenário em que Ciro não concorre à Presidência, a diferença entre Serra e Dilma permanecia de cinco pontos percentuais, com o governador de São Paulo somando 38% da preferência dos entrevistados e Dilma, 33%. Já a candidata Marina Silva teria 8% das intenções neste cenário.
Efeito Lula
A pesquisa também perguntou qual seria a influência de Lula na intenção de voto da população. Entre os entrevistados, 53% afirmaram que prefeririam votar em um candidato apoiado por Lula, enquanto 10% afirmaram preferir votar em um candidato da oposição. No entanto, 42% dos entrevistados admitiram desconhecer qual é o candidato apoiado pelo presidente.
Outros 33% afirmaram que não levarão em conta o apoio do presidente Lula na hora do voto.
Na pesquisa espontânea, em que uma lista com os candidatos não é apresentada ao entrevistado, o presidente Lula ? que não pode concorrer a mais um mandato ? aparece com 20% das intenções de voto, seguido por Dilma Rousseff, com 14%, e José Serra, com 10%. Neste tipo de levantamento, no entanto, 42% dos entrevistados dizem não saber em quem votar.
Palavras duras
Na entrevista que concedeu ao portal IG, nesta sexta-feira, segundo os entrevistadores, Ciro estava sereno, mesmo quando declarou que ?Lula está navegando na maionese?. Ainda segundo o portal, "na conversa, assumiu pela primeira vez que sua candidatura à presidência da República chegou ao fim. Oficialmente, aguardará a decisão da executiva do partido, marcada para o dia 27 de abril, terça-feira da semana que vem".
Citando nominalmente o presidente nacional do partido, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, Ciro disse que os líderes pessebistas ?não estão no nível que a História impõe a eles?.
Ciro também admitiu que pode largar a política partidária ainda neste ano. Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso e ex-ministro de Lula, Ciro Gomes fez até agora uma carreira política de sucesso. Aos 53 anos, no entanto, poderá se ver obrigado a fazer uma parada técnica e ficar de fora da política por dois anos se se dispuser a voltar na condição de prefeito, ou até quatro anos, se quiser voar mais alto. Terá então 57 anos, jovem para padrões políticos.
As palavras mais duras, no entanto, foram guardadas para o presidente Lula. Ele o acusou de agir de maneira desmedida na tentativa de eleger a candidata Dilma:
? Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz ?Presidente, tenha calma?. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz ? afirmou.
Ciro Gomes afirma que Lula tem a popularidade que merece ter, pois seu governo tem realizações.
? Mas ele não é Deus ? acrescentou.
Ciro criticou a interferência direta do Palácio do Planalto no debate interno do PSB e aquela que ele classifica de subserviência partidária:
? Tiraram de mim o direito de ser candidato. Mas quer saber? Relaxei. Eles não querem que eu seja candidato? Querem apoiar a Dilma? Que apoiem a Dilma. Estou como a Tereza Batista cansada de guerra. Acompanho o partido. Não vou confrontar o Lula. Não vou confrontar a Dilma ? conformou-se.
Ainda na entrevista ao portal, Ciro Gomes diz que sua presença na eleição cumpriria uma missão.
? Trata-se de uma missão estratégica, que não será desempenhada por mais ninguém ? disse.
Além do vice de futebol Marcos Braz e do diretor Eduardo Manhães, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, anunciou também nesta sexta-feira a saída do técnico Andrade, que comandou o clube na conqusita do Campeonato Brasileiro do ano passado. A sequência de maus resultados e das confusões envolvendo jogadores do elenco foram cruciais.
O nome do substituto de Andrade ainda não está definido. Há possibilidade que seja Joel Santana, atualmente no Botafogo, ou do tetracampeão Leonardo. O nome de Wanderley Luxembugo, técnico do Atlético-MG também foi cogitado.
24/04/2010 02:54 PM
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